Sábado, Outubro 04, 2008

A Deliciosa, mercearia de 60 anos

Slow Food
Crítica gastronômica

Nesta coluna já comentamos sobre pratos e restaurantes, mas pareceu-nos próprio, a partir da sugestão de uma amável leitora do blog, homenagear uma antiga banca do Mercado Público de Pelotas, que funciona ali desde 1948 – há 60 anos, portanto.
Seu nome formal é: “A Deliciosa, mercearia e fiambreria”. Seu ramo são os secos e molhados, para usar a expressão tradicional portuguesa, que hoje equivale ao internacional “déli store”, as casas de delikatessen.
O atendimento é feito pelo dono da banca, Nataniel Real, neto e filho dos proprietários anteriores, conhecidos de quase toda a população pelotense. Quem vem como comprador encontra não somente o pronto atendimento, mas também a gentil conversação e pequenas provas grátis dos petiscos de interesse – amendoim de vários tipos, azeitonas portuguesas, chilenas ou gregas, amêndoas, os pouco conhecidos tremoços (um tipo de feijão branco, em salmoura), damascos secos e as clássicas passas de uva, ameixa ou pêssego.

A especialidade desta loja são os temperos e especiarias, muitos deles importados. Uma lista não exaustiva inclui os seguintes: cominho, coentro, tomilho, pimenta de 4 tipos, alecrim, manjericão, açafrão, curry, vermelhão ou colorau, sálvia, páprica, noz moscada, cravo e canela. Ainda há vários azeites de oliva e de dendê, leite de coco, cerejas em calda, linhaça, e tâmaras da Tunísia.
Mesmo não tendo muita variedade de doces, é de se destacar a qualidade natural dos produtos coloniais pelotenses, como a pessegada em passa e o origone (pêssego fatiado), além de frutas cristalizadas, goiabada e dois tipos de queijo, sem esquecer o salame e o charque (de Santa Maria, onde ainda se fabrica à moda antiga, seco ao sol sem procedimentos artificiais).
Quanto a licores, somente encontramos vinho de garrafão (Motter, de Caxias do Sul), aguardente Ypioca e uma cachaça artesanal de Canguçu, do sítio Acanguaçu.
Nossa sugestão é preparar um aperitivo com a cachaça citada, mais umas azeitonas pretas graúdas, do tipo grego, acompanhadas de cubos de queijo e uma boa porção de amendoim com cebola e salsa (proveniente de São Paulo, da variedade japonesa). Que a nossa pessegada em passa complete a rica combinação de sabores.
A Deliciosa vende várias delícias do mundo, e o faz com delicadeza, coisas que já são difíceis de encontrar num mesmo local, e por um preço baixo. Os prazeres que pode proporcionar são nota dez.
Banca nº 6 do Mercado Público, mais próxima da entrada pela Andrade Neves.

5 cmt.:

Lucy disse...

Legal ver alguma coisa do Mercado Público valorizada. È esta a vocação dos mercados públicos. È um lugar para especiliades, coisas da terra,de outros lugares especiais.Triste a noticia que mais uma vez a reforma do espaço foi adiada,por falta de não sei o que...e o camelódromo vai ser aumentado e ocupar parte da praça...

minduim disse...

Sempre que vou ao mercado me vou à Deliciosa, e saio no mínimo com um saquinho de grega olivas.
Quanto à novela da "reestruturação" do Mercado, não vejo final (de qualquer tipo) no horizonte.
Enquanto a justiça continuar atuando preferencialmente no âmbito do individual e não no coletivo, nada pode ser feito!
O mercado é da Prefa, é da comunidade, mas meia dúzia de impostores, tomaram conta do espaço, uma pena.
Minduim

Anônimo disse...

Estando fora da minha cidade linda em varios aspectos, vejo com muita satisfaçao a famosa banca "Deliciosa" no blog, à alguns meses atras tive o prazer de ir até Pelotas somente pra comprar este charque artesanal que diga-se de passagem é maravilhoso, sendo que aqui em Snt.Cruz (terra de origem alema) nunca encontrarei essas belezas que sao tipicas de minha amada terra natal.
Grande abraço Nataniel.
E obrigada Rubens por me proporcionar esta viagem as minhas origens.

Dine.

Rubens Filho disse...

Olá Dine,
agradeço o gentil comentário. Mas quem merece o reconhecimento é o nosso colaborador e amigo Francisco Vidal, que visitou A Deliciosa e escreveu o texto - com a elegância e o olhar amoroso habituais.
Bom ver você por aqui. Continue conosco. Um abraço.
Rubens.

Anônimo disse...

Mais conhecida como a Banca do Antoninho, se encontram coisas de primeira. Perto do fim do ano é o lugar para se conseguir especiarias oriunbdas de distintos lugares do mundo.
Se não podemos ir a Europa, África ou Oriente, pelo menos de lá viajam estas delicias.