Segunda-feira, Março 09, 2009

Mulheres da Via Campesina ocupam área da Votorantim e cortam eucalipto

Cerca de 700 mulheres organizadas pela Via Campesina ocuparam às 6h desta segunda-feira a Fazenda Ana Paula, de propriedade da Votorantim Celulose e Papel, no município de Candiota. A ocupação foi iniciada com o corte de eucalitpo na área, e é um protesto contra a ocupação de 18 mil hectares na região pela empresa papeleira. A ocupação é por tempo indeterminado. Neste momento, 50 policiais militares monitoram o protesto. Não houve conflitos entre manifestantes e a polícia.

A ação faz parte da Jornada Nacional de Luta das Mulheres da Via Campesina e denúncia a conseqüências da monocultura do eucalipto na região. Em muitas áreas, segundo Solange Abreu, uma das coordenadoras do movimento, falta água para o consumo humano e para a criação de animais. "Isso, porque, segundo pesquisa da Universidade Federal do RS (UFRGS), a monocultura de plantas exóticas na região irá consumir 20% mais água do que chove no pampa. Como a árvore causa desertificação e acidez do solo, não se sabe que conseqüências terá para as 3 mil espécies de plantas do pampa", afirma Solange.

Na região da fazenda da companhia há 53 assentamentos da reforma agrária, onde vivem 1860 famílias - cerca de 8 mil pessoas. "Essas pessoas estão sendo afetadas pela Votorantim, inclusive porque a empresa não gera empregos duradouros, só temporários, e aviltantes. Além disso e da seca, a empresa polui o ambiente, provocando danos à saúde", diz.

Solange diz ainda que "depois de especular contra a moeda brasileira e ter prejuízos com a crise financeira, a VCP recebeu R$ 6,6 bilhões do governo brasileiro para adquirir a Aracruz Celulose, através da compra de metade da carteira do Banco Votorantim e de um empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES. O custo da compra foi de R$5,6 bilhões".

A coordenadora diz ainda que "a VCP havia prometido gerar 30 mil empregos no estado e mesmo recebendo recursos e isenções fiscais dos governos federal, estadual e de municípios, a Aracruz demitiu 1,2 mil trabalhadores em Guaíba, entre trabalhadores temporários e sistemistas, e a VCP outros 2 mil trabalhadores na Metade Sul. O agronegócio foi o segundo setor que mais demitiu com a crise financeira. Apenas em dezembro, demitiu 134 mil no país".