8.1.09

Devedê legal: Esposamante


Niara de Oliveira
Crítica de Cinema

Numa pequena cidade ao norte da Itália, no ínicio do século XX, o mercador de vinhos Luigi (Marcello Mostroianni) e sua mulher Antonia (Laura Antonelli) assistem à lenta morte de seu casamento. Luigi parece viver apenas para seu negócio, viagens e amantes. E Antonia, frígida e de saúde frágil, encerra-se em casa ignorando as aventuras do marido. Aparentemente conservador Luigi é na verdade um anarquista, e ao ser desmascarado e acusado injustamente de assassinato, desaparece. É neste momento que Antonia desperta para a vida, passa a comandar os negócios da família, transformando-se em uma mulher mais segura, bonita e sensual. Ela refaz o roteiro de viagens de Luigi, conhecendo cada taberna e quarto de hotel por onde ele passou, provando todos os vinhos e assumindo também o caráter sexualmente livre do marido, colecionando amantes e aventuras.

Luigi, que está escondido na casa de um amigo em frente a sua, se torna um voyeur da esposa e assiste, mortificado, passo a passo a transformação e libertação da esposa.

O diretor Marco Vicário, conhecido por suas comédias eróticas e alguns filmes de aventura inexpressivos, conseguiu realizar o seu filme mais classudo, consagrando o erotismo, e ao mesmo tempo um dos filmes mais conceitualmente feminista – sem ser panfletário - que se tem notícia.

Mogliamante (título original) ou Wifemistress, 1977, ainda é cheio de pequenas surpresas e ternamente engraçado. Muito bem realizado como expressão de sentimentos e emoções suscetíveis de serem transmitidos de uma pessoa para outra, tem na música de Armando Trovaioli um elemento catalisador.

Esposamante oferece vários espelhos e significados que renderiam inúmeras teses sobre o comportamento humano. É tão cultuado quanto raro e primoroso. Belíssimo. Drama, 103 min.

6 comentários:

Niara de Oliveira disse...

No início do filme, o anarquista Luigi, tem uma fala espetacular. Ao saber que a mulher está envolvida com a igreja, ele diz: “deixa ela ficar, porque senão ela não agüenta a tragédia da vida”. Essa fala parece ecoar o resto do filme, para o personagem e para os espectadores, durante a transformação da esposa.

Parece um despropósito, mas infelizmente, até onde sei, Esposamante está fora de catálogo para devedê. Comentei o filme mesmo assim, porque acho que merece ser visto, e se não houver demanda, nunca entrará em catálogo.
As únicas cópias em devedê são particulares e copiados de VHS. Existem algumas cópias anunciados para venda pela internet, basta procurar por algum site de busca.
O Instituto Mário Alves (IMA) possui cópia do filme em seu acervo (VHS).
Assim que eu encontrar um site de onde o filme possa ser baixado, aviso.

Marisa disse...

Poxa Niara, eu estava bem feliz achando que finalmente tinha dvd deste filme. Recomendo-o para as pessoas que não tiveram o prazer como eu de assisti-lo há muito tempo atrás, é uma obra-prima, o Mastroianni está divino e o enredo é muito interessante, sem contar todos os atributos que falaste.

Anônimo disse...

Assisti a esse filme várias vezes, no início dos anos 80, em VHS. A videolocadora, já extinta, na rua Andrade Neves, perto hospital Miguel Piltcher, era denominada a 'locadora dos clássicos'. Com a chegada da pirataria no ramo de vídeos, os proprietários honestos sucumbiram à concorrência desleal.

Anônimo disse...

Incrível, tinha que ser na amada Pelotas para encontrar pessoas que se interessam como eu por bons filmes...

Esse é um daqueles filmes que eu gostaria de ter em casa para assistir novamente...

MariaFlor disse...

Adoraria rever esse filme!
Se descobrir onde encontrar por favor me avisa.

Um abraço
Maria Flor
florbela2@gotmail.com

Márcio Miranda disse...

Tenho o filme em VHS. Dublado, infelizmente. Gravei do SBT há uns 20 anos. Se eu puder ajudar de alguma forma....

Meu e-mail: mcmirandao@uol.com.br

Abraços.

Márcio Miranda