Terça-feira, Junho 09, 2009

"Fora Yeda" em Pelotas nesta quarta

Sindicalistas e entidades estudantis fazem protesto nesta quarta (10) em Pelotas contra a governadora Yeda Crusius (PSDB).

Às 15h, saem em passeata pelas principais ruas do centro da cidade, reivindicando a instalação de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), pela Assembleia Legislativa, para investigar a atuação da tucana.

Para o requerimento da CPI ser aprovado falta a assinatura de dois parlamentares. Por ora, há 17 assinaturas das 19 exigidas para admissibilidade da investigação.

O protesto faz parte do movimento intitulado "Fora Yeda", organizado por dez entidades do Fórum dos Servidores Públicos Estaduais: Sindicaixa, Sindsepe, Sindjus, Simpe, Sindiágua, Sindet, Semapi, Ugeirm/Sindicato, CPERS/Sindicato e Federação dos Bancários RS. Passeatas como a de amanhã já foram realizadas em várias cidades gaúchas.

Municipários encerram movimento

Os servidores municipais decidiram, em assembleia no final desta terça (9), aceitar a proposta da prefeitura, encerrar o movimento de paralisação e voltar ao ritmo normal de trabalho.

Durante as últimas três semanas, o Sindicato dos Municipários (Simp) e servidores mantiveram movimento, inclusive com apoio da Câmara de Vereadores (que paralisou votações nestes 21 dias), tentando convencer a prefeitura a atender suas reivindicações.

Alegando dificuldades financeiras, por causa da crise econômica mundial e da Lei de Responsabilidade Fiscal, o Executivo pelotense ofereceu pouco.

O governo propôs (e os servidores acabaram aceitando) reajuste salarial (reposição da inflação) de 5,53%, aumento do vale-alimentação de R$ 80 para R$ 90 e base de cálculo de salários em R$ 401.

O comando do Sindicato dos Municipários (Simp) pleiteava reajuste salarial de 17,06%, vale-alimentação de R$ 130 e base de cálculo dos salários sobre o piso de R$ 465 - valor atual do salário mínimo. Reivindicava também a elevação do piso salarial do Magistério dos atuais R$ 279 para R$ 950, além da implantação de plano de carreira e do estatuto aos servidores, já aprovados pela categoria.

Gigolô dos absurdos do Brasil



Juca Chaves, quem diria, ainda vive, faz graça e engorda a conta bancária em shows pelo Brasil, cantando suas modinhas. No próximo dia 11 de julho, o artista, que se celebrizou nos anos da Ditadura Militar, satirizando o poder, apresentará no Theatro Sete de Abril, às 21h, o espetáculo O Rei está nu - jubileu de ouro do menestrel do Brasil, em comemoração aos seus 50 anos de carreira. Com o fim da ditadura, Chaves continuou a ganhar a vida satirizando os presidentes do período democrático e os costumes do povo brasileiro.

Papos de balcão

Câmara retoma votação de matérias

Por 8 votos a 6, os vereadores decidiram há pouco destrancar a pauta de votação na Câmara. Durante as últimas três semanas, eles se mantiveram sem votar matérias, em apoio ao movimento do Sindicato dos Municipários (Simp) por reajustes salariais e outros pontos.

As reivindicações da categoria enfrentam resistências do prefeito Fetter Jr., que alega falta de condições financeiras para arcar com os reajustes pedidos pelos servidores.

Puro prazer

Sobre micos e micos

Na próxima quarta (10), o prefeito Fetter Jr. vai inaugurar com grande comemoração a reforma do Parque Dom Antônio Zattera, antiga Praça Júlio de Castilhos, popularmente conhecida como Praça dos Macacos, por causa dos micos que pulavam de galho em galho no pequeno zoo que havia ali. Hoje a assessoria de imprensa da prefeitura começou a divulgar releases sobre o evento. Um deles informa que fiscais da Secretaria de Urbanismo notificaram quatro vendedores ambulantes que comercializavam alimentos sem autorização no parque.

Antevendo as possibilidades comerciais, os "notificados" acomodaram ali carrocinhas de churrasquinhos e cachorros-quentes, mas foram obrigados a deixarem o local, sob pena de remoção compulsória.

A população se esforça, mas às vezes não dá para entender a prefeitura. Enquanto retira quatro ambulantes da praça, não toma nenhuma providência em relação aos ambulantes que, como formigueiro, dominam o passeio público da região central da cidade, sem destinação adequada de local de trabalho.

Assim, vão acabar dizendo por aí que os micos da praça se mudaram para o Paço Municipal.

Crônica: Milonga triste


Marieta Cazarré

Jornalista e antropóloga

Estávamos sentados numa mesinha bem no fundo daquele galpão. Os músicos, do outro lado do salão, às gargalhadas, tocavam uma velha milonga. O ambiente estava escuro e enfumaçado, como de costume. No meio do salão, casais apaixonados e amantes do tango dançavam coladinhos, num vai-e-vem incessante. Eu podia ouvir os roces dos vestidos contra as calças, podia sentir aquela mistura de perfumes femininos no ar, podia provar o teu desamor.

Aquelas horas que passamos ali, um ao lado do outro, em silêncio, foram das mais duras. Eu não queria entender, não queria aceitar a tua verdade. No fundo, no fundo, eu sabia exatamente o que me aguardava, mas eu simplesmente preferia ignorar e alimentar qualquer doce esperança tola.

Você estava nervosa, olhava para o chão, girava os anéis nos dedos, rasgava guardanapos, fumava um cigarro atrás do outro. Não era capaz de me olhar nos olhos. Usava sua franja como artifício para esconder os olhos e assim ganhava mais tempo, tempo para decidir como me arrasar da maneira menos dolorosa.

Faço o esforço de me colocar no seu lugar e reconheço que não é fácil dizer “eu nunca te amei”. Mas isso, se você quer saber a verdade, não me serve de consolo. Não me alivia o peito nem me seca as lágrimas.

E me pergunto como você pôde ser tão fria. Enquanto meu mundo ruía, você permanecia inabalável, séria e com os olhos secos postos em mim. Eu estava diante da maior paixão que jamais vivi e não conseguia dizer nada em minha própria defesa. Foste demasiadamente clara para que eu pudesse pronunciar qualquer palavra de súplica.

Hoje, sentado na mesma mesinha do fundo, choro. Escuto outras velhas e tristes milongas e sofro pelo teu não-amor. Ser amado é difícil, eu sei. O meu amor te sufocou e eu entendo tua partida. Mas a ausência de amor é o pior que se pode provar.

Dois shows musicais

Violonista Daniel Wolff


Ars Longa
Crônica Cultural

Nesta sexta (12), dia dos namorados, duas produções musicais moverão os pelotenses. Somente será possível ir a um dos espetáculos dessa noite. No palco principal da Fenadoce, às 21h, a Orquestra e o Coro Música pela Música cantam ao amor romântico, com canções italianas e brasileiras, além de algum trecho lírico e instrumental. Repertório popular para uma plateia numerosa, disposta a sonhar e enamorar-se. A cada ano, o maestro Sérgio Sisto nos brinda com algum rei-alberto musical, doce e colorido.

No Conservatório de Música, às 20h, o Projeto Sonora Brasil 2009, do SESC, traz os violonistas Daniel Wolff, gaúcho, e João Pedro Borges, maranhense. Num ambiente intimista e repousado, primeiro cada um tocará com diferente "sotaque", em repertório calcado em compositores do Sul e do Nordeste, respectivamente.

No final, os dois juntos interpretam Bruno Kiefer e Radamés Gnattali. O duo está fazendo turnê em 20 Estados, num total de 80 apresentações de maio a agosto. Wolff e Borges são reconhecidos nacionalmente como solistas e arranjadores, mas somente agora foram reunidos neste imaginativo programa.

Em Pelotas, o "original" é que as cadeiras serão trazidas pelo SESC, unicamente para este show no Salão Milton de Lemos, que ainda espera que a UFPel compre os móveis definitivos.

E-mails para o autor: sotovidal@yahoo.com.br

Vendido Casarão 1

Casarão 1 da Praça Coronel Pedro Osório, que passou anos desativado, foi vendido no final semana por herdeiros da família Assunção. Os compradores do imóvel, situado na rua do Theatro Guarany, esquina da praça com a Félix da Cunha, vão reformá-lo com o objetivo de transformá-lo num centro de eventos.

Segunda-feira, Junho 08, 2009

Concurso

Cobiça

Aquele que tiver mais coisas quando morrer, ganha.

Faltam duas assinaturas para CPI

O deputado Paulo Azeredo, do PDT, assinou na tarde desta segunda (8) o requerimento de instalação da CPI da Corrupção na Assembléia Legislativa. Foi a 17ª das 19 assinaturas necessárias para a instalação da CPI que pretende investigar a administração da governadora Yeda Crusius (PSDB).

Antes de assinar, Azeredo esteve com o procurador-geral do Ministério Público de Contas, onde encaminhou pedido de investigação da Secretaria da Fazenda e Banrisul por suspeitas de favorecimento financeiro às fumageiras que contribuíram na campanha eleitoral da governadora.

Sem palavras

Foto: Laureano Bittencourt

Voz do leitor: "O Simp na Fenadoce"

Leitora Maria do Rosário Diogo escreve: "Como cidadã pelotense, lamento a atitude do Simp (Sindicato dos Municipários) e de alguns funcionários (protesto na Fenadoce). Se está ruim, pede demissão e vai trabalhar na iniciativa privada, pra ver o que é bom - sem estabilidade. No momento em que Pelotas tenta reerguer-se de anos de estagnação e em que a iniciativa privada dá sinais de recuperação da economia, remando contra a maré rancorosa dos partidos de esquerda, acontece esse lamentável episódio (protesto), pra não falar da também lamentável interrupção da pauta na Câmara, onde o interesse de poucos sobrepõe-se ao interesse da maioria da população. Se querem melhores salários, que estudem, trabalhem oito horas por dia, que não tenham estabilidade, que tenham ambição de crescer trabalhando e não apenas recebendo vale-comida, vale-transporte, vale-família... Há funcionários públicos dignos de reconhecimento, mas uma parte, infelizmente, é capaz de truncar nossa cidade com atitudes descabidas".

Escultura vai homenagear cães de rua

A quantidade absurda de cães sem dono que vagueiam por Pelotas fez com que um artista local produzisse uma escultura para homenagear a liberdade desses animais, tratados na cidade como vacas sagradas da Índia, graças a uma lei que proíbe o recolhimento deles ao canil municipal por muito tempo. Se ninguém os reclama no canil, a prefeitura tem de devolvê-los às ruas, pois está proibida a sua eliminação física. A escultura, assinada por Leopoldo Basset, será alojada na esquina do calçadão da Rua Andrade Neves com a Rua Marechal Floriano. A notícia acima é falsa, mas pelo menos a gente avisa.

Envolvimento Sustentável

O ministro do Meio Ambiente anuncia pacto com o BNDES para vetar incentivos a negócios da pecuária na Amazônia, pois a criação de gado é a principal causa do desmatamento. Pecuaristas retrucam


Anderson Reichow
Estudante de Direito

Quando duas palavras se grudam nos discursos políticos, nunca mais se desatam. Exemplo: desenvolvimento sustentável. Na oratória demagógica, isso é sinônimo de um progresso responsável, freado e refreado. Só que na prática ninguém quer maneirar no fermento e nossa vida só se entope de porcarias num desatino incontrolável. Mesmo assim o binômio não sai de cena. Seu prestígio só cresce, junto com a nossa insensatez e o tal desenvolvimento.

O progresso, ele próprio, é a causa do nosso delírio. Representa um desvario que vem com as necessidades fajutas criadas em guerras, passeios espaciais, mergulhos abissais etc.

É assim que o quotidiano se dissolve em problemas artificiais, de segunda ordem. Pelo menos se as grandes invenções fossem ingênuas, como a panela de teflon, estaria tudo bem. Mas junto com a prosaica panela que não deixa grudar, a Segunda Guerra nos legou a bomba atômica. Tivemos prejuízo.

Nessa brincadeira descontrolada da civilização, sempre sobra o pior para a dimensão ecológica da existência. E tem gente que vê nos protocolos ambientais um entrave para, adivinhem, a evolução da humanidade.

Recentemente o Ministro do Meio Ambiente anunciou um pacto verde com o BNDES para vetar incentivos a negócios ligados à pecuária na Amazônia, já que a criação de gado é a principal causa do desmatamento. Os pecuaristas retrucaram, colocando em pauta o desenvolvimento da região Amazônica.

Mas a floresta precisa é de conservação, e não de desenvolvimento! Assim como nós também não precisamos diminuir a espessura da TV e o tamanho do celular. Temos mesmo é de olhar para o grande débito acumulado e assimilar a gravidade da conjuntura.

Enquanto a geração de 60 se preocupava em reinventar o mundo, a geração atual tem o trabalho de garantir que nosso pequeno planeta não se esvaia num colapso. Os veteranos falharam, e se não houver uma virada os “bixos” caminharão pela mesma trilha.

Só tem um jeito: parar no tempo. “Congelar” a tecnologia e a criatividade inúteis. Esperar que primeiro e terceiro mundos se encontrem numa maneira um pouco mais simples de viver, para darmos juntos o próximo passo.

Se esse sonho maluco de stand-by não for possível, eu me arrisco na separação do binômio lá do início: ‘des’-envolvimento sustentável. Enquanto se pensar no progresso como um caminho que se trilha desigualmente, a realidade apontará para a completa falta de envolvimento com os problemas urgentes do nosso tempo. Uma falta de envolvimento e compromisso com o que nos torna humanos.

A volta de Reichow
É com alegria que recebo de volta a colaboração de Anderson Reichow. Nos primeiros meses do blog, ele escreveu artigos defendendo os pontos de vista dos "veganos"; para os antigos, "vegetarianos". Seus textos sempre causaram reações apaixonadas, uma vez que sua visão se confrontava com a da maioria dos leitores, 99% carnívoros. Depois de um tempo, analisando sua participação no blog, avaliei que o discurso vegano estava se tornando repetitivo. E Reichow parou de escrever por aqui sobre o tema. Passado um período, eu o convidei para retornar, agora escrevendo sobre outros temas. Além de um texto impecável, ele demonstra algo sem preço: é um estudioso das questões que afetam a vida (de todos os animais, até mesmo os humanos), sobre as quais escreve com rigor técnico e intelectual. De suas abordagens sempre saímos um pouco mais ricos. Bem-vindo de volta Anderson!

Músicos pelotenses estreiam CD

O projeto Sete ao Entardecer apresenta nesta terça (9) "As flores", no Theatro Sete de Abril, a partir das 18h30. O espetáculo músical reúne canções do CD de estreia de Guilherme Fiss e Fernando Leitzke Jr. Serão tocadas músicas do disco, além de sucessos consagrados como "wave", "garota de ipanema", "lamentos", "carinhoso". A entrada é franca. A convite acima tem assinatura do designer Tobias Mülling e foto de Gabriela FonPer.

Puro prazer



Vídeo sugerido pelo amigo e colega Francisco Soto Vidal.

Domingo, Junho 07, 2009

Inventário do tempo

George Bernard Shaw
fotografado por Alvin Langdon Coburn
George Bernard Shaw (1856-1950) amava fotografia. Ele próprio escolheu a pose para homenagear a escultura "O Pensador" de Rodin. Pensador, escritor e dramaturgo, Shaw nasceu em Dublin, Irlanda, e iniciou carreira como crítico de arte. Escreveu ficção e ensaio, sempre com ironia cortante e visão do mundo peculiar. Consagrou-se no teatro, deixando clássicos como "A Profissão da Sra. Warren" (1902) e "Pigmalião" (1913). Esta última foi sua peça mais popular; em 1964, ela deu origem ao filme "My fair Lady". Foi agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura em 1925.

Pensamentos de Shaw

Não há amor mais sincero que o da comida.

A minha especialidade é ter razão quando os outros não a têm.

Quando um tolo pratica um ato de que se envergonha, declara sempre que fez o seu dever.

Uma vida inteira de felicidade? Ninguém agüentaria: seria o inferno na terra.

De uma pequena tolice e uma enorme curiosidade resultam muitos casamentos.

O pior crime para com os nossos semelhantes não é odiá-los, mas demonstrar-lhes indiferença: é a essência da desumanidade.

Há duas tragédias na vida: uma, a de não alcançarmos o que o nosso coração deseja; outra, a de alcançá-lo.

Jogo de xadrez - é um expediente tolo para fazer com que pessoas preguiçosas acreditem que estão fazendo algo muito inteligente, quando estão apenas perdendo tempo.

O martírio é a única maneira de ganhar fama sem ter competência.

Nunca espero nada de um soldado que pensa.

Livro didático, negócio da China no Brasil

Na rede de Pelotas, se cada estudante receber dois livros, serão 50 mil exemplares. Se cada livro custa R$ 20, o MEC gastará R$ 1 milhão só na cidade


João Alberto da Silva
Doutor em Educação

Nesta segunda-feira (08/06) começa nas escolas públicas a escolha dos livros didáticos para 2010. O sistema que o Ministério da Educação montou é interessante, pois fornece material gratuito aos estudantes da Educação Básica. Os professores são os responsáveis por escolher diretamente os título que serão adotados pelos próximos três anos. Já foi assim em 2006 e está planejado que se mantenha para 2012.

Há algum tempo os docentes (mesmo em Pelotas) são cortejados pelas editoras para que escolham determinados livros. Algumas empresas chegam a montar verdadeiros kits de sedução para que tenham escolhidos os seus materiais. Na verdade, toda esta situação envolve uma quantia muito grande de dinheiro.

Em uma rede municipal como a de Pelotas, se cada estudante receber dois livros didáticos (às vezes, número maior), são cerca de 50 mil exemplares. Este número de livros multiplicado pelo custo hipotético de R$ 20 (por livro), chegamos ao resultado de R$ 1 milhão só para Pelotas. Imaginem isso no país inteiro. É o negócio da China em pleno Brasil.

Já existe um lobby das editoras percorrendo as escolas há bom tempo. Especialistas são recrutados para avalizar títulos propostos. Recursos multimídias são incorporados ao papel impresso. Textos publicitários vendem mágicas pedagógicas. Tudo isso, claro, em nome da melhoria da educação e dos generosos lucros que podem ser obtidos.

Penso que o Governo Federal está fazendo sua parte: fornece os livros para todos, permite que os professores escolham os mais adequados, compra e entrega na escola. Os professores, por sua vez, têm mais este desafio: escolher um material pedagógico de eficiência para ajudar o trabalho com as crianças.

Mais do que um fetiche pelas cores, pela qualidade do papel e pelo bom papo do vendedor, cabe analisar a consistência do conteúdo e da proposta pedagógica real que está percorrendo a obra que se está avaliando. Como em tudo na vida, existem livros didáticos muito bons, mas outros, nem tão bons assim. Esperemos que os professores tenham competência em suas escolhas.

Outros artigos de João Alberto
E-mail para o autor: joao.alberto@ufrgs.br

Invenções...




Leitor envia a seguinte informação:

"Em Portugal, um cientista acaba de inventar uma pípula que mata a sede. É impressionante a sua eficácia. Para eliminar a sede, basta que a pessoa tome a pílula com dois copos de água".

Gabarito da prova de seleção para IF-Sul

Neste domingo, o Instituto Federal Sul Rio-grandense (IF-Sul) realizou prova do vestibular para cursos superiores da instituição. A abstenção, de manhã, foi de 8%; à tarde, subiu para 9,5%.
O gabarito (Caderno 1) com as respostas é este aí embaixo.

PORTUGUÊS

QUÍMICA

BIOLOGIA

1-B

11-D

21-C

2-C

12-C

22-C

3-A

13-C

23-D

4-D

14-C

24-A

5-B

15-D

25-C

6-D

16-A

26-B

7-A

17-B

27-B

8-A

18-C

28-A

9-C

19-B

29-B

10-B

20-A

30-D


Flagrantes da Fenadoce

Foto: Vinicius Costa
A Feira Nacional do Doce (Fenadoce), que tem neste ano sua 17ª edição, além de um espaço destinado a movimentar a economia e os negócios, é uma oportunidade cultural para os visitantes. A feira apresenta mostras de arte, pintura, cinema, figurinos, entre outras expressões. A Fenadoce termina no dia 21 de junho. A foto acima é de um espetáculo da abertura do evento.

Foto: Eduardo Rickes
Exposição Doces Pinceladas apresenta trabalhos de pintores pelotenses. Participam da mostra 12 artistas: Olga Maria Kaster Reis, Rosa Alice Bender, Vera Lucia Cabral Souto, Nauri Saccol, Elenise Cassal de Lamare, Arlinda de Carvalho Magalhães Nunes, Helena Ferreira, Maria da Graça Jardim Antunes, Sandra Hadler Kulm, Ana Muñoz, Renata Martins Moraes e Túlio Oliver.

Um estande traz os vestidos usados pelas garotas "embaixatrizes" da Fenadoce nas últimas 14 feiras. Não foi possível resgatar os figurinos das duas primeiras edições da festa. Os modelos são um passeio pelo trabalho dos figurinistas pelotenses.

Foto: Eduardo Rickes
"Embaixatriz institucional da Feira Nacional do Doce (Fenadoce), a "rainha" Juliana Buttenbender, 24 anos, estudante de Direito da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), num momento de descontração.

Ulisses e a volta para casa

É comum que alguns pelotenses, após anos desenvolvendo atividades longe daqui, resolvam voltar para Pelotas. Muitos apresentam traços em comum com Ulisses, o arquétipo do herói que retorna ao lar após muitos anos fora da terra natal...


Marcos Macedo
Crítica literária

Conta Homero que Ulisses fingiu-se de louco para não ir a Tróia, mas, descoberto seu ardil, não teve como escapar, e, uma vez na guerra, comportou-se como todos os gregos, com ganância e amor pela glória. Ulisses passou 20 anos longe de casa, 10 lutando em Tróia, e mais 10 tentando encontrar o caminho de volta para a ilha de Ítaca. Consta que, antes de zarparem de Tróia, os gregos ofenderam a deusa Atena; esta aliou-se a Poseidon, deus do mar, inimigo dos gregos, para impor-lhes “retorno demorado e desastroso à pátria”.

Essa penalidade sempre pareceu aos gregos o castigo por seu comportamento impiedoso na guerra. “O homem que destrói cidades é demente”, escreveu Eurípedes em “As Troianas”, “quem age dessa forma cedo há de perder-se”. E pelas palavras de Zeus na Odisséia, a fonte do mal e das desgraças não são os deuses, mas a própria loucura humana, por isso era natural que os gregos sofressem as conseqüências de seus ultrajes.

Na viagem de volta a Ítaca, Ulisses passou sete longos anos na ilha de Ogígia, cativo da bela Calíope. Ela o amou e prometeu fazê-lo imortal, sem jamais envelhecer, desde que em troca ele aceitasse casar-se com ela. “Não pôde, porém, conquistar meu coração”, recusou Ulisses, essa que era a glória maior, tornar-se um deus.

É nesse ponto da narrativa que os deuses olímpicos, reunidos, exceto Poseidon, resolvem que nada mais deve impedir o retorno de Ulisses à terra natal. E o fazem justamente no momento em que Ulisses abandona qualquer pretensão à glória, incompatível que ela é com a Ítaca pedregosa dos criadores de cabra.

Ulisses ainda vai enfrentar tribulações, causadas por Poseidon, que só vão cessar quando ele joga ao mar suas roupas, os últimos presentes de Calíope. Ulisses tem de abandonar até as pequenas ambições materiais para garantir seu retorno.

Quando finalmente desembarca em Ítaca, Ulisses enfrenta os “vagabundos que querem tirar proveito como podem, todos mentirosos que não dizem a verdade”, que O vivem às custas de seus bens, na esperança de desposarem sua esposa Penélope.

Conta com a ajuda de seu filho Telêmaco, a quem antes reprovavam por ser excessivamente paciente com os ultrajes que sofriam sua gente. “Resignaste a isso de boa vontade?”, perguntavam-lhe, com um quê de reprovação.

O Ulisses arquetípico parte para o mundo em busca de glória e riqueza. Para retornar, precisa abandonar toda e qualquer ambição, mesmo as menores, porque em sua terra há menos oportunidades.

Passa a valorizar a sensatez e a moderação. Essa transformação íntima leva tempo. Quando retorna à cidade natal, ficam-lhe flagrantes as injustiças e a condescendência com que seus concidadãos as aceitam. Ele luta para restabelecer a justiça, e conta em sua tarefa com a colaboração dos que antes se resignavam.

Odisséia (box com 3 volumes)
Homero / Tradução de Donaldo Schüler
L&PM Editores
806 p.
R$ 43,50

Miniconto: Dois em um

Beatriz Mecking
Escritora

Não sabia em qual dos dois Fernandos acreditar: no que mandava mensagens apaixonadas pelo celular, ou no que fazia questão de manter o relacionamento a uma prudente distância. Até o dia em que percebeu que o homem sensível cada vez mais se escondia sob uma carapaça há muito tempo forjada. E, pelo visto, inexpugnável...

Sábado, Junho 06, 2009

A la minuta do Aquários


Slow Food
Crítica de Gastronomia

Domingo passado, o blog destacou o “Canto dos desejos” na lancheria do Aquários, que resume prazeres viscerais, sociais e românticos, e até filosóficos e espirituais – o lugar é como um templo religiosamente aberto todos os dias, das 7h às 22h.

Os pratos “a la minuta” têm três opções: filé grande (R$ 19,50), filé pequeno (R$ 13,50) e frango (R$ 11). Todos incluem arroz, fritas, ovo, alface e tomate, podendo ser retiradas ou acrescentadas porções, seguindo o preço de cada uma. Por quantidade, é impossível ficar insatisfeito.

Neste sábado às 16h, tivemos a sorte de achar o cantinho livre justo ao chegar, e ser atendidos em somente 3 minutos. A minuta (no sentido de “rápida, num minuto”) neste caso não fez jus ao nome: chegou em 20 minutos.

Como de costume, os ingredientes são de boa qualidade e a preparação inclui pouco ou nenhum sal: filé macio, batatas frescas, arroz solto e “al dente” (ponto intermediário entre macio e duro, para ser cortado no dente), uma folhinha de alface e 3 rodelas de tomate pequeno. É um prato para carnívoros, e satisfaz também pela qualidade.

Qualquer bebida acompanha bem, mas ainda o paladar pede um doce no final (costuma haver sempre quindins, camafeus e bem-casados) e o clássico cafezinho, que a casa às vezes dá como cortesia pós-almoço.

O lado fraco do Aquários, que já tem 55 anos de existência, é um atendimento precário, que depende da variável boa vontade dos funcionários. Nesta curta visita, vimos um freguês limpando a mesa, outro se retirando pela demora, a maioria esperando pacientemente.

Para ser atendido, o segredo está em ser pró-ativo: pedir a comanda, buscar o cardápio, chamar um atendente. Estes comentários valem somente para a lancheria.

Gran Torino confirma maestria de Eastwood



Clint Eastwood, diretor e ator de cinema, é como vinho. Fica melhor a cada ano. Acabei de assistir ao seu último filme, Gran Torino. Uma história narrada como um conto. Enganosamente simples, pois recheada de significados, sobre os quais se fica pensando depois que termina. A narrativa é enxuta, nada falta, nada sobra, todos os personagens, todas as falas, tudo "derrama para dentro".

Eastwood também trabalha no filme. Ele interpreta Walt, ex-mecânico da Ford, onde ficou conhecido por alinhar a direção do automóvel Gran Torino antes de seu lançamento. Ele tem orgulho de sua passagem pela empresa e saudades dos áureos tempos dos EUA como país. Tanto que um exemplar do Gran Torino dorme em sua garagem ao lado de uma picape.

O filme começa com o velório de sua mulher e a preocupação dos filhos mais velhos com o destino do pai, já que Walt está velho. Mas ele se nega a abandonar sua casa num bairro pobre para ir viver num pensionato moderno de atendimento a idosos, como eles querem.

Passa os dias sentado na varanda, remoendo feridas passadas. Veterano de guerra, Walt é assombrado por fantasmas de coreanos que matou no campo de batalha, mas também pela má relação com seus dois filhos adultos - um deles, para seu desgosto, vendedor de carros asiáticos.

Homem tradicional, cético, duro consigo e com os outros, é famoso também por sua rabugice, que se acentua quando uma família de chineses se muda para uma casa ao lado da sua. Uma família de mulheres com um casal de adolescentes sem pai, cujos traços físicos sugerem a reencarnação dos que ele matou em combate na Coréia.

Os dois jovens irmãos da família asiática são constantemente importunados por uma gangue e pouco a pouco Walt se torna uma espécie de pai e protetor deles. Os dois, ao contrário dos filhos de verdade do velho combatente, não se incomodam com a inflexibilidade dele e acabam vencendo sua resistência, tornando-se motivo do afeto do velho mecânico.

A preocupação com eles torna-se o sentido da existência de Walt, que tem a oportunidade de amansar os fantasmas juvenis dos soldados que matou. Uma outra guerra, contudo, o assombra. Ela ocorre nas ruas da agora fraturada sociedade americana, simbolizada pelas ameaças e as agressões da gangue contra os protegidos de Walt. Para complicar, o conflito se acentua, obrigado-o a tomar uma decisão radical.

Eastwood é um minimalista. Seus filmes não têm efeitos especiais, tomadas espetaculares. São artesanais, bordados com sutileza. No final, a soma de todos os pontos delicados toma forma e vulto - sem exceder-se jamais.

Gran Torino, sobretudo pelo final, soa como um "testamento" de Eastwood. Se ele morresse amanhã, teríamos neste filme uma bonita despedida de sua passagem por este mundo e uma assinatura de sua obra como artista.

Velázquez

As Meninas, 1656
Óleo sobre tela, 318 x 276 cm
Museu do Prado, Madrid


Diego Rodríguez de Silva y Velázquez, genial pintor espanhol,
nasce em Sevilha no dia 6 de Junho de 1599.

O dia em que Fetter superou Yeda

Sábado, 6 de junho de 2009.

Fetter Jr. (PP), prefeito de Pelotas, tomou vaia de sindicalistas na abertura da Feira Nacional do Doce (Fenadoce) na noite desta sexta (5). Já a governadora Yeda Crusius (PSDB), informada por sua assessoria do protesto armado contra ela pelos mesmos manifestantes presentes ao Centro de Eventos da Feira, deu meia volta do aeroporto de Pelotas para Porto Alegre, direto para o conforto de sua bela mansão, onde lava as mãos com água quente.

Política se faz, entre outras coisas, com coragem e espírito público, qualidade que faltou a Yeda e sobrou em Fetter na noite gelada de ontem. Ambos, na função que exercem, são passíveis de protestos e de aplausos. É um risco da sua posição.

Sendo assim, além da grosseria da ausência depois de confirmar presença ao presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Ricado Jouglard, a fuga de Yeda macula ainda mais sua trajetória ao invés de preservá-la. Yeda se apequenou.

Como se sabe por qualquer livro de psicologia, quanto mais se foge dos problemas, mais eles tomam proporções. No caso da governadora, o desafio psicológico de entendê-la é maior, já que ela é perseguida por fantasmas criados em seu próprio governo.

Mesmo assim, pensando exclusivamente em si (na sua imagem), a governadora acabou virando às costas a um evento tradicional do calendário gaúcho, aos organizadores do evento e à população pelotense.

Por causa de cerca de 100 vozes contrárias, esqueceu do papel público que representa. O que ficou pensando a maioria do público que não vaiava?

Já Fetter, que vive um impasse com o comando dos municipários por reajustes salariais que a prefeitura diz não poder pagar, enfrentou a democracia das vaias, que, por sinal, não escolhem lugar nem hora, capazes de se abater sobre figuras públicas e privadas sem aviso.

Quando teve a chance, ao microfone, o prefeito respondeu com a frase: "O silêncio dos que nos ouvem fala muito mais alto do que o barulho de uns poucos".

Mesmo que tenha sido uma frase de efeito ensaiada para momentos assim, ele teve a grandeza de pensar na importância de sua presença ao evento como homem público. O que pensaríamos se Fetter tivesse dado meio volta para casa?

Político pode ser bom ou ruim, leniente ou não, corrupto ou não, quem vai julgar isso é a população, com a intermediação da imprensa. Só não pode fugir de seu destino. O pior homem público é capaz de sair ileso da pior tempestade, mas será preciso atravessá-la de peito aberto, sem medo da reação do público. Se fugir, a luta estará perdida de antemão.

Esta atitude Fetter demonstrou ontem, Yeda não. Por paradoxal que seja, a ausência da governadora preencheu uma lacuna. O fantasma de Yeda engorda a cada dia.

Sexta-feira, Junho 05, 2009

OI, não. Tchau!!!

A rede de telefonia OI parece estar levando a sério demais o próprio nome.

Todo o dia recebo pelo menos cinco ligações do telemarketing da empresa, mesmo que eu já tenha pedido há tempos que não me ligassem mais.

A companhia deveria rever seu marketing, pois conheço um monte de gente que resolveu cancelar a operadora de suas vidas por causa da insistência desses telefonemas.

Yeda desiste de visitar Fenadoce

Atualizada às 22h01

Aguardada para a abertura da Feira Nacional do Doce (Fenadoce), nesta sexta (5), a governadora Yeda Crusius desistiu de participar da cerimônia. Segundo informações preliminares, ela não apareceu no Centro de Eventos. Sua equipe esteve na feira, ela não.

Cerca de 100 manifestantes esperavam por ela dentro do pavilhão. O grupo estava localizado numa arquibancada e estendia faixas de protesto. Uma delas traz a inscrição: "Governo da roubalheira".

Os manifestantes também gritavam: "Yeda, cade você... eu vim aqui para te correr..." , entre outras palavras de ordem, pedindo a aprovação de CPI na Assembleia Legislativa para investigar a administração da tucana.

A governadora era esperada no palanque pelo prefeito de Pelotas, Fetter Jr., o deputado estadual Nelson Härter, o deputado federal Fernando Marroni, entre outras autoridades.

Vaias para o prefeito
Durante a abertura do evento, manifestantes ligados ao Sindicato dos Municipários (Simp) vaiaram o prefeito Fetter Jr. Depois, gritando palavras de ordem, cobravam de Fetter o reajuste pretendido pela categoria para os salários dos servidores.

Hoje é sexta, mas não abuse

Dia Mundial do Meio Ambiente

Mordillo
Não faço a menor ideia do que uma
data como essa significa na prática,
mas neste 5 de Junho se 'comemora'
o Dia Mundial do Meio Ambiente.

Obra analisa 'redes sociais' na internet

Uma nova obra sobre a internet e sua influência na sociedade chega ao mercado. Chama-se Redes Sociais na Internet, da autora Raquel Recuero. A obra, publicada pela editora Sulina, trata das alterações em curso nas formas como nos relacionamos uns com os outros, em comunidades virtuais, sociedades em rede ou nas chamadas tribos urbanas. Raquel Recuero é professora na Universidade Católica de Pelotas (UCPel), além de pesquisadora de renome na área. O lançamento do livro ocorrerá a partir das 18h do próxima terça (9), na livraria Vanguarda, em frente ao Campus I da UCPel.

Breve registro de uma "peça" da natureza

Marieta Cazarré
Jornalista e antropóloga

Jorge é uma tartaruga. O último da sua espécie, originária das Ilhas Galápagos.

Estima-se que o jovem rapaz tenha uns 110 anos, aproximadamente. Levando-se em consideração que as tartarugas chegam a viver mais de duzentos anos, ele está na flor da idade.

Aí botaram o Jorge em contato com tartarugas fêmeas de espécies (reinos, filos, famílias, sei lá) parecidas, para tentar reproduzir. Após meses de expectativa, os pesquisadores identificaram que uma dessas tartarugas tinha posto nove ovos. Surgia então, a esperança.

No entanto, o tempo passou e nunca saíram tartaruguinhas daqueles ovos. Tempos depois, outra fêmea botaria ovos. De novo, nada.

Descobriram que Jorge é infértil.

O último exemplar da espécie, a última esperança, não pode reproduzir. Ironias do destino.

David Carradine fez fama pela não-violência



No papel que o guindou para a fama e a riqueza, o ator David Carradine, que apareceu morto por enforcamento ontem (quinta, 4) no quarto de um hotel na Tailândia, vivia um monge seguidor da filosofia da não-violência na série de tevê Kung-Fu, sucesso no Brasil e em outros países nos anos 1970.

Ele interpretava um chinês. Vivia, porém, em solo americano, entre cawboys toscos e xenófobos que o hostilizavam a todo instante, obrigando-o a levar ao limite a tradicional "paciência chinesa".

Ao contrário dos heróis de hoje, seu personagem suportava insultos de todo o tipo. Só entrava em brigas depois de ser atacado fisicamente. Mesmo assim, utilizava os movimentos do oponente para derrotá-lo sem grande esforço.

A cada abertura e encerramento dos episódios, em que a história se repetia (as hostilidades, a tolerância e a reação aos ataques físicos com grande habilidade marcial), ele aparecia caminhando no deserto, comovendo-nos com sua solidão de "desterrado" sobre a Terra. Uma solidão que só poderia ser suportada com paz interior, que o seriado fazia-nos crer possível para ele.

A morte do ator de 72 anos permanece envolta em mistério, mas as primeiras informações sugerem suicídio. Se foi assim, terá sido uma ironia cruel.

O homem que ficou famoso por viver um pacifista deixa a vida pelas próprias mãos, de forma violenta. Igualmente sozinho, num outro tipo de deserto e sem paz interior, relembrando-nos que o mito é incapaz de esconder a fragilidade da vida humana.

Valeu, David, dirão os garotos dos anos 1970 hoje beirando os 50 anos de idade, que trazem gravada sua figura de chinês enjeitado que sobrevivia entre os coiotes.

O texto acima foi escrito antes de se sabermos o motivo da morte de David. Foi este: Segundo a polícia tailandesa, como David foi encontrado com cordas amarradas em seu pescoço e genitais, a versão que prevalece é de que tenha morrido por uma asfixia acidental durante ato sexual.

Tucano reclama de contradição do PT: "No governo Marroni eram contra o trancamento da pauta na Câmara, agora são a favor"

Em entrevista ao blog, o vereador Eduardo Leite (PSDB) disse que, em 2003, na administração de Fernando Marroni (PT), o então prefeito encerrou unilateralmente negociações com o Sindicato dos Municipários (Simp) e, mesmo assim, a Câmara não tomou uma atitude extrema como o trancamento da pauta - em vigor na Casa há três semanas. Para se ter ideia, conta Leite (foto ao lado), no dia 3 de junho de 2003, a vereadora Miriam Marroni (PT), mulher do prefeito (hoje novamente vereadora), dizia na tribuna:

"Eu não posso aceitar um movimento que mente, ofende e não reconhece o sacrifício e a prioridade que o governo (Marroni) deu a sua categoria".

Miriam, assim como os outros três membros da bancada do PT na Câmara, votou esta semana pela renovação do trancamento da pauta de votação, em apoio aos municipários, que vivem um impasse com a prefeitura, reivindicando reajustes salariais e de outros benefícios acima do que a prefeitura diz poder pagar. Eduardo Leite votou contra.

"Quem assiste hoje aos discursos inflamados da oposição, que na época era situação, tem de saber que estas pessoas tiveram oportunidade de resolver problemas semelhantes quando eram governo, mas não o fizeram. Agora, na oposição, adotam postura diferente", critica Leite. "Faço esse alerta porque acho essencial a responsabilidade e coerência no trato da matéria", acrescenta.

Leite pesquisou em atas das legislaturas passadas a posição de Miriam Marroni e de outros vereadores petistas do governo de Fernando Marroni sobre o mesmo conflito com o Simp agora reinstalado. Além da fala de Miriam (acima), ele encontrou outras manifestações do que chama de "incoerência da bancada oposicionista".

Numa delas, diz Leite, o então vereador Mattozzo (PSB), da base do governo Marroni, disse em 22 de maio de 2003:

"Definirmos que não vamos votar nada em pouco altera a relação (do governo com o Simp). Acho que a proposta (de trancar a pauta) é anti-regimental, porque a Câmara não tem possibilidade legal de não votar projetos que são do Executivo".

Noutra manifestação daquela época, o então vereador Eduardo Abreu (PT), disse em 23 de maio de 2003:

"Isto (o trancamento da pauta) seria um movimento "paredista", um movimento grevista? Contra quem, contra o Governo (Marroni)? Este seria um movimento contra toda a sociedade, contra toda uma comunidade. Isto se constitui em ato que pode nos levar no mínimo a uma responsabilidade civil. E eu me pergunto se os vereadores teriam a cara-de-pau de receber seus salários?

Pauta se arrasta há anos
Eduardo Leite diz que o pleito dos trabalhadores é justo. "Os salários estão abaixo do que a categoria merece". Alerta, contudo, que há formas de luta mais adequadas do que utilizar o trancamento de pauta com a conivência de parlamentares. Reforça que "é necessário levar em conta que o problema se arrasta há vários governos sem solução, por causa da precária situação financeira do município".

Quinta-feira, Junho 04, 2009

Simon diz que general Leônidas 'mandou' empossar Sarney no lugar de Tancredo

Durante entrevista ao jornalista Carlos Chagas, gravada nesta quinta (4), para o programa “Falando Francamente”, da TV Educativa do Paraná, o senador Pedro Simon (PMDB) revelou, pela primeira vez, detalhes do episódio que levou o senador José Sarney, então presidente da Arena, partido de sustentação do regime militar, à presidência da República, em substituição a Tancredo Neves.

"Na noite da morte de Tancredo, eu, o Ulysses Guimarães, e outros políticos, estávamos reunidos num quarto do Hospital de Base, de Brasília, discutindo quem deveria assumir a presidência da República. Havia quase um consenso de que Ulysses, na condição de presidente da Câmara Federal, era o indicado, uma vez que Tancredo não havia tomado posse no cargo".

"Foi quando chegou o general Leônidas Pires Gonçalves", contou Simon.

O general estava fardado e com uma Constituição na mão. Argumentou que, de acordo com a Carta, quem deveria assumir no impedimento, doença ou morte do presidente era o seu vice. Eu tentei protestar, mas fui contido por Ulysses, que concordou com o general.

Risco na transição
Sacramentado o nome de Sarney para substituir Tancredo, cujo estado de saúde se agravava sem recuperação possível e com o desfecho conhecido, Simon conta que cobrou de Ulysses aquela posição de concordância com o general.

"Ulysses foi muito claro. Ele se justificou, lembrando que, naquele clima de tensão em que vivíamos, quem coordenava o esquema militar e garantia a transição do regime militar para a democracia era o general Leônidas, nosso aliado. 'Já imaginou o que pode acontecer se questionamos o general, que está citando a Constituição? É possível que se crie um impasse constitucional e, nesse ambiente, ele mesmo resolva assumir a presidência para garantir a ordem'".

Programa Falando Francamente
A entrevista de Simon vai ao ar nesta sexta (5), às 7h45, pelo canal 115 da Sky, com reprise no domingo, às 11h20, e na segunda, às 22h. Também é possível assistir através de antenas parabólicas ou pela internet no endereço http://www.rtve.pr.gov.br/

Yeda vem para inauguração da Fenadoce

Jogador Taison, do Internacional, esteve no Pavilhão da Feira

Taison, o presidente da CDL, Ricardo Jouglard (esq) e prefeito Fetter Jr.

A 17ª Feira Nacional do Doce (Fenadoce) será inaugurada oficialmente nesta sexta (5), no terceiro dia de funcionamento, a partir das 19h30, em Pelotas.

A governadora Yeda Crusius estará presente, juntamente com o deputado estadual Nelson Härter, representando a Assembléia Legislativa, e mais os deputados federais Claudio Diaz, Afonso Hamm e Fernando Marroni, além do prefeito Fetter Jr.

A cerimônia será realizada no lado externo do Centro de Eventos, onde será montada uma estrutura em frente ao novo pórtico de entrada da Festa, mesmo local onde ocorrerão os desfiles temáticos.

Taison
O jogador do Internacional Taison esteve na feira na tarde desta quinta (4). Ele distribuiu autógrafos e foi fotografado com centenas de pessoas. “Há dois anos eu não visitava a Fenadoce, estou surpreso com o tamanho da feira” comentou.

“Não posso esquecer das compras! Prometi que vou levar os famosos doces de Pelotas para os meus amigos do Inter”, disse.

Taison fica na cidade até a noite de amanhã (sexta, 5), depois volta a Porto Alegre, para se preparar para o jogo da final da Copa do Brasil contra o Corinthians.

Maryam canta em Pelotas

Ars Longa
Crítica de Cultura

A cantora Maryam, que apresentei nesta seção há poucos meses, tem duas apresentações programadas na Fenadoce.

Há um mês ela abriu um blog onde se pode conhecer mais de seu repertório e seus momentos pessoais.

Mariana Santangelo nasceu em Bagé, canta em shows desde os 14 anos e seu estilo é pop-rock. A música que está no demo é "Coisas que eu queria te falar", composição dela, gravada em 2006.


Apresentações
Domingo 7 às 17h, no palco da Cidade do Doce, canções acústicas.
Domingo 21 às 15h, na Praça de Alimentação, show com banda.

Uma bela foto da Fenadoce

Foto: Vinicius Costa
Imagem da decoração interna da Feira Nacional do Doce, que, inaugurada dia 3, prossegue até dia 21 deste mês. A fotografia foi captada pelo olhar sensível de Vinicius Costa.

Justiça proíbe UFPel de utilizar Enem no lugar de vestibular como forma de acesso em 2010

A Justiça Federal acolheu nesta quinta (4)  Ação Civil Pública da Procuradoria da República de Pelotas e proibiu a utilização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como mecanismo de ingresso exclusivo na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) em 2010. A liminar judicial foi concedida na forma de "tutela antecipada", ou seja, antes do julgamento do mérito. O caso vai agora a julgamento em primeira instância. A universidade pode recorrer.

O autor da Ação Civil Pública foi o procurador Max Palombo. Ele arguiu a inconstitucionalidade da decisão do reitor César Borges. A ação pediu que a Justiça proibisse a adoção do Enem como "único critério de seleção" para acesso aos cursos superiores da instituição em 2010. 

Contra a adoção do Enem, o procurador argumentou: 

1) que a decisão da reitoria (pela adoção do Enem) foi aprovada apenas no âmbito do seu Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cocepe), quando deveria ter sido aprovada pelo Conselho Universitário (Consun); 

2) que a decisão, tomada de forma repentina, impediria a adequada preparação dos estudantes ao novo critério de ingresso;

3) que vários aspectos das provas do Enem, a serem realizadas em 3 e 4 de outubro próximo, continuam indefinidos; 

4) que a reitoria infringiu o Estatuto e o Regimento da UFPel, bem como o princípio da segurança jurídica e da previsibilidade da atividade administrativa, nos termos do artigo 51 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). 

No texto da liminar, o juiz federal Everson Guimarães Silva afirmou que, "em face da regra do artigo 71 do Estatuto da Universidade, a adesão ao programa proposto pelo governo federal (Enem) exigiria deliberação prévia do Conselho Universitário (Consun), mediante reforma da previsão estatutária, nos termos do artigo 17 daquele instrumento regulamentar".

Escreveu também: "Saliento que não há que se falar em possibilidade de deliberação direta pelo reitor (como ocorreu), nos termos do artigo 30 do Estatuto da UFPel. Primeiramente porque aquela regra é estabelecida para situações de emergência, o que (...) não é o caso dos autos. Em segundo lugar, porque a deliberação direta do reitor requereria, nos termos daquele dispositivo estatutário, a ratificação da decisão pelo Conselho Universitário (Consun), no prazo de dez dias, o que não ocorreu na hipótese em exame".

"(...) a adequação dos calendários, para compatibilização entre a realização do processo seletivo (Enem) (...) e a conclusão da formação intermediária, deve ser reconhecida como direito do estudante de nível médio, por força da diretriz constitucional que visa garantir o acesso igualitário aos níveis mais elevados de ensino. Portanto, a adesão ao Processo Seletivo Unificado (Enem), nos moldes em que foi realizado pela demandada (UFPel), viola, dada a imediatidade da medida, a regra do artigo 51 da LDB, por não permitir a mínima adequação dos potenciais candidatos às novas diretrizes de avaliação e às novas datas de realização do certame".

O juiz acrescentou que a mudança do procedimento de seleção é viável e não ofende a Constituição ou a LDB. "No entanto" - diz ele - "a implementação do novo sistema deve resguardar certo interregno de transitoriedade, a fim de evitar que o objetivo louvável (democratização do acesso ao ensino superior público) se estabeleça com lesão a interesse também legítimo dos estudantes em vias de conclusão da preparação para a realização do vestibular".

"A possibilidade de prejuízo aos estudantes em vias de concluir o ensino médio e/ou preparação para o vestibular afigura-se irreparável, dada a impossibilidade de reposição da situação ao status quo, caso realizado o Processo Seletivo Unificado (Enem) em substituição ao concurso vestibular".

Finalizando a sentença, o juiz anotou: "Defiro o pedido de antecipação de tutela formulado na inicial para, reconhecendo a ilegalidade da medida adotada pela demandada (UFPel), nos termos da fundamentação acima, afastar o Processo Seletivo Unificado do Novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como critério de seleção para acesso aos cursos superiores da demandada para o ano letivo de 2010".

Mãos nas consciências

Como a Câmara de Vereadores mantém a pauta de votações trancada há quase 20 dias, em apoio ao movimento dos servidores municipais por aumento salarial, não tenho visitado o site da Câmara ultimamente. 

Hoje fui lá. E encontrei esta foto acima. Foi tirada dia 27 de maio passado, chamado no calendário do estado de Dia do Desafio. Nesta data,  os trabalhadores são convocados a interromper as atividades para fazer exercícios físicos por 15 minutos. 

Na foto, vemos, da esquerda para a direita, os vereadores Zequinha (PDT), Eduardo Leite (PSDB), Milton Martins (PT), José Artur (PP) e, de costas, Ivan Duarte (PT). Eles são orientados pela professora ao lado de Ivan. 

As posturas de cada um sugerem seu estado de espírito. Zequinha, que manteve as pernas fechadas, ao contrário do restante do grupo, parece pouco convencido, dizendo para si mesmo "Que mico". 

Já Leite parece o mais animado, sugerindo um dançarino em apresentação.

Milton Martins mostra-se totalmente entregue ao mundo onírico, de olhos fechados inclusive, embora seus joelhos indiquem que não suportou o peso da felicidade.

José Artur parece guiado ao tempo em que possuía cabelos, já que sua mão foge do perímetro da calva.

Já Ivan sugere ter associado aplicação e conveniência, há que olha diretamente para a beleza da professora.

Quem disse que, mesmo com a pauta trancada, os vereadores não estão se mexendo?

Concluída triagem de roupas no Grande Hotel

Com a ajuda de 60 voluntários, a Secretaria de Ação Social e Cidadania informa que completou a triagem das roupas doadas pela comunidade à população carente e às vítimas da enchente de janeiro.

O material (cerca de 100 mil peças, segundo uma funcionária) estava no Grande Hotel há quatro meses, sem destinação.

As roupas estão sendo encaminhadas a instituições sociais cadastradas para receberem as doações. Os voluntários permanecem no hotel, fazendo agora a triagem de calçados, que deve ser terminada nesta sexta (5).

Leia mais
- Flagrante de 'descaso' depois da enchente

Voz do leitor

"Mais um exemplo de que não existe respeito às leis municipais, tampouco fiscalização".

Foto e legenda enviadas pela leitora Luísa Roig Martins.
Imagem tomada no Laranjal.

Transporte seguro


Egídio Pizarro
Estudante de História

Mais um exemplar do meio de transporte mais seguro do mundo (estatisticamente falando) caiu. E eu não posso argumentar muito com as estatísticas, já que elas são compostas basicamente de números, que é algo que me apavora mais que altura.

De fato, o avião é o meio de transporte mais seguro do mundo. O problema é que, quando acontece alguma porcaria, é brabo que sobre alguém pra contar a história. Afinal não é todo voo que dispõe de um piloto ninja, talvez um fã ardoroso do Ayrton Senna, capaz de pousar na água.

Um fato me impressionou nesse acidente: não faltou gente pra dizer que o seriado
Lost está virando realidade. Não tem 5 dias que o avião desapareceu, mas essa piadinha de humor negro já está mais velha que andar pra frente. Também vi muita gente cogitando a possibilidade de o avião ter sido sequestrado ou atacado por alienígenas. Talvez sejam viciados em Independence Day e Sinais.

Pior: teve espírito de porco que se achou engraçadão e foi dizer que acharam sobreviventes do voo. Depois dizem que as câmeras escondidas do Serginho Mallandro não influenciam negativamente as pessoas.

Quando localizaram os destroços, disseram que "podem ser do avião". Podem? Se não fossem do avião, seriam de quê? De outro avião que se perdeu e ninguém soube? De algum cruzeiro cheio de universitários riquinhos que estavam com vontade de jogar poltronas de avião no mar? Ou fuselagem de avião faz parte da biodiversidade marinha da região?

Sou do tempo em que as pessoas sonhavam com um futuro tecnológico insano. Vi pessoas falarem convictas que, no ano 2000, teríamos carros voadores estacionando sozinhos. Seriam a solução para o trânsito.

Pois bem: estamos longe de resolver os problemas do trânsito terrestre - Pelotas que o diga. Pedágios serão polêmica enquanto existirem e carros não dirigem sozinhos quando bebemos. Se misturarmos isso aos aviões, que têm falhas de comunicação com torres e "pontos cegos" no ar, já imaginaram a balbúrdia que os carros voadores seriam?

Prefiro a piadinha besta do
Lost. Causa menos acidentes.