Uma manchete inesperada

Eu gostaria de agradecer de público ao diretor de redação do Diário Popular. Não fosse ele noticiar, em manchete, que hoje era o último dia para entrega do imposto de renda, eu teria esquecido. Estou certo de que o alerta do editor pegou muita gente de surpresa.


Diário Popular: surpreendente

Endividada, Católica demite 'levas' de funcionários

A Universidade Católica, que alega passar por "reestruturação administrativa", vem na verdade demitindo pessoal em levas. Uma fonte deste blog, fonte de batina, conta que, nesta semana, a empresa abriu mão dos serviços dos funcionários Luís Fernando Meirelles, Alaíde Motta, Solange da Silveira e Natalha Soares. Os recursos para pesquisa também vêm sendo cortados. A UCPel aperta o cinto até perder o ar, para quitar dívida trabalhista de R$ 40 milhões, a ser "paga" em 15 anos. * Foto: pesquisa AP.

O preço da "fama"

Hoje, este blog foi informado por uma médica do trabalho que certo colunista social da cidade cobra R$ 500,00 para publicar foto de pessoas na sua coluna. "Ele ofereceu espaço para uma filha minha, mas me cobrou isto. Fiquei surpresa. Pensei que, como funcionário de jornal, ele recebesse salário para fazer seu trabalho." * Foto: pesquisa AP.

Júnior comete abuso eleitoral dentro de gabinete

O prefeito biônico Fetter Jr. anda cometendo um deslize atrás do outro. O último exigiria ação enérgica da Justiça Eleitoral e do Ministério Público. Na foto abaixo, Jr. (que gosta de inaugurar galeria de presídio) aparece em evento político privado, dentro da prefeitura, anunciando aos presentes o apoio do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) à sua candidatura. Outra coisa, denunciada no blog do jornalista Irineu Masiero: a fotografia foi tirada por um fotógrafo contratado com dinheiro público do contribuinte pelotense.








* Foto: revelação de uma infração à lei

Instituição usa nome de Nelson Nobre em vão

É de estarrecer o que uma instituição de ensino local anda fazendo com a memória de Nelson Nobre, que faleceu ano passado. Quando vivo, Nelson não recebia apoio de ninguém para manter seu quiosque cultural, no calçadão. Foi ele falecer e a tal instituição mandou colar um banner publicitário no quiosque, que permanece a maior parte do tempo fechado. O tal banner diz: "Nelson Nobre vive". Diz ainda que "a tal instituição está ´comprometida´ com a memória dele". Bem, então já passou da hora de mostrarem o "comprometimento". Poderiam começar por abrir o dia inteiro o quiosque - onde uma estagiária faz palavras cruzadas por apenas algumas horas. Aliás, poderiam mais. Poderiam por em prática as ações prometidas no banner. Reviver o Nelson, não dá. "Comprometer-se com a memória dele", daria. Mas não é o que estão fazendo. Pobre do Nelson. Pouco apoiado em vida, morto, ainda "usam seu nome em vão".
* Foto: coleção Rubens.

Entrevista com Wood Allen, que estréia novo filme

Aos 72, Woody Allen lança "O Sonho de Cassandra", que estréia hoje no Brasil, reclamando de Hollywood, da velhice, da crítica e até de seus filmes... Em entrevista a Bruno Lester, da International Feature Agency, nega que seja um "intelectual": "Não me interesso por livros complicados". Allen comenta ainda o lado trágico de "Cassandra", em que Ewan McGregor e Colin Farrell vivem irmãos endividados que recebem proposta para cometer um crime.

Do que trata "O Sonho de Cassandra"?
É a história de jovens simpáticos que se envolvem numa situação trágica, em função de fraquezas e ambições. A intenção deles é boa. Foram educados com decência, mas os acontecimentos e seus próprios atos os conduzem ao final trágico.

Como "Crimes e Pecados", é sobre morte e culpa.
Sempre me interessei pelo assassinato e pelo lado sombrio do drama e da tragédia. O assassinato é uma das ferramentas que dramaturgos e cineastas usam há séculos para elucidar o que querem mostrar. Tirar a vida é ato muito dramático e que me interessa.

Você disse que a vida é "uma experiência bastante trágica".
Sempre senti que a vida é uma confusão grande. Tenho uma visão sombria e pessimista da vida e da fé do homem, da condição humana. Mas há alguns oásis divertidos no meio dessa miragem.

"Vicky Cristina..." é estrelado por Scarlett Johansson. É o terceiro filme que fazem juntos. O que há de especial nela?
Ela tem tudo: é linda, sexy, inteligente, divertida, espirituosa e boa para se trabalhar. Se mantiver a cabeça no lugar, o futuro é dela.

De quais filmes seus você se orgulha mais?
Tenho três dos 39 filmes que fiz: "Match Point", "A Rosa Púrpura do Cairo" e "Maridos e Esposas". Os outros, eu refaria.
* Matéria de Henny Ray Abrams/AP.
* Foto: cena do filme Scoop, o grande furo, de Wood Allen (divulgação).

"Trinta anos esta noite"

Trinta anos esta noite é o título de um interessante filme francês. O clássico de Louis Malle, de 1963, conta a luta de Alain, o atormentado protagonista, contra seu maior inimigo: ele mesmo. Lembrei deste filme hoje à noite, por razões sentimentais. É que, depois de pouco mais de duas décadas, reencontrei há pouco uma ex-colega de faculdade. Foi na livraria, restaurante e cyber café Dom da Palavra, na esquina das ruas Dom Pedro II e XV, onde ela e o marido dirigem o estabelecimento.
Kátia Reichow é jornalista, como eu, formada na mesma universidade. Como eu, morou por muitos anos fora de Pelotas e voltou a residir na cidade. Junto conosco, estava o promotor informal do encontro, funcionário do Itamaraty e editor José Vidal, que também retornou a Pelotas. Foram momentos agradáveis, desfrutados com a sabedoria da maturidade, finalizados por um comentário sensível de Kátia: "Depois de 20 anos de jornalismo, descobri que eu gosto mesmo é de cozinhar. Com o tempo, alguns aprendem a explorar novas faces da personalidade. Raramente somos uma coisa só. Kátia é uma exímia jornalista que adora cozinhar bem. Ao contrário das mulheres, que parecem ter mais certezas na vida, Vidal e eu permanecemos à procura de alternativas satisfatórias aos nossos ofícios primordiais. Em comum, Kátia, Vidal e eu amamos Pelotas, nossas origens.
Suspeito que, ao contrário do triste destino do personagem do comovente filme de Louis Malle, nós três aprendemos a viver melhor conosco mesmos. Como os caminhos da política e da religião têm-se mostrado falíveis, creio que temos procurado extrair sentido da vida através da arte. Seja na cozinha, na tela de um blog ou entre os rancores das rotativas de uma gráfica.
* Imagem 1: Vidal, Kátia e eu.
* Imagem 2: livraria-restaurante-café Dom da Palavra.
* Fotos: coleção Rubens.

Novela Dos males, o menor sai na quinta-feira

Agora é pra valer. A novela Dos males, o menor será publicada na próxima quinta-feira. A pequena novela conta a vida de um quase-anão, um homúnculo que se sentia tão pequeno e desprovido, que vivia uma contradição: apesar de só andar de salto alto, procurava falar grosso o tempo todo. O personagem, uma espécie de anti-herói, como Macunaíma, o sem-caráter, vai dar muito o que falar.
* Foto-ilustração. Pesquisa AP.

Mansur vai a Rio Grande cobrir festa de 15 anos

Minha amiga Catita, a mal-humorada mais divertida que conheço, me abordou na rua. Ela folheava o Diário Popular, à procura da coluna social.
"Viste a manchete da coluna do Mansur de hoje?"
"Já te falei, Catita: não leio coluna social."
"É assim ó: "A NOITE PINK DE MARINA."
"E daí?"
"Como, é daí? Ele foi até Rio Grande para nos contar esse fato extremamente importante, que foi a festa de 15 anos da garota Marina. É muito altruísmo e desprendimento, não achas, não?"
* Imagem: Jean Handrix.

MEC apura: Medicina da UCPel vai de regular a mal

O curso de Medicina da Universidade Católica de Pelotas (UCPel) não vai bem das pernas. Segundo levantamento do Ministério da Educação, as notas do curso variam de regular a ruim. Da relação de cerca de 100 cursos avaliados no País, o curso de Medicina da UCPel ficou em 62º lugar no ranking dos mais bem pontuados, atrás, por exemplo, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), que ficou em 34º lugar. A UCPel obteve nota 3 no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) e nota 2 no Indicador de Diferença entre os Desempenhos Observado e Esperado (IDD), que determina "quanto de conhecimento os cursos agregam para os alunos". As notas variam de 5 a 1. Os melhores cursos tiraram notas de 4 a 5. Na gestão do ministro da Educação Paulo Renato Souza, o curso de Medicina da UCPel andava tão fraco, que o ministro suspendeu a realização do vestibular e encaminhou ao Conselho Nacional de Educação um pedido de fechamento do curso.





Lição de Anatomia, de Rembrandt.

Médico do HU ganha salário sem dar expediente

Pobre de quem precisar ser atendido pelo Dr. Antônio Beltrão, no Hospital Universitário São Francisco de Paula, da Universidade Católica de Pelotas (UCPel). Quando vai ao trabalho, frequentemente Beltrão costuma sair mais cedo, deixando pacientes esperando diante de uma sala vazia. Mesmo sendo um dos campeões de reclamações na Ouvidoria do HU, Beltrão continua dando expediente. Hoje, terça-feira (29), ele deveria atender no HU, das 11h às 13h15, mas novamente saiu mais cedo. Um paciente chegou à sua sala às 12h45 e a encontrou fechada. Procurou então a ouvidora da Casa. Antes de dar nova queixa por escrito, ele e a ouvidora telefonaram para o celular do médico, mas estava desligado. O HU tem três diretores (um administrador, Elói Tramontin, e os médicos Ernesto Sousa Nunes e Sílvio Luis Reis), mas, pelo visto, nenhum deles tem coragem e o bom senso profissional de tomar providências em relação a Biltrão. Resta a pergunta: qual a origem do poder do médico? O que faz com que ele menospreze a autoridade e o juramento que prestou quando pegou seu canudo de "formado"?
* Imagem: fantasma. Pesquisa AP.

Fetter corta fita de inauguração de ala de presídio

Meu amigo e vizinho, o sábio João, me encontrou hoje no elevador.
"Tem uma coisa que não me sai da cabeça".
"O que, João?"
"Uma foto que saiu na capa do Diário Popular. Faz um mês, acho."
"Foto?"
"Uma em que o nosso prefeito Fetter Jr. aparece sorridente, prestes a cortar com a tesoura uma fita azul de inauguração de uma nova galeria do nosso presídio local."
"É, foi bem estranho aquilo?"
"Estranho?! Aquilo foi um sinal evidente de esquizofrenia. Ganhar a próxima eleição do Fetter Jr. vai ser mole, até para mim, que tô aposentado. Nem precisa mostrar o que ele não fez pela cidade. Basta mostrar a tal foto aos pelotenses, todo dia, na tevê. Para azar do coitado, faltou até mesmo um mísero assessor de imprensa que o alertasse do mico."
"Os assessores devem ter é dado a idéia. Suspeito mais: que ainda vão convencê-lo a participar de um churrasco junto com os presos da nova galeria."
* Imagem: pesquisa AP.

Articulista do DP "baba" sobre general Osório

Veja o texto: "Osorio encarna todos os ideais cívicos que sempre desejamos de nossos líderes. Um dos grandes líderes da Guerra do Paraguai e patrono da cavalaria brasileira, doou-se por inteiro ao país que tanto amava (...) Foi o primeiro líder sul-americano a adentrar em terras paraguaias (...), lutou ferido na batalha do Avaí, suportou a perda da esposa antes de finda a guerra, não abandonando nunca o compromisso cívico. Homem de paz, nunca escondeu sua inconformidade com a guerra (...) Reviver líderes como Osorio é mais do que um compromisso histórico (...) É o encontro de uma identidade que ainda não descobrimos.
Algo mais do que cantar o Hino Nacional em dia de jogo da Seleção.
Retomemos os livros de história.
Veja o nome do autor: Cristiano Osorio Brauner (médico).
Está explicado?
Pobres dos paraguaios. Acabaram mesmo com eles...
E ainda remexem nos esqueletos, à procura de troféus.

OLHO VIVO* Foram precisos muitos anos para que a Guerra do Paraguai começasse a ser revista. Em 1968, León Pomer lançou na Argentina La guerra del Paraguay: um gran negócio, e em 1979, Júlio José Chiavenato publicou no Brasil o livro Genocídio americano: a Guerra do Paraguai. Os dois trabalhos criticavam a intervenção e ação da Tríplice Aliança. Neles, e em outros trabalhos posteriores de porte, a guerra é vista como uma ação imperialista e genocida, apoiada pelos ingleses e explica a resistência paraguaia a partir do caráter modernizador do Estado de Solano Lopez.
* Imagem: pesquisa AP.

Ensino superior em Pelotas 1: o novo cenário

A realidade do ensino superior no Brasil vem mudando radicalmente. E mudará muito mais nos próximos anos, para o bem dos estudantes e consumidores. Em Pelotas, não é diferente. Um dado novo é que acabou o monopólio regional privado exercido por décadas pela Universidade Católica de Pelotas (UCPel). Hoje, com a entrada no mercado do Grupo paulista Anhanguera, que anuncia qualidade de ensino a preços compatíveis com o poder aquisitivo da população, a UCPel se encontra, pela primeira vez, pressionada por um cenário competitivo direto, em seu próprio território.
Oferta cresceu
Esse novo arranjo mercadológico é acirrado por outros fatores: a presença de outras faculdades privadas no entorno de Pelotas, a expansão do ensino universitário público (Lula anunciou ontem, por exemplo, que vai aumentar em mais 400 mil as vagas nas federais) e o crescimento da oferta do ensino a distância, ferramenta essencial em país emergente e que deve explodir daqui em diante.
A principal dificuldade da UCPel, que, em termos numéricos, está regionalmente cercada por cinco universidades federais e por pelo menos igual número de instituições particulares, é a falta de fôlego para competir.
Católica endividada
O motivo é simples, como dois mais dois. A Católica, que há oito anos quase viu a bancarrota, permanece endividada - com papagaios até a raiz dos cabelos com os bancos, situação que naturalmente lhe tira a ousadia e o poder de fogo e lhe obriga a jogar suas energias em orações e, provavelmente, no marketing.
Para se ter idéia, em valores de hoje, a dívida da UCPel, oficialmente, é de R$ 40 milhões, negociada para pagamento em 15 anos. Enquanto a Católica concentrará suas forças em se manter de pé, seus concorrentes privados e públicos, livres do peso de problemas financeiros, vão correr soltos e turbinados em direção à dianteira. Mais ou menos como vem ocorrendo com Barak Obama e Hillary Clinton em relação a John McCain. Enquanto Obama e Hillary lutam nas primárias pela vaga de candidato dos Democratas, John McCain vai tirando vantagem - e levantando poeira - sobre seus oponentes. (RA)
Continua no próximo post.
* Foto: grande elefante branco. Pesquisa AP.

Ens. Sup. em Pel. 2: mensalidade alta ou quebrar

A UCPel não pode baixar seus preços para competir em melhores condições com seus oponentes, como o Grupo Anhanguera e outros, por uma razão objetiva. Se o fizer, não conseguirá saldar as muitas parcelas de sua vasta dívida trabalhista, e quebrará. Por isso, a UCPel continua a praticar preços estratosféricos em suas mensalidades, as mais caras da cidade e das mais altas da região e do País.
O advogado e reitor da UCPel, magnífico Alencar Proença, conhece bem a sinuca de bico da Católica, onde, afora as bananas da copa, até papel higiênico é racionado.
Como não pode competir em pé de igualdade com outras faculdades privadas e com as federais, o magnífico tenta menosprezar seus concorrentes, alegando que "cursos a preços mais baixos não têm valor e que conhecimento não é mercadoria".
Na verdade, o buraco é mais embaixo. Afinal, se ensino não é mercadoria, por que a UCPel não se torna pública e gratuita ou pelo menos não reduz o preço das mensalidades?
Seguindo a lógica do magnífico, vale perguntar a ele, na próxima palestra: quer dizer, então, que quanto mais cara a mensalidade, menos mercadoria o ensino é? (RA)
Continua no próximo post.
* Foto: grande elefante branco. Pesquisa AP.

Ens. Sup. em Pel. 3: qualidade igual, ganha preço

Além de “bater” nas novas faculdades privadas de Pelotas e região, criticando o preço mais baixo das mensalidades cobradas por esses estabelecimentos (e, implicitamente, a qualidade do ensino), o magnífico reitor da UCPel, advogado Alencar Proença, costuma atacar também o ensino a distância. Outra vez o advogado erra o alvo. Vamos por partes, como o estripador.
Professores são os mesmos
Analisemos o item qualidade, começando por uma pergunta: grande parte dos professores da Anhanguera não é egressa da Universidade Católica?
É evidente que sim, provenientes inclusive da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Ou seja, em princípio, profissionais de gabarito, com mérito testado e comprovado. Logo, se a mesma mão-de-obra já foi útil na Católica e em outras instituições, por que não seria igualmente competente, por exemplo, na Anhanguera?
É preciso lembrar ainda que todas as faculdades e cursos são submetidas pelo Ministério da Educação a um sistema de monitoramento de qualidade de ensino, por meio do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) e de outros recursos combinados, como inspeções a laboratórios, bibliotecas e outras instalações.
Ensino a distância
Vamos, agora, ao ensino a distância. Em recente entrevista ao Diário Popular, o magnífico Alencar criticou este recurso. Não faz sentido o discurso do magnífico, já que a EAD tem sido um poderoso aliado (e a custos baixos) dos países emergentes, como é o caso do Brasil, que tem urgência de qualificar mão-de-obra, expandindo-a, sobretudo, em nível superior. A oferta de vagas no ensino superior brasileiro continua aquém da demanda por esta formação, exigida de alunos agressos do ensino médio e de adultos formados que, com a velocidade do conhecimento no mundo moderno, desejam voltar a estudar várias vezes ao longo da vida, uma tendência mundial.
Tecnologia para ficar
Há vários exemplos de programas de ensino a distância dando certo em outros países e no Brasil, inclusive na esfera pública. Portanto, é mais do que um equivoco de análise desprezar os benefícios da tecnologia e da internet, cujas ferramentas chegaram para ficar e são extremamente importantes na área educacional.
Na verdade, o que os pelotenses estão assistindo, e assistirão cada vez mais, é a uma “guerra” dos estabelecimentos de ensino superior pela conquista dos estudantes.
Para a Católica, caso a empresa continue com um modelo de gestão paroquial (não profissional), como o de hoje, o embate pode significar o fim de seus dias.(RA)
* Foto: grande elefante branco. Pesquisa AP.

Blog Amigos de Pelotas ultrapassa 5 mil consultas

O blog Amigos de Pelotas comemora seu primeiro mês de vida no próximo dia 4 de maio. Tudo começou como na música do Peninha, "e foi absorvendo". Para nossa surpresa, o blog ultrapassou, ontem, as primeiras cinco mil consultas. Sabemos que, entre os principais amigos visitantes, estão jornalistas e funcionários públicos, mas não só. O "boca a boca" parece vir contribuindo, assim como a divulgação do nosso endereço em outros blogs e sites. Obrigado a todos.

UFPel tem nova pró-reitora de Assist. Estudantil

A Universidade Federal de Pelotas (UFPel) tem nova pró-reitora de Assistência Estudantil. Ana Catarina da Nova Cruz foi confirmada no cargo oficialmente ontem, durante reunião dos pró-reitores com o reitor Cesar Borges.
A presença de Ana Catarina, que substitui o professor Alípio Coelho, garante a continuidade de um trabalho de assistência aos estudantes, implantado com êxito na gestão de Alípio. Funcionária há 23 anos da UFPel, Ana é psicóloga e mestre na área de Saúde Mental.
A Pró-reitoria de Assistência Estudantil é responsável pela administração da Casa do Estudante, bem como pelo fornecimento de bolsas para alimentação, transporte e moradia dos alunos. Presta também atendimento psicológico aos universitários.

Lula promete 400 mil novas vagas nas federais

As universidades privadas que cobram caro têm novo motivo para colocar as barbas de molho em Pelotas e região.
Além da concorrência crescente de outras instituições particulares, acirrada a partir da gestão do ministro Paulo Renato Souza (foto), o presidente Lula anunciou, hoje de manhã, que o governo federal vai aumentar em mais 400 mil as vagas nas universidades públicas, passando dos atuais 12 alunos por professor para 18 alunos por professor. O aumento ocorrerá, diz ele, nos próximos quatro anos.
Segundo o presidente, essa expansão será proporcionada pela implantação do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni).
Lula lembrou que o País registrou "três décadas em que a economia brasileira não cresceu, não se fez os investimentos necessários na área de educação, na área da formação profissional". "Se não tem escola para os jovens estudarem depois que terminam o ensino fundamental e o segundo grau, não tem formação profissional e não tem emprego. A juventude fica à mercê do narcotráfico, à mercê do crime organizado. Por isso, eu posso dizer para você que é a primeira vez que o país conta com uma política voltada especificamente para os jovens".
* Resumo de matéria do Yahoo Notícias.

* De vez em quando, este blog publicará notícias de outras cidades do Brasil e do mundo. Matérias que, de algum modo, fazem conexão com questões de Pelotas, como a reportagem acima.

Novela Dos males, o menor sai na quinta

Agora é pra valer. A novela Dos males, o menor será publicada na próxima quinta-feira. A pequena novela conta a vida de um quase-anão, um homúnculo que se sentia tão pequeno e desprovido, que vivia uma contradição: apesar de só andar de salto alto, procurava falar grosso o tempo todo. O personagem, uma espécie de anti-herói, como Macunaíma, o sem-caráter, vai dar muito o que falar.
* Foto-ilustração. Pesquisa AP.

"Não se pode reprimir sites", diz Fernando Gabeira



Deputado promete resistir contra o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que deseja proibir campanha pela internet. "É como proibir a chuva", diz revista Época


No início dos anos 2000, as maiores gravadoras do mundo tentaram impedir a troca de músicas gratuitamente, processando o site Napster. O Napster acabou, mas hoje o público que troca músicas sem pagar nada é muito maior. O governo da China impõe severas barreiras a determinados sites, e mesmo assim os chineses burlam as regras. Agora, quem se lança na batalha inglória pelo controle da internet é o Tribunal Superior Eleitoral. Duas resoluções baixadas em fevereiro estabeleceram limites para a campanha feita pela rede.
O texto proíbe os candidatos de fazer campanha em sites de relacionamento, blogs ou comunidades fora de sua página oficial de campanha e de pedir doações on-line. Como milhões de pessoas podem fazer isso sem que o candidato saiba, ele precisará provar ao Ministério Público que, pelo menos, fez esforços para tirar o site ou a comunidade do ar. "Esse controle é impossível", afirma o cientista político Marcus Figueiredo, do Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro (Iuperj).
Fora do Brasil, a internet é poderoso recurso eleitoral. A importância da rede na busca por votos é tanta que a revista Time afirmou, na última edição, que o Partido Democrata tem demonstrado mais competência que o Republicano no uso da internet na pré-campanha pela Presidência dos EUA. Na disputa entre os democratas, a rede tem sido essencial para vantagem de Barack Obama sobre Hillary Clinton. Obama tem cerca de 700 mil "amigos" no site FaceBook, rede de relacionamento similar ao Orkut, e outros 500 mil no Black Space, rede só de negros. A interação entre esses internautas dá impulso à campanha de Obama. Só em fevereiro o site oficial de Obama arrecadou US$ 35 milhões em doações. Hillary tem apenas 130 mil amigos no site FaceBook. Sua campanha não foi focada na internet.
No Brasil, o uso da internet nas campanhas é menor, mas seu crescimento é inevitável. E as novas regras do TSE causam embaraço a isso. O deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ), candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro, ganhou apoio de comunidades no Orkut. Um dos sites tem 2.872 membros. "Vou entrar na Justiça para derrubar essa regra. Não se pode reprimir sites, senão voltaremos ao século passado", diz Gabeira. "Fui obrigado a tirar do meu site um link para um perfil da minha vida feito em outro site."
Hoje são vendidos no Brasil mais computadores que televisores. De acordo com o IBGE, cerca de 49 milhões de pessoas acessam a internet. É impossível tentar isolar as campanhas eleitorais desse avanço. A tendência é que a campanha com panfletos e comícios seja substituída pela propaganda on-line. Limitar a velocidade dessa evolução seria como proibir a chuva de cair.
* Resumo de matéria da revista Época.
* Foto: divulgação comitê de campanha.
* De vez em quando, este blog publicará notícias de outras cidades do Brasil e do mundo. Matérias que, de algum modo, fazem conexão com questões de Pelotas, como a reportagem acima.

Anedotário de psiquiatria 1

Entrou para o anedotário pelotense.
Certa vez o falecido psiquiatra Darcy Abuchaem ministrava aula no hospital espírita. Passeando com estudantes dentro do sanatório, ele foi abordado por um paciente.
"Doutor, estou ouvindo vozes", disse o homem.
Cercado pelos alunos, Darcy teria aproveitado a deixa.
"E o que essas vozes estão lhe dizendo?"
"Estão me dizendo para mandar o sr. pra p...."

AMIGOS, QUEREMOS SUA PARTICIPAÇÃO NO BLOG

Queremos que você nos ajude a fazer jus ao nome do blog - Amigos de Pelotas. Queremos você do nosso lado na produção do material. Você pode nos contatar pelo e-mail amigosdepelotas-blog@yahoo.com.br. Através deste endereço, poderá enviar sugestões de pauta, informações, críticas, comentários, crônicas de sua autoria (leia post abaixo) etc. O espaço está aberto à sua participação. Estamos te esperando, sempre. Como se sabe, sozinhos, não vamos longe. Juntos, podemos fazer coisas bonitas e edificantes para a nossa gente. Abraço do Rubens.
* Imagem: pesquisa AP.

Maniqueísmo

Meu amigo e vizinho, o sábio João, hoje está impossível.
Acaba de bater aqui em casa de novo.
"Amigo, eu estava regando plantas e lembrei daquela propaganda do governo Lula..."
"Qual?"
"Aquela que tinha como slogan: "O melhor do Brasil é o brasileiro”.
"E daí?"
"Considerando que tudo na vida tem dois lados, fiquei me perguntando o que seria então o pior do Brasil?"
"João..."
"Que?"
"Já acabaste de regar as plantas?"

Colunista social Mansur continua arrasando

Minha amiga Catita, a mal-humorada mais divertida que conheço, me ligou há pouco. "Você viu a manchete da coluna do Flávio Mansur de hoje". "Não." "Tem cadeira perto?" "Tá..." "É assim: 'PROFUSÃO DE ROSAS, BARTENDERS E BANDA'." "..." "Alô?!" "..."
* Imagem: Bobo da corte, de Velázquez.

Mario Magalhães, do DP, enche a bola de "bustos"

Meu amigo e vizinho, o sábio João, apareceu aqui em casa com o Diário Popular na mão.
"Tu já leste alguma vez as colunas do Mario Osório Magalhães?"
"Um que é historiador? Um que só escreve sobre o passado 'dourado' de Pelotas e sobre gente da família dele? "
"Esse mesmo."
"É daí?"
"Queria saber quando ele vai contar a história das pessoas de real valor. Em vez de alisar a cabeça de bustos duvidosos, ele deveria contar a saga dos verdadeiros heróis dessa terra, como, por exemplo, os lanceiros negros, traídos pelos manda-chuvas da revolução farroupilha."
"É verdade..."
"E, depois, é preciso que se diga. Embora a fazendeirada tenha exercido o mecenato cultural em Pelotas, jamais, ela própria, se tornou culta de verdade. Continuaram botocudos, tanto que atolaram no charco, como seus bois perdidos. Aliás, taí um bom tema para o Magalhães. Será que ele topa?"
"Sei, não. Ele parece um sujeito que, além de viver de passado, vive de fantasia."
* Imagem: Narciso, de Michelangelo Caravaggio.

Medicina da UCPel está na mira do MEC?

A Universidade Católica de Pelotas que se cuide. O curso de Medicina da UCPel, que teve o vestibular suspenso por seis meses, pelo então ministro da Educação Paulo Renato Souza, corre risco novamente de ter o concurso suspenso e o curso fechado. Na época, o ministro, além de suspender o vestibular, recomendou o fechamento do curso, por mau desempenho no Exame Nacional de Cursos (Provão) e dois conceitos insuficientes na Avaliação das Condições de Oferta. O fechamento do curso foi pedido ao Conselho Nacional de Educação.
O perigo voltou a rondar a UCPel, após o ministro atual, Fernando Haddad, anunciar que 20% dos cursos de Medicina do País terão de passar por processo de supervisão por terem tirado notas insuficientes no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), que substituiu o Provão. No resultado final, será considerada uma série histórica das avaliações, principal ponto que preocupa uma fonte da UCPel. A lista dos cursos a perigo será divulgada em maio, após conclusão dos resultados do Enade, realizado em 2007, mas uma fonte do MEC informou a este blog que a maioria dos cursos pertence a instituições privadas.
"Teremos uma série histórica que considerará o resultado das avaliações anteriores. Com esses dados em mãos, começaremos a agir", afirmou o ministro Haddad. Segundo ele, ao mesmo tempo, novos critérios de avaliação serão incorporados, para incluir a oferta de residência e as condições dos hospitais universitários (HUs).
Hoje, há 167 faculdades de Medicina no país.
* Imagem: Lição de Anatomia, de Rembrandt.

Série do DP sobre 1968 é competência pura

Recebi post de amigo leitor, coberto de razão. Eu já andava querendo escrever algo a respeito da série de reportagens sobre 1968, publicadas no Diário Popular desde domingo passado. Depois de ler o post, ficou urgente.
A qualidade dos textos, das fotos e da edição salta aos olhos. É obrigação reconhecer a qualidade das reportagens dos jornalistas Cíntia Piegas, Michelle Ferreira e Pablo Rodrigues e a concepção estética de Ana Bandeira, Kaká Dufech e Rafael Ocaña, profissionais responsáveis pelo projeto gráfico e pela diagramação. A química rolou entre a equipe, apta a emprestar sua competência às melhores redações. Além de consistente e belo, percebe-se que o trabalho é realizado com empolgação.
Deus está nos detalhes, dizem. Pois bem. Então ele visita cada página da série, até na hora de editar os nomes dos seus autores, em que se percebe a elegância (que me chamem de machista, azar) de citar as mulheres antes.
Os leitores pelotenses aplaudiriam muito mais o Diário Popular se a excelência revelada na série 68 habitasse o jornal no dia-a-dia, sobretudo agora, em ano eleitoral. Possível, já vimos que é.
Meus parabéns a toda equipe. E ao jornal, por tê-la em seus quadros.
* Imagem: cena do filme O que é isso companheiro?, de Bruno Barreto, baseado no livro homônimo de Fernando Gabeira. O ponto central é o sequestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick, por grupos de resistência à ditadura militar no Brasil.

Padre balonista teria ido parar na ilha de "Lost"

Brasileiro não tem jeito. Primeiro, é solidário na tragédia, depois faz piada com ela. A montagem acima é coqueluche na internet. O padre balonista levantou vôo em Paranaguá (PR) e desapareceu.

Kleiton Ramil é parecido com Deus

Dia desses, eu e minha amiga Catita, a mal-humorada mais divertida que conheço, assistíamos a um comercial na tevê. A estrela da peça publicitária, patrocinada pela Universidade Católica, era Kleiton Ramil. Nela, o músico pelotense, que negocia com a UCPel a criação de um selo de gravadora e possui legião de fãs na cidade, faz rasgada declaração de amor a Pelotas. Quando terminou o comercial, Catita perguntou:
"O Kleiton não mora no Rio?"
"Parece que mora".
"Então o caso dele é parecido com o de Deus."
"Como assim".
"Deus é brasileiro, mas não mora aqui".
"Ah..."
* Imagem: o Infinito. Ou seria um palco iluminado?
* Foto: pesquisa AP.

Leitores à beira de um ataque de nervos

É raro, mas às vezes alguns posts ofensivos são enviados ao blog. Quando a baixaria é grande, poupo os leitores. Mesmo assim, vamos manter os canais de comunicação abertos, até mesmo aos anônimos nervosos. Tudo bem. Quando quiserem desabafar, desabafem. A gente agüenta as barbaridades dos aflitos, sobretudo porque a maioria dos posts que chegaram até aqui, e dos telefonemas, é de gente do bem, manifestações de apreço e consideração. O resto, como se diz, "sai na urina", embora nos alegre saber que os inimigos do blog, assim como os amigos, não consigam ficar muito tempo sem nos visitar. Então, aos amigos, obrigado pela força. E, aos inimigos, obrigado pela raiva.
* Imagem: Cena do filme Mulheres à beira de um ataque de nervos lembra nossos raivosos leitores. Foto: Pesquisa AP.

Fiscalização retira camelô da rua do Aquárius

Um dia depois deste blog anunciar a instalação do primeiro camelô na quadra do Café Aquárius, na Rua XV, a fiscalização retirou-o de lá. Desejo que tenham oferecido ao homem local adequado para que ganhe a vida. Claro, falta uma solução ampla ao problema, inclusive obrigando lojistas a retirarem do passeio público cabides, roupas (foto), eletrodomésticos, utensílios de cozinha etc. A pronta reação quanto ao ambulante da XV indica que a prefeitura começou acompanhar nosso blog. É provável. Estamos online há quase um mês, o boca-a-boca está funcionando; além disso, desde ontem, o endereço deste Amigos de Pelotas é divulgado no blog do jornalista Irineu Masiero, que há tempos fiscaliza de perto a administração municipal. Estamos certos de que a cortesia de Masiero ajudará a impulsionar as visitas ao Amigos. Estamos longe de desfrutar do prestígio de Masiero, que ontem comemorou 40 mil acessos. Mas temos a certeza do caminho certo, como ele.
* Imagem: Lojistas invadem passeio público no calçadão.
* Foto: coleção Rubens.

Os jornalistas e os homens elefantes

Foi-se o tempo em que jornalista era jornalista de verdade.
Poucos chegaram ao Século XXI razoavelmente inteiros. Mesmo grandes nomes acabaram decepcionando um pouco. Por exemplo, eu não tenho mais "ídolos" na profissão. Já os tive, gente como Mino Carta e Lucas Mendes.
Mesmo sem o saber, eles me ajudaram a ser um profissional melhor, pelos bons exemplos. Porém, também eles são de carne e osso e tiveram de se adequar às circunstâncias. Verdade que o fizeram com aparente dignidade: Mino, atual diretor da Carta Capital, foi obrigado a inventar os próprios empregos, após sucessivas demissões por patrões que entregaram sua cabeça em baixelas verde-oliva e nem tanto; Mendes, demitido da Globo por Roberto Marinho, por ter chamado de jagunço yuppie o recém-eleito presidente Collor, acabou tendo de refugiar-se no programa Manhattan Connection, que ajudou a criar na GNT, onde mantém o tom crítico e o discreto humor que o notabilizaram.
O fato é que os raros jornalistas de verdade chegam ao novo século meio estropiados, uma Armada Brancaleone. Nem por isso deixam de inspirar nobres valores. Há qualquer coisa do Cavaleiro da Triste Figura, com muita honra, em cada jornalista de verdade. Nós nos recusamos a aceitar a natureza profana dos homens.
O que me espanta, hoje, é ver que a maioria dos jovens jornalistas não entende seu papel no mundo. Alguns são bonitinhos, bons moços e boas moças, esforçam-se para ser simpáticos. São tão educados que chegam - desculpe - a dar nojo. Logo você percebe a natureza de toda aquela simpatia. Os sorrisos são feitos de medo.
É impressionante o medo que as novas gerações, gente com vinte e poucos anos, têm de perder o emprego. Fazem qualquer coisa para mantê-lo, embora com salários aviltantes, até servir em público no copo do chefe, por ordem deste, como se fossem a moça da copa. Recentemente vi jornalistas - assessoras de imprensa de uma universidade - vestidas com a mesma roupa, de uniforme, para participar de evento da instituição. Pareciam "recepcionistas" de salão de automóveis, pintadas para agradar aos olhos e ao chefe. Ou seja: não são jornalistas. Outros não conseguem escrever 30 linhas legíveis, quanto mais com elegância e originalidade e sem erros ortográficos e de concordância. Todos, porém, fazem questão de ostentar a carteirinha da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).
Minha experiência me diz que jornalista de verdade perde emprego algumas vezes na vida. Há um mundo que não se vê quando se está habituado à sensação de ser aceito, de pertencer a um grupo, mesmo que seja qualquer grupo. Não é fácil para ninguém, mas, quando uma porta se fecha, só aí a pessoa percebe a multiplicidade de oportunidades maiores e melhores à sua espera. Mesmo porque não é raro empresas sem visão demitirem os melhores profissionais, por não "suportar-lhes" a competência, a seriedade, a voz própria e a vontade de fazer a coisa certa. Por que o elefante não rompe a modesta corrente que o prende ao chão? Por hábito e covardia, perdeu o amor próprio. Já não se reconhece como elefante. No máximo, talvez, macaco de imitação. (RA)
* Foto: Cena do filme Homem Elefante, de David Lynch.Pesquisa AP.

Fetter promete milagres para Pelotas no DP

O prefeito biônico Fetter Jr. parece ter começado a campanha à prefeitura, pleito no qual, em confronto direto, já perdeu duas vezes. Em artigo recente, no jornal Diário Popular, de sua família, ele afirma que até o fim do seu mandato, herdado de Bernardo, Pelotas será uma cidade "moderna, próspera e desenvolvida". Uauuuu... Isso será possível, anuncia, graças aos investimentos do PAC na cidade, no valor de R$ 129 milhões, a serem destinados ao tratamento de esgotos, água potável, urbanização, regularização fundiária e construção de moradias em áreas carentes.
A população está esperando para ver o milagre do desenvolvimento a partir de investimentos públicos. Me desculpe, mas quem escreveu o artigo para o prefeito estava delirando ou acha que o pelotense é o bobo da corte - se acha isso, errou a identidade. Mais fácil por fim ao conflito entre árabes e judeus ou despoluir o Laranjal.
* Imagem: O anjo ferido, de Hugo Simberg. Pesquisa AP.

Assessor de Fetter "adorava" alisar revólver

Uma pergunta que me faço. E repasso... Por que um homem como o prefeito biônico Fetter Jr., estudado inclusive fora do País, gosta tanto de seguranças armados? Quando o conheci, no tempo que era deputado federal, ele vivia acompanhado de um chefe de gabinete que adorava acariciar o revólver na cintura. Agora, me dizem que anda cercado novamente de capangas. Paranóia de perseguição? Complexo de Bat Masterson? Ou só quer impressionar os outros? Nem Freud explica...
* Imagem: Bat Masterson, o personagem, interpretado pelo ator Gene Barry. A série de tevê americana tinha o nome do protagonista e fez sucesso no Brasil, nos anos 60. * Foto: Pesquisa AP.

Biônico quer contratar 300 em ano de eleição

O jornalista Irineu Masiero, amigo deste blog, publicou a seguinte notícia sobre o biônico prefeito de Pelotas: "Fetter Júnior abre as portas da prefeitura para contratar 302 funcionários, entre eles mais sete jornalistas para a Secretaria de Comunicação Social. Só agora ele percebeu que falta tanta gente para trabalhar. É muito café-com-leite, não é mesmo?"

Veja, abaixo, comentário do leitor do blog de Irineu.
A Prefeitura de Pelotas lançou hoje edital para concurso público. São 302 vagas. Algumas chamam atenção, como 70 vagas para agente administrativo, cujo salário é R$ 282,52. Se faltam 70 agentes administrativos, quem hoje está fazendo este trabalho? Certamente apadrinhados de alguém. Outro fato que chama atenção são os salários oferecidos a cargos de curso superior (vejam abaixo), que são de R$ 1.254,15, ou seja, exatamente a metade do pago para a secretária bilíngüe contratada sem concurso público pela atual administração (R$ 2.500).
Entre os profissionais de curso superior com vagas em concurso, estão dentistas, engenheiros, médicos e jornalistas (sete vagas).
Por sinal e, a propósito, a prefeitura já não tem até uma secretaria de Comunicação?
Para quê precisa de mais jornalistas? Será que aqueles que lá estão hoje não são concursados? Fica a pergunta... para que souber o quiser responder.
Isso, claro sem falar que o concurso acontece em ano eleitoral...tsc, tsc, isso é Pelotas. É como diz o Irineu: “Cadê o Ministério Público?”

Lembranças de Brasília 3

Brasília é uma cidade construída para a solidão do poder. Há dias, porém, em que mesmo o habitante comum dessa cidade se sente perdido no deserto, sem bússola, água ou a cortesia de um camelo. Cheguei àquelas bandas em fevereiro de 1992. Era o primeiro ano do governo Collor, o coitado a quem faltava dinheiro até para adquirir um som “três em um”. As escolas ainda mostravam todo seu valor nas hipnóticas avenidas da cidade, enquanto PC. Farias movia-se secretamente nas sombras, como um morcego. Logo vi, da janela do hotel, que a Capital tem um dos carnavais mais tristes do planeta. Nos dias de Momo, a população parece obedecer a algum toque de recolher, à iminência de um ataque nuclear. As avenidas escorrem soberanas pelo cerrado como rios de piche, os shoppings assemelham-se a estações lunares e os calangos se arriscam em percursos mais ousados que o habitual. Ao longe, batuques reverberam. Porém, como não há indícios de Carnaval, não é descabido ao visitante imaginar uma remota tribo de índios dançando para espantar a chuva. O motivo da desolação é um só: tão agradável é Brasília, que sempre que é feriado os habitantes entopem aeroportos e rodovias para beber água de coco sob palmeiras no litoral ou balançar nas redes das pousadas dos vilarejos próximos. Fugir, eis o maior anseio da população. Como em Pelotas, donde se foge para Jaguarão ou pro cassino.
* Foto: Pesquisa AP.

Lembranças de Brasília 2

Morei e trabalhei como jornalista em Brasília, nos últimos 16 anos. No primeiro ano do governo Lula, o ministro da Educação era o senador Cristovam Buarque (PDT/DF), enquanto eu coordenava a redação da Assessoria de Comunicação do MEC. Nessa condição, testemunhei uma cena comovente. Numa sala do Ministério, começava a aula de um projeto de Cristovam para alfabetizar 5 mil funcionários terceirizados que faziam serviço de limpeza para o governo - a maioria, idosos.
A aula começou de manhã e acabou no fim da tarde. Durante todo dia, os funcionários-alunos tiveram companhia ilustre: o próprio ministro. Ele suspendeu os compromissos da agenda para participar da aula. Um ex-reitor da Universidade de Brasília e ministro ficou ao lado dos alunos, como novato. Para se aproximar da informalidade dos "colegas", todos vestindo macacões, Buarque retirou a gravata e dobrou as mangas. Por ordem dele, a imprensa não foi chamada. Quem viu, viu. Quem não viu, já foi.
* Ponte JK, Brasília. Coleção Rubens.

Lembranças de Brasília 1

Nos 16 anos que vivi em Brasília, seis deles foram no Ministério da Educação. Um ano na administração de Cristovam Buarque e cinco como assessor do ministro Paulo Renato Souza, do PSDB/SP.
Sempre que chegava para as reuniões com seu secretariado, Paulo Renato cumprimentava um por um os presentes, inclusive jornalistas, demais assessores e quem mais estivesse na sala. Finíssimo.
Numa manhã, durante reunião do ministro com sua equipe, no nono e último andar do MEC, ouvi uma das frases que mais me marcaram, vinda da boca de um dirigente político.
Alguém perguntou a Souza se havia condições do MEC financiar projetos de alfabetização de idosos.
"Alfabetização de idoso é a morte", respondeu o ministro.
Dali em diante ninguém mais tocou no assunto. O babado foi forte, mas fez pensar.

Diário Popular elogia "lado bom" dos anunciantes

O editorial do Diário Popular de hoje é um primor de isenção. Merece o nosso aplauso. De cabo a rabo, o editorialista elogia dois dos principais anunciantes do jornal, pela suposta "grande amplitude e intensidade da atuação das universidades Católica (UCPel) e Federal (UFPel)." Claro que as duas instituições têm seus méritos, especialmente a Federal, hoje com mais de 15 mil alunos e em fase de expansão. Tem dificuldades também, sobretudo a Católica, que, neste momento, enfrenta restrições às atividades de pesquisa, uma dívida trabalhista em fase de rolagem por 15 anos. Enquanto na Federal, o dinheiro está sobrando; na Católica, está faltando. Contudo, se o editorialista tivesse tido a curiosidade de estudar melhor as situações e as realizações daquelas universidades, por certo redigiria texto bem diferente. Por outro lado, talvez, a descrição da realidade não produzisse novos anúncios.
* Capa do Diário Popular: cadê o espírito crítico?
* Imagem: reprodução do site do DP.

Lojista invade passeio na "caruaru pelotense"

O calçadão de Pelotas e arredores, há alguns anos comparáveis a uma boa rua de Montevideo, transformou-se numa filial da Feira de Caruaru, de Pernambuco. Caminhando pela região, o passante encontra de tudo. O desespero por ganhar o pão de cada dia fez com que mesmo os lojistas instalados viessem para a briga com os ambulantes. Não contentes em ocupar os espaços das lojas, grande parte deles deposita cabides, roupas, eletrodomésticos, material de cozinha e o que mais podem no passeio público, tirando espaço dos pedestres. Tudo, claro, com a conivência da prefeitura. Um cenário de terra de ninguém. É de lascar!
Foto: coleção Rubens.

Catedral se protege de fiéis carentes com grades

No meu retorno a Pelotas, continuo detectando esquisitices na cidade. Ontem, passando com minha câmera fotográfica, não resisti, fotografei. Você já viu, claro. Pra mim, foi uma "revelação" que tenham cercado a entrada da catedral São Francisco de Paula com grades, grades altas, em formato de lanças, igual fazem nas residências particulares, para proteger dos bandidos. Em casas e condomínios, do jeito que está a violência, até posso compreender. Mas gradear uma igreja? Minha amiga Catita, a mal-humorada mais divertida que conheço, me diz que a providência foi uma reação aos mendigos, que faziam suas necessidades fisiológicas no alpendre da catedral.
"Não era perigo de roubo. Só nojo..."
"Se o problema era esse, poderiam tê-lo percebido como uma forma de protesto, um sinal de evacuação da fé, e tomado providências mais de acordo com os preceitos de solidariedade pregados pela igreja. Em vez de erigir o apharteid, poderiam ter contratado um guarda noturno que monitorasse e orientasse a presença dos mendigos?"
"Essa seria, sem dúvida, a solução mais adequada"
"Uma coisa eu digo. Não ponho meus pés em igreja que se protege de gente."
* Foto: catedral SFP. Coleção Rubens.

Rastilho de pólvora

Meu amigo e vizinho, o sábio João, me encontrou hoje de manhã no elevador.
"Como é, já começaram a processar judicialmente teu blog?"
"Pelo que ouvi, tem uns e outros dispostos a se esconder debaixo da barra dos tribunais."
"Isso é bom. Blog de jornalista que não toma processo no primeiro mês, não é blog".
"Se o que ouvi sobre a identidade do processante é verdade, eu diria que é mais que processo; é assédio".
"Se é assim, então, vai correr a mídia do País que nem rastilho de pólvora".
"Ah, vai. Vai ficar "flagrante" também que o sujeito desconhece a Constituição, os direitos do jornalista e os princípios de liberdade de expressão".

Fetter admite secretária com salário de São Paulo

O jornalista Irineu Masiero informa em seu blog irineumasiero.blogspot.com que, entre fevereiro de 2007 e fevereiro de 2008, o prefeito biônico Fetter Jr. contratou 36 pessoas. Os dados aparecem no site do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho.
Leia o que Masiero escreveu:
"Entre os servidores mais contratados, diz Irineu, aparecem auxiliares de cartório (11), escrevente (4) e auxiliares administrativos - burocratas. Os salários pagos a estes são: R$ 518 a auxiliares de cartório; R$ 1.470 a escreventes e R$ 751 a auxiliares administrativos. No mesmo período, foram contratados, conforme o Caged, três fiscais de transportes coletivos com salários de R$ 1.952, um advogado com salário de R$ 1.444, além de secretária bilíngüe, a R$ 2.500,00."
"A primeira curiosidade é o fato de um advogado, que cursou cinco anos de faculdade, ser contratado com salário inferior a escrevente, de quem se exige ensino médio. Salário do advogado, igual ao de contabilista (outra função de curso superior), é ainda mais baixo que o de fiscais de transporte coletivos (qual será a escolaridade exigida para o cargo?) e metade do pago à secretária bilíngüe. A propósito, por que precisam de secretária bilíngüe? Será que é para tratar com investidores estrangeiros interessados em investir bilhões de dólares na cidade?... Duvido."

Alôôô, é da prefeitura? O seu Fetter taí?

Os sinais do descaso da prefeitura com Pelotas estão por toda parte. O calçadão é como que um retrato da confusão e inércia da administração Fetter Jr. Você se atreveria, por exemplo, a fazer uma chamada deste telefone?

* Foto: coleção Rubens.

Compromisso deste blog é com sua inteligência

Esperamos que você esteja gostando do conteúdo deste blog. Se não está, diga por quê. Tenha em mente, sempre. O blog Amigos de Pelotas é produzido por gente que pensa e trabalha, respeitando, sempre, a sua inteligência. Nosso compromisso é com a qualidade da informação, com a busca da verdade, com o exercício crítico. E também com o bom humor, que é preciso aprender a rir de si mesmo, para suportar a loucura e o ridículo da condição humana.
Até outro dia, um espaço como este - independente - era impensável.
Felizmente, vivemos numa época em que a evolução tecnológica nos tem permitido desfrutar de novos canais de acesso à informação e ao conhecimento, possibilitando-nos o exercício pleno de valores universais, como a liberdade de expressão, em escala mundial.
Este blog é uma tentativa de comunicação com os pelotenses. Felizmente, a magia da química com os leitores dá sinais reagentes. É ótima notícia, pois, nas últimas décadas, Pelotas se havia acostumado a uma comunicação provinciana, aquém da propalada tradição de seriedade e bravura do gaúcho. Diga-se que tal provincianisno é decorrente, sobretudo, da visão obtusa de alguns empregadores, já que há muitos jornalistas competentes que gostariam de fazer um trabalho melhor, mais independente, mais digno, mas se vêem tolhidos em seus anseios. Em Pelotas, parece que é perigoso manifestar o próprio talento.
Amigos de Pelotas abomina esse "pacto silencioso pela mediocridade". Não temos medo do talento e da inteligência alheia. Pelo contrário, ansiamos pelo contato e pelo que oferece de crescimento mútuo. Como se sabe, sozinhos, não vamos muito longe. Juntos, e com boa cabeça, podemos construir coisas bonitas e proveitosas para nossa gente.
Abraços a todos.
Rubens Amador
* Foto de Salvador Dali. Pesquisa AP.

Escada rolante do Shopping Calçadão volta a rolar

Meses e meses depois, talvez anos, fizeram o conserto.
Mas não se anime. A escada só leva os clientes até o primeiro piso. Os comerciantes do segundo andar, coitados, já procuram consolo em advogados.
Não entendo o raciocínio. Mas já tem gente dizendo que, se a escada voltou a rolar, é sinal de que, em breve, o porto de Pelotas voltará a receber navios...

Súplicas atendidas

Meu amigo e vizinho, o sábio João, de vez em quando oferece aos seus amigos pérolas literárias. A última, belíssima, ele soprou numa roda de amigos, na mesa de um restaurante, ontem à noite, fazendo as mulheres presentes suspirarem e alguns homens bufarem.
"Mais lágrimas são derramadas por preces atendidas do que pelas sem resposta", disse ele, completando: "O destino pune aqueles a quem parece favorecer, dando-lhes justamente aquilo que desejam."
Tenho orgulho do meu amigo. É muito bom tê-lo no grupo, mesmo que, com seu papo doce, roube as mulheres mais bonitas só para ele.
* O aforismo "usado" por João é atribuído à Madre Tereza.
* Imagem: Pesquisa AP.

Amor "doentio" de Joice faz bem à literatura

No fim de semana, ganhei de presente de José Vidal o romance Amor doentio de mãe, da jornalista e escritora Joice Lima, do Diário Popular. Já estou lendo e gostando. Bom ver que existem talentos na terra dispostos a produzir e realizar. Pelotas precisa disto. Parabéns também ao Vidal, que, como editor, apostou no romance de Joice.

Notícias do blog Amigos de Pelotas abastecem MEC

A partir de hoje, as matérias deste blog, com notícias de Pelotas nas áreas de Educação, Saúde e Tecnologia abastecerão as caixas de correio eletrônico de órgãos públicos federais e estaduais, entre eles Ministérios da Educação (MEC), da Saúde e da Ciência & Tecnologia, em Brasília, e dos respectivos órgãos em nível estadual. O material também será remetido às agências de notícias nacionais.

UCPel: gestão paroquial não a permitiu ser grande

Uma fonte deste blog, fonte de batina, suspeita que a UCPel tenha batido no teto de suas possibilidades empresariais. Segundo a fonte, daqui por diante, a empresa católica deve encolher ainda mais. Apesar de quase 50 anos de existência, a empresa nunca conseguiu superar o porte médio. Hoje, com seis mil alunos, a UCPel luta a ferro e fogo para ao menos manter a matrícula no nível atual. Isso num cenário de concorrência frontal de instituições como o Grupo Anhanguera/Atlântico Sul, que oferece cursos de qualidade a preços compatíveis com a realidade. Com a redução do número de alunos da UCPel, que migrariam para a Anhanguera e outras instituições menos onerosas, a reitoria começará a ver diante de si o fantasma da insolvência. E, um pouco além, a concordata e a falência. Desde que perdeu o monopólio na cidade e na região, a vida da Católica não tem sido fácil.

*Reitoria da UCPel: fim do monopólio.
Foto: coleção Rubens.

UCPel busca saídas para enfrentar concorrência

O reitor Alencar Mello Proença, da Universidade Católica de Pelotas, anda preocupado com o avanço das faculdades privadas na região Sul, assim como do ensino a distância. Para não arrancar os poucos cabelos que lhe restam, Mello contratou, a peso de ouro, os serviços da Consultoria Hopper Educacional, do Espírito Santo. Os consultores capixabas se encontram há meses em Pelotas, estudando saídas para que a Católica, endividada até a raiz do cabelo, praticando preços estratosféricos e com cursos sob a mira do sistema de avaliação do MEC, não seja engolida nos próximos anos.
As Faculdades Anhanguera/Atlântico Sul, por exemplo, começam a crescer forte, conquistando estudantes de Pelotas e da região com a oferta de ensino de qualidade a preços compatíveis com o poder aquisitivo local.
Não deixa de ser uma "guerra Santa", já que o grupo Anhanguera teria ligações com a igreja Universal, do Bispo Macedo, dono do Grupo Record, que vem ganhando quedas de braço em série, no Brasil e pelo mundo afora. Ou seja: para ele, abocanhar o mercado pelotense deve ser como tirar doce (de banana) de criança.
* Foto: Bispo Macedo. Pesquisa AP.

Colunista social Mansur vai-e-vem na BR do pânico

Pelotas é mesmo uma cidade tradicional, como confirmam os textos do colunista social do Diário Popular, Flávio Mansur. Apesar de relativamente jovem, Mansur, cujo sonho de se transformar em colunista social finalmente se consumou, mantém-se fiel a relatos em estilo art noveuau e rococó de eventos fundamentais para a coletividade, como festas, aniversários, inaugurações de loja, casamentos, coquetéis...
Generoso, Mansur dedica maravilhosos adjetivos aos membros da elite municipal que abastecem sua coluna. Pelos leitores, o colunista desce a detalhes dos eventos que frequenta, descrevendo a beleza das toalhas e dos candelabros acesos, além dos climas "chiques", do charme das madames, da beleza dos "bem-sucedidos rapagões". Sua dedicação é tanta que tem-se dividido entre o eixo Pelotas-Rio Grande. Toda semana, percorre a BR-392, prolífica em acidentes e mortes, para documentar eventos rio-grandinos homônimos aos de Pelotas, acrescidos de chás de panela, lançamentos de griffes, elogios aos membros daquela outra elite municipal. Só sua coragem de ir e vir pela BR-392, para nos manter informados, merece mais que reconhecimento. Se continuar com a mesma dedicação, ainda acabará prestando seus serviços no eixo Elizabeth-Arden. Ele merece a viagem. Para o bem dele. E do nosso.
Foto: Pesquisa AP.

Pelotas teve 14 assaltos em menos de 10 horas

A insegurança em Pelotas está ficando brutal. A matéria abaixo, de Zero Hora, somada a declarações recentes da governadora Yeda Crusius, "de que Pelotas é município padrão em segurança", faz pensar que o Rio Grande caminha para o apocalipse. Veja a reportagem no parágrafo seguinte.

Em menos de 10 horas foram registrados 14 assaltos à mão armada em Pelotas. Os ataques aconteceram das 21h50 de ontem até as 7h30 de hoje. De acordo com a Brigada Militar), os bandidos são motoqueiros que levam bolsas e aparelhos celulares das vítimas. Algumas ações teriam acontecido em intervalos de dois minutos. Nos primeiros 18 dias deste mês foram 209 ocorrências de roubos e assaltos, principalmente no centro de Pelotas. O número já maior do que o verificado em todo o abril de 2007, quando houve 187.

* Matéria de Zero Hora de hoje. Autor: Rafael Varela.

Gato voa no teatro Guarany

Depois que este blog foi ao ar, minha amiga Catita, a mal-humorada mais divertida que conheço, vive telefonando para mim.
"Preciso te contar uma cena..."
"Manda."
"Pelotas é mesmo uma cidade surpreendente."
"Lá vem."
"Em janeiro, eu estava na primeira fila de uma formatura de veterinários, no Guarany. Eu e uma cunhada. Muito bem. Tu sabes que o pé-direito do teatro é alto. Uma queda do teto é morte certa. Pois, durante a cerimônia, não é que um gato despencou do forro. O bicho veio caindo, caindo e se espatifou na nossa frente."
"Gato?
"No início, pensamos que era um rato. Ou então um morcego que morreu de velho. A cerimônia rolando e o bicho ali, imóvel, desviando nossa atenção. Pensei em chamar um veterinário presente, mas, de repente, o gato deu sinais de vida, e partiu em disparada por um dos corredores laterais, em direção ao hall."
"Deve ter ido subir as escadas, para pular de novo."
"Sei, lá. Em matéria de Pelotas, e de recuperação do patrimônio histórico, não duvido de mais nada."
* Foto: Pesquisa AP.

Comunicação (miniconto pelotense)

Ela ouvia vozes, ele falava sozinho.
Numa festa, alguém achou boa idéia apresentar um ao outro.
Meia hora depois, lado a lado no sofá, bebendo água mineral, dialogaram.
- Acho que estou ouvindo vozes...
- Não se preocupe. Sou eu, falando sozinho. (RAF)

Jaguarão é rota preferencial de lazer do pelotense

Meu amigo e vizinho João bateu aqui em casa, há pouco. Queria emprestada a versão integral do dvd do filme Cinema Paradiso. Ele me diz que tem gostado do blog, mas que precisamos elogiar mais os pontos positivos de Pelotas, inclusive as opções de lazer. Perguntei o que ia fazer, hoje, em pleno feriado.
"Daqui a uma hora, vou a Jaguarão. Queres vir junto? Vou passar o dia lá com a família. Estamos indo passear e comprar devedês virgens, para gravar o paradiso..."
"Bem que eu gostaria, obrigado. Mas tenho de trabalhar pro blog."
* Foto: Pesquisa AP.

Pelotas evoca filmes como Os pássaros e Drácula

Minha amiga Catita, mal-humorada como só as pessoas inteligentes conseguem ser, me diz que gosta muito de Pelotas.
"Eu também", concordo.
"É cidade que me causa surpreendentes sensações", continua.
"Hum".
"De tardezinha, quando volto pra casa pelo calçadão, sob árvores apinhadas de pardais, eu penso no Hitchcock. Lembra do filme Os Pássaros? O suspense vai crescendo a cada pardal que chega, ameaçando os penteados."
"E daí?", pergunto.
"Como sabes, moro num apartamento alto. Quando chego em casa e acho que o perigo passou, quando meus olhos se encontram apaziguados diante do pôr-do-sol no horizonte, o que vejo? Morcegos, amigo. Um cortejo fúnebre desfila regularmente por minhas retinas. Se de dia Pelotas me lembra Hitchcock, de noite, me faz pensar em Bram Stoker. Em outras palavras: enquanto amanheço preocupada que (c...) na minha cabeça, anoiteço com medo de que chupem meu sangue."
"Não estás exagerando?"
"Pelotas não é uma cidade. É um filme de suspense com terror."
* Foto: Pesquisa AP.

José Vidal lança olhar crítico e amoroso à cidade


Com mais três capítulos da crônica Depauperada, de José C. S. Vidal (foto acima), publicados abaixo deste post, chegamos ao fim da série.
Vidal foi o primeiro autor a contribuir, por meio deste blog, para abordar questões das cidades, Pelotas inclusive, a partir de um texto no formato de crônica. Diga-se: um trabalho excelente, de fôlego; no fundo, uma declaração de amor às cidades, que sempre serão o grande útero onde nos sentiremos protegidos, sobretudo aquelas onde nascemos e vivemos a infância e a adolescência.
Vidal é pelotense. Funcionário do Ministério das Relações Exteriores, ele serviu ao Brasil em embaixadas da Europa, do Oriente Médio e da África. Atualmente, vive em Pelotas.
Se você quiser ler os nove capítulos da crônica, basta descer a barra de rolagem.
Aconselho não só a leitura. Recomendo que se copie e guarde a crônica. Embora o autor se refira a uma cidade fictícia, para mim, o texto é como que um retrato arqueológico de Pelotas.

* José Vidal: sem "papas" na língua.
* Foto: Coleção Rubens.

Depauperada - A negação de si mesma

(Capítulo 7)
José C. S. Vidal

Os atuais habitantes da cidade depauperada, em insistente desânimo, não davam crédito a quem dissesse que se podia, por exemplo, editar literatura científica. “Isso não dá certo”, diriam. Poucos considerariam que a primeira estação de rádio do país funcionara, e ainda funcionava, na cidade. Ou que os primeiros filmes tivessem sido produzidos ali. Ou que as primeiras transmissões de televisão tivessem tido origem a poucos quilômetros. Interessava às gerações atuais, para manterem o discurso de derrotismo, destacar o fato de que os programas a que se podiam ver pela televisão tinham origem em outra região do país, com outra linguagem, outro sotaque e outro entendimento de mundo.
As berrantes transmissões televisivas traziam uma idéia frenética de modernidade, enquanto a cidade e seus mofos transmitiam a sensação de ultrapassada e decadente. Isso produzia a equivocada convicção de que a cidade estava fora do ambiente “onde as coisas acontecem” ou a ilusão de que o mundo ficava longe. Produzia, ademais, a idéia desconfortável de que, para participar do mundo, ou para fazer-se “moderno”, ao menos atual, seria necessário negar tudo que a cidade oferecesse, adotando, em contrapartida, parâmetros devassos e irrefletidos ditados pelos maus programas de tevê e pelo marketing. O pouco cinema visível era sempre legendado, porque oriundo de outro país, o que também reforçava a sensação desconfortável de estranheza, mesmo no que representasse mero entretenimento ou passatempo. Programas de rádio com sotaque local tinham qualidade rasteira, e a imprensa escrita local resvalava com freqüência tanto na gramática quanto na elegância ou na exatidão da informação.
O principal diário tinha trocado sua política de valorização dos eventos locais pelo deslumbramento produzido por superficialidades longínquas. Portanto, os meios de comunicação confirmavam a decepção contínua da população, que cada vez mais desmoralizava a si mesma. Faltaria a qualquer um imaginação para descrever o que fora a cidade, apenas pelos resquícios denunciados em toda parte, mesmo por fotos e documentos...
Como conseguir ver, no aspecto ruinoso dos prédios, nas ruas e calçadas desniveladas, na ferrugem das esquadrias e no limo de todas as superfícies, algo de pompa ou de riqueza, ou mesmo de algum refinamento?
Um expositor de fotos antigas confirmava o saudosismo inequívoco dos passantes. No estande instalado em rua central, alguns paravam para olhar, silenciosos, cópias fotográficas desbotadas.
Poucas fachadas, especialmente de casas comerciais, que se notavam asseadas durante o dia – iluminadas por holofotes fortíssimos durante a noite – salvavam a cidade de uma inarredável impressão de desastre ou de ruína.
A maioria das lojas, no entanto, mesclava vitrines luxuosas e sofisticadas com espaços internos apertadíssimos. E, de qualquer modo, esse arranjo não passava do nível do olhar urbano, ou seja, o primeiro andar dos prédios. A partir da linha do segundo andar, outra vez o vetusto semi-abandonado predominava. Uma ligeira olhadela para cima era capaz de assustar o mais fleumático observador: um emaranhado de fios elétricos e de telefone transmitia insegurança, além de inegável confusão.
Àquela altura, não importava nenhuma preocupação com o aspecto, que já se notava desdenhado ao nível dos pedestres. Ali, sim, estava toda a capacidade de improvisar e ajambrar: gambiarras e emendas de todo tipo, com materiais baratos e mal dispostos, e todas as direções, inclinações e tensões.

Depauperada - O triunfo mórbido de Tânatos

(Capítulo 8)
José C. S. Vidal

Com pesar de economia esvaída, a cidade mantinha um feitiço que atraía, ainda, populações circunvizinhas em busca de estudo (sim,havia cursos secundários e superiores para todo gosto), em busca dos escassos empregos - e de status. Quem tivesse casa ou apartamento bem localizado, teria acesso a todos serviços urbanos que se pudesse almejar, bastando caminhar alguns metros. Mesmo que esses trajetos fossem entremeados com ares de melancolia, decepção, barro e neblina.
A resignação quase mórbida doѕ habitanteѕ lhes fazia suportar esperas custosas em filas de banco e de supermercados, pasmaceiras em paradas de ônibus. O transporte público era regular e razoavelmente bem educado, ainda que sacudisse os passageiros pra cima, pra baixo e para os lados, em conseqüência das irregularidades do pavimento. Quase todos os veículos soavam como chocalhos, batendo latas e peças de modo infernal.
Transcorridos os primeiros tempos de primavera, dias claros e sem nuvens secavam aos poucos os recantos onde o inverno e a displicência haviam acumulado musgos e liquens. Brisa que produzia sensação cortante - era o vento, não o asseio, que fazia desaparecerem as poças de água suja.
Nas tardes ensolaradas de fins de semana, viam-se automóveis conduzidos por jovens imberbes, emitindo música de baixa qualidade em volume ensurdecedor. Isso completava a idéia da “terra de ninguém”, onde qualquer um faz o que quer para chamar atenção para si, nem que seja ao seu despreparo para o convívio.
Os suaves calores do sol primaveril também faziam surgir matilhas de cães perseguindo cadelas ao cio. Quando não houvesse essa tarefa inglória de tentar a preservação da espécie, cães e cadelas “sesteavam” em qualquer calçada, rua ou praça. E os pedestres a desviar deles como se esquivassem de esbarrar num cavalheiro.

Depauperada - Caos urbano esquenta verão

(Capítulo 9)
José C. S. Vidal

O verão acabaria chegando...
Nenhuma sombra para esquivar o sol, agora incômodo, bafo quentíssimo, a cidade desértica, aparência de mesmice. Poucas pessoas andejando lentamente por calçadas mornas, em aparência sem rumo, displicentes chinelos de borracha descolorida, bermudas ou calções descosidos, camisetas puídas com letreiros de campanha
política, cabelos escorrendo suor. Começavam a se tornar freqüentes cenas antes impensadas na cidade que se julgava símbolo de compostura e dignidade: mendigos jogados ao chão, dormindo displicentes nas calçadas. Isso ocorrera inclusive na praça central, ao som monótono do chafariz, em plena manhã de domingo. Mesmo nos bairros, presas preferidas do populismo, predominava mau aspecto desolador: no ambiente de casebres minúsculos mal pintados, muretas tortas com reboco caindo, barro ou areia pelos cantos, valetas mal cheirosas. E, por todo lado, crianças gritando e correndo descalças, adultos desocupados, fumando ou bebendo.

FIM.(Os nove capítulos desta crônica podem ser encontrados neste blog, em posts sequenciais - de três capítulos diários -, de sexta-feira passada até hoje).

Religioso diz que Depauperada "é" Pelotas

A fonte de batina deste blog leu os capítulos iniciais da crônica Depauperada e telefona-nos para dizer que o autor, José C. S. Vidal, se inspirou em Pelotas para redigir o texto. Alertei a ele que se trata de cidade fictícia. "Não é, não. É Pelotas".
Por via das dúvidas, achei melhor dizer-lhe amém...

Elevador virou veículo de "inclusão social"

Tenho uma amiga especial. O nome dela é Catita. Como toda pessoa inteligente, ela não acredita muito no amor dos outros por ela. Claro, é também mal-humorada. Um mau-humor saboroso que ensina e diverte, e que anda fazendo falta em Pelotas.
Hoje ela ligou, perguntando se viajo muito de elevador.
"Sim", devolvi, acrescentando: "Por que?"
"Me diz então se estou errada. As pessoas não costumavam esperar os passageiros saírem do elevador, antes de ocuparem os espaços vagos?"
"E daí?"
"Pois é. Hoje não é mais assim. Hoje, os botocudos entram primeiro, às pressas, como se o elevador fosse um trem-bala a caminho da fama e eles não pudessem perdê-lo".
"Não é que é mesmo..."
"É um fenômeno do pós-modernismo. Agonia inconsciente por inclusão social."

Depauperada, a cidade esquecida (continuação)

Os três posts subsequentes, publicados abaixo deste, fazem parte da crônica Depauperada, de José C. S. Vidal. Pelotense da gema, Vidal viveu vários anos fora de Pelotas. Funcionário do Itamaraty, serviu ao Brasil em embaixadas na Europa, no Oriente Médio e na África. Com a publicação dos capítulos de hoje e dos últimos, amanhã, este blog comemora a primeira quinzena no ar.
Ao ler a crônica, o leitor perceberá que, mesmo tendo vivido em várias cidades do planeta, Vidal nos confirma que "o homem sai da vila, mas a vila não sai do homem." Sempre lembraremos com afeto da cidade onde nascemos e vivemos a infância e a adolescência, como é o caso dele, o meu e, por certo, de você que lê este texto. Suas palavras revelam um olhar duro, mas amoroso, para uma cidade fictícia, parecendo alertar para a necessidade de que Eros triunfe sobre Tanatos. Afinal, se Pelotas, por exemplo, não é Bagdá, por que deveríamos viver como iraquianos?
Os capítulos iniciais de Depauperada foram publicados ontem, sexta-feira. Se quiser encontrá-los, basta correr a barra de rolagem. * Rubens Amador.

Depauperada - Em busca da cultura perdida

(Capítulo 4)
José C. S. Vidal

A classe média ou "remediada" que restava na cidade depauperada insistia em promover arremedos de eventos "culturais" que pouco lembravam os espetáculos grandiosos de outrora. Essas raras e insistentes promoções atraíam pouquíssimos interessados: exposições de artes plásticas, representações teatrais, modestos concertos, seminários literários, ateliês improvisados, revistas de periodicidade incerta, até laboratório de desenho animado. Todos esses eventos mal conseguiam custear-se...
Não se podia contar para essas atividades com os professores e estudantes das dezenas de instituições de ensino locais. Era como se não se tratasse da mesma cidade: uma, era aquela que mantinha inúmeros cursos técnicos e superiores, com centenas de professores e milhares de estudantes indo e vindo pelas ruas; outra, a cidade onde transcorriam eventos "culturais", com platéia minguada, apesar do ar erudito e de certo refinamento. Os professores da cidade, centenas, em dezenas de especializações e quaisquer graus , talvez representassem melhor a ambigüidade da cidade: não se interessavam minimamente pelo ambiente dito cultural, e certamente seria mais fácil encontrá-los tomando cerveja em bares ou, em casa, assistindo a vídeos tediosos, em vez de frequentarem teatro, apresentações musicais, lançamentos de livros, palestras... A quantidade de cursos de todos os níveis ensejava, aos fins de semestre, uma sucessão de festas de formaturas. Outra vez a ambigüidade de repetia. Pessoas finamente trajadas e perfumadas se dirigiam aos eventos de “colação” de grau, onde se assistia a espetáculos decepcionantes de falta de compostura, gritos desordenados, buzinaços ensurdecedores, palavrões, borracheiras, empurrões. Para finalizar, uma barulheira de percussão sem ritmo nem cadência, em pretensa batucada comemorativa, transmitindo a idéia de não haver músicos de qualidade para garantir, ao vivo, o toque adequado de festividade.