Sexta-feira, 10 de Julho de 2009
Esclarecimento

Onassis: este colocava todas gerações de pelotinos no chinelo,
inclusive porque se tornou um homem culto
Na verdade, Pelotas, hoje em dia, tem raros casos de gente na ativa que fez fortuna com as próprias mãos, saindo do zero. Nenhum deles com aquele poderio mencionado por Capote.
A maioria dos que usufruem de condição financeira aparentemente melhor herdou dinheiro ou negócios dos pais. Com perdão do trocadilho, não puseram o negócio em pé; tiveram o caminho facilitado.
Os que fazem questão da "pose" e das fotinhos publicadas nos jornais municipais (os verdadeiros pelotinos) são os herdeiros, inclusive os que nada produzem mais, e os emergentes, aqueles que começam a se dar bem em algumas atividades, mas nada que lembre um milionário de verdade.
A condição dessas pessoas sobressalta numa cidade com a depressão econômica da nossa, mas se torna inexpressiva em comparação com outras cidades. Em Caxias, o bicho começa a pegar. Em São Paulo, quem nos parece "rico" por aqui se torna nada. Em Nova York, provavelmente não prolongaria por muitos dias a estada num hotel de médio padrão.
O leitor, pelo jeito, tem cabeça de americano, para quem o dinheiro é tudo. A minha humilde cabeça está mais para o velho continente, aliás, nossa origem, onde a bagagem intelectual aplicada ao trabalho e à ética tem maior peso do que a conta bancária de alguém.
E boa noite a todos, que hoje vou levar meu filho para jantar no excelente Batuva, nosso "melhor" restaurante, por sinal, acessível à classe média que trabalha bem, até mesmo aos flanelinhas que atuam forte durante um dia de trabalho.
Os que fazem questão da "pose" e das fotinhos publicadas nos jornais municipais (os verdadeiros pelotinos) são os herdeiros, inclusive os que nada produzem mais, e os emergentes, aqueles que começam a se dar bem em algumas atividades, mas nada que lembre um milionário de verdade.
A condição dessas pessoas sobressalta numa cidade com a depressão econômica da nossa, mas se torna inexpressiva em comparação com outras cidades. Em Caxias, o bicho começa a pegar. Em São Paulo, quem nos parece "rico" por aqui se torna nada. Em Nova York, provavelmente não prolongaria por muitos dias a estada num hotel de médio padrão.
O leitor, pelo jeito, tem cabeça de americano, para quem o dinheiro é tudo. A minha humilde cabeça está mais para o velho continente, aliás, nossa origem, onde a bagagem intelectual aplicada ao trabalho e à ética tem maior peso do que a conta bancária de alguém.
E boa noite a todos, que hoje vou levar meu filho para jantar no excelente Batuva, nosso "melhor" restaurante, por sinal, acessível à classe média que trabalha bem, até mesmo aos flanelinhas que atuam forte durante um dia de trabalho.
Ah, sim. Do Onassis, que ainda por cima teve como mulheres Maria Callas e Jaqueline Kennedy, desse, sim, eu tenho raiva. Pelos pelotinos (os "arroz de festa"), eu sinto é compaixão.
Marcadores:
Comportamento
Nem tudo acaba em pizza

.jpg)
Luiz Minduim
Artista plástico
Sábado desses, o “Voltaremos” aquele, apresentou um mocotó de frango, retirando da tradicional receita a pata do boi, o mondongo e a tripa, e colocou franguinho para substituir. Fez na verdade uma sopa de feijão branco, sem identidade. Convenhamos, mocotó tem de ter mandrulhos, gostem ou não. Não tiro o valor do programa do Anonymus, mas às vezes ele faz umas misturebas tipo nad a a ver. mplico com estas (re) invenções de pratos consagrados. Como assim bife-soja ou lasanha de legumes? Quem sabe então cortar um milho ao comprido, fritar e chamar de bife de milho?
Bife é de animal e olhe lá, pois bife de peixe já me soa estranho. Já li sobre feijoada vegetariana... ora bolas, feijoada e uma coisa só; salvo variações regionais, é feijão preto, defumados e embutidos de porco, temperos, laranja, farofa, couve e arroz branco. O resto é invencionice.
Um exemplo de prato que não pode ser modificado é a massa a la carbonara, leva bacon, creme de leite, ovos e queijo ralado, qualquer mudança já deixa de ser um clássico da cozinha italiana.
Ah... vais perguntar se não se pode procurar inovações e variações? Claro que sim, pode e deve, sempre busco inspiração na culinária básica, mas não saio dizendo que fiz um bife bourginon se botei cerveja preta no molho do ensopado.
Hoje é dia de pizza e, como paulistano, só admito pizzas tradicionais, sem muitas murisquetas, só com azeite por cima. Nos trailers da avenida tem até pizzas de estrogonofe... me poupem! Pizzas doce é outra desiguaria, imaginem o cobertura de chocolate e coco ralado se chamar Prestígio!
Mas lembrei das “pizzas” de massa de farinha integral e mel, com ingredientes e nomes insólitos que o Vicente Pimentero preparava no Valig do saudoso Fondo Blanco - ali a criatividade e personalidade sobrepujavam qualquer discussão de nomenclatura.
Marcadores:
Tempero da vida
Matéria especial
Na semana que vem publicaremos uma matéria sobre o dia em que o jornal Diário Popular demitiu o editor-chefe por causa de uma matéria publicada com autorização deste. A matéria contava uma história de racismo. Um homem negro foi impedido de entrar numa festa promovida por uma família "tradicional" da cidade. Em solidariedade ao editor demitido, saíram em fila, atrás dele, outros quatro jornalistas. O caso entrou para a história local como um exemplo das dificuldades de fazer jornalismo com isenção em Pelotas. Os personagens envolvidos estão todos aí. Estamos colhendo seus depoimentos.
Oposição leva nova denúncia contra Sarney ao Ministério Público
Deu na Folha Online
A denúncia de que a Fundação José Sarney desviou recursos de um patrocínio cultural da Petrobras vai ser alvo de uma investigação do Ministério Público. A oposição protocolou nesta sexta-feira uma representação contra o coordenador de projeto da fundação Raimundo Nonato.
O líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), também levou a acusação para o Conselho de Ética do Senado, pedindo que o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), seja investigado por quebra de decoro parlamentar. Leia na íntegra.
A denúncia de que a Fundação José Sarney desviou recursos de um patrocínio cultural da Petrobras vai ser alvo de uma investigação do Ministério Público. A oposição protocolou nesta sexta-feira uma representação contra o coordenador de projeto da fundação Raimundo Nonato.
O líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), também levou a acusação para o Conselho de Ética do Senado, pedindo que o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), seja investigado por quebra de decoro parlamentar. Leia na íntegra.
Marcadores:
Brasília
Lula não viu
Os presidentes Obama e Sarkozy ficaram entusiasmados com o resultado do encontro do G8, nesta quinta (9), na Itália. O presidente Lula, entretanto, da mesma forma que não viu o mensalão, e não vê nada de errado com o Presidente do Senado, não prestou muita atenção a um dos principais acontecimento da cúpula. A moça conferida por Obama é brasileira, tem 17 anos, e se chama Mayara Tavares.
Marcadores:
Comportamento,
Internacionais
Shopping Figueiras (Rio Grande)
Ars LongaCrítica de cultura
Pelotas nasceu e se desenvolveu em função do porto de Rio Grande. A freguesia formada perto do Arroio Pelotas obteve autonomia administrativa em 1832, com a instalação da Câmara Municipal – defronte à Praça da Regeneração (Coronel Pedro Osório) – e do pelourinho, onde hoje está a Fonte das Nereidas.
As duas cidades seguiram crescendo em ritmos diferentes, mantendo uma tradicional rivalidade. No século XXI, a tendência é de que as velhas competidoras formem conjuntamente um polo econômico, industrial e cultural. Mas hoje ainda vivem uma fase de decadência, enfrentada com trabalho e otimismo por alguns, negada pela maioria. Um exemplo ajuda a ver esta semelhança negativa.
Há uns dez anos, foi levantado em Rio Grande um moderno centro comercial, com 80 lojas em dois andares, praça de alimentação, elevador panorâmico, uma sala de cinema e amplo estacionamento. O plano foi executado no terreno de um casarão na rua Aquidaban, em cujo pátio havia três figueiras centenárias. A Prefeitura autorizou a derrubada da casa mas não das árvores, e o novo prédio se denominou Shopping Figueiras.
Por uns anos, o empreendimento deu certo, mas nunca chegou a sua capacidade máxima. Lojas e cinema ficaram sem público, os comerciantes deixaram de investir e a Faculdade Atlântico Sul, que começou neste prédio, abriu sua sede longe dali. Hoje restam 20 lojas abertas, no térreo. O elevador funciona perfeitamente, mas o segundo andar é uma carcaça abandonada. Os rio-grandinos se mantêm fiéis aos restaurantes, deixando a construção com aspecto de cidade fantasma. As velhas árvores seguem de pé, mas, na falta de espaço para plantar novas, as sobreviventes anunciam que o Shopping Figueiras está morrendo com seus símbolos.
Uma cidade desnorteada que não aceita o progresso? Ou que teme a subida mundial do nível das águas? Um bastião da defesa contra os espanhóis, que não quer mais guerra? Ou um antigo porto que prefere ter vocação de balneário? Poderá a saída encontrar-se na reunificação com o distrito dos banhados que se emancipou no século XVIII?
Marcadores:
Ars Longa (crítica cultural)
Quinta-feira, 9 de Julho de 2009
Rumo ao 1 milhão de visitas
Graças a você, em agosto, ao completar 16 meses de vida,
o blog Amigos de Pelotas atingirá a marca de 1 milhão de visitas.
Uma média de 62,5 mil visitas mensais. Obrigado.
o blog Amigos de Pelotas atingirá a marca de 1 milhão de visitas.
Uma média de 62,5 mil visitas mensais. Obrigado.
"Eu leio o blog Amigos de Pelotas porque me atualizo com rapidez. Os fatos acontecem e logo estão no blog, um instrumento inovador de informação que reflete bem o que pensa o pelotense, sem qualquer censura, e permite o debate instantâneo do que foi escrito."Osvaldo Duarte Júnior
Fisioterapeuta
Mestrando em Saúde e Comportamento pela UCPel
Assessor Parlamentar
José de Alencar teria dado um bom presidente
Já perdemos as contas das vezes a que Alencar se submeteu a intervenções cirúrgicas. O que chama atenção é sua aparente tranquilidade diante da doença.
Quando morava em Brasília, conversei com ele algumas poucas vezes, ocasionalmente, em cerimônias. Pessoalmente, o astral do vice-presidente é como nos parece pela tevê. Seguro, simpático. E, apesar da fortuna que ergueu com o suor do próprio trabalho como empresário, é um homem de uma simplicidade franciscana.
Tivesse entrado na política mais cedo, teria dado um bom presidente.
Por falar nisso, com sua ausência, durante a cirurgia, e com Lula no exterior, a presidência ficou vaga - a cadeira ficou vazia. Ninguém deu maior importância ao fato, a não ser alguns jornalistas. O Brasil é mesmo um país único.
Marcadores:
Comportamento
A última de Sarney, que Lula protege
A Fundação José Sarney - entidade privada instituída pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para manter um museu com o acervo do período em que foi presidente da República - desviou para empresas fantasmas e outras da família do próprio senador dinheiro da Petrobrás repassado em forma de patrocínio para um projeto cultural que nunca saiu do papel.
Do total de R$ 1,3 milhão repassado pela estatal, pelo menos R$ 500 mil foram parar em contas de empresas prestadoras de serviço com endereços fictícios em São Luís (MA) e até em uma conta paralela que nada tem a ver com o projeto. Uma parcela do dinheiro, R$ 30 mil, foi para a TV Mirante e duas emissoras de rádio, a Mirante AM e a Mirante FM, de propriedade da família Sarney, a título de veiculação de comerciais sobre o projeto fictício.
A verba foi transferida em 2005, após ato solene com a participação de Sarney e do presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli. A Petrobrás repassou o dinheiro à Fundação Sarney pela Lei Rouanet, que garante incentivos fiscais às empresas que aceitam investir em projetos culturais. Mas esse caso foi uma exceção. Apenas 20% dos projetos aprovados conseguem captar recursos. Leia na íntegra.
Do total de R$ 1,3 milhão repassado pela estatal, pelo menos R$ 500 mil foram parar em contas de empresas prestadoras de serviço com endereços fictícios em São Luís (MA) e até em uma conta paralela que nada tem a ver com o projeto. Uma parcela do dinheiro, R$ 30 mil, foi para a TV Mirante e duas emissoras de rádio, a Mirante AM e a Mirante FM, de propriedade da família Sarney, a título de veiculação de comerciais sobre o projeto fictício.
A verba foi transferida em 2005, após ato solene com a participação de Sarney e do presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli. A Petrobrás repassou o dinheiro à Fundação Sarney pela Lei Rouanet, que garante incentivos fiscais às empresas que aceitam investir em projetos culturais. Mas esse caso foi uma exceção. Apenas 20% dos projetos aprovados conseguem captar recursos. Leia na íntegra.
Marcadores:
Brasília
Pavan vai dar trâmite a novo pedido de impeachment da governadora Yeda
O presidente da Assembleia Legislativa do RS, deputado Ivar Pavan, comprometeu-se em encaminhar à Procuradoria Geral novo pedido de impeachment da governadora Yeda Crusius (PSDB). O pedido foi protocolado na AL ontem (8) por servidores públicos estaduais. O documento foi assinado por 34 sindicalistas representando o Fórum dos Servidores Públicos do Estado (FSPE).
A vice-presidente do sindicato dos professores públicos estaduais, o Cpers, Neida Oliveira, diz que o pedido denuncia práticas de crime por responsabilidade da governadora Yeda. Para ela, já há provas suficientes para que se determine o afastamento imediato de Yeda.
"No nosso entendimento, não tem mais nenhuma condição de que a Assembléia Legislativa, que sequer conseguiu instalar a CPI [CPI da Corrupção], faça de conta que nada está acontecendo enquanto nosso estado vive um clima de completa instabilidade no governo acusado de corrupção", afirma.
Este é o segundo pedido de impeachment da governadora que chega à Assembléia Legislativa. Em junho do ano passado, quando surgiram as primeiras denúncias de corrupção e Caixa 2, o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) protocolou um pedido de afastamento.
O que mudou durante este período, avalia Neida, é que novos depoimentos divulgados confirmariam as denúncias e adicionam outras. São os casos das entrevistas de Magda Cunha, viúva do ex-assessor de Yeda, Marcelo Cavalcante, e o recente depoimento do empresário Lair Ferst ao Ministério Público Federal (MPF).
"Ele é um novo pedido de impeachment porque ninguém nos explica exatamente o que aconteceu com o outro. Nós temos hoje, inclusive depoimentos de quem participou de todo esse esquema que já são públicos. A Assembléia Legislativa tem responsabilidade neste momento de responder para a sociedade gaúcha", diz.
A próxima atividade dos servidores está marcada para o dia 16, quando ocorrem diversas mobilizações na Capital e no interior para pressionar pelo impeachment.
A vice-presidente do sindicato dos professores públicos estaduais, o Cpers, Neida Oliveira, diz que o pedido denuncia práticas de crime por responsabilidade da governadora Yeda. Para ela, já há provas suficientes para que se determine o afastamento imediato de Yeda.
"No nosso entendimento, não tem mais nenhuma condição de que a Assembléia Legislativa, que sequer conseguiu instalar a CPI [CPI da Corrupção], faça de conta que nada está acontecendo enquanto nosso estado vive um clima de completa instabilidade no governo acusado de corrupção", afirma.
Este é o segundo pedido de impeachment da governadora que chega à Assembléia Legislativa. Em junho do ano passado, quando surgiram as primeiras denúncias de corrupção e Caixa 2, o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) protocolou um pedido de afastamento.
O que mudou durante este período, avalia Neida, é que novos depoimentos divulgados confirmariam as denúncias e adicionam outras. São os casos das entrevistas de Magda Cunha, viúva do ex-assessor de Yeda, Marcelo Cavalcante, e o recente depoimento do empresário Lair Ferst ao Ministério Público Federal (MPF).
"Ele é um novo pedido de impeachment porque ninguém nos explica exatamente o que aconteceu com o outro. Nós temos hoje, inclusive depoimentos de quem participou de todo esse esquema que já são públicos. A Assembléia Legislativa tem responsabilidade neste momento de responder para a sociedade gaúcha", diz.
A próxima atividade dos servidores está marcada para o dia 16, quando ocorrem diversas mobilizações na Capital e no interior para pressionar pelo impeachment.
Marcadores:
Assembléia Legislativa,
Movimentos Sociais
Nossa candidata ao título de Cidadã Pelotense de 2010, se a Câmara concordar em homenagear os "humildes" em "sessão solene"
Na última segunda-feira, em sessão solene no Theatro Sete de Abril, nossos vereadores homenagearam pequenos e médios empresários de relativo êxito na cidade, além de outras figuras. Diante dessas homenagens, lembro daquele ditado: "Dinheiro chama dinheiro". Os homenageados surgem, depois, nas fotografias nas colunas sociais, sempre corados e felizes, ao lado dos corados e felizes vereadores que os homenagearam. Todos certamente possuem seus méritos. Mas, afinal, O QUE É UM CIDADÃO PELOTENSE? UM CIDADÃO EMÉRITO DE PELOTAS? QUAL A EXTENSÃO DO BENEFÍCIO SOCIAL DE SUA ATUAÇÃO, QUE, AFINAL, É O QUE DEVERIA MEDIR A CÂMARA? Sempre fico com a sensação de que nossos nobres vereadores, tão solícitos diante dos "pobres" na época de caçar votos, depois de eleitos, viram as costas ao "povão" na hora de "homenagear". Eu gostaria de ver nossa Câmara homenagear, por exemplo, uma mulher como Neli Martins Netto, cujo trabalho assistencial solitário (sem apoio do poder público) tem feito a diferença na Vila do Trapiche. Abaixo, um perfil de Neli.

Mabel Oliveira
Colunista do blog
Quem passa pela pequena Vila do Trapiche, no Laranjal, percebe a discrepância entre a exuberância natural da praia e os pequenos casebres que se enfileiram a beira da lagoa. A maior parte dos moradores da localidade está desempregada e a única atividade possível é a pesca no verão. No resto do ano, o que existe são histórias de abandono, descaso e miséria. Entretanto, um olhar mais atento descobre que nem tudo é como parece ser.
Escondida entre tantas outras, quase idênticas em simplicidade e precariedade de instalações, está a casa de Neli Martins Netto. Moradora do Laranjal há mais de 40 anos, tia Neli, como é conhecida, instalou-se na Vila do Trapiche em 2003. Aos 51 anos de idade, ela vem modificando não apenas sua história pessoal, mas a da comunidade a sua volta. “Jamais imaginei que minha vida iria se tornar o que se tornou: doação total”, desabafa Neli.
A vida dessa pelotense transformou-se no dia em que um menino chegou até ela comendo uma goiaba verde. Tocada ao notar a fome do garoto, Neli lhe ofereceu um prato de comida e guardou a goiaba, para nunca esquecer daquele momento. Hoje, a fruta está seca, mas Neli continua dividindo o pouco que tem com as crianças que chegam com fome à sua porta. Mais do que isso, dedica todo seu tempo e dinheiro para oferecer novas perspectivas aos meninos e meninas que vizinham sua casa. “Meu objetivo é vê-los formados e encaminhados, quero que se tornem pessoas de bem”. Viúva sem filhos, Neli mora sozinha em cômodo único, que converteu em ateliê. A pequena peça é decorada com desenhos, pinturas, fotos e bilhetes das 50 crianças que atende, além de livros e painéis educativos sobre o perigo das drogas.
Como o trabalho de Neli é voluntário, a ajuda que recebe é eventual. Mesmo assim, ela não pensa em desistir. Referindo-se às crianças, diz: “Sou eu para eles; não espero se alguém vai ajudar ou não. Precisando, vou atrás (...) As instituições não querem se envolver, não é interessante para ninguém ajudar pobre”.
Uma vez na casa de tia Neli, ficar ocioso é proibido. Durante a semana, as crianças podem, se quiserem, pintar panos de prato para vender. Aos sábados recebem aulas de teatro de voluntárias. Recebem também aulas de reforço – estudar é lema da casa.
Mulher simples de olhos vibrantes e pés inquietos, moradora de uma comunidade pobre, Neli vive para ajudar crianças que não são suas, mas trata como se fossem.

Mabel Oliveira
Colunista do blog
Quem passa pela pequena Vila do Trapiche, no Laranjal, percebe a discrepância entre a exuberância natural da praia e os pequenos casebres que se enfileiram a beira da lagoa. A maior parte dos moradores da localidade está desempregada e a única atividade possível é a pesca no verão. No resto do ano, o que existe são histórias de abandono, descaso e miséria. Entretanto, um olhar mais atento descobre que nem tudo é como parece ser.
Escondida entre tantas outras, quase idênticas em simplicidade e precariedade de instalações, está a casa de Neli Martins Netto. Moradora do Laranjal há mais de 40 anos, tia Neli, como é conhecida, instalou-se na Vila do Trapiche em 2003. Aos 51 anos de idade, ela vem modificando não apenas sua história pessoal, mas a da comunidade a sua volta. “Jamais imaginei que minha vida iria se tornar o que se tornou: doação total”, desabafa Neli.
A vida dessa pelotense transformou-se no dia em que um menino chegou até ela comendo uma goiaba verde. Tocada ao notar a fome do garoto, Neli lhe ofereceu um prato de comida e guardou a goiaba, para nunca esquecer daquele momento. Hoje, a fruta está seca, mas Neli continua dividindo o pouco que tem com as crianças que chegam com fome à sua porta. Mais do que isso, dedica todo seu tempo e dinheiro para oferecer novas perspectivas aos meninos e meninas que vizinham sua casa. “Meu objetivo é vê-los formados e encaminhados, quero que se tornem pessoas de bem”. Viúva sem filhos, Neli mora sozinha em cômodo único, que converteu em ateliê. A pequena peça é decorada com desenhos, pinturas, fotos e bilhetes das 50 crianças que atende, além de livros e painéis educativos sobre o perigo das drogas.Como o trabalho de Neli é voluntário, a ajuda que recebe é eventual. Mesmo assim, ela não pensa em desistir. Referindo-se às crianças, diz: “Sou eu para eles; não espero se alguém vai ajudar ou não. Precisando, vou atrás (...) As instituições não querem se envolver, não é interessante para ninguém ajudar pobre”.
Uma vez na casa de tia Neli, ficar ocioso é proibido. Durante a semana, as crianças podem, se quiserem, pintar panos de prato para vender. Aos sábados recebem aulas de teatro de voluntárias. Recebem também aulas de reforço – estudar é lema da casa.
Mulher simples de olhos vibrantes e pés inquietos, moradora de uma comunidade pobre, Neli vive para ajudar crianças que não são suas, mas trata como se fossem.
Marcadores:
Comportamento
Faz um ano (ou O suco da semente)

Leonardo Peixoto
Graduando de Cinema & Animação
Faz um ano. É curioso como algumas convenções mexem com a gente. Um ano, uma década, meio século, um jubileu... Enfim, faz um ano. Muito tempo ou pouco tempo, não dá para precisar. “Cada coisa a seu tempo”, sempre ouvi dizer. É impressionante como mudanças podem acontecer de forma tão rápida. No dia 4 de Julho do ano passado recebi a noticia mais impactante da minha vida: estava com Leucemia. No dia 6, entrei no hospital. No dia 7, foi o aniversário mais estranho. No dia 9, comecei o longo tratamento quimioterápico. Sendo assim, toda essa história está a ocupar minha mente neste 9 de julho; então, não conseguiria escrever sobre outra coisa.
Esta semana está vindo com um gosto de superação, de vitória, de alívio e de conforto. Não, ainda não estou curado, mas o susto passou e as punções, transfusões, biópsias e internações têm cada vez menos freqüência na rotina. Neste ano, reafirmei algumas certezas: que tenho um porto seguro na minha família, uma fé que me mantém firme, amigos em quem confiar e que se tem que aproveitar cada minuto.
Neste um ano, recebi muitas ajudas, de doações de sangue a orações e boas energias, passando por artifícios para passar o tempo. Montei um quebra-cabeças, fiz um mini-filme, escrevi muita coisa, vi muitos filmes, mergulhei em livros. Deixei de fazer várias outras coisas, mas essas não se deve listar.
Não é fácil e não é bom, mas, como o meu pai me disse uma vez, “às vezes tem que tirar suco até da semente”. Não sei se amadureci ou se aprendi algo exato. A certeza que eu tenho é que adquiri uma grande habilidade em lidar com mudanças. Ah! A instabilidade da vida, que graça teria sem ela?
Não sei o quanto é interessante para alguém ler essa minha descrição, mas, como já disse, não conseguiria escrever sobre outra coisa hoje. E, pensando melhor, acho que aprendi algumas coisas sim: tudo sempre se acomoda, pode não ser do melhor jeito, mas se acomoda. E enquanto as coisas não se ajeitam tudo que podemos fazer é nos esforçar para o melhor, e, durante o percurso, dar o máximo de risadas, sorrisos e abraços sinceros que conseguirmos.
Faz um ano. Nesse período já tive medo de morrer, mas hoje não conseguiria me sentir mais vivo. Só posso agradecer novamente a quem me ajudou. E dizer a todos, mesmo podendo parecer piegas, que, mantendo a esperança, a firmeza e a sinceridade sempre são possíveis. Nem que se tenha que tirar suco da semente.
Outros textos de Leonardo
E-mails para o autor: leo_vpeixoto@hotmail.com
Marcadores:
Pura perspectiva
Yeda cobra de Fetter 'dívida' de R$ 75 mil contraída na gestão de Marroni
Secretaria Estadual de Cultura apresentou à prefeitura de Pelotas fatura de cobrança do Carnaval de 2004, gestão do então prefeito Fernando Marroni (PT). De um montante de R$ 437.780, captados através da Lei de Incentivo à Cultura estadual (LIC) para a realização da festa daquele ano, faltou, até este momento, cinco anos passados, a prestação de contas de R$ 75.814. Dedução lógica: sem prestação, o dinheiro pode ter sido roubado por alguém. Quem?
Comentário meu
Eis mais um exemplo grotesto da desorganização do estado brasileiro, no caso, gaúcho. Nunca é tarde para apresentar um "papagaio" do tipo, já que envolve dinheiro público. Mas fazê-lo cinco anos depois do fato ocorrido nos deixa perplexos com o nível de - desculpe - "esculhambação" do governo - a não ser, é claro, que este mesmo governo que cobra a dívida esteja envolvido no sumiço do dinheiro. A cobrança chega logo depois de a governadora Yeda Crusius (PSDB) participar do jantar pelos 197 anos de Pelotas, em que posou para foto com o prefeito Fetter Jr. (PP).
Comentário meu
Eis mais um exemplo grotesto da desorganização do estado brasileiro, no caso, gaúcho. Nunca é tarde para apresentar um "papagaio" do tipo, já que envolve dinheiro público. Mas fazê-lo cinco anos depois do fato ocorrido nos deixa perplexos com o nível de - desculpe - "esculhambação" do governo - a não ser, é claro, que este mesmo governo que cobra a dívida esteja envolvido no sumiço do dinheiro. A cobrança chega logo depois de a governadora Yeda Crusius (PSDB) participar do jantar pelos 197 anos de Pelotas, em que posou para foto com o prefeito Fetter Jr. (PP).
Marcadores:
Governo estadual,
Prefeitura
A conta da calvície

Egídio Pizarro
Graduando de História
Chega uma hora na vida em que o homem tem que encarar seus desafios de frente. Aquela hora em que não adiantará mais fingir que o desafio não existe. E essa hora chegou para mim: ontem mesmo fui a um médico para tratar do começo do princípio do início da minha calvície. Ele acabou me prescrevendo um exame para saber se eu estou apto a usar um medicamento chamado Finasterida - o mesmo que barrou Marcão, (ex-jogador do Inter) e Romário em exames antidoping. Ou seja, minha carreira de futebolista profissional acaba de ir para as cucuias.
Percebam que eu vou ter que botar algum dinheiro para fazer com que os mosquitos desistam da ideia de transformar meu cocuruto em pista de pouso. Mas isso não me preocupa.
Minha calvície é causada pelo stress que nossos governantes nos causam. Temos um ministro da educação que não se importa com a opinião nem com relato de estudantes universitários como eu e abençoam reitores com atitudes no mínimo duvidosas. Temos vereadores que empregam parentes sem concurso e ignoram que eu e outros continuemos desempregados.
Nossa segurança, segundo o governo do Estado, é ótima. Os índices de criminalidade de Pelotas demonstram isso com a clareza de um carvão. Mas a real fonte para dizer que nossa segurança é boa deve ser o esquema de segurança que cerca a governadora e a sugere que não compareça na abertura da Fenadoce.
Temos um senado que se utiliza de atos secretos para empregar parentes e não-parentes. Temos senadores ganhando rios de dinheiro e eu, sequer ganho no bingo. Temos um presidente que dá apoio a esse senado.
É tanto stress que a parte financeira do meu tratamento contra calvície é o que menos me dá preocupação. É que eu estou mandando a conta para o governo. São eles os responsáveis. E se um Presidente da República se salva ao dizer que não sabia do mensalão e um Presidente do Senado se salva ao dizer que não sabia de empregos irregulares, conseguir um tratamento contra calvície deve ser fichinha.
É só eu dizer que não sabia que calvície é hereditária.
Outras crônicas de Egídio E-mails para o autor: ejix.dopus@gmail.com
Marcadores:
Olho de lince
Quarta-feira, 8 de Julho de 2009
Voz do leitor: Pelotas, 200 anos...
Uma cidade, em si, quase não existe. Existem as várias histórias das pessoas que nela vivem...
Roberto Soares analisa: "Pelotas, 200 anos. Gostaria de começar comentando que o frenesi em torno dessas 'datas redondas' nunca fez muito sentido para mim. No dia de seu aniversário, Pelotas esteve como quase sempre: úmida e chuvosa, mas mais quente que o normal para esta época do ano. Uma cidade, em si, quase não existe. Existem as várias histórias das pessoas que nela vivem.
Aos 200 anos, no cotejo com outras cidades de mesmo porte no resto da Região Sul (RS, PR e SC - o único parâmetro racional de comparação, a meu ver), Pelotas ainda marca passo em vários aspectos: vida cultural, geração de empregos, limpeza pública etc. Não que não tenha melhorado - os governos, por mais que detratem uns aos outros, dificilmente pioram a situação do município.
Mas confesso que, apesar dos belos depoimentos de uns, ainda acho que a impressão pessoal reflete mais um momento da vida particular de quem comenta do que a realidade da cidade, afinal, a vida de um habitante da zona norte é diferente da de um habitante do Porto, que por sua vez difere do cotidiano de um morador do Laranjal, do Centro, do Sítio Floresta, do Pestano, do Fragata... Colando todos esses retalhos temos a grande colcha chamada Pelotas.
O que me apraz na cidade é, entre outras coisas, essa diversidade. Pelotas completa dois séculos com muitas perspectivas, mas é cada vez mais necessário que cada pessoa faça a sua parte na sua vida pessoal para que a coletividade mude como um todo. Que se invista em gente capacitada daqui. Que seja abolido todo o clientelismo, corporativismo, nepotismo, imobilismo, continuismo e "todos esses 'ismos' que nos freiam o autêntico progresso".
Ando meio desesperançoso com essas esperanças depositadas na população. Da política, então, não espero nada, que não sou bobo. Só espero que esses cidadãos que dizem amar tanto Pelotas não fiquem apenas no belo discurso, e passem a de fato pensar (e agir) a cidade diferente. Espero. Mas, no fundo, sei que me iludo.
Acima de pelotenses, somos (quase) todos brasileiros, e, como Stefan Zweig involuntariamente preconizou em sua obra, o Brasil é o 'país do futuro', e a gente sabe que o 'futuro', via de regra, não chega nunca. Vivemos num eterno presente. Infelizmente, é isso que me traz o aniversário de Pelotas, essa cidade a um só tempo tão feia e tão bonita".
Roberto Soares analisa: "Pelotas, 200 anos. Gostaria de começar comentando que o frenesi em torno dessas 'datas redondas' nunca fez muito sentido para mim. No dia de seu aniversário, Pelotas esteve como quase sempre: úmida e chuvosa, mas mais quente que o normal para esta época do ano. Uma cidade, em si, quase não existe. Existem as várias histórias das pessoas que nela vivem.Aos 200 anos, no cotejo com outras cidades de mesmo porte no resto da Região Sul (RS, PR e SC - o único parâmetro racional de comparação, a meu ver), Pelotas ainda marca passo em vários aspectos: vida cultural, geração de empregos, limpeza pública etc. Não que não tenha melhorado - os governos, por mais que detratem uns aos outros, dificilmente pioram a situação do município.
Mas confesso que, apesar dos belos depoimentos de uns, ainda acho que a impressão pessoal reflete mais um momento da vida particular de quem comenta do que a realidade da cidade, afinal, a vida de um habitante da zona norte é diferente da de um habitante do Porto, que por sua vez difere do cotidiano de um morador do Laranjal, do Centro, do Sítio Floresta, do Pestano, do Fragata... Colando todos esses retalhos temos a grande colcha chamada Pelotas.
O que me apraz na cidade é, entre outras coisas, essa diversidade. Pelotas completa dois séculos com muitas perspectivas, mas é cada vez mais necessário que cada pessoa faça a sua parte na sua vida pessoal para que a coletividade mude como um todo. Que se invista em gente capacitada daqui. Que seja abolido todo o clientelismo, corporativismo, nepotismo, imobilismo, continuismo e "todos esses 'ismos' que nos freiam o autêntico progresso".
Ando meio desesperançoso com essas esperanças depositadas na população. Da política, então, não espero nada, que não sou bobo. Só espero que esses cidadãos que dizem amar tanto Pelotas não fiquem apenas no belo discurso, e passem a de fato pensar (e agir) a cidade diferente. Espero. Mas, no fundo, sei que me iludo.
Acima de pelotenses, somos (quase) todos brasileiros, e, como Stefan Zweig involuntariamente preconizou em sua obra, o Brasil é o 'país do futuro', e a gente sabe que o 'futuro', via de regra, não chega nunca. Vivemos num eterno presente. Infelizmente, é isso que me traz o aniversário de Pelotas, essa cidade a um só tempo tão feia e tão bonita".
Cartas do leitor devem ser enviadas ao e-mail amigosdepelotas-blog@yahoo.com.br. Junto com o texto, envie foto de rosto sua. Informe-nos também sua profissão e seu número de telefone.
Marcadores:
Voz do leitor
O Local e o Universal ou Pelotas e o Cosmos

Welington Silva Rodrigues
Doutor em Filosofia
Atribui-se a Tolstoi esta frase: “Se queres ser universal começa por pintar a tua aldeia”. Referia-se metaforicamente às narrativas. Os homens são, ao que parece, semelhantes em toda parte. Lembram da expressão “a história se repete”? Ela diz apenas que somos previsíveis. E do Nietzsche, com o seu eterno retorno do mesmo. Estaríamos fadados a repetir erros e acertos? Para nossa sorte, há uma outra expressão redentora: o diabo mora nos detalhes.
Se por uma lado podemos reduzir todos os homens ao “animal racional”, por outro lado aceitamos que a experiência individual é única, intransferível e fugaz. Afinal, somos todos “animais racionais”, e nisso iguais uns aos outros, ou somos indivíduos únicos, sem par? Ou as duas coisas? Ou nenhuma? Ou um composto de ambas?
No quotidiano, no popular, no pitoresco há material de sobra para os pensamentos mais elevados dos filósofos mais refinados; e para os medíocres também. Ocorre que são muito fleumáticos e raramente reconhecem a fonte mundana de sua inspiração cogitante. Também aqui há muita vaidade e afetação...
O que temos nós de universal? O que temos de peculiar? Nossa insignificância petulante, nosso atraso vanguardista, nossa Atenas do Sul que já foi sem nunca ter sido, nosso galicismo genético, nosso charme decadente, nosso fog londrino, nosso frio europeu, nosso calor equatoriano, nosso mofo, nossa umidade, nossos alpes da Cascata, nosso Guarany que serve como França numa propaganda de automóveis, nossos camelôs defronte à Receita Federal, nossas três, quatro ou sei lá quantas universidades e escolas técnicas, o crack, a merla?
Questão de identidade é sempre complexa. E eu continuo sempre com a impressão de viver num brechó.
PS.: Antes de enviar este texto para o Blog, dei para minha mulher ler e ela disse que eu sempre criticava a cidade, os pelotenses e tal, mas que eu escrevia como tal. Bem, ao menos há alguém sensato na casa.
Outros textos de Welington
E-mails para o autor: wsrcg@yahoo.com
Marcadores:
Filosóficas
Gerdau demite 420 no RS
A metalúrgica Gerdau já demitiu pelo menos 420 metalúrgicos de suas unidades no Rio Grande do Sul. Somente na fábrica de Charqueadas, a 55 km de Porto Alegre (RS), 300 trabalhadores foram desligados desde novembro passado. A segunda unidade a sofrer bastante é a de Sapucaia do Sul, na região metropolitana, com cerca de 120 demissões.
A retração na empresa também se refletiu em terceirizadas da região, que contabilizam pelo menos outras 300 demissões. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Charqueadas, Jorge Luiz de Carvalho, avalia que o impacto é grande no município, já que a fábrica responde por mais da metade da arrecadação.
“A empresa alega que os pedidos caíram drasticamente com a crise financeira, então tiveram que fazer esses ajustes, que não concordamos. Quando a fábrica produzia 40 mil toneladas havia uma sobrecarga de trabalho, com os trabalhadores ficando doentes. E quando houve uma queda de produção, eles começaram a demitir em larga escala”, reclama.
O presidente da Federação dos Metalúrgicos do RS, Milton Viário, reconhece que a crise financeira reduziu a atividade econômica do país. No caso da unidade da Gerdau em Charqueadas, a produção de aços especiais foi afetada com a retração da indústria de máquinas e automóveis.
O sindicalista duvida que os trabalhadores voltem a ser readmitidos caso a economia consiga se recuperar. "A segunda questão é que, voltando ao normal, eles não voltam a contratar. A empresa está aproveitando o momento para fazer uma reestruturação produtiva, produzir mais com menos funcionários", diz.
A Gerdau não confirma o número de trabalhadores demitidos, mas admite os desligamentos. Os metalúrgicos temem que as demissões aumentem. Recentemente a Gerdau comprou a empresa Villares, em São Paulo, que possui produção semelhante a Aços Especiais Piratini, em Charqueadas, o que pode acarretar no fechamento da unidade gaúcha. Ainda há boatos de que chineses estariam interessados em comprar a fábrica. A Gerdau, até o momento, não se pronunciou sobre o assunto.
Até o final de maio passado, a Federação dos Metalúrgicos contabilizava 22,3 mil trabalhadores gaúchos demitidos desde o final de 2008.
A retração na empresa também se refletiu em terceirizadas da região, que contabilizam pelo menos outras 300 demissões. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Charqueadas, Jorge Luiz de Carvalho, avalia que o impacto é grande no município, já que a fábrica responde por mais da metade da arrecadação.
“A empresa alega que os pedidos caíram drasticamente com a crise financeira, então tiveram que fazer esses ajustes, que não concordamos. Quando a fábrica produzia 40 mil toneladas havia uma sobrecarga de trabalho, com os trabalhadores ficando doentes. E quando houve uma queda de produção, eles começaram a demitir em larga escala”, reclama.
O presidente da Federação dos Metalúrgicos do RS, Milton Viário, reconhece que a crise financeira reduziu a atividade econômica do país. No caso da unidade da Gerdau em Charqueadas, a produção de aços especiais foi afetada com a retração da indústria de máquinas e automóveis.
O sindicalista duvida que os trabalhadores voltem a ser readmitidos caso a economia consiga se recuperar. "A segunda questão é que, voltando ao normal, eles não voltam a contratar. A empresa está aproveitando o momento para fazer uma reestruturação produtiva, produzir mais com menos funcionários", diz.
A Gerdau não confirma o número de trabalhadores demitidos, mas admite os desligamentos. Os metalúrgicos temem que as demissões aumentem. Recentemente a Gerdau comprou a empresa Villares, em São Paulo, que possui produção semelhante a Aços Especiais Piratini, em Charqueadas, o que pode acarretar no fechamento da unidade gaúcha. Ainda há boatos de que chineses estariam interessados em comprar a fábrica. A Gerdau, até o momento, não se pronunciou sobre o assunto.
Até o final de maio passado, a Federação dos Metalúrgicos contabilizava 22,3 mil trabalhadores gaúchos demitidos desde o final de 2008.
Marcadores:
Economia e Negócios
Bens da Ulbra vão à leilão
Mais de 300 terrenos e 40 carros importados, apartamentos no litoral, uma indústria farmacêutica, um hotel, um clube, lojas e fazendas fazem parte dos bens que pertencem à Comunidade Evangélica Luterana São Paulo.
Os bens da mantenedora da Ulbra vão à leilão a partir do dia 20 de Julho. Os bens móveis e imóveis estão avaliados em R$ 120 milhões.
Os bens da mantenedora da Ulbra vão à leilão a partir do dia 20 de Julho. Os bens móveis e imóveis estão avaliados em R$ 120 milhões.
Marcadores:
Economia e Negócios,
Educação
Terça-feira, 7 de Julho de 2009
Crônica: Amo esta cidade

Ana Lúcia Bulcão Teixeira
Advogada e blogueira
Hoje, 07 de julho de2009, Pelotas completa 197 anos. Moro aqui desde 1982. Em todos estes anos aconteceram tantas coisas que, se fosse contar, nem saberia por onde começar. O que sei é que só ultimamente descobri a cidade. Não me refiro aos prédios antigos, às ruas bem desenhadas, às praças, ao Laranjal, mas aos recantos menos óbvios, bairros menos movimentados, praias mais desconhecidas. Meu primeiro apartamento foi na Anchieta, pertinho do Capitólio. Foi deste ponto que decidi começar a conhecer a cidade, a pé, no primeiro inverno que passei aqui.
Todos os dias, depois do almoço, escolhia uma rua e ia caminhando, bem devagar, olhando os prédios com suas fachadas cheias de detalhes, as calçadas de ladrilhos hidráulicos, as pessoas apressadas, que pareciam não perceber toda a beleza ao seu redor, as vitrines... Lamento não existir câmera digital naquela época. Teria muitos registros!
Depois mudei para uma casa, ainda na Anchieta, pertinho da Catedral e do Colégio Gonzaga. Ali criei meus filhos e, através deles, minha interação com a cidade aumentou. Eles frequentavam a escolinha, íamos ao teatro Sete de Abril sempre que tinha alguma peça infantil, comprávamos livros na Mundial, lanchávamos no Centro... Tão bom passear pelas ruas próximas e sentar nos bancos do entorno da Catedral para tomar sol! Via a cidade através dos olhos deles, descobrindo tudo, com um prazer imenso!
O tempo foi passando, minha vida acontecendo, trabalhei, fiz muitos amigos, mudei para um bairro afastado do centro e tudo se foi modificando. Aprendi a ver a cidade com olhos maduros e sei o quanto foi bom ter vivido aqui todos estes anos.
É engraçado... Nunca fui boa com datas, números, estas coisas; então, fico perdida, tentando fazer uma retrospectiva de tudo o que aconteceu nesse tempo todo! Mas sou boa em lembranças, sentimentos, emoções e todas as experiências que vivi aqui me fizeram amar esta cidade e valorizar tudo de bom que ela tem.
Talvez por não ter nascido aqui, talvez pelo meu jeito de observar e sentir a cidade, sempre fico com a impressão de que ela não é valorizada como deveria, cuidada como merecia, tratada com carinho pelos próprios pelotenses.
Tudo tão antigo, tão sedimentado! Velhos hábitos, comportamentos que se repetem há décadas! E isso na política, nos meios culturais, no comércio, no cotidiano da cidade! Como se qualquer coisa que pudesse mudar o que já existe fosse ameaçador ou inadequado.
Acho que vou reler "Satolep", do Vitor Ramil, desta vez de trás pra frente, como inspira o título. Quando li, pela primeira vez, senti como se tudo, finalmente, fizesse sentido. Li devagar e não consegui fazer de outro jeito, apesar de querer devorar cada página. “Satolep” precisa ser lido assim, lentamente. Saboreando cada palavra, digerindo cada sensação... Este livro construiu, em mim, um passado que não vivi aqui.
Há pouco dei uma caminhada. Noite com neblina, mas com uma lua enorme espiando entre as nuvens. Gosto daqui. Amo esta cidade. Quero guardar cada paisagem, cada ângulo, cada detalhe. Acredito que é hora de olhar Pelotas com carinho. Retribuir tudo o que ela nos dá. Tanta beleza, tanta história, tantos talentos...
Respirei profundamente, enquanto sentia a umidade na minha pele, e agradeci o privilégio enorme que é morar aqui, pertencer a este lugar.
E-mails para a autora: roccana@gmail.com
Blog de Ana.
Marcadores:
Crônicas
A maionese pede carona
Abaixo, opiniões de autoridades e nem tanto sobre Pelotas, no jantar ontem à noite no Tourist Park Hotel, que comemorou os 197 anos da cidade. Conteúdo mostra a superficialidade das visões, sobretudo se compararmos com a situação da educação municipal em Pelotas, cujos indicadores apontam um verdadeiro caos (veja alguns links no pé do post).
As observações dos convidados, porém, foram divulgadas em matéria do site da prefeitura, intitulada: Jantar festivo celebra uma Pelotas moderna e pronta para o futuro. Comovente a isenção e a percepção da realidade. Confira aí embaixo.
“Hoje, Pelotas se constitui em um município que pode ser citado como exemplo para os demais municípios do Estado".
Fabrício Tavares
Vice-prefeito de Pelotas
“Pelotas chegará bem aos 200 anos, pois se planejou para isso. Este planejamento aumenta sobremaneira as probabilidades de acerto nas decisões do Poder Executivo e colocam o município, novamente, na senda do desenvolvimento e da modernidade”.
Nélson Harter (PMDB)
Deputado estadual
“Pelotas possui um conjunto de indicadores muito positivos, pois seu progresso e desenvolvimento partem da valorização da própria cultura, de sua história. O município se reinventa e se renova a cada dia devendo chegar aos 200 ano mais jovem, mais desenvolvida e com uma qualidade de vida invejável”.
Deputado Ivar Pavan (PT)
Presidente da Assembléia Legislativa
“Uma preparação para o futuro como é feita em Pelotas é o exemplo que todos os municípios gaúchos deveriam seguir. Em Pelotas, a administração faz planejamento de ações para que a execução se concretize”.
Governadora Yeda Crusius (PSDB)
“Muito me orgulha estar aqui comemorando o aniversário desta terra, que por muito tempo formou e exportou mão de obra. Agora, além de estarmos comemorando o aniversário, estamos comemorando este grande momento de desenvolvimento vivido em Pelotas e esta largada rumo ao bicentenário”.
Matheus Bandeira
Secretário Estadual de Planejamento
"Pelotas tem todos os atributos de uma cidade do século XXI, cosmopolita”.
Fernando Marroni (PT)
Deputado federal
"Pelotas tem uma sociedade evoluída. “É uma cidade que tem alma, é única, é bonita, acolhedora, que tem muitas coisas para serem vistas”.
Túlio Milman
Jornalista RBS/TV
“Nestes tempos de crise o que vemos por toda parte são projetos parados. Chegamos em Pelotas e o que enxergamos é exatamente o contrário: vemos desenvolvimento. Pelotas superou o período de estagnação, supera suas dificuldades, é uma cidade mais que madura”.
Paulo Sérgio Pint
Diretor da Rede Pampa
As observações dos convidados, porém, foram divulgadas em matéria do site da prefeitura, intitulada: Jantar festivo celebra uma Pelotas moderna e pronta para o futuro. Comovente a isenção e a percepção da realidade. Confira aí embaixo.
“Hoje, Pelotas se constitui em um município que pode ser citado como exemplo para os demais municípios do Estado".
Fabrício Tavares
Vice-prefeito de Pelotas
“Pelotas chegará bem aos 200 anos, pois se planejou para isso. Este planejamento aumenta sobremaneira as probabilidades de acerto nas decisões do Poder Executivo e colocam o município, novamente, na senda do desenvolvimento e da modernidade”.
Nélson Harter (PMDB)
Deputado estadual
“Pelotas possui um conjunto de indicadores muito positivos, pois seu progresso e desenvolvimento partem da valorização da própria cultura, de sua história. O município se reinventa e se renova a cada dia devendo chegar aos 200 ano mais jovem, mais desenvolvida e com uma qualidade de vida invejável”.
Deputado Ivar Pavan (PT)
Presidente da Assembléia Legislativa
“Uma preparação para o futuro como é feita em Pelotas é o exemplo que todos os municípios gaúchos deveriam seguir. Em Pelotas, a administração faz planejamento de ações para que a execução se concretize”.
Governadora Yeda Crusius (PSDB)
“Muito me orgulha estar aqui comemorando o aniversário desta terra, que por muito tempo formou e exportou mão de obra. Agora, além de estarmos comemorando o aniversário, estamos comemorando este grande momento de desenvolvimento vivido em Pelotas e esta largada rumo ao bicentenário”.
Matheus Bandeira
Secretário Estadual de Planejamento
"Pelotas tem todos os atributos de uma cidade do século XXI, cosmopolita”.
Fernando Marroni (PT)
Deputado federal
"Pelotas tem uma sociedade evoluída. “É uma cidade que tem alma, é única, é bonita, acolhedora, que tem muitas coisas para serem vistas”.
Túlio Milman
Jornalista RBS/TV
“Nestes tempos de crise o que vemos por toda parte são projetos parados. Chegamos em Pelotas e o que enxergamos é exatamente o contrário: vemos desenvolvimento. Pelotas superou o período de estagnação, supera suas dificuldades, é uma cidade mais que madura”.
Paulo Sérgio Pint
Diretor da Rede Pampa
Leia mais
Marcadores:
Comportamento
Voz do leitor
Leitora Ana Duarte comenta: "A campanha 'Rumo aos 200 anos de Pelotas' é, em si, vazia de significado, já que o prefeito sequer se comprometeu com metas de administração até 2012. Se a cidade chegar àquele ano do jeito que está agora, qual o sentido de comemorar dois séculos de existência? A mídia, porém, inclusive aquela da qual o prefeito é um dos donos, faz um carnaval com o aniversário de 197 anos e o tal bicentenário, incapaz de questionar o oba-oba com mínimo de juízo crítico".
Marcadores:
Voz do leitor
Exposição desnuda sensualidade
.jpg)
Ars Longa
Crônica de cultura
“Doce Ousadia” é um dos quadros expostos no Clube Comercial por Carmen Araújo, ginecologista que se dedicou totalmente à pintura e é reconhecida no Brasil e no exterior pelo seu talento. Os quadros compõem a mostra “Princesa”, em homenagem ao aniversário de Pelotas.
Doçura e ousadia brotam destas obras sensualíssimas, onde o aberto erotismo feminino se superpõe ao amor pelo patrimônio cultural de Pelotas. A beleza feita por Deus, e reconhecida pela especialista em mulheres, enfeita as belezas plasmadas por mãos humanas. Curvas e exuberâncias anatômicas sugerem que a cidade está viva e sedenta de amor.
A exposição pode ser visitada até dia 17 de julho, das 13h30 às 20h, com entrada pela Félix da Cunha (na porta mais à esquerda, onde diz “Conserve fechada”).
Marcadores:
Ars Longa (crítica cultural)
Guerra de registros
No ano passado, dois grupos empresariais anunciaram a intenção de construir shoppings em Pelotas: o grupo uruguaio Punta Carretas e o grupo gaúcho Josapar (Real Empreendimentos), que possui escritórios em Pelotas e Porto Alegre. Com o estouro da crise financeira mundial, os empreendimentos refluíram.Um fato curioso desses movimentos, porém, foi o registro do domínio na internet do nome "puntacarretas.com.br" por uma pessoa de fora do grupo uruguaio.
O registro, que em tese cria dificuldades para os diretores do Punta Carretas (detentores originais da marca), caso quisessem criar um site no Brasil, aparece em nome de Luis Eduardo Bastos dos Santos, diretor da Josapar (Real Empreendimentos).
Para averiguar o documento que prova o fato, ir em http://registro.br,
buscar por "puntacarretas.com.br" e clicar em "whois".
Marcadores:
Economia e Negócios
Praia do Laranjal nos 197 anos de Pelotas

Victor Schroder
Geógrafo
No dia do aniversário da cidade, a coluna traz um drops da história de um dos símbolos pelotenses: a Praia do Laranjal. Patrimônio e orgulho dos pelotenses, a praia - bem como toda a cidade – é fruto de jogos de empreendimentos imobiliários, por vezes especulativos ou às voltas com dinheiro público. O Laranjal desde cedo mostrou seu potencial. No começo da cidade, houve uma discussão sobre o melhor lugar para assentar a sede urbana. Três possibilidades eram discutidas: a área onde hoje está, outra no atual Capão do Leão e o Laranjal. A última opção tinha um “cabo eleitoral” de peso: João Simões Lopes Neto, que acreditava no potencial de um porto no local.
Mas a história seguiu outros caminhos. Somente em 1950 a família Assumpção decidiu aproveitar os fundos da sua Estância do Laranjal para fazer um balneário em Pelotas, antiga aspiração da elite local, encantada com Mar del Plata, Punta del Este e Piriápolis. Um investimento genial, com lucros a longo prazo, mas, como sempre, causador de polêmicas.
De um lado, os que acreditavam que haveria um benefício dos Assumpção às custas do dinheiro público (investimento em infraestrutura); por outro lado, os que pensavam que os benefícios do investimento seriam proveitosos a todos.
Adolfo Fetter, vice-prefeito em 1952, comprou uma parte dos terrenos e criou uma sociedade, passando a administrar os balneários. Os três balneários iniciais (Santo Antônio, Valverde e Prazeres) projetados entre 1948 e 1959, correspondiam, respectivamente, a três classes sociais: a classe mais abastada – nos terrenos mais altos – a classe média, nos banhados e a “periferia” no fundo de difícil acesso.
Em 1979, na primeira gestão de Irajá Rodrigues o Laranjal deixou de ser distrito para virar zona urbana, impulsionado pela abertura da avenida Ferreira Vianna e o temido “calçamento” da estrada da Praia. Rapidamente os terrenos entre os balneários e o centro começaram a ser loteados.
O mesmo Irajá torna a vir à cena na década de 1990, com o polêmico loteamento do Pontal da Barra, em área de interesse ecológico, hoje parcialmente embargada para novas construções. No governo Anselmo promoveu-se o asfaltamento e duplicação da avenida Adolfo Fetter, processo que até hoje ainda dá frutos em termos de crescimento do bairro, mas fonte de grande endividamento.
Patrimônio e investimento, público e privado, beleza e sujeira, barro e asfalto... e outras tantas dicotomias que fazem este caso de amor e ódio dos pelotenses com seu balneário. Feliz aniversário!
Fonte: Paulo Roberto Rodrigues Soares – “Del proyecto urbano a la producción del espacio: morfologia urbana de la ciudad de Pelotas, Brasil (1812 – 2000)”.
Outros artigos de Victor Schroder
E-mails para o autor: victorpelotas@hotmail.com
Marcadores:
Urbanismo
Assinar:
Postagens (Atom)



.jpg)





