
Niara de Oliveira
Crítica de Cinema
Numa pequena cidade ao norte da Itália, no ínicio do século XX, o mercador de vinhos Luigi (Marcello Mostroianni) e sua mulher Antonia (Laura Antonelli) assistem à lenta morte de seu casamento. Luigi parece viver apenas para seu negócio, viagens e amantes. E Antonia, frígida e de saúde frágil, encerra-se em casa ignorando as aventuras do marido. Aparentemente conservador Luigi é na verdade um anarquista, e ao ser desmascarado e acusado injustamente de assassinato, desaparece. É neste momento que Antonia desperta para a vida, passa a comandar os negócios da família, transformando-se em uma mulher mais segura, bonita e sensual. Ela refaz o roteiro de viagens de Luigi, conhecendo cada taberna e quarto de hotel por onde ele passou, provando todos os vinhos e assumindo também o caráter sexualmente livre do marido, colecionando amantes e aventuras.
Luigi, que está escondido na casa de um amigo em frente a sua, se torna um voyeur da esposa e assiste, mortificado, passo a passo a transformação e libertação da esposa.
O diretor Marco Vicário, conhecido por suas comédias eróticas e alguns filmes de aventura inexpressivos, conseguiu realizar o seu filme mais classudo, consagrando o erotismo, e ao mesmo tempo um dos filmes mais conceitualmente feminista – sem ser panfletário - que se tem notícia.
Mogliamante (título original) ou Wifemistress, 1977, ainda é cheio de pequenas surpresas e ternamente engraçado. Muito bem realizado como expressão de sentimentos e emoções suscetíveis de serem transmitidos de uma pessoa para outra, tem na música de Armando Trovaioli um elemento catalisador.
Esposamante oferece vários espelhos e significados que renderiam inúmeras teses sobre o comportamento humano. É tão cultuado quanto raro e primoroso. Belíssimo. Drama, 103 min.


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3 comentários:
No início do filme, o anarquista Luigi, tem uma fala espetacular. Ao saber que a mulher está envolvida com a igreja, ele diz: “deixa ela ficar, porque senão ela não agüenta a tragédia da vida”. Essa fala parece ecoar o resto do filme, para o personagem e para os espectadores, durante a transformação da esposa.
Parece um despropósito, mas infelizmente, até onde sei, Esposamante está fora de catálogo para devedê. Comentei o filme mesmo assim, porque acho que merece ser visto, e se não houver demanda, nunca entrará em catálogo.
As únicas cópias em devedê são particulares e copiados de VHS. Existem algumas cópias anunciados para venda pela internet, basta procurar por algum site de busca.
O Instituto Mário Alves (IMA) possui cópia do filme em seu acervo (VHS).
Assim que eu encontrar um site de onde o filme possa ser baixado, aviso.
Poxa Niara, eu estava bem feliz achando que finalmente tinha dvd deste filme. Recomendo-o para as pessoas que não tiveram o prazer como eu de assisti-lo há muito tempo atrás, é uma obra-prima, o Mastroianni está divino e o enredo é muito interessante, sem contar todos os atributos que falaste.
Assisti a esse filme várias vezes, no início dos anos 80, em VHS. A videolocadora, já extinta, na rua Andrade Neves, perto hospital Miguel Piltcher, era denominada a 'locadora dos clássicos'. Com a chegada da pirataria no ramo de vídeos, os proprietários honestos sucumbiram à concorrência desleal.
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