Senador ironiza o fato de se criticar o ministério de Lula, enquanto “aqui estamos às voltas com 181 diretores”
Em discurso hoje sobre a situação que vive o Senado Federal, confrontado com denúncias de mau uso dos recursos públicos, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) afirmou que “a desmoralização desta Casa começou com o excesso de Medidas Provisórias”.
Mecanismo próprio do sistema parlamentarista de governo, as MPs foram mantidas na Carta Magna pela Constituinte de 1988, que adotou o presidencialismo.
Através das MPs, o Executivo produz leis de efeito imediato, substituindo o Poder Legislativo. Para evitar o uso abusivo de medidas por parte do governo, o Congresso decidiu que enquanto não fossem votadas, elas trancariam a pauta de votações.
O resultado foi que o Congresso ficou paralisado, tantas são as MPs aguardando serem votadas.
Para superar o impasse, a Câmara dos Deputados promoveu uma mudança na tramitação, ignorando a proibição de votações antes da análise das MPs.
Pela nova regra, será permitida a votação de emendas constitucionais, enquanto a pauta permanece trancada apenas para votação de projetos de lei ordinários.
Para o senador Pedro Simon , “a mudança é um escândalo, que será derrubada pelo Supremo Tribunal Federal”.
Cadeia e diretores - Simon criticou também a construção de uma cela no porão do Senado, para abrigar pessoas detidas pela Polícia do Senado. “É mais um escândalo, construir uma cadeia no porão do Senado”.
Sobre o excesso de diretores na Casa, Simon declarou que “ficamos criticando o Lula com seus 40 ministros e estamos aqui às voltas com 180 diretores e a construção de cadeias, túneis e anexos”.
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4 comt.:
O que o senador Simon esquece, ou faz questão de esquecer, é que 70% dos 181 diretores do Senado foram cargos criados por seu colega de partido e hoje - de novo - presidente da casa, José Sarney.
Na hora de relacionar o presidente Lula com o PT, existe partido. Quando é para reconhecer os erros de seus colegas, partido não existe. Dois pesos e duas medidas, como sempre na política brasileira.
Quem tem telhado de vidro deve ter cuidado com as pedras que atira.
Discordo de Simon, não começou com as MPs, pois o problema é mais antigo e faz horas que as relações institucionais estão recheadas de vícios e casa foi palco de muitas desventuras com escândalos e equívocos ainda muito anteriores da violação do painel.
Qual diretoria foi criada por MP?
180 diretorias é só o resultado de décadas de Brasília-ilha-da-fantasia sem a luz da imprensa.
E quem começou a moda de governar por MP se não foram os governos dele?
Simon é mestre em surfar em marola moralista para seus propósitos.
É o rei da amnésia, da moralidade seletiva e do sofisma.
Onde estão os governadores que Simon apoiou? Brito, Rigotto e Yeda.
Ao que se referiu Buzato quando falou do BANRISUL, e em gesto concreto para com Feijó?
Essas coisas não tem nada a ver com MP, nem com as 180 diretorias, mas tem a ver com Simon.
O parlamentarismo, tão decantado por essas bandas, é a ditadura do parlamento, e costuma ser extremamente estável e permite pouquíssima renovação.
Além disso detona com a repartição tripartite do poder entre executivo, legislativo e judiciário. O executivo é sempre o centrão do congresso (hoje seriam Sarney e Temer).
O parlamentarismo e o voto distrital conduzem à situações estáticas na política, como o bipartidarismo americano e o inglês.
A renovação nessas sociedade ocorre através de outros mecanismos, que no Brasil estão atrofiados.
No Brasil voto distrital e parlamentarismo geralmente são elogiados por quem comanda máquinas partidárias grandes, cuja manutenção no poder seria facilitada.
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