Beatriz Araújo: mobilização pela cultura
A extinção da Secretaria de Cultura está, por ora, no terreno da especulação? Mesmo assim justifica o movimento da Vigília?Nos últimos dias, temos ouvido comentários e lido especulações na imprensa sobre a possível extinção da Secult. Isso nos preocupa, uma vez que a cidade é um dos berços da cultura gaúcha. Alguns fatos reforçam essa suposição.
Que fatos?
Por exemplo, a demora do prefeito em encaminhar à Câmara de Vereadores um projeto de lei criando um sistema municipal de incentivo à cultura em Pelotas. Ele prometeu fazê-lo no primeiro semestre deste ano, mas até agora não cumpriu o prometido. Outro fato que reforça a tese da extinção da Secult foi a decisão do prefeito de não envolver a Secretaria de Cultura na Feira do Livro deste ano (que inicia em 30 de outubro), tradicional evento da cidade. Como justificativa para essa ausência, o governo alegou que a Secult está concentrando recursos financeiros, todos provenientes do governo federal, diga-se, exclusivamente nas obras de restauração do patrimônio arquitetônico. Some-se a isso o fato de a atual gestão da Secult não vir desempenhando um trabalho afinado com os produtores culturais e com os artistas locais, e somos levados a acreditar que a extinção da secretaria é uma possibilidade real, o que seria, por motivos óbvios, ruim para a cidade.
Na sua avaliação, a Secult não tem atuado como poderia?
A Secult, hoje, não tem demonstrado a atenção abrangente que merecem as questões culturais da cidade. Não há uma política que priorize pontos essenciais para o desenvolvimento do setor. Resumindo, a Secult, por ora, não faz falta, mas será pior se deixar de existir. A prefeitura não tem demonstrado interesse em transformar o projeto de incentivo à cultura municipal de que falei em realidade. Por que? Este projeto chegou ao prefeito em 2007, depois de passar pela análise de vários secretários do governo. Desde então... O vereador Eduardo Leite (PSDB) chegou a procurar o prefeito para saber do projeto. Fetter reafirmou ao vereador que até junho deste ano encaminharia o projeto à Câmara. Estamos em outubro e, como eu disse, nada.
Qual sua explicação para essa atitude?
O prefeito tem sistematicamente evitado dar andamento a esse projeto. Sempre alega um motivo 'importante'. No começo do ano, alegou que a prioridade era enfrentar o problema das enchentes que atingiram a cidade e a região. Agora, é a reforma administrativa. Ora, mesmo diante dessas questões, o projeto poderia ter seguimento. Parace que o prefeito não consegue fazer duas coisas ao mesmo tempo.
Há alguma outra justificativa mais direta para essa demora?
O prefeito tem dito ultimamente que não faz diferença ele enviar o projeto à Câmara já ou no final deste ano porque os incentivos fiscais previstos nele só poderiam vigorar em 2010. Não é verdade. Não, totalmente. De fato, a parte do projeto que prevê incentivos fiscais às empresas financiadoras de cultura só poderia vigorar em 2010. Mas o projeto contém outros mecanismos de aplicação imediata que ele não menciona. Aplicação já em 2009. Como, por exemplo, a criação de dois fundos financeiros para financiamento de atividades culturais.
A sra. pode explicar melhor?
Um desses fundos seria formado por recursos de instituições públicas, destinados ao patrocínio de projetos patrimoniais. Já há inclusive um documento assinado pelo promotor de Justiça Paulo Charqueiro, do Ministério Público Estadual, com o compromisso de o MPF vir a colaborar para abastecê-lo com recursos provenientes de arrecadações judiciais. O outro fundo, que já conta com o apoio do deputado federal Fernando Marroni (PT), destina-se a financiar projetos culturais inovadores, experimentais. Projetos que, pela sua natureza, não atrairiam a participação de empresas e não requeririam a concessão de isenção fiscal. O deputado se comprometeu inclusive a encaminhar emenda garantindo R$ 150 mil para financiar os primeiros projetos com o perfil mencionado, perfil vanguardista. Ou seja, esses dois fundos poderiam começar a funcionar ainda em 2009, ao contrário do que tem dito o prefeito.
Como funcionará a Vigília Cultural?
O objetivo principal é monitorar a Câmara de Vereadores. Tentar mobilizá-la em favor do projeto. Para identificar simbolicamente esse movimento, confeccionamos um estandarte. Ele é simples. Tem uma palavra inscrita: Cultura. Esse estandarte vai circular pela cidade em eventos, para lembrar constantemente nossa preocupação com o desenvolvimento das políticas públicas culturais em Pelotas. Na verdade, a vigília vem se somar a outros movimentos locais que têm se dedicado a discutir a questão, com o mesmo viés, como a Primavera Cultural e a Conferência Municipal de Cultura.

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É importante informar que os produtores culturais ganham em cima de um percentual de seus projetos captados. E os projetos são financiados com dinheiro público (renúncia fiscal).
Qual é o percentual que ganham os produtores culturais? 10%, 20%? É no mínimo 10%.
Quanto custou a restauração da Biblioteca? Milhões de reais. No mínimo 10% foi para o produtor cultural.
Isso tinha de ser informado aos leitores do blog. Porque posar de defensor da cultura é só uma face da moeda. A mais bonita, por sinal.
Amigo[14h27], o produtor cultural ganha dinheiro trabalhando (e trabalhando muito), é um dinheiro honesto, não corrupto. Esse valor de 10% também é um valor especulativo.
Aliás, especulação é o que não falta nesse momento. Mas quem criou o problema, pressões políticas à parte, é quem está tendo que lidar com ele agora.
Sinceramente, tenho preferido me manter na confortável posição de espectador, para não me sobrarem farpas. Mas algumas afirmações que vejo aqui me fazem crer ainda mais que a mentalidade desse povo é tão pequena que não conseguem aceitar que os outros crescam ou tenham o seu espaço. Tanto que são capazes de criticar o fato de alguém ganhar dinheiro com o próprio trabalho. Esperavam mártires?
[Rubens, eu assumo a responsabilidade por tudo que escrevi, não vejo por que não publicar isto.]
Fica a pergunta: é feio receber pelos trabalhos realizados? Ou é pior receber salário (pago com verba pública) para fazer nada?
Ou é ainda pior receber para instalar uma sapataria ao lado da Bibliotheca, desperdiçando os milhões investidos pelo governo federal na recuperação do prédio público e centenário?
O produtor trabalha, e muito, por anos, para ser remunerado.
O trabalho da Beatriz é notoriamente reconhecido e sua saída à frente da pasta já foi uma grande perda - para quem considera a cultura como um bem valoroso.
Fetter deveria repensar a extinção da pasta e revitalizar a cidade a partir da cultura nos cidadãos que se reduziu a prédios históricos que realmente merecem preservação. O rumo da cultura em Pelotas é muito preocupante.
Esperamos que nesse momento prevaleça o bom senso e a união dos diversos setores da cultura para preserva-la e ampliá-la e que mesmo os artistas que residem fora da cidade possam estar atentos e venham a contribuir para ajudar e demonstrar que realmente amam Pelotas e a cultura!
Inteligente e bonita.
São pessoas como a Bia que fazem as coisas acontecerem. É preciso se mexer e muitas vezes se incomodar. A cidade não pode ficar inerte à sua situação cultural e depois reclamar do cenário atual sem perspectivas.
Os pelotenses temos que mudar nossa mentalidade do "é melhor deixar como está". Afinal esta cidade tem muito a oferecer, basta ter oportunidade para fazê-lo.
Muito lúcido o posicionamento da Bia....e sim....bonita e inteligente.
Algumas pessoas, não todas, por trás desse movimento me parecem magoados e ressentidos com o governo de Fetter; foram exonerados, colocados à margem de um governo do qual eles fizeram questão (e ainda fazem) de participar. Agora querem fazer um governo paralelo, principalmente ao da Secult, que, aliás, nunca esteve em tão boas mãos. Projetos como o Edital de apoio à publicação de livros de autores pelotenses, projeto de revitalização da música e da dança, os dois aí editados e postos em prática, o resgaste do patrimônio histórico e artístico de Pelotas, inclusive coisa que a dona Beatriz foi contra e acabou saindo do governo. Henrique Pires, que faz parte do movimento, vai pelo mesmo caminho. Na condição de presidente de uma Instituição (Instituto João Simões Lopes Neto), não deveria tomar partido. A mim parece feio se participar de um governo e depois sair do mesmo criticando, esquecendo de que o integramos e assinamos embaixo de muita coisa que aí está até os dias de hoje. Então, essa vigília cultural nada mais é do que a vigília da mágoa, do não aceitar de uma secretaria poder sobreviver com outra equipe que, como disse o anônimo acima, ao meu ver, fica somente no cartaz. É inegável o trabalho da Secult em todas as suas áreas e o devotamento dos seus integrantes, diretores, secretário etc.
Não é feio receber pelos trabalhos realizados; o que é feio é, na posição de "ordenador de despesa" (secretário), por exemplo, é fazer coisas como utilizar uma agência de publicidade sem licitação.
Foi anunciada alguma extinção de alguma Secretaria específica? Onde, que não vi?
A ex-secretaria, que trabalhou com Bernardo e com Fetter, agora se tornou contra tudo? Quando estava junto, achava bom?
A mim parece que há um grupo que busca recuperar o espaço que perdeu.
Há pessoas que acham que qualquer iniciativa que não tiver o "carimbo" deles não presta.
Gostaria de dizer que a cultura hj em Pelotas não funciona como poderia, creio eu. Uma cidade como a nossa, historicamente rica culturalmente, será um fiasco nacional se fechar a Secult. Por questão política, perdemos a Bia Araíjo, que mal ou bem sabia o que estava fazendo. pois entende muito do assunto... OBS: Parabéns ao Henrique Pires pelo movimento que esta fazendo pela cultura.
O que o anônimo 15:17 esquece é que a vida social e política não se restringe ao prédio da prefeitura e que mágoa difere e muito de divergência e ainda bem que elas existem, pois também divirjo junto de muitos de situações como as não-licitações, por exemplo, sendo que existem outras mais...
"Assinar em baixo do que o governo faz"...isso parece coisa de quem tem rabo preso. O homem é livre para aderir e sair de qualquer movimento.
Muitos políticos mudam de partido porque não concordam com as diretrizes impostas. Nesta vida ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer algo, senão por força da lei!
Força para aqueles que desconformes com uma situação precária se mexem para ver as coisas mudarem. Tratar qualquer manifestação como despeito é típico de quem não admite as difrenças, de alguém com uma cabeça muito limitada, que só faz o que lhe mandam!!!
Esse governo na minha opinião erra em muitas coisas, mas quanto a possiveis irregularidades e desajustes legais penso que o MP e o poder judiciario vem fazendo bom trabalho e continuará fazendo. Quanto as questões práticas de cultura na cidade chega a ser um espetáculo de comédia a insuficiência e ostracismo que a cidade vive nesse quesito.
Quem tem se beneficiado da política cultural da cidade tem sido as empresas de ônibus intermunicipais e as livrarias.
Lutamos muito, sempre e devemos continuar nos empenhando para que a Cultura tenha um setor organizado, com espaço, incentivos e que possa contar pessoas que militam, trabalham, respiram e, porque não, vivem da promoção e produção cultural.
Foi uma grande batalha, criar uma secretaria exclusiva para as questões da cultura, para que um rearranjo (arrastado e confuso) da estrutura das secretarias do atual governo, termine com um espaço conquistado por quem tem a compreensão que nem só de asfalto vive uma comunidade.
As criticas descabidas e feitas por quem ignora o que o Henrique e a Bia, dentre tantos, tem feito para que cultura não seja apenas um epíteto de nossa cidade, tem ranço de gente que não compreende a importância das manifestações culturais, artísticas e populares do cotidiano.
Se não querem participar desta luta, por favor, nos poupem e vão assistir o Faustão, debater os rumos do futebol, ou comprar disco do Calipso nos camelôs.
Luiz Minduim
Alguns anônimos não conseguem conviver bem com esse direito, adquirido há poucas décadas, ao custo de muitas vidas: a liberdade de expressão. Principalmente quando essa liberdade serve para criticá-los.
Lamentável, pois estas são boas oportunidades para ouvir o que a comunidade tem a dizer e reavaliar suas atitudes (característica, ao meu ver, essencial a qualquer governante). Mas escutar críticas construtivas e refletir sobre elas é somente para aqueles que têm a humildade de admitir suas falhas e a coragem de colocar seu salário a perigo, indo contra chefes que não têm preocupação com o setor cultural.
Parece que tem bastante CC escrevendo como anônimo! Só rindo mesmo!
Os críticos fazem vista grossa ao bom trabalho da Secult, à competência dos diretores e do secretário, das atividades desenvolvidas, dos planos de ação, do que vem por aí. Estão incomodados, muito incomodados. E a posição do Sr. Minduim. Não se deve idolatrar os nomes de sempre na área cultural. Muita água vai rolar e o estandarte a Cultura, com o tempo, pode virar pano de chão, quem sabe pra o desfile do próprio Xavante, numa de suas vitórias na Baixada.
Triste, nisso tudo, é ver o Instituto Simões Lopes nessa briga.
O Minduím tá errado quando não suporta que critiquem esse grupo do qual ele faz e sempre fez parte. Quero saber o que ele faz pela cultura em Pelotas? Escreve sobre gastronomia? Quem disse que a Secult será extinta? A Cultura, pelo contrário, irá mostrar o seu tamanho muito em breve, para desconsolo e desespero dos críticos da atual administração. É de fato triste não poder subir a escadaria da Secult.
Feio é ser secretário. E produtor cultural ao mesmo tempo. Receber salário de secretário e comissão de produtor cultural ao mesmo tempo.
A Bia Araújo é uma pessoa competente, dinâmica e com visão sobre Cultura. Só que neste episódio ela não tem razão. O Fetter é quem está com a razão.
Se não vejamos:
O que a gente faz com a TV a cabo da casa da praia quando termina o veraneio? A gente manda desligar.
È isso que o Fetter vai fazer. Para ele, parece, a Cultura não tem a mínima importância. Não trará recursos para comprar asfalto (isso sim com importância...).
Se o prefeito não vai fazer nenhum uso da Cultura, então tá certo em economizar recursos públicos.
Quando ele sair da Prefeitura e entrar uma pessoa de visão, que valorize a Cultura como deve ser valorizada, a Secretaria de Cultura volta a ser criada.
Aliás, quando o verão da cultura chegar e essa hibernação cultural acabar, a cidade pode voltar a respirar melhor. O ar terá sido renovado. Não percamos tempo em brigar por um monte de cargos que serão ocupados.
Tem tanta coisa feia na administração pública e a medida que o tempo passa, infelizmente mais poeira levanta! Cof cof cof...
A turma que apoia o Fetter tem todo direito de fazê-lo, mas não vão querer aplausos para os tropeços toscos que esse governo está cometendo?
Tenha santa paciência!
Os CCs, tão prestimosos em defender os chefes, dão-se conta que o movimento defende também seus cargos? Vêem que as reivindicações de Legislação de apoio à Cultura, e Conferência Municipal de Cultura lhes oferecem trabalho como reais agentes culturais, que participar da organização da Feira do Livro é uma honra e oportunidade de mostrar a importância de seu trabalho e competência como trabalhador cultural?
O que vocês estão fazendo é dar tiro no próprio pé...
Anônimo
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