Segunda-feira, Março 16, 2009

Administração de Pelotas é uma caixa preta

Uma boa coisa que o prefeito Fetter Jr. poderia fazer é criar um Instituto que tenha por missão radiografar a administração publica pelotense, em todas as áreas, com números confiáveis e metas a serem perseguidas.

O Instituto poderia ser mantido pela prefeitura em governos posteriores, pois carecemos de dados, indicadores e estatísticas seguras sobre a situação da Educação, da Saúde e assim por diante.

O colunista de Educação, João Alberto da Silva, tentou, mas não conseguiu encontrar o percentual exato da reprovação escolar na rede municipal de ensino, para seu texto de hoje. "É uma caixa preta", diz ele. Por estimativas, sabe-se que a taxa chegou a 40% em 2008, uma catástrofe, mas pode ser mais ou menos.

A ausência de mecanismos de aferição que nos deem certeza de para onde estamos indo é um problema grave, a serviço da conveniência de administradores que têm por hábito iludir a população. Contudo, não custaria muito inaugurar esse Instituto, que pode ser um departamento, tocado por pessoas com experiência na área. Os dados que verteriam desse setor ajudariam os prefeitos da cidade a comparar desempenhos, evoluções, involuções.

Iniciativa como essa foi adotada em escala nacional pelo ministro da Educação e hoje deputado federal Paulo Renato Souza. No início de seu mandato, ele reativou o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (Inep), mantido no governo Lula.

Desde então, além dos registros do IBGE e da Fundação Getúlio Vargas, o país passou a contar com estatísticas mais detalhadas e segmentadas na educação, algo de que o governo e o país estavam carentes. A cada ano ou semestre, o ministro reunia a imprensa e revelava os resultados, fossem bons ou ruins, e os analisava publicamente, além de submeter-se à avaliação da imprensa.

A mesma ideia poderia ser adotada por Fetter, seria uma marca e tanto de seu governo, em benefício dos pelotenses, além de uma demonstração de grandeza pública.
A seção Antes que Anoiteça é publicada diariamente, de segunda a sexta. Eventualmente, no fim de semana.

9 comt.:

Anônimo disse...

Convenhamos... quem "confiaria" numa instituição dessas? Quem a administraria sem sofrer influência?
E mais: não é isso, também, o que esperamos de nossos legisladores municipais?

Anônimo disse...

Se nossas tão maravilhosas universidades fossem realmente o que propalam, teriam bancos de dados, campos de estágio, etc ....
Mas tá todo mundo no marasmo! Quem trabalha com planejamento nessa cidade já poderia ter tido mil idéias para acessar, organizar e difundir dados desse tipo!

Anônimo disse...

O senhor Fetter não tem essa vocação!

Marta disse...

Rubens, não será de admirar que o prefeito Fetter Jr já tenha tido essa idéia e consiga colocá-la em prática dentro do período da sua gestão, sendo o bom administrador que é.

Como este espaço visa à crítica construtiva, acho que também comporta o aplauso, pela administração honesta e competente do prefeito Fetter Jr.

Só que qualquer administrador sabe que nem sempre conseguimos realizar tudo o que desejamos, por fatores alheios à nossa vontade e poder.

Cordialmente,

Marta

Anônimo disse...

Oba! Cargos!
Sério mesmo, não precisa "um instituto". Basta exigir de cada secretaria que administre e mantenha um banco de dados coletivo na sua área.
E exigir do órgão de controle interno (isso existe e deve ter mandato próprio), aquele mesmo controle interno que assiste ao TCE, que ele rotineiramente audite as estatísticas das secretarias.
Existe ou deve existir em cada prefeitura a figura do controle interno independente.
Procure no site do TCE que assina as Manifestações do Controle Interno de Pelotas e cobre dessa pessoa esses dados e essa transparência.
Poderíamos consultar os dados pelo site, se ele não estiver mostrando fotos velhas do fofo.
O ponto fraco é a capacidade de gerenciar seu TI (tecnologia de informação). Nem na prefeitura nem num imaginado "Instituto". (presidência, diretoria, contadores, secretárias, oba !!!)
Isso não existe em Pelotas, o que existe é que tudo foi entregue a FATEC e estamos atolados com o SIG até hoje.

Anônimo disse...

Funcionário público, ser humano em geral, só atualiza estatística se for obrigado na marra.
E administrador só faz prestação de contas se for obrigado, da mesma forma.
Junte as duas coisas e teremos algo como o depoimento de um especialista suíço em bancos de dados geográficos.
Ele tinha participado de 5 projetos GIS de acompanhamento de doenças na gestão do Serra no MS e todas os projetos (claro que foram pagos) naufragaram na gestão do dia-a-dia, na alimentação das informações.
Isso é São Paulo, isso é Brasil, Pelotas é o mesmo sem o banco de dados GIS e sem o técnico. Tirando o Fetter que é maravilhoso.
Aliás minto ou exagero, tem os dois na Embrapa, mas daí é governo federal.

Anônimo disse...

Por incrível que pareça, pelo menos na área de cadastro urbano, temos técnicos e sistema de informações georeferenciadas em pleno funcionamento (pelo menos até o ano passado). O problema é que este tipo de ferramenta é utilizada mais para fins de arrecadação de IPTU do que para planejamento urbano e administrativo. Nossos gestores públicos, tradicionalmente, não consultam técnicos para suas decisões. Resumindo, o planejamento é mais político do que técnico (tá aí o asfalto que não me deixa mentir)

Anônimo disse...

Esse tipo de assunto eu gostaria de ver republicado no blog e aberta a maior discussão: qual é o estado de coisas "por dentro" da administração municipal?

Anônimo disse...

A caixa preta deve ser a urna funerária, o povo iludido depositou sua esperança, ao votar.