Uma ação - sem valor - do Banco Pelotense


UM PRESENTE PARA AQUELES QUE SENTEM SAUDADES DOS TEMPOS DE PROSPERIDADE DE PELOTAS, PUBLICAMOS ACIMA UMA AÇÃO DO BANCO PELOTENSE. O TÍTULO É DE 1920, DE NOVE ANOS ANTES DA CRISE DE 29, DESENCADEADA PELA QUEBRA DA BOLSA DE NOVA YORK, CUJOS EFEITOS SE ESPALHARAM PELO MUNDO, ATINGINDO INCLUSIVE O BRASIL. O BANCO PELOTENSE QUEBROU EM 1931.

Professor Nova Cruz faz falta a Pelotas

O professor José Luiz Sacco da Nova Cruz, falecido em 1986, foi um dos intelectuais pelotenses mais verdadeiros e dedicados que a cidade já teve.
Professor de Fisiologia na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Nova Cruz, como era conhecido, formou centenas de estudantes durante quase 30 anos de atividade acadêmica. Como ele mesmo se definia, era um homem da ciência apaixonado pela vida. "Os fatos biológicos me deslumbram, sejam eles vegetais ou animais, e a incógnita do entrelaçamento homem e intelecto verdadeiramente me extasia", escreveu Nova Cruz no programa da peça teatral Equus (do inglês Peter Shaffer), que dirigiu em Pelotas, no início dos anos 1980.
Juntamente com as atividades de professor, Nova Cruz dirigiu, por mais de 20 anos, o grupo de teatro amador das Faculdades de Odontologia e de Medicina. Foram mais de 20 peças, todas elas interpretadas por estudantes, professores e profissionais de área da Saúde de Pelotas, dirigidos com mão zelosa por Nova Cruz.
Os espetáculos ocorriam anualmente, durante a Semana do Médico, em outubro. O auditório da Faculdade de Medicina ficava lotado durante todos os dias das apresentações. Os ingressos, gratuitos, esgotavam-se com muitos dias de antecedência. Naquele tempo, graças à dedicação de Nova Cruz e colaboradores, entre eles sua mulher, Annemarie, seus quatro filhos, e Eurico Sacco, Iná Hallal, Giovanne Figueiredo, entre outros, Pelotas tinha o privilégio de desfrutar de espetáculos de grande qualidade, produzidos por talentos que floresciam pelas mãos de Nova Cruz, um entusiasta realizador. Entre as peças que dirigiu, aparecem O Santo Inquérito, Equus (foto) e O Panorama Visto da Ponte.

NOVA CRUZ, POR ELE MESMO
"Não está na minha natureza deixar a vida passar. Sinto necessidade de estar dentro dela, participando, agindo, fazendo. Sendo professor, e sendo professor por vocação, sinto que a cultura é esquecida nos nossos cursos universitários, e sofro ao ver que existe uma juventude receptiva, atenta e faminta de ciência, que lhe é ministrada em pílulas, e de cultura, que lhe é simplesmente bafejada. Como homem de ciência, tendo a necessidade de esbravejar contra as mutilações do ensino, mas tendo natureza pacifista, minha revolução é feita com o carinho e o respeito com que transmito a ciência aos meus alunos."
José Luiz Sacco da Nova Cruz faz uma falta enorme.

* Imagem 1: José Luiz e Annemarie. Coleção família Nova Cruz.
* Imagem 2: programa da peça Equus.

Esteira de aeroporto

Minha amiga Catita, a mal-humorada mais divertida que conheço, veio se chegando bem perto do meu ouvido hoje, em rápida passagem nossa pelo café Aquárius.
"Que foi?", reagi.
"Já percebeste que quando um local ocupa cargo de certa importância em Pelotas, como secretário municipal, reitor, diretor de estatal, presidente do Brasil ou do Pelotas, e entra no Aquárius, ele parece uma celebridade chegando à festa do Oscar? O sujeito se transforma numa esteira de aeroporto."
"Como assim?"
"Fica cheio de mala em volta."
"É verdade..."
"Quando não é para pedir algum favor, é só provincianismo mesmo."
* Imagem: pesquisa AP.

PURO PRAZER: A JÓIA DO PALÁCIO

* Taj Mahal
Mausoléu situado em Agra, na Índia. A ordem para erguer o palácio, construído por 22 mil homens, de 1630 e 1652, partiu do imperador Shah Jahan, em homenagem à sua esposa favorita, Aryumand Banu Begam, a quem chamava de "A jóia do palácio". Ela morreu após dar à luz o 14º filho. O Taj Mahal foi construído sobre seu túmulo, junto ao rio Yamuna, e é conhecido como a "maior prova de amor do mundo".

Faltou "humildade em gol" na vitória do Inter

A vitória do Internacional por 8 a 1 sobre o Juventude me fez lembrar daquela música do Jorge Ben: Fio Maravilha (foto), o que teve "humildade em gol". Não pude deixar de pensar que se o jogo tivesse terminado, por exemplo, em 4 x 1, teria ficado mais bonito. Em futebol, vencer por diferença acima de seis gols, humilha o perdedor, mas humilha, principalmente, o vencedor. Quando o goleiro Clemer bateu o pênalti, o Inter confirmou a falta de grandeza. Uma pena.
Digo isso com a autoridade, momentânea, de colorado.

Enquete pergunta se Pelotas voltará a crescer...

Vote na enquete na barra lateral à direira, respondendo à pergunta - Pelotas tem condições de voltar a ser próspera?
Até este instante, os resultados são os seguintes:

SIM - 78%
NÃO - 21%

A votação termina no final deste mês.

Cuidado com matérias que elogiam montadoras










Citroën:
destaque
no Salão
de Paris



QUANDO VOCÊ LER UMA MATÉRIA elogiando montadoras de automóveis, desconfie. Por pouco tempo trabalhei como editor de um caderno de veículos, no Correio Braziliense, em Brasília. Muitas montadoras fazem lobby pesado, investem muito dinheiro para tentar seduzir e influenciar jornalistas. Alguns nem precisam de muitos agrados para vender sua opinião. Até pouco tempo, a Fiat Automóveis, por exemplo, costumava distribuir relógios swatch e gravatas italianas aos jornalistas que cobriam seus lançamentos de carro. No lançamento mundial do Palio, em Ouro Preto (MG), lembro de abrir a porta do quarto da pousada onde me hospedei e encontrar, sobre a cama, dois relógios suíços e duas gravatas confeccionadas em Roma. A camareira colocou lá a pedido da montadora. Fizeram o mesmo em todos os quartos dos jornalistas presentes à cobertura.

CONTO TUDO ISSO PARA MOSTRAR ao leitor que o jabá é pesado entre as montadoras, que costumam pagar a viagem de jornalistas a eventos inclusive fora do Brasil, como aos salões de automóvel de Tóquio, Paris, Detroit e por aí vai. O jogo de sedução é forte, sobretudo, durante o processo de eleição do Carro do Ano no País. Participa da escolha um colegiado formado por jornalistas de todo o País. Esses profissionais são os mais visados pelo jabá, que pode incluir prostitutas. Alguns aceitam as vantagens oferecidas, outros as recusam. Há alguns anos, a General Motors fretou um avião e o lotou com jornalistas membros do tal colegiado, gente de jornal grande, médio e pequeno, e os levou gratuitamente (com direito a acompanhantes) a uma semana em Paris, durante o salão do automóvel daquela cidade.

A REVISTA VEJA DENUNCIOU o esquema na matéria "Boca livre em Paris". Para você ter idéia, foram citados na reportagem nomes de viajantes famosos, como Ricardo Noblat, então editor-chefe do Correio Braziliense. Ou seja, quando você ler no Diário Popular, ou em outro veículo, matérias endeusando montadoras, desconfie. Principalmente se a matéria surgir do "nada", mostrando "bons indicadores de desempenho de montadoras e de suas revendas". Pode haver mais que meras gravatas e relógios por trás dessas reportagens chapa-branca. Por que você acha que o batmóvel fascinava tanto ao Robin? Se o carro não existisse, duvido que o jovem colega do Batman, mesmo em sua santa ingenuidade, embarcasse na conversa do seu mentor. Defender dos vilões os bons cidadãos? A pé? Não dá.
Imagens: Divulgação. Pesquisa AP.

PURO PRAZER: A ÁRVORE DO CONHECIMENTO

* Book Tree
Quadro do pintor catalão surrealista Salvador Dali (1904 a 1989).

Revista de Fetter vende uma Pelotas de sonho

Nesta semana, a poucos meses da eleição, o prefeito Fetter Jr. lançará uma revista de 60 páginas, colorida, em papel caro brilhante, mostrando as "realizações" de sua administração. A edição ficou a cargo do jornalista Luiz Carlos Feitas, que caprichou. Ela mostra uma Pelotas que não existe. Pelo menos não é a Pelotas que o pelotense vê no dia-a-dia. Cada página traz uma manchete espetacular, um conto de fadas. A edição é bem feita, o projeto gráfico é competente; o problema é que o conteúdo não bate. Freitas e sua equipe emprestaram seu talento para uma obra de ficção. Ganhariam mais se fizessem literatura.

*A foto do cachorro foi falha nossa, desculpe.











A materialização da revista, cujo custo e fonte pagadora permanecem segredo até este momento, foi também um "cala-boca" do prefeito nele mesmo. Afinal, há alguns anos ele criticou o prefeito Fernando Marroni, por ter editado uma revista. A bem da verdade, diga-se que a publicação de Marroni era essencialmente técnica. Trazia, em 24 páginas, o Plano Municipal de Turismo, muito diferente da revista de Fetter, que é pura propaganda de seus supostos "feitos".
Vale dizer que o atual prefeito não teve o cuidado de ser original nem mesmo na escolha da fotografia de capa. Ela é igual à imagem usada na revista de Marroni: a torre do relógio do Mercado Público.
O editor Luiz Carlos Freitas parece ter usado a mesma foto, para justificar o título da revista: PELOTAS NO TEMPO CERTO. Na foto da revista de Marroni, o relógio marcava 18h17. Era um entardecer. Na revista de Fetter, marca 6h33. É um amanhecer.

Mais páginas da "Pelotas perfeita" vista por Jr.





Mais algumas páginas da revista que Fetter Jr. lançará nesta semana. Se você mora no exterior e vê a publicação, é possível que considere a hipótese de se mudar para Pelotas.
* Fotos: coleção Rubens.

Outra manchete inesperada

Gostaria de agradecer ao diretor de redação do Diário Popular pela manchete deste domingo. Não fosse ele avisar aos pelotenses que o Plano Diretor definirá o fututo de Pelotas, acharíamos que o plano nos levaria ao passado.
Tomara que o tal plano diretor confirme a promessa feita por escrito pelo prefeito Jr. De que, em alguns meses, entregará Pelotas "próspera, desenvolvida e moderna".

PURO PRAZER: A FINA FLOR DO BARROCO

A conversão de São Paulo.
* Pintura barroca do italiano Michelangelo Caravaggio (1571 a 1610).

Calçadão de Pelotas provoca exaltação estética





Além dos cães abandonados, há outras cenas no centro da cidade que provocam a exaltação estética nos espíritos sensíveis. As imagens que você vê foram captadas nesta manhã, no calçadão. Lembram Praga.
* Fotos: coleção Rubens.

CIDADE DOS CACHORROS













Passear no centro de Pelotas é um privilégio. Sobretudo no democrático calçadão, onde todos são bem-vindos, até cães abandonados. Se você tiver inclinações veterinárias e sociológicas, pode colher informações sobre zoonoses e os tipos de cachorro que tomaram conta da cidade.
Fotos: coleção Rubens.

Promotor Max Palombo: uma lição de civilidade

Ontem, recebemos um post do promotor público federal Max Palombo. Max nos escreveu na condição de representante do Ministério Público Federal em Pelotas. Transcrevo aos nossos leitores a mensagem do promotor, por dois motivos: primeiro, pela satisfação de ver que o blog Amigos de Pelotas vem conquistando leitores nas mais diversas instâncias da sociedade, inclusive em nível representativo da autoridade federal. O segundo motivo da nossa satisfação foi ver que o promotor, embora cobrado incorretamente por este blog, numa questão que não lhe dizia respeito, não se abalou. Ao invés disso, escreveu-nos a mensagem abaixo, mostrando como a vida pode ser boa quando se age com educação e civilidade.

O QUE DISSE O PROMOTOR
Rubens: quem te escreve é o Max Palombo que citaste na reportagem.
Tenho acompanhado o teu blog e queria te parabenizar pelo trabalho impecável. Além do conteúdo, o visual também é ótimo e realmente dá vontade de ler.
Até me sinto lisonjeado com a menção ao meu nome, mas o fato é que sou membro do Ministério Público Federal.
Desta forma, não trabalho diretamente com assuntos eleitorais (atribuição do MP Eleitoral, composto por Promotores de Justiça do MP Estadual) ou da Prefeitura (atribuição direta do MP Estadual), a não ser que envolvam utilização de recursos federais.
Desta forma, a avaliação sobre o conteúdo da revista é atribuição do MP Estadual ou Eleitoral, a não ser que ela tenha sido financiada com recursos vindo de algum programa federal.

Atenciosamente
Max Palombo

* A revista a que o promotor se refere foi produzida pelo prefeito Fetter Jr. Ela mostra uma Pelotas maravilhosa. Um cidade de contos de fadas, onde só faltou o Gepeto.

Padre balonista estaria na rota do Homem de ferro

Seguindo a pista de um leitor, pesquisei e era verdade. Criaram um blog só para fazer humor com a desgraça alheia. No caso, o padre balonista que subiu ao céus e desapareceu. A versão mais famosa dá conta de que ele foi parar na ilha de Lost, com seus balões coloridos cheios de gás hélio. Outra versão o coloca no caminho do Homem de Ferro (filme em cartaz no Brasil) e dos caças americanos.

DP dá aula de jornalismo em matéria da Citroën

Meu amigo e vizinho, o sábio João, bateu aqui em casa há pouco.
"Tu já viste?"
"O que?"
"O Diário Popular de hoje".
"Que tem?"
"Eles devem estar preocupados com a dirigibilidade dos pelotenses. Fizeram uma grande matéria mostrando o crescimento da Citroën no Brasil. Tanto que mandaram o repórter Sérgio Cabral fazer uma reportagem elogiosa sobre o tema. Além de encher a bola da montadora francesa, ele enalteceu as revendas da marca em Pelotas, Rio Grande e Santa Maria. Pelo título da matéria, dá para sentir as boas intenções: A convenção da Citroën apresenta números e distribui premiações."
"Ô João, esse Cabral não é um que também ganha a vida como promotor de eventos?"
"É, esse mesmo."
"Então tá explicado. Foi jornalismo puro. Me lembra até o Bob Woodward e o Carl Bernstein. O tom espetaculoso deve ser apenas vício de animador de auditório".
Imagem: Dustin Hoffman e Robert Redford, em cena do filme Todos os homens do presidente. Eles interpretam aos jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein, do Washington Post, que escreveram as reportagens do Caso Watergate. Por causa delas, o presidente Richard Nixon renunciou. (Divulgação. Pesquisa AP).

Cães sesteiam no calçadão, como vacas na Índia

O primeiro post deste blog traduzia meu espanto com as matilhas soltas pela cidade. Cães de todas as cores e formatos, flanando, num "dulce far niente", alguns tirando a sesta no calçadão, sem ser incomodados, como se vacas fossem e habitássemos em Bombaim. Um mês depois, o problema continua. Nada contra os cachorros. Ao contrário.
* Foto: coleção Rubens.

BOM CINEMA: O LAVADOR DE ALMAS

Um filme mais que interessante para assistir. Chama-se Pierrepoint, no Brasil lançado com o título de O lavador de almas, com Timothy Spall e Juliet Stevenson. A fita, dirigida por Adrian Shergold, conta a história do mais famoso carrasco da Inglaterra, responsável por mais de 600 mortes. Homem de vida dupla, ele escondia sua verdadeira profissão até da própria mulher. Sua obsessão em se tornar o número 1, leva-o ao patamar de celebridade.
Não se engane. Ele não era um carrasco comum. Imprimiu método ao seu ofício. Por exemplo, depois das execuções, ele lavava os corpos das vítimas. Se alguém sugerisse que deixasse o serviço ao necrotério, acrescentava: "Lá eles serão tratados de qualquer maneira. Isto não é certo. Eles já pagaram pelos seus crimes. Voltaram a ser inocentes. Merecem respeito." Se todos os carrascos tivessem a mesma ética, o mundo seria um lugar melhor para viver.
Num momento de crise de consciência, o personagem monologa: "Todas as pessoas que matei cometeram crimes por paixão, ódio, ciúme, inveja, vingança... E eu, mato por que?"
* Imagem: Capa do devedê. Divulgação. Pesquisa AP.

Revista de Fetter mostra "Pelotas que não existe"

Ao lado, a revista do então prefeito Fernando Marroni, cuja publicação foi criticada por Fetter, há quatro anos. Embaixo, a edição do prefeito Fetter, que será lançada na próxima semana. Fetter repete o "crime" de Marroni. Porém, sua revista, ambiciosa, tem o dobro de páginas e mostra uma Pelotas de conto de fadas. Só falta o Gepeto.
Para os eleitores verem como é a vida. No último ano da administração de Fernando Marroni na prefeitura, o então candidato a vice-prefeito de Bernardo, Fetter Jr., criticou duramente a publicação, pelo prefeito petista, de uma revista técnica de 24 páginas. Quatro anos depois, Fetter manda publicar sua própria revista. Exceto pela ausência de criatividade na escolha da foto, que é a mesma nas duas revistas (foto do relógio do Mercado Público, aludindo à Torre Eiffel), a edição fetteriana apresenta agravantes. Ela possui mais do dobro das páginas da edição marroniana, 60 contra 24; além disso, o conteúdo da publicação de Fetter é claramente eleitoreiro. Enquanto a revista de Marroni tinha como título PLANO MUNICIPAL DE TURISMO 2004 e se concentrava em informações técnicas sobre este assunto, a revista de Fetter, que será lançada oficialmente na próxima semana, é uma peça publicitária que deixa claro a que veio. A começar pelo título: PELOTAS NO TEMPO CERTO, seguido da chamada VALORIZANDO O PASSADO, FAZENDO ACONTECER NO PRESENTE E CONSTRUINDO O FUTURO. Com um título desses, leitor, você pode imaginar o conteúdo: uma série de reportagens mostrando uma Pelotas de sonho, uma cidade que não existe.
Além de usar a máquina com finalidade eleitoral, resta saber com que dinheiro a tal revista foi bancada. Com a palavra, então, o Ministério Público Estadual e Eleitoral.

ESCLARECIMENTO
A matéria acima terminava com a frase "Com a palavra, o promotor público Max Palombo." Este trecho, por incorreto, foi suprimido. A responsabilidade pela investigação do suposto crime eleitoral cometido por parte da administração do prefeito Fetter Jr., cabe ao Ministério Público Estadual ou Eleitoral, como esclarece o próprio promotor Max Palombo, em mensagem a este blog. Segundo Palombo, o caso só mereceria atenção do Ministério Público Federal se a revista tivesse sido financiada com recursos procedentes de algum programa federal.

UCPel "samba" com precatórios para pagar dívidas

Uma fonte deste blog, fonte de batina, explica um dos principais motivos pelos quais o advogado e magnífico reitor da UCPel, Alencar Proença, tem se mostrado tenso nos últimos tempos, demitindo funcionários aos cachos. Entre a semana passada e esta, ele demitiu pelo menos cinco profissionais. Veja os nomes dessas pessoas no primeiro e décimo posts abaixo deste. Segundo a fonte, a inquietação de Alencar decorre de dificuldades para saldar a enorme dívida trabalhista da UCPel, de R$ 40 milhões. "Estão empurrando precatórios com outros precatórios, jogando para frente com a barriga", afirmou. "É preciso checar a situação de perto, mas a coisa anda feia." Precatórios são ordens de pagamento judiciais, em princípio inapeláveis e com data de quitação.

PURO PRAZER: A TENTAÇÃO DA BELEZA

Desnudo extendido.
* Pintura do italiano Franco Gentilini, nascido em Faenza, 1909.

Jr. promete 50 mil empregos. Só não diz quando








Ícaro também voava, mas era mitologia

As notícias do site da prefeitura enchem os olhos. As matérias fazem supor que Pelotas será a nova Roma, rica e próspera. Alguns textos, de tão bem escritos, deveriam corar de pudor seus autores.
Veja, por exemplo, trecho de matéria oficial publicada ontem:
"O Dia do Trabalhador, comemorado amanhã (1° de maio), remete à expectativa de novos tempos na economia de Pelotas, proporcionando a oferta de milhares de novos postos de trabalho".
A primeira coisa que me intrigou foi: se o Dia do Trabalhador "remete", deveria, por hábito, evocar algo do "passado", não do futuro. Ou seja, o que o texto propõe aponta para uma impossibilidade semântica e temporal.
A matéria diz também que, graças a empreendimentos públicos e privados, serão gerados 50 mil novos empregos diretos e indiretos na cidade. Ou seja, supostamente serão criadas vagas equivalentes a 15% da população local. Uma maravilha, embora não diga quando.
Dedução óbvia: Fetter voa como Ícaro. Com asas de cera, debaixo de sol forte...
No início, eu pensei: não vou ler mais essas matérias, para não correr o risco de me contaminar pela megalomania. Mas mudei de idéia. Vou monitorá-las, para ver até onde o otimismo do prefeito e dos assessores se confunde com a superficialidade da boa-fé.

PEQUENO TRATADO SOBRE A MENTIRA
A capacidade dos hominídeos de mentir é percebida cedo no desenvolvimento humano. A psicologia evolucionária estuda a mente que mede a reação de outra pessoa à história narrada e determina se uma mentira será verossímil. O marco mais citado dessa experiência, conhecida como inteligência maquiavélica, ocorre por volta da idade de quatro anos, quando as crianças começam a ser capazes de mentir de forma convincente. Antes disso, elas parecem ser incapazes de compreender que as outras pessoas não tem a mesma visão dos eventos que elas, e parecem presumir que há apenas um ponto de vista — o seu próprio.
* Fonte: Wikipédia.

EUA legaram Dia do Trabalhador. Mas não festejam

O Dia do Trabalhador, chamado no Brasil de "Dia do Trabalho", por ironia à data (em que não se trabalha), teve origem em 1886. No dia 1º de maio, em Chicago (EUA), milhares de trabalhadores pediam redução da jornada de trabalho de 16h para 8h diárias. Nesse dia, os sindicatos deflagraram greve geral nos EUA. Dois dias depois, manifestantes e policiais morreram em confronto. A polícia se irritou e abriu fogo sobre a multidão, matando mais doze pessoas.
Três anos mais tarde, a Segunda Internacional Socialista, reunida em Paris, decidiu convocar anualmente, sempre a 1º de maio, uma manifestação em favor das 8h de trabalho diário. A escolha da data foi uma homenagem às lutas sindicais de Chicago. Em 1º de maio de 1891, nova manifestação, agora no norte de França, resultou na morte de mais dez trabalhadores. Meses depois, a Internacional Socialista de Bruxelas proclamou o 1º de maio como data internacional de reivindicação de melhores condições laborais. A luta seguiu angariando apoios em outras partes do mundo. A 23 de abril de 1919, o senado francês ratificou o dia de 8h e proclamou feriado em 1º de maio desse ano. Em 1920, a Rússia adotou a data como feriado; o exemplo é seguido por outros países. Em 1890, os trabalhadores norte-americanos enfim conseguiram que o Congresso aprovasse a redução da jornada laboral. Mesmo assim, até os dias de hoje, os norte-americanos se negam a reconhecer o 1º de maio como Dia do Trabalhador.
* Trabalhadores lutam por jornada digna. Foto: pesquisa AP.

Censura aumenta visibilidade do blog Amigos

Gostaria de agradecer aos patrões que tecnicamente proibiram seus funcionários de acessarem este blog em seu ambiente de trabalho. Obrigado, muito obrigado, pela graça de tornar incontrolável a curiosidade em torno do nosso trabalho.

Uma manchete inesperada

Eu gostaria de agradecer de público ao diretor de redação do Diário Popular. Não fosse ele noticiar, em manchete, que hoje era o último dia para entrega do imposto de renda, eu teria esquecido. Estou certo de que o alerta do editor pegou muita gente de surpresa.


Diário Popular: surpreendente

Endividada, Católica demite 'levas' de funcionários

A Universidade Católica, que alega passar por "reestruturação administrativa", vem na verdade demitindo pessoal em levas. Uma fonte deste blog, fonte de batina, conta que, nesta semana, a empresa abriu mão dos serviços dos funcionários Luís Fernando Meirelles, Alaíde Motta, Solange da Silveira e Natalha Soares. Os recursos para pesquisa também vêm sendo cortados. A UCPel aperta o cinto até perder o ar, para quitar dívida trabalhista de R$ 40 milhões, a ser "paga" em 15 anos. * Foto: pesquisa AP.

O preço da "fama"

Hoje, este blog foi informado por uma médica do trabalho que certo colunista social da cidade cobra R$ 500,00 para publicar foto de pessoas na sua coluna. "Ele ofereceu espaço para uma filha minha, mas me cobrou isto. Fiquei surpresa. Pensei que, como funcionário de jornal, ele recebesse salário para fazer seu trabalho." * Foto: pesquisa AP.

Júnior comete abuso eleitoral dentro de gabinete

O prefeito biônico Fetter Jr. anda cometendo um deslize atrás do outro. O último exigiria ação enérgica da Justiça Eleitoral e do Ministério Público. Na foto abaixo, Jr. (que gosta de inaugurar galeria de presídio) aparece em evento político privado, dentro da prefeitura, anunciando aos presentes o apoio do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) à sua candidatura. Outra coisa, denunciada no blog do jornalista Irineu Masiero: a fotografia foi tirada por um fotógrafo contratado com dinheiro público do contribuinte pelotense.








* Foto: revelação de uma infração à lei

Instituição usa nome de Nelson Nobre em vão

É de estarrecer o que uma instituição de ensino local anda fazendo com a memória de Nelson Nobre, que faleceu ano passado. Quando vivo, Nelson não recebia apoio de ninguém para manter seu quiosque cultural, no calçadão. Foi ele falecer e a tal instituição mandou colar um banner publicitário no quiosque, que permanece a maior parte do tempo fechado. O tal banner diz: "Nelson Nobre vive". Diz ainda que "a tal instituição está ´comprometida´ com a memória dele". Bem, então já passou da hora de mostrarem o "comprometimento". Poderiam começar por abrir o dia inteiro o quiosque - onde uma estagiária faz palavras cruzadas por apenas algumas horas. Aliás, poderiam mais. Poderiam por em prática as ações prometidas no banner. Reviver o Nelson, não dá. "Comprometer-se com a memória dele", daria. Mas não é o que estão fazendo. Pobre do Nelson. Pouco apoiado em vida, morto, ainda "usam seu nome em vão".
* Foto: coleção Rubens.

Entrevista com Wood Allen, que estréia novo filme

Aos 72, Woody Allen lança "O Sonho de Cassandra", que estréia hoje no Brasil, reclamando de Hollywood, da velhice, da crítica e até de seus filmes... Em entrevista a Bruno Lester, da International Feature Agency, nega que seja um "intelectual": "Não me interesso por livros complicados". Allen comenta ainda o lado trágico de "Cassandra", em que Ewan McGregor e Colin Farrell vivem irmãos endividados que recebem proposta para cometer um crime.

Do que trata "O Sonho de Cassandra"?
É a história de jovens simpáticos que se envolvem numa situação trágica, em função de fraquezas e ambições. A intenção deles é boa. Foram educados com decência, mas os acontecimentos e seus próprios atos os conduzem ao final trágico.

Como "Crimes e Pecados", é sobre morte e culpa.
Sempre me interessei pelo assassinato e pelo lado sombrio do drama e da tragédia. O assassinato é uma das ferramentas que dramaturgos e cineastas usam há séculos para elucidar o que querem mostrar. Tirar a vida é ato muito dramático e que me interessa.

Você disse que a vida é "uma experiência bastante trágica".
Sempre senti que a vida é uma confusão grande. Tenho uma visão sombria e pessimista da vida e da fé do homem, da condição humana. Mas há alguns oásis divertidos no meio dessa miragem.

"Vicky Cristina..." é estrelado por Scarlett Johansson. É o terceiro filme que fazem juntos. O que há de especial nela?
Ela tem tudo: é linda, sexy, inteligente, divertida, espirituosa e boa para se trabalhar. Se mantiver a cabeça no lugar, o futuro é dela.

De quais filmes seus você se orgulha mais?
Tenho três dos 39 filmes que fiz: "Match Point", "A Rosa Púrpura do Cairo" e "Maridos e Esposas". Os outros, eu refaria.
* Matéria de Henny Ray Abrams/AP.
* Foto: cena do filme Scoop, o grande furo, de Wood Allen (divulgação).

"Trinta anos esta noite"

Trinta anos esta noite é o título de um interessante filme francês. O clássico de Louis Malle, de 1963, conta a luta de Alain, o atormentado protagonista, contra seu maior inimigo: ele mesmo. Lembrei deste filme hoje à noite, por razões sentimentais. É que, depois de pouco mais de duas décadas, reencontrei há pouco uma ex-colega de faculdade. Foi na livraria, restaurante e cyber café Dom da Palavra, na esquina das ruas Dom Pedro II e XV, onde ela e o marido dirigem o estabelecimento.
Kátia Reichow é jornalista, como eu, formada na mesma universidade. Como eu, morou por muitos anos fora de Pelotas e voltou a residir na cidade. Junto conosco, estava o promotor informal do encontro, funcionário do Itamaraty e editor José Vidal, que também retornou a Pelotas. Foram momentos agradáveis, desfrutados com a sabedoria da maturidade, finalizados por um comentário sensível de Kátia: "Depois de 20 anos de jornalismo, descobri que eu gosto mesmo é de cozinhar. Com o tempo, alguns aprendem a explorar novas faces da personalidade. Raramente somos uma coisa só. Kátia é uma exímia jornalista que adora cozinhar bem. Ao contrário das mulheres, que parecem ter mais certezas na vida, Vidal e eu permanecemos à procura de alternativas satisfatórias aos nossos ofícios primordiais. Em comum, Kátia, Vidal e eu amamos Pelotas, nossas origens.
Suspeito que, ao contrário do triste destino do personagem do comovente filme de Louis Malle, nós três aprendemos a viver melhor conosco mesmos. Como os caminhos da política e da religião têm-se mostrado falíveis, creio que temos procurado extrair sentido da vida através da arte. Seja na cozinha, na tela de um blog ou entre os rancores das rotativas de uma gráfica.
* Imagem 1: Vidal, Kátia e eu.
* Imagem 2: livraria-restaurante-café Dom da Palavra.
* Fotos: coleção Rubens.

Novela Dos males, o menor sai na quinta-feira

Agora é pra valer. A novela Dos males, o menor será publicada na próxima quinta-feira. A pequena novela conta a vida de um quase-anão, um homúnculo que se sentia tão pequeno e desprovido, que vivia uma contradição: apesar de só andar de salto alto, procurava falar grosso o tempo todo. O personagem, uma espécie de anti-herói, como Macunaíma, o sem-caráter, vai dar muito o que falar.
* Foto-ilustração. Pesquisa AP.