
Camarão frito: prato
para 500 talheres
Até a primeira semana de novembro publicaremos relatos de viagem do médico Paulo Kelbert, morador de Pelotas. Paulo envia textos e fotos de um barco do Ministério da Previdência Social que navega pelo Pará. Dentro da embarcação, médicos e outros profissionais de vários pontos do País atendem populações ribeirinhas que necessitam ser periciadas para obtenção de auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez
Tucunaré: peixe bonito e saboroso, em extinção no ParáPaulo Kelbert
Médico Perito do INSS e Psiquiatra
Especial para o blog
Acostumado a acordar cedo, mesmo sem ter que trabalhar, saio para o convés para apreciar o raiar do dia. Céu de vários matizes, brisa começando a amornar, poucos barcos chegando ao cais. Trazem dos sítios paneiros (cestos) de açaí (foto abaixo). É a época de abundância do fruto. Compras-se a R$ 2 o litro de um caldo grosso, cujo sabor parece o do abacate, quando bebido sem açúcar.
Estamos esperando que venha de Belém o sorvete tão desejado na semana. É uma tenda na praça, e quem explora é uma família, que nos ofereceu de graviola. Gostoso.
Na praça, não se vende bebida alcoólica. Ordem do Promotor Público. Outras bebidas só nos bares da esquina, próximos de dois inferninhos. Música alta e retumbante que estremecia o navio ancorado a cerca de 50 metros.
Ficamos sacudindo dentro do camarote até as 2h da manhã, quando termina a festa dos jovens. Noite quente, brisa agradável, gente jovem em suas bicicletas, motocicletas que zunem em todas as direções, perigosamente. Não assisti a atropelamentos, mas passam raspando. Quem disse que no longínquo interior não há emoção?
Próximo dos bares como em qualquer lugar, os costumes são os mesmos. A roupa mais insinuante, um orgulhoso penteado nos longos cabelos das mulheres. No Pará, com o calor que faz, os cabelos femininos constituem um capítulo especial. As lojas de produtos de beleza existem em todos os cantos. Num lugar de poucas oportunidades, a vaidade é uma necessidade.Na pobreza, se cultiva a necessidade messiânica. As graças podem ocorrer por promessas de marinheiros ou pela irresistível beleza nativa, que atrai pretendentes de qualidade.
Pode ser sorte, pode ser azar.
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- Diário de bordo 1
- Diário de bordo 2
- Diário de bordo 3
- Diário de bordo 4




4 comt.:
O que a razão não explica por um conhecimento acadêmico oportunizado, logo será preenchido pela superstição, o que não invalida possíveis milagres... vai da crença de cada qual.
Continuo crendo em Deus e num homem capaz de fazer bom uso de suas faculdade...
Paulo, navegar é preciso...
De qualquer forma: Boa sorte!
Camarão é gostoso e lindo! Aquele vermelho vibrante no prato.
Tenho feito leitura atenta dos textos do Dr. Paulo Kelbert...e refletido...Que ótima oportunidade de reunir atitude profissional e aventura...
Para bem servir dentro de sua experiência( de quase 40 anos de profissão), acredito que seja o motivo da viagem do Dr. Paulo... se bem que uma aventura dessas quem não gostaria?
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