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João Alberto da Silva
Colunista do blog
O Governo Federal tem realizado uma avaliação anual do desempenho das escolas, o chamado Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). O referido teste fornece uma nota para os quatro primeiros anos do Ensino Fundamental (1° ao 5° ano) e outra para os anos finais (6° ao 9° ano). O IDEB é calculado a partir do desempenho dos estudantes em provas de conhecimento, da infra-estrutura das escolas e do chamado Censo Escolar. Os dados mostram resultados preocupantes em Pelotas. Se o país e o Rio Grande do Sul não vão bem, Pelotas vai pior, como mostra o quadro abaixo, fornecido pelo Ministério da Educação. As notas da avaliação final vão de zero a 10.
Brasil
1ª a 5ª série - 3,8 (2005) / 4,2 (2007)
6ª a 9ª série - 3,5 (2005) / 3,8 (2007)
Rede Estadual Gaúcha
1ª a 5ª série - 4,2 (2005) / 4,5 (2007)
6ª a 9ª série - 3,5 (2005) / 3,7 (2007)
Rede Estadual em Pelotas
1ª a 5ª série - 4,0 (2005) / 4,2 (2007)
6ª a 9ª série - 3,1 (2005) / 2,9 (2007)
Rede Municipal de Pelotas
1ª a 5ª série - 3,6 (2005) / 3,6 (2007)
6ª a 9ª série - 3,2 (2005) / 2,9 (2007)
O desempenho de Pelotas está abaixo das médias estadual e nacional. Além disso, considerando apenas Pelotas, a rede municipal tem performance aquém da estadual. Para piorar, o desempenho pelotense nos finais de ano, comparando 2005 e 2007 caiu. Em média, os estudantes da cidade aprendem em torno de 30% daquilo que deveriam.
Estes dados são apenas sintomas de uma rede de ensino que precisa melhorar muito. Refletem as escolhas pedagógicas, o investimento financeiro, a gestão escolar e o desempenho dos professores.
Segundo os dados do Censo de 2007, quase 28 mil estudantes estão matriculados na rede municipal de Pelotas e submetidos a um sistema de ensino que produz uma nota final em torno de 3 numa escola de zero a 10.
Na situação atual, volta e meia a Educação é retomada como “prioridade”. Seguem enxurradas de análises e comentários de economistas, administradores e políticos. De ensinar todo mundo parece saber um pouco, ao ponto de sobrepujar o professor. No caso de Pelotas, por exemplo, a educação municipal é comandada por um político: um ex-prefeito de outra cidade (Artur Correa, de Santa Vitória do Palmar).
Impossível compreender porque não escolher um administrador escolar com formação, um profissional da área ou mesmo alguém que seja da cidade e conheça nossa realidade. Essas escolhas têm repercussões.
Discutir os problemas da Educação em Pelotas e possíveis soluções é urgente, e o faremos neste espaço, todas as segundas-feiras, com a colaboração dos leitores.
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João Alberto é doutor em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e estuda Psicologia da Inteligência. Tem artigos, livros e pesquisas publicadas em revistas científicas de diversos países.
Leia mais
- Pelotas não atinge metas na Educação, diz MEC




3 comt.:
acho que criar uma "secretaria municipal de educaçao" seria algo essencial. Hoje tudo nao passa de uma distribuiçao de cargos para afiliados politicos desqualificados e incapazes e nada mais. Esta ignorancia da gurizada rede municipal vai se refletir dentro de alguns anos e mais uma "geraçao perdida" surgirá. eu gostaria de saber quem ganha a longo prazo com isso? Todos nós sabemos que os resultados sao maquiados e que as coisas sao muito piores. Compromentimento e boa vontade. Porque isso é tao dificil do poder publico?
Acho interessante a discussão. Seria. Importante que fossem levantados os dados referentes aos investimentos realizados na área da educação municipal. Dados como o crescimentos da rede, acréscimo de salas de aula novas, investimentos na rede física, investimentos em equipamentos, investimentos em qualificação dos professores, etc. Isso tudo, claro, realizado com recursos do próprio município.
Também considero importante que esses dados sejam obtidos por pessoas isentas. Isto é, pessoas que não estejam comprometidas politicamente com a administração municipal.
Seria um trabalho interessante e de interesse de um grande público leitor deste blog.
Não faltaram colaboradores.
Um professor, na análise de muitos políticos, não passa muito de um formador de opinião pública. Uma das classes mais fortes em nosso estado, luta pelos valores morais que, até mesmo a sociedade como um todo, parece esquecer. Sabemos que um professor tem de lidar não apenas com o ensino de seu conteúdo de formação, mas com uma gama de problemas extra-escola dos alunos. Violência, impunidade, intolerância, falta de respeito são elementos que um professor também acaba abordando por já fazer parte integrante de uma sociedade cada vez mais esquecida pelos governantes.A pergunta que deve ser respondida é (além de muitas outras): Porque um governante iria investir na Educação? Para formar sujeitos críticos e tirá-los do poder? Em jargão popular, é como dar um tiro no próprio pé.Até quando seremos tratados com tanto descaso e humilhação? O que fazer em um país onde a ordem é imposta?
A luta continua...
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