Da equipe do blog
A pergunta acima foi feita por um leitor. Vamos lá: os derivados anfetamínicos são drogas estimulantes do Sistema Nervoso Central (SNC) ainda utilizados, em grande escala, para o tratamento da obesidade, já que temporariamente suprimem o apetite.
Além disso, essas drogas dão uma sensação de alívio do cansaço, de maior disposição física, maior concentração. Porém, essa falsa sensação de bem-estar tem importantes conseqüências, levando muitas vezes ao abuso e dependência desses medicamentos.
Seus efeitos colaterais não são poucos: insônia, palpitações, suor intenso, elevação dos níveis de pressão arterial, fala rápida, perda de memória, dilatação das pupilas, euforia, inquietação, nervosismo, paranóia, depressão entre outros... Com o passar do tempo, as anfetaminas apresentam tolerância, ou seja, os usuários necessitam de maiores doses para obter o mesmo efeito da medicação. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou em 2007 uma resolução específica para os anorexígenos, determinando doses máximas recomendadas e impedindo a sua prescrição em fórmulas (associadas a diuréticos, laxantes, hormônios tireoidianos, calmantes e etc).As anfetaminas deveriam ser utilizadas em casos específicos por curto período de tempo, com acompanhamento médico responsável.
O grande problema é que a obesidade é uma doença crônica, sendo assim, o tratamento mais duradouro e com menos efeito colateral é a mudança do estilo de vida (alimentação equilibrada + exercícios físicos). Os medicamentos só devem ser utilizados como ferramenta complementar mediante criteriosa avaliação médica, lembrando que as anfetaminas não devem ser utilizadas cronicamente.
Em alguns países, estas drogas são proibidas. No Brasil, são consideradas drogas controladas e necessitam de receituários especiais (B2).
O Brasil é o terceiro maior consumidor de anfetaminas com a finalidade de emagrecimento, segundo relatório do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).
Nomes comerciais de medicamentos à
base de anfetaminas vendidos no Brasil
(Dados do Dicionário de Especialidades Farmacêuticas 2008/2009)
- Dietilpropiona ou Anfepramona Dualid S; Hipofagin S; Inibex S;
- Fenproporex Desobesi-M;
- Mazindol Fagolipo; Absten S; Moderine
* Nomes comerciais
Sáskia de Boer é médica graduada e especialista em Medicina Interna pela UFPel, especialista e mestre em Endocrinologia, Metabologia e Nutrição pela UFRGS. Todas as sexta-feiras, a partir de hoje, Sáskia vai abordar esclarecimentos relacionados à saúde, estética e ao bem-estar de mulheres e homens.




2 comt.:
Os ligantes ou moderadores de apetite fizeram muito sucesso nos anos 80/90 onde o Poffa (hipofagin), o Inibex e o Dualid eram conseguidos nas farmácias com a velha e esfarrapada desculpa do regime. São drogas de balada( todas as festas são chatas e monótonas e somente bêbado ou drogado para agüentar...)e junto com algumas cervejinhas ou um uisquinho já fazem você achar que vale a pena gastar dinheiro na noite e achar que esta se divertindo. Os camioneiros também curtem, pois três inibex fazem cara ir de Pelotas ao Rio diretinho, bem disposto e sem sono... mas tudo tem um preço e uma crise de ansiedade ou pânico causada pelas anfetaminas pode ser um valor alto demais a ser pago. Se a pessoa quer emagrecer feche a boca e faça exercicios...tomar boleta não adianta, pois tem o efeito sanfona e ai o que ja era horrivel fica muito pior.
André, muito obrigada pelos ótimos comentários adicionais. A obesidade realmente não tem tratamento mágico e exige uma mudança real de estilo de vida e tomara que as pesquisas tragam novidades sobre a etiologia ainda pouco esclarecidas...tipo genética, hormônios envolvidos..etc...bem como tratamentos efetivos. Também é importante que as pessoas enxerguem isso e que não procurem esses remédios no mercado "negro", nem em consultórios de médicos que fecham os olhos para todos os paraefeitos. Abraços, Saskia
Postar um comentário