Sábado, Janeiro 03, 2009

Sobre colunas e colunáveis

Leitor reclama que ironizamos “coluna social”, fato que atribui à “inveja”. Só a primeira “acusação” é verdadeira. Ironizamos. Mas não por mal. Por bem. Fazemos isso através da “pena” do colunista fictício Pelotino (imagem abaixo), personagem que ganhou a simpatia dos leitores. Foi uma forma bem-humorada que encontramos de criticar aquele costume pelotense.

Aparentemente, para algumas pessoas, sua aparição no jornal, segurando uma taça de champagne numa festa, é capaz de guindá-los a uma espécie de Olimpo. Contudo, há alguns pontos a considerar. O primeiro: quem é rico mesmo, e há alguns afortunados em Pelotas (donos de navios, e das boiadas a bordo, a caminho de outros países), não faz questão de aparecer em “coluna social”. Como diz o Tony Ramos, "muito pelo contrário".

A verdade é que Pelotas é uma das únicas cidades do mundo onde se faz “coluna social” do modo como é feita, e com aquele nome.


Pelotino (tomando chá) e
Zózimo Barroso do Amaral (de terno):
estilos radicalmente diferentes


Enquanto em São Paulo, Rio, Brasília, Porto Alegre aquela seção evoluiu para formas menos superficiais e mais meritórias, em Pelotas, há cem anos, obedece à mesma fórmula. O “colunista” elogia certo grupo de pessoas com subservientes adjetivos gastos. Todos esses "eleitos" são sempre “muito elegantes, chiques, charmosos, competentes, maravilhosos”.


Nenhum artifício, entretanto, é capaz de maquiar o fato de que a “coluna social” pelotense é um primor de provincianismo e, por paradoxal, de deselegância. Afinal, uma de suas características é o fato de reduzir o valor dos “homenageados”, ao transformá-los em acessórios de informações comerciais, como menções à decoração, às roupas dos convivas, ao serviço do buffet, com nome e telefone de lojistas e de profissionais liberais.

Enquanto paparica algum “homenageado”, o colunista acrescenta ao lado da foto deste a indicação de um dentista para clareamento dental... Por coisas assim, eu diria que os próprios "colunáveis" não merecem as "colunas sociais" atuais, pois elas mais ridicularizam do que verdadeiramente valorizam as pessoas.

Leitores são seres sensíveis. Eles percebem os “sinais”, inclusive a deselegância-mãe: a profusão de elogios. Isto mesmo, uma vez que, de tão ostensiva e frequente, a bajulação comunica o efeito inverso do pretendido - sublinha a “inexpressividade do colunável”, mesmo que este tenha valor pessoal e mereça ter seu nome e sua foto divulgados por algum fato meritório.

Assim como “cultura” lembra geléia (quanto menos se tem da primeira, mais se a espalha como a segunda), quanto menos alguém é “importante”, mais adjetivos elogiosos são necessários.
De quantos adjetivos carece um João Simões Lopes Neto para provar sua importância, que a própria abreviatura de seu nome não baste?
Até o mundo mineral sabe que não se deve levar a sério "coluna social", como a conhecemos. Os próprios “colunáveis”, em geral citados por feitos supérfluos, como uma viagem a Paris, sabem disso, pelo menos aqueles que ainda não ocuparam assento no ônibus chamado Maionese.

Considerando que a maioria dessas pessoas tem a cabeça no lugar, é o caso de se perguntar por que então fazem tanta questão de aparecer, muitas vezes “pagando” por isso?

É de se perguntar também o que faz com que anunciantes achem que a "coluna social" pelotense de hoje em dia tem credibilidade a ponto de atrair clientes?

Já passou da hora dessas seções serem reformuladas. Não precisam ser extintas, mas modernizadas. Se a exploração da vaidade ajuda a vender jornal, a atrair anunciantes e a "aquecer" a economia, que seja. Vale lembrar, porém, que existem infinitas formas mais inteligentes e respeitosas de “iluminar as pessoas e vender produtos”.

Com perdão do trocadilho, creio que os próprios "colunáveis" apreciariam aparecer melhor na foto - valorizados não por trivialidades (mas por feitos de real valor empresarial, profissional, social, político, econômico), por meio de textos e de edições de maior categoria do que atualmente se oferece aos leitores da cidade.
Zózimo, o colunista "social" que fazia valer o "título": no Natal, ele distribuía aos colegas da redação os presentes
que ganhava dos "colunáveis" ao longo do ano.
Não se tem notícia de cena igual em Pelotas
Filho de banqueiro, Zózimo Barrozo do Amaral revolucionou as colunas sociais. Com estilo mordaz e bem-humorado, não se limitava a escrever sobre a alta sociedade.

Suas notas, que publicou de 1969 a 1993 no Jornal do Brasil, abordavam temas econômicos e os bastidores da política. Escreveu também sua coluna em O Globo, de 1993 a 1997, jornal onde já havia trabalhado antes da passagem pelo JB. Nos anos sombrios do AI-5, contou aos leitores que o então ministro do Exército general Aurélio Lyra Tavares havia sido empurrado por seguranças do ditador paraguaio Alfredo Stroessener num encontro deste com o presidente Costa e Silva. Os militares não gostaram e o prenderam por cinco dias. Não foi torturado, mas teve de ouvir de um companheiro de cela: "Eles (os militares) endoidaram e estão prendendo eles mesmos". Chateado, Zózimo disse que a provocação era injusta.

O colunista foi preso pela segunda vez ao revelar que um coronel tinha visto três vezes na mesma semana a revista Tem banana na banda, com Leila Diniz, considerada pelos militares uma inimiga da ditadura. Zózimo morreu em 1997, de câncer.

20 comt.:

Anônimo disse...

Penso que o texto foi sutil diante da arrogância e hipocrisia presentes - não só nas colunas -, mas na cidade:
essa falsidade enfadonha, que nos cansa, e a qual somos obrigados a lidar e folhear diariamente.

É uma hierarquia pretensiosa, de faz-de-conta, que só serve pra encher o ego de quem é vazio no intelecto.

Ou talvez sirva para que os "estimados colunáveis" possam ter mais tesão; abrindo seu jornal ao amanhecer, olhando suas fotos com um olhar masturbativo e suspirando palavra por palavra: "EU-SOU-IMPORTANTE".

Parabéns colunáveis, vocês são demais.

André disse...

Será que alguem em sã conciencia leva a sério "colunas sociais"???No meu ponto de vista é a parte mais engraçada e bizarra de qualquer periodico!!!

Anônimo disse...

Falou e disse!

Abraço.

Anônimo disse...

Sem duplo sentido: o "puxasaquismo" na cidade é a marca. Pagando bem ... A cada ano várias homenagens caça-níqueis-reais. Conheço vários que já declinaram do convite. A maioria aceita pois querem divulgação de seus negócios.Herança cultural. Se não tem tu? Vai tu mesmo! Aceitam o mico resignados. O pior que existe uma geração que acredita... As novas gerações de empresários,no entanto, gostariam mesmo é de um bom bailão casagrande!iiiiiiiiiih

Anônimo disse...

E é incrível como aparecem sobrenomes que só se escutam nas colunas sociais. São do tipo "Di Casteli" "Von Contreau" (tudo coisa parecida). Esses nomes nunca são vistos como expoentes da economia, cultura, educação ou meio empresarial. São alguns "Hospedeiros" do sucesso alheio. Vivem como parasitas do trabalho de outras gerações.
Na sua definição o Parasita nascem e crescem em corpos organizados. Esses arrimadiços precisam da coluna social. Vivem para isso. Trabalham para isso (as vezes é única ocupação...).
Então; Viva a coluna social !!!!!

Natália R. disse...

ótimo post! e tb concordo com o André!!

Francisco Antonio Vidal disse...
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Anônimo disse...

hummmm... o problema tá neles ou tá em nós?
somos "obrigados a folhear..."? Não assina o jornal, ora! Eu cancelei a assinatura e estou muito bem!!!!
e se essas colunas existem.... deixa pra lá!!!! quando as lia, achava tudo tão ridículo que era engraçado!!!!
ACHO QUE DISCUTIR ESSA QUESTÃO DAS COLUNAS SOCIAIS.... TEM OUTRAS COISAS PARA NOS OCUPARMOS!!!!
Às vezes fico encanzinada sobre o motivo desse blog ser tão ligado à essa coisa de colunas!!!!
Que se afundem todos: o jornal, os colunistas, os colunados..... É a nossa cabeça que vai filtrar o que fica e que morre!!!!!
Essa gente já morreu!!!!

Niara de Oliveira disse...

Crítica boa é aquela que não arrasa com as pessoas pessoalmente, como numa vingança pessoal, mas joga os holofotes para pontos obscuros onde os cidadãos comuns - vítimas desse tipo de comunicação capenga - não tinham como enxergar antes.
Não sou contra coluna social, ou seja lá o nome que esse tipo de cobertura tenha ou venha a ter. Mas existe uma maneira correta, ética de se fazer jornalismo que abrange também esse setor dos jornais, revistas e qualquer outro veículo.

PS: Geleia, assim como ideia, não tem mais acento.

Anônimo disse...

o jornalismo, assim com outras ciencias tem lado e esse lado para os ricos é retratar sua boa vida seus luxos e desperdicios. Para os pobres é a coluna policial e as beneses e favores da elite ou do poder público. Coluna social que retrata só uma classe não é coluna social e qualquer jornalista digno deveria saber disso.

Anônimo disse...

As novas regras são ainda flexiveis e aos poucos vamos nos adaptando e para setores oficias haverá ainda um prazo para transitar entre as duas regras.

Espero não começarem a encher com atitudes policialescas...

Niara de Oliveira disse...

Não policio ninguém, mas precisamos nos acostumar mais cedo ou mais tarde com as novas regras. Por enquanto ainda há uma tolerância e serão aceitas as duas formas, mas é bom nos familiarizarmos com as mudanças, pois não será de um dia para outro que essas regras vão baixar na nossa mente como uma atualização de software.

Anônimo disse...

Antigamente, dizem os mais velhos, que ao sair na coluna social o colunável mandava presentes à colunista, como forma de agradecimento.
Acredito que a prática continua.
Não deixa de ser um negócio interessante, ser colunista social, não acham?

Anônimo disse...

Vamos com calma. A reforma ortográfica está em período de transição. O Apedeuta levou anos para entender que 'menas' não existe. Há poucos dias ele disse que a situação está 'meia' feia. Com o tempo até o 'homi' está apendendo a falar. A escrever eu duvido que consiga...

Anônimo disse...

Se os "colunáveis" fossem aparecer ali apenas pelos seus méritos acredito que a grande maioria não seria colunável. Porque ainda não vi alguém que sai na coluna social ter algum mérito. As pessoas que são alguma coisa nunca querem aparecer nesta besteirada paga que é esta coluna social.

Anônimo disse...

O mundo é cheio de contradições e ironias...

O intelectual presidente sucateou ainda mais a educação no Brasil.

O iletrado presidente ampliou o númro de universidades federais em mais 10 unidades, cria mecanismo de fortalecimento das unidades, amplia a capacidade de unidades técnicas bem como a rede de inserção de milhares estudantes na rede privada com bolsas de estudos...

Eita vida irônica!

Imagina se homi tivesse estudado um pouco...

Anônimo disse...

De toda forma, sou avesso a elogios, são dispensáveis...

Como dizia Sto Agostinho: " Prefiro aos que me criticam porque me corrigem aos que me adulam porque me corrompem."

Mas quem precisa da opinião pública e precisa mesmo deixar bonito onde a caravana passa, não estão preocupados com elogios, mas sim em neutralizar o efeito da crítica da oposição...

Anônimo disse...

Discussão besta nos comentários.
O fato é que não só uma coluna "social" [por quê?] é algo feito para deixar marcada a diferença de classes (olha! eu sou rico [ou penso que sou])e assim é uma tremenda IMBECILIDADE, mas o incrível é que isso ainda ocorra em Satolep com uma meia dúzia de falidos inúteis...
É evidante que qualquer pessoa que tenha o mínimo de valor não acitaria aparecer numa dessas "colunas sociais"...

Anônimo disse...

E quanto ao "Prêmio Pelotino", é tão ridículo e BARATO que, sinceramente, quando vejo nulidades que nem sabem escrever [sou advogado e conheço certas feras] sendo "agraciadas" com ele, sinto pena.

É um atestado de incompetência comprar um "prêmio".

É bem como escreveu o articulista, como marketing, seja pessoal ou profissional [ô loco, meu], é totalmente descreditado. E tosco. MUITO TOSCO.

Anônimo disse...

oncluindo os dois comentários anteriores: nada há de mais ridículo do que esses "colunas sociais".

Uma sugestão ao Blog: acho que está na hora de pensar nessa MANIA DE FORMATURA como algo característico de pelotinos.

abraço, grande Blog
virei fã do pelotino