Sábado, Outubro 18, 2008

Recital solo de Laira Campos

Ars Longa
Crítica Cultural

Na mais recente edição das Tertúlias Musicais no Conservatório, ontem à noite, a pianista Laira Campos apresentou-se em recital solo. Cursando o 8º semestre do bacharelado em piano, ela acumula boa experiência como acompanhadora, integrante de grupos de câmara e até compositora. Como não é freqüente vê-la como solista – mais ou menos uma vez por ano desde 2005 – tenho podido comparar a cada momento sua promissora evolução como intérprete.

Um pianista não só requer resolver as exigências técnicas da partitura e sincronizar o toque das duas mãos, mas também imprimir ao texto um espírito próprio. É o que Laira mostra agora, impressionando pela liberdade de sua energia expressiva.

Começando pela sonata opus 26 de Beethoven – a da Marcha Fúnebre no 3º movimento – o vigor da intérprete está tão bem controlado que pode atemorizar o auditor, num trecho mais intenso, e no compasso seguinte tocar a alma do mesmo com carinho, paz e resignação. Passando do século XIX ao século XX, ouvimos a “Alma Brasileira” de Villa-Lobos e duas páginas de Ernesto Nazareth: a valsa “Confidências” e o gracioso “Escorregando”, que fica ainda mais simpático na expressão corporal de Laira.

A aparência delicada e gentil da pianista não faz pensar que de suas mãos sairá uma tempestade repentina de sons, um vibrante final de semicolcheias ou um agressivo batuque africano. A mão esquerda sempre segura, resta na direita uma impulsividade em amadurecimento, mas que contribui positivamente para esse turbilhão. Quanto aos pés, sim, um pianista precisa integrar todo corpo no uso dos pedais, e Laira o cumpre, maravilhosamente.

O programa chegaria ao fim com “Rítmica de Tango”, do uruguaio Jaurés Lamarque Pons. Nunca antes tocada em Pelotas, esta peça foi trazida pelo professor Marcelo Cazarré – orientador de Laira, e idealizador da série das Tertúlias. Ante o aplauso da platéia, Laira ainda tocou o famoso Odeon, de Nazareth, numa versão que com mais calma e ensaio ganharia em elegância. Se antes da graduação ela já tem seus admiradores e seu estilo próprio, com o tempo e o estudo chegará a ser uma destacada artista.

Desde 2008, Laira forma o trio Novitango (piano, violão e bandoneón), que já tem apresentação marcada no Conservatório, acompanhando a magistral voz de Jonas Klug. Nesta terça 21 de outubro, às 21h. A próxima Tertúlia trará um duo de flauta e piano, na sexta 31 de outubro, 19h.

* Contato com o autor: arslongasatolep@hotmail.com

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1 comt.:

Ana disse...

Ela é maravilhosa!
Parabéns pela bela crítica!

Linkei este post, ok?