A ânsia por dinheiro aguçou a cobiça humana a um nível autofágico no mundo moderno. Graças a ela, o especulador americano Bernard Madoff, que confessou ter desviado 65 bilhões de dólares em benefício próprio, teve vida fácil nos últimos 20 anos. Nesse período, ele viveu como um rei em Nova York, movimentando quantias astronômicas de pessoas e corporações. Como alguém pode desviar aquela fábula sem que ninguém percebesse?
Madoff fez o que fez porque contou com a "esperança" dos que pensavam ser possível fazer dinheiro fácil com a especulação. No fim das contas, os lesados foram cúmplices do americano. Eles o tornaram possível. É o caso de perguntar: bem feito para eles?
Não à toa o golpe veio à tona em meio à crise financeira mundial, detonada pelo estouro da bolha do ramo imobiliário americano e a posterior dificuldade de crédito em todo o mundo.
Outros casos semelhantes devem surgir. Casos de pessoas que "trabalhavam" com dinheiro virtual, que não tinha correspondência na realidade, ou seja, lastro nos bancos centrais.
Os dois episódios comunicam uma lição àqueles que ainda pensam que é possível enriquecer sem trabalho. Se isso foi possível um dia, não é mais. A economia capitalista ficou nua em praça pública. O desemprego nos EUA bate recordes, o Brasil não fica atrás.
No mundo todo, a ficha vem caindo aos poucos, de maneira brutal, à custa de sofrimento, desintegrações familiares e de vidas, por causa de nós mesmos. Madoff deve pegar prisão perpétua numa boa cela. Mas suas vítimas, inclusive no Brasil, também serão punidas. Se ele ficará preso para dentro; elas estarão presas do lado de fora.
A seção Antes que Anoiteça é publicada diariamente, de segunda a sexta. Eventualmente, no fim de semana.




2 comt.:
Afinal os Haegler são vítimas ou comparsas do Madoff ?
estelionato funciona assim... esperando que a ambição e os baixos sentimentos faça todo trabalho.
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