Sábado, Julho 04, 2009

Trezentas Onças

Presidente do Instituto João Simões Lopes Neto, Henrique Pires, e
os premiados, Antônio Hohlfeldt, Paula Mascarenhas e Aldyr Schlee
Ars Longa
Crônica de cultura

Em 1912, João Simões Lopes Neto publicou em Pelotas os “Contos Gauchescos”, entre os quais “Trezentas Onças”, o caso do homem que perdeu trezentas moedas de ouro de seu patrão. Quase cem anos depois, o instituto-museu que preserva seu nome iniciou um projeto centenário: premiar trezentos colaboradores desta causa, no ritmo de três por ano.

Até hoje já foram destacados dez nomes, pelo qual este louco sonho determina que a última premiação ocorra no ano de 2106, e a obra de Simões seja plenamente valorizada, em todo o mundo. Os três escolhidos de 2009 foram: a primeira diretora da casa, Paula Mascarenhas (Pelotas, 1970), o escritor-político Antônio Hohlfeldt (Porto Alegre, 1948) e o escritor-jornalista Aldyr Garcia Schlee (Jaguarão, 1934).

Em cerimônia realizada ontem (3) no Instituto João Simões Lopes Neto, cada um recebeu uma das trezentas onças especialmente cunhadas, troféu que ao mesmo tempo significa uma honra e um dever, como “o recruta que se apresenta ao Capitão pois há muito trabalho pela frente”, como destacou Hohlfeldt.

Schlee pensou em não aceitar a distinção, ainda com a dolorosa lembrança de março de 1964, quando foi impedido de paraninfar uma turma, por motivos políticos. Preso de consciência, ele não compareceu à formatura, nem deu uma explicação por sua ausência (e nem precisaria, mas ele ficou com a dívida moral). Hoje o coração ficou aliviado e as suas lágrimas foram sinais da alegria mais profunda, liberada pelo prêmio simoniano.

Quem trabalha no Instituto fala da “maldição de Simões às avessas”: na vida do escritor, cada projeto fracassava, apesar da perseverança dos esforços e da qualidade das ideias, até a doença fatal aos 51 anos, mas aqui na casa da Dom Pedro II tudo o que se planeja dá certo e só espalha benefícios.

4 cmt.:

Rubens Filho disse...

Ô, Roberto, não publiquei teu comentário generoso por motivos que sabes. Quem dera...
Mas gostei de ler tua força.

Anônimo disse...

Creio que João Simões Lopes Neto foi um Vento que soprou numa terra em que a umidade insistia. Seu trabalho destoa de certa forma da história da época e do lugar. Ainda bem!

Anônimo disse...

Que especial que é este projeto centenário! Preservação da cultura e da arte de um tempo que escorreu pelas ruas infinitas daqui.

Anônimo disse...

Realmente, parece que atualmente o Instituto João Simões Lopes Neto é a "A" casa de cultura em Pelotas. "Tudo o que se planeja dá certo e só espalha benefícios"... mérito dos trabalhadores dessa casa, que além de muito competentes são extremamente comprometidos com o que fazem.
Parabéns ao Igor e à Aline! E ao Henrique por saber valorizar o trabalho desses dois.