Quinta-feira, 28 de Agosto de 2008

Filmes para ver no bem-bom

Niara de Oliveira
Jornalista e crítica de cinema

Saraband
Marianne, uma advogada, decide visitar o ex-marido trinta anos após o divórcio. Johan vive isolado na antiga casa de campo e, apesar de tantos anos sem se verem, a cumplicidade entre os dois não esmoreceu. Marianne conhece o filho de Johan, Henrik, e a filha deste, Karin. Muito rapidamente ela compreende que Henrik tem um amor possessivo pela filha e que Johan só sente ódio e desprezo pelo filho.Este foi o último trabalho do sueco Ingmar Bergman e seu 12º filme com a atriz Liv Ullmann, feito para a tevê, em 2003. Bergman foi convidado a apresentá-lo nas mostras competitivas dos festivais de Cannes e de Veneza do mesmo ano, mas recusou-se, alegando não ter tempo de concluir a versão para cinema, que nunca foi feita. O filme, que é a continuação de “Cenas de um Casamento” (1973), foi feito em cinema digital de alta-definição. Apesar de ter prescindido de um diretor de fotografia, Bergman consegue manter uma coerência de cores e um sentimento de nostalgia que atravessam todo o filme, dando tons de outono no início da trama e avançando para as cores de inverno no final. Drama, 120 minutos.

Apenas uma Vez
Um talentoso músico ganha a vida com seu violão nas ruas de Dublin, Irlanda. Uma imigrante tcheca anda pelas mesmas ruas, vendendo rosas para sustentar sua família. Ele se sente inseguro para apresentar suas próprias canções e ela tem a música apenas como hobby. Eles se encontram por acaso e a paixão pela música os leva a viver uma experiência inesquecível. Aos poucos percebem que tem material para formar uma banda e gravar um disco. Pouco diálogo e muita sutileza. Quase tudo é dito através das músicas. O projeto do filme nasceu em 2005, em concerto do The Frames. O diretor, John Carney, encomendou ao líder da banda algumas canções para desenvolver o projeto. O resultado foi um roteiro de 60 páginas e 10 canções inéditas, incluindo "Falling Slowly", vencedora do Oscar de Melhor Canção Original deste ano.
O cantor Bob Dylan gostou tanto de “Once” (título original) que convidou Glen Hansard e Markéta Irglová (protagonistas e compositores) a fazerem o show de abertura em parte de sua turnê mundial. Filmado em Dublin, com orçamento de 150 mil dólares, essa pequena e independente produção irlandesa ganhou o mundo no boca-a-boca. Drama, 85 min.

Ponto de Vista
O presidente dos Estados Unidos (William Hurt) é baleado durante uma conferência de combate ao terrorismo na Espanha. Na multidão que assiste ao atentado está um turista americano (Forest Whitaker), gravando tudo para mostrar aos filhos quando retornasse para casa. Além do turista, uma produtora (Sigourney Weaver) está em outro ponto da praça, gravando para um programa de tevê. Completam o elenco Dennis Quaid e Matthew Fox (o médico Jack da série Lost) como seguranças do presidente no evento.Como entrega o título, o filme mostra o atentado por diversos pontos de vista, embora nenhuma testemunha pareça ter algo de realmente novo para adicionar ou desmentir ao que já se sabe. Este é o diferencial, mostrar visões e "versões" diferentes para um mesmo fato. Algumas seqüências são previsíveis demais, e algumas tomadas de ação são bastante forçadas, além do vai-e-vem no tempo se tornar cansativo. Os vilões são terroristas maus (muito maus) e muçulmanos, não se poderia esperar outra coisa de um filme americano em ano de eleições presidenciais. Mas o filme está repleto de nomes famosos e Forest Whitaker dá um show de interpretação. Suspense, 90 min.

SERVIÇO
Os filmes podem ser locados na Imaggem Locadora.
Rua General Neto, 639, Centro.
Telefone : (53) 3227-6681.

NOTA DO BLOG
A partir de hoje, a jornalista Niara de Oliveira começa a escrever para o blog. Niara, como muitos de nós, tem no cinema seu "segundo país". Estamos felizes de poder contar com a sua colaboração e o seu bom gosto. Toda quinta-feira, Niara brindará aos leitores com três sugestões de filmes em devedê, indicando a locadora onde podem encontrá-los. Uma pequena contribuição para um fim de semana um pouco mais culto e divertido.

5 comentários:

Glenda Dimuro disse...

Os dois primeiros eu ainda não vi. Ponto de Vista eu vi e não recomendo... é mais do mesmo, os americanos dando uma de bonzinhos e os árabes são os maus. Além do mais, diz que se passa em Salamanca e acho que a produção nem chegou perto dali, já que mostra grandes avenidas e cenários que nem de longe parecem com Salamanca, que é linda. A perseguição de carros também é ridícula, mostrando o egocentrismo americano ao percorrer em alta velocidade as ruas da "suposta" e pacata Salamanda. Não gostei...

shalon disse...

Sou professora de Artes, amante de teatro e cinema. Penso que a Niara começou muito bem,apresentando obras de autores distintos, fazendo uma crítica comprometida em "aguçar" o olho do espectador, para um melhor consumo de arte.
Parabéns e Boa Sorte Niara!

vida e vida disse...

Parabens Niara. Põe este talento para fora. Sucesso!!!!!

Rubens Filho disse...

Leitora Fabiane manda e-mail, pedindo-me ajuda para publicar o comentário a seguir. Lá vai: "Queria postar este comentário, mas não sei como fazer. Coloca lá pra mim.
Sou professora de Artes, amante de teatro e cinema. Penso que a Niara começou muito bem, apresentando obras de autores distintos, fazendo uma crítica comprometida em "aguçar" o olho do espectador, para um melhor consumo de arte.
Parabéns e Boa Sorte Niara!

Marlene Bello disse...

Sou de Porto Alegre e entrei casualmente neste blog, me deparei com as críticas de alguns filmes, que depois de as ler, despertaram minha curiosidade em assistir ao Ensaio sobre a Cegueira.

Marlene Bello