Da equipe do blog
Pelotas vive tempos agitados. Após anos de calmaria intensa, um distinto capinador de quintal dos outros, com dor na coluna, bicho-de-pé e coceira na cabeça foi parar na Câmara de Vereadores, onde julgou possuir autoridade religiosa suficiente para ser pai-de-santo. Depois, levamos repentino banho de asfalto, ruas mudaram de sentido, e outro memorável banho, dessa vez por parte de São Pedro.
No momento, o grande frisson é a nova moradia dos vereadores. Eles terão uma nova sede para trabalhar em família e homenagear pessoas e empresas. Parece que o aluguel da casa é de 20 mil reais mensais. É um ótimo negócio, se compararmos com as diárias dos mais chiques hotéis de Dubai. Portanto, não entendo o motivo de tanto auê.
Outro grande motivo de agito na cidade: Fetter anunciou 228 ações prioritárias para os seus 150 primeiros dias de mandato. Isso é bastante elogiável, principalmente se ele conseguir citar cada uma dessas ações de cor - e nem precisa citar na ordem. Só fico na dúvida se a obra na frente do Guarany está entre essas ações prioritárias. Se sim, tenho dúvidas se 150 dias bastam. Já o vereador Eduardo Leite quer saber se empresas que recebem incentivos estão se comportando direitinho. Mais: quer ampliar a licença-maternidade. Tudo muito bom, tudo muito bem, mas o jovem rapaz ficou marcado por querer que terno e gravata fossem o uniforme de trabalho dos seus colegas.Eu estranhei, já que terno e gravata não é vestimenta, e sim um sofisticado método de tortura. Eu, se usasse terno e gravata durante o verão, seria capaz de confessar até atos da minha próxima encarnação - mesmo se fosse ateu - através das glândulas sudoríparas. E a Miriam Marroni não deve ficar bem de terno e gravata.
Mas eu entendo o vereador. Se um usou a Câmara pra fazer ritual de despacho e outro dormiu no plenário, daqui a pouco vai ter político discursando de pijama na TV Câmara. E não é porque eles estão alugando um prédio de 20 mil reais com a nossa grana que eles podem fazer isso.

Egídio Pizarro, estudante de História da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), escreve crônicas saborosas na seção Olho de Lince . Escritor dos bons, irônico como ele só, não deixa pedra sobre pedra. Toda quinta.





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7 comentários:
Um vereador não precisa mais que um cadeira e uma mesa para legislar - a câmara de vereadores poderia fazer um rodízio para trabalhar – uma semana no Dunas, outra no Getulio Vargas, outra semana no Navegantes III e assim por diante – O vereador Eduardo Leite vinha me chamando atenção pelas idéias interessantes, algumas demagogas como o aumento da licença maternidade (o serviço publico deve ser regulado pela iniciativa privada e não pode haver nenhum tipo de privilégio em relação aos trabalhadores “normais”) e muitas legais, mas pisou “muito feio” na bola com a idéia do “Paletó e Gravata” – digamos que foi uma idéia adolescente do jovem vereador – sejam havaianas, bermudão e camiseta ou terno caríssimo... Roupas não mudam o caráter e nem a capacidade de ninguém... apenas impressionam os mais simplórios e ignorantes.
hilário e verdadeiro.
Uma correção: usar terno e gravata foi decisão da mesa diretora, onde há parlamentares de diversos partidos.
Pelo que sei, Eduardo Leite tão somente escreveu para o blog falando de razões que pareceram pertinentes aos membros da mesa diretora, para que eles (e somente eles), viessem a usar terno e gravata.
Os vereadores continuam a usar a roupa que quiserem (pijama, também?). Apenas a mesa diretora optou por vestir-se de terno e gravata.
O cronista destorceu os fatos.
Mais ou menos do mesmo nível da campanha do Cururu a crônica... Que tal se todos os médicos no verão atenderem de havaianas e camisa regata e os juízes de sunga e roupão?
Boa, Egídio! 1X0 pra ti contra os pelotinos!!! O cidade que gosta de um terno e gravata, pois pra que serve o carater???
Por acaso, comentarista das 11:42, usar terno e gravata significa não dar atenção ao bom caráter?
Uma coisa exclui a outra?
Não há preconceito em tua colocação?
A mesa diretora da Câmara está usando terno e gravata. O Presidente da Câmara usa terno e gravata.
Qual é o problema?
O Miltinha, por isso, deixou de ser bom caráter?
Alguém que prefira usar terno e gravata está afirmando, com isso, que não dá importância à integridade moral?
Há tanto preconceito em discriminar os sem terno e gravata, como em discriminar àqueles que preferem tais vestimentas.
Abaixo preconceitos de quaisquer espécies!
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