Segunda, 22 de março de 2010.

Terça-feira

Direto dos Emirados: as mudanças climáticas e as ameaças à integridade da vida na costa de Dubai


Eduardo Antunes Dias
Correspondente do blog
nos Emirados Árabes Unidos


Medidas para reforçar a região costeira de Dubai serão implantadas para evitar danos causado pela elevação do nível do mar, em consequência das mudanças climáticas. Segundo o Sr. Raymond S. Bradley, do Centro de Pesquisas do Sistema Climático e professor da Universidade de Massachusetts, o aumento de apenas um metro do nível do mar atingirá severamente o Kuwait e a região do delta do rio Nilo, no Egito.

Com todas as previsões pessimistas sobre o clima, resurge o conceito da sustentabilidade da economia. Em uma cidade onde se observa o verdadeiro espetáculo do crescimento, onde fica o maior prédio do mundo, o Burj Dubai, com 688 metros de altura; três ilhas artificiais imensas; uma rampa nevada para esqui dentro de um Shopping Center, num país com o maior número de carros 4x4 por habitante do planeta e o maior consumo de água por habitante da Terra, além da maior taxa de produção de lixo por habitante do planeta, como ficará a questão ambiental?

Toda essa discussão me fez lembrar da recente polêmica sobre a mudança do zoneamento ambiental no RS, em decorrência da pressão política e econômica sobre a FEPAM. Eis o velho embate entre manutenção do meio ambiente e promoção do desenvolvimento. Mas por que raios alguém disse que estes dois aspectos são incompatíveis?

Acredito no crescimento sustentável. Temos muitos exemplos na Amazônia. Nessas horas é importante conservar o senso crítico para evitar-se a manipulação dos que têm interesse direto na questão. A natureza é imparcial. As inundações provacadas pelo aumento do nível dos oceanos, pela crescente intensidade dos temporais e pelos rios assoreados por falta de mata ciliar atingirão tanto as populações que habitam a verde América do Sul quanto as que habitam o árido Oriente Médio.

Nascido em Pelotas, Eduardo Antunes Dias é médico veterinário graduado pela UFPel, com mestrado e doutorado em reprodução animal pela USP. Desde 2005, ele mora na cidade de Al Ain, Emirados Árabes Unidos, e trabalha como chefe do Laboratório de Análises Hormonais no instituto de pesquisas “Management of Nature Conservation”. Eduardo é também colaborador do blog Amigos de Pelotas.

Entrevista. Amanhã publicaremos uma entrevista com nosso correspondente Eduardo Dias. Ele vai nos contar o que o levou a trabalhar em Dubai, depois se formar médico veterinário na Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

2 comentários:

Glenda Dimuro disse...

O desenvolvimento meramente econômico é incompatível com a manutenção do meio ambiente. Desenvolver-se e evoluir é uma característica inerente a todos os sistemas vivos, tantos da natureza quanto humanos. O que não pode acontecer é que a balança pese mais para um lado, como acontece hoje. Visamos o desenvolvimento econômico custe o que custar, o “resto” a gente arruma depois. Esquecemos que o homem também é um animal e também faz parte do meio ambiente.

Para evitar os danos causados pela suposta elevação do mar, não basta medidas para reforçar a região costeira. É necessário uma mudança completa de nossos hábitos e pensamentos capitalistas, egoístas e individualistas, que são os verdadeiros causadores do “problema”.

As soluções “físicas” não me espantam vindas de um lugar como Dubai, onde se constrói ilhas artificiais e se gasta fortunas em edifícios altamente tecnológicos e que consumem muito mais energia que qualquer outro. Vivem nesse mundinho do dinheiro, do petróleo e esquecem que fazem parte de um planeta que não se chama Emirados Árabes Unidos.

Eduardo Dias disse...

Pois é Glenda,
No último relatório Planeta Vivo da WWF (http://www.wwf.org.br/index.cfm?uNewsID=4400)os Emirados Árabes Unidos figuram como um dos maiores responsáveis pelo efeito estufa devido ao uso de combustíveis fósseis do mundo (índice por habitante) e como o país com a segunda maior pegada ecológica do planeta (deterioração que as atividades humanas produzem nos sistemas naturais). Até 2030 a humanidade precisará de 2 planetas para manter o atual estilo de vida. Guerras à vista...