Crítica gastronômica
Nesta coluna já comentamos sobre pratos e restaurantes, mas pareceu-nos próprio, a partir da sugestão de uma amável leitora do blog, homenagear uma antiga banca do Mercado Público de Pelotas, que funciona ali desde 1948 – há 60 anos, portanto.
Seu nome formal é: “A Deliciosa, mercearia e fiambreria”. Seu ramo são os secos e molhados, para usar a expressão tradicional portuguesa, que hoje equivale ao internacional “déli store”, as casas de delikatessen.
O atendimento é feito pelo dono da banca, Nataniel Real, neto e filho dos proprietários anteriores, conhecidos de quase toda a população pelotense. Quem vem como comprador encontra não somente o pronto atendimento, mas também a gentil conversação e pequenas provas grátis dos petiscos de interesse – amendoim de vários tipos, azeitonas portuguesas, chilenas ou gregas, amêndoas, os pouco conhecidos tremoços (um tipo de feijão branco, em salmoura), damascos secos e as clássicas passas de uva, ameixa ou pêssego.
Mesmo não tendo muita variedade de doces, é de se destacar a qualidade natural dos produtos coloniais pelotenses, como a pessegada em passa e o origone (pêssego fatiado), além de frutas cristalizadas, goiabada e dois tipos de queijo, sem esquecer o salame e o charque (de Santa Maria, onde ainda se fabrica à moda antiga, seco ao sol sem procedimentos artificiais).
Quanto a licores, somente encontramos vinho de garrafão (Motter, de Caxias do Sul), aguardente Ypioca e uma cachaça artesanal de Canguçu, do sítio Acanguaçu.
Nossa sugestão é preparar um aperitivo com a cachaça citada, mais umas azeitonas pretas graúdas, do tipo grego, acompanhadas de cubos de queijo e uma boa porção de amendoim com cebola e salsa (proveniente de São Paulo, da variedade japonesa). Que a nossa pessegada em passa complete a rica combinação de sabores.
A Deliciosa vende várias delícias do mundo, e o faz com delicadeza, coisas que já são difíceis de encontrar num mesmo local, e por um preço baixo. Os prazeres que pode proporcionar são nota dez.
Banca nº 6 do Mercado Público, mais próxima da entrada pela Andrade Neves.


5 cmt.:
Legal ver alguma coisa do Mercado Público valorizada. È esta a vocação dos mercados públicos. È um lugar para especiliades, coisas da terra,de outros lugares especiais.Triste a noticia que mais uma vez a reforma do espaço foi adiada,por falta de não sei o que...e o camelódromo vai ser aumentado e ocupar parte da praça...
Sempre que vou ao mercado me vou à Deliciosa, e saio no mínimo com um saquinho de grega olivas.
Quanto à novela da "reestruturação" do Mercado, não vejo final (de qualquer tipo) no horizonte.
Enquanto a justiça continuar atuando preferencialmente no âmbito do individual e não no coletivo, nada pode ser feito!
O mercado é da Prefa, é da comunidade, mas meia dúzia de impostores, tomaram conta do espaço, uma pena.
Minduim
Estando fora da minha cidade linda em varios aspectos, vejo com muita satisfaçao a famosa banca "Deliciosa" no blog, à alguns meses atras tive o prazer de ir até Pelotas somente pra comprar este charque artesanal que diga-se de passagem é maravilhoso, sendo que aqui em Snt.Cruz (terra de origem alema) nunca encontrarei essas belezas que sao tipicas de minha amada terra natal.
Grande abraço Nataniel.
E obrigada Rubens por me proporcionar esta viagem as minhas origens.
Dine.
Olá Dine,
agradeço o gentil comentário. Mas quem merece o reconhecimento é o nosso colaborador e amigo Francisco Vidal, que visitou A Deliciosa e escreveu o texto - com a elegância e o olhar amoroso habituais.
Bom ver você por aqui. Continue conosco. Um abraço.
Rubens.
Mais conhecida como a Banca do Antoninho, se encontram coisas de primeira. Perto do fim do ano é o lugar para se conseguir especiarias oriunbdas de distintos lugares do mundo.
Se não podemos ir a Europa, África ou Oriente, pelo menos de lá viajam estas delicias.
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