Sábado, Novembro 28, 2009

'Triste e abatido'

Deu no blog do Noblat
Em artigo publicado na Folha, um esquerdista histórico afirma que Lula tentou subjugar um rapaz quando estava na prisão. O presidente ficou perplexo

A um mês da estréia de Lula, o Filho do Brasil, surge um depoimento que contrasta fortemente com o filme de contornos hagiográficos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na sexta-feira passada, o jornal Folha de S.Paulo publicou um artigo que deixou de olhos arregalados todos os que o leram. Intitulado "Os filhos do Brasil", o texto é assinado por César Benjamin, um dos mais célebres militantes da esquerda brasileira.

Entrou para o movimento estudantil ainda adolescente. Por sua militância política, ficou preso por cinco anos e foi expulso do Brasil em 1976. Quando voltou, empenhou-se na fundação do PT, do qual se desfiliou em 1995. Em 2006, foi candidato a vice-presidente pelo PSOL. Hoje, está sem partido.

Cesinha, como é conhecido, relata o que teria sido uma revelação devastadora feita por Lula a ele em 1994.

Na ocasião, o petista iniciava sua segunda campanha a presidente. Benjamin estava na equipe de marketing do candidato. Ele relata: "Lula puxou conversa: ‘Você esteve preso, não é, Cesinha?’ ‘Estive.’ ‘Quanto tempo?’ ‘Alguns anos...’, desconversei (raramente falo nesse assunto). Lula continuou: ‘Eu não aguentaria. Não vivo sem b...’.

Para comprovar essa afirmação, passou a narrar com fluência como havia tentado subjugar outro preso nos trinta dias em que ficara detido. Chamava-o de ‘menino do MEP’, em referência a uma organização de esquerda que já deixou de existir. Ficara surpreso com a resistência do ‘menino’, que frustrara a investida com cotoveladas e socos".

Segundo Benjamin, o diálogo foi presenciado pelo publicitário Paulo de Tarso da Cunha Santos. O publicitário, cujos contratos com o governo federal montam a 300 milhões de reais, negou em nota lembrar-se do episódio.

Por liderar greves no ABC paulista, Lula passou 31 dias preso no Dops, em São Paulo, em 1980, com outros sindicalistas. VEJA ouviu cinco de seus ex-companheiros de cela. Nenhum deles forneceu qualquer elemento que confirme a história de Benjamin. Eles se recordam, porém, de que havia na mesma cela um militante do Movimento de Emancipação do Proletariado (MEP).

"Tinha um rapaz com a gente que se dizia do MEP. Tinha uns 30 anos, era magro, moreno claro. Eu não o conhecia do movimento sindical", diz José Cicote, ex-deputado federal. "Quem estava lá e não era muito do nosso grupo era um tal João", lembra Djalma Bom, ex-vice-prefeito de São Bernardo do Campo. "Eu me lembro do João: além de sindicalista, ele era do MEP mesmo", conta Expedito Soares, ex-diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

O João em questão é João Batista dos Santos, ex-metalúrgico que morou e militou em São Bernardo. Há cerca de três anos, ganhou uma indenização da Comissão de Anistia e foi viver em Caraguatatuba, no Litoral Norte de São Paulo. Por meio do amigo Manoel Anísio Gomes, João declarou a VEJA: "Isso tudo é um mar de lama. Não vou falar com a imprensa. Quem fez a acusação que a comprove".

O Palácio do Planalto reagiu com indignação, qualificando o relato de Benjamin de "loucura". O chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, disse que o artigo de César Benjamin era ato de um "psicopata". Carvalho afirmou também que Lula havia ficado "triste, abatido e sem entender" as razões que levaram o militante histórico a fazer um ataque tão destruidor contra sua honra.

22 cmt.:

Anônimo disse...

A imprensa brasileira (tirando raras esceções) e sua habitual baixeza.

Anônimo disse...

Às vezes não é fácil entender a imprensa brasileira. A mim, causa espécie que a notícia de que FHC teve um filho fora do casamento - assunto que, de fato, não me interessa - tenha permanecido longe dos holofotes por 18 anos, ao passo que uma acusação contra Lula, feita por alguém que não presenciou o fato (apenas teria ouvido um relato a respeito), e que não foi confirmada por qualquer outro envolvido ganhe as páginas do maior jornal do país sem grandes pudores.

Gil disse...

Essa história - se verdadeira - a mim revela dois fenômenos opostos: o DECLÍNIO de um militante de esquerda que virou fofoqueiro e a ASCENÇÃO de um homem que com tamanha exuberância de hormônios virou Presidente da República.

Anônimo disse...

Não sou petista, mas acho que a imprensa brasileira pisou muito feio na bola.
Trata-se de uma acusação grave, sem nenhuma prova, que mancha a honra do Chefe do Executivo da Nação.
Foi um golpe de baixíssimo nível, sem dúvida.
Embora seja totalmente contra a qualquer nível de censura, especialmente quando se fala em "controle social dos meios de comunicação", a imprensa brasileira deveria ser mais responsável com aquilo que publica.
Cito um caso que ocorreu há algumas semanas atrás nos Estados Unidos.
Lou Dobbs, o famoso jornalista ultraconservador da CNN, e obviamente opositor de Barack Obama, acusou o Presidente dos Estados Unidos de falsificar sua certidão de nascimento para obter a cidadania americana e poder concorrer a presidência. Foi chamado para uma conversa com a direção da emissora e foi advertido que "não se trata do tipo do jornalismo que fazemos". Acabou deixando a rede.
É preciso haver responsabilidade no dever de informar.

Anônimo disse...

Os órgãos de imprensa brasileira, em sua maioria, são vergonhosos!
Dar publicidade a esse tipo de denúncia sem que haja qualquer indício (e olha que nem tô exigindo prova!)é de uma crueldade nunca vista!
E pelo visto tá só começando...Imaginem o que não vão dizer no ano que vem, que tem eleições!

Anônimo disse...

Estranho é esse cara fazer essa denúncia justamente agora, às vésperas da eleição presdidencial e após o lançamento do filme do Lula...
Se ele sabia desde 1994, conforme diz a reportagem, por que abrir a boca só agora? E mais, o que levou a fazer uma acusação desse porte sendo que é o próprio denunciante a única testemunha do suposto diálogo? Ora, façam-me o favor! O pior é que a cobertura que a imprensa tá dando pra isso tudo nem me causa espanto mais!

Anônimo disse...

Rubens, te peço pra fazer o contraponto sobre essa tal denúncia publicando no teu blog uma entrevista de Sílvio Tender, que tá no site do Terra de hoje.
Acho importante indicares essa entrevista pros leitores do blog.

Anônimo disse...

Santo, só o Simon!

Anônimo disse...

Veja?! O aparelho do FHC é dose.

Anônimo disse...

É perfeitamente compreensível. Para alguns setores da mídia comprometidos com grupos que têm pretensão de voltar ao poder, o tema interessa, assim como todos os outros que tenham a possibilidade de desgastar a imagem de Lula. O fato em si, grave se tivesse mesmo acontecido, como denúncia é fraco, pois carece de sustentação, caso contrário a Folha o publicaria em manchete. Mesmo assim toma vulto. É o filme de Lula e a reação do adversário acusando o golpe, mais uma "crítica a coisa não vista", com segundas, terceiras e quartas intenções. Me parece mais o Cesinha sendo violentado, diferente do que diz que não foi naquela época, mas não tem testemunhas. É o estupro pior que o do Código Penal. É o estupro da consciência e da honra.

Anônimo disse...

Leiam o artigo inteiro. Empresta grande verossimilhança ao fato. E foi muito bem escrito. Agora, atacar um jornal por publicar um artigo é o cúmulo do fascismo.

Anônimo disse...

Se essa história fosse mesmo verdade já era capa da Veja e matéria de destaque do Jornal Nacional! Me poupem!

Anônimo disse...

O grave desta baixaria é que se algum dia tiver algo verdadeiro, ninguém vai acreditar.

DANIEL BALHEGO disse...

Eu gosto quando o blog nos mostra as verdades que acontecem no submundo político-administrativo-social da cidade de Pelotas. Mas se vocês acham relevante essa notícia eu respeito.

ALESSANDRO disse...

Pelo amor de Deus! Se entendi direito o cara que escreveu o artigo deixou o PT e foi candidato a vice-presidente pelo PSOL. É muita magoa!
E è interesante no fato o dito subjugado ser, então, um "rapaz" de 30 anos.
O que nos espera para o ano que vem.
O Pt já antecipou a campanha e a opsição já antecipou a baixaria.

Katacultura disse...

Rubens,
Vá ao site do Terra para fazer o contraponto. Até o Zé maria, presidente do PSTU e que esteve preso com o Lula, disse que a história é mentirosa.
Agora é engraçado: como nada cola no Lula, por incompetência de uma oposição que nunca esteve na posição atual, e portanto não sabe o que fazer, querem atacáçp com questões pessoais de quinta categorai(parecido com o que foi feito com o Clinton no caso da estagiária).

Anônimo disse...

Acho o caso horroroso. Não acredito na história. Penso que ela só deveria ser divulgada se houvesse prova suficiente do que tivesse acontecido.
Agora, revidar da maneira como estão fazendo os anônimos aí de cima, usando a chamada "teoria da conspiração", é ainda mais mais ridículo. Qualquer coisa que fira os "monstros sagrados" do PT é conspiração da extrema direita! Passado alguns anos, até o mensalão, com todas as provas e evidências trazidas, já é tido como conspiração da direita!
Não pode ser assim.
Sou contra o sensacionalismo da imprensa contra quem quer que seja e não acho que ele tenha, necessariamente, um viés político.
É, no geral, regido pelo interesse midiático em si mesmo.

Anônimo disse...

Ao anônimo das 15:01. Quando a Veja ajudou e muito derrubar o Collor, lembro que os petistas a consideravam a melhor revista do planeta. É bem a história do colírio.

Anônimo disse...

Fascismo? Cuidado com o “reductio ad Hitlerum” (e suas variantes)!

As pessoas precisam entender que respeitar a liberdade de imprensa não implica deixar de criticar a mídia. Particularmente, acho cômico quando leio nas páginas da Caros Amigos artigos que responsabilizam FHC e as elites por todos os problemas do país — e reajo da mesma forma quando os articulistas de Veja culpam Lula e os petralhas até pelo calor do nordeste. Não ponho em questão o direito que ambos os veículos têm de abrir espaço para esses pontos-de-vista, o que, de outro lado, não significa que não possa criticá-los por tais escolhas. Ocorre que, no caso em questão, não estamos diante de um mero artigo opinativo. O tal César Benjamin imputou a uma pessoa a prática de um crime gravíssimo (tentativa de atentado violento ao pudor!). O fato de o acusado ser o presidente da República inevitavelmente reveste a história de interesse público, mas não torna a acusação menos séria.

Se amanhã um ex-tucano acusar FHC de assassinato, a história, por mais verossímil que se mostre, só deve ser publicada depois de checada. Ninguém precisa ser psicólogo para entender que as pessoas tendem a agir para satisfazer os próprios interesses. O denunciante, por melhores que sejam suas intenções, geralmente denuncia porque retira algum proveito da denúncia. E, às vezes, a denúncia aproveita apenas a ele. Num caso grave, e este indubitavelmente o é, um jornal não pode dar voz a quem quer que seja sem antes perquirir se a história é consistente. Quem se deu ao trabalho de ler o que o ombudsman da Folha disse hoje a respeito do artigo de Benjamin, notou que ele recomenda ao jornal que proceda à apuração factual dos eventos narrados pelo autor. Ora, mas isso não foi feito antes? Quer dizer que a Folha lança uma bomba num dia e, só no outro, começa a averiguar se a bomba de fato existe?

Nem todas as pessoas (e nem todas as ‘opiniões’) ganham as páginas do maior jornal do país. Cobrar que apenas aquelas com um mínimo de verossimilhança recebam destaque não é coisa de fascista. É coisa de quem tem respeito pela verdade e pela honra das pessoas envolvidas — no caso, por se tratar de uma tentativa de ‘estupro’, tanto o acusado quanto a vítima.

Anônimo disse...

Um absurdo.
Uma criança de 30 anos colocada em uma cela com adultos de 32 anos.
O João Batista dos Anjos, hoje um rapazinho de 63 anos, deveria pedir uma indenização ao governo que o colocou lá.

Anônimo disse...

Pois o ataque veio agora da esquerda (Cesar Benjamin). Deixem de culpar a direita.

Anônimo disse...

O dever da FSP era aconferir o que disse César Benjamim antes de publicar.
Dever, coisa inescapável, obrigatória, básica.
Isso teria sido jornalismo e não esgoto.
VEJA no tempo do Collor não publicou nada que não estivesse sendo conferido por várias fontes.
Foi a junção de várias fontes que fechou o cerco a Collor.
Muitos jornalistas de verdade, depois do artigo de domingo da FSP, fizeram seu dever de casa, entrevistaram companheiros de cela, policiais, delegados e só o que ficou de pé foi a psicopatia de César Benjamim e da FSP.
Irmãos no ódio e na mentira.