O que mudou de concreto na vida do pelotense desde que Fetter Jr. assumiu a prefeitura? Quem vive fora de Pelotas e a revisita menciona o asfalto - o "visível". De fato, a gestão atual tem investido forte em asfaltamento, saneamento e na reforma de logradouros e prédios históricos. São pontos indiscutíveis, embora alguns logradouros já sejam afetados pela depredação, como o Parque Dom Antônio Zattera, ao ponto de o vereador Eduardo Leite (PSDB) ter pedido nesta semana informações do Executivo sobre a vigilância (ou falta dela) no local.Fetter se tem notabilizado por ser um "tocador de obras", grande parte delas evidentes aos olhos do eleitor. Tem também se revelado bom articulador técnico de projetos para captação de recursos de organismos internacionais, como Banco Mundial, e do governo federal - basicamente Programa Monumenta (de recuperação de prédios históricos) e Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
O pelotense, porém, se pergunta: E o "restante"? O que vem sendo feito naquelas áreas que não tem a "visibilidade" de prédios históricos restaurados.
Se essas obras têm apelo eleitoral (embora desacompanhadas de uma efetiva política turística), o fato é que a atual gestão não tem investido em políticas estruturantes - aquelas capazes de contribuir para recolocar a cidade nos trilhos do crescimento sustentado - a médio e longo prazos. Em nome do imediatismo, Pelotas se ressente da falta dessas políticas. Não precisamos ir longe para verificar isso.
Até 25 anos atrás, por exemplo, a educação municipal era um exemplo de qualidade; hoje, vive uma decadência brutal, ao ponto de nossos estudantes da rede pública local aprenderem apenas 30% do que deveriam e apresentarem alto índice de reprovação. Há outros pontos igualmente essenciais que vêm sendo colocados em segundo plano ou simplesmente relegados em nome do imediatismo.
Outro ponto sem resultados importantes é a propalada retomada do desenvolvimento econômico e da dinamização da economia local.
Apesar da propaganda oficial, até este momento, quatro anos depois do prefeito ter assumido o posto, vamos devagar, quase parando nessa área. O cidadão se pergunta: o que a prefeitura está fazendo de efetivo para atrair novas empresas para a cidade? Quanto novos negócios internos e de fora foram abertos em Pelotas na atual gestão? Quantos empregos foram criados? Ah, sim, cadê o pólo tecnológico?
Na verdade, o desemprego continua o mesmo (ou pior) de quando Fetter assumiu, com repercussões na criminalidade crescente (que neste ano bate recorde de homicídios), assim como na disseminação dos crimes contra o patrimônio (assaltos) e no uso de drogas, sobretudo o crack, que avança a galope entre uma juventude sem esperança.
Uma prova da nossa dificuldade na área econômica foi o recente aumento, goela abaixo e de repente, do IPTU em 16%. O aumento deste tributo, após sete anos congelado, foi usado para tentar equilibrar o caixa da prefeitura, que fechará 2009 com déficit estimado de R$ 8 milhões.
Uma prefeitura que se utiliza "às pressas" do aumento de impostos aos cidadãos para tapar buracos de caixa deixa claro que trabalha no limite da ousadia financeira, inclusive pela contração de dívidas, já que esses empréstimos do Banco Mundial e do governo Federal exigem contrapartida do Executivo local.
Outra prova da nossa penúria econômica é a manchete do Diário Popular deste domingo, anunciando que a liberação da primeira cota do 13º salário na iniciativa privada (estimada em R$ 47 milhões) "promete movimentar a economia local". A própria escolha da manchete dá a medida do desespero da cidade por dinheiro - dinheiro que, diga-se, além de sazonal, não movimentará a economia como se espera, já que grande parte daquela quantia será usada para quitar dívidas.
Vale lembrar que o prefeito não tem conseguido sequer realizar a reforma administrativa da prefeitura, que prevê a extinção de secretarias e, talvez, de cargos e salários. A demora de Fetter em relação ao tema não deixa de ser outro sintoma da crise econômica, já que sugere que está encontrando dificuldades para demitir gente (cargos de confiança) e reduzir salários.
Contudo, se a reforma ajudaria a prefeitura a economizar dinheiro para investir na cidade, por que ele não a realiza com a mesma pressa com que aumentou o IPTU?




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