
Rubens Amador
Articulista e cronista
Ao ler a matéria do blog Amigos de Pelotas, com o título “Quando a escola pública era referência...” e a imagem do então “Gymnásio Pelotense” (reproduçao acima), exemplo único, entre nós, de boa qualidade no ensino público, senti um arrepio. A imagem, uma pintura, é por demais evocativa para nós, ex-Gatos Pelados daquele tempo e daquele ginásio.
Veio-me logo à lembrança a conjunção de grandes mestres que tivemos, dificilmente encontrada numa escola de hoje. Naquele tempo nós achávamos que só o Colégio Pedro II, no Rio, famoso por seu corpo docente, igualava-se ao velho Pelotense.
Vejamos: nosso professor de Português era o grande Paula Alves. Na matemática, o marcante professor Joaquim, irmão do primeiro. Nosso professor de Inglês trabalhara por l8 anos em West Point, nos Estados Unidos, o professor Adolfo Souza. No francês, era um parisiense, o Prof. Jules Delanoy.
No latim, tínhamos o grande professor Antonio Augusto Pinto, advogado português, egresso de Coimbra, e que considerávamos homem da maior cultura. Igualmente lusitano, Dr. José Balreira, médico, lecionava latim com grande conhecimento, e provinha também da famosa Universidade de Coimbra.
Na química, Dr. Ceslau Maria Biezanko, polonês de nascimento e cientista conhecido no mundo todo, onde seu nome figura até hoje como o descobridor de um inseto único, como entomologista que também era, nos livros da especialidade, universais, com o nome científico do inseto, chamado de “Biezankóia”, em sua homenagem.
Profissional de grande conhecimento técnico, o professor de desenho, Dr. Benjamim Gastal, possuía curso em Seattle, nos Estados Unidos. Posso lembrar ainda, com saudade, de nosso professor de educação física, um suíço chamado Roberto Müller.
Dos professores estrangeiros que tínhamos, evoco com grande saudade o nosso professor de Canto Orfeônico, o maestro espanhol Valeriano Olivares, formado em Barcelona, também intérprete e compositor de várias peças musicais para piano. Lembro ainda do professor Machadinho, também no latim. Do Dr. Vicente Russomano, advogado, que lecionava História, homem de vasta cultura.
Havia ainda um mestre, professor Raul Romeu Iruzun, que chamávamos de “Coringa”, porque, toda vez que faltava um professor, ele dava aula em que matéria fosse: inglês (servira na marinha mercante britânica), na qual, por vários anos, viajou pelo mundo; lecionava também francês, história do Brasil ou universal, latim, ciências, geografia, português. Iruzun foi um mestre inesquecível para os Gatos Pelados que tiveram a graça de terem sido seus alunos.
Devo ter cometido alguma injustiça, esquecendo algum nome, tantos eram os bons e competentes que foram nossos mestres no velho Gymnásio Pelotense.

Cronista, contista e articulista, Rubens Amador colaborou com diversos jornais e outras publicações por mais de 50 anos. Com ele desenvolvi o gosto pela leitura e por escrever. Dono de espírito sensível e indômito, com ele aprendi também a descobrir o belo na paisagem, o senso de humor e a não levar desaforo para casa.

Rubens Amador,
no tempo do Gymnásio Pelotense
Nos verões da minha infância, Rubens costumava surrupiar da natureza vaga-lumes, que prendia sob um copo emborcado na cozinha, para que ficássemos admirando, no escuro, o acender e o apagar da luzinha.
Na manhã seguinte, durante o café da manhã, eu e meus dois irmãos éramos surpreendidos pela "transformação" do vaga-lume em três notas de dinheiro. Enquanto estávamos dormindo, ele libertava o pirilampo, substituindo-o pelas cédulas, que recolhíamos, em partes iguais, para os bolsos. Por causa disso, dali em diante, meus irmãos e eu nos tornamos pequenos criminosos ambientais, com a ideia fixa de catar novos vaga-lumes.
A presença de Rubens Amador no blog Amigos de Pelotas, a partir de hoje, traz-me alegria e emociona-me, já que é meu pai. Ele está aí, aberto às novas tecnologias de um mundo que muda velozmente, mais do que muitos de nós gostaríamos, disposto a contribuir conosco com sua experiência, e com esperança em dias melhores. Agora tenho meu pai e meu filho, juntos comigo, na mesma empreitada. O blog é mais que uma boa desculpa para estarmos juntos. É um recurso extra para dar e receber amor.
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4 comt.:
parabéns para os dois e também é lindo ver 3 gerações da família aqui no blog.
Vou mandar esse post para meu pai que é um Gato Pelado que também tem saudade desse tempo.
Beijo
Do Índio de Guarani das Missões
Aos Rubens Pai e Filho minhas felicitações.
Ao pai, escrever no blog do filho é mostrar capacidade de mudar.
Quando escrevia para o marido traído, tinha fronteira próxima.
Com a abrangência mundial do blog, por certo, como figura lendária do centro de Pelotas, poderá trazer muitas histórias e relembrar de coisas boas da época em que Pelotas tinha um certo glamour.
Não havia estudante que não tivesse necessitado dos bons serviços da Solimar. Ao lado, tinha o Salão do Percy e na esquina o Cruz de Malta. O Galego vinha falar de futebol, e reuniam alí muitos amigos ao entardecer.
Que bom ver fotos do Amador, que foi lembrado por colegas do Direito num encontro da Magistratura.
Esse blog pula cercas e vara rios...
Por um momento cheguei a pensar que o Rubens Filho tinha uns 80 anos de idade, mas logo vi o novo (e inesperado) fato: o Rubens Pai a escrever na internet. Mesmo estilo ágil e íntimo. Parabéns e bem-vindo.
Rubens, que bom que você chegou. Estava demorando.
Também estudei no Pelotense, com grande parte dos maravilhosos professores que você lembrou.
Lá, a minha primeira professora foi a Dona Helena Iruzun, no quarto ano primário. Ao final da aula, todos os dias, ela lia uma história. Quando passei de ano, deu-me um livrinho, que guardo até hoje. Grandes professores eram aqueles!
Um abraço da Marta
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