PrevBarco: menores
de idade grávidas
por necessidade

Paulo Kelbert
Médico Perito do INSS e Psiquiatra
Diante da falta de oportunidade na vida, jovens com 16 anos e 10 meses são candidatas à gestação. Comportamento perigoso, em busca de dinheiro. Para isso, aos 16 anos, elas ingressam numa atividade econômica, lavoura ou pesca neste lugar. Isto, somado a título eleitoral e filiação a sindicato, dá direito a Segurado Especial.
Engravidar com o objetivo de obter salário-maternidade, pago pela Previdência Social durante quatro meses, se tornou uma "epidemia" por aqui. Uma rápida amostra em um dia de trabalho: de 50 requerimentos, 48 tinham esta finalidade. A sala de espera do Prevbarco está inundada de jovens com filhos no colo, amamentando, algumas novamente grávidas, esperando o próximo filho, pensando no lucro.
Valor do benefício: R$ 1.660. As oportunidades de trabalho, raras neste e em outros lugares, não produzem valor tão alto em ganho. Daí uma explosão demográfica que os programas de assistência não terão controle. Mas os filhos seguem sendo criados em situação precária, a mortalidade infantil é expressiva, a assistência médica não dá conta de tanta doença por desnutrição.
Fui conversar com algumas destas jovens mães, menores de idade, com pelo menos dois filhos. A necessidade imediata de dinheiro criou um costume. Se requerido no INSS, o benefício no ano seguinte ao parto vem em valor único. Todas sabem disso, e a fila cada dia fica maior. Os filhos, porém, pouco usufruem do dinheiro do governo, que serve à vaidade: comprar um barco, motor novo, TV, celular etc. Indaguei sobre educação sexual, paternidade responsável, diálogo doméstico sobre cuidados pessoais, comportamento de risco. As respostas revelam custos sociais e geração de situações que os governantes precisam enfrentar.Outro dano social grave é o abandono do lar. Homens maduros desprezam as mulheres. Abandonam o lar, somem com uma mulher mais jovem no primeiro barco, e deixam os filhos ao Deus dará. É uma tragédia diária, que resulta em miséria e seus males. A passividade é uma marca registrada. Violência doméstica, alcoolismo, prostituição de jovens, impotência dos pais em prover sustento da família, empurram filhos a destinos trágicos. Este é um lado triste que se situa atrás da bela paisagem do norte...
A Lei de Malthus é clara.
Quem persiste na cegueira?
Educação eficaz é uma saída.
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