Mostrando as 45 postagens mais recentes de 321 em 09/01/2008 - 10/01/2008. Mostrar postagens mais antigas
Mostrando as 45 postagens mais recentes de 321 em 09/01/2008 - 10/01/2008. Mostrar postagens mais antigas

27.10.08

Diário de bordo 7 (médico gaúcho navega no Pará)

Até a primeira semana de novembro publicaremos relatos de viagem do médico Paulo Kelbert, morador de Pelotas. Paulo (foto ao final do relato) envia textos e fotos de um barco do Ministério da Previdência Social que navega pelo Pará. Dentro da embarcação, médicos e outros profissionais de vários pontos do País atendem populações ribeirinhas que necessitam ser periciadas para obtenção de auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez

PrevBarco: menores
de idade grávidas
por necessidade


Paulo Kelbert
Médico Perito do INSS e Psiquiatra

Diante da falta de oportunidade na vida, jovens com 16 anos e 10 meses são candidatas à gestação. Comportamento perigoso, em busca de dinheiro. Para isso, aos 16 anos, elas ingressam numa atividade econômica, lavoura ou pesca neste lugar. Isto, somado a título eleitoral e filiação a sindicato, dá direito a Segurado Especial.

Engravidar com o objetivo de obter salário-maternidade, pago pela Previdência Social durante quatro meses, se tornou uma "epidemia" por aqui. Uma rápida amostra em um dia de trabalho: de 50 requerimentos, 48 tinham esta finalidade. A sala de espera do Prevbarco está inundada de jovens com filhos no colo, amamentando, algumas novamente grávidas, esperando o próximo filho, pensando no lucro.

Valor do benefício: R$ 1.660. As oportunidades de trabalho, raras neste e em outros lugares, não produzem valor tão alto em ganho. Daí uma explosão demográfica que os programas de assistência não terão controle. Mas os filhos seguem sendo criados em situação precária, a mortalidade infantil é expressiva, a assistência médica não dá conta de tanta doença por desnutrição.

Fui conversar com algumas destas jovens mães, menores de idade, com pelo menos dois filhos. A necessidade imediata de dinheiro criou um costume. Se requerido no INSS, o benefício no ano seguinte ao parto vem em valor único. Todas sabem disso, e a fila cada dia fica maior. Os filhos, porém, pouco usufruem do dinheiro do governo, que serve à vaidade: comprar um barco, motor novo, TV, celular etc. Indaguei sobre educação sexual, paternidade responsável, diálogo doméstico sobre cuidados pessoais, comportamento de risco. As respostas revelam custos sociais e geração de situações que os governantes precisam enfrentar.

Outro dano social grave é o abandono do lar. Homens maduros desprezam as mulheres. Abandonam o lar, somem com uma mulher mais jovem no primeiro barco, e deixam os filhos ao Deus dará. É uma tragédia diária, que resulta em miséria e seus males. A passividade é uma marca registrada. Violência doméstica, alcoolismo, prostituição de jovens, impotência dos pais em prover sustento da família, empurram filhos a destinos trágicos. Este é um lado triste que se situa atrás da bela paisagem do norte...
A Lei de Malthus é clara.
Quem persiste na cegueira?
Educação eficaz é uma saída.

Leia outros relatos
de Paulo Kelbert (foto)

- Diário de bordo 1
- Diário de bordo 2
- Diário de bordo 3
- Diário de bordo 4
- Diário de bordo 5
- Diário de bordo 6

Panelinhas de limão...

O prefeito eleito, Fetter Jr. (PP), à dir., reassumiu a prefeitura hoje. Ele havia se licenciado pela segunda vez no período eleitoral, para se dedicar à campanha. Fetter recebeu o cargo do prefeito em exercício, vereador Adalim Medeiros (PMDB), às 18h.
Em clima de festa, cercado por funcionários e convidados, Fetter (ao lado de seu vice, Fabrício Tavares, foto)
recebeu de presente, de dois empresários da cidade, um pacote com "panelinhas de limão".
Durante a campanha, o então candidato Fetter, perguntado por um repórter qual doce daria para seu adversário (Fernando Marroni, do PT), respondeu que o presentearia com "panelinhas de limão". Por que?, quis saber o repórter. "Porque recebi uma prefeitura cheia de limões, mas consegui fazer deles algo de bom". Fetter se referia a Marroni, que fora prefeito no período anterior.

Miguel Proença se apresenta em Pelotas

Miguel Proença:
renome mundial










O pianista Miguel Proença dá concerto nesta terça-feira (28) no Conservatório de Música de Pelotas. A apresentação faz parte da Série de Concertos Comemorativos aos 90 anos do Conservatório de Musica da UFPel e 120 anos da Caixa Econômica Federal em Pelotas.
O projeto tem apoio da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) e do Sesi, e é uma produção da ATO Cultural.
O ingresso é a doação de um quilo de alimento não perecível, a ser destinado ao Banco de Alimentos Madre Teresa de Calcutá.

Serviço
Data: 28 de outubro de 2008
Hora: 20hs
Local: Sala Milton de Lemos do Conservatório de Música da UFPel
(Rua Félix da Cunha, 651).

Voz do leitor: "blog me ajuda a matar a saudade"

Leitor Ricardo de Almeida escreve: "Este mail é para parabenizar a equipe pelo excelente blog sobre Pelotas e as coisas de nossa maravilhosa cidade que vocês proporcionam para quem é daí, mas está longe, e pode matar a saudade com conteúdo de qualidade.
Sou publicitário, trabalho e moro em Joinville faz quase seis anos e não desgrudo das coisas de Pelotas, através da internet ou de extensas ligações para amigos e parentes, semanalmente. Claro que consigo matar saudade a cada fim de ano, quando consigo passar o final de ano por aí e comer o “quindim” que só nós, pelotenses, temos, e tomar aquele cafezinho com os amigos pelo centro da cidade.
Realmente fiquei muito feliz quando, sem querer, descobri o blog Amigos de Pelotas, e hoje sou leitor assíduo e grande admirador.
Continuem sempre assim, pois me orgulho quando posso mostrar para o pessoal aqui o que temos de melhor por aí. Grande abraço."

Ricardo Servan de Almeida
EXit Comunicação Estratégica
Joinville/SC

Internet poderá ser utilizada como veículo de comunicação oficial

Agência Senado

Projeto de lei que autoriza União, estados e municípios a utilizar a internet como veículo de comunicação oficial está na pauta da reunião da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), marcada para as 10h desta quarta-feira (29). A proposta, de autoria do senador Demóstenes Torres (DEM-GO), conta com parecer favorável da relatora, senadora Serys Slhessarenko (PT-MT).

Para Demóstenes Torres, o projeto (PLS 323/06), caso venha a ser transformando em lei, irá permitir maior controle social da gestão pública, principalmente nos pequenos municípios, onde os atos administrativos, muitas vezes, são fixados em murais dentro da própria prefeitura. "O uso da internet como meio de divulgação de informações oficiais dará maior transparência aos atos das três esferas de governo", prevê Demóstenes Torres.

Após receber parecer da CCJ, o projeto segue para a Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT), onde será votado em decisão terminativa.

Salário do funcionalismo sai quinta-feira

A prefeitura paga na próxima quinta-feira o salário do funcionalismo. A liberação dos salários, pagos habitualmente no dia 5, sai antecipada. Amanhã se comemora o Dia do Funcionário Público, mas o ponto facultativo (folga) na administração local foi transferido para sexta-feira (31), para que os servidores possam emendar o feriado.

26.10.08

Puro prazer: Marc Chagall

Marc Chagall. Nasceu em Vitebsk, Bielorrússia, 7 de julho de 1887, e morreu em Saint-Paul de Vence, França, em 28 de março de 1985. Foi pintor, ceramista e gravurista surrealista russo-francês.

Diário de bordo 6 (médico gaúcho navega no Pará)

Até a primeira semana de novembro publicaremos relatos de viagem do médico Paulo Kelbert, morador de Pelotas. Paulo envia textos e fotos de um barco do Ministério da Previdência Social que navega pelo Pará. Dentro da embarcação, médicos e outros profissionais de vários pontos do País atendem populações ribeirinhas que necessitam ser periciadas para obtenção de auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez

Dona Teca: competência no
preparo do baião de dois


Paulo Kelbert
Médico Perito do INSS e Psiquiatra

Dia lindo na cidade de Oeiras.

Como não há segundo turno por aqui, e portanto nem lei seca, a cidade consumiu as cervejas possíveis na noite de ontem. O ruído dos "inferninhos" durou até as 2h de hoje. Existem dois inferninos, com DJ que anunciam as maravilhas da noite. No Jango´s, um tal de Príncipe Negro, anunciado num cartaz elaborado com papel de embrulho e pincel atômico.

Hoje, tomei café cedo com Dona Teca, bem-humorada cozinheira do navio. No desjejum, mamão papaia, banana, pão de leite, frios, café. Coloquei na mesa uma pessegada que costumo comprar na feira da Princesa Isabel, em Pelotas. Os doces cristalizados vão sendo provados pelos presentes. Pelotas se faz representar nos potes. Minha tarefa é de contar um pouco desta cultura admirável.

Depois do café, voltei ao consultório, a boreste do barco, contíguo à cozinha, separado por uma parede metálica. Enquanto atento os ribeirinhos paraenses, sinto chegar - por algum conduto - os aromas do preparo dos alimentos do almoço. Perfumes de especiarias: alho, cominho verde, cebola, pimenta, e sinto uma torturante salivação.

Ontem Dona Teca preparou o prato Baião de dois, o melhor que já provei. Vou tentar conseguir a receita e repassar aos amigos de Pelotas.
Teca, de 64 anos, cozinheira de embarcações, exala simpatia. Emocionei-me de súbito. Ela me lembrou Cecília, empregada de minha infância, que ficou 35 anos trabalhando com minha família, em Porto Alegre. Já não vive mais, uma doença reumática a levou. Está sepultada em São Leopoldo. Associei dois sabores, o do pudim da D. Teca e o da Cecília. Ambas colocam raspas de limão. Cecília era torcedora do Grêmio. Se tinha tempo, ia até assistir aos treinos, via jogos dos juvenis e dos aspirantes e declarava quem seriam os craques. Em seu quarto tinha uma foto do Renato Gaúcho, de encarte.

Dona Teca na cozinha cantava o Trem das Onze. Cecília, devota da Santa de seu nome, costumava fazer suas orações naquela Igreja em Porto Alegre. Incluia em suas preces as vitórias do Grêmio. Se bem a conheci, deve estar preparando um pudim para o menino de Belém. Boa semana para todos.

PS: De presente, envio a receita de Dona Teca.
Minduim, que nota dás a D. Teca?

Receita do baião de dois
(PorDona Teca)










Ingredientes
1/2 kg de arroz
1/2 kg de feijão carioca ou fradinho
1/2 kg de charque gordo cortado miúdo, em molho de véspera e escaldado no dia seguinte para reduzir o sal.
1/4 kg de toucinho picado miúdo para preparar torresmo
1 cebola grande
1 tomate sem sementes
1 pimentão
1 envelope de sazón, pimenta, cominho moido a gosto
1 colher de chá de cúrcuma(açafrão)

Preparo
Derreter o toucinho para separar o torresmo, e reservar. Fritar o bacon e reservar, deixando a gordura na panela. Colocar a cebola, o tomate, pimentão e o charque já escaldado e escorrido. Refogar. Adicionar o feijão escolhido e lavado. Cozinhar em pressão. Quando o feijão ficar quase macio, adicionar o arroz e após 15 minutos de fervura em fogo baixo, temperar com Sazón. Desligar o fogo, e deixar a panela tampada ou enrolada em jornal por cerca de 20 minutos. Adicionar o torresmo, misturar e servir.
Bom apetite. D. Teca bota para tremer o "voltaremos"...


Leia mais
- Diário de bordo 1
- Diário de bordo 2
- Diário de bordo 3
- Diário de bordo 4
- Diário de bordo 5

Hora de arregaçar as mangas

Parque Antônio Zattera, agora
à noite: reforma pela metade





Hoje o prefeito eleito, Fetter Jr. (PP), tem direito a festejar. Ele merece até mesmo descansar algumas horas a mais, antes de voltar ao batente. Mas logo vai ter de arregaçar as mangas para tentar concretizar seu grande desafio: redescobrir a rota do desenvolvimento para Pelotas.

Fetter vence eleição em Pelotas

Fetter Jr., 54 anos, atual prefeito de Pelotas, eleito para um novo mandato, apareceu na janela de seu apartamento, no centro, com a mulher, Leila Fetter, e acenou para militantes de seu partido, PP, e outros apoiadores. A previsão é de que Fetter se encaminhe ao comitê de campanha e à festa na avenida Bento Gonçalves.

Fetter começou carreira política em 1983, como vereador. Eleito deputado federal em 1990, cumpriu três mandatos consecutivos. Em 1995, foi secretário estadual de Desenvolvimento Econômico e de Assuntos Internacionais. Fetter é formado em agronomia e administração de empresas. Tem quatro filhas e uma neta.

APURAÇÃO
Votos apurados: 100% dos votos apurados)
(Total de votos a serem apurados: 243.216 mil)

Fetter Jr. - 109.011 votos válidos (56,72%)
Fernando Marroni - 83.193 votos válidos (43,28%)
Diferença de votos: 25.818 votos (23,68%)
Abstenção: 42.737 votos (17,57%)
Brancos: 3.668 votos (1,83%)
Nulos: 4.607 votos (2,30%)

ATENÇÃO
Os votos estão sendo atualizados a todo instante.
Clique a tecla (F5) de seu computador para acompanhar a evolução dos números.
Atualizado às 16h15







Começou a eleição para prefeito de Pelotas. Fetter Jr. (PP), acima, e Fernando Marroni (PT), ao lado, disputam o voto de 243 mil eleitores. Resultado deve sair até às 21h. Acompanhe conosco.

O Dia D
Chuva - Choveu na cidade e na zona rural durante toda a madrugada. A chuva pode ter afetado as condições das estradas de terra entre o campo e a cidade, o que pode atrasar a chegada das urnas da colônia à sede da Justiça Eleitoral e, portanto, a apuração.

Prisão de Catarina - O segundo candidato mais votado na eleição para vereador de Pelotas, José Antônio Júnior Frozza Paladini (PC do B), o Catarina (6.772 votos), mas que não se elegeu por causa do coeficiente eleitoral, foi detido pela polícia militar há pouco, acusado de estar fazendo boca-de-urna.

Prisão - O Ministério Público recebeu 10 denúncias de campanha em boca de urna (bandeiraços). Algumas pessoas foram presas, responderão a processos, mas já estão soltas.

Assalto - O presidente de uma sessão eleitoral foi assaltado por dois homens. Eles estavam em uma moto, e apontaram revólver para o mesário e exigiram a entrega dos vales-alimentação com que ele pagaria o almoço dos colegas.

Marroni vota - Marroni votou no final da manhã. Mostrou-se confiante numa vitória.

Fetter vota - Candidato Fetter Jr. votou, às 8h47, no prédio-sede da Previdência Social em Pelotas. Mostrou-se otimista e simpático. Diante dos repórteres, primeiro ergueu os polegares; depois, os indicadores, juntos, formando o seu número de campanha - 11. Fetter esteve no posto de votação com a mulher, Leila, e com seu vice, Fabrício Tavares.
O candidato falou: ""Fizemos um campanha limpa, propositiva, de alto astral, porque é o que Pelotas merece. Procuramos mostrar o que fizemos, como limpar o nome da Prefeitura, o que já foi assegurado e nossos projetos futuros. Evitamos conflitos, apenas respondemos quando fomos atacados de forma covarde e infundada".
Após a votação Fetter retornou para sua residência, de onde só sairá para conceder entrevistas para duas emissoras de televisão. Fetter disse que aguardará o resultado do pleito junto com sua família.


Marroni diz que PAC vai
impulsionar crescimento de Pelotas



Fetter acredita que crise mundial
dos mercados não vai atingir cidade



* Continua... (Enquanto isso, leia a crônica abaixo).

Crônica: Fetter e Marroni são medíocres: que bom!
Sérgio Estanislau
Da equipe do blog

Há alguns dias, acho que foi aqui no blog, li uma pequena resenha da autobiografia do historiador inglês Eric Hobsbawn, que se chama “Tempos Interessantes”. Nunca li o livro, que está há alguns anos na estante imaginária chamada “algum dia tenho que comprar e ler”. Mas é fascinante a sua epígrafe, baseada numa velha praga chinesa: “que você viva tempos interessantes”.

Lembrei-me desta citação porque hoje termina a ‘guerra’ pela prefeitura. Guerra? Que bom que isso hoje em dia é apenas uma metáfora, de resto cada vez mais batida, e gritantemente hiperbólica. Pois, como dá para ler no “Maragatos e a República” do Vidal, no link ao lado, o fato é que se estivéssemos vivendo há 120, 150 anos era capaz de estarmos nos matando nalgum descampado, cada um com lenço de uma cor, e quem perdesse a eleição, ou a batalha, seria degolado (ou coisa pior!) pelo adversário.

Já pensou arriscar a vida pelo Fetter? Imaginou ter a carótida aberta por adorar o Marroni ou por usar um bottom do PT? Eu hein!

Admito que seguramente é ótimo mandar para casa, ou lá deixar, alguns políticos que nunca deveriam ter saído de seus buracos. Nem eles nem suas famílias, que sempre vêm a tiracolo (como já deu para perceber, sou obcecado com o nepotismo). Mas a democracia é um regime baseado na mediocricidade. Um cientista político italiano escreveu: “a democracia é o menos pior dos regimes. Não quer santos, heróis, profetas, chefes, embora também tenha sido construída por essas figuras, ou talvez desafiada por elas. É um regime baseado na mediocricidade” (Carlo Donolo).

Ou seja, o nosso progresso institucional se mede pela capacidade que tiverem nossas instituições de que qualquer panaca (a imensa maioria) ou gênio possa assumir o governo. Quando até o George W. Bush ou o Berlusconi chegam ao poder e conseguem não destruir a democracia nem a nossa fé nela, é sinal que finalmente temos instituições dignas desse nome – embora ambos estejam fazendo um estrago considerável. Não cito os nacionais, para não suscitar polêmica em dia de eleição.

Que bom viver em tempos medíocres. Pois, independentemente do resultado, petezões roxos e fetterianos empedernidos poderão continuar confraternizando, vendo lado a lado seja o campeonato de golfe do campestre, seja o jogo do xavante, tomando uísque escocês ou um martelinho. E não venham me dizer que em algum desses lugares não haverá defensores de um ou de outro lado. Essa não cola mais. E viva a nossa mediocricidade!

25.10.08

Psicanálise pelo SUS

Agora você fala quanto tempo quiser e não paga nada!

A brincadeira acima circula na internet.
É um pouco cruel, mas é impagável!

Relembrando: nem todo comentário será aceito. Logo, leitor, mão leve aí. Veja a política

Política de Comentários

Todo comentário está sujeito à moderação.

Podem ainda não ser publicados quando:

1) Põem palavras em boca alheia;
2) Denunciam sem provas;
3) Tragam dados não confirmados;
4) Baixam o nível;
5) São incompreensíveis.

Anônimos. Comentários de "anônimos" são mais passíveis de rejeição. Registre-se: sua chance de ser publicado aumentará.

Denúncias. Devem ser feitas pelo e-mail amigosdepelotas-blog@yahoo.com.br

Diário de bordo 5 (médico gaúcho navega no Pará)







Camarão frito: prato
para 500 talheres


Até a primeira semana de novembro publicaremos relatos de viagem do médico Paulo Kelbert, morador de Pelotas. Paulo envia textos e fotos de um barco do Ministério da Previdência Social que navega pelo Pará. Dentro da embarcação, médicos e outros profissionais de vários pontos do País atendem populações ribeirinhas que necessitam ser periciadas para obtenção de auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez

Tucunaré: peixe bonito e saboroso, em extinção no Pará

Paulo Kelbert
Médico Perito do INSS e Psiquiatra
Especial para o blog


Acostumado a acordar cedo, mesmo sem ter que trabalhar, saio para o convés para apreciar o raiar do dia. Céu de vários matizes, brisa começando a amornar, poucos barcos chegando ao cais. Trazem dos sítios paneiros (cestos) de açaí (foto abaixo). É a época de abundância do fruto. Compras-se a R$ 2 o litro de um caldo grosso, cujo sabor parece o do abacate, quando bebido sem açúcar.

Estamos esperando que venha de Belém o sorvete tão desejado na semana. É uma tenda na praça, e quem explora é uma família, que nos ofereceu de graviola. Gostoso.

Na praça, não se vende bebida alcoólica. Ordem do Promotor Público. Outras bebidas só nos bares da esquina, próximos de dois inferninhos. Música alta e retumbante que estremecia o navio ancorado a cerca de 50 metros.

Ficamos sacudindo dentro do camarote até as 2h da manhã, quando termina a festa dos jovens. Noite quente, brisa agradável, gente jovem em suas bicicletas, motocicletas que zunem em todas as direções, perigosamente. Não assisti a atropelamentos, mas passam raspando. Quem disse que no longínquo interior não há emoção?

Próximo dos bares como em qualquer lugar, os costumes são os mesmos. A roupa mais insinuante, um orgulhoso penteado nos longos cabelos das mulheres. No Pará, com o calor que faz, os cabelos femininos constituem um capítulo especial. As lojas de produtos de beleza existem em todos os cantos. Num lugar de poucas oportunidades, a vaidade é uma necessidade.

Na pobreza, se cultiva a necessidade messiânica. As graças podem ocorrer por promessas de marinheiros ou pela irresistível beleza nativa, que atrai pretendentes de qualidade.

Pode ser sorte, pode ser azar.

Leia mais
- Diário de bordo 1
- Diário de bordo 2
- Diário de bordo 3
- Diário de bordo 4

Sol Maior (conto)

Marieta Cazarré
Colunista do blog
Correspondente em Madri


Hoje surdo, ele, com 91 anos, se lembra de sua juventude. Nunca conseguiu ser atrevido, fez tudo como manda o figurino: estudou, casou-se, teve filhos, netos, passou a vida ao lado de sua mulher... mas, pensando bem, não fez o que queria. Queria ter sido um aventureiro. Seu maior sonho era ter conhecido Marrocos, seus mistérios, sua gente, seus cheiros e sua música. Sua música, em especial. Durante toda a vida, além do trabalho cotidiano, aquela labuta necessária para alimentar os filhos, foi músico. Tocou de tudo, embora o violino sempre tenha sido sua maior paixão. Passava horas, dia após dia, dedicado àquele instrumento, seu grande amor.

Sua esposa, hoje uma senhora bem velhinha e um tanto quanto louca – falo da loucura saudável, aquela que liberta o ser humano de qualquer recalque social-, sempre amou a música. E foi esse, na verdade, o grande laço que os uniu. Quando jovem foi uma mulher bonita, mas nunca bela. Apaixonou-se por aquele rapaz elegante, de nariz fino e longo, que cheirava sempre à lavanda. “Ele foi um homem que se perfumava”, afirma, toda sorridente e orgulhosa. O amor daquele homem pela música a fascinava. Queria ser amada naquela mesma intensidade, e esse era seu maior desejo.

No entanto, aquele jovem rapaz tinha outros planos. Queria conhecer o mundo, construir uma obra grandiosa, deixar alguma herança ao mundo, fosse qual fosse. Mas tinha medo, não se permitia romper barreiras, não se deixava ser tomado por qualquer impulso juvenil. Era dedicado à família e à música. Nunca dedicou-se a si mesmo.

Durante mais de quarenta anos fez parte da orquestra sinfônica de Paris, era um dos violinistas. E, embora soubesse todas aquelas músicas de cor e salteado, nunca atreveu-se a solar. Queria ter sido solista. Achava que o solo, sim, era uma obra a ser deixada, nem que fosse apenas na memória dos que o assistiam. Mas era um jovem medroso. Ele se nega a falar de amor, mas confessa que amou a música com toda a intensidade que podia haver dentro de si. Agora ele escuta as sinfonias de sua cabeça. E hoje, recém chegado de Marrocos, conta que, durante toda a viagem, escutou sempre a mesma música. Não poderia explicar. Aquele país realmente...

Aos 91 anos, depois de haver realizado seu maior sonho, sente-se como rapaz novamente. Anda falante, sorridente e cheio de vida. Ele sabe que, agora, está livre. Enfim atreveu-se, enfim viveu. Sabe que pode ir, já fez o que tinha que fazer por aqui...

Marieta Cazarré é formada em Antropologia, pela Universidade de Brasília (UnB); em Jornalismo (IESB) e fez curso de Cine-documentário. Você encontra outros relatos de Marieta, que vive em Madri, no blog Filha de Iemanjá

Voz do eleitor: "Sei, não. Mas acho que carreata e buzinaço são coisas de gente doida"

Leitor comenta: "Está na hora de algumas pessoas repensarem seu modo de fazer campanha eleitoral. Por exemplo, há mais de hora que sou obrigado a ouvir o buzinaço de uma "carreata" interminável, em favor de um candidato a prefeito de Pelotas. Não entendo como pessoas de bem, pais e mães de família - o pai com a mão na buzina, a mãe sacolejando a bandeira do candidato na janela do carro e as crianças, no banco de trás, atônitas - podem achar que uma manifestação irritante dessas, evidentemente oca e estúpida, tem alguma utilidade positiva.
Para mim, funciona ao contrário: aí mesmo é que eu não voto. Eu gosto de gente, mas não gosto de todo mundo não. Principalmente de gente como essa que adora o kit-chateação: buzina, bandeira e carro. Me parece coisa de gente doida. Não é não?"

O poder (miniconto)











Sílvia Bauer Barcellos
Colaboradora do blog

Alçam vôo sob os algodões rendados.
Das bocas babadas pinga o muco sangüíneo sobre as cabeças tolas.
Ganham altura, pousam na toalha branca.
Depois, lá em cima, os fedorentos batem asas em conferências secretas.
Arqueiam as bundas na borda do pano engomado e defecam sobre nossas casas.

De novo: a hora do espanto?

video

Cena gravada no dia da eleição do primeiro turno.
Mas que vale, igualmente, para amanhã, o Dia D.


Ligue o som!!!

Um encontro inesperado

O nome do senhor acima é João Santin. Descendente de italianos, ele está aposentado e tem 80 anos. Eu o conheci ontem, na Avenida Bento Gonçalves, olhando bombeiros trabalharem. Os soldados interromperam o trânsito entre as ruas Deodoro e Osório, sentido praia do Laranjal, para cerrar galhos de árvores, suspensos até as copas por uma escada magirus acoplada ao caminhão vermelho.
Enquanto eu fotografava a cena, Santin, que vinha de bicicleta, parou do meu lado para observar a movimentação.
"Eles não precisavam interromper o trânsito para fazer isso; podiam ter parado o caminhão sobre o passeio central da avenida e fariam o mesmo trabalho", disse-me ele, movendo ao alto seus vivazes olhos azuis, como quem pensa no que acabou de falar.
"É verdade", concordei.
Um pouco mais de conversa e descubro que Santin nasceu na colônia - zona rural. "Naquele tempo, não tinha invasão de terra, tudo era muito diferente. Meu pai, minha mãe e nós morávamos e trabalhávamos em terra cedida pelos proprietários, paga com uma parte da nossa produção". Santin conta que, quando completou 20 anos, veio morar na cidade. "Nunca mais voltei pro campo", disse.
Perguntei se usava a internet. Ele disse que não muito, só quando as netas fazem questão. Aproveitei e estendi a ele um cartão de apresentação do blog Amigos de Pelotas (foto).

O mundo é pequeno, ainda mais em Pelotas.
Perguntei a ele seu nome, ele perguntou o meu.
"O Sr. é filho do seu Rubens, da sapataria Solimar?"
"Sou, respondi. Agora está aposentado".
"Conheci muito o seu pai; eu trabalhava num colégio de freiras e levava os sapatos delas para consertar na sapataria. Teu pai me fazia rir, imitando os sermões do padre Farina com sotaque religioso. Ele está bem?"
"Está com 80 anos como o senhor, e bem, obrigado".
"Ele anda de bicicleta?"
"Não, mas caminha bastante".
Antes de partir, Santin falou: "Mande um abraço para ele"...

Olha o homi aí de novo - a força ambígua do jingle

Ars Longa
Artigo

Um jingle é um gênero publicitário musical, criado nos EUA para vender produtos mediante uma penetração inconsciente. O Brasil se destaca pela criação de jingles. “Lula Lá”, de Hilton Acioli, não ganhou a eleição de 1989, mas seu efeito ajudou na campanha presidencial em 2002.
Nestas eleições municipais, muitos candidatos usaram o jingle da reeleição de Lula, do cantor Lázaro do Piauí, com o lema “Lula de novo com a força do povo”. Na época, a coerência musical (ritmo nordestino, candidato nordestino) refletia a congruência entre o autor da letra e o autor da frase política: “Me deixem trabalhar”, que Lula dizia sobre seu governo tão questionado, e de onde o compositor criou, no segundo turno de 2006, o “deixa o homem trabalhar”.

Agora, os bordões foram clonados por todo o Brasil: em São Paulo (deixa a Marta trabalhar), em Santa Cruz de Goiás (Diley e Chicão de novo), em Itamaracá PE (onde a cantora Gretchen foi candidata), e mais em Natal RN, Parauapebas PA, Parnaíba PI, Acopiara CE, Imperatriz MA, Curiúva PR, Ipatinga MG... Em alguns lugares o autor do jingle nem ficou sabendo.

Nesta onda de identificação com o governo federal, Pelotas foi um dos municípios “ajudados” por Lázaro do Piauí. O Marroni é realmente amigo de Lula, mas também “está com a gente” e quer “continuar o que já fez”. O forró conseguiu esse objetivo de relacionar os dois, mas a genialidade do músico nordestino parece ter levado, aqui, mais no sentido oposto:

1. O eleitorado pelotense tem seus próprios candidatos petistas, mas em geral não é igualmente fã do Lula, por motivos socioculturais.

2. O jingle já estava associado ao Presidente, que queria trabalhar sem tanta oposição. Marroni não estava “trabalhando” agora: significa que, como Lula, também prefere que o deixem tranqüilo? Ou seja: que o deixem onde está?

3. Lula não será reeleito de novo, ele mesmo já disse; então, o jingle com que ele ganhou o 2º mandato tem mais um efeito histórico e não tem hoje o poder de reeleição.

4. No dia-a-dia, aceitamos ritmos e pronúncia nordestinos, mas na política eles não ajudam a ganhar votos. Pela mentalidade pelotense, Marroni precisava remarcar seus traços gaúchos e desvincular-se dos nacionais.

5. A idéia da continuidade não favorecia a “reeleição” de Marroni, mas a de Fetter, que já estava na situação. Em 2006 a letra dizia: “Não troco o certo pelo duvidoso; eu quero o Lula de novo”. Se o inconsciente guardou a mensagem, foi um voto para Fetter.

Lula-Lázaro foi dupla ganhadora. Mas uma boa fórmula artística não se repete com o mesmo efeito.

UCPel divulga tabela de mensalidades mais baixas

Por recomendação de uma firma de Consultoria, que nos últimos oito meses analisou a situação da financeira da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), o reitor Alencar Proença (foto) anunciou a nova tabela de preços das mensalidades de 35 dos 36 cursos oferecidos pela empresa cristã. Os novos valores valem apenas para alunos que ingressarem em 2009. O reitor não informou a percentagem de queda dos preços. O único curso que não terá redução de preços será o de Medicina, que continuará a custar R$ 2.530 por mês. O curso é tradicionalmente o mais caro oferecido pela empresa.

A nova planilha de preços foi aprovada pelo Conselho Universitário ontem. O Conselho também reduziu as cargas horárias de todos os cursos, menos no de Medicina. O estudante pagará menos pelos cursos; por outro lado, receberá menos horas-aula. O número de horas cortadas não foi informado pelo reitor.

A mudança no conteúdo dos currículos, que também seria anunciada ontem, foi retirada da pauta do Conselho Universitário, a pedido dos estudantes, que reivindicam participação no processo da nova grade curricular. O tema deve voltar ao Conselho - para definição - no próximo mês. Os currículos devem ser readaptados por causa da redução da carga horária, entre outros critérios.

Os novos valores das mensalidades podem sofrer alterações ao longo do curso, em função de oscilações de mercado e da economia. Mesmo assim, fizemos um cálculo de quanto cada curso custaria ao bolso dos alunos e de seus pais. Confira abaixo.

E depois leia mais:
- Crise bate às portas da UCPel
- Pressionado, reitor adia votação da nova grade curricular

Veja os cursos e os novos valores
Administração
R$ 530 (8 semestres)
Total: R$ 25.440

Arquitetura e Urbanismo
R$ 890 (10 sem.)
Total: R$ 53.400

Ciências Biológicas, Licenciatura
R$ 400 (8 sem.)
Total: R$ 19.200

Ciência da Computação
R$ 780 (10 sem.)
Total: R$ 46.800

Ciências Contábeis
R$ 530 (8 sem.)
Total: 25.440

Ciências Econômicas
R$ 530 (8 sem.)
Total: 25.440

Comunicação Social/Jornalismo
R$ 780 (8 sem.)
Toral: R$ 37.440

Comunicação Social/Publicidade
R$ 780 (8 sem.)
Total: R$ 37.440

Direito
R$ 600 (10 sem.)
Total: R$ 36 mil

Ecologia
R$ 500 (9 sem.)
Total: R$ 27 mil

Enfermagem
R$ 500 (8 sem.)
Total: R$ 24 mil

Engenharia Civil
R$ 780 (10 sem.)
Total: R$ 46.800

Engenharia Elétrica
R$ 780 (10 sem.)
Total: R$ 46.800

Engenharia Elétrica-eletrônica
R$ 780 (10 sem.)
Total: R$ 46.800

Farmácia
R$ 990 (10 sem.)
Total: 59.400

Filosofia
R$ 330 (6 sem.)
Total: 11.880

Fisioterapia
R$ 990 (9 sem.)
Total: R$ 53.460

Letras/Português e Inglês
R$ 330 (8 sem.)
Total: R$ 15.840

Matemática/Licenciatura
R$ 330 (8 sem.)
Total: R$ 15.840

Medicina
R$ 2.530 (12 sem.)
Total: R$ 182.160

Pedagogia/Licentiatura
R$ 300 (8 sem.)
Total: R$ 14.400

Psicologia
R$ 800 (10 sem.)
Total: R$ 48 mil

Química Ambiental
R$ 700 (9 sem.)
Total: R$ 37.800

Serviço Social
R$ 500 (8 sem.)
Total: R$ 24 mil

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento
de Sistemas

R$ 530 (6 sem.)
Total: R$ 19.080

Tecnologia em Gestão de Turismo
R$ 400 (4. sem)
Total: R$ 9.600

Tecnologia em Design de Moda
R$ 400 (6 sem.)
Total: R$ 14.400

Tecnologia em Gestão Hospitalar
R$ 310 (5 sem.)
Total: R$ 16.740

Tecnologia em Marketing
R$ 400 (5 sem.)
Total: 21.600

Tecnologia em Produção Fonográfica
R$ 380 (6 sem.)
Total: R$ 13.680

24.10.08

Um dos efeitos do debate eleitoral em Pelotas

Diante do debate entre Fetter Jr. (PP) e Fernando Marroni (PT) - da guerra de informações e contra-informações - é capaz de o espectador estar pensando: "Quem tem boca vai a Roma".

NOTA DA REDAÇÃO
O debate terminou. Cerca de 10 pontos percentuais atrás nas pesquisas, Marroni partiu para o ataque e o manteve durante todo o confronto. Foi incisivo, tentou asfixiar o adversário com perguntas duras e observações constrangedoras, como quando mencionou que Fetter responde a processo por improbidade. Marroni teve um desempenho midiático seguro, ao ponto de se dirigir a Fetter chamando-o de "tu".

Fetter procurou repetir o tom calmo que mostrou durante a campanha na tevê e no rádio. Manteve a voz baixa e a maior parte do tempo respondeu aos ataques com tranquilidade, como quando afirmou que o processo pelo qual responde no MP não foi julgado ainda e que seu oponente também responde a processo. Fetter procurou desqualificar as intervenções de Marroni, dizendo que o petista, apesar de engenheiro, confunde números.

Em nenhum momento houve baixaria pesada. Apenas um pingue-pongue japonês, um bate-rebate de acusações e feitos mútuos, sem descer ao esgoto.

A parte mais quente do confronto foi quando Fetter sugeriu a responsabilidade da candidatura de Marroni pela distribuição, ontem, de panfletos apócrifos acusando Fetter - fato que acabou na prisão de um dirigente do PSB, com os tais panfletos em seu poder; o PSB faz parte da coligação em torno de Marroni. O petista, porém, disse não ter nada a ver com o fato. E sugeriu que possa ter havido uma armação da candidatura de Fetter em relação ao episódio.

Ao final do embate conclui-se "que não houve debate construtivo". A fórmula dos confrontos na tevê os transformou (sempre foram?) num show de interpretação. No fim, o eleitor parece ficar mais perdido. Alguns candidatos soam mais verdadeiros e intensos do que outros. O diabo é saber o comportamento que prefere a população.

É mais ou menos consenso, hoje, que quem ataca muito o oponente, ironiza-o ou o humilha tende a perder a eleição. O eleitor não gosta de arrogância. Pode ter havido veemência no confronto de hoje, mas não se viu arrogância. Fica a pergunta então: o que o eleitor terá levado em consideração?

Impossível dizer se houve vencedor. Não há critério claro que explique o que é vencer um confronto do tipo, não nos moldes como os debates vertem do retângulo iluminado. É possível que muitas mulheres tenham mudado de canal, na esperança de encontrar Hebe Camargo, e que muitos homens tenham feito o mesmo, à procura de um desses canais a cabo que passam filme pornô. (RF)

Acompanhe debate Fetter x Marroni

MELHOR PARAR POR AQUI
Amigos leitores: os candidatos estão se atacando. Uma guerra de números e feitos, do tipo "eu fiz, tu não fez". E o outro: "Quem fez fui eu, não tu".

Está impossível acompanhar o confronto - em tempo real - com mínima qualidade. Logo, vamos parar por aqui. No final do debate, publicaremos uma avaliação geral.

Garanto a você: se continuar assim, você não perderá nada de importante.

Se, por ventura, Fetter e Marroni acabarem substituindo a esgrima verbal por luvas de boxe, retornaremos.

A partir de agora, faremos apenas "plantão de emergência".

22h17
Começou o debate entre Fetter Jr. (PP) e Fernando Marroni (PT), candidatos a prefeito de Pelotas. Terá quatro blocos.
Marroni e Fetter estão falando de pé, atrás de bancadas, como nos debates norte-americanos. Vestem terno. Marroni está sem gravata. Fetter está engravatado.
Acompanhe, abaixo, alguns momentos do confronto.

Primeiro bloco
22h30
Iniciou quente o debate. Marroni disse que Fetter desperdiça dinheiro público. Que paga aluguel a seis meses (R$ 32 mil no total) por um prédio que ainda não foi ocupado pela prefeitura (Secretaria de Finanças).

Fetter respondeu que, antes de mudar para o prédio, é preciso fazer as instalações logísticas (elétricas, hidráulicas etc.). Por isso a demora.

Marroni insistiu que, além de desperdiçar recursos públicos, Fetter preferiu gastar dinheiro (R$ 3 milhões) em asfalto para a cidade, em vez de aplicar recursos em merenda de qualidade, colocando para funcionar o restaurante popular etc.

Fetter rebateu, enumerando itens positivos de sua gestão e dizendo que a autorização para funcionamento do restaurante popular depende de aprovação da Câmara de Vereadores, que está parado na Câmara há um mês.

22h55
Segundo bloco
Fetter diz que Marroni só fala em problemas na área da saúde. E pergunta se Marroni não vê pontos positivos na área.

Marroni diz que o Pronto-Socorro de Pelotas (PSP) anda entupido de gente, que os postos de saúde não atendem direito. Que Fetter disse que faria postos de saúde, mas não fez, nem colocou ambulâncias prometidas. Criticou a paralisação temporária do setor de Traumatologia. O candidato petista disse ainda que, se vencer, vai construir policlínicas. Diz ainda que ele implantamos o Sistema Único de Saúde em Pelotas e que trouxe as ambulâncias do Semu. Que trouxe o canil, que trouxe o hemocentro, e que tudo isso acabou no governo Fetter.

Fetter rebateu, dizendo que Marroni só vê defeitos. Disse também que o governo está concluido a reforma dos postos de saúde e que vai fazer novos postos. Acusou Marroni de receber ambulâncias, mas que as manteve parado, assim como o canil - parado. Fetter diz que os problemas existem na Saúde. Que é impossível, ao fazer 1 milhão de atendimentos por ano (números de Pelotas), não enfrentar problemas. "Nós não negamos os problemas. Mas estamos trabalhando para enfrentar as dificuldades", disse Fetter.

Sobre Salvador Dalí, Daqui e de Acolá...

As pinturas que ilustram as duas matérias com resultados de pesquisas eleitorais, publicadas hoje no blog, são de autoria de Salvador Dalí. Salvador era um artista. Surrealista. Teve uma única mulher na vida. Seu nome: Gala (daí, dizem, a mania dele por pintar ovos fritos e, assim como relógios, derretidos).
A escolha de Dali não foi à toa. Apesar de tudo, muita gente acredita em "salvador" na política. Mas não há mais, hoje em dia, salvador que salve. Salvadores dali, daqui e de acolá - presunçosos e farsantes - só fazem tipo para os tolos, como era useiro e veseiro Mussolini, o bufão, que - "amado" - terminou odiado e fuzilado.
Como dizia o filósofo Jean-Paul Sartre, nada pode salvar o homem de si mesmo, nem uma prova válida de que Deus exista.

Pesquisa da Fato/RBS indica vitória de Fetter por 10 pontos de vantagem


Uma nova pesquisa, esta do Instituto Fato/RBS, divulgada há pouco pela RBS, mostra que Fetter Jr. (PP) está 10,8 pontos percentuais à frente de Marroni (PT). O resultado reproduz o mesmo resultado registrado na pesquisa de outro instituto - o Voto/Index, divulgada hoje à tarde, e que pode ser localizada logo aí abaixo.

Números da pesquisa Fato
Fetter Jr. - 50,9%
Fernando Marroni - 40,1%

* Em comparação com pesquisa anterior do próprio instituto, de 16 de outubro, o candidato progressista subiu meio ponto percentual, enquanto o petista subiu dois pontos e meio.

A margem de erro é de três pontos percentuais para + ou -.
Período: 23 e 24 de outubro.
Foram entrevistadas 800 pessoas.
Solicitante: Grupo RBS.
Registrada na 164ª Zona Eleitoral de Pelotas, nº 396/164/08.


Leia mais:
- Pesquisa Voto/Index dá vitória a Fetter por 11 pontos de diferença

Estaleiro da Cia Câmara pode 'chegar' em janeiro

A Cia Câmara Construções Navais protocolou nesta sexta-feira, na Secretaria de Transportes do Estado, um projeto de construção de estaleiro em Pelotas.
Com isso, diz uma fonte da empresa, a companhia gaúcha pode começar a construir as instalações do estaleiro a partir de janeiro próximo. A sede da Cia Câmara fica em Novo Hamburgo (RS).

Fundação Simon Bolívar recebe 1,3 milhão para "capacitar famílias da reforma agrária"

Harter: alerta para a necessidade
de vigilância sobre os recursos


Em 16 de outubro passado, a Fundação Simon Bolívar, ligada à Universidade Federal de Pelotas (UFPel), recebeu R$ 1,3 milhão do total de R$ 3 milhões previstos em convênio. O acordo, firmado com o Ministério do Desenvolvimento Agrário, fonte dos recursos, tem por objetivo "criar um centro de capacitação em desenvolvimento rural sustentável, e instalar um espaço para formação e capacitação das famílias que atuam em projetos de assentamentos da reforma agrária no RS".

A informação é do deputado estadual Nelson Harter (PMDB), que a colheu no site da Controladoria-Geral da União.

Harter coordenou Comissão de Representação Externa na AL que investigou a real finalidade de repasses feitos pelo Governo Lula a ONGs que atuam na reforma agrária e assentamentos no Estado. Os resultados da investigação foram entregues por Harter a procuradores do Ministério Público Federal e ao progurador-geral do Ministério Público de Contas, Geraldo Da Camino.

Harter considera os valores dos repasses altos e acha que, por isso, os orgãos controladores da União devem monitorar atentamente a destinação da verba e sua aplicação. Os valores são obtidos em convênios com o Ministério do Desenvolvimento Agrário.

Vamos comentar debate Marroni x Fetter na tevê

Hoje à noite tem debate dos dois candidatos a prefeito de Pelotas, Fernando Marroni (PT) e Fetter Jr. (PP).
O confronto será transmido pela RBS/TV.
Durante o programa vamos postar comentários sobre o desempenho dos candidatos, sobretudo para os leitores que estão fora de Pelotas e que não poderão acompanhar pela televisão.
O debate começa às 22h10.

Pesquisa Voto/Index indica vitória de Fetter por 11 pontos de diferença

Nova pesquisa do Instituto INDEX, em parceria com a Revista VOTO, divulgada agora há pouco:

Pesquisa espontânea
Fetter Jr. (PP) - 49,5%.
Fernando Marroni (PT) - 38,9%

Pesquisa estimulada
Fetter Jr. - 51,5%
Marroni - 40,8%.

Transferência de votos
Matteo Chiarelli (DEM), terceiro colocado no primeiro turno, transfere 55,6% para Fetter e 29,9% para Marroni (9,7% se mostram indecisos).

Anselmo Rodrigues (PDT), quarto colocado no primeito turno, transfere 55,2% para Fetter e 26,4% para Marroni. (12,6% se mostram indecisos).

Expectativa de vitória
55% acham que Fetter vence

A pesquisa foi realizada nos dias 22 e 23 de outubro.
Registro nº 397/164/2008.
Margem de erro: 3 pontos percentuais.
1.060 entrevistas.


Leia mais:
Pesquisa Methodus: Fetter venceria por 9 pontos de diferença

Personagens de uma eleição (crônica eleitoral)

Luciano Farias Mega
Sociólogo
Mestre em Política Social


Analisando as eleições cheguei a alguns tipos que existem em todas. Sem essas pessoas, tudo seria bem diferente. São eles:

Líder
É aquele que, quando fala (na verdade, discursa) a platéia de apoiadores vem abaixo. Existem vários tipos de líderes, há os carismáticos; há os que lideram pela paixão dos liderados e há os que o fazem através do medo dos liderados. Parece-me que temos os três tipos por aqui. Analise e verá!

Militante
Faz da sua vida uma eterna disputa política. Ele não aparece só em campanha, participa o tempo todo. Não some quando seu partido perde eleição e raramente troca de partido. O militante é de um partido e sabe por que é. E mesmo que seu líder mude de partido, ele só o fará se for convencido por argumentos ideológicos, nunca fisiológicos. Se for assim este não é militante e sim puxa-saco.

Papagaio de pirata
Quer notoriedade. Posta-se ao lado do candidato ou líder. Sua determinação em se mostrar “importante” impressiona. Há quem diga que sofre de baixa auto-estima. Muito encontrado em palanque.


Puxa-saco
Este é incrível. Seu objetivo é apenas se “colocar”, anda atrás de uma “boquinha”. Está sempre pronto a defender seu líder com unhas e dentes, mas não deixará de mudar de líder ao ser derrotado.

Profissional
Atua em várias áreas. Pode executar diversas funções e pode vir a trabalhar para adversários, logicamente não na mesma eleição. Geralmente são pessoas que tem bom conhecimento teórico a respeito de política e o aliam à sua experiência de vida.

Simpatizante
Pode ser conhecido, parente ou amigo do candidato. Alguém que tem com o partido a mesma relação do torcedor de futebol. Ou seja, não decide os rumos da sigla, mas torce para que ganhe.

Neutro
Este tem medo, às vezes justificado, de revelar sua verdadeira posição. Não “se abrirá” tão facilmente. Até mesmo os institutos de pesquisas terão dificuldades em coletar sua opinião.

Analfabeto político
Este é tão triste que, para defini-lo, busco a ajuda de Berthold Brescht: “O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político estufa o peito para dizer que odeia política. Não sabe que, da sua ignorância, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos: o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

* Enquanto você pensa em quem vai votar, divirta-se associando as pessoas que conhece a cada categoria. E, para ser justo, faça o mesmo com você. Aí saberemos quais papéis são desempenhados em uma eleição.

Pelotas e o amanhã...

Pelotas, ao fundo, possui 350 mil habitantes. Dois terços deles vão escolher um novo prefeito domingo. É importante, mas não é tudo.

Igualmente importantes serão as escolhas que faremos no dia-a-dia. Afinal, o poder é público não porque é do Estado, mas porque é de todos. Ou seja, requer a nossa participação.

Pelotas, e a Metade Sul do estado, têm pressa de encontrar caminhos melhores. Seremos capazes de redesenhar o nosso destino?

Clique aqui. E ligue o som!!!
E curta música olhando para o cartão-postal acima.

Blog do Noblat recomenda blog Amigos de Pelotas

O blog Amigos de Pelotas virou notícia no Blog do Noblat - principal blog de política do Brasil, e um dos mais importantes da América Latina. A referência ao blog Amigos de Pelotas saiu na seção VALE A PENA ACESSAR desta sexta-feira. Confira.

Um dos mais renomados jornalistas do país, Ricardo Noblat foi editor-chefe do Correio Braziliense, onde trabalhei como repórter e editor nos anos 90.

Dono de uma carreira sólida e respeitada, Noblat foi um dos pioneiros dos blogs no Brasil. O blog dele está hospedado no portal do jornal O Globo. O jornalista vive e trabalha em Brasília.

Tempero da vida: Raviolli alla puttaneska











Luiz Minduim
Crônica Gastro-
nômico


Não sei bem... mas estou com uma espécie de ressaca cívica prévia - deve ser algo que não bebi e que vou ter de engolir no domingo. Com olheiras mentais e gosto de corrimão de repartição pública na boca, declaro aberta a temporada de caça ao voto obrigatório, aos partidos inexpressivos e a politicagem explicita. Tenham dó!

Para levantar o astral e desanuviar os horizontes, escolhi esta receita forte e colorida, sem intenção de metáforas e dubiedades. Lembrei da juventude em São Paulo, quando íamos na Cantina do Piero, autêntica comida da Itália. Sempre que aparecíamos lá com um nova amiga, o dono bradava com seu sotaque carcamano: "Hoje só tem espaguetti alla PUTA... nesca." Um quadro!

A tradição é o preparo com penne, mas acredito que os raviólis vão se sentir bem com este molho contundente. Escrevi ao som de jazz instrumental, saxofone, piano, baixo e aquela batera com vassourinha, que vai dissolvendo os grumos da alma...

Anote para não ter de ficar indo da cozinha para o computador, meio quilo de raviólis ricota ou carne, meia xícara azeite de oliva, dez filés de anchova picados, três dentes de alho em fatias finas, duas latas de tomates pelados com suco grosseiramente picados, sal, uma pitada generosa de orégano seco, um punhado de alcaparras demolhadas, dez azeitonas pretas. Coloque o azeite e a anchova numa frigideira grande sobre fogo baixo e cozinhe, mexendo com uma colher de pau, até as anchovas se desmancharem.

Adicione o alho e cozinhe por 15 segundos, tomando cuidado para que não escureça. Aumente o fogo para médio e adicione os tomates com uma pitadinha de sal. Durante o cozimento, uma colherinha de açúcar minimiza a acidez. Quando o molho começar a ferver, abaixe o fogo e cozinhe até os tomates terem se reduzido e se separado do óleo, entre 20 a 40 minutos. Retire do fogo.

Ponha 4 litros de água em panela grande, adicione uma colher (sopa) de sal grosso; quando levantar a fervura, coloque os raviólis. Mexa de quando em vez com cautela.

Quando a massa estiver quase no ponto, volte o molho ao fogo médio e adicione o orégano, alcaparras e as azeitonas. Com massa pronta, escorra (nada de passar em água fria!) e junte ao molho em fogo baixo, adicionando mais azeite. Deixe os sabores e texturas se amalgamarem e passe para uma travessa.
coloque o parmesão ralado, só no prato. Brindes com o tinto Ovelha Negra, daqui da campanha.

Luiz "Minduim" Vasconcellos é paulista de origem e gaúcho por opção. Artista gráfico, professor e aprendiz de mestre-cuca. Conhecedor de jazz, rock, blues, Minduim é expert em comida bem temperada, cerveja gelada e um craque no desenho. Minduim gosta também de dar aulas e de conversa de botequim. Todas as sextas-feiras, ele oferece aos leitores pratos que reúnem ingredientes destinados aos sentidos e à alma.

Homem que panfletava contra Fetter sofreu isquemia cerebral

Ari Machado preso ontem em flagrante por distribuir palnfletos com denúncias sem provas contra o candidato Fetter Jr., teve uma isquemia cerebral enquanto se preparava para depor na Polícia Federal. A informação foi confirmada pelo Pronto Socorro de Pelotas há pouco. Ele se encontra internado na emergência do PSP, em recuperação.

Ari é ex-presidente do PSB, foi diretor da Rodoviária na gestão de Fernando Marroni (PT) como prefeito e é membro do Partido Socialista Brasileiro (PSB), que está coligado com o PT em torno da candidatuta de Marroni neste pleito.

Conversei há pouco com o filho de Ari, no pronto-socorro. Jacks Machado me disse que o pai está bem. A isquemia foi leve e deve ser liberado ainda na manhã de hoje. Jacks veio de Porto Alegre ver o pai, e estava acompanhado de um irmão e da mãe. "Para nós, o mais importante agora é a saúde do nosso pai". disse. Jacks falou que estiveram no PSP, procurando saber notícias de Ari, apenas colegas do PSB. O velho militante de 70 anos não foi procurado pessoalmente por integrantes principais da campanha da Frente Popular nem do PT, partido que capitaneia a coligação.

Segundo Jacks, a prisão do pai foi "relaxada" pela Polícia Federal. "Quando ele passou mal, a polícia entendeu que poderia prestar depoimento depois que se recuperasse. Ainda não sei em quais circunstâncias meu pai se viu envolvido nessa situação, portanto não sei falar do que houve", disse o filho do socialista.

Na saída do PSP, há pouco,
deparei com a cena abaixo: uma
kitinete a céu aberto


video

A Chica Mineira é um “trem bão”

Slow Food
Crítica gastronômica

Não é fisicamente impossível provar as 30 ofertas da Quinzena Gastronômica de Pelotas, mas manter o passo de dois restaurantes por dia e dispor de R$ 470 por pessoa, sem contar as bebidas, deve ser bastante difícil. Por isso é interessante o prêmio de duas entradas no show de encerramento para quem carimbar seu passaporte da Quinzena com 5 estrelas: é um desafio e um estímulo multisensorial.

Ontem fomos degustar o prato mais barato da Quinzena, do restaurante Trem Bão, que antes era à la carte, mas agora oferece somente buffet de almoço, todos os dias do ano. Mesmo tendo chegado 15 min antes das 11h30, fomos regiamente atendidos e o pedido veio em cerca de 12 minutos.

A Chica Mineira é uma pamonha de panela, aberta, contida em duas folhas de couve, com quatro costelinhas de porco e acompanhamento de arroz branco. É uma criação da casa para a 5ª Quinzena, e se encontrará depois incluída no buffet de balança. Duas pessoas comem bem neste prato de apresentação rústica e natural, pagando R$ 16 por tudo, inclusive uma pequena sobremesa e cafezinho. Para beber sugerimos: um suco puro de laranja na breve espera, e uma long neck para o prato quente.

A costela é macia e saborosa, com bem mais carne que osso, mas muita gordura, como é o esperável neste caso. A pamonha cremosa contém temperos em medida justa – tomate picado, salsa, lingüicinha moída e mozzarella derretida – e o sabor deste conjunto é tão firme e autônomo que praticamente se faz dispensável todo o resto. É a suavidade deste creme de milho que pede algum ingrediente mais encorpado, não necessariamente tão lipídico como a carne de porco. O arroz, finalmente, é bem no gosto brasileiro – totalmente solto, não muito macio e sem tempero algum – feito por quem não gosta de arroz, como um adorno visual.

No Trem Bão (em idioma mineiro, “coisa gostosa”) se ouve música brasileira, o ambiente caseiro que recorda ambientes rurais é muito acolhedor e pacífico, quase silencioso, e o atendimento humano é rápido e extremamente gentil. As opções do buffet estão distribuídas com estética, cuidando distâncias, tamanhos, variedades, quantidades e até as cores das comidas.

Como desta vez somente avaliamos a oferta da Quinzena, fica o desejo de voltar para conferir o feijão tropeiro, o jiló, batata-doce e outras delícias daqui e de Minas.
O prato especial Chica Mineira é um prazer nota nove.
General Osório 461, tel. 3272.2446.

23.10.08

Últimas notícias de campanha (crônica eleitoral)

Sérgio Estanislau
Cronista

Os advogados da coligação XXXX acabaram de ajuizar uma ação na Justiça Eleitoral da cidade de YYYYY: pretendem que as pesquisas de opinião realizadas a pedido dos vários órgãos de imprensa sejam divulgadas... mas só na próxima segunda-feira.

Em outro pedido, requereram que não fossem divulgadas informações caluniosas sobre um candidato. Pediram apreensão de panfleto que diz que seu candidato é casado, tem filhos (com sua esposa!) e nunca empregou nenhum parente em Cargo em Comissão. Como se sabe, isso poderia cair muito mal entre a população, como se viu na recente eleição para a Câmara de Vereadores e Universidade Federal de uma cidade do interior gaúcho, em que todos nepotistas foram reeleitos. Afinal, se político não cuida da própria família, que dirá da população!

A Justiça Eleitoral está definitivamente tendo muito trabalho nesta eleição: outro candidato tentou proibir um vereador eleito e outros candidatos derrotados de declararem seu apoio ao próprio candidato. É que certos apoios pegam mal... muito mal mesmo, e poderiam fazer o requerente perder seus cobiçados votos.

Por sinal, a promessa de campanha mais bizarra foi a daquele candidato que afirmou que se fosse eleito nunca deixaria sua esposa, nem seu filho, nem sua filha serem candidatos a nada. A população acreditou, e claro que ele foi eleito já no primeiro turno, com votação avassaladora...

É por isso que aquela candidata que perguntou se o seu oponente era casado e se tinha filhos, pode se dar tão mal. Se os eleitores perceberem que não vai ter mais ninguém da mesma família pedindo votos nas próximas eleições, aí é que vão votar nele mesmo!!!

Ex-presidente do PSB preso por divulgar folhetos apócrifos contra Fetter passa mal e se recupera no pronto-socorro, detido pela Polícia Federal

O ex-presidente do PSB, Ari Machado, preso hoje em flagrante pela polícia, por estar distribuindo folheto apócrifo com acusações sem provas contra o candidato Fetter Jr., está internado no Pronto Socorro de Pelotas. Antes de prestar depoimento, ele passou mal na Polícia Federal e precisou de socorro de emergência de uma equipe do Samu. O depoimento será tomado quando Ari tiver alta.

Da PF ele foi levado de ambulância, conectado ao oxigênio, até o pronto-socorro. A suspeita é de que ele tenha sofrido um Acidente Vascular Cerebral (AVC), quando há rompimento de uma artéria. Mas os médicos não confirmam esta informação.

No pronto-socorro, onde Ari Machado encontra-se em recuperação, ele é acompanhado por policiais federais, pois está oficialmente preso em flagrante. Para ganhar a liberdade provisória, ele precisará do posicionamento favorável de um juiz.

Diário de bordo 4 (médico gaúcho navega no Pará)

Até a primeira semana de novembro publicaremos relatos de viagem do médico Paulo Kelbert, morador de Pelotas. Paulo envia textos e fotos de um barco do Ministério da Previdência Social que navega pelo Pará. Dentro da embarcação, médicos e outros profissionais de vários pontos do País atendem populações ribeirinhas que necessitam ser periciadas para obtenção de auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez

Kelbert, à dir., e colegas médicos: dedicação ao Brasil profundo

Paulo Kelbert

Médico perito do INSS e psiquiatra

Fim de tarde, um por-do-sol estranho, eu sou o estranho! Minha sala fica a estibordo. Saio do consultório refriferado e sou engolido pelo calor. Navio atracado com a proa para o sul.

Caminho pelo pequeno corredor entre a parede e o guarda mancebo até a porta-ló, em direção ao tombadilho. Respiro a brisa quente, em meio a ruídos de vários motores partindo do pequeno porto para os "furos" de rio. Embarcações pequenas desafiam as leis da física e da sustentação de uma casca de noz na água, e ganham canais menores que levam até os sítios.

O barco que trouxe crianças à escola hoje de manhã, retorna com elas. O desejo de estudar atravessa rios, igarapés, lagoas, mas a precariedade da embarcação assusta. Feliz cumplicidade de pais e filhos no caminho da liberdade através do estudo. Nesta imensidão de águas, o dia é tudo e a noite, sem luz elétrica, oferece poucas alternativas.

Às vezes o celular pega. É carregado por captador de energia solar que alimenta esta notável conquista da tecnologia. Qualquer pescador ou criança carrega o seu.

A operadora de meu aparelho não tem sinal por aqui. Estou valendo menos que eles. Resta-me apenas o orelhão, que só consigo falar "a cobrar", pois o cartão telefônico é recusado. De certo modo, o progresso chega aos poucos, e as comunicações têm donos e dividem o espaço do acesso em capitanias. Para falar daqui tem de entrar no clube digital do dono da vontade local. O Norte é interessante. Será que o Brasil é bem-vindo neste lugar?

Equipe do PrevBarco
Francisco do Vale, 57 anos, Administrador e responsável pelo Prevbarco Pará I do INSS. É Agente Administrativo, 32 anos no INSS, lotado em Belém.
Luzimar Silva Reis, 32 anos, Bacharelando em Ciências Contábeis, 2 anos no INSS, Palmas - Tocantins.
Roberto Wagner Simão Ierck, 47 anos, Bacharel em Meteorologia, Analista Previdenciário, trabalha na Agência da Previdência Social em São Roque-SP.
Maria Nazaré Ferreira Lola, 38 anos, Bacharel em Ciências Econômicas, Técnica Previdenciária, 17 anos no INSS em Belém.
Lucimar Maria da Silveira, 44 anos, Bacharel em Administração, 13 anos no INSS, Palmas – Tocantins.
Paulo Kelbert, 59 anos, Médico, 30 anos no INSS - Pelotas - RS

Leia mais
- Diário de bordo 1
- Diário de bordo 2
- Diário de bordo 3

Dona de casa reage à baixaria eleitoral em Pelotas

Tradicionalmente, a reta final da campanha eleitoral em Pelotas reserva baixarias. Hoje, depois da prisão de um militante do PSB, que distribuía panfletos apócrifos atacando o candidato da situação, uma dona de casa local, moradora de um edifício em cima do Café Aquários, no centro, não suportou. Teve uma crise nunca antes vista. Dona Cândida foi para a janela e soltou um urro tão poderoso que provocou o infarto em dois idosos que frequentam o café. A notícia acima é falsa, mas pelo menos a gente avisa.

RS ganha associação de olivicultores

O RS ganhou outra entidade. Chama-se Associação Riograndense de Olivicultores, a Argos. O presidente é Guajará Oliveira. Por enquant, o RS possui apenas 200 hectares plantados em 13 municípios.
O Brasil importa 100% do azeite de oliva e da azeitona de mesa.
A movimentação ao longo de toda a cadeia produtiva é de R$ 1 bilhão por ano.

Polícia prende ex-presidente do PSB distribuindo panfletos apócrifos contra Fetter Jr.

Ari Machado, no momento em que foi detido

A Brigada Militar de Pelotas prendeu em flagrante, há poucos minutos, o ex-presidente do PSB de Pelotas, Ari Machado. No momento da prisão, Ari distribuía panfletos apócrifos com denúncias contra o candidato Fetter Jr. (PP). Ao ser abordado pelos policiais, ele não reagiu à prisão.

Ari dirigiu a Rodoviária na gestão do candidato Fernando Marroni (PT), adversário de Fetter no segundo turno.

Detido em frente das Lojas Renner, no calçadão, no centro da cidade, com cerca de 100 panfletos nas mãos, ele foi levado em um carro da polícia para fazer exame de corpo delito e, daqui a pouco, será ouvido na delegacia especializada de polícia civil. Depois de interrogado, ele será solto. A imprensa aguarda por ele na delegacia.

O PSB está coligado com o PT em torno do candidato Marroni (PT). O vice de Marroni é Otávio Soares (PSB).

Pelotas amanheceu hoje inundada por panfletos apócrifos com acusações sem provas contra o candidato Fetter Jr. Mobilizada pela Justiça Eleitoral, a polícia afetuou até o momento a prisão de Machado. Mas acredita que o panfleto esteja sendo distribuído em vários outros pontos da cidade, sobretudo nos bairros.

O panfleto
Segundo a assessoria jurídica de Fetter Jr., o panfleto é uma montagem de suposta notícia publicada no dia 24 de agosto no jornal semanal "Tribuna Centro-Sul",
de Camaquã. A notícia montada no panfleto, segundo declaração do
diretor do jornal, jornalista Luiz Renato Barboza, é uma farsa. "O jornal nunca publicou matéria sobre o assunto e tampouco circulou no dia 24 de agosto", diz Barboza.

O Ministério Público de Pelotas informa em nota que nada consta no MP contra a administração Fetter Júnior. As certidões, afirmando que nada consta ou constou contra Fetter Júnior, no que se refere a possíveis irregularidades na adminsitração de recursos do Banco Mundial, são assinadas pelos promotores de Justiça Jaime Chatkin
e Paulo Charqueiro.

Nota divulgada há pouco pela
coligação Pelotas em Boas Mãos
(candidato Fetter Jr).
"Nesse dia 23 de outubro Pelotas testemunhou um dos dias mais vergonhosos de sua história política. Na calada da noite, milhares de panfletos apócrifos foram jogados pelas ruas da cidade, numa tentativa desesperada e inútil de tentar enganar a população.

Trata-se de uma montagem grosseira, ridícula e mentirosa, utilizando-se criminosamente de uma pretensa notícia publicada no dia 24 de agosto no jornal semanal "Tribuna Centro-Sul", de Camaquã. Na tarde desta quinta-feira, a polícia prendeu o ex-presidente do PSB local, Ari Machado, distribuindo panfleto no Calçadão. A autoria do crime eleitoral agora já é conhecida e revela a verdadeira face do adversário de Fetter.

Os autores deste triste e lamentável episódio, que deixou Pelotas indignada, envolveram – de forma covarde e criminosa - o Ministério Público, o Tribunal de Justiça, o nome do candidato da Coligação Pelotas em Boas Mãos e um pequeno jornal de Camaquã. Tudo para tentar reverter a tendência de esmagadora vitória de Fetter na eleição de domingo!

A montagem da falsa denúncia foi desmontada durante essa quinta-feira, pelo proprietário do jornal "Tribuna Centro-Sul", jornalista Luiz Renato Barbosa. "O nome o jornal foi usado indevidamente numa falsa montagem com claros fins políticos: Não tivemos edição do jornal no dia 24 de agosto (dia da suposta notícia). O jornal circulou nos dias 22 e 29 de agosto e nunca publicamos nenhuma notícia sobre tal assunto. Fomos usados nessa armação política e vamos atrás dos culpados e acioná-los na forma da lei".

A farsa já foi desmascarada. No entanto, a melhor e mais contundente resposta a essa vergonhosa e lamentável armação política será dada nas urnas pela população"
.

Coligação Pelotas em Boas Mãos
(PP-PTB-PPS-PR-PRB)

Há três anos, um plebiscito
























Em 23 de Outubro de 2005, em referendo nacional, os brasileiros disseram NÃO à questão:
"O comércio de armas de fogo e munição
deve ser proibido no Brasil?
"
Com abstenção de 22%, o resultado final da consulta popular foi de 64% para o Não e de 36 % para o SIM. Os defensores do NÃO apresentavam, como um dos argumentos, "que os assaltantes se sentiriam mais 'à vontade' sabendo que a população está desarmada".

Fogaça na frente, indica pesquisa

Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (23), para prefeito de Porto Alegre:

José Fogaça (PMDB) - 58%
Maria do Rosário (PT) - 42%

Bate-boca em audiência sobre fraudes na LIC

Hoje de manhã, em audiência pública na Assembléia Legislativa, a Secretária de Estado da Cultura (Sedac), Mônica Leal, e a presidente do Conselho Estadual da Cultura, Mariângela Grando, trocaram acusações enquanto falavam sobre denúncias de fraude envolvendo o Conselho Estadual da Cultura e projetos financiados com recursos da Lei Estadual de Incentivo à Cultura (LIC).

Estavam presentes lideranças de setores culturais, deputados e de representantes da Controladoria e Auditoria-Geral do Estado (Cage), do Ministério Público e do Tribunal de Contas do Estado.

A audiência busca soluções para impedir a ocorrência de novas fraudes. A discussão continuará na próxima terça-feira, quando a AL deve votar a criação de uma comissão de representação externa, para recolher novas idéias para sanar a crise na cultura.

A denúncia
Mariângela Grando se viu envolvida, no início de sertembro, em denúncias de fraude na Lei de Incentivo à Cultura (LIC). O Ministério Público acredita que o governo gaúcho tenha sido lesado em R$ 4 milhões com os abatimentos de 75% do ICMS a projetos culturais não-avaliados ou aprovados com orçamento menor.

Entenda o caso
Por meio da LIC, empresas podem descontar do ICMS do estado até 75% do valor investido no projeto cultural. O projeto deve ser enviado por produtor cultural (pessoa física ou empresa) à Secretaria Estadual da Cultura, que avalia se a proposta está tecnicamente correta.
O projeto segue então ao Conselho Estadual de Cultura, órgão autônomo e independente, que emite parecer sobre a concessão do incentivo. Uma vez aprovado o projeto, o produtor pode captar recursos de empresas, mas deve prestar contas da aplicação do dinheiro arrecadado.
As produtoras são suspeitas de: 1) Deixar de submeter os projetos ao Conselho e, assim, ficar livre de prestar contas do dinheiro arrecadado; 2) Adulterar documentos de projetos aprovados pelo Conselho, para obter patrocínio maior que o autorizado. Os patrocinadores teriam colaborado de boa-fé, sem saber que as autorizações para captação dos recursos eram falsas ou adulteradas.


Orçamento da cultura é baixo

Deputados da oposição que estavam presentes à audiência pública, na AL, hoje, reclamaram da falta de investimento do governo na Cultura. No orçamento de 2009, está prevista uma verba de apenas R$ 130 mil.
Já outras secretarias terão mais dinheiro para investir. É o caso da Secretaria da Fazenda, que conta com R$ 18 milhões e a do Planejamento, que terá R$ 3,5 milhões.

Filmes para ver no bem-bom

Niara de Oliveira
Crítica de Cinema

Roma, Cidade Aberta
Em 1944 Roma está ocupada pelos nazistas e Giorgio Manfredi (Marcello Pagliero), um dos líderes da resistência, é procurado pela Gestapo. Acuado, Giorgio pede ajuda ao amigo Francesco, sua noiva Pina (Anna Magnani) e Dom Pietro Pellegrini (Aldo Fabrizi). Don Pietro o ajuda conseguir identidade nova para sair de Roma e um lugar para se esconder até a fuga. Mas a namorada de Giorgio o entrega aos nazistas. No momento de sua prisão, Pina, que está grávida, é baleada pelos alemães.
O filme mostra uma Roma nua, miserável e sórdida nesse que é considerado o marco inicial do neo-realismo italiano. A Itália corrompida pelo fascismo é apresentada pelas mãos de um cineasta que inicia uma nova fase, recém passado para o lado da resistência. O roteiro assinado por Sergio Amidei e Frederico Fellini é baseado na história real de Dom Luigi Morosini.
Contando com parcos recursos (a maioria dos estúdios foram destruídos durante a guerra), Roberto Rosselini rodou o filme logo após a desocupação de Roma e teve de fazer diversas cenas externas, com atores amadores em locações reais e com um preciosismo único para a época, usando inclusive cenas reais da Segunda Guerra Mundial. Em uma entrevista aos Cahiers du Cinéma, Rosseline declarou que se “as coisas estão aí, por que manipulá-las?” Um show de roteiro com uma fotografia impecável em preto e branco. Verdadeira aula de cinema, de como se criar algo grandioso com um baixo orçamento e muita originalidade. Chocante e devastador, um dos melhores retratos desse período.
Roma, Cidade Aberta ganhou o Grande Prêmio, no Festival de Cannes e foi indicado ao Oscar de Melhor Roteiro. É o primeiro filme da chamada Trilogia da Guerra, de Rossellini. Os demais são Paisà (1946) e Alemanha, Ano Zero (1947). Estou comentando apenas o primeiro, o meu preferido, mas indico todos.
Imperdíveis. Drama, 98 min.

Elsa & Fred
Elsa (China Zorrilla) é uma argentina de 82 anos, mãe de dois filhos, que vive sozinha num pequeno apartamento de Madrid. É alegre e otimista e nutre o sonho de poder um dia entrar na Fontana di Trevi, em Roma, como Anita Ekberg no filme "La Dolce Vita" (Frederico Fellini), ao lado de seu Marcello Mastroianni.
Fred (Manuel Alexandre) é um viúvo abastado, cuja mulher faleceu há cerca de sete meses. Sua filha casada, Cuca, o instala num apartamento vizinho ao de Elsa, onde ele convive com a tristeza e a solidão, suas únicas companhias. Um pequeno incidente entre a filha de Fred e Elsa, faz com que esta se aproveite para tentar uma maior aproximação com ele. Assim, aos poucos, eles vão se aproximando e vivendo novas experiências. Ele redescobrindo o prazer de viver, ela aproveitando o pouco tempo que tem de vida.
Uma refinada comédia dramática, irresistível e muito sensível. Realizado pelo cineasta argentino Marcos Carnevale, que também participou da elaboração do roteiro, o filme fala de ternura, solidariedade, compreensão, otimismo e paixão na terceira idade. Adorável! Comédia/Drama, 108 min.

Conduta de Risco
Michael Clayton (George Clooney) trabalha numa das maiores firmas de advocacia de Nova York, e sua função é limpar os nomes e os erros de seus clientes. Como ele já trabalhou como promotor de justiça e vem de uma família de policiais, Clayton é o responsável por realizar o serviço sujo da firma, que tem Marty Bach (Sydney Pollack) como um de seus fundadores. Apesar de estar cansado e infeliz com o trabalho, Clayton não tem como deixar o emprego, já que o vício no jogo, seu divórcio e o fracasso em um negócio arriscado o deixaram repleto de dívidas. Quando Arthur Evans (Tom Wilkinson), o principal advogado da empresa, sofre um colapso e tenta sabotar todos os casos de um cliente, Clayton é enviado para solucionar o problema. É quando ele percebe a pessoa em que se tornou.
É a estréia do diretor Tony Gilroy, que teve a idéia para Conduta de Risco enquanto visitava firmas de advocacia para escrever o roteiro de Advogado do Diabo (1997). Recebeu sete indicações ao Oscar, incluindo nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Ator (George Clooney), além de concorrer a quatro Globos de Ouro e cinco BAFTA. O roteiro é muito bem construído e prende a atenção do início ao fim. Muito bom. É considerada a melhor interpretação da carreira de George Clooney. Drama, 119 minutos




Niara de Oliveira é jornalista. Natural de Pelotas, formada em comunicação social há dez anos, é comunista e feminista, mas não é tola.