Segunda-feira, Maio 11, 2009

Boa noite

Vista do vulcão Merapi, em Yogyakarta, Indonésia.

O inferno de Yeda

O caso da governadora Yeda Crusius, do PSDB, merece ser estudado. É o caso de um governo que, desde o primeiro momento, não consegue sair das cordas. Os escândalos que levaram ao  movimento Fora Yeda parecem contaminar tudo.

Os problemas de Yeda não se restringem à ânsia do PT por recuperar o poder no estado, embora tenham a ver - e muito - não só com a mobilização petista, mas da esquerda "mais à esquerda", como o Psol. Tem a ver sobretudo com ela própria e os desencontros com sua equipe. 

Os casos são sempre cabeludos. Para completar, um corpo surgiu boiando no Lago Paranoá, em Brasília, em fevereiro. O morto: seu chefe de gabinete de 2002 a 2006, e coordenador de sua campanha, Marcelo Cavalcante. 

O escritor argentino Jorge Luis Borges diz num poema que todos nós temos "um cavalo morto escondido". Um cavalo que a maré, quando baixa, revela. No caso da governadora, parece uma manada. 

As gravações de conversas entre Cavalcante e Lair Ferst, um dos acusados por desvios de recursos do Detran para a campanha eleitoral dela (de onde teria saído dinheiro para a aquisição da casa da governadora, por R$ 400 mil), prometem manter o cadáver de Cavalcante insepulto.

O MP havia isentado Yeda no caso da compra de sua mansão, uma vez que ela justificou a origem do dinheiro. Eis, porém, que o caso volta à tona, encostando na parede inclusive o MP.

Diante do novo escândalo, levantado por VEJA, voltam a falar de impeachment. Arrisco um palpite: se instalarem uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), a coisa vai ficar feia para ela. Até porque os tucanos e a base de apoio, inclusive em nível nacional, permanecem até aqui misteriosamente em silêncio, como verifica a cientista política Lucia Hyppolito. É um sinal importante.

Os repórteres de VEJA ouviram uma hora e meia de 10 horas de fita gravadas. Imagina-se o que haverá ainda para ser revelado!

Nas gravações, admite-se o Caixa 2, e que ele continuou depois da eleição terminada, com a coleta de R$ 200 mil da Alliance One e outra quantia igual da CTA Continental, duas fabricantes de cigarros. O dinheiro teria sido doado em espécie nas mãos do marido de Yeda, Carlos Crusius. 

Um agravante: a revista só liberou a matéria depois que achou uma testemunha forte, Magda Koegnikan. 

Ela namorou Marcelo e confirmou publicamente o contato de Lair e o ex, em que o primeiro teria revelado ao segundo a existência das gravações entre eles (sobre o Caixa 2) e que as entregaria às autoridades como prova de que os responsáveis pelos desvios no Detran eram integrantes do governo Yeda e não ele. 

Ela diz ainda que Marcelo, ao ouvir as palavras de Lair, entrou em depressão e começou a beber. Daí a cometer suicídio há uma grande distância. Contudo, se a revelação da namorada fortelece a tese do suicídio, ainda que por afogamento (casos raros em se tratando de suicídio), por outro lado a confirmação das conversas por uma testemunha como ela reforça a tese do Caixa 2.

Poderá ser Magda o Eriberto França* de Yeda? Tudo pode acontecer, inclusive nada. Mas a administração Yeda está marcada pelas piores coisas. Mesmo que ela não seja impichada, aos olhos da população, ela já foi condenada.

* Eriberto França era motorista de Fernando Collor. Graças a ele a tese do impeachment do então presidente ganhou impulso no Congresso, levando-o à renúncia.

Psol revela e-mail comprometedor para Yeda

Deu na Agência Chasque
O Partido Socialismo e Liberdade divulgou nesta segunda (11), em entrevista coletiva em Porto Alegre, e-mails que forneceriam novas evidências da prática de Caixa Dois na campanha eleitoral da governadora do RS, Yeda Crusius, em 2006.

As mensagens mostram negociações para doações das empresas Odebrecht, Renner, Braskem e Tumelero para a campanha.

As empresas Odebrecht, Renner e Tumelero não constam como doadoras na prestação de contas da campanha de Yeda, o que, para o PSOL, representa fortes indícios de crime eleitoral.

Yeda veta jornalista
O correspondente do jornal Folha de São Paulo no Rio Grande do Sul, jornalista Graciliano Rocha, foi proibido de participar da coletiva de imprensa concedida pela governadora no último sábado.

Segundo informações do blog RS Urgente, Rocha não estaria entre os “jornalistas convidados”, que foram selecionados pelo governo para participar da coletiva que tratou das denúncias da Revista Veja.

Por isso, foi barrado na porta de entrada do Palácio Piratini.

Rocha foi autor de matérias investigativas sobre a fraude no Detran e as denúncias de corrupção no governo Yeda.

Puro prazer: Ben Shahn

Obra do pintor social-realista Ben Shahn.

Prefeitura nega 'aumento salarial' de 12,6%

Prefeitura diz "não" à proposta de reposição salarial, feita pelos servidores, alegando que causaria "rombo" de R$ 29 milhões no orçamento

A prefeitura não aceitou a proposta do Sindicato dos Municipários de Pelotas (Simp) de 12,6% de reposição salarial, 5% de aumento real e aumento de R$ 50 no vale-alimentação, passando para R$ 130.

A alegação é de que a proposta causaria um “rombo” de R$ 29 milhões no orçamento da cidade. Para o secretário municipal de Governo, Abel Dourado, a proposta, "ainda que justa, é irreal e fora de questão".

“É impossível desconsiderar a calamitosa crise econômico-financeira mundial, que derrubou todas as previsões de receitas”, disse Dourado, acrescentando que "o governo atual, na gestão anterior, implantou o vale-alimentação e desde 2005 concedeu reajustes superiores à inflação".

Dourado alegou também que o Executivo chegou ao limite da prudência em relação aos gastos com a folha salarial do funcionalismo, em função das restrições legais da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Dourado disse ainda que a prefeitura busca alternativa – no contexto do seu orçamento – para conceder reajuste que reponha a inflação do período.

Orçamento de Pelotas
O orçamento próprio de Pelotas (proveniente da arrecadação de tributos) é hoje, segundo dados da prefeitura, de R$ 250 milhões anuais. Com o acréscimo de recursos de fora (Banco Mundial etc.), o orçamento da administração direta e indireta (autarquias) chega a R$ 440 milhões.

A pedido

Opinião da Direção Geral da Escola Mario Quintana de Pelotas sobre a nova forma de ingresso nas universidades

Carlos dos Santos Valério
Diretor Geral
Escola Mario Quintana


"Para nós, achar que a simples mudança na forma de ingresso das universidades federais possa melhorar o ensino público e privado do país é de tamanha ingenuidade que não nos atrevemos a discuti-la. É tergiversar sobre inteligência. Queremos é esclarecer e alertar! Nossa escola há muitos anos vem se destacando em Pelotas e na Zona Sul como a que obtém os melhores resultados nos vestibulares das federais, PAVE, ENEM, bem como em todas as outras atividades em que se faz presente.

Há 15 anos que nossos alunos obtêm colocações muito boas e excelentes nos mais variados modelos de ingresso nas universidades.

Essa é a quinta (5ª) mudança da UFPEL quanto ao formato de ingresso, nesses últimos anos, e já houve mudanças mais radicais do que a proposta agora. Foi quando implementaram o vestibular interdisciplinar e analítico-expositivo (se dizia na época que os alunos de fora ficariam com todas as vagas da UFPEL) e em todas elas, nossos alunos concorreram com os de outras regiões, pois muitos alunos de Porto Alegre, Santa Catarina, Rio, São Paulo, Paraná vieram para cá.

No entanto, aprovamos inclusive com 1º lugar geral em mais de um ano, na Medicina, na Odonto e no Direito da UFPEL. Também na Medicina da Católica, Oceanologia e Medicina da FURG, Medicina e Educação Física da UFRGS.

Nossos alunos foram aprovados também na UFRJ, na UNICAMP, na UnB em Brasília, na PUC, na UFSCAR em São Paulo, na UFPR do Paraná, na UFSC em Santa Catarina, na FURB em Blumenau, na ESDHC em Minas Gerais, em Recife, etc.

Temos aprovações nas Federais e nas principais universidades do Brasil. Divulgamos o nome dos nossos alunos, o curso e a universidade em que são aprovados. No jornalismo da UFRGS, no teatro, nas artes cênicas, na economia, enfim: “Nossos alunos passam aonde querem ir”.

Somos uma Escola com alunos que estudam nos principais centros educacionais do país, e o que é mais importante, saindo-se bem. Passaram pelo nosso Terceirão, com aulas em dois turnos, praticamente todos os dias da semana.

Portanto, esse novo modelo não está nos pegando despreparados. Há anos que investimos, financeiramente, em corpo docente, área física, instalações, tecnologia e propostas pedagógicas contemporâneas. O que pode atrapalhar é o tempo exíguo (3 e 4 de outubro de 2009), e não o modelo do novo ENEM.

O formato anterior era facultativo e não contribuía em nada para os alunos não dependentes de PROUNI (o que é outra discussão!). O que vinha acontecendo?

Estranhamente, algumas escolas privadas (as melhores colocadas no ranking gaúcho, por exemplo) tiveram apenas 13, 15, 30 alunos no máximo, realizando a prova do ENEM antigo, o que, é óbvio, medida que contribuiu e muito para aumentar a média geral dessas escolas.

Todos esses agora terão uma nova realidade: a obrigatoriedade do novo ENEM. Com apenas 20 alunos inscritos ficaríamos, certamente, entre as melhores escolas do Brasil (no quesito média). Em janeiro, quando saírem os resultados, é que veremos quem é quem.

Nossos alunos, com 16 anos na maioria, estão estudando com garra e determinação. Nossos professores estão mobilizados. Temos aulas desde o ensino fundamental em dois turnos, e também, por isso colhemos os melhores frutos.

Se queremos uma Pelotas figurando no cenário educacional estadual e nacional, apareceu a chance. Queremos que a Mario Quintana possa vir a ser a melhor do Estado e, quiçá, do Brasil, em todos os aspectos educacionais e culturais que a sociedade moderna exige.

Estamos investindo economicamente em novos e pioneiros modelos pedagógicos. Temos a fidelidade dos pais e dos alunos. Encaramos esse novo ENEM apenas como mais um desafio. E, como diz o nosso poeta maior: “ 'Todos estes que aí estão, atravancando o meu caminho, eles passarão, eu passarinho' ”.

Fetter diz que lei de licitação é "burra"

Fetter: entrevista de duas horas no gabinete
Blog: Por que a prefeitura não faz licitação para o transporte coletivo na cidade?

Fetter Jr.: Nós temos pesquisas de avaliação dos serviços públicos na cidade, inclusive por concessão, como no caso do transporte coletivo. Nessas avaliações, o transporte coletivo é o item com notas mais altas, de 8 para cima. Opinião da população. Essas pesquisas vêm de três prefeitos, uma série de 15 anos.

Elas, as pesquisas, mostram que o transporte local não é ruim, apesar de apresentar problemas pontuais, como falta de horários, trechos a descoberto.

São empresas que atuam aqui há muito tempo. A Turf está fazendo 50 anos. A Santa Maria também. A Kopereck e Bosembecker também são antigas, outras são mais recentes.

De um tempo para cá a legislação disse que tem de haver licitação. Isso pressupõe você trazer empresas de fora. Porém, com um sistema como o nosso, que tem empresas daqui, comprometidas com a cidade, com boa avaliação, penso que fazer licitação por fazer licitação não é muito lógico.

Entendemos que é preciso melhorar, tudo sempre pode melhorar. Há alguns problemas localizados, nós concordamos. Agora, fazer licitação por fazer parece um caminho equivocado, uma vez que a população gosta do serviço e são empresas de Pelotas, que praticam a passagem mais barata do RS em cidades de porte médio.

Qual é a lógica disso? Só porque alguém inventou em Brasília que tudo tem que ser licitação... O transporte é uma área em que temos de fazer melhorias, mas que temos de fazer bem, sob pena de desorganizar algo que é bem aprovado, empresas que geram emprego aqui, que investem aqui.

Daqui a pouco, uma mega empresa de São Paulo, com 5 mil ônibus, que não tem compromisso nenhum com a cidade, ganha a licitação, bota um preço mais baixo e, depois, nós teremos muita dificuldade de controlar esse serviço.

Blog: Mas esta situação não é ilegal?

Fetter Jr: No meu ponto de vista é uma situação consolidada pela prática. O Ministério Público cobra toda hora a concorrência.

A gente tem procurado mostrar que, para fazer licitação, teríamos que dar um tempo para que essas empresas tenham condições de competir com empresas de fora, sob pena de nós tirarmos o transporte do controle local.

Eu não sou contra a licitação, desde que haja prazo para as empresas daqui se ajustarem e poderem competir em âmbito nacional. Nesse caso, eu não me oporia.

Eu me oponho é fazer a licitação pela licitação - porque inventaram de fazer uma lei. Uma lei que considero burra, já que ela é feita para vigorar nacionalmente, sem levar em conta situações específicas.
* O trecho acima faz parte de entrevista concedida ao blog pelo prefeito Fetter Jr. A íntegra será publicada até o final desta semana.

Nova enquete: Transporte coletivo

Responda à nova enquete, aí do lado.
Por que a prefeitura não faz licitação para o transporte coletivo na cidade?
Podem ser registradas mais de uma resposta.

Ministério Público tenta desde 2003 fazer com que prefeitura realize licitação para escolha de empresas de transporte coletivo em Pelotas

Até hoje o caso não teve solução. Um inquérito está correndo há 60 dias, na tentativa de obrigar o Executivo a cumprir a lei. Prefeito é contra

Em entrevista ao blog, o prefeito de Pelotas, Fetter Jr., explicou assim a ausência de concorrência pública para escolha de empresas de transporte coletivo na cidade: 

"Só porque alguém inventou uma lei nacional em Brasília (exigindo licitação), eu não sou obrigado a concordar". 

Segundo Fetter, "se for aberta concorrência, uma empresa forte de outro estado pode vencer a licitação, com preços mais baixos, e prejudicar as empresas locais, que estão operando há 50 anos na cidade". 

O prefeito disse ainda que, em pesquisa, a prefeitura constatou que a maior parte da população está satisfeita com a oferta do serviço na cidade, o que reforçaria a decisão de proteger o mercado local.

Histórico do caso
Segundo o promotor de Justiça Jaime Chatkin, desde 2003 o Ministério Público Estadual em Pelotas tenta que seja realizada na cidade licitação pública para a escolha de empresas de transporte coletivo. 

"Na época, foi feito um acordo com a Prefeitura e uma licitação chegou a ser aberta. Por questões técnicas, o edital foi anulado em 2004 pela Justiça, que entendeu que as empresas que prestam esse serviço em Pelotas deveriam ser notificadas com dois anos de antecedência da abertura da licitação", afirmou.

Depois disso - afirma - a Promotoria realizou inúmeras tentativas junto ao Poder Público para que fosse reaberto o certame. Mas sem sucesso. O MP então teve de ajuizar ação judicial para executar o acordo antes referido.

Diante da demora deste processo judicial, e da possibilidade de que o acordo não fosse referendado pelo Judiciário, o MP optou por desistir da ação e abrir um novo inquérito civil para investigar a questão do transporte coletivo em Pelotas.

Este inquérito está tramitando há cerca de 60 dias e aguarda resposta da Prefeitura aos questionamentos feitos pela Promotoria.

"O MP tem por objetivo alcançar um acordo extrajudicial com o município para realização da concorrência. Se não for possível, o MP vai tomar as providências judiciais cabíveis", conclui o promotor Chatkin.

Pelotas tem medo da meritocracia

Do vestibular ao transporte coletivo é necessária a intolerância radical com a ineficiência. No transporte, o “vício pelotense” ficou claro em entrevista do blog com o prefeito Fetter Jr, a ser publicada nesta semana. Desde 2001 não há licitação para operar as linhas, contrariando a lei


Victor Schroder
Geógrafo

Em assuntos tão distantes quanto “novo vestibular” e “transporte coletivo” nota-se um vício muito prejudicial da sociedade pelotense: o medo da meritocracia. Substituir em corações, mentes e políticas públicas o provincianismo é condição essencial para a Pelotas bicentenária. O vestibular unificado nacionalmente é um avanço para o país como um todo: é necessário que os melhores estejam na Universidade, para suprir a enorme carência no desenvolvimento da ciência e tecnologia. Além disso, haverá efeitos no Ensino Médio, onde o ensino burocrático deverá ser substituído pela busca do entendimento das matérias.

Mas em Pelotas vê-se um movimento contra essa mudança: teoricamente é preciso preservar os estudantes locais. O problema não estaria no nosso sistema de ensino, fraco em comparação às regiões desenvolvidas do Rio Grande do Sul?

Os professores, os gestores do sistema de ensino e os jovens devem redobrar seus esforços, o que será benéfico para a região em geral, mesmo que o impacto inicial seja drástico. No entanto, prefere-se proteger o despreparo, ao invés de preparar, inclusive com o aplauso de políticos locais.

O mais curioso é que vivemos numa cidade universitária. Os estudantes de fora são peça essencial da economia local (coisa que poucos dimensionam). Seria surreal que houvesse um movimento tão mesquinhamente bairrista em Santa Maria, Rio Claro ou qualquer outra cidade que depende da universidade e seu poder de atração. Isso tudo que sem contar que toda a verba é federal, apenas a localização é em Pelotas.

Da mesma forma, o “vício pelotense” mostrou-se bem claro na entrevista do blog Amigos com o prefeito Fetter Júnior. Revelou-se a situação do transporte público urbano local. Desde 2001 não há licitação, o que é uma exigência legal.

Apesar das pressões do MP, o prefeito pensa que abrir um processo licitatório, em nível nacional – como é obrigatório – seria prejudicial às empresas de ônibus locais, já que estas não estariam preparadas para concorrer com as tarifas de outras companhias do centro do país. Protege-se um sistema de ônibus que, apesar de relativamente barato, é de má qualidade em comparação com outras cidades.

Não há nada mais pelotense do que o medo que a máscara caia e que os pontos fracos da cidade fiquem à mostra. Talvez uma abertura radical da cidade para o país e o mundo – traumática, sem dúvida, de início – exponha nossas mazelas de tal forma que fique impossível conviver com essas injustiças, compadrismos, burocracia e ineficiência.

Hoje faz 105 anos do nascimento de Dali

Salvador Dali veio ao mundo na cidade espanhola de Figueras, a 11 de Maio de 1904. Desde cedo mostrou inclinação para a pintura.

Jovem, foi viver em Madri, onde entrou para a Associação Catalã de Arte e para a Escola de Belas Artes de Madri.

Na capital, dividiu apartamento com dois outros jovens expoentes das artes: o cineasta Luís Buñuel, surrealista como Dali, e o poeta Federico Garcia Lorca, para se ter ideia da efervescência de talentos naquela época.

Os três foram amigos por muitos anos, mas se afastaram. Lorca foi assassinado pela ditadura de Franco. Buñuel e Dali trocaram farpas pelo resto da vida, embora, no final, as desavenças tenham refreado.

Buñuel era ateu, o que naquele tempo era pior do que ser comunista. Dali, porém, deu uma entrevista em que falava do "ateísmo" do "amigo". Buñuel teve problemas sérios com a revelação. Para se vingar, tornou público que, em toda a vida de Dali, ele só tivera relações sexuais com uma mulher, com a qual casara, chamada "Gala".

Disse também que, quando Dali era assediado sexualmente por milionárias encantadas com sua obra, o máximo que fazia com elas era pedir que fritassem ovos e os esmagassem contra o seu corpo nu. Buñuel aproveita esse relato para levantar uma provável relação entre esse hábito e o nome da mulher do pintor - Gala.

Dali foi polêmico e provocador. Para se ter ideia de onde poderia chegar, dias depois do sequestro do filho do aviador Charles Lindenberg, primeiro homem a cruzar o Oceano Atlântico num monomotor, Dali foi a uma festa a fantasia vestido de "bebê Lindenberg assassinado". Dali morreu a 29 de Janeiro de 1989. (RF)

Enem traz ganhos para o país


João Alberto da Silva
Doutor em Educação

A iniciativa do Ministério da Educação de introduzir o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio)  como prova de seleção para o ingresso nas universidades têm gerado controvérsias entre os gaúchos. No Rio Grande do Sul, a UFPel, a Unipampa e a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre decidiram adotar integralmente o exame. A Furg vai usar o Enem para 50% de suas vagas.

Algumas premissas têm de ser esclarecidas antes de se iniciar o debate. A principal delas é que o Enem é uma prova de qualidade que supera os exames de memorização. Além disso, ele vai retirar das universidades o peso de organizar uma prova tão complicada como é o vestibular, isto é, o governo vai economizar dinheiro e trabalho.

Por outro lado, a intenção do Ministério é muito mais mexer com o Ensino Médio. Ainda que haja os parâmetros curriculares nacionais, muitas escolas não os seguem por ausência de coerência pedagógica. Agora, terão de se acordar as necessidades mínimas indicadas pelo Conselho Nacional de Educação.

O ensino da memorização e as avaliações que verificam respostas estarão fora de contexto, pois o novo exame enfatiza a solução de problemas e a aplicação dos conhecimentos. Os cursos pré-vestibulares vão ter de se adaptar, pois suas metodologias de músicas e aulas engraçadas não servirão para uma prova que prima pelo uso da inteligência.

Os adversários do Enem indicam que o novo método vai permitir a mobilidade dos estudantes em território nacional. Um estudante do fundo do Pantanal ou no meio da Amazônia poderá concorrer a uma vaga na UFPel.

Para alguns, essa universalização é um problema, pois traz concorrência a estudantes que moram na região. Ora, isto deveria ser visto como uma oportunidade de melhorarmos ainda mais a educação local. A concorrência e a meritocracia podem estimular o desempenho de nossas escolas e estudantes.

Para ajudar os leitores do blog a visualizar o que é a perspectiva do novo Enem, proponho um desafio de inteligência. É uma prova simples, mas que não exige memorização e sim raciocínio, bem ao estilo do que o novo exame quer avaliar. Cliquem neste link (ele dá acesso ao desenho acima) e tentem “cercar o gato”. Ele vai pulando e tenta escapar do espaço. Você pode clicar nos círculos para que o gato não possa fugir. 

Os que se aventurarem, deixem um comentário sobre como se saíram. Provavelmente os que tiveram um ensino baseado na memória encontrarão dificuldades.

Outros artigos de João Alberto
E-mail para o autor: joao.alberto@ufrgs.br

O doutor Jivago


Marcos Macedo
Crítica Literária

Ao transpor para as telas o livro Doutor Jivago, de Boris Pasternak, o diretor de cinema David Lean temia destruir o romance, ao compactar a narrativa complexa, repleta de subtramas, discursos e digressões, para adaptá-la à linguagem cinematográfica, linear e visual. David Lean e o roteirista Robert Bolt discutiram seriamente ao longo de dez meses sobre qual aspecto da vida dos personagens deveriam dirigir o foco: o drama político ou a história de amor.

O romance não foi destruído, mas, bastante simplificado, o que reduziu a complexidade da trama e dos personagens. Doutor Jivago é uma obra essencialmente literária, diferente, por exempo, de O Caçador de Pipas, de Khaled Hosseini, que prefere as metáforas visuais às genuinamente literárias, e desenrola-se na ação, em diálogos curtos e imagens.

Impossível não ler O Caçador de Pipas com a sensação de que ele foi escrito prevendo a adaptação para o cinema, quase como um roteiro, o que é um tanto decepcionante para os leitores que apreciam os recursos estritamente literários. Fica-se com a sensação de perda de tempo ao ler o livro e assistir ao filme; são tão iguais que apenas um dos dois bastaria.

Não é o caso de Doutor Jivago. Livro e filme são bastante diferentes, cada um usa os recursos de sua arte. O filme é fabuloso, mas deixa uma sensação de que Jivago e Lara são burgueses alienados, cujo amor a Revolução Russa atrapalha.

Eles parecem procurar escapar dos horrores daquele tempo, indiferentes ao sofrimento à sua volta. “Não teria sido lindo se tivéssemos nos conhecido antes? Teríamos casado, tido filhos”, perguntam-se.

O livro é muito mais brutal na exposição da insanidade geral daqueles tempos, o que ressalta a doce mansidão de Jivago, e a torna ainda mais comovente e complexa.

No episódio que antecede a deserção de Jivago do Exército Vermelho, não levado ao cinema, o soldado Palykh, enlouquecido, após testemunhar o esquartejamento de prisioneiros vivos, mata a esposa e os filhos pequenos, para poupá-los de torturas e mutilações às quais ele imaginava pudessem vir a ser submetidos.

No livro, Jivago e Lara estão insatisfeitos com sua impotência e com a sufocação das opiniões próprias em benefício dos slogans dos comissários da revolução. Agem no que está ao seu alcance para mitigar os horrores daquele tempo, e não estão, como no filme, dedicados a viver seu idílio em Varykino.

O que no filme é simples entretenimento amoroso, no livro é repleto de tensão e alheamento entre Jivago e Lara.

Serviço
Doutor Jivago
Boris Pasternak
Editora Bestbolso.
756 p.
R$ 19,90

A nova quadra do Theatro Guarany

Ars Longa
Crítica de cultura

A reforma urbanística da quadra do Theatro Guarany está praticamente pronta para a inauguração, quarta-feira próxima (13). O espaço foi reconfigurado como lugar de encontro humano; carros poderão passar, mas somente numa fila, num sentido e em baixa velocidade. O projeto também quer a melhor conservação arquitetônica de um quarteirão considerado "virgem" (todas as construções originais, e anteriores a 1920).

Leitores do blog protestaram pela dissonância estética e histórica representada pelas novas lixeiras, cadeiras e luminárias. Enquanto os prédios antigos deveriam ser considerados como "donos de casa", os modernos móveis recém chegados chamam a atenção pelo contraste.

Observando um pouco melhor, temos casas do século XIX, o teatro é da primeira metade do século XX e os edifícios na quadra seguinte são dos últimos 40 anos. A mistura já estava feita; mesmo que as lixeiras e luminárias quisessem tomar partido, o desacordo seguiria. Assim, optaram mesmo pelo século XXI, frisando a antiguidade dos casarões.

Agora, quem passar por aqui não poderá retornar ao século XIX. Se alguém quiser fazer um filme de época, terá que apagar digitalmente as lixeiras e os faróis. Os turistas saberão que estamos em 2009, num museu ao ar livre onde há peças de todas as idades, misturadas. Assim como os seres humanos.

Domingo, Maio 10, 2009

"Publicidade" ou o jogo dos erros...

O anúncio publicitário acima saiu publicado na página 29 do jornal Diário Popular de hoje, 10 de Maio.

Pelo visto, a Universidade Católica de Pelotas está mesmo atravessando período difícil, já que ninguém da agência de propaganda, da reitoria ou da assessoria de comunicação foi capaz de perceber dois erros grosseiros de português num texto de nove palavras.

A sorte da universidade é que as mães, ainda mais no "seu dia', perdoam tudo.

Anjos e demônios chega aos cinemas dia 15



Estreia no Brasil, no próximo dia 15, o filme Anjos e Demônios, do mesmo autor (Dan Brown) de O Código Da Vinci, fenômeno literário e de bilheteria nos cinemas. A história foi escrita antes de O Código, mas também envolve o Vaticano e os mistérios bíblicos.

Como sempre, o Vaticano "colabora" no lançamento da fita, recomendando ao mundo que "boicote" o filme. Depois de vê-lo, o bispo Antonio Rosario Mennonna, de 102 anos, fez denúncia na Procuradoria de Roma e de Potenza, chamando-o de "difamatório e ofensivo aos valores da igreja e ao prestígio da Santa Sé" e pedindo que os fiéis não o assistam.

As reações do Vaticano acabam alimentando a curiosidade do público, como aconteceu com o filme anterior, a esta altura esquecido e, como era sabido, incapaz de abalar a estrutura da Igreja.

Dirigido por Ron Howard, 55, que também rodou O Código, o novo filme tem mais ação e nenhum sexo.

O protagonista é o simbologista de Harvard Robert Langdon. A ele cabe a tarefa de desvendar uma série de assassinatos de cardeais cotados para assumir a vaga de Papa.

Coração feminino

Um homem que apareça na casa da mulher pretendida carregando um buquê de flores, uma caixa de bombons e uma garrafa de vinho, pode ser feio, é capaz de conquistar até o coração da empregada. Se alguma vizinha vir a cena, conquista ela também. Inclusive no Dia das Mães.

Observações erótico-literárias

"A todos os ditos predicados juntava C. um espírito justo, agradável, mais educado até do que o deveria ser, numa situação triste como aquela em que a sorte a colocara, pois ela sentia-lhe todo o horror e teria sido muito mais feliz com uma percepção menos delicada.

D., que a havia educado mais como cortesã do que como sua filha e que não se preocupara tanto em dar-lhe talentos como certos costumes, não conseguira todavia destruir no seu coração os princípios da honestidade e da virtude que, por prazer, a natureza parecia nela ter gravado.

Não tinha religião, jamais lhe tinham falado de tal coisa, jamais lhe tinha sido permitido qualquer exercício religioso, mas tudo isso não fora bastante para extinguir nela aquele pudor, aquela modéstia natural que são coisa independente das quimeras religiosas e que dificilmente se podem apagar numa alma nobre e sensível".

Marquês de Sade
in Os 120 dias de Sodoma - Edições Antígona

Cantinflas e o MST

José Alexandre Zachia Alan
Promotor de Justiça

Opinar quando se está irritado em geral traz arrependimento. Especialmente quando se assina e põe o mail embaixo. Mas vá lá, corro o risco. Reli o texto que escrevi sobre o MST e vi que não fui suficientemente claro. Então, vou tentar de novo.

O Ministério Público é contra a existência do MST? Não é, nunca foi e nem poderia ser. Assim porque a instituição trabalha à perseguição de condutas ilícitas e não a policiar o pensamento ou a organização lícita dos cidadãos.

Então, caso se organizem a reclamar pela falta de terra, contra o neoliberalismo, para dar vivas ao Che Guevara ou ao Cantinflas, ninguém, e o Ministério Público menos ainda, tem algo com isso.

Todavia, se a dar vivas ao Cantinflas resolverem, por exemplo, realizar quebradeiras em prédios públicos, a perseguição desses ilícitos cumpre ao Ministério Público. Mas e o procurador que queria extinguir o MST? Existe (ou pelo menos existia), sendo que se noticiou - teria desistido. Mas essa é a posição dele, lançada em determinado voto do Conselho Superior do MP, tese, pelo que me consta, sequer vencedora. Mais: essa tal opinião, ainda que fosse a do colegiado, não vincularia os demais promotores. Seria o mesmo dizer, em último termo, que a soltura do banqueiro Daniel Dantas pelo STF reflete a opinião do poder judiciário brasileiro acerca do tema - é de uma má compreensão absurda. Se ainda não está claro, lá vai: não sou a favor da extinção do MST. Contudo, se bloquearem estradas ou atitudes similares na minha área de atuação, terão o mesmo grau de repressão endereçada a qualquer conduta ilícita; nem mais nem menos.

A minha irritação de hoje se deve especialmente por conta da manifestação do MST em frente à Promotoria de Pelotas – pacífica, ordeira, como deveriam ser todas as demais, aliás. É que, no desdobramento desse acontecido, foi colhido o Dr. Paulo Charqueiro, um dos mais honrados, capazes e conciliadores agentes com o qual conta o Ministério Público. Professor de nós todos.

Posso lhes garantir ainda mais uma coisa: se todos os que opinaram negativamente nesse espaço e mesmo os integrantes do MST que se acharam ali acampados soubessem de apenas parcela da história institucional do Dr. Charqueiro na defesa dos direitos humanos, enrolariam suas bandeiras, guardariam seus teclados e iriam se esconder em um lugar bem escuro.

Duas lições, então: o pensamento de um não é o pensamento de todos; falar apenas do que se sabe.

Sábado, Maio 09, 2009

Tributo a Ronaldo, 'fenômeno'

Por que não te calas, Berzoini?

Deu na Agência Reuters
Um eventual governo do PT a partir de 2011 daria uma guinada mais à esquerda e alinharia a atuação do Banco Central aos interesses do governo, afirmou à Reuters o presidente do partido, deputado Ricardo Berzoini (SP).

O parlamentar garante, entretanto, que uma possível administração da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), pré-candidata à sucessão petista, não faria "aventuras" e manteria os fundamentos econômicos seguidos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Para Berzoini, o comando do Banco Central na nova gestão precisaria estar alinhado aos desejos do Palácio do Planalto.

"O Copom pode ter sempre seu debate técnico, que é o debate essencial para discutir política monetária, mas ele tem que casar esse debate com a vontade do governo federal, a vontade do Poder Executivo", disse.

Para matar saudades dos anos 70

Charge da hora





Gustavo Ramos Zimmer.
E-mails para o autor: gustavo_zimmer@yahoo.com.br

A operação abafa do PT

Comandado por Tarso Genro, base governista montou esquema para rejeitar proposta de apuração de tortura contra empregada doméstica gaúcha

Deu na Carta Capital
Por nove votos a cinco, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados rejeitou, na quarta-feira 6, a realização de uma audiência pública para apurar as denúncias de tortura, no Rio Grande do Sul, contra a empregada doméstica Ivone da Cruz, em 2001, durante interrogatório comandado pelo delegado Luiz Fernando Corrêa, atual diretor-geral da Polícia Federal.

O requerimento havia sido feito pelo deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) com base em reportagem publicada na edição de 25 de março de CartaCapital.

Ivone acusa Corrêa de tê-la torturado, com a ajuda de outros agentes da PF gaúcha para que confessasse a participação em um assalto na casa da avó da mulher do delegado federal. Por causa das supostas sevícias, Ivone ficou cega.

Na Câmara, a empregada tem a companhia de outro denunciante, a ser convocado pela CDH, o deputado José Edmar (PR-DF). Há seis anos, o parlamentar acusa Corrêa de, também, tê-lo torturado.

Yeda: escutas indicam Caixa 2 na campanha

Deu na Veja
A governadora Yeda Crusius enfrenta nova turbulência. Revista Veja deste fim de semana traz matéria feita pelo jornalista Igor Paulin. Ele ouviu fitas em poder de procuradores da República. 

Segundo ele, elas revelam supostas conversas entre Marcelo Cavalcante, assessor de Yeda que se suicidou em fevereiro, e o empresário Lair Ferst, um dos arrecadadores de campanha.

Diz o repórter:
(...) [Marcelo] conta que, após o segundo turno, coletou R$ 200 mil da Alliance One e outros R$ 200 mil da CTA-Continental (duas fabricantes de cigarros), doações em dinheiro. O ex-assessor diz que entregou esse dinheiro a Carlos Crusius, marido da governadora.

Procurados por VEJA, os executivos da Alliance One negaram ter abastecido qualquer caixa dois e mostraram um recibo que comprova a transferência bancária de R$ 200 mil para o diretório estadual do PSDB. Já a CTA-Continental contesta ter feito qualquer doação à tucana.

"Se me perguntar se me pediram dinheiro, direi que sim. Mas não levaram", diz Allan Kardec Bichinho, presidente da empresa.

Marcelo afirma que algumas despesas do comitê eleitoral de Yeda foram custeadas pela agência de publicidade DCS, que não prestava serviços à campanha nem fez doações oficiais. Segundo o ex-assessor, a DCS pagou, por exemplo, suas passagens aéreas e diárias no flat Swan Molinos, em Porto Alegre.(...)

O ex-assessor diz que avisou Yeda sobre o esquema de corrupção no Detran gaúcho e conta ter entregado à governadora uma carta de oito páginas na qual o empresário Lair Ferst descrevia o modo como os recursos eram desviados da repartição. Ferst escreveu essa carta para tentar livrar-se da suspeita de envolvimento no esquema.

Pressa na mudança do Enem aumenta a insegurança dos vestibulandos

Há dúvidas se a prova com 200 questões em dois dias é produtiva. Quem prestará vestibular pegou a transição, que é o momento mais difícil

Ana Cássia Maturano
Do Site G1

A proposta do ministro da Educação, Fernando Haddad, para modificar o Enem e o ingresso nas universidades federais do país, tem causado muita polêmica entre alunos, professores de cursinho e até do ex-ministro da Educação, Paulo Renato de Souza. Um dos questionamentos é de como estudantes e cursos pré-vestibulares irão se preparar para esse modelo de prova.

O novo sempre traz certo desconforto. Embora as mudanças às vezes sejam necessárias, geram insegurança por estarem na ordem do pouco conhecido. A transição de um modo de se vivenciar algo para outro é sempre bastante delicada.

A dúvida para os cursos preparatórios reside no conteúdo da prova. Ela é aparentemente estranha visto que o conteúdo será baseado nos Parâmetros Curriculares Nacionais do ensino médio. Que é o que, ao menos se supõe, orienta as escolas de todo o país.

Bem, aqui já tem um problema: segundo consta, há diferenças regionais nesses parâmetros e a prova será unificada. Quanto ao estilo das questões, é algo que não os preocupa. Em como serão feitas as questões tem angustiado os alunos do ensino
médio.

Um deles, em entrevista ao G1, disse que vinha sendo “moldados” para um tipo de prova que não esse, sentindo-se desrespeitado por essa mudança de uma hora para outra. Outros consideraram que teriam que mudar a regra pela qual vinham estudando.

Recursos intelectuais
Num primeiro momento, uma prova que considera mais o raciocínio do aluno, que é o pretendido por esse novo formato, parece ser mais fácil (não sabemos como isso ocorrerá na prática). O aluno poderá contar mais com seus recursos intelectuais e se preocupar menos em saber tudo o que está nos livros.

As colocações feitas pelos estudantes remetem a um tipo de aluno que se pretende combater: aquele que decora literalmente a matéria.

Estudantes com um perfil assim não conseguem um bom desempenho caso uma vírgula daquilo que estudou/decorou seja mudado. No caso, o enfoque do processo de aprendizagem está no professor e na transmissão do conhecimento, não no aluno e em seu desenvolvimento. No caso, a preocupação do aluno é que se mudar o jeito da prova, não saberá mais como fazê-la.

Para quem estuda e compreende a matéria oferecida na escola, não importa o modo como o conhecimento será solicitado. Com certeza, o estudante terá condições de responder de acordo com o necessário.

Há muita fantasia em torno desse assunto. Os alunos querem conhecer o novo modelo para poderem se moldar. Ora, suponhamos que isso seja verdade. É algo extremamente preocupante, pois tantos anos de escola não teriam servido para nada. Os aprendentes seriam meros repetidores de um conhecimento. Ambos, conhecimento e alunos, estariam paralisados, sem espaço para a transformação.

O que isso deixa claro é que não confiam em usar suas próprias ferramentas de pensar. Não confiam em si, em seu próprio talento.

Pressa
No entanto, um fator que provavelmente esteja assustando a todos e contribuído para tanta polêmica é a pressa com que estão querendo fazer essa mudança. Ainda não deu tempo para assimilá-la.

Em abril, a idéia foi lançada e, em outubro, serão os exames. Sendo que não se sabe direito quais federais irão aderir. Sem contar a extensão da prova (200 questões em dois dias!!). Será que esse formato realmente é produtivo?! Como se chegou a esse número de questões?

Ir devagar é sempre um caminho mais proveitoso. Ainda mais levando em conta o que se pretende fazer. Não basta ter uma boa idéia. É preciso saber como executá-la de modo que ela seja realmente boa.

Quanto à insegurança dos alunos, não adianta se afobar. Quem está para prestar o vestibular pegou a transição, que é o momento mais difícil. Porém, para aquele que realmente estudou e não perdeu seu tempo com “decoreba”, com certeza não haverá grandes problemas. Basta confiar em sua capacidade de resolver problemas.

Para os outros, as chances são as mesmas que no estilo de prova de vestibular já conhecido. Que, apesar das críticas, não exigia só conteúdo.

Café Rivoli


Slow Food
Crítica de Gastronomia

Há duas semanas foi inaugurado um novo café ao norte da Bento Gonçalves, confirmando a tendência de ampliação do chamado "centro da cidade" até a Dom Joaquim. De forma parecida a como a Zona Norte é uma continuidade urbana do Centro Histórico, o Café Rivoli é uma extensão da padaria Pane Mio.

Os donos, Jorge e Fernanda, estiveram recentemente em Paris e se inspiraram na Rue de Rivoli para o novo local que ficaria defronte à panificadora. Associaram a criação sofisticada de sanduíches à riqueza dos pães já produzidos, e trouxeram de Florianópolis uma gastrônoma especialista em cafés, para ensinar a confecção das bebidas.

O cardápio se mostra interessante pela organização, simplicidade e variedade: 32 sanduíches, 39 opções de cafés, chás e chocolates (frios ou quentes, com ou sem licor), uma dúzia de outras bebidas, e outros tantos tipos de salgados e doces.

Pedimos o sanduíche Triomphe (R$ 5,30), um equilibrado conjunto de sabores fortes e suaves: presunto, tomate seco, azeitona e brotos de alfafa, recheando um pão ciabatta partido em três.

O acompanhamento foi um Coffee Junior (R$ 4,30): combinação espumosa e firme de espresso com suco de laranja, leite condensado e mel. Ainda apetecendo algo doce, optamos pela torta doce Rivoli (R$ 3,90), que na verdade é um impressionante brownie com nozes picadas e três bolas de sorvete de creme.

Todos os nomes de sanduíches estão em francês, dando uma oportunidade para treinar esse idioma e inclusive relacionar as palavras com lugares românticos: Chamonix, Pigalle, Moulin Rouge, Lafayette, Saint-Michel. Mas Pelotas já não é o que foi, e vamos pelo caminho fácil para todos: pedir pelo número. Por que não aprender um pouco da língua de Edith Piaf?

A casa não é grande, o que facilita a relação com os clientes. A decoração é moderna, sem perder o ar sóbrio europeu. Com tantos aspectos sugestivos e criativos, o Café Rivoli nos traz à imaginação e ao paladar um pedacinho de Paris. Um bem delicioso.

Serviço
Osório esquina Rafael Pinto Bandeira.
Das 7h30 às 20h, de segunda a sábado.
Domingo, após 16h.

Há 49 anos, a pílula 'liberava' a mulher

Em 9 de Maio de 1960, a U.S. Food and Drug Administration aprovou o uso da pílula anti-conceptiva. Até então, a abstinência e a esterilização eram os métodos mais seguros de controle de natalidade. O surgimento da pílula deu início ao movimento de liberação feminina, que mudaria comportamentos e culturas e fortaleceria o negócio de motéis.

IF Sul terá campus em Venâncio Aires

Na próxima segunda (11) o Instituto Federal Sul Rio-grandense lança às 11h a pedra fundamental do Campus Venâncio Aires. O município, onde vivem 70 mil habitantes. "Será passo importante para o fortalecimento das expectativas de desenvolvimento da região", diz o reitor do IF-Sul (que tem sede em Pelotas), Antônio Brod (foto).

A previsão é de que o campus entre em operação no primeiro semestre de 2010. Serão 128 vagas em cursos técnicos em Refrigeração e Climatização, Informática e Eletromecânica. Cerca de 20 docentes e 20 técnico-administrativos serão contratados por concurso público.

“Com o campus, os vales dos rios Pardo e Taquari, que reúnem 700 mil habitantes, receberão forte incentivo ao desenvolvimento regional, através de ensino destinado às demandas locais, sobretudo através da pesquisa aplicada”, diz.

O diretor geral do campus será o professor do curso de Eletromecânica do IF-Sul Mario Luiz de Farias. Para comandar a nova escola, Farias terá o apoio dos servidores Frederico Trindade Grequi, como chefe do departamento de Ensino, e Maria Inês Gonçalves Medeiros, que ocupará o cargo de chefe do departamento de Administração.

Cursos do novo campus
Refrigeração e Climatização – formas integrada (diurno) e subsequente (noturno).
Informática – forma integrada (diurno).
Eletromecânica – forma integrada (diurno).

Perigos da intoxicação e infecção alimentares


Laurí Mayer
Mestre em Ciência e
Tecnologia Agroindustrial

Os alimentos são uma fonte de nutrientes para o homem, mas também para os microrganismos, que se encontram amplamente distribuídos na natureza (incluindo os alimentos). Aqueles prejudiciais aos alimentos são classificados em deteriorantes e patogênicos. Os primeiros causam alterações perceptíveis, como odores e sabores desagradáveis, mas não doenças nessas condições. Já os patogênicos causam doenças, mas não alteram o aspecto sensorial: aí está o perigo, pois não conseguimos percebê-lo.

A contaminação do alimento pode ocorrer de várias maneiras: Falta de higiene causa principalmente contaminações fecais (ex. Salmonella, Escherichia coli, etc.) e com a bactéria Staphylococcus aureus (naturalmente presente na pele e fossas nasais do homem).

Quanto mais os microrganismos se multiplicam no alimento, maior é o risco e a gravidade dos sintomas. Os patógenos veiculados a alimentos têm sua velocidade de multiplicação ótima na faixa de 25 a 45⁰C.

Por isso, alimentos deixados em temperatura ambiente podem tornar-se impróprios para o consumo em questão de poucas horas. Por outro lado temperaturas de refrigeração diminuem drasticamente essa multiplicação.

Alimentos tipo fast foods preparados com antecedência e que estão à temperatura ambiente devem ser evitados, uma vez que a falta de refrigeração aliada a uma possível higiene insuficiente tornam este alimento um risco à saúde.

Felizmente estas e outras bactérias são facilmente eliminadas pelo calor. Entretanto, a intoxicação alimentar causada por Staphylococcus aureus não pode ser evitada pelo cozimento dos alimentos, uma vez que esta bactéria produz toxinas termoresistentes enquanto se multiplica no alimento. No cozimento a bactéria é morta, mas a toxina permanece.

No Brasil muitos surtos ocorrem em festas, onde grande quantidade de alimentos é preparada várias horas antes do consumo e deixados sem refrigeração. 

Nas saladas de maionese em que são usados ovos crus (provável presença de Salmonella) o risco é enorme. Quando preparadas em condições higiênicas insatisfatórias, o risco de uma intoxicação ou infecção alimentar é iminente.

Concluindo, os principais cuidados são:

- Higiene no preparo dos alimentos;
- Armazenar sob refrigeração alimentos que não serão consumidos logo após o seu preparo;
- Jamais usar ovos crus em alimentos que não serão submetidos ao aquecimento;
- Não consumir alimentos de origem/qualidade duvidosa.

Lauri Mayer é graduado em Química de Alimentos com mestrado em Ciência e Tecnologia Agroindustrial (área: Microbiologia) pela Universidade Federal de Pelotas. Atualmente conclui doutorado na mesma área na UFPel. Desenvolveu parte do Doutorado na Universität Bielefeld - Alemanha, com mapeamento genômico de microrganismos.

Sexta-feira, Maio 08, 2009

Entrevista com o prefeito

Por causa do volume de trabalho, a entrevista que fizemos com o prefeito Fetter Jr., anunciada para esta semana, será publicada na próxima, com atualizações. A coisa mais chata em jornalismo é degravar conversas. Só quem gosta desta tarefa são os funcionários de serviços de escuta, como os da Polícia Federal e do Sistema Guardião, do governo do Estado.

Boa noite: "Com James Brown"



Aumente O SOM!!!

A rendição alemã

O coronel-general Jodl, ladeado pelo almirante-general Friedeburg e pelo major Oxenius, assina o documento de rendição incondicional das Forças Armadas alemãs, no quartel-general de Eisenhower, em Rheims, França, a 7 de Maio de 1945.

No dia seguinte, o almirante Karl Dönitz comunica à população alemã ter acabado de assinar, em Berlim, a capitulação do Terceiro Reich, perante representantes dos Estados Unidos, França, Reino Unido e União Soviética. Assim terminava a Segunda Guerra Mundial na Europa, cinco anos e meio após Hitler ter invadido a Polônia.

"Nós, abaixo-assinados, que negociamos em nome do Alto Comando alemão, declaramos a capitulação incondicional, diante do Alto Comando do Exército Vermelho e ao mesmo tempo diante do Alto Comando das forças expedicionárias aliadas, de todas as nossas Forças Armadas na terra, na água e no ar, assim como todas as demais que no momento estão sob ordens alemãs. Assinado em 8 de maio de 1945 em Berlim. Em nome do Alto Comando alemão: Keitel, Friedeburg, Stumpf..."

A rendição incondicional completa entrou em vigor um minuto depois da meia-noite. O comunicado, transmitido pela Rádio do Reich na manhã de 9 de maio de 1945, em poucas palavras encerrava a Segunda Guerra Mundial na Europa.

Contudo, a guerra no Pacífico continuou, apesar da situação desesperada do Japão. O desenlace final 2ª Guerra Mundial só se verificou quando o presidente Harry S. Truman permitiu que fossem lançadas duas bombas atômicas: a primeira sobre Hiroshima e a segunda sobre Nagasaki, nos dias 6 e 9 de Agosto de 1945. A URSS declarou guerra ao Japão em 8 de Agosto e invadiu Dongbei Pingyuan, na Manchúria, no dia seguinte.

O Japão anunciou sua rendição em 14 de Agosto. A assinatura oficial realizou-se na Baía de Tóquio a bordo do couraçado Missouri em 2 de Setembro.

O custo humano — sem incluir os mais de 5 milhões de judeus assassinados no Holocausto — é estimado em 55 milhões de mortos, 25 milhões de militares e 30 milhões de civis.

Brasil recebe reforço de dois jogadores

O jogador Chiquinho é o mais novo reforço Xavante para a Série C do Brasileirão. O meio-campista chegou na manhã desta terça (8) ao Estádio Bento Freitas e se apresentou ao elenco.

Chiquinho, que defendeu o clube em 2005 e 2006, estava no Guarani/SP, onde disputou o campeonato Paulista e a Copa do Brasil deste ano.

Outro jogador que se apresentou hoje foi Galego, 31 anos. Ele estava no Comercial/SP.
Ele atua tanto lateral esquerda, sua posição de origem, quanto na zaga.

A estreia do Brasil de Pelotas na Série C do Campeonato Brasileiro é no dia 31 de maio, contra o Marília/SP em São Paulo.

Prorrogado prazo de vacina contra gripe

A 11ª Campanha Nacional de Vacinação do Idoso foi prorrogada até 15 de maio. Até o momento, 20.711 pessoas (43% da população com idade superior ou igual a 60 anos) foram vacinadas.

Todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) urbanas e rurais continuarão vacinando dentro do horário habitual de atendimento, além do Centro de Especialidades, localizado na Rua Voluntários da Pátria, n° 1428.

Posto na Natura
Os idosos poderão se vacinar também no prédio da Farmácia Natura, na rua 15 de Novembro, na quadra do Café Aquários, centro da cidade. Segundo seu proprietário, Gilberto Moura, a farmácia funcionará com posto, e dois funcionários ajudarão no trabalho.

Prefeitura: 2.037 funcionários 'fora do quadro'

A prefeitura publica amanhã (9) o Censo do Servidor Municipal. O Executivo possui 7.192 funcionários - 404 deles são servidores com contratos administrativos temporários, 295 possuem cargos comissionados (CCs). Os efetivos (estatutários) são 5.155 (71,68% do quadro). Do total de trabalhadores da prefeitura, 71,48% são mulheres. A explicação está na Secretaria de Educação, onde prevalece a presença histórica feminina. Aproximadamente 70% das municipárias são educadoras.

Professor quer que decisão de substituir vestibular por Enem seja votada no Consun

Quatro vereadores procuraram nesta sexta (8) o procurador da República, Max Palombo. Foram tentar descobrir se há possibilidade legal de impedir a adoção em 2009, pela UFPel, do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como mecanismo de ingresso no lugar do vestibular. Resposta: não há.

A decisão, em tese, só pode ser modificada internamente na universidade, uma vez que não foi decidida pelo Conselho Universitário (Consun), mas apenas no Conselho de Ensino e Pesquisa (Cosepe).

O professor de Direito da UFPel José Fernando Gonzales entrou com recurso, alegando que a decisão, para valer, precisa ser tomada pelo Conselho Universitário (Consun).

Se seu recurso for acatado, o Consun pode mudar a decisão do reitor. Contudo, como o Consun tem votado sempre fechado com o reitor, é muito difícil que a decisão seja reformada.

Estiveram no MP os vereadores Ivan Duarte (PT), Ademar Ornel (DEM), Eduardo Macluf (PP) e Eduardo Leite (PSDB).

Preocupações com Enem se justificam

A decisão do reitor da UFPel, Cesar Borges, de substituir o vestibular tradicional pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como mecanismo de ingresso já em 2009 está provocando reações em vários segmentos da educação. 

Hoje, cerca de 300 pessoas, entre elas alunos e diretores de escola, fizeram manifestação em frente do Liceu, onde o reitor dá expediente.

Há motivos para as preocupações, embora especialistas vejam vantagens no novo sistema. 

Para estes, o Enem produz maior democracia no acesso, menor "reserva de mercado", além de obrigar as escolas (através de maior competição) a melhorarem ainda mais seus desempenhos, beneficiando a chamada qualidade de ensino como um todo. 

Nas escolas privadas, este investimento seria mais fácil do que na rede pública, onde os recursos são mais escassos. 

A reação que vemos parece se concentrar no fato de a UFPel ter adotado o novo sistema muito rápido, já neste ano, e não contra o novo modelo em si.

Com a novidade, inspirada no modelo norte-americano, as provas deixarão de ser feitas regionalmente ou localmente. Virão de Brasília, 200 questões, padronizadas nacionalmente. E do exame poderão participar estudantes de todo o país. 

Na prática, o novo sistema aumentará - sem que tenha havido tempo para adequação às mudanças - a concorrência por vagas (por ora) na UFPel, reduzindo as chances imediatas dos estudantes locais. 

Isto porque, segundo os resultados das provas do Enem realizadas até aqui (exames esses voluntários e com finalidade prioritária até aqui de servir de aferidor da qualidade do ensino nas escolas de ensino médio), o desempenho das escolas de Pelotas e da região, em comparação com os indicadores de outros estados, como São Paulo, por exemplo, é pior. 

Aqueles resultados indicam que estudantes de fora de Pelotas e região poderão se sair melhor na prova do Enem (agora voltado para o ingresso efetivo na UFPel) e "tomar" as vagas tradicionalmente ocupadas por alunos da cidade e da região.

O prejuízo seria sentido principalmente pelos alunos egressos de escolas públicas locais, onde o desempenho é mais fraco, mas também das escolas privadas, cujos números em geral estão aquém de escolas particulares de outros estados do país.

O problema seria maior em 2009, mas poderia, com as reações administrativas sobretudo das escolas particulares locais, diminuir com o tempo.

O fato é que o novo modelo põe em cheque as escolas locais de ensino médio e os próprios cursos pré-vestibulares da cidade, que, em tese, já não poderão ostentar com a mesma facilidade bons resultados para a comunidade, como fazem habitualmente, mandando publicar na mídia a aprovação de seus alunos nos primeiros lugares de cursos como Medicina e outros.

Os estudantes locais e suas famílias também estão com justiça preocupados, em especial aqueles pais que fizeram sacrifícios para preparar os filhos em cursinhos pré-vestibulares. Em grande parte, todo o esforço feito foi, com a decisão do reitor, anulado.  

Há outros complicadores: um dos principais é que o Enem insere, na prática, um "leilão de vagas". 

Isto porque o Enem será feito antes de o estudante se inscrever nos cursos que pretende em universidades (poderá se inscrever em até cinco cursos de cinco universidades diferentes ou de uma mesma instituição).

Com isso, todos os dias, de acordo com essas inscrições nos cursos pretendidos, as universidades vão divulgar aos poucos a nota de 'corte' de cada curso. 

Se o aluno tirar, por exemplo, nota 7 no Enem, vai analisar em quais cursos e universidades terá mais chances de entrar, de acordo com as inscrições e até o último dia das divulgações das notas, podendo assim mudar de curso e de instituição ao sabor das melhores possibilidades. 

Contudo, como todos os estudantes poderão mudar de curso, ninguém terá segurança se obterá de fato a vaga que parecia segura. Um aluno que se ache "garantido" pode ser surpreendido pelo melhor desempenho de outro, que na última hora venha a mudar de opinião e escolher o mesmo curso do colega. Esta situação tornará a admissão à vaga uma roleta russa... 

Para complicar, como a UFPel é até o momento uma das poucas universidades no país a adotar o Enem exclusivamente como mecanismo de ingresso já em 2009, os candidatos de outras regiões vão poder se inscrever para os cursos daqui sem prejuízo de suas escolhas em cursos das instituições de sua região, aumentando exponencialmente a concorrência com os estudantes pelotenses.

Cassado mandato de prefeito de Santa Vitória

Por determinação de primeiro grau da Justiça, foi cassado nesta sexta (8) o mandato do prefeito de Santa Vitória do Palmar, Claudio Fernando Brayer Pereira (PT), conhecido como Batata, e do vice-prefeito, Eduardo Morrone.

A informação foi confirmada pela assessora de imprensa da Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul), Karisa Barros. A cassação foi pedida pelo Ministério Público.

Os dois são denunciados por terem promovido jantar com fins eleitorais antes do período das eleições. O jantar ocorreu no Hotel Bertelli.

Os advogados do prefeito e o vice-prefeito estão em Porto Alegre, onde entrarão com recurso para anular a decisão. Ele permanecerão no cargo até o julgamento definitivo.

Grupo paulista nega compra do São José

O Grupo Educacional Bom Jesus nega que tenha adquirido o colégio São José, de Pelotas. A informação do negócio está circulando do mercado, sem comprovação.

Em entrevista ao blog, uma das diretoras do Grupo Bom Jesus diz que a companhia paulista, que mantém participação em várias escolas do país e do RS, não tem por política adquirir escolas.

"Fazemos parcerias", diz ela. Em resposta sobre a "compra (parceria) do São José", a diretora frisou que "até este momento, pelo menos, não há nada nesse sentido".

Vereadores recorrem ao MP contra decisão de reitor de acabar com vestibular neste ano

Um grupo de vereadores solicitou audiência nesta sexta (8) ao Ministério Público Federal. Eles vão se reunir com procurador da República na tarde de hoje.

Os vereadores tiveram reunião pela manhã com o reitor Cesar Borges, da UFPel, tentando demovê-lo da ideia de acabar com o vestibular já neste ano, mas não tiveram sucesso.

Borges foi um dos primeiros reitores a acatar proposta do MEC de substituir a seleção tradicional pelo sistema do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Os parlamentares não são contra a proposta do MEC, só acham que deve ser adotada mais adiante, como fez, por exemplo, a UFRGS, que a acatou, mas só vai implementá-la em 2011.

A pressa de Borges, diz o vereador Ivan Duarte, do PT, vai prejudicar nesse momento, por exemplo, aqueles pais que investiram na preparação dos filhos, pagando cursinhos, além dos próprios alunos, obrigados a concorrer numa seleção que passa, com o novo modelo, a ser nacional.

Sem discussão
O reitor aderiu ao novo sistema sem discutir a inovação com a comunidade.

O novo exame, em que as provas vêm prontas de Brasília, padronizadas para o país, favorece o reitor da UFPel, que está proibido por lei de contratar funcionários pelas fundações de apoio universitário.

Sem poder contar com esse pessoal, o reitor é obrigado a recorrer ao pessoal efetivo, hoje em número reduzido para todas as tarefas necessárias à vida da universidade.

"O reitor nos disse que esse foi o principal motivo de ele ter aderido ao Enem em substituição ao vestibular", diz o vereador Ivan Duarte (PT).

Confronto

Quando é impossível a ausência de corpo, 
a saída é a presença de espírito.

Autor anônimo

'Oficina de ideias', uma boa para Pelotas

Ars Longa
Crítica de Cultura

O blog Amigos de Pelotas saúda a recente abertura do espaço criativo Casa do Jôquim, "oficina de ideias" à disposição dos artistas, músicos e poetas.

A inspiração vem do comerciante e inventor pelotense Joaquim Fonseca (1910-1968), um ícone mais ousado e rebelde que João Simões Lopes Neto (1865-1916). Vítor Ramil adaptou a música "Joey", de Bob Dylan, e escreveu "Joquim", um relato da vida de Joaquim ("djoukin", na pronúncia em inglês).

Uma parte da letra diz: "Joquim, Joquim, nau da loucura no mar das idéias (...) Reformou uma pequena oficina com a grana que ganhara vendendo velhas invenções. Levou pra lá seus livros, seus projetos, sua cama e muitas roupas de lã. Sempre com frio, fazia de tudo pra matar esse inimigo invisível".

A Casa do Joquim ainda está em organização, mas já se apresenta como um bar noturno no estilo underground anos 60, penumbra, fumaça, fotos antigas, informalidade, conversa e amizade. Há música ao vivo de terça a quinta, ainda sem cardápio, pois a oferta é somente de bebidas, aipim e batatas fritas.

De dia, a casa está aberta a projetos de trabalho como grupos de estudos, reuniões artísticas, aulas particulares ou grupais, tudo o que a inventividade permitir. Segunda-feira passada (4), a produtora Moviola lançou ali um teaser do filme "Futebol, Sociedade Anônima".

Não procure cartazes; somente o nº 755 da Rua General Teles, uma casa antiga entre Quinze e Andrade. Há três salas para fumantes e uma no fundo para não fumantes.

Outras colunas de Ars Longa

Quinta-feira, Maio 07, 2009

Boa noite

Não adianta reclamar. 
Na próxima semana,
talvez amanhã, nova 
'bomba' iremos publicar.
Daquelas verdades
que a 'velha Pelotas' 
não gostaria de falar.

Reajuste a delegados causa mal-estar na Polícia Civil gaúcha

O reajuste do salário dos delegados da Polícia Civil em 24% causou mal estar entre os agentes da corporação. Em nota, o Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores de Polícia considera a medida injusta, já que não está previsto aumento para as demais categorias de trabalhadores.

O Sindicato afirma que o índice de reajuste calculado pelo governo é equivocado, pois os delegados não têm direito a Lei Britto, e irá aumentar mais a diferença salarial na corporação.

Prêmio CNN de Jornalismo para estudantes

As inscrições ao Concurso Universitário de Jornalismo CNN começaram no dia 24 de março e podem ser feitas até 29 de junho de 2009. O tema deste ano é “O uso da tecnologia no desenvolvimento social.”

O concurso é nacional, promovido pela Turner International - e aberto exclusivamente a estudantes de jornalismo.

O tema deste ano é o "O uso da tecnologia no desenvolvimento social". O objetivo é incentivar o desenvolvimento do talento dos participantes e premiar o seu desempenho na elaboração de matérias jornalísticas televisivas.

Vencedores concorrem a uma viagem para visitar os estúdios da CNN International nos EUA, e a ver sua matéria exibida no canal CNN.

A novidade de 2009 é que o estudante vai poder enviar o vídeo de até dois minutos pelo YouTube, sendo que poderá produzir quantas matérias quiser.

As inscrições podem ser feitas no site: www.concursocnn.com.br

Brasil tem 4 casos confirmados de gripe suína

Deu na Folhaonline
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, confirmou na noite desta quinta-feira quatro casos de gripe suína no Brasil. Há casos em três estados: São Paulo (2), Rio (1) e Minas (1). Os pacientes são adultos, jovens e passam bem, afirmou o ministro. Todos contraíram a doença no exterior. O país tem outros 15 casos suspeitos.

Para o ministro, a confirmação da doença não muda a estratégia do Brasil para se prevenir contra a gripe suína, já que todas as medidas preventivas foram tomadas com antecedência. Ele descartou a necessidade de automedicação. "Todos os casos são importados, e o vírus não circula no Brasil", afirmou.

Apenas um dos pacientes permanece internado. Temporão afirma que nenhum deles oferece risco de contaminar outras pessoas. "Todos estamos precavidos para dar segurança à população."

Lula atropelou PT para indicar Dilma

Deu no Estado de S. Paulo
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) afirmou nesta quinta-feira, 7, que o PT foi "atropelado" pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na definição da candidatura à sua sucessão. Em entrevista concedida à Agência Estado, antes de participar da Conferência do Estoril sobre globalização, em Portugal. Leia a matéria na íntegra.

Voz do leitor: Pedágio e Fenadoce

Leitor Jorge Cândido Lima escreve: "A Fenadoce, coitada, consegue atrair cada vez menos turistas. Primeiro, porque ninguém pega avião ou ônibus para comer doce. Depois, porque os caros pedágios cobrados pela Ecosul tiram o ânimo de qualquer um a pegar a estrada com seu próprio veículo. Os pedágios autorizados pelo governo Britto reduziram o turismo no estado. Enquanto isso, as concessionárias Ecosul e outras faturam sem parar. Para disfarçar sua antipatia, essas empresas se dedicam a realizar ações de marketing social, tentando convencer o povo de que estão muito preocupadas com a qualidade de vida da comunidade. Até parece que alguém acredita".  

Lula pede solução para a poupança

Debate se arrasta há quase dois meses e os saques da caderneta têm superado os depósitos desde então

Deu no Estado de S. Paulo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ontem à equipe econômica que apresse os estudos sobre as novas regras da rentabilidade da poupança. 

O debate vem se arrastando há quase dois meses - desde que o Banco Central (BC) acelerou o corte dos juros - e o governo não quer que os poupadores comecem a sacar o dinheiro por temer medidas futuras.

Em março, os saques da poupança superaram os depósitos em R$ 846,8 milhões. Em abril, até o dia 29, as perdas chegaram a R$ 2,323 bilhões. Leia matéria na íntegra.

Olhar brasileiro

Uma obra de genial Cândido Portinari

Convite

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Os filhos do bispo

De Augusto Nunes
Jornalista

Que padre Amaro, que nada: em matéria de sacerdote mulherengo, Fernando Lugo é o cara. O personagem do livro de Eça de Queiroz reencarna com frequência em paróquias da vida real. O presidente que vivia despindo a batina nos tempos de bispo parece coisa de ficcionista fantasioso demais. Moço, bonito e recém-ordenado, o cônego português cai em tentação e tem um filho com Amélia, 23 anos. O similar paraguaio era quase cinquentão e ganhara fama como “bispo dos pobres” quando seduziu a adolescente Viviana Carrillo. Leia o artigo na íntegra.

Dia das Mães






Egídio Pizarro
Da equipe do blog


Sigmund Freud pode até ser gênio, mas não é por reconhecer a importância da figura materna em nossas vidas. Isso descobrimos quando mal sabemos falar e caminhar. Diz uma cantiga infantil:

"Mãezinha do céu / Eu não sei rezar
Eu só sei dizer / Que quero te amar

Azul é teu manto / Branco é teu véu
Mãezinha eu quero /Te ver lá no céu"

Desconheço quem não tenha chorado de medo ao ouvir essa cantiga quando criança - eu, inclusive. Associava diretamente a "mãezinha do céu" com a morte da minha mãezinha, afinal se é do céu é porque já morreu. 

Então minha mãezinha iria morrer? Eu ficava apavorado, como qualquer criança. Já tinha a exata noção da importância da figura materna.

No segundo domingo de maio comemora-se o Dia das Mães, uma data importante. Prova disso é que a arrecadação do comércio nessa data é a segunda maior do ano. Concorrer com o nascimento de Jesus é difícil. Assim como ser mãe. A minha (a melhor de todas, e não tentem argumentar o contrário) diz que maternidade é um trabalho de tempo integral; que a mulher, uma vez grávida, carregará o filho para sempre - mesmo que a gravidez não vingue. 
Uma vez com filho, a mulher carregará para sempre uma série de "serás": será que vai crescer saudável? Será que vai me dar orgulho? Será que vou viver para ver meus netos? Será que ele vai viver para me dar netos? E, mesmo assim, dizem que ser mãe é a maior realização da vida.

Segundo a piada, há 1 dia especial para a mulher; o resto do ano é reservado aos homens. É uma piada machista, mas é uma piada. E que pode ser aplicada às mães. 

Apenas 1 dia das mães? E o resto do ano, quando elas continuam dando colo, afago, carinho e beijos com uma qualidade que o Inmetro é incapaz de medir, que nenhum amante é capaz de dar?

Comemoremos o Dia das Mães. No resto do ano, que enchamos nossas mães de orgulho e felicidade. Para que, todos os dias, elas possam comemorar o dia dos filhos - apesar das tantas rugas de preocupação que lhes damos.

Felicidades às mães, todos os dias. Até mesmo para a mãe de Freud.

Outras crônicas de Egídio
E-mails para o autor: ejix.dopus@gmail.com