Quinta-feira, Outubro 23, 2008

Filmes para ver no bem-bom

Niara de Oliveira
Crítica de Cinema

Roma, Cidade Aberta
Em 1944 Roma está ocupada pelos nazistas e Giorgio Manfredi (Marcello Pagliero), um dos líderes da resistência, é procurado pela Gestapo. Acuado, Giorgio pede ajuda ao amigo Francesco, sua noiva Pina (Anna Magnani) e Dom Pietro Pellegrini (Aldo Fabrizi). Don Pietro o ajuda conseguir identidade nova para sair de Roma e um lugar para se esconder até a fuga. Mas a namorada de Giorgio o entrega aos nazistas. No momento de sua prisão, Pina, que está grávida, é baleada pelos alemães.
O filme mostra uma Roma nua, miserável e sórdida nesse que é considerado o marco inicial do neo-realismo italiano. A Itália corrompida pelo fascismo é apresentada pelas mãos de um cineasta que inicia uma nova fase, recém passado para o lado da resistência. O roteiro assinado por Sergio Amidei e Frederico Fellini é baseado na história real de Dom Luigi Morosini.
Contando com parcos recursos (a maioria dos estúdios foram destruídos durante a guerra), Roberto Rosselini rodou o filme logo após a desocupação de Roma e teve de fazer diversas cenas externas, com atores amadores em locações reais e com um preciosismo único para a época, usando inclusive cenas reais da Segunda Guerra Mundial. Em uma entrevista aos Cahiers du Cinéma, Rosseline declarou que se “as coisas estão aí, por que manipulá-las?” Um show de roteiro com uma fotografia impecável em preto e branco. Verdadeira aula de cinema, de como se criar algo grandioso com um baixo orçamento e muita originalidade. Chocante e devastador, um dos melhores retratos desse período.
Roma, Cidade Aberta ganhou o Grande Prêmio, no Festival de Cannes e foi indicado ao Oscar de Melhor Roteiro. É o primeiro filme da chamada Trilogia da Guerra, de Rossellini. Os demais são Paisà (1946) e Alemanha, Ano Zero (1947). Estou comentando apenas o primeiro, o meu preferido, mas indico todos.
Imperdíveis. Drama, 98 min.

Elsa & Fred
Elsa (China Zorrilla) é uma argentina de 82 anos, mãe de dois filhos, que vive sozinha num pequeno apartamento de Madrid. É alegre e otimista e nutre o sonho de poder um dia entrar na Fontana di Trevi, em Roma, como Anita Ekberg no filme "La Dolce Vita" (Frederico Fellini), ao lado de seu Marcello Mastroianni.
Fred (Manuel Alexandre) é um viúvo abastado, cuja mulher faleceu há cerca de sete meses. Sua filha casada, Cuca, o instala num apartamento vizinho ao de Elsa, onde ele convive com a tristeza e a solidão, suas únicas companhias. Um pequeno incidente entre a filha de Fred e Elsa, faz com que esta se aproveite para tentar uma maior aproximação com ele. Assim, aos poucos, eles vão se aproximando e vivendo novas experiências. Ele redescobrindo o prazer de viver, ela aproveitando o pouco tempo que tem de vida.
Uma refinada comédia dramática, irresistível e muito sensível. Realizado pelo cineasta argentino Marcos Carnevale, que também participou da elaboração do roteiro, o filme fala de ternura, solidariedade, compreensão, otimismo e paixão na terceira idade. Adorável! Comédia/Drama, 108 min.

Conduta de Risco
Michael Clayton (George Clooney) trabalha numa das maiores firmas de advocacia de Nova York, e sua função é limpar os nomes e os erros de seus clientes. Como ele já trabalhou como promotor de justiça e vem de uma família de policiais, Clayton é o responsável por realizar o serviço sujo da firma, que tem Marty Bach (Sydney Pollack) como um de seus fundadores. Apesar de estar cansado e infeliz com o trabalho, Clayton não tem como deixar o emprego, já que o vício no jogo, seu divórcio e o fracasso em um negócio arriscado o deixaram repleto de dívidas. Quando Arthur Evans (Tom Wilkinson), o principal advogado da empresa, sofre um colapso e tenta sabotar todos os casos de um cliente, Clayton é enviado para solucionar o problema. É quando ele percebe a pessoa em que se tornou.
É a estréia do diretor Tony Gilroy, que teve a idéia para Conduta de Risco enquanto visitava firmas de advocacia para escrever o roteiro de Advogado do Diabo (1997). Recebeu sete indicações ao Oscar, incluindo nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Ator (George Clooney), além de concorrer a quatro Globos de Ouro e cinco BAFTA. O roteiro é muito bem construído e prende a atenção do início ao fim. Muito bom. É considerada a melhor interpretação da carreira de George Clooney. Drama, 119 minutos




Niara de Oliveira é jornalista. Natural de Pelotas, formada em comunicação social há dez anos, é comunista e feminista, mas não é tola.

5 comt.:

Lawrence disse...

elsa&fred é bem bom :))

Déborah disse...

conduta de risco também:)

Niara de Oliveira disse...

Não costumo justificar as indicações de filmes que faço, mas essa semana achei que um filme neo-realista italiano, mostrando uma cidade destruída no pós-guerra, e um outro que mostra um homem que entra em crise por questionamentos éticos cabem bem nesse período pré-eleitoral. E o argentino Elsa & Fred caiu como uma luva depois da polêmica sobre os idosos aqui no blog, essa semana.
E adianto: semana que vem indicarei um filme de terror.

Anônimo disse...

esses já vi e são ótimos. Indico um francês: MELHORES AMIGOS. Excelente.

Cadu disse...

Ni...

Continuo lendo teu post e sempre me surprrendo com tuas dicas e teu poder de síntese...

Vou aguardar tua dica de terror. Não gosto do gênero mas, quem sabe vc me surpreende com uma excelente dica.

Abraços, Cadu - Porto Alegre