Sexta-feira, Novembro 27, 2009

Banquete Cívico


Luiz Minduim
Da equipe do blog

Escrevo de Brasília, onde participo do Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica, coisa pequena para 15.000 brasileiros de todos os estados. Poderia pautar esta coluna pelo sucesso do grupo Tholl na abertura, precedendo o presidente Lula. Ou falar de como se come mal aqui em Brasília, a não ser que você tenha algum padrinho ou cargo no parlamento.

Vou falar do que mais me emocionou, a sessão solene da anistia de Paulo Freire.
Na quinta, 26, foi declarada a anistia do educador Paulo Freire.

A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, que analisou o requerimento feito pela viúva Ana Maria Freire, em 2007, sob a ótica da perseguição política sofrida pelo educador à época da ditadura, também pediu desculpas pelos atos criminosos cometidos pelo Estado.

Toda a cerimônia foi marcada por aplausos e lágrimas que iniciaram com a fala do relator do processo, Edson Pistori, que resumiu:

“Esse pedido de perdão se estende a cada brasileiro que, ainda hoje, não sabe ler sua própria língua”. Para ele, a perseguição a Paulo Freire pela ditadura se traduz no impedimento à alfabetização de milhares de cidadãos e, principalmente, à conscientização de cada um deles sobre a própria condição social.

Paulo Freire nasceu em Recife, em 1921, e morreu em São Paulo, em 1997. Ficou conhecido pelo empenho em ensinar os mais pobres e se tornou uma inspiração para gerações de professores. Freire desenvolveu um método inovador de alfabetização, a partir de suas primeiras experiências, em 1963, quando ensinou 300 cortadores de cana a ler e a escrever em 45 dias. Com este projeto o governo de Jango Goulart pretendia alfabetizar e conscientizar cinco milhões de brasileiros. O que não foi permitido pela ditadura militar.

O educador sofreu perseguição do regime militar (1964-1985), ficou preso por 70 dias e foi exilado por 16 anos, considerado traidor. Paulo Freire iniciou o exílio na Bolívia, depois Chile, daí para Harvard, nos EUA. Rodou o mundo e se instalou na Suíça, sempre com salvo-conduto, pois o passaporte que lhe garantiria a cidadania brasileira foi sempre negado pelo governo golpista.

A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça existe desde 2002, para revelar à população de todo o país os fatos arbitrários praticados durante o regime militar e pedir desculpas, publicamente, às pessoas que resistiram à ditadura e sofreram os atos de violação dos direitos humanos feitos pelo Estado.

Esta anistia não é apenas simbólica, pois resgata o brasileiro e grande educador filósofo que foi Paulo Freire e, que cada vez mais é percebido, estudado e referenciado como um dos mais importantes expoentes da educação popular no mundo.
Fico com o brado de um participante durante o evento: “Paulo Freire não está e nunca vai estar morto!”

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