Quinta-feira, Janeiro 08, 2009

Brod explica como será o "novo Cefet"

Reitor do Instituto Federal, Antônio Carlos Brod,
nomeado hoje pelo governo federal: confiança no futuro

Rubens Filho
Editor do blog

O reitor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (antigo Cefet), Antônio Carlos Brod, disse hoje que a transformação do Cefet em Instituto vai fortalecer ainda mais a instituição, primeira do gênero do Rio Grande do Sul. Criada há 65 anos, a antiga escola técnica continua a ser o maior educandário profissional e tecnológico do RS.

Brod fez a afirmação acima durante coletiva à imprensa nesta manhã, convocada com o objetivo de eliminar dúvidas veiculadas na imprensa de que a instituição, com a nova figura jurídica, perderia sua posição de referência no ensino técnico profissionalizante médio e de formação superior ou mesmo “acabar”, vindo a ser privatizada.

“A veiculação de notícias e opiniões irreais gerou celeuma e apreensão sem motivo entre o corpo funcional quanto ao futuro da instituição. Na verdade, como Instituto, além de manter o orçamento compatível com nossa base instalada (sete unidades no estado), nós teremos condições de ampliar e melhorar ainda mais a oferta de ensino”, afirmou o reitor.


Escola terá novo
modelo pedagógico

A transformação de Cefet em Instituto não é mera mudança de nomenclatura. Ela prevê a reformulação da infra-estrutura e adoção de um novo modelo pedagógico, com vistas a cumprir os objetivos do governo de ampliar a oferta de vagas das atuais 215 mil para meio milhão até 2010 e dos 168 campi para 311. Metade das vagas será destinada ao ensino médio e técnico-profissionalizante. A outra metade será oferecida para formação em nível superior.

Além disso, o governo pretende ampliar e diversificar a oferta de oportunidades de profissionalização e melhorar ainda mais a qualidade do ensino.

No novo desenho estrutural, os Institutos Federais vão oferecer ao cidadão a possibilidade de cursar isoladamente o ensino médio ou de combiná-lo, ao mesmo tempo, com a formação em nível superior, acelerando a formação dos estudantes e a sua mais rápida inserção no mercado de trabalho, possibilidade esta que não existia.

Com isso, o governo trabalha para dotar melhor o mercado, carente de profissionais em áreas importantes, como engenharias, matemática, biologia, física e química, em nível de bacharelado tecnológico e cursos de licenciatura e de pós-graduação (especialização, mestrado e doutorado).

“O novo modelo possibilitará aos Institutos promoverem a verticalização da educação básica à educação profissional e à educação superior, propiciando, internamente, a otimização da estrutura física e a ampliação dos quadros de pessoal e dos recursos orçamentários para a gestão”, explicou Brod. O reitor esclareceu ainda que os Institutos terão condições de se consolidarem como centros de excelência inclusive no campo científico e estimularem a pesquisa aplicada, a extensão, a produção cultural e o empreendedorismo, com vistas a qualificar a mão-de-obra e oferecer soluções no sentido do desenvolvimento econômico e social.

Instituto é o maior
do RS, com 6.500 alunos

A lei (11.892) que transformou os Cefet em Institutos, e redefiniu suas metas, foi sancionada pelo presidente Lula em 29 de dezembro passado. O Brasil passa agora a ter 38 Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (não mais Cefet) em 26 estados do país e no Distrito Federal.

O Instituto dirigido por Brod possui hoje, em suas unidades, 6.500 alunos, 369 professores, e 297 técnicos administrativos. Dentre eles, 138 possuem especialização, 144, mestrado e 44 doutores. Os sete campi do Instituto ficam em Pelotas, Sapucaia do Sul, Charqueadas, Passo Fundo, Camaquã, Bagé e Venâncio Aires.

O estado gaúcho possui outros dois Institutos Federais: o IF Rio Grande do Sul, com reitoria em Bento Gonçalves, e o IF Farroupilha, com reitoria em Santa Maria. Os três são independentes entre si e possuem autonomia administrativa, patrimonial, financeira, didático-pedagógica e disciplinar.

Embora o Instituto comandado por Brod seja o primeiro e o maior do RS, recebeu o título de Instituto Federal Sul-Rio-Grandense (e não de Instituto Federal do Rio Grande do Sul), pois não possui sede em Porto Alegre - condição exigida em lei. Os outros dois IF, situados em Bento Gonçalves e Santa Maria, também não poderiam. Mas, por motivos políticos, aceitou-se que o IF de Bento Gonçalves recebesse o nome de Instituto Federal do Rio Grande do Sul, o que, em termos de marketing, pode vir a favorecer o IF daquela cidade, dando a impressão de que representa o IF de todo o estado, quando não é verdade.

“Nós chegamos a protestar contra isso, mas, no fim das contas, o que vale é o conteúdo do trabalho que desempenhamos em benefício da formação de profissionais da nossa região, que necessita, tanto quanto o Brasil, de maior volume e qualificação de seu principal patrimônio, a mão-de-obra capaz, diversificada e apta a suprir a demandas reais do mercado”, finalizou Brod.
Entrevista: Antônio Brod
A lei prevê novo modelo pedagógico. Como será isso?
A lei possibilita autonomia pedagógica aos Institutos; desta forma, cada um, seguindo o seu projeto político pedagógico, deverá adaptar as suas realidades às necessidades da região em que está inserido, discutindo seus modelos com os segmentos da comunidade discente, docentes e técnico-administrativa.

O Instituto vai dar maior ênfase a cursos e formação nas áreas de engenharias, matemática, biologia, física e química, em nível de bacharelado tecnológico e cursos de licenciatura e de pós-graduação (especialização, mestrado e doutorado). Além destas, que outras áreas mais serão priorizadas na nossa região e que estamos carentes?
Tais definições deverão ser oriundas do desenvolvimento de cada região. Assim sendo, tanto a adaptação dos cursos já existentes como a criação de novos cursos dependerão das demandas que o mercado indicar como necessários.

A lei prevê a otimização da estrutura física e a ampliação dos quadros de pessoal e dos recursos orçamentários para a gestão. O Instituto vai abrir concursos novos, receberá mais verbas?
A necessidade existe e será buscada, no entanto dependerá de autorização do Ministério de Planejamento, Orçamento e Gestão, para oferecimento de mais vagas, que deverão ser destinadas a concursos públicos.

O Sr. falou que haverá investimento maior no campo científico, no estímulo à pesquisa aplicada, a extensão, a produção cultural e o empreendedorismo. Pode explicar melhor? Exemplos...
As pesquisas estão diretamente ligadas aos cursos de pós-graduação, que se intensificarão no Instituto, gerando desenvolvimento de tecnologias aplicadas a situações práticas e a busca de financiamentos junto aos órgãos de fomentos serão mais facilitadas pelo novo formato da instituição.

3 comt.:

Anônimo disse...

Bacana!

Léo Soares disse...

Esta é uma instituição, das poucas, que nos dá esperança de que as coisas podem ser bem feitas aqui na terrinha. Ainda que haja dezenas de contra-exemplos...

Anônimo disse...

Parabéns!