Sexta-feira, Março 13, 2009

Pêra ou maça: o que importa?

Sáskia de Boer
Colunista do blog

A necessidade de prevenção e tratamento da obesidade já tem sido bem destacada pelos profissionais da saúde, mas vale ressaltar a importância da localização deste acúmulo de gordura. Logo, é importante salientar que mesmo indivíduos sem excesso de peso podem estar em risco.

Do mesmo modo, pacientes classificados como obesos, segundo o critério quantitativo do IMC (Índice de Massa Corporal), podem não apresentar risco cardiovascular tão elevado quanto parece.

Atualmente sabe-se que a localização abdominal da gordura (obesidade central, ANDRÓIDE, em forma de “MAÇA”), ao contrário da GINECÓIDE, em forma de “PERA” (de localização mais periférica, nos quadris), é o que está mais relacionado com as alterações metabólicas e com o risco cardiovascular. Isto porque reproduz de forma indireta a deposição visceral de gordura que é extremamente associada à resistência à insulina, hormônio responsável pela introdução da glicose (açucar) na célula.

Em conseqüência disso a glicose permanece no sangue predispondo ao diabetes e outras doenças cardiovasculares.

Sendo assim, fita métrica na mão, ou melhor, na cintura...

O aumento da cintura (80 cm para mulheres e 90 cm para homens), associado com outros fatores, como diabetes, hipertensão arterial sistêmica, hipertrigliceridemia configura a Síndrome Metabólica, que, embora não apresente uma única definição que a caracteriza, confere um aumento na mortalidade geral em duas vezes e na mortalidade por Infarto Agudo do Miocárdio e Derrame Cerebral em três vezes.

Proposta de definição da síndrome metabólica pela IDF (International Diabetes Federation).
Circunferência adbominal
Homens maior que 90 cm
Mulheres maior que 80 cm

Associada a dois ou mais dos seguintes critérios:

Triglicerídeos maior que 150 mg/dl ou estar em tratamento específico
HDL colesterol menor que 40 para homens e 50 mg/dl para mulheres
Pressão arterial maior ou igual que/a 130/85 ou em tratamento.
Glicemia de Jejum maior ou igual que/a 100 ou Diabetes Mellitus
A associação de uma reeducação alimentar para a redução de peso e exercício físico diminui a circunferência abdominal, melhorando os níveis de glicose sanguínea podendo prevenir doenças como diabetes, hipertensão arterial, melhorando o HDL-colesterol ("colesterol bom") e diminuindo os triglicerídeos.

Sáskia de Boer é médica graduada e especialista em Medicina Interna pela UFPel, especialista e mestre em Endocrinologia, Metabologia e Nutrição pela UFRGS. Todas as sexta-feiras, a partir de hoje, Sáskia vai abordar esclarecimentos relacionados à saúde, estética e ao bem-estar de mulheres e homens.

11 comt.:

Marcelo Vaz disse...

A figura está um tanto equivocada. A fita deve ficar reta horizontalmente e não inclinada como na figura.

Saskia disse...

O local exato é entre a borda inferior da última costela e a borda superior do osso do quadril, com o abdome relaxado. E obrigada pela correção, Marcelo. Devia estar um pouquinho mais pra cima, mas acho que consegui pelo menos alertar a população ao risco inerente a esse aumento, claro que as pessoas devem sempre procurar um profissional habilitado para a medição. Abraço, Saskia

Anônimo disse...

oi! sàskia! que bom poder contar com informações , tenho uma duvida pq já ouvi varias versões, sobre a quantidade que deve se beber agua durante o dia, alguns dizem devemos beber 2 litros no minimo pq é bom ?outros não devemos beber agua demais pq é ruim para os rins, e assim vai entre dietas para emagrecer e teorias diversas.
acho esse tema bastante polemico.

Saskia disse...

Obrigada pela pergunta, anônimo das 10:41, realmente não é uma pergunta fácil de responder, visto que a água é fundamental para uma boa saúde, todos os sistemas de nosso organismo precisam de água, então não há uma quantidade fixa para todas as pessoas... Em geral, recomendamos em torno de 8 copos por dia (considerando o que urinamos, aproximadamente 1,5 l/dia, o que transpiramos, o líquido que perdemos nas evacuações, o que perdemos na respiração, o que recebemos junto dos alimentos...), já um pouco mais é necessário para os atletas e menos para aqueles que apresentam doenças como insuficiência renal ou adrenal, insuficiência cardíaca.. entre outras. O ideal é fazer uma avaliação de sua saúde com um médico e beber o necessário para que não sintas sede e urines uma quantidade em torno de 1,5 litros. Também importante é avaliarmos a qualidade da água que ingerimos para evitar doenças infecciosas...
Espero ter respondido. Um abraço, Saskia

Saskia disse...

Só para complementar a água não emagrece,,...

Ana disse...

Já ouvi falar na indicação do Glifage para emagrecimento, justamente desta gordura abdominal.

É válida?

Obrigada e parabéns pela coluna!

Anônimo disse...

saskia além de postar matérias muito interessantes sobre a nossa saúde, nota-se que tens conhecimento nos assuntos abordados. beijos!!! ;@

Anônimo disse...

e a dieta das proteinas???? ou a dieta das sopas??? e a dieta da banana e inumeras outras que estão nas revistas??? funcionam?

Anônimo disse...

posso seguir tomando minhas anfetaminas normalmente?

Saskia disse...

O GLIFAGE (metformina) é uma das drogas mais utilizadas no mundo para o tratamento do Diabetes Mellitus tipo 2(DM2). Não há indicação de seu uso para emagrecimento, nem para redução da obesidade visceral em pacientes sem DM2, até o momento. Vários estudos demonstram que a mudança no estilo de vida (DIETA + EXERCÍCIOS) diminui a incidência do DM2 de forma similar a Metformina quando comparados ao uso de placebo. A metformina parece alterar o metabolismo lipídico, melhorar as funções endoteliais, diminuir discretamente a pressão arterial e diminuir levemente o peso de pacientes com DM2 ou resistência periférica à insulina, por tudo isso ela apresenta potencial para reduzir o risco de doenças cardiovasculares no DM2, mas deve ser melhor avaliada através de estudos para o tratamento da obesidade visceral ou síndrome metabólica.

Saskia disse...

Recentemente foi publicado no New England Journal of Medicine (NEJM) um estudo que testou a eficácia em perder peso de dietas com alto ou baixo teor de carboidratos, proteínas ou gorduras.Os 811 pacientes foram acompanhados por dois anos e nenhuma dieta foi melhor do que a outra, embora o estudo tenha tido várias limitações... o que importou foi a redução de calorias ingeridas... Muitos estudos estão sendo realizados sobre isso, mas ainda acredito que a dieta balanceada associada com exercícios físicos ainda seja o melhor caminho para o tratamento de uma doença crônica como a obesidade.