Da equipe do blog
No artigo anterior apresentamos a estrutura necessária para o surgimento de uma Tecnópole. Então, o que pode ter dado errado para que o assunto tenha “morrido” em Pelotas?
1º) Incubadora Nynho: Durante a gestão do Prof. Renato Allemand a incubadora traçou um caminho de sucesso e muita visibilidade, graças a sua personalidade obstinada. Entretanto, com a substituição do gestor parece-me que as coisas “amornaram” por lá.
Atualmente a incubadora estaria mais focada na educação empreendedora dos alunos do Instituto Federal (IF) e menos focada nas incubações e com isto teria perdido os aportes financeiros do SEBRAE (um balde de dinheiro que vinha para a região). O novo foco é nobre, entretanto, creio que devesse fazer parte do processo de ensino. Assim, a incubadora estaria liberada para algo mais audacioso!
2º) Incubadora CIEMSUL: A incubadora da UCPel abraçou algumas empresas que parecem ter sido “abandonadas” pela Nynho. Mas, recentemente também perdeu o aporte de verbas do SEBRAE, pois este último estaria preconizando menos ajuda aos pequenos (DP 21-08-2008).
3º) Agentes do Protocolo de 2002: As incubadoras correm o risco de ficarem moribundas! Sem incubadoras ativas e alvissareiras, não há como almejar Parque Tecnológico, Pólo e/ou Tecnópole! Onde estão os agentes envolvidos no protocolo assinado em 2002 (vide Parte 1), que não articularam uma mobilização para evitar esta queda de potencial em nossa região?
4º) Baixo Potencial Empreendedor: O Brasil é um país de característica empreendedora, mas nossa região parece ser um pouco diferente! Durante a faculdade pude observar que a esmagadora maioria dos estudantes objetivava apenas um bom emprego ou passar em concurso público.
5º) Atuais Mudanças no Ensino: O ensino técnico e a realização de pesquisas são excelentes fontes de idéias inovadoras. Temo que a antiga “Escola Técnica”, no troca-troca de nomes, possa estar perdendo o foco que a tornou tão famosa, bem como as Universidades reduzindo significativamente a importante atividade de pesquisar. Será este o preço a pagar pela “democratização do ensino”? Mais certificados no mercado e menos qualificação!
P.S. (Post-Scriptum)
Após concluir esta série de artigos, recebi a informação de que no próximo dia 25 de março o prefeito Fetter Júnior (PP/RS) vai assinar convênio com a PUC/RS para a implantação de um Parque Tecnológico em Pelotas. A notícia é boa (desde que não se transforme em mais um acordo sem continuidade) e será (se concretizado) mais um passo em direção a Tecnópole.
Entretanto, reforço a necessidade de apoiarmos e ampliarmos nossas incubadoras, além de incentivar o empreendedorismo e a qualificação no ensino. Sem sinergia e trabalho de base não há como almejar e realizar grandes projetos.
Leia mais
- Cadê a Pelotas Tecnópole?! (1)
- Cadê a Pelotas Tecnópole (2)
Fábio Castro é administrador graduado pela Universidade Católica de Pelotas (UCPel) e sócio-diretor da AdmTchê. Atua como consultor de empresas e autor de cursos na área de tecnologia agregada a gestão organizacional. E-mail para o autor: fabio@admtche.com.br




2 comt.:
Prezado Fábio, agradeço sua visão refinada em trazer o tema à tona, de Incubadoras Empresariais e provocar a discussão mais que necessária. Atualmente, me dedico à área de ensino do empreendedorismo no IF Sul-rio-grandense. Quero lembrar que desde quando eu estudava na Ucpel (Eng. Elétrica), capitaneado, na época pelo colega Maurício Tavares, já se tentava implantar algo do gênero na cidade. Século passado, década de 90. Passaram-se quase vinte anos??? Me ajudem a contar!!! Por favor!!! Bem, creio que a comunidade deveria sim relatar qual a sua opinão sobre este processo secular da Tecnópole Pelotas. Estou à disposição. Eng. Renato N. Allemand. Ex-gestor da Incubadora Empresarial do IF Sul-rio-grandense.
Prezado Dr.Fábio, excelente o comentário de que,já no tempo de estudante, notava em todos os colegas a preferência por empregos públicos. Essa falta de empreendedorismo choca tremendamente, há longo tempo.
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Marta
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