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18.5.09

Até amanhã

Por favor, prezados ladrões: não me levem o resto da bicicleta.

Denúncias contra Yeda vão parar na ONU

As denúncias de que as fumageiras Alliance One e CTA-Continental teriam doado irregularmente R$ 400 mil para a campanha da governadora Yeda Crusius (PSDB) chegaram à Organização das Nações Unidas (ONU).

Na última sexta-feira (15), a organização não-governamental Terra de Direitos entregou reportagens e demais documentos que retratam as acusações de Caixa 2 ao Representante Especial da ONU sobre Empresas e Direitos Humanos, John Ruggie.

O objetivo, explica Gisele Cassano, advogada da Terra de Direitos, é mostrar à ONU as duas formas de atuação das empresas do Brasil.

De um lado, as fumageiras exploram os pequenos agricultores através de seus contratos de produção integrada. De outro, aponta Gisele, estaria a relação promíscua das empresas com políticos para ter influências econômicas.

Ela exemplifica que o deputado federal gaúcho Sergio Moraes (PTB), que já foi duas vezes prefeito de Santa Cruz do Sul, cidade que é forte produtora de fumo, recebeu R$ 72,5 mil das empresas para sua campanha. O parlamentar foi autor do projeto para a criação de um Fundo Nacional da Fumicultura (FNF), a fim de estimular o plantio de tabaco.

"Quem acaba financiando isso é o fumicultor. Porque ele trabalha, nunca consegue pagar suas dívidas às empresas porque são altíssimas. E por outro lado você vê essa questão de financiar R$ 400 mil em campanhas políticas. A gente vê que é tudo o mesmo sistema. Essa superexploração do fumicultor lá na ponta também é definida para obter dinheiro, o lucro, para financiar essas campanhas e influenciar diretamente nas decisões políticas em relação ao fumo", argumenta.

A suposta participação das fumageiras no esquema de Caixa 2 de Yeda se soma às demais denúncias feitas pela Terra de Direitos sobre violações que as mesmas empresas cometem contra pequenos agricultores. Desde 2006, a entidade já entrou com sete ações na Justiça do Estado do Paraná para anular os chamados contratos de adesão. Segundo Gisele, os contratos são ilegais já que comprometem o agricultor a ser endividado.

"São contratos que as cláusulas já vêm estipuladas pela empresa, o fumicultor não consegue discutir essas cláusulas. Ele assina, juntamente com esse contrato, notas promissórias em branco, procuração em branco para que a empresa capte recursos em instituições financeiras. Dessa forma, começa a dívida dele. Faz toda a plantação e, quando vai vender esse fumo, a empresa coloca um preço menor. Então ele sempre fica devendo à empresa, por mais que trabalhe à noite, nunca tenha domingo ou feriado", diz.

A ONU deve pedir mais informações ao Estado brasileiro sobre as denúncias contra as empresas. Alliance One e CTA-Continental negam ter feito doações irregulares ou que foram utilizadas para Caixa 2.(Agência Chasque)

Municipários param nesta terça

Sindicato fará paralisações até quinta contra posição da prefeitura, que se nega a conceder reajuste salarial e outros pontos. Protestos incluem pressão, amanhã, para que Câmara interrompa pauta de votações de matérias da prefeitura

O Sindicato dos Municipários de Pelotas (Simp) faz paralisação na manhã desta terça (19) em protesto contra decisão da prefeitura de não atender as reivindicações de reajuste salarial feitas pela categoria - entre outros pontos.

Os servidores vão estender o protesto à Câmara de Vereadores, onde pretendem, na sessão de amanhã pela manhã, interromper a pauta de votação de matérias da prefeitura até que o Executivo estabeleça uma negociação com a categoria em 'bases realistas'.

Segundo a vice-presidente do Simp, Tatiane Lopes Rodrigues, o governo está trabalhando com patamares salariais irreais, buscando impedir a concessão do reajuste desejado pelos servidores. É uma manobra", acusa ela.

"Para negar o reajuste pretendido, eles estão usando uma base salarial média de R$ 1.089. Este é um valor muito acima da realidade salarial dos servidores. Se chegaram a esse valor, devem estar acrescentando no cálculo os salários do prefeito, do vice, dos secretários e de outros cargos de chefia, pois nós ganhamos muito abaixo disso", disse Tatiane. "O valor que eles estão usando só revela o abismo entre os nossos salários e os deles", acrescenta a líder sindical. 

Segundo Tatiane, a base de cálculo deve ser de R$ 465 para reajuste de todos os servidores. A categoria quer 12,6% de reposição salarial, 5% de aumento real e aumento de R$ 50 no vale-alimentação, passando para R$ 130.

A prefeitura nega, alegando que a proposta causaria um “rombo” de R$ 29 milhões no orçamento da cidade. Para o secretário municipal de Governo, Abel Dourado, a proposta, "ainda que justa, é irreal e fora de questão".

Novas paralisações
Em assembleia na tarde desta segunda, no auditório do Colégio Pelotense, cerca de 600 funcionários decidiram - além da paralisação da manhã desta terça - fazer nova paralisação na tarde da próxima quarta (20), seguida de piquete em frente da Secretaria de Finanças, e por um ato de protesto na quinta (21), a partir das 17h30, no largo em frente da prefeitura. 

O prefeito Fetter Jr. se reuniu com vereadores da base governista nesta segunda (18) para tratar da reivindicação de reajuste salarial feita pelos servidores. Fetter falou aos vereadores Ademar Ornel (DEM), José Sizenando (PPS), Eduardo Leite (PSDB), Waldomiro Lima (PRB), Eduardo Macluf (PP) e José Inácio de Jesus (PDT) que a prefeitura não tem como atender os municipários. 

Disse também que a prefeitura já 'concedeu' aumento salarial a 5.346 servidores, desde fevereiro passado, por força da lei que aumentou o salário mínimo, e a 343 municipários desde janeiro, contingente que ganha complementação de piso”. Ambos os aumentos não foram iniciativa da prefeitura. Foram consequência da obrigatoriedade da legislação federal.

"Por conta desses aumentos, 80% dos mais de sete mil municipários responderam neste ano pelo acréscimo de R$ 400 mil mensais ao erário público", argumentou o prefeito.

“Neste momento, temos de avaliar com muito critério essa questão porque qualquer elevação que crie mais despesa, sem contrapartida de receita, torna-se não só temerária, mas ilegal, por causa da Lei de Responsabilidade Fiscal”, diz o prefeito. "Principalmente, diz ele, por conta da previsão de queda de receita de aproximadamente 20%, sinalizada pela Secretaria da Fazenda do estado para 2009, em decorrência da crise financeira mundial".

Em carta, os municipários afirmam que a categoria enfrentra salários abaixo do mínimo nacional, corte de ponto, enquanto o governo isenta grandes empresários. A crise estrutural do capitalismo mundial existe, mas não é crise dos trabalhadores e sim dos patrões, dos grandes empresários. Por isso não é justo que nos obriguem a pagar pela crise, a salvar grandes e poderosos empresários. 

Enquete: 88% dos votos 'dizem' que prefeitura protege empresas de ônibus da cidade

A última enquete do blog perguntou: Por que a prefeitura não faz licitação para o transporte coletivo? 

Podiam ser dadas mais de uma resposta ao mesmo tempo.

209 visitantes depositaram votos. Dentre as respostas, "porque a prefeitura protege interesses das empresas de ônibus" recebeu 132 votos.

"Porque atende interesses eleitorais" recebeu 85 votos. 

29 votos foram dados à resposta "Porque há motivações econômicas, buscando fortalecer o mercado local".

No total, 217 votos do total de 246 registrados (ou seja, 88% dos votos) consideram que a prefeitura não realiza licitação porque protege as empresas de ônibus e porque tem interesses eleitorais nessa relação.

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Programa DST/HIV/Aids em novo prédio

A partir desta segunda (18) o Programa Municipal DST/HIV/Aids, da Secretaria Municipal de Saúde, mudou de localização.

O endereço é o mesmo (Rua Marcílio Dias, esquina com Lobo da Costa), mas agora no segundo andar do prédio anexo ao da antiga sede, onde funcionou mais de dez anos. Além de cadastrar e encaminhar pacientes.

Em dez anos, cerca de 13 mil pessoas passaram pelo DST/HIV/Aids. Hoje, 1.141 adultos e 42 crianças fazem tratamento antirretroviral (Aids) de um total de 3.400 pessoas acompanhadas pelo Programa, entre portadores de DST ou soropositivos que não desenvolveram a Aids.

Puro prazer: Rosário Andrade

Obra da pintora portuguesa Rosário Andrade.

Chapa com Serra é 'piada', diz Aécio

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), negou que tenha firmado um acordo informal no qual aceitaria compor como vice uma chapa tucana "puro-sangue" encabeçada pelo colega paulista José Serra na eleição presidencial de 2010. Ele chamou a notícia - dada pela Folha de S. Paulo - de "invencionice", uma "grande piada".

Fetter nega 'barreiras' a empresas de fora

Em Pelotas tornou-se frequente a divulgação de notícias dando conta de vinda de empresas de fora da cidade para cá. Nos últimos anos vários empreendimentos foram anunciados. Contudo, não passaram de castelos de areia. Ou seja, não saíram do papel. Exemplos recentes: Shopping dos uruguaios, shoppping do Anglo, estaleiro de Novo Hamburgo, entre outros. Na semana passada, o Executivo local anunciou a possível transferência de um fabricante de componentes navais do Rio de Janeiro para Pelotas. A prefeitura liberou release tratando como certa a vinda da companhia. 

Em entrevista ao blog, porém, um dos proprietários da firma carioca diz que não há nada de concreto ainda, que as negociações continuam em curso.

Ao mesmo tempo, contrariando a lei, a prefeitura não realiza licitação para escolha de empresas prestadoras de transporte coletivo. Segundo o prefeito Fetter Jr, embora seja lei e o Ministério Público esteja sempre cobrando a concorrência, ele considera um erro a sua realização, pelo perigo que pode representar para as empresas de ônibus de Pelotas, que perderiam mercado.

Diante desses fatos, fizemos algumas perguntas ao prefeito.

Pelotas fez fama de ser uma cidade fechada a empreendimentos de fora. Diante da possibilidade da chegada de novas empresas, um muro de dificuldades parece se erguer, em nome de interesses paroquiais de firmas daqui. Umas poucas furam esse esquema. O que o sr. pensa disso. As elites empresariais pelotenses trabalham de fato para não permitir a entrada de grupos de fora?
Esta é uma visão mesquinha, preconceituosa, ideológica e pequena de quem gosta de colocar a culpa nos outros. Pelotas tem uma tradição de ter sido a vanguarda do RS. Nossas elites historicamente foram relativamente esclarecidas, por mais que tenham defeitos, e têm, como em qualquer lugar. Mas Pelotas sempre foi vanguarda em seus movimentos. O que acontece é que a cidade, fruto dos fenômenos, empobreceu e, ao empobrecer, se tornou mais defensiva.

O caso do transporte coletivo confirma essa "defensividade"? Afinal, desde 2001, a prefeitura não faz licitação para fornecimento do serviço, embora seja lei federal. Isso não é protecionismo interno?
Não se pode misturar serviços concedidos pelo poder público, como é o caso do transporte coletivo, com o de empresas privadas. Nós temos procurado trazer empresas, e temos trazido, com o projeto Desenvolver Pelotas. Criamos um conjunto de incentivos fiscais, financeiros e materiais para atraí-las. Temos volume grande de empresas aprovadas e em análise para instalação. Juntas, elas representam investimentos de R$ 240 milhões, capazes de gerar 17 mil empregos diretos e indiretos, depois de estarem funcionando. 

O sr. pode citar essas empresas?
Tenho todas aqui no meu computador. Posso fornecer a vocês depois. O mais vistoso desses empreendimentos é a Lifemed, com investimento de quase R$ 40 milhões e oferta de cerca de 500 empregos. Além disso, vale lembrar que 2/3 desses futuros investimentos são compostos por pequenas empresas locais que pretendem se expandir. Nós temos o maior orgulho da Lifemed, que é de São Paulo, como temos da Freedom, que é uma empresa tipicamente pelotense e que desenvolve tecnologia de ponta. 

O sr. afirma então que não há protecionismo? 
Nós não olhamos se a empresa é de Pelotas ou de fora de Pelotas. Nós olhamos se vai gerar emprego, se entra num nicho importante. Todas têm o mesmo tratamento, sejam daqui ou de fora, na atividade privada e geração de empregos. No caso do transporte coletivo é situação diferente, peculiar. (leia mais abaixo).
 
O sr. disse que a cidade empobreceu por fenômenos. Explique melhor?
É uma questão complexa, tanto que escrevi um livro para explicar as dificuldades da Metade Sul, especificamente de Pelotas. Para resumir: 1) No fim da Primeira Guerra, a entrada na cidade e região da carne frigorífica e refrigerada acabou com a indústria do charque. Foi durante a guerra, mas se refletiu depois. Grandes empresas com nova tecnologia, como Swift, Armour, Anglo (de carne enlatada) entraram em cena. E dominaram o mercado mundial de carnes. Enquanto isso, nossos charqueadores, com tecnologia secular, não conseguiam ser competitivos. Foi como a chegada do carro na época das carroças. 2) A depressão de 1929 e 1930 desarticulou ainda mais a economia, levando à quebra do Banco Pelotense, onde estavam concentradas as economias locais. Milhares de famílias tinham suas economias no Banco Pelotense, que era o terceiro banco em depósitos do Brasil. Hoje seria equivalente ao Banco Itaú, ao Unibanco. O governo do Estado se apropriou dos despojos do banco e saiu muito beneficiado com isso. Apropriou-se dos ativos e não pagou os passivos do banco, criando o Banco do Estado do RS (Banrisul). O Banrisul cresceu e se fortaleceu abocanhando grande parte da poupança que gerações tinham acumulado. Os correntistas ficaram dono de papel apenas - e não havia o que fazer. Com isso, a cidade empobreceu, o dinheiro sumiu. 3) Na sequência, veio a Lei da Faixa de Fronteira, que impedia a instalação de indústrias dinâmicas a 150 km da faixa e pegou Pelotas em cheio. Então, quando o Brasil passou a viver um processo de desenvolvimento e de atração de empresas, Pelotas ficou de fora do processo. Nós, que éramos o principal pólo industrial do RS (por força da pujança passada, ainda na década de 1950, o Produto Interno Bruto industrial de Pelotas era maior do que o de Caxias). Mas as empresas que foram se desenvolvendo não se instalavam aqui porque tinham de ter autorização do Conselho de Segurança Nacional. Essa situação como um todo nos condenou (congelou) a uma vocação agropecuária e agroindustrial, que não era a tradicão de Pelotas, que nasceu urbana, industrial. Viramos "agro" por falta de opção.

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Pura magia e encantamento

Vice de Yeda diz ter e-mail 'comprometedor'

Deu em Zero Hora
Depois de passar o final de semana recolhido em Punta del Este, o vice-governador Paulo Feijó (DEM) retornou a Porto Alegre e confirmou ontem que repassou R$ 25 mil da concessionária de veículos Simpala dentro de uma mochila da sua academia a Rubens Bordini, o tesoureiro da campanha da governadora Yeda Crusius em 2006. O dinheiro não consta na prestação de contas da campanha.

O vice nega que tenha repassado e-mails à revista Veja, que na edição desta semana divulgou a troca de mensagens entre Feijó e Bordini acertando o repasse da doação de R$ 25 mil. Leia na íntegra.

Zé lanches, quem diria...

Na primeira metade dos anos 80, eu e alguns amigos e nossas namoradas gostávamos muito de comer lanche num certo trailer da Avenida. Ele ficava em frente do Estádio do Pelotas, entre Félix da Cunha e Anchieta. O trailer era discreto até no nome (Zé Lanches).

O rapaz que comandava o negócio - "Zé" - era muito simpático. O lanche que ele servia era num pão maior do que serviam os outros trailers. Zé dizia que encomendava os pães de um padeiro amigo. Estava sempre sorrindo.

Quando terminávamos o lanche e pedíamos a conta, Zé aparecia na janela do carro com a nota e um agrado extra: uma sobremesa, um pudim, uma torta, coisas assim.

Em 1986, fui embora de Pelotas. Depois de 22 anos fora, voltei há um ano. Outro dia, remexendo coisas numa caixa, encontrei o cartão acima.

Li o nome, reli, e fiquei pensando se o "Zé do trailer" era o mesmo José Sizenando, atualmente o vereador mais votado de Pelotas, conhecido, entre outras coisas, por seus gestos assistencialistas no bairro Areal, como o atendimento à população por meio de uma ambulância de sua propriedade.

Acabei concluindo que é o mesmo personagem. Quem diria...

Literatura: Mãos de Cavalo


Marcos Macedo
Crítica literária

Daniel Galera é uma das maiores revelações literárias dos últimos tempos. Paulistano, 29 anos, viveu a maior parte de sua vida em Porto Alegre. Foi um dos precursores do uso da internet para a literatura, editando e publicando textos em portais e fanzines eletrônicos entre 1997 e 2001. Traduziu autores americanos e ingleses da nova geração, como Irvine Welsh. Criou a editora Livros do Mal, dedicada a lançar novos autores, hoje desativada Em 2008, recebeu o Prêmio Machado de Assis de Romance, da Fundação Biblioteca Nacional, pela obra Cordilheira. O currículo impressionante faz justiça: Daniel Galera é um escritor excepcionalmente talentoso.

Em Mãos de Cavalo (2006), um garoto de dez anos, um adolescente de quinze e um cirurgião plástico entediado com o casamento retratam o protagonista em três fases da vida, numa trama em que se confundem heroísmo e covardia, passada numa Porto Alegre entre os anos 1980 e hoje.

Daniel Galera recorre a descrições minuciosas, que à primeira vista podem parecer despropositadas, como a relação dos equipamentos do alpinismo, ou dos jogos de computador da década de 1990, mas que preparam o leitor, mal ele percebendo, para uma exposição delicada da formação da identidade dos personagens. Impossível não se reconhecer em uma ou outra passagem do livro.

Lá pela metade da leitura, pode-se ficar com a falsa impressão de que podemos prever o desenlace do romance. Mas o desenrolar da trama é surpreendente, sem concessões ou atalhos. Lê-se Mãos de Cavalo de uma sentada só, e, ao fim, sente-se vontade de reler o livro, comentá-lo, ler imediatamente qualquer outra coisa que o autor tenha escrito.

Um leitor comentou no site de uma importante livraria on-line que o livro é o melhor que já havia lido. Daniel Galera é um daqueles raros autores de quem a gente vira fã à primeira leitura.

Serviço
Mãos de Cavalo
Daniel Galera
Editora Companhia das Letras. 189 p
R$ 37,50

Charge da hora





Gustavo Ramos Zimmer.
E-mails para o autor: gustavo_zimmer@yahoo.com.br

A modernidade está no campo

Os efeitos positivos da globalização, ainda reticentes na zona urbana de Pelotas, chegaram aos pastos e lavouras de Pelotas e Zona Sul 


Victor Schroder
Geógrafo

O primeiro “sintoma” está na tradicional atividade pecuária, cerne do auge e da decadência pelotense; quantitativamente a criação de gado perdeu boa parte da sua importância: os rebanhos de bovinos e ovinos são insignificantes perto do que representavam na primeira metade do século XX. E não é para menos, já que pesquisa recente mostrou que o preço do gado equivale a 30% do pago na década de 1970.

De tal forma que os “pecuaristas familiares” sucumbiram por completo, restando apenas a “pecuária empresarial”, onde profissionais liberais investem seus excedentes na criação de gado.

Note o leitor que alguns dos habitués das colunas sociais também dão o ar da graça na seção rural, ao lado de seus touros de genética avançada. Esta estrutura envolve muito investimento em tecnologia, numa rede que envolve laboratórios locais e do centro do país, certificadoras, veterinários, importação e exportação.

As outras culturas tradicionais como o arroz e outras apropriadas, como a soja, também contam com uma rede complexa de ciência e tecnologia.

A um tal ponto que o fornecimento de adubo (principalmente compostos fosfóricos) para as lavouras de arroz depende da importação de rocha fosfórica do Marrocos, que por sua vez invadiu e anexou, desde os anos 1970, o território que possui as jazidas de fósforo (Saara Ocidental).

Na “Colônia” também se vê o mesmo processo. Os produtores tradicionais, baseados na agricultura de subsistência, são a exceção.

Em substituição, embora timidamente, aparecem modernas agroindústrias familiares – processadoras de frutas (sucos, vinhos) e conservas – além de um incipiente começo de turismo rural - atividade predominante nos campos europeus – além de uma maior organização e modernização dos produtores-feirantes, com as feiras agroecológicas e “ao entardecer”.

O geógrafo Milton Santos já alertava que o campo, no processo de inserção na economia internacional, tende a ser mais rápido do que a cidade. A particularidade da nossa cidade e região é que as cidades não conseguem se aproveitar dessa globalização no campo.

Motivos? Apenas pistas: o arcaísmo do sistema de transporte, o fechamento da fronteira com o Uruguai. Isto sem contar que o pólo desta economia é, por excelência, Rio Grande, cuja economia industrial-portuária moderna é pujante.

Outros artigos de Victor Schroder
E-mails para o autor: victorpelotas@hotmail.com

Papos do Aquário

Enem 'mexe' mais com Educação Básica

Mudanças provocadas pelo Enem são várias e mostra que objetivo do MEC é intervir mais na Educação Básica do que no acesso à Universidade


João Alberto da Silva
Doutor em Educação

Durante esta semana o ministro Fernando Haddad anunciou a universalização do teste, isto é, todos os estudantes serão obrigados a realizá-lo para receberem seu certificado de conclusão. Esta medida vai tornar mais realista os dados de avaliação das escolas, pois atualmente, sendo a prova facultativa, apenas alguns alunos se submetiam ao ENEM, o que mostrava apenas dados parciais das instituições.

Com a obrigatoriedade, vamos poder ver o desempenho de todos e não apenas daqueles que voluntariamente (normalmente os mais preparados) se candidatavam ao exame.
Por outro lado, é importante destacar uma medida que passa despercebida pela maioria das pessoas: o ENEM como um exame de verificação da Educação Básica.

O Governo Federal está lançando a ideia de que cada Estado da Federação defina uma nota mínima no ENEM, de maneira que o estudante que reprovar não receberá o certificado de conclusão.

Isto é uma revolução na Educação! Não faríamos mais exames para entrar na universidade, mas para poder sair da própria escola! De fato, todo o alvoroço do ENEM como substituto do vestibular perde seu sentido, pois ele se destinará realmente a barrar quem não atinge a aprendizagem mínima ainda na Educação Básica.

Esta modificação traz consequências que mexem com todo o sistema educacional. Os cursos preparatórios do vestibular serão agora preparatórios para o aluno sair da escola? Eles deixaram de acontecer depois do Ensino Médio para ocorrerem durante? O que acontecerá com o aluno da escola pública que reprovar no Enem?

É certo que se poderá realizar o exame até se obter sucesso, mas o poder público criará classes para ajudar os estudantes que não forem aprovados? Na verdade, a tendência é de que o estudante que reprovar muitas vezes no Enem e não receber o certificado do Ensino Médio desista de realizar o teste.

De fato, pode-se produzir uma legião de pessoas que frequentaram a escola, mas não obtém certificado. Em resumo, o Governo Federal está propondo instaurar o “exame da OAB” para os estudantes do Ensino Médio. O que ainda não consigo responder é se isto é bom ou ruim. E o leitor, o que acha?

Outros artigos de João Alberto
E-mail para o autor: joao.alberto@ufrgs.br

17.5.09

O tempo

- Este ano vou voltar a fazer anos.
- Outra vez, não.
- Sim. Não posso escapar. Subtrai mil novecentos e trinta e três de mil novecentos e oitenta e quatro e não há maneira de contornar, são cinquenta e um.
- Claro que não podias ignorar isso totalmente. Porque é que o levas tanto a sério?
- Tu, que estás sempre a chorar-te e a gemer por teres trinta e quatro?
- Eu sei a razão por que eu tomo isso muito a sério. Estou a perguntar-te porque é que tu o levas a sério.
- Porque a vida acabará em breve, eis a razão. Morrerei.

Philip Roth in "Traições", Bertrand Editora, 1991

O Bolsa Família, o PAC e o Minha Casa

Deu em O Globo
Ao se preparar para a sucessão presidencial, o PSDB está testando os principais programas do governo Lula. As conclusões de pesquisa, feita pelo Instituto Análise, são: o PAC não é relevante; o Bolsa Família tem muita força e associa a figura de Lula à de pai dos pobres; o impacto do Minha Casa, Minha Vida vai depender do local onde as residências forem construídas. “A população quer uma casa nova, mas não se conforma em morar num lugar que não lhe agrade”, resumiu um dirigente tucano.

A pesquisa mostrou que a ministra Dilma Rousseff é cada dia mais conhecida e identificada como a candidata do presidente Lula.

Rumos do blog ou "o sal e a pimenta"

Quando criei o blog Amigos de Pelotas, em 4 de abril de 2008, foi movido pela vontade de contribuir com os pelotenses e a cidade. Eu e outros jornalistas pelotenses em Brasília, onde morei, e aqui na nossa terra mesmo, achávamos a imprensa local - com exceções - muito contida. Arroz sem sal, como se diz. 

Nos primeiros tempos do blog, tratei de acrescentar sal ao arroz, além de fartas porções de pimenta. Reconheço que houve ocasiões em que errei a mão na quantidade de sal - principalmente da pimenta. Desde então, passaram-se até hoje (18/05) 408 dias.

Olhando para trás, vi que, entre acertos, cometi vários erros. Alguns deles me incomodavam, ao ponto de eu decidir procurar duas pessoas pessoalmente para me desculpar pela excessiva parcialidade em abordagens em que elas apareceram como personagens de nossas matérias. 

Com generosidade, essas pessoas me disseram que souberam entender. E que, apesar da contrariedade momentânea, veem qualidade no blog e o acompanham. Nenhuma delas é autoridade pública.

Depois dos 40 anos, fica mais fácil a gente reconhecer erros e pedir desculpas. Saí dos dois encontros sentindo-me melhor, com a impressão de que fiz novos amigos. Sem que eu oferecesse, um deles prometeu que vai anunciar em breve no blog.

Os erros que cometi decorreram de minha ânsia por marcar um diferencial. E por causa de um receio meu. Eu tinha medo de, ao abrir muito a paleta de cores, perder o foco da tinta exata. 

De um tempo para cá, porém, percebi que, além de o blog ter conseguido impor-se no cenário com rosto próprio, que era possível abrí-lo à pluralidade de visões, sem desfigurar nossa linha editorial, ou seja, nosso compromisso com a renovação e com a modernidade de Pelotas. Todos podem contribuir com seus pontos de vista. Do confronto de posições surgem ideias interessantes.

Resolvidos aqueles pontos, e amparado por indicadores que mostram visitação constante e crescente ao blog (1.800 computadores e 2.500 visitas por dia ou 26 mil computadores e 65 mil visitas mensais), decidi que é hora de dar um segundo passo no projeto blog Amigos de Pelotas. 

Não vou adiantar nada - para não atrapalhar os planos. Por ora, posso dizer aos leitores que a notícia é boa. Ela tem a ver com a renovação de ares e com meu desejo de que o blog se afirme, cada vez mais, como uma espécie de "coração da cidade". Um coração com certa taquicardia, sempre vigilante aos fatos (e não-fatos) que dizem respeito à nossa vida.

Um abraço. E até daqui a pouco, com sal e pimenta, espero, na dose certa.

O Sul do Brasil no olhar norte-americano


Leitor Raphael Scholl manda o vídeo acima. "Não sei se já tinhas conhecimento desse documentário sobre o sul do Brasil, feito por americanos na época da política da boa-vizinhança. Aparecem cenas do Paraná e Santa Catarina, mas metade do documentário é dedicado ao Rio Grande do Sul, à região da campanha, Rio Grande, Pelotas e Porto Alegre. Incrível perceber como fomos promissores! Espero que possas publicar no blog esse documentário, apesar dele ser longo e falado em inglês, as cenas falam por si".

Miniconto: Jogo de montar

Beatriz Mecking
Escritora

As peças foram-se encaixando, na medida de seus esforços. Ei-lo de corpo inteiro, completo e acabado. Ela deu um suspiro satisfeito e voltou a adormecer. No dia seguinte, tentou repetir o feito, mas as peças do seu conto não se encaixavam mais.

Aécio vai ser vice de Serra em 2010

Deu na Folha de S. Paulo
Os governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas, Aécio Neves, fecharam um acordo para as eleições de 2010. O principal articulador foi o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Segundo integrantes da cúpula do PSDB, esse entendimento deverá ser anunciado em agosto ou setembro, enterrando a possibilidade de uma prévia entre os dois potenciais candidatos ao Palácio do Planalto. Por ora, haverá negativas, mas, nos bastidores, o acerto foi concluído.

Serra lidera as pesquisas. E terá 68 anos em outubro de 2010. Será sua última tentativa de conquistar a Presidência. Ele precisa do apoio de Minas, o segundo maior colégio eleitoral do país. Sem Aécio, Serra se enfraqueceria.

O governador paulista fará todos os gestos para dar a Aécio uma saída honrosa. Haverá um ritual de retirada da pré-candidatura mineira. Aécio terá holofotes e a palavra dada de Serra de que possuirá um pedaço importante do eventual governo federal. 

Café Aquário, tarde de sábado

video

16.5.09

Nova denuncia contra Yeda Crusius

Deu em O Globo
A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), teria recebido outras duas doações durante a campanha de 2006 que não constam na declaração entregue ao Tribunal Regional Eleitoral, segundo reportagem publicada na revista "Veja" neste sábado. As novas denúncias de suposta prática de caixa dois envolvem o ex-representante do Palácio Piratini em Brasília, Marcelo Cavalcante, e o vice-governador, Paulo Feijó (DEM).

De acordo com a reportagem, gravações telefônicas revelam que Cavalcante recebeu R$ 200 mil de uma empresa fabricante de cigarros, que confirma a doação. Ouvido por "Veja", o diretório gaúcho do PSDB afirma que a doação foi misturada a outras e incorporada a um recibo de R$ 596 mil no qual foram incluídos também os recursos fornecidos por outras empresas que não são discriminadas.

O outro caso refere-se a uma doação de R$ 25 mil de uma concessionária que não estaria relacionada entre os doadores oficiais da governadora. O vice-governador teria recebido a quantia e enviado um email informando a Rubens Bordini, então tesoureiro da campanha. A empresa nega a doação.

Yeda vai processar VEJA
Segundo reportagem de VEJA deste final de semana, a governadora vai entrar com ação de indenização por danos morais contra a revista VEJA, por considerar injustas as denúncias veiculadas na reportagem da semana passada sobre irregularidades em sua campanha eleitoral e no governo.

O anúncio foi feito na noite desta sexta-feira em Porto Alegre pelo advogado Eduardo Alckmin, contratado por Yeda para defendê-la das acusações de irregularidades, após reunião com a governadora e secretários do governo do estado.

Alckmin afirmou que as denúncias de corrupção fazem parte de uma "guerra política" promovida por setores que querem desestabilizar o governo da tucana.

Sempre bom ouvir o tema de Cine Paradiso

Governo não impede CPI da Petrobras

Deu na Folhaonline
Fracassou a tentativa do governo federal de barrar a criação da CPI da Petrobras no Senado. Mesmo com a mobilização de auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que trabalharam até a meia-noite de ontem para que senadores retirassem seus nomes do pedido de abertura, a oposição conseguiu manter 30 das 32 assinaturas --três a mais do que o mínimo necessário. Leia na íntegra.

Terceiro mandato, não

Deu em VEJA
Uma pesquisa inédita da consultoria Arko Advice com 167 deputados (de um total de 513) foi direto ao ponto: "Como o senhor votaria em uma proposta para permitir o terceiro mandato para Lula?". A esmagadora maioria de 79% cravou "não". O levantamento, feito na semana passada, ouviu 124 deputados governistas e 43 da oposição. Espera-se mesmo que o tema esteja sepultado.

Às armas, galera!

Novo cronista do blog, Lucas escreveu o texto abaixo depois de ler sobre o mais novo escândalo no Congresso: o do senador que empregava 52 fantasmas, noticiado dois posts abaixo


Lucas Portugal
Cronista

Estou chegando na área, com todo o gás e a mala lotada de ideias e boas intenções. Rubens – O Ingênuo -, cometeu a asneira de me convidar pra escrever no blog, bancou meu cachê quase proibitivo e me vi obrigado a topar, embora tenha percebido que o cara se arrependeu. Azar. Agora vai ter que me aturar. Ele e a antenada galera que percebeu que interagir com o blog é massa, além de instrutivo.

Mas é o seguinte: chega de baixar a cabeça e aceitar a exploração a que nós – povão – somos submetidos há séculos! Vamos fazer revolução, pegar em armas, sair às ruas e destituir a cambada que limpa os cofres, a dignidade e a esperança deste Brasil.

Não estou propondo revolução armada, tampouco a derrubada do regime! Isso é coisa do passado, ultrapassado, utópico, serviu apenas pra matar gente inocente e encher os bolsos da elite bolchevista, leninista e trotskista. Fidel resiste, o povo cubano insiste... no fim da ditadura – é tão-somente questão de tempo!

O Estado, representado pelos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário – cada vez mais se distancia dos interesses de quem paga e não é convidado pra festa: o ingênuo, espoliado e inculto povo brasileiro! O povão, festeiro por natureza, maleável, crédulo e “desmemoriado”, paga a conta do banquete e se satisfaz com os restos.

A voraz e insaciável confraria, acostumada a usufruir das benesses do poder, ao longo das décadas mamam nas generosas e férteis tetas da máquina estatal brasileira.

No Brasil, os poderes constituídos, embora sob o guarda-chuva da Constituição, vêm sofrendo de mal crônico, cujos efeitos apodreceram-lhe as entranhas, resultando em diagnóstico óbvio: câncer inoperável e, portanto, incurável. Senão, vejamos:

O Executivo tornou-se uma rede de maracutaias, fazendo com que os legítimos interesses da Nação não passem de meros coadjuvantes nessa peça teatral elocubrada por homens sem face, alma, coração e mente.

O Legislativo transformou-se num balcão de negócios, onde impera a “Lei de Gérson”. De quebra, por conta de sua prerrogativa de poder legislador e fiscalizador, tornou o Executivo refém de seus desejos e vontades – “é dando que se recebe!”.

O Judiciário é um caso à parte, considerando-se que, no imaginário popular e na estrutura do Estado, deveria ser reserva moral. Temos, porém, um Judiciário engessado, manietado por interesses muitas vezes escusos, próprios ou de grupos que fazem parte do poder dominante, inclusive e principalmente de seus irmãos siameses.

Esse quadro, cujas cores vão do cinza ao preto, remete ao questionamento: Existe luz no fim do túnel? Sem dúvida. Mas, para encontrá-la, é preciso fazer uma revolução. Por meio da única, mas poderosa arma que o povão não sabe utilizar: o voto consciente! Ao mesmo tempo, devemos aprender a a exercitar o “abre-te sésamo” da nossa liberdade, individualidade e responsabilidade pessoal e social – cidadania!

Mesmo aí, porém, há um problema: como o brasileiro atual possui precária formação educacional e cultural, nem sempre diferencia o bom do mau político, às vezes diferencia, mas assim mesmo vota no mau, a representação política virou uma roleta russa. Até porque nem sempre o que parecia ser "bom" continua bom. A transformação da sociedade requer revolução dentro de cada um de nós. Eis aí outro difícil desafio, já que tendemos à acomodação.

Às vezes eu me pergunto se tudo o que penso e escrevo tem alguma serventia. Ou se sou apenas mais um ingênuo a olhar com esperança para o Brasil.

Atores fazem 'performance' no calçadão

video

Agora há pouco, um grupo de atores passeava pelo calçadão, chamando a atenção de todos. Eles caminhavam a passos muito lentos, expressão em geral séria, olhares fixos para o cenário. As interpretações são várias. Uma delas é que lembravam zumbis (mortos-vivos) que se levantaram temporariamente de suas tumbas para rever a cidade, como a se perguntar: quem somos nós, que estamos fazendo da nossa vida?

O senador e seus 52 fantasmas


A capacidade do Congresso de produzir escândalos parece não ter fim: Efraim Morais contratou 52 funcionários-fantasma pagos pelo Senado

Deu em VEJA
Há quatro meses, o Senado enfrenta uma onda de escândalos que tem como epicentro o gabinete ocupado até janeiro passado pelo senador Efraim Morais, do Democratas da Paraíba. A mais nova descoberta assustadora é que o senador paraibano mantinha uma tropa de 52 funcionários fantasmas em seu gabinete, oficialmente contratados para trabalhar no Congresso, mas que, na verdade, eram cabos eleitorais pagos pelo contribuinte apenas para tocar assuntos de interesse exclusivo do senador e de seus aliados. Um comitê eleitoral permanente financiado com dinheiro público.

Efraim Morais está na vida pública há 27 anos. Já foi três vezes deputado estadual, teve dois mandatos de deputado federal, presidiu a Câmara por dez meses e está no Senado desde 2003. Apesar do currículo extenso, ele jamais se destacou pela atividade política. O parlamentar é conhecido pela desenvoltura com que transita em áreas que tratam sobre comissões, cargos, compras, licitações e contratações de funcionários.

Nos últimos quatro anos, Efraim esteve à frente da primeira-secretaria, cujas funções e assemelham às de um prefeito da casa. Nesse período, milhões de reais desapareceram em contratos fraudados e burocratas fizeram fortuna da noite para o dia.

VEJA teve acesso a uma planilha de computador onde estão listados os fantasmas do senador Efraim. Ao lado de cada nome, há o padrinho político, o cargo, a lotação e a data da contratação do "servidor". Tudo bem detalhado, mostrando que Efraim tinha total controle da máquina política que montou.

Só em salários, os fantasmas custaram aos cofres públicos 6,7 milhões de reais ao longo dos quatro anos em que o senador ocupou a primeira-secretaria. Era uma vantagem e tanto que o senador tinha em relação a seus adversários no estado, principalmente quando se vai apurar o que seus "servidores" faziam. Leia mais.

As saladas do Alles Blau

Slow Food
Crítica de Gastronomia

Ao longo da cidade existem dúzias de buffets de almoço, mas à noite os poucos restaurantes abertos servem somente a la carte. As exceções hoje são: o Intervalo (simples e de preço acessível), o Lobão (bom e caro) e o Alles Blau (bom, preço médio e com opções variadas). Os três têm saladas, que à noite é a comida mais conveniente para a saúde.

Às 22h de anteontem, encontramos 19 pratos no buffet vegetal do Alles Blau, dos quais provamos doze, constatando sempre o bom sabor, abundância, consistência, estado fresco e apresentação visual agradável e sóbria.

Dentre as opções salgadas: quatro verdes (alface, agrião, repolho e vagem), três com tomate (em fatias, recheado e acebolado), três em conserva (pepinos, aspargos e cebola), dois tubérculos (beterraba e cenoura), couve-flor, batata com maionese, ovinhos de codorna e um picadinho com cenoura, ervilha, milho, pepino, queijo, presunto e maionese.

As opções doces: pêssego em conserva, abacaxi em fatias e banana com leite condensado e raspas de coco.

Num primeiro prato, escolhemos alface, tomate, batata com maionese, beterraba e agrião (R$ 10 na balança). Como o buffet livre custa R$ 15,50 optamos por um segundo prato do mesmo peso e ainda um terceiro com os doces, única opção de sobremesa neste caso.

Parece meio caro para uma salada, mas é totalmente satisfatório em quantidade, em qualidade e ainda com a liberdade de acrescentar pratos quentes.

Com o começo do frio, o Alles Blau iniciou o serviço de sopas, que por si sós também deixam uma pessoa completamente "restaurada". Os valores estão reajustados em relação ao inverno passado: R$ 20,50 (buffet completo livre, com sopas) e R$ 10,50 (somente as 3 sopas, com pão e temperos).







Serviço
Sete de Setembro nº 354.
Almoço, todos os dias até 14h30.
Jantar, de segunda a sábado até 23h.

Paulo Francis, o gozador



Nem todo mundo gostava dele. Paulo Francis, o jornalista, não era mesmo um cara fácil. Erudito, cínico, gozador, irreverente - era odiado por muitos, amado igualmente por tantos. Era o que se chama na imprensa de um "polemista".

Seus comentários sempre provocavam discussão, controvérsia, reflexão, juízo crítico. Ou seja, ninguém era indiferente a ele. E todos, mal ou bem, saíam ganhando com o debate. Podia ser cruel, injusto e até "preconceituoso", mas parecia ser sincero nas suas intervenções.

Morreu relativamente moço. Aos 66, de ataque cardíaco, em seu apartamento, em Nova York, em 1997, encerrando uma carreira também como escritor.

Quem o conheceu de perto, dizia que Francis escondia, por trás da aparência insidiosa, uma alma sensível. Educadíssimo e atencioso, doce até.

No vídeo acima, dá para se ter ideia da pessoa por trás da máscara. Era um gozador, no fundo, a divertir a plateia. Como toda pessoa inteligente, parecia não se levar muito a sério.

15.5.09

Licitações, meritocracia e a falta da mãe

José Alexandre Zachia Alan
Promotor de Justiça

Noticiou-se acontecido engraçado na semana passada. Era a respeito de um sujeito preso justo no Dia das Mães, cometendo um assalto. Havia deixado o presídio por força de uma saída temporária no fim de semana.

Acontece que o flagrado não era casado nem tinha mãe viva há mais de dez anos. No fim da reportagem, o âncora paulista olhou direto ao telespectador e, invocando cumplicidade, disparou: a justiça foi uma verdadeira mãe.

Achei a crítica injusta. Ainda mais: achei que revela incompreensão acerca do direito e da democracia. Vejam que há grita partida dos juízes contra a inadequação das regras de execução penal.

Um dos institutos mais sem sentido é o da saída temporária, aliás. Para entendimento leigo basta dizer se cuida de breves períodos de liberdade total dados ao preso assim que atendidos determinados requisitos objetivos. Totalizados, é período de 35 dias anuais. Verdadeiras férias da cadeia.

Mas bem ou mal está previsto em lei. O que fazer então? Se o preso atende os requisitos objetivos – que não se relacionam com ter a mãe viva -, ainda que se considere tudo grande despautério, há de se deferir o benefício. É que o juiz é juiz, não ditador. E lei é lei, ora pombas.

Na administração pública, o grau de desprendimento da herança patrimonialista e a evolução para a construção de estado democrático vão avaliadas justamente pelo apego do administrador à lei, revelada pela substituição da vontade do ocupante do poder pelo desejo do povo, expressado nas leis e na constituição.

Em termos mais práticos, o grau de democracia de uma administração se mede pela opção por concurso público em vez das contratações emergenciais ou por entidades interpostas. Mede-se, ainda, pela realização de licitações em substituição às simples contratações diretas ou indicadas.

O Víctor Schroder, ilustrado colega do blog, referiu num de seus últimos escritos que o problema da ausência de licitação é algo ligado com resistência à meritocracia.

Acho que a avaliação é acertada, mas ainda há outro algo: o problema é essencialmente de “licitocracia”. Ou seja, mais do que apego ao mérito, é preciso apego à lei.

Se o administrador puder abandonar a lei porque dela não gosta ou com ela não concorda, não haverá mais leis, mas simples conselhos. E nas verdadeiras democracias, o administrador público, do povo, recebe ordem. Conselho só de sua mãe, o que pode até evitar assalto.

Outros artigos de Zachia Alan
E-mails para o autor: zachiaalan@hotmail.com

Há 50 anos, um disco histórico



Em 1959, um grupo de músicos norte-americanos se juntou para gravar um disco destinado a romper os padrões do blues. O disco Kind of blue foi sucesso tremendo, até hoje vende muito.

Os responsáveis pela obra (trumpetista Miles Davis, saxofonista Vincent Herring, saxofonista John Coltrane, baixista Paul Chamders e o pianista Bill Evans) criaram a obra-prima, uma associação livre, espontânea, um passeio pela musicalidade de sons e ritmos que influenciaram tudo o que se fez depois, em vários gêneros.

O disco, lançado pela Columbia Records, foi gravado no dia 17 de Agosto, no estúdio de Miles Davis. As gravações ocorreram no 30th Street Studio, em Nova York, de 2 a 22 de abril de 1959.

Finalmente, a reforma de quadra histórica

Ars Longa
Crítica de Cultura

Neste momento, a Banda Mídia está apresentando-se na Lobo da Costa esquina Félix da Cunha, no palanque armado especialmente para a inauguração da reforma urbana da quadra histórica do Teatro Guarani. Além de um público de entre 100 e 200 pessoas, encontram-se o prefeito, alguns secretários e os diretores da SeCult.

O palanque foi posto na quarta-feira (13), mas pela chuva a cerimônia foi adiada para hoje. No entanto, as luminárias somente foram conectadas hoje. Na quarta, o show de Auildo Munhoz e convidados teria sido o melhor complemento (e marketing mútuo) para esta inauguração.

Na ocasião, o Guarani exibiu-se iluminado por fora, como parte da produção do show musical, enquanto hoje somente os casarões da esquina oposta estão com luzes especiais. Os trabalhos levaram cinco meses desde o início, incluindo um atraso por parte do serviço que teve que ser corrigido (desnível do pavimento para veículos).

Fetter destacou que a revitalização urbana de Pelotas tem sentido de lazer e de revitalização do patrimônio histórico, assim como o parque Dom Antônio Záttera, que está por ser entregue à comunidade proximamente.

E-mails para o autor: sotovidal@yahoo.com.br

Como a imprensa noticiaria o 'fim do mundo'

New York Times
O mundo vai acabar

O Globo
Governo anuncia fim do mundo

Folha de S. Paulo
Saiba como será o fim do mundo

Jornal do Brasil
Fim do mundo leva terror à zona sul

Estado de S. Paulo
PT e MST envolvidos no fim do mundo

Notícias Populares
Desempregado mata a mulher ao saber que mundo vai acabar

Valor Econômico
Finalmente os juros caem

Veja
Exclusivo: "Entrevista com Deus"
Paulo Coelho: "À beira do fim do mundo, eu sentei e chorei"

Correio Braziliense
Congresso vota constitucionalidade do fim do mundo

Revista Nova
O melhor do sexo no fim do mundo

Zero Hora
Rio Grande vai acabar

Site da UFPel
Universidade promete inauguração de shopping Anglo para antes do fim do mundo

Site da Ucpel
Católica promete mais demissões antes do fim do mundo

Diário Popular
Fetter diz que fim do mundo não afetará Pelotas

13 Horas
Mozart Russomano questiona judicialmente fim do mundo

Blog Amigos de Pelotas
Nós avisamos...

Senado instala CPI da Petrobras

Após o bate-boca de ontem entre tucanos e o democrata Heráclito Fortes (PI), o Senado criou hoje uma CPI para investigar a Petrobras. O vice-presidente do Senado, Marconi Perillo (PSDB-GO) atendeu o pedido da oposição e autorizou a leitura do requerimento que pede uma investigação para apurar possíveis irregularidades constatadas pela Polícia Federal na empresa. A Petrobras não se manifestou. 

Puro prazer: Joel-Peter Witkin

Foto do norte-americano Joel-Peter Witkin

Voz do leitor: "Tetas vitalícias"

Leitor Miguel Angelo Mozzillo desabafa: Se eu fosse o Lula, também ia querer o terceiro mandato, o quarto, o quinto, e por aí afora, até que não restasse nada do Brasil. Imagine a pressão que ele deve estar recebendo de seus súditos, tipo: "Bah! será que vamos perder a teta? o que será de nós? Será que vamos ter que trabalhar? E os nossos correligionários? Será que vão se bandear para o PSol?" Mas o que mais me admira são deputados como Marroni, que têm a cara de pau de pedir prorrogação da teta. Pô, amigo Marroni, menos né! Te considero um cara legal, bom pai de família e tal, mas prorrogação de mandato é coisa pra Fidel Castro, e nem o povo de lá quer saber mais. Democracia é renovação, rodízio, tipo: agora a teta é minha, depois tua, mas teta perpétua, não dá. Solta, que também quero!

Papos do Aquário

Enem deve ser obrigatório a partir de 2010

Deu na Folha de S. Paulo
O Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) deverá se tornar obrigatório para o aluno da rede pública obter o diploma de conclusão do antigo colegial.

A medida foi acordada ontem entre o Consed (Conselho Nacional dos Secretários de Educação) e o ministro Fernando Haddad (Educação) e deve ser colocada em prática já em 2010, segundo Maria Auxiliadora Seabra Rezende, presidente do Consed, órgão que reivindicou a mudança ao MEC.

Para a obrigatoriedade valer também na escola privada, ela teria de ser aprovada pelos conselhos estaduais de educação.

O Enem hoje é realizado em 1.560 cidades por cerca de 70% dos alunos do ensino médio. Se for universalizado, será necessário um esquema de transporte e hospedagem de alunos, já que o exame não será aplicado em sala de aula. "A prova pode representar o acesso dele [o aluno] à universidade, o que exige cuidados maiores com a segurança", diz Haddad.

Já a partir deste ano, o Enem irá substituir o Encceja, usado para avaliar alunos que fizeram o ensino médio em supletivos. Para eles, o diploma será condicionado a uma nota mínima -definida por cada Estado.

Já para os alunos do ensino médio regular não foi estabelecida uma nota mínima. Haddad considera complicado fazer essa exigência, já que o diploma, em sua visão, não deveria depender de uma única prova. Leia na íntegra (para assinantes).

Pelotense valoriza mais o 'espetáculo'

Ars Longa
Crítica de Cultura

Na quarta passada (13), os pelotenses lotaram plateia e camarotes do Teatro Guarani para ouvir as “Canções Eternas” do tenor Auildo Munhoz, que mais uma vez mostrou a espetacularidade de sua voz e - como se isto ainda fosse pouco - da produção musical, cenográfica e publicitária de seus shows em constante renovação.

Ouvidos mais exigentes prefeririam que Auildo cantasse a música erudita à qual seu talento vocal o chama naturalmente. No entanto, ele optou pelo apelo diretamente sedutor dos boleros, tangos, chansons e demais formas populares e comerciais dos anos 50 e 60. Como um cirurgião aplicando um simples band-aid, este nosso Plácido Domingo faz tudo isso com brilho e sem esforço, arrecadando cerca de 30 mil reais para beneficência.

Outro de nossos créditos culturais, o eminente jurista Mozart Victor Russomano, também fez uma apresentação ontem (14), no 5º Salão do Livro da Academia Pelotense de Letras, da qual é Presidente de Honra. Com toda a lucidez e serenidade que alguém pode ter aos 86 anos de idade, Mozart palestrou sobre o pouco conhecido historiador rio-grandino Alfredo Ferreira Rodrigues (1865-1942). Sua erudição, simpatia e naturalidade encantaram a dúzia de pessoas que não pagou um centavo para desfrutar desse momento.

Não é frutífero comparar talentos em áreas diversas, pois cada um tem seu segmento de público, mas o comportamento dos pelotenses nos faz pensar, neste caso. Uma grande produção de sons, luzes e movimentos mobiliza cem vezes mais pessoas que uma conferência grátis. Signo de superficialidade? Decadência? Modernidade? Assim é o nosso Brasil, e Pelotas anda no mesmo ritmo.

E-mails para o autor: sotovidal@yahoo.com.br

14.5.09

Ex-prefeito Fernando Marroni ressuscita proposta de terceiro mandato de Lula

Deputado diz que Lula é um "gênio" e que não se conforma que a lei impeça um terceiro mandato do presidente. Ou mais, pelo que disse

Deu em O Globo
Em discurso nesta quinta (14) na Câmara dos Deputados, o deputado Fernando Marroni (PT) ressuscitou a proposta de um terceiro mandato do presidente Lula. Apesar de ressaltar a posição contrária do PT e de afirmar que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, seria uma "grande presidente", o gaúcho Marroni disse que a ideia de mais um mandato para Lula surge entre a população e que ele não poderia se furtar a esse debate.

"Temos muito orgulho de ela (Dilma) ser do partido e nossa candidata. Mas, sinceramente, não posso me conformar (com o fato de) que as leis brasileiras impeçam que tenha continuidade a liderança desse homem, a liderança desse Presidente, coisa que não aparece de uma hora para outra. São poucos os líderes no mundo. Tenho certeza de que não há nada de imoral, de ilegal, de ilegítimo em que se faça uma consulta, um plebiscito para conhecermos a opinião do povo brasileira sobre a possibilidade de o presidente Lula concorrer ao terceiro mandato. Essa é a soberania popular, é o sentido da democracia. Todo o poder emana do povo e não do Congresso Nacional e da lei", disse Maorri, encerrando com trechos do poeta Carlos Drummond de Andrade.

Ex-prefeito de Pelotas (RS), Marroni disse que decidiu tocar no assunto depois de participar das comemorações dos 50 anos do Sindicatos dos Metalúrgicos do ABC e do congresso dos 30 anos da Federação dos Trabalhadores em Educação das universidades públicas e de verificar que pessoas defendiam a permanência de Lula.

"Vou no posto de gasolina e um bombeiro me cobra: Deputado, agora vamos lá, vamos emplacar o Lula de novo! Digo: Não pode, tem uma legislação que não permite", contou.

Comentário meu
Com atuação apagada desde que assumiu uma vaga na Câmara, no lugar de Tarcísio Zimmermann, Fernando Marroni é parlamentar ideal para reavivar o tema da reeleição de Lula, já que soa deslocada no cenário e há pouco havia sido sepultada. Ninguém com maior cacife político se permitiria, como não se permitiu, uma intervenção como essa, por ferir a Constituição Federal e as regras do jogo eleitoral, sobretudo às vésperas do ano da eleição.

Integrante do chamado baixo clero, Marroni, na tribuna, ganhou os holofotes da mídia nacional com a seguinte intervenção: "Não posso me conformar que as leis impeçam a continuidade da liderança desse homem. São poucos os líderes no mundo. De vez em quando surge um gênio. Esse é um gênio brasileiro. Essa é a soberania popular, é o sentido da democracia. Todo o poder emana do povo e não do Congresso Nacional e da lei. As leis não bastam".

Suas palavras traduzem o sentido de democracia (à Chaves) do deputado, já que invoca o plebiscito para a perpetuação no poder do presidente, sem questionar os motivos da popularidade de Lula, que em grande parte passam por uma política populista, como, por exemplo, a praticada pelo bolsa-família, mas não só. Fica evidente que, para Marroni, a saudável alternância no poder - que evita a eventualidade de maiorias de ocasião - não significa nada.

Enquanto aproveita os minutos de fama, questões que dizem respeito diretamente à vida dos pelotenses e dos habitantes da Zona Sul continuam sem merecer a mesma atenção do deputado, cuja proposta de estender o mandato de Lula já nasce - outra vez - morta.

Um acréscimo: já há quem veja na fala de Marroni uma reação articulada à doença da ministra Dilma Rousseff, que se trata de câncer e é candidata de Lula a sua sucessão. Diante da doença da ministra, a tese do terceiro mandato teria voltado a ganhar força. Pode ser, pode não ser. Vamos ter de esperar um pouco para confirmar. O PSDB pediu uma nova pesquisa de intenções de voto, considerando que Lula volte ao páreo, informa a Folha de S. Paulo.

E o frio chegou a Pelotas, 12º

Estava tanto frio ontem à noite 
que minha mulher caiu da cama e partiu o pijama.

Bob Hope

CPI 'contra Yeda' ganha apoio do PSB

Deu na Folhaonline
A oposição à governadora Yeda Crusius (PSDB) na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul conseguiu convencer os dois deputados do PSB a aderirem à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar o suposto uso de caixa 2 pela campanha da tucana.

Já o PDT - que conta com seis parlamentares - pretende decidir até a próxima terça-feira (19) se assina ou não a CPI.

Desde ontem, a oposição ao governo já contava com os votos do PSB. Mas foi apenas hoje que Miki Breier e Heitor Schuch aderiram à Comissão. Com a ratificação dos deputados, o número de parlamentares favoráveis sobe para 12, sete a menos do que o necessário para que ela saia do papel.

Desde ontem, a oposição ao governo já contava com os votos do PSB. Mas foi apenas hoje que Miki Breier e Heitor Schuch aderiram à Comissão. Com a ratificação dos deputados, o número de parlamentares favoráveis sobe para 12, sete a menos do que o necessário para que ela saia do papel.

PDT
Já o PDT vai se reunir na próxima terça para decidir porque, segundo o líder da legenda na Assembleia, Asdroaldo Loureiro, amanhã "as atividades no legislativo esfriam".

"Terça-feira é a nossa data. É quando vamos reunir a bancada e analisar os elementos recolhidos de hoje até lá para tomar uma decisão", afirmou Loureiro à Folha Online.

O deputado diz que sua legenda está fazendo um estudo jurídico sobre as justificativas de abertura da CPI. "Fizemos contato com o Ministério Público Federal e com o Ministério Público Eleitoral. Estamos procurando um embasamento para uma posição madura que nos dê convicção para decidir", disse. Leia na íntegra.

Manifestação reúne 3 mil
Uma manifestação contra a governadora reuniu nesta quinta-feira cerca de 3.000 pessoas, segundo os organizadores, no centro de Porto Alegre. O objetivo do protesto foi pedir o afastamento imediato da governadora.

O protesto começou por volta das 10h30 e durou cerca de uma hora e meia. Após caminhar pelas ruas do centro de Porto Alegre, os manifestantes pararam em frente à sede do Ministério Público do RS, para pedir a investigação das denúncias, e do governo do Estado, para pedir o impeachment da governadora.

O protesto foi organizado pelo Cpers (Centro de Professores do Estado do Rio Grande do Sul) e contou com a participação de estudantes e servidores públicos, principalmente professores, que levavam faixas e cartazes pedindo a saída da governadora. Um carro de som também auxiliou no protesto.

A imaginação no poder

A fotografia abaixo, feita por Henri Podworny, mostra a Universidade de Sorbonne, na deflagração do Movimento de Maio de 1968, em Paris.

No dia 14, a Sorbonne foi ocupada pelos estudantes, dando início a uma série de greves e ocupações por toda a França, provocando a crise do governo e pondo em questão toda a sociedade.

O incrível é que tudo começou por causa da proibição da reitoria de que alunos homens frequentassem os alojamentos femininos.

Ontem, 13 de Maio, em Pelotas, cerca de 100 estudantes da Universidade Federal (UFPel) fizeram novo protesto no campus do Capão do Leão, pedindo mais linhas de ônibus, para evitar as lotações, e o direito ao pagamento de meia passagem. O transporte de estudantes é feito pela empresa Santa Silvana.

O movimento local não deixa de ser um eco distante dos acontecimentos em Paris.

"Sede realistas, pedi o impossível"

Slogan de Maio-68

Sanep chama aprovados em concurso

O Sanep publicou hoje(14) a primeira lista de convocação dos aprovados no concurso público realizado em agosto do ano passado. Confira aqui.

Alívio


Leonardo Peixoto
Estudante de Cinema & Animação

Quero dizer aos leitores do blog que depois de ler os comentários sobre o texto que escrevi ontem (13), senti-me aliviado. Desde que fiquei sabendo que tinha leucemia, e isso já faz quase um ano, tornou-se raro discordarem de mim ou me criticarem. Elogios se multiplicaram, talvez pra tentar me dar força, talvez por ter medo que se não me dissessem essas coisas naquela hora talvez nunca o fizessem, ou por pena mesmo.

Só meus melhores amigos e minha família me criticavam ou discordavam, mesmo assim nada muito duro. E quando comecei a escrever aqui no blog, falava das situações da doença, pois era só o que ocupava minha cabeça, e isso não dava margem nenhuma a críticas, afinal estava falando do que sentia, ou contava o que tinha acontecido.

Por isso, senti-me aliviado ao ler comentários concordando e discordando, foi como um atestado de que o status de doente está sumindo. Uma mostra de volta a vida.

Tem um cara que quando eu fiquei doente disse “doente ou não, ele continua sendo idiota” - e isso me serviu muito bem. Não que eu me ache idiota, apenas me jogou na cara que doente ou não eu ainda era a mesma pessoa.

Acho eu que ele não gostava de mim porque na época namorava uma ex-namorada minha e o ciúme pegava, mas a lição ficou, doente ou não ainda se é o mesmo.

Concluindo, queria esclarecer algumas coisas. É óbvio que perguntar pelo "sobrenome" das pessoas serve para identificar conhecidos em comum. O que me fez pensar (e tratei no texto de ontem) foi o fato de minha companhia no ônibus não saber nem o meu nome antes de perguntar pelo sobrenome.

Aliás, o nome do meu avô, que está me dando hospedagem, é João, óbvio que o sobrenome dele serve para identificá-lo em uma conversa. E sim, assino aqui com o meu nome e sobrenome, pois isso serve para me identificar e assumir a minha opinião.

Tenho orgulho da minha família e dos meus sobrenomes e gosto de ter memória e conhecer o passado; aliás, esse nem era o assunto.

Admiro o blog pela liberdade que ele dá tanto ao colaboradores e tanto para quem comenta, mas tenhamos cuidados com alguns preconceitos explicitados nos comentários...

E sim, sei que em cidades pequenas esse é um costume comum, mas aí está outra caracteristica de Pelotas: ainda não percebeu o tamanho que tem.

Outros textos de Leonardo
E-mails para o autor: leo_vpeixoto@hotmail.com

Entrevista com o prefeito (2ª parte)

A terceira e quarta partes da entrevista serão publicadas na próxima semana. A primeira pode ser encontrada no link ao final desta conversa


"Nós não recebemos do governo passado nenhum relatório. Nenhuma informação, nada"

O sr. disse que o Programa Monumenta (do governo federal) só libera recursos para restauração de prédios históricos se os projetos preveem a autosustentabilidade dos imóveis, para evitar que o governo federal tenha de voltar a fazer novos repasses para as obras. No caso do Mercado Público, há a previsão de reconversão das atividades econômicas, buscando tornar o mercado mais "rentável" nesse sentido?
Uma comissão nossa estudou esse ponto longamente com representantes da sociedade. O projeto de reforma do mercado prevê um mix de negócios reformado. Há ajustamentos em relação ao quadro atual de negócios. Por ora, trabalhamos a parte física. Enquanto o Monumenta não liberar a verba e a licitação, para que a reforma possa ser feita, não há porque discutir o assunto 'reconversão econômica'. 

Mas esse ponto não é exigência para a liberação de verbas por parte do Monumenta para a obra do mercado?
Em relação à receita que o mercado gera, sim, eles exigem essa informação. Os negócios que vão ficar dentro do mercado, não. Então, estamos de acordo com os requisitos solicitados pelo governo. No mercado, as bancas são locadas pela prefeitura. O retorno financeiro para os cofres do município é uma parte constante do projeto protocolado no Monumenta. Mas eles não entram na discussão do mix de negócios. O Monumenta se preocupa com a parte arquitetônica, engenharia, estrutura, não se mete no mix. De qualquer modo, nosso projeto para o mercado prevê a reconversão econômica de algumas atividades. 

Poucas, muitas?
Haverá uma conversão. Nesse sentido, por exemplo, nós evitamos substituir 29 lojas que vagaram. Não deixamos ocuparem, para termos essa margem na futura reconversão das atividades. Nossa ideia é tornar o mercado um grande centro de convivência.

Quando o sr. assumiu, anunciou um grande plano de reordenamento fundiário. Em que ponto anda essa ação?
Grosseiramente falando, regularizamos até agora mil lotes. Temos também pronto o georeferenciamento de outros 4 mil lotes. Nós deveríamos ter concluído isso no ano passado, mas não conseguimos porque o governo federal, que era sócio desse programa, suspendeu o repasse de recursos por causa do período eleitoral. Esperamos concluir nesse primeiro semestre e partir para novas regularizações, já que deve haver em Pelotas uns 15 mil lotes irregulares, acumulados ao longo dos últimos 30 ou 40 anos.

No seu segundo mandato, o sr. substituiu a secretária de Educação anterior pelo ex-prefeito de Santa Vitória Artur Correa. Por que o sr. o escolheu para essa função, mesmo não sendo ele um educador e sendo de fora da cidade?
A educação estava precisando naquele momento de um gerente. As licitações estavam atrasadas. Tínhamos dinheiro para fazer obras e não estávamos fazendo. O processo burocrático estava muito ruim. Ou seja, as pessoas não estavam gerenciando a educação. Para se ter ideia, um dos problemas antigos na administração de Pelotas é a falta de professores, o que é uma contradição, há que temos quadro grande de professores em 91 escolas. Então, como não havia quadro nem concurso, acaba que havia grande número de complemento de carga horária. Professores com 20 horas tinha mais 20 horas. Por conta dessa situação, histórica, todos os prefeitos vinham sendo pressionados pelo Tribunal de Contas, Ministério Público. Ou seja, isso não deveria continuar. Nós fizemos concurso, nomeamos mais de 300 professores - não pudemos nomear antes por causa de legislação eleitoral, que não permitia nomeações. Mas nomeamos de janeiro a março justamente para reduzir as complementações de carga horária ao mínimo indispensável. Um pouco sempre tem que haver porque há casos excepcionais. Por exemplo, uma professora grávida (e são cerca de 100 por ano nessa condição). Não se vai fazer concurso para substituir alguém nessa condição, já que o afastamento é temporário. Há casos também de morte, de doença. Essa situação exige o mecanismo da complementação de carga horária, para tentar resolver problemas pontuais. O que nós fizemos? Criamos vagas, em projeto de lei aprovado pela Câmara de Vereadores, e fizemos concurso. 

Mas porque contratou o ex-prefeito de Santa Vitória?
Quando chamamos o Artur, a educação enfrentava um problema gerencial sério, as coisas não estavam andando, as prestações não estavam adequadas, não estávamos obtendo recursos de fora por falta de um gerente. O Artur entrou para temporariamente organizar a estrutura administrativa. E organizou. Tanto que fez as eleições para diretores de escola, fez prestações de contas, deslanchou obras, fizemos concursos, nomeamos, as aulas começaram no prazo. Na área rural, demorou quinze dias, por causa dos problemas com as enchentes e da recuperação das pontes. A educação está funcionando relativamente bem neste aspecto administrativo. Agora temos um governo inteiro para trabalhar na melhoria da qualidade. E parte pedagógica. Esse é outro desafio.

Há muito por fazer em termos de qualidade. Os resultados do Ministério da Educação indicam que a reprovação é alta e que os alunos da rede municipal aprendem apenas 30% dos conteúdos que recebem em sala de aula. O que o sr. tem de perspectiva para e melhoria da qualidade?
Nós já adotamos uma série de iniciativas nesse sentido. Resumindo: implantamos 20 salas especiais para apoiar alunos com dificuldades de aprendizagem ou pessoas com deficiências físicas e motoras. Quando assumi, havia só duas dessas salas. Implantamos mais de 20 laboratórios de informática (de 31 aprovados, em processo final de ajustamento). Quando assumi, havia na rede mais de 100 atividades extracurriculares, hoje são 430, incluindo teatro, dança, mísica. Tínhamos uma banda municipal, hoje temos 11 escolas com banda. Não havia balé, hoje 80 crianças por ano têm acesso à dança. Implantamos um centro de atendimento para jovens na colônia, que eu saiba, o primeiro no Brasil, na área da Cascata, numa escola desativada. Compramos 15 veículos, microônibus, ônibus, Kombi, fizemos seis quadras poliesportivas, 29 salas de aula, 26 salas de refeitorioas, auditórios etc. Temos hoje uma biblioteca central com mais qualidade do que havia. Nosso desafio agora é, juntamente com a comunidade, melhorar os baixos índices educacionais - que são muito localizados. Se você olhar os desempenhos das escolas nesses exames nacionais do MEC, 1/3 está acima da média, 1/3 vem na média e 1/3 se encontra abaixo da média. As escolas com os piores desempenhos estão localizadas em áreas difíceis, com muita pobreza, miséria, exclusão, droga. Então, para melhorar os índices na educação, precisamos melhorar em alguns pontos muito específicos que têm de ter todo um trabalho. Não é só a melhoria no professor, na estrutura física, agora é melhoria do envolvimento da comunidade.

O sr. anunciou 228 prioridades para os 150 primeiros dias de governo. Falta um mês. Como o sr. consegue aferir se os resultados foram alcançados?
Quando assumi, não possuíamos um sistema municipal informatizado. Hoje, tenho o controle aqui (apontando para o seu laptop). Tenho todas as prioridades e metas traçadas. Hoje, na verdade, são 247 prioridades. Distribuímos os relatórios disso à imprensa.

O sr. tocou num ponto importante. A prefeitura não possui um sistema de dados com indicadores da administração. Não temos um aferidor evolutivo da implementação de políticas públicas na cidade, sua evolução, involução. Não temos um retrato segmentado do quadro geral. Não está na hora de termos um sistema assim?
Se você for olhar aqui (apontando para o laptop), encontrará, secretaria por secretaria, todas as ações prioritárias. Hoje, 60 estão concluídas, 83, em andamento, 22 delas iniciaram em abril, 68 estão previstaspara iniciar até maio e 14 estão por iniciar.

Sim, mas os dados estão no seu computador? Não são públicos... Estamos falando, na verdade, de indicadores de desempenho. Na educação da cidade, por exemplo. Hoje não se sabe exatamente quantos alunos foram reprovados...
Vocês tão reclamando de algo que reclamei quando assumi. Nós não recebemos do governo passado nenhum relatório. Nenhuma informação, nada. Implantei um sistema de relatórios para amenizar o quadro. O último é esse aqui (apontando para o laptop), que faz um resumo dos quatro anos de governo. Isso nunca houve em Pelotas. Hoje fazemos quatro relatórios por ano. O primeiro foi feito por mim em 2006, sobre 2005, eu era vice-prefeito. Ainda temos muito a evoluir nessa área. Mas a única coisa que existe nesse sentido foi implantado nesse governo, por mim. Isso é disponibilizado, entregue à Câmara. Não posso distribuir relatório de 560 páginas para cada habitante porque é caro e porque as pessoas vão ter dificuldades de entender a numerologia. Colocamos também na internet. O último não foi colocado ainda por falta de revisão. Hoje temos uma memória do que foi feito nos últimos três anos.

Vai ficar para o próximo governo?
No processo de modernização da gestão pública que estamos realizando, através do Programa Gaúcho de Qualidade e Produtividade (PGQP), temos vários desafios. Hoje estamos trabalhando em cima dos processos, agilizando licitações, desburocratizando procedimentos. Este processo vem, como eu disse, desde 2007. É um trabalho de melhoria dos processos de sistematização do fluxo de informações. Hoje isso é feito artesanalmente, é uma compilação de dados trabalhosa. Nós queremos que isso seja automatizado e que passe a fazer parte da cultura administrativa da prefeitura.

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