Revista VEJA
Parecia que a disputa de poder entre o PT e o PMDB caminhava para um fissura de consequências imprevisíveis. Parecia que as rusgas entre os senadores Tião Viana e José Sarney faziam parte de um processo de expurgo de velhos vícios incrustrados no Parlamento.
Parecia até que as sucessivas e recentes denúncias de mordomias, nepotismo e fisiologismo no Senado ajudariam a catalisar uma onda de moralização de práticas e costumes. Em Brasília, porém, as aparências enganam, e enganam muito.
Na semana passada, PT e PMDB se reuniram e combinaram um pacto de não agressão. Como a briga tinha raízes em disputa de espaços, nada mais simples para atender a quem reclamava do que ceder um pouco mais de espaço, ou seja, uns cargos e umas verbas a mais. Assim foi feito e selou-se o acordo de paz.
O litígio entre Sarney e Viana também foi contornado da maneira mais pragmática possível no universo dos políticos. Tião denunciava Sarney por práticas fisiológicas. Sarney denunciou Tião por práticas fisiológicas.
Como a troca de acusações chamusca a imagem de ambos, combinou-se um conveniente cessar-fogo. Dessa forma, a única coisa que vai continuar parecendo exatamente o que é é a imagem do próprio Senado, péssima e, mais grave, sem qualquer perspectiva de mudança.
Tome-se como exemplo apenas o último escândalo. Descobriu-se que no Senado há 181 diretores - dois para cada senador - com salários que ultrapassam os 18 000 reais. É diretor de garagem, diretor para cuidar do check-in nos aeroportos, diretor de programa de ondas curtas.
Diretorias bizarras que servem apenas para aumentar o salário dos servidores em cascata. A notícia provocou protestos no Parlamento ao ponto de o presidente do Congresso, José Sarney, anunciar, sem pestanejar, que acabaria de imediato com metade dos cargos. Passados alguns dias ele reduziu o corte para 50 e há quem aposte que pouca coisa vai mudar.
Em crises, no entanto, revelam-se os desvios da instituição e surgem possibilidades de mudança. "Os políticos são pragmáticos e reagem quando são descobertos. E hoje em dia a sociedade cobra mais, pois está cada vez com mais escolaridade e com maior aceso à informação. A leniência com a corrupção é menor", avalia o cientista político Alberto Carlos Almeida, do Instituto Análise.
"De escândalo em escândalo, as instituições vão se reformando e melhorando. A velocidade é menor do que a necessária, mas é assim que as coisas mudam."
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2 comt.:
Depois de deram um presente para o Collor, depois que o Anselmo apoiou o Marroni, na outra apoiou a Leila contra o próprio Marroni, depois que o Brizola chamou o Lula de sapo barbudo e depois o declarou conciliador, na política tudo é possivel.
O impossível: a transparência!
Mas o fato lamentável é verificar que este numero excessivo de diretores no Senado é de anos com anuênçia e indicação dos próprios Senadores.Agora como um destes diretores como diz o popular "foi fundo no pote" e cometeu o deslize de achar que depois de tantas irregularidades o "negóçio" não dava nada mesmo e resolveu morar também quanto os demais(sim porque não deve ser o único, bem investigado acha-se muito mais) mesmo com recurso salarial incompatível para bancar, é que veio a tona mais um absurdo que se bem esclareçido ira respíngar em tantos outros, se bem que em atitude inédita e com urgênçia jamais vista por um presidente da casa o fato das demissões destes diretores ja obtém como finalidade desviar o foco do escândalo para óbviamente estancar possíveis questionamentos e investigaçãoes.Fico imaginando daqui o quanto deva estar sendo escomungado por Parlamentares e colegas também "Diretores".
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