
Egídio Pizarro
Colunista do blog
O mundo parou ontem à noite. Nada de Obama ou Lula anunciando medidas que acabariam de vez com a crise. O mundo parou porque Ronaldo, o fenômeno dos fenômenos, voltou de novo. Outra vez. Assim, com redundância e tudo.
Para mim foi um fenômeno, de fato. Eu jamais esperava que Ronaldo fosse voltar aos gramados tão cedo. Depois de uma confusão com três travestis, de levantar suspeitas de estar grávido após uma foto no seu iate e de, na última semana, ter causado frisson ao ser flagrado em uma casa de "diversões adultas", o que eu esperava era o seu próximo escândalo, e não o próximo jogo.
O Corinthians enfrentou o Itumbiara de Goiás, que aparentemente mandou a equipe sênior a campo, comandados por Túlio Maravilha e Denilson. Mas ninguém deu muita bola pra isso, afinal Ronaldo começou no banco de reservas. Pela primeira vez na história do futebol as atenções estavam mais voltadas para o banco de reservas do que para o campo de jogo. Talvez nem o verde do gramado tenha aparecido tanto quanto o Fenômeno.
Segundo o censo de 1992, a frase mais pronunciada pelos narradores foi: "Tá aí na tela pra você, Ronaldo Fenômeno". O replay, normalmente utilizado após uma jogada marcante, foi substituído por imagens em câmera lenta da reação de Ronaldo após cada lance. A respiração e os batimentos cardíacos dele puderam ser medidos através de imagens de televisão, o que deve causar um alvoroço na comunidade médica.
Locutores e repórteres enlouqueceram quando um morcego entrou em cena. Segundo eles, o Fenômeno se assustou! Nem Drácula transformado em morcego seria tão violento. Quando Ronaldo entrou em campo, então, a Terra tremeu. Não pelo seu peso, mas sim pelos repórteres em sua volta. Mais meia dúzia de jogadas e o jogo acabou. Ronaldo foi para o vestiário, mas não sem antes levar uma microfonada no rosto.
Acho que as empresas do mundo todo lamentaram não terem estampado suas marcas na camisa 9 corinthiana. Pela reação da imprensa no campo, essa seria a solução para a crise mundial.

Egídio Pizarro, estudante de História da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), escreve crônicas saborosas na seção Olho de Lince . Escritor dos bons, irônico como ele só, não deixa pedra sobre pedra. Toda quinta.




2 comt.:
Só mesmo no Brasil a vida pessoal de um ídolo o coloca em xeque!
Muito bom, Egídio. Muito bom. Nos faltam mais "olhos de lince" na mídia sulista.
Um abraço.
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