Terça-feira, Junho 16, 2009

Casamentão

Em 17 de Junho de 1871, os americanos Anne Hanen Swan, 2,27 metros de altura, e Martin Buren, 2,19 metros, tornam-se o mais alto casal.

Se tivessem tido filhos,
seria parecido com esse.

O bispo está nu


Welington Silva Rodrigues
Doutor em Filosofia

“O mais corajoso dentre nós só raramente tem a coragem de afirmar aquilo que sabe verdadeiramente”, escreveu o filósofo alemão Friedrich Nietzsche em Crepúsculo dos Ídolos ou como Filosofar com o Martelo, Segunda Máxima. Na contemporaneidade, Nietzsche quase sempre tem razão. Dizer a verdade é, muitas vezes, um problema. Recordemos o deputado Sérgio Moraes, que disse estar se lixando para a opinião pública.

Ora, ele disse o que para ele é a mais pura verdade e causou um alvoroço. Qual foi o seu crime? Não fazer o jogo da política, não dissimular reais interesses, fazer pose de bom moço. Disse a verdade e se lascou – ao menos com a opinião pública à época.

Esta semana acompanhava as notícias locais e me deparo com o artigo de Victor Schroder sobre Dom Jaime Chemello e um assessor, solicitando um terreno público para a construção de uma Igreja, visando um trabalho social voltado ao “fiel rico””. Isso não me choca.

Talvez porque não seja nem católico, nem praticante, nem religioso e possa olhar as coisas com menos paixão.

Desde Maquiavel sabemos da existência de uma arte da obtenção do poder para aqueles que o desejam e de uma arte da manutenção no poder para aqueles que já o obtiveram. Para Maquiavel, esta arte é a política. E o interessante é que para Maquiavel a política é algo separado da ética. Para confirmar isso, basta ler O Príncipe, onde ele descreve a política como ela é e não como deve ser.

Os mais atentos já devem ter percebido a analogia entre religião e política, entre o Estado e a Igreja. O bispo quer manter o poder há muito adquirido pela sua religião e agora ameaçado por uma religião concorrente.

Terreno é um bem de certo valor, é poder. Terreno público doado a uma instituição privada religiosa é um típico jogo de poder. Ocorre que, ao pleiteá-lo, o bispo comete o mesmo erro do deputado: diz a verdade nua e crua.

Para obter ou manter-se no poder, aprendamos com Maquiavel, não é necessária a presença da ética, pois precisaremos dissimular reais interesses, fazer acordos velados, arquitetar estratagemas diabólicos, maquiavélicos.

Falar a verdade, para quem está no jogo do poder, seja em que esfera for, é um ato corajoso, mas quase sempre é um tiro no pé.

E-mails para o autor: wsrcg@yahoo.com.br

Welington Silva Rodrigues, pelotense, é graduado em Filosofia pela UFPel, Mestre em Filosofia Pela UFMG e Doutor em Filosofia pela UFRGS, sempre com ênfase em Filosofia Moral e Política e Teoria do Conhecimento.

Comentário meu
A partir de hoje, Welington passa a colaborar com o blog Amigos. Ele utilizará seu vasto conhecimento da filosofia para analisar fatos que dizem respeito, sobretudo, à realidade de Pelotas. Bem-vindo, Welington. A equipe te recebe com admiração e amizade.

Simon defende 'profunda reforma' do Senado

Em discurso hoje, comentando as denúncias contra o Senado, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) defendeu uma profunda reforma administrativa capaz de “dar um novo rumo a esta Casa”.

Na opinião de Simon, o plenário deveria se reunir pelo menos uma vez por mês para discutir uma pauta de votações para o mês seguinte.

- Nessa mesma reunião, diz o senador, deveremos analisar a nomeação e os salários dos funcionários, as viagens de parlamentares ao exterior e as obras nas dependências da instituição”.

Simon lembra que os senadores só ficaram sabendo da construção de uma cadeia no porão do Senado “depois que a imprensa denunciou o fato”.

Um dos mais antigos parlamentares em atividade, Simon destacou que “nunca o Senado esteve na berlinda como hoje, e todos nós senadores somos responsáveis, por ação ou omissão, por deixar que as coisas e os descalabros chegassem ao ponto em que estão”.

Morre Poloca, ex-dono da Tímpano

Morreu nesta terça (16) Poloca Vasconcellos, antigo proprietário da loja Tímpano. Quando a loja fechou, ele se mudou para Caxias, terra de sua mulher, onde faleceu e será cremado. Estava com câncer.

AL aumenta salário de delegados de polícia

Nesta terça (16), a Assembléia Legislativa do RS aprovou aumento de salário para delegados de polícia, para servidores do judiciário ativos, aposentados e pensionistas e da AL. O aumento foi de 24,01% para delegados; de 15% para funcionários do Judiciário e de 9% para servidores da AL.

Cuidado com o que você engole!!!

Nova enquete

Nova enquete quer saber:

Câmara de Vereadores deve fazer concurso público para cargos de assessor de imprensa e de assessor jurídico?

Vote aí do lado, na barra verde.

Atualmente, esses cargos são ocupados por Geane Matielo (assessora de imprensa), filha do vereador Idemar Barz, e por Cláudio Dutra (assessor jurídico), que advoga para Geane e sucedeu no cargo o advogado Fabrício Matielo, que é casado com Geane e é genro de Idemar.

Sarney não convenceu

Terça, 16 de junho de 2009

O presidente do Senado, José Sarney, foi à tribuna se defender. Falou, falou, mas não convenceu. Suas justificativas, fugidias, só serviram para macular ainda mais sua posição.

Quis atribuir a responsabilidade pelos seus erros a antecessores, quando está provado que ele errou, e feio, por exemplo, ao criar 50 diretorias no Senado desnecessárias - graças a ele, a Casa possui hoje 181 diretorias, inchadas de pessoal - e beneficiou a parentada em cargos de comissão, alguns sem comparecer ao trabalho.

Os cadáveres insepultos do Senado Federal não param de vir à tona. Justiça seja feita, se por um lado a imprensa comete erros, cumpre um papel importante. Graças a ela, temos a chance de descobrir um cemitério de barbaridades e de avançar.

O senador está mais enrolado que sucuri, mas diz que não renuncia ao cargo. "Não sabia das nomeações de parentes" - diz ele, repetindo Lula diante do mensalão.

Quem trabalhou no Senado conhece bem aquela atmosfera. A filha de Fernando Henrique Cardoso, aquela que recebia salário sem dar expediente no gabinete do senador em que estava lotada, disse tudo: "Aquilo é uma bagunça". É verdade, como provam os fatos recentes.

Andei por aqueles corredores por quatro anos, de 1992 a 1995, num cargo em comissão (dentro da lei). Uma das coisas que mais me chamavam atenção era o fato de famílias inteiras trabalharem lá dentro. Pais, mães, filhos, sobrinhos, primos, genros, noras, todos efetivados sem concurso público, beneficiados com trens da alegria, reuniam-se nos corredores e no restaurante do Senado para confraternizar.

Depois da Constituição de 1988, a moralização melhorou um pouco as coisas. Começaram os concursos. Mas muitos dos vícios autoritários - nossa herança portuguesa - continuaram até hoje, com repercussão nos estados e nos municípios, aqui mesmo em Pelotas. Vide Câmara de Vereadores, por exemplo.

Quando o Brasil parece que vai avançar, retrocede. Depois da renúncia de Fernando Collor e da CPI dos Anões do Orçamento, dizia-se que essa depuração faria bem ao Governo e ao Congresso. Ambos teriam a chance de reinaugurar a ética no trato da coisa pública e das relações. Não foi bem assim.

Tivemos a compra da reeleição por FHC, o mensalão com Lula, entre outros escândalos, e agora Sarney, diante da óbvia responsabilidade pelos descaminhos administrativos, avisa que não larga o osso. Deviam tirá-lo à força, pelo impeachment.

Nessas situações de crise, todo mundo sabe como entrar, mas não como sair. Enquanto isso, o cidadão fica a cada dia mais desencantado.

Graças aos políticos que temos, Juca Chaves continua falando mal deles enquanto saboreia, com toda justiça e de forma honesta, seu caviar e sua champagne.

Sanep vai fazer coleta seletiva 'porta a porta'

O Sanep vai implantar a partir do segundo semestre a coleta seletiva porta a porta em várias áreas da cidade.

A coleta será realizada duas vezes por semana, por meio de parceria com a Cooperativa de Catadores do Getúlio Vargas e a Associação de Catadores de Pelotas. Nos condomínios serão usados colipos.

O sistema será implantado gradativamente na região centro-norte, nos Bairros Getúlio Vargas, Obelisco, Cohab Fragata e Tablada, e Areal Sul, lado direito da Domingos de Almeida entre as avenidas Ferreira Vianna, Juscelino K de Oliveira até a Rafael Dias Mazza.

Para o depósito serão utilizados três galpões de triagem, um na Vila Castilho, outro no Bairro Getulio Vargas e um a ser construído no Dunas.

Sarney diz que não errou e não renunciará

Deu na Folha de S. Paulo
Trechos da entrevista concedida por José Sarney (PMDB-AP), presidente do Senado.

O sr. contratou a Fundação Getúlio Vargas para fazer uma reforma administrativa no Senado. Agora, o sr. também tem aparecido em meio a acusações de comportamento impróprio. O que aconteceu?
Olha, eu acho que eu tenho um nome que deve ser julgado com respeito pelo país. Eu tenho uma biografia, nunca alguém associou minha vida pública ao nepotismo. Os fatos que colocaram estou mandando examinar. O que estiver errado, se corrija. Se eu tiver algum erro, eu sou o primeiro a corrigir. Mas acho que nunca conduzi de outra maneira que não fosse com correção.

E o caso do seu neto, contratado pelo senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA)?
Depois de eu ter sido tudo, se eu fosse acusado de ter nomeado um neto era realmente um julgamento que seria injusto. Eu não pedi ao senador. Disse isso e ele confirmou. E, se ele tivesse me consultado, teria sido o primeiro a dizer não.

(...) Seu neto saiu por conta do nepotismo, mas entrou no lugar a mãe dele. O sr. soube disso?
Eu não sou responsável pelo gabinete do Cafeteira.

O que o sr. acha da afirmação do senador Cafeteira de que nomeou seu neto por dever favores a seu filho, Fernando Sarney?
Você acha que eu, como presidente do Senado, tenho minha biografia, vou discutir uma coisa dessa? Não vou discutir um assunto desse. Minha resposta para vocês é essa.

E os outros casos relacionados ao sr.: duas sobrinhas empregadas em gabinetes de senadores, de Roseana Sarney (PMDB-MA) e de Delcídio Amaral (PT-MS).
Esse é um caso que está sendo estudado, porque parece que ele foi colocado agora. Eu pedi para ser investigado. Eu acho que há uma certa armação no caso da Roseana, na publicação de que foi ato secreto. Esse problema, que não é meu, a chefe de gabinete dela diz que os dados não conferem. Está sendo analisado.

E do Delcídio?
Do Delcídio, eu realmente pedi a ele, uma sobrinha da minha mulher, funcionária de carreira do Ministério da Agricultura, mudou-se para Mato Grosso do Sul, pedi que ela fosse requisitada para trabalhar no gabinete dele. Eu acho que não tem nenhum erro em ter feito esse pedido a ele.

Há atos secretos?
Estou convencido de que há muitas falhas, que pode ter havido não publicações. Vamos examinar.

O ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia disse que os senadores conheciam os atos secretos. É correta a afirmação?
Eu nunca soube.

Mas o que aconteceu? Os atos não eram públicos...
Não sei. Isso nós estamos tentando apurar.

(...) Até agora, nenhum congressista foi punido e poucos devolveram dinheiro gasto indevidamente. Isso não produz uma sensação de impunidade?
A população pode até contestar a validade do Congresso. A democracia não vive sem Parlamento. E Parlamento fraco, desmoralizado, é desejo de segmentos da sociedade.

Esse enfraquecimento não ocorre por causa da resposta tímida dos congressistas? No episódio do auxílio-moradia pago indevidamente, inclusive ao sr., não seria o caso de todos devolverem o dinheiro?
Nunca tinha recebido auxílio-moradia. Recebi por oito meses. Mandei interromper ao saber. Quanto aos outros, cada um fará o seu julgamento.

O sr. devolveu o dinheiro ao Senado?
Vou ressarcir. Está em estudo como é que se deve proceder. Isso será um gesto pessoal, meu.

O sr. se arrepende de sua candidatura a presidente do Senado? Pensou em renunciar?
Não. Minha vida foi sempre feita de desafios. Vou exercer até o fim.

Lula, que não lê jornal, oferece coluna a jornal

Deu em O Globo
Às vésperas do ano eleitoral, a Presidência da República está oferecendo a todos os jornais impressos do país a possibilidade de publicar uma coluna semanal, com respostas a perguntas feitas por leitores ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Não há limite de perguntas a serem enviadas, mas apenas três delas serão selecionadas a cada semana pela Secretaria de Imprensa da Presidência da República para a coluna.

Trata-se de mais um meio de divulgação de feitos, atividades e opiniões do presidente e de seu governo, que dependerá da adesão de veículos impressos.

Os jornais cadastrados terão que publicar as perguntas e respostas na íntegra e em espaço identificado como "O Presidente Responde". Todos receberão a mesma coluna semanalmente.

A primeira publicação está prevista para o próximo dia 7 e será disponibilizada no dia 6 aos jornais que se cadastrarem previamente.

Reitor tenta ganhar fôlego para recurso judicial em favor do Enem já em 2010

Ontem, ele recebeu apoio do Conselho Universitário (Consun), que alterou às pressas estatuto da universidade, para garantir a realização exame. Contudo, há outros impeditivos legais

O Conselho Universitário da UFPel (Consun) aprovou na noite de ontem (15) a mudança no artigo 71 do estatuto da universidade, tentando garantir a realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como mecanismo de ingresso já em 2010. As provas estão marcadas pelo Ministério da Educação para outubro próximo.

Com a mudança do artigo, o Consun dá direito ao Conselho Coordenador de Ensino, Pesquisa e extensão (Cocepe) de definir o tipo de seleção que bem entender, entre elas o Enem.

O reitor Cesar Borges comemorou a decisão do Consun. Diz que agora a universidade pode realizar o exame já na próxima seleção. Não é assim.

A realização do Enem continua proibida por decisão do juiz federal Everson Silva, que apontou vários impeditivos legais. Um deles era o artigo 71, agora modificado às pressas. Há outros pontos, porém, todos ancorados em sólidos argumentos legais.

A anuência do Consun no máximo aumenta um pouco as chances do reitor no recurso que pretende encaminhar e que será julgado em segunda instância. Borges pretende recorrer ainda neste mês.

A decisão do juiz Everson não impede o Enem. Ela o proíbe que seja realizado a partir de 2011.

Outros pontos da decisão do juiz Everson

"Saliento que não há que se falar em possibilidade de deliberação direta pelo reitor (como ocorreu), nos termos do artigo 30 do Estatuto da UFPel. Primeiramente porque aquela regra é estabelecida para situações de emergência, o que (...) não é o caso dos autos. Em segundo lugar, porque a deliberação direta do reitor requereria, nos termos daquele dispositivo estatutário, a ratificação da decisão pelo Conselho Universitário (Consun), no prazo de dez dias, o que não ocorreu na hipótese em exame".

"(...) a adequação dos calendários, para compatibilização entre a realização do processo seletivo (Enem) (...) e a conclusão da formação intermediária, deve ser reconhecida como direito do estudante de nível médio, por força da diretriz constitucional que visa garantir o acesso igualitário aos níveis mais elevados de ensino. Portanto, a adesão ao Processo Seletivo Unificado (Enem), nos moldes em que foi realizado pela demandada (UFPel), viola, dada a imediatidade da medida, a regra do artigo 51 da LDB, por não permitir a mínima adequação dos potenciais candidatos às novas diretrizes de avaliação e às novas datas de realização do certame".

O juiz acrescentou que a mudança do procedimento de seleção é viável e não ofende a Constituição ou a LDB. "No entanto" - diz ele - "a implementação do novo sistema deve resguardar certo interregno de transitoriedade, a fim de evitar que o objetivo louvável (democratização do acesso ao ensino superior público) se estabeleça com lesão a interesse também legítimo dos estudantes em vias de conclusão da preparação para a realização do vestibular".

"A possibilidade de prejuízo aos estudantes em vias de concluir o ensino médio e/ou preparação para o vestibular afigura-se irreparável, dada a impossibilidade de reposição da situação ao status quo, caso realizado o Processo Seletivo Unificado (Enem) em substituição ao concurso vestibular".

Finalizando, o juiz anotou: "Defiro o pedido de antecipação de tutela formulado na inicial para, reconhecendo a ilegalidade da medida adotada pela demandada (UFPel), nos termos da fundamentação acima, afastar o Processo Seletivo Unificado do Novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como critério de seleção para acesso aos cursos superiores da demandada para o ano letivo de 2010".

Os Vivos e os Mortos, de John Huston



Bonita cena do filme Os vivos e os mortos, de John Huston, baseado no relato Os mortos, do escritor irlandês James Joyce. Cena final. Casal está no quarto do hotel em Dublin, Irlanda, para onde viajaram a fim de participar de uma festa em família.

À saída da reunião, a mulher do protagonista emociona-se com uma canção. O marido percebe que a música a torna distante. Seguem em carruagem até o hotel. Em silêncio.

Quando chegam, ele pergunta o que a angustia. Ela conta então que, na cidade onde estão, quando era muito jovem, um rapaz de aparência frágil que se apaixonara por ela procura-a no meio da noite, no inverno chuvoso, para dizer que, se não pudessem viver juntos, que ele preferia morrer. Dias depois ele adoece e morre.

Depois de revelar ao marido essa passagem e de chorar, ela adormece. O marido, então, permanece em pé à janela, vendo a neve, imerso em pensamentos sobre o desconhecimento das profundezas do outro e a solidão. Seu monólogo é pura poesia, assim como o suave pouso da neve, que não faz distinção entre vivos e mortos.

É uma bela cena, dessas para se guardar e rever de vez em quando.

Bom dia!!!

Copacabana, Rio de Janeiro.

Sete mortos nos conflitos no Irã

El País
Ao menos sete manifestantes foram mortos nas últimas horas no Irã, durante choques entre os partidários do presidente Mahmud Ahmadineyad e do candidato derrotado Mir Hosein Musaví, que se enfrentam nas ruas de Teerã depois dos resultados das eleições celebradas no último fim de semana. O candidato da situação venceu o pleito com 61% dos votos. A oposição diz que houve fraude.
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Argentina confirma 1ª morte por gripe suína

Da BBC Brasil
O Ministério da Saúde da Argentina confirmou, nesta segunda-feira, o primeiro caso de morte causada pela gripe suína no país.

Segundo a ministra da Saúde, Graciela Ocaña, a vítima seria uma criança de três meses de idade que estava internada desde o último dia 2 de junho em um hospital da capital Buenos Aires.

Assessores do Ministério da Saúde argentino informaram que a paciente, que havia nascido prematuramente, morreu na noite do último domingo (14).

PDT apoia CPI, mas não 'obriga' deputados

Diretório do PDT gaúcho decidiu na noite desta segunda (15), em reunião extraordinária, apoiar a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar possíveis irregularidades no governo de Yeda Crusius (PSDB), mas não vai obrigar os seis deputados estaduais do partido a assinarem o requerimento.

A decisão reduz as chances de abertura da investigação. Os deputados Kalil Sehbe, Giovani Cherini e Gerson Burmann já haviam se manifestado contrários à proposta e só admitem mudar de posição se houver fato novo nas próximas semanas. Seus colegas Paulo Azeredo, Gilmar Sossela e Adroaldo Loureiro assinaram o pedido.

Dom Jaime e o reino do céu

“...é mais fácil um camelo entrar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus!”

Jesus Cristo, em Lucas capítulo 18, versículos 23-27



Victor Schroder

Geógrafo

A manifestação do bispo Dom Jaime e de seu assessor, em visita ao prefeito Fetter Jr. nesta segunda (15), solicitando um terreno para a construção de uma Igreja, visando um trabalho social voltado ao “fiel rico”, choca. Sinto-me no direito de dizê-lo, pois sou católico dos “praticantes” (ou penso ser, não sei mais). A “tática”, no entanto, não é nova.

Poucos sabem, mas o terreno em que hoje está o “Shopping Rua XV” – aquele edifício incompleto ao lado da Biblioteca Pública – era destinado originalmente a abrigar a Igreja Matriz da cidade. Assim, o poderio da elite local seria simbolizado com a magnitude de uma igreja na frente da praça principal, rodeada pelos casarões. Completando o cenário, o poder do Império manifestava-se no prédio da Câmara (atual Biblioteca).

Mas a Igreja não ficou ali. Dentre as várias interpretações, há os que argumentam que a Catedral onde hoje está valorizou os terrenos a sua frente, de propriedade da Igreja. E durante todo o período colonial foi assim: a Igreja foi o principal “agente imobiliário” da cidade.

Uma pesquisa feita em Porto Alegre nos anos 1980 mostrou que os dois maiores proprietários de terrenos vazios dentro da cidade eram a Prefeitura e a Igreja. No Brasil Colônia, os ricos financiavam e a Igreja colhia os frutos, dando o retorno com a valorização de terrenos e, claro, indulgências.

Surpreende que atualmente a Igreja vá atrás dos ricos. Talvez pelo medo da influência econômica das igrejas neopentecostais, que consideram a riqueza material uma manifestação de Deus.

Os ricos de hoje não tem medo do inferno, nem estão interessados no Reino dos Céus, mas a Igreja precisa, digamos, do “retorno”.

Surpreende mais ainda pelo exemplo e ensinamentos de Jesus Cristo, que pregava o auxílio aos pobres, o cuidado com as crianças, a quebra de preconceitos contra leprosos, prostitutas etc.

O mais interessante seria uma maior divulgação da obra social da Igreja e mesmo campanhas de ampliação desta. Garanto que o católico de hoje fica até constrangido em fazer doações para manter uma burocracia eclesiástica e o luxo de algumas instalações da Igreja.

Mas o Bispo Dom Jaime não age isolado. Alguns templos católicos têm “bancas” de souvenires e faixas chamativas: “seja dizimista!”. Que mandamento seria este? Jesus Cristo, como dizia Mário Quintana, “nos ensinou a amar, mas também a odiar” os vendilhões do templo, que não estavam interessados em causas espirituais, mas em ter poder político e econômico por meio da religião.

Outros artigos de Victor Schroder
E-mails para o autor: victorpelotas@hotmail.com

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Bispo quer terreno público para erguer igreja

Segunda-feira, Junho 15, 2009

"O humor é a ginástica da inteligência"

Juca Chaves se apresenta em Pelotas no próximo dia 11 de julho. Vem cantar suas modinhas, com as quais se celebrizou satirizando o poder. O espetáculo, intitulado O rei está nu - jubileu de ouro do menestrel do Brasil, que comemora seus 50 anos de carreira, está marcado para o Theatro Sete de Abril, às 21h. Bati um papo via e-mail com Chaves. O resultado do nosso trololó está aí embaixo.

Sua carreira deslanchou durante a ditadura militar. Costuma-se dizer que, durante regimes de exceção, o surto criativo do artista é maior do que na democracia. O que você pensa disso?
Minha carreira começou antes, na época do Juscelino Kubitschek, em 1957. Para um criador verdadeiro, não existe regime, basta saber e ter coragem de enfrentar. Fiz sátiras para todos os presidentes que passaram pelo Brasil, desde JK, e continuo vivo.

Em 50 anos de carreira, quantas vezes você esteve em Pelotas e que imagem levou daqui (não vale mentir...)?
Estive em Pelotas três vezes e considero a cidade de pessoas mais bem educadas do Rio Grande do Sul. As pessoas têm muita cultura em Pelotas.

Em visita à cidade, há alguns anos, o presidente Lula disse que "Pelotas é famosa por exportar veados". Outro que não tinha papas na língua era o general João Figueiredo, que "gostava mais de cavalos que de gente". Quando o cara sobe ao poder, começa a dizer tudo que lhe vem à cabeça, inclusive coisas sensatas. O que você pensa disso?
A depender do indivíduo que diz tudo o que pensa, é preciso saber de que indivíduo se fala e de qual cabeça também. Tenho uma música que diz: "... tenho duas cabeças, todas as duas sem censura, a de cima é democrática, a de baixo é a dita dura."

Se o Brasil fosse a Suíça, sua carreira seria possível?
Eu fiz carreira na Itália e em Portugal, em ambos fiquei tão ou mais famoso do que aqui. A Suíça é muito parecida, apenas são mais desonestos (os bancos); afinal, sou um artista com nariz de beleza internacional.

Você está com 70 anos e corpinho de 69? Até que ponto o humor é responsável pela sua juventude e bom astral?
Estou com 70 anos, idade que me faz pensar que tenho mais passado do que futuro. O humor é a ginástica da inteligência e do físico. Quanto maior o sorriso, mais jovem você fica.

Você mantém ativa sua gravadora Sdruws records?
Mantenho pequenas empresas, péssimos negócios. Nunca houve reclamação do dono da gravadora e do único artista contratado, que sou eu.

Você parece ser um homem que não se leva a sério, no bom sentido. Dizem que isto é uma qualidade das pessoas inteligentes. Você se considera um gozador?
Somente através do humor se chega à seriedade. É o que difere os homens dos animais.

Se você não fosse você, um menestrel, o que seria?
Bombeiro, porém com o talento e o nariz de Juca Chaves.

Vigilância Sanitária encontra fezes de rato em laboratórios da UFPel e diz que falta exaustão

A Vigilância Sanitária confirmou nesta segunda (15) a interdição de laboratórios do Instituto de Química e Geociências (IQG) da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). A VS vistoriou a instituição atendendo recomendação do Ministério Público Federal.

Segundo os técnicos, o principal problema encontrado foi a falta de sistema de exaustão eficiente e seguro para os resíduos químicos manuseados por estudantes, professores e funcionários. Por causa dessas deficiências, os usuários têm sido obrigados a conviver com riscos à saúde.

Além da falta de exaustão adequada, os técnicos encontraram fezes de ratos e outros problemas. Com a interdição, prevista para durar três meses, os laboratórios não poderão ser utilizados até que o reitor Cesar Borges tome providências para corrigir os problemas.

Nesta terça (16), a direção do IQG faz reunião para decidir como fará para que os alunos não sejam prejudicados pela interrupção das aulas nos laboratórios.

A notícia, publicada em primeira mão pelo blog na última sexta-feira (veja abaixo, no link) virou matéria no jornal desta segunda (15) da RBS/TV.

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- Uma voz fez a diferença na UFPel

Puro prazer

O Campo de Trigo - 1826
Óleo sobre tela
National Gallery, Londres

John Constable, pintor romântico inglês e um dos maiores paisagistas de sempre, nasce em East Bergholt, Suffolk, no dia 11 de Junho de 1776.

Bispo quer terreno público para erguer igreja

Justificativas são a "necessidade de trabalho social e de atrair população mais rica, que está distante do trabalho da igreja"

O bispo Dom Jaime Chemello pediu nesta segunda (15) ao prefeito Fetter Jr. a doação de um terreno para a construção de uma igreja. Segundo Chemello e um assessor, no novo espaço seria "prestado um trabalho social à comunidade". Ele serviria também para que a nova igreja "atinja a população mais privilegiada economicamente, que está mais distante do trabalho religioso". O prefeito solicitou um projeto para analisar a possibilidade de ceder a área.

AXN passa filme Alfie hoje

Para quem gosta de bom cinema, e ainda não viu a versão moderna do filme Alfie, o sedutor, pode fazê-lo hoje. Vai passar às 22h, no canal 29 (AXN) da Net. História do drama de consciência de um cara que não pode ver um rabo de saia. Com o ator Jude Law, uma infinidade de musas de tirar o fôlego e uma trilha sonora soberba, na voz de Mick Jagger. Imperdível. Veja a crítica do filme.

Prefeito sanciona lei com reajuste salarial

Proposta ficou longe do que reivindicavam os servidores. Eles fizeram movimento, paralisações e conseguiram trancar a pauta de votações na Câmara

Fetter Jr. sancionou a Lei nº 5572, de 10 de junho de 2009, aprovada pela Câmara de Vereadores, que traz o reajuste nos vencimentos dos servidores da administração direta.

O reajuste concedido será de 5,53% a partir de 1º de maio de 2009, correspondente ao INPC/IBGE acumulado nos últimos doze meses, descontadas antecipações de complementação do salário mínimo e do piso salarial da educação.

A lei diz que deve ser paga mensalmente, como complemento salarial ou de vencimentos, a menor diferença entre o salário ou vencimento básico do servidor e o valor de R$ 401,01, sendo este o piso para incidência de todas as vantagens funcionais, a partir de 1º de maio de 2009.

O vale-alimentação sobe de R$ 80 para R$ 90.

O que queria o Simp
O comando do Sindicato dos Municipários (Simp) pleiteava reajuste salarial de 17,06%, vale-alimentação de R$ 130 e base de cálculo dos salários sobre o piso de R$ 465 - valor atual do salário mínimo.

Reivindicava também a elevação do piso salarial do Magistério dos atuais R$ 279 para R$ 950, além da implantação de plano de carreira e do estatuto aos servidores, já aprovados pela categoria.

O Simp e os servidores fizeram um movimento que chegou a conseguir o trancamento da pauta de votações na Câmara, um apoio dos vereadores por três semanas. Esgotadas as possibilidades de entendimento, os municipários aceitaram a proposta do governo e voltaram ao ritmo normal trabalho na semana passada, depois de fazer algumas paralisações.

Fetter discute reforma administrativa da prefeitura com Igam e secretariado

O prefeito Fetter Jr. se reúne nesta terça (16) com sua equipe para discutir a reforma administrativa da prefeitura e o Plano PluriAnual (PPA). Participarão também técnicos do Instituto Gaúcho de Administração Municipal (Igam), que será responsável pela reforma.

O seminário, marcado para das 10h às 18h, ocorrerá no auditório da Secretaria Municipal de Educação.

O prefeito tem dito que a reforma administrativa é condição para que promova futura reforma do secretariado, anunciada por ele.

"Antes de pensar em novos nomes, é preciso saber que estrutura administrativa teremos. Não posso chamar alguém para um setor que, amanhã, poderá deixar de existir", disse ele.

Sessão remember: Coluna social do Pelotino

Santiago de Compostela
Uma das mulheres mais tops da sociedade pelotina, Valeska Lupanar, está de malas prontas para percorrer o caminho de Santiago de Compostela. Fã do escritor Paulo Coelho, seu inspirador desde que leu O Diário de um Mago, ela pretende redefinir os rumos de sua vida a partir da sua jornada em terras espanholas. Para o percurso, em que seguirá os passos do grande Coelho, Valeska vai levar dois membros de sua criadagem. Os musculosos rapazes carregarão o enxoval da diva pelotina e seus dois cãezinhos de estimação, Luis XV e XVI. Ao final da caminhada, ela garante que será outra mulher, assim como seus cachorrinhos.

Si ferrout
O maravilhoso casal Ronaldo e Sílvia, ele médico, ela advogada, mandam mensagem carinhosa a este colunista (eu), diretamente de Paris. Eles embarcaram para a terra de Maria Antonieta, aquela dos brioches, para comemorar o niver dela. Antes da viagem, o simpático e competente casal fez clareamento dental na famosa doutora Luciana 9856576. Os dois pombinhos festejaram a inesquecível data exigindo champanhe importada, esquecendo-se que estavam na França. Eles beberam a champa no famoso restaurant Si Ferrout.

Rainha
Marilda Dupont Sem Nó está felicíssima com a fantasia de Carnaval deste ano, confeccionada exclusivamente para ela pelo competente estilista Eldoris Day. Marilda, uma das mais respeitadas senhoras de nossa querida sociedade, vai estar um luxo. Ela desfilará vestida de Rainha Elizabeth, num verdadeiro périplo pelos clubes sociais do eixo Pelotas-Rio Grande. Ela promete arrasar. Marilda retorna às suas atividades no Lyons depois dos bailes, em pretinho básico amorcegado do mesmo Eldoris Day.

Valquíria em Praga
A grande dama da sociedade pelotina, Valquíria Boqueirão, acaba de voltar de um tour pela Europa, visitando cidades de seus antepassados milionários, enterrados em cemitérios muito elegantes e charmosos. Ela gostou demais das maravilhosas Praga e Budapeste, só lamentou que as duas cidades tenham recebido aqueles nomes, já que, em ambas, não viu pessoas doentes nem nuvens de gafanhoto.

Desfilando no Rio
O boa pinta Rodrigo Gallo esteve recentemente no Rio, onde conheceu muitos artistas da Rede Globo de Televisão. Ele freqüentou os círculos mais charmosos e importantes da sociedade carioca e chegou a tirar foto com a maravilhosa e competente Narcisa Tamborindegui, ex-mulher de Boninho e uma dama da caridade. Rodrigo aproveitou a companhia de Narcisa e de Boninho para atirar ovos de galinha (da janela da cobertura que ela ganhou no acordo de separação de Boninho) nas pessoas que passavam na rua.

Prêmio Pelotino de Ouro
Estamos organizando a entrega do troféu Celebridade Pelotina de Ouro de 2009. Quem quiser negociar conosco pode ligar pelo tel. 8756412. O lance mínimo é R$ 5 mil, para ser escolhido a personalidade do ano, com direito a foto publicada na coluna por um mês seguido, após a festa de premiação. Aceitamos pagamento parcelado, mas no máximo em duas vezes. Cartão, pode.
Conheça Pelotino, o autor da coluna social acima
De tanto o cara implorar conosco, resolvemos publicar "Coluna Social". Ela é escrita por Pelotino, o cidadão ao lado. O estilo dele, com descrições pomposas e provincianas, não combina com o blog. Mas Pelotino, que é tio de uma colega nossa, andava tão deprimido, falando até em suicídio, depois que faliu e todo mundo passou a lhe virar a cara, que descobriu que o jeito de voltar a ser aceito pela sociedade pelotina é elogiar quem lhe trata mal. Segundo ele, as pessoas adoram ser elogiadas em publicações, mesmo que o colunista minta furiosamente.

Com pena, resolvemos dar uma colher de chá ao Pelotino, desde que ele não frequente a redação. Ele mandará sua coluna, segundo disse, pelo "choffer..."

Viu só como o cara é bobo.

Recomendamos a ele que arrume trabalho, humilde que seja, mas honesto. Mas não tem jeito. Pelotino acha "feio" trabalhar. Para ele, bonito é fingir que tá "por cima da carne seca". Pelotino vive num mundo que não existe mais. Logo não sobrará ninguém como sua triste figura em Pelotas, que começa a mudar nas mãos de gente que dá valor ao trabalho.

O avesso da vida


Marcos Macedo
Economista

Em “Entre Nós” um livro de entrevistas feitas por Philip Roth com escritores, Milan Kundera declarou que “um romance não afirma nada; ele busca e formula questões. (...) Eu invento histórias, ponho uma em confronto com a outra, e dessa maneira faço perguntas”.O estranho dessa afirmação é que ela se aplica muito melhor à obra de Roth, o entrevistador, do que à obra de Kundera, o entrevistado.

Roth é considerado por muitos o maior escritor norte-americano vivo. Em “O Avesso da Vida”, Nathan Zuckerman, o alter-ego de Roth, é um escritor que, em seus livros, descreve os conflitos de pessoas próximas, seus familiares e mulheres. Alguns sentem-se invadidos, mal interpretados, usados, como se Nathan se relacionasse com eles apenas para extrair material para seus livros. Ofendidas, as pessoas saem de sua vida como personagens que se recusam a participar de sua ficção.

Nathan toma remédios para controlar uma doença cardíaca, o que lhe causa impotência sexual. Isso serve de metáfora para um dos temas principais do livro: a vontade de mudar. Nathan se apaixona por uma mulher casada, quer que ela largue o marido e se case com ele; para isso quer se operar para deixar de tomar os remédios e ter uma vida sexual plena.

Embora escreva com muita clareza, Roth monta uma estrutura narrativa surpreendente, em que cada capítulo contradiz o anterior. Em um capítulo, é o irmão de Nathan, o certinho Henry, quem morre na operação que poderia lhe devolver a potência; em outro, Henry é operado, sobrevive, recupera a potência, mas abandona a mulher e os filhos pequenos nos Estados Unidos para ingressar numa comunidade radical e violenta de Israel. A narrativa contraditória tem uma explicação, que Roth revela nos capítulos finais.

Obra sobre a vontade que temos de escapar, cada um de nós sabe do quê, sobre o ofício de escrever, sobre o judaísmo, “O Avesso da Vida” é um livro difícil de resumir em um tema. Aliás, o leitor fica o tempo todo se perguntando: de que trata esse livro? Essa é uma das qualidades dos livros de Philip Roth, que Milan Kundera, sem querer, resumiu tão bem: “A burrice das pessoas vem de elas terem uma resposta para tudo. A sabedoria do romance vem de ele ter uma pergunta para tudo”.

O Avesso da Vida
Philip Roth
372 pág.
Editora Companhia das Letras
R$ 23,50

Entre Nós: um escritor e seus colegas falam de trabalho
Philip Roth
172 p
Editora Companhia das Letras
R$ 36,00


Coisas de Pelotas

Um grupo de pessoas está em campanha para que a Câmara de Vereadores de Pelotas conceda o título de "Cidadão Pelotense" ao colunista social Flávio Mansur, do Diário Popular. Primeira sondagem para que vereador entrasse com a proposta foi rejeitada.

Até daqui a pouco

Depois de encerrar o expediente de hoje e fechar o laptop, testei um recurso da minha câmara que não havia explorado: a captação de imagens em preto e branco. A cerração deu um efeito legal.

Fenadoce vende 1 milhão de doces

Desde o feriado de Corpus Christi (11) os corredores da 17ª Feira Nacional do Doce (Fenadoce) encontram-se lotados. Cerca de 180 mil pessoas já passaram pelos pavilhões do Centro de Eventos desde o início da feira, dia 3.

Até este momento, informa a assessoria da Feira, foram consumidos 1 milhão de doces. Além da venda de iguarias de origem portuguesa, a festa oferece ao visitante atrações culturais, como espetáculos de música, dança, exposições e o desfile temático.

O evento tem recebido visitantes de diversas localidades do RS e dos países do Mercosul. Somente neste domingo (14), 70 excursões estiveram presentes.

Do Uruguai vieram ônibus de Misiones e Rio Branco, e do estado, Caxias do Sul, Santa Cruz, Viamão, Esteio, Porto Alegre, Alvorada, entre outros municípios. A Fenadoce termina dia 21 de junho.

Instituto entrega prêmio João Lopes Neto


Financiamento estudantil se torna inviável

Governo atua em parte como agiota. Empresta dinheiro a juros altos e o cobra sem restrição. Leitores reclamam que precisam pagar prestações de mais de R$ 1 mil em seis anos

João Alberto da Silva
Doutor em Educação

Desde a década de 90, o Governo Federal mantém programas de acesso a universidades privadas para estudantes carentes. Estes programas eram operacionalizados através de empréstimos concedidos diretamente aos estudantes, que seriam pagos em prestações ao final do curso, quando estes já fossem profissionais formados. O mais conhecido deles era o chamado Crédito Educativo (Creduc), que gerou dívidas tão grandes que tornaram-se impagáveis.

Além disso, o contrato não era muito bem elaborado e era muito difícil executar qualquer cobrança. Em virtude disto, em 2004 o Governo realizou uma “anistia” da dívida. Quem estava em dia com as prestações teve um desconto de 90% e os inadimplentes de 80%.

Por causa dos problemas contratuais do Creduc, desde 1999 o Ministério da Educação criou um novo programa: o Financiamento Estudantil (FIES). Desta vez, o Governo se cercou de todo o aparato legal e elaborou um contrato que permite a cobrança da dívida. Na verdade, o financiamento chega a ser cruel.

Além da atualização dos valores para corrigir as perdas da inflação, o Governo cobra 9% de juros capitais ao ano, isto é, como em um empréstimo do sistema financeiro. Em termos práticos, anualmente o estudante aumenta a sua dívida em torno de 15%.

Ao final do curso superior, as prestações precisam ser pagas e alcançam valores muito elevados. Agora, está acontecendo o mesmo problema do Creduc: as dívidas se tornam inviáveis e a inadimplência é alta. Todavia, agora o Governo tem o recurso contratual de executar as cobranças e está fazendo isso de maneira implacável.

Dada a existência de instituições privadas em Pelotas e a dificuldade de serem aprovados no vestibular das federais, muitos estudantes e recém-formados da cidade dependem ou dependiam do FIES. Eles estão envolvidos em um empréstimo federal que nega o caráter social da educação, que deveria ser oferecida gratuitamente.

O Governo está atuando, em parte, como um agiota, pois empresta dinheiro a juros altos e depois os cobra sem restrições. Muitos dos leitores desta coluna têm relatado casos em que precisam pagar prestações de mais de mil reais por cinco ou seis anos, ocasionando sérios problemas financeiros em suas vidas.

Alguns projetos de lei acenam com a possibilidade de que as dívidas sejam pagas com o próprio trabalho do estudante em programas do Governo, o que seria uma saída interessante. Outros falam em anistia da dívida. Esperemos que a dita vontade política se junte ao bom senso e possamos ver este problema resolvido.


Outros artigos de João Alberto
E-mail para o autor: joao.alberto@ufrgs.br

Crônica de Paraty – a festa literária

Beatriz Macking
Escritora

Saio do Rio às 9h30min de uma quarta-feira, 27 de junho de 2009. Depois de um percurso de ônibus de quase quatro horas, chego finalmente a Paraty. Deixo os pertences na pousada (uma das quatrocentas pousadas que se aglomeram no município), como um peixe com camarões em um dos quiosques da beira da praia e enveredo pelo caminho que me leva à FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty, evento que se realiza anualmente na cidade desde 2003).

Percorro pouco mais de um quilômetro cortado na mata, que se estende exuberante dos dois lados da estrada. Após uma subida que, para uma habitante dos pampas, parece um tanto íngreme, sobrevém a descida: eis-me no palco onde, durante cinco dias, se desenrolará a FLIP. Longas filas pela frente: descubro que a mais curta destina-se aos que buscam os ingressos já comprados (via Internet ou telefone). Na outra, agrupam-se os que tentam conseguir vaga para as mesas que ainda não lotaram.

Se nem todas as informações são precisas, por parte do pessoal que assessora o evento, logo vou descobrir que as atividades foram bem organizadas. São 18 mesas que se sucedem de quinta de manhã a domingo à tarde, obedecendo aos horários preestabelecidos. Além disso, há uma programação paralela na Casa da Cultura, com vários encontros dedicados às relações Brasil/França.

Para as crianças, existe a Flipinha; para os adolescentes, a FLIPZona. Sem falar em atividades culturais que compõem a OFF Flip. Toda a comunidade parece envolvida, de alguma forma, no grande acontecimento. Dou-me conta de que, infelizmente, não vou poder atender a tudo. E o passeio de escuna, que me aconselham os nativos, termina dançando.

A abertura oficial da FLIP é feita por Davi Arrigucci Jr., um dos mais conceituados críticos literários do país. Professor aposentado da USP, autor de vários livros de ensaios, ficcionista, Davi (como é conhecido por seus alunos) dedicou a sua conferência a Manuel Bandeira – patrono da festa -, cuja poesia havia analisado em Humildade, paixão e morte (1990) e em O cacto e as ruínas (1997). Discorreu sobre o alumbramento de Bandeira, ou seja, um sentimento poético baseado no desvendar da rua, das coisas humildes.

Essa emoção poética, segundo Arrigucci, liga-se à ida de Bandeira para a Lapa, no Rio de Janeiro. Após a conferência de abertura, Adriana Calcanhotto apresentou-se na Tenda do Telão, espaço em que muitos assistiam às mesas, já que não era fácil conseguir um lugar na Tenda dos Autores. Entre uma e outra tenda, a romântica pontezinha que conheceu um movimento ininterrupto durante os dias da FLIP.

Na quinta-feira, ainda embalados pela bela performance de Adriana Calcanhotto, começamos a freqüentar as mesas. E assim no decorrer dos dias seguintes, numa avalanche de debates e depoimentos que, de maneira geral, se mostraram enriquecedores. Autores de nove países versaram sobre os mais diferentes temas, apresentaram trechos de suas obras, trocaram experiências, interagiram com a platéia.

No âmbito de uma breve crônica, não seria possível dar conta de tudo que vivenciei, vi, ouvi durante a breve permanência em Paraty. E do que perdi, como o concerto de Olívia e Francis Hime, para o qual não consegui lugar...

Entre os destaques da FLIP, eu poderia citar (por ordem de apresentação):

Tatiana Salem Levy, uma jovem autora que venceu, em 2007, o Prêmio São Paulo de Literatura na categoria Estreante e, no ano seguinte, foi finalista do Jabuti com o romance A chave de casa, em que mescla elementos ficcionais e de memória;

Ma Jian e Xinran, chineses exilados na Inglaterra, que obtiveram grande sucesso com a mesa A China no Divã. Para me penitenciar por ter perdido a sua palestra (estava na Casa da Cultura, ouvindo David Foenkinos, um francês que me lembrou, pela aparência e pelo senso de humor, a figura de Woody Allen), comprei o livro Les funérailles célestes, da escritora Xinran. Um livro marcante, baseado em fatos verídicos, que põe em questão as relações da China com o então soberano Tibet;

Richard Dawkins, o biólogo britânico autor de Deus, um delírio. Em uma conversa franca com Silio Boccanera, o autor revelou-se um darwinista convicto (embora não darwinista social). Dawkins, que fez muita sensação na FLIP, é considerado o principal evolucionista em atividade;

Atik Rahimi, escritor afegão que, nos anos 80, fugiu da guerra civil em seu país. Radicado na França, Atik venceu o Goncourt, no ano passado, com seu primeiro livro escrito em francês: Syngué-sabour: Pedra-de-paciência;

Chico Buarque e Milton Hatoum, na concorrida mesa intitulada Sequências brasileiras. Ambos cotejaram seus últimos livros (Leite derramado e Órfãos do Eldorado, respectivamente), em que apresentam, cada um a seu modo, uma visão crítica do Brasil;

Antonio Lobo Antunes, romancista extremamente conceituado em Portugal. À frente da mesa Escrever é preciso, monopolizou a platéia com sua presença forte, suas respostas inteligentes e por vezes irônicas. Neto de brasileiro, afirmou ter começado a amar a literatura através dos versos de nossos poetas.

Eis apenas alguns destaques de um encontro que nos fez conhecer nomes da estatura de um Mario Bellatin, de um Gay Talese, das francesas Sophie Calle e Catherine Millet, ambas inseridas em uma vertente (auto-ficção) que mescla vida privada e vida literária. Gostaria também de mencionar o cálido poeta Eucanaã Ferraz e a pelotense M. Angélica Freitas, que lindamente evocaram Bandeira.

No domingo à tarde, deixei já com saudade o ambiente tranquilo de Paraty, suas ruas de pedras, seu belo casario colonial, aquele centro histórico onde me havia sentido bem acolhida. Na lembrança, levava o exemplo de uma festa que poderia ser imitada por outras comunidades (e parece que várias cidades dos arredores já estão montando eventos do gênero).

Com dedicação e competência, paulatinamente, é possível chegar lá, organizando uma programação que divulgue valores, que os traga para junto da população, que intercambie cultura. Que seja suficientemente instigante. (Por aqui, temos o exemplo de Passo Fundo, que realizará em breve a sua Jornada Nacional de Literatura.)

Pelo que me disseram, Paraty já começa a planejar a sua oitava festa literária, que acontecerá em meados de 2010. E promete...

Domingo, Junho 14, 2009

Aquecimento blogal

Tabelinha quente: fotografia de Marco Guerra
e pintura corporal de influência islâmica, de Yasmina Alaoui.

Israel fala em aceitar estado palestino

Deu no Uol Notícias
Em discurso neste domingo, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que apoia um Estado palestino, mas apenas se for completamente desmilitarizado. Foi a primeira vez que o governo israelense atual sinalizou algo do tipo.

"Israel está comprometido com acordos internacionais e espera que as demais partes também cumpram suas obrigações", disse Netanyahu. Leia texto na íntegra.

Agentes questionam privatização de presídio

A governadora Yeda Crusius autorizou dois estudos de modelagem para Parcerias Público-Privadas (PPPs) no sistema prisional gaúcho e na área de saneamento básico no Vale do Sinos. No caso dos presídios, o consórcio GTA vai realizar o levantamento para a construção de novo prédio com três mil vagas na região metropolitana. A empresa fez estudo semelhante em Minas Gerais.

O custo da obra está orçado entre R$ 120 milhões e R$ 150 milhões, que ficaria a cargo da iniciativa privada. O governo entraria com contrapartidas: entre elas está a possibilidade da guarda interna, hoje feita por agentes e monitores concursados, ficar a cargo do empresariado, que depois seria remunerado pelo governo.

A medida foi questionada pelo sindicato da categoria, o Amapergs. Alexandre Bobadra, diretor da entidade, diz que fere a Constituição estadual. Também argumenta que os agentes e monitores são os profissionais mais preparados para cuidar dos detentos.

"Essa guarda interna tem que ser feita pelo servidor penitenciário: pela experiência, pela formação, pelo profissionalismo, pela questão legal. O sindicato é totalmente contra qualquer forma de guarda interna que não seja através dos servidores penitenciários concursados", defende.

Bobadra não descarta a PPP como forma de criar novas vagas e expandir o sistema penitenciário. No entanto, questiona o valor a ser pago pelo governo. Estimativas iniciais apontam que o Estado pagaria entre R$ 1,5 mil a R$ 2 mil mensais por preso. Atualmente, o governo investe apenas entre R$ 700 e R$ 1 mil.

"Se o governo investe R$ 700 em cada preso, por que investir R$ 2,5 mil numa parceria público privada? Por que o governo simplesmente não investe mais nos presos que hoje cumprem pena no Rio Grande do Sul?", questiona.

Puro prazer: Rita Lee

Dom Pippo


Slow Food
Crítica de Gastronomia

O dia dos namorados (sexta 12) foi uma das noites mais movimentadas do ano, apesar do frio, e pôs à prova a capacidade dos restaurantes noturnos. Visitamos o Dom Pippo, que atende somente a la carte, num espaço pequeno e acolhedor onde cabem não mais de 50 pessoas.

Às 22h, casa lotada, esperamos 10 minutos por um lugar. O único garçom corria e suava para atender as doze mesas, esquecendo na pressa alguns pedidos. O couvert de pão e molho verde (maionese, salsa, cebola, pimenta e alho), mesmo que não solicitado, é parte do atendimento e pode ser pedido de novo, sempre sob pagamento (R$ 1,80).

Num cardápio que oferece saladas, filés, massas, peixe e camarão, escolhemos o segundo prato mais barato: lasanha ao molho branco (R$ 20). Pouco depois, avisaram-nos que não havia molho branco, e aceitamos então o vermelho.

Após mais 35 minutos (22h50), o garçom chegou com o prato e fez o ritual de servir a primeira porção, com toda gentileza. Perguntado sobre a demora, ele disse que havia muitas pessoas na frente; de fato, quem chegou depois das 23h foi atendido com bastante rapidez.

Feita com massa de panqueca, presunto e queijo em boa proporção, a lasanha tinha suave sabor, pouco sal, consistência firme, bastante caldo, e volume para servir bem até três pessoas, tudo na medida certa para satisfazer. Somente acompanhamos com refrigerante de garrafa (R$ 2,50).

Os clientes do Dom Pippo não falam alto e esperam com paciência, sabendo que serão atendidos. O lugar tem traços de Pelotas: é tranquilo, sóbrio e tem boa comida, mas o atendimento engasga quando o fluxo turístico sobe muito.

O Dom Pippo existe há 15 anos na Avenida, e já está há seis no atual endereço: Bento Gonçalves 3389, entre Félix da Cunha e Gonçalves Chaves.

Ex-prefeito Bernardo se casa em Porto Alegre

Depois de viverem juntos por mais de 40 anos, o ex-prefeito de Pelotas Bernardo de Souza, de 66 anos, e sua mulher, Hilda, resolveram oficializar a união.

Eles se casaram na sexta (12), em Porto Alegre. A cerimônia, civil, foi realizada no apartamento do casal, com a presença dos três filhos, outros membros da família e amigos íntimos.

Leia mais
"Estado de Bernardo nos permitirá longa convivência", diz Hilda
Saúde de ex-prefeito é estável

Sábado, Junho 13, 2009

Boa noite de sábado



Audrey Hepburn na abertura do filme Breakfast at Tiffany's.

Adoçando a candidatura

O deputado estadual Adão Villaverde (PT), postulante à vaga de candidato do PT para concorrer na eleição ao governo do RS em 2010, visitou neste sábado (13) os pavilhões da 17ª Fenadoce. Apareceu acompanhado do vereador por Pelotas Milton Martins (PT).

Villaverde vai disputar com o ministro da Justiça, Tarso Genro, e o prefeito de São Leopoldo, Ary Vanazzi, a indicação para concorrer ao Piratini.

A escolha ocorrerá em 17 de junho, em Porto Alegre, durante encontro estadual do PT.

Marina presidente


Deu na Carta Capital
Cresce o movimento para que a senadora Marina Silva assuma sua candidatura à presidência da República em 2010.

No site marinasilvapresidente.ning.com, há mais de um mês no ar, 1.782 pessoas assumem como membros da campanha, dizendo;

“Este é um movimento apartidário e não-institucional para que Marina Silva seja Presidente do Brasil. Identificamos em Marina uma forte liderança política e ambientalista com capacidade para assumir a Presidência da República.

Apostamos na candidatura dessa mulher, brasileira e planetária, com potencial político e pedagógico para expressar a emergente – e emergencial – transição para a Democracia com Sustentabilidade. Marina tem força para concretizar as mudanças e transformações fundamentais que poucas lideranças políticas, hoje, teriam a capacidade de acessar para tornar realidade.” Leia na íntegra.

Crack, NEM PENSAR???

Sábado, 13 de junho de 2009

A preocupação com a escalada do consumo de crack é louvável. Algumas ações têm sido tentadas. A Promotoria da Infância e Juventude de Pelotas lançou uma campanha contra a oferta de esmola a crianças, argumentando que o gesto financia o consumo da pedra e fortalece o tráfico. Há pouco, a Rede Brasil Sul de Comunicação (RBS) iniciou outra campanha: "CRACK, NEM PENSAR". O slogan lembra outro, já usado por uma ONG de São Paulo (Parceria contra as Drogas): "DROGAS, NEM MORTO".

O crack é um drama mundial por causa do preço, muito baixo. A pedra "democratizou" o acesso ao mundo das drogas, no passado possível apenas aos ricos e à classe média. A verdade, porém, é que entra ano, sai ano e o comércio de entorpecentes continua forte.

Dinâmica, a indústria do tráfico reconverte suas atividades e lança novos produtos, com modo de produção e preços cada vez mais acessíveis. Depois da maconha, da cocaína, heroína, passamos pela merla, pelo ecztasi. O que virá depois do crack?

A questão das drogas – com a qual convivemos há mais de 50 anos de forma organizada e industrial - é complexa. Mesmo assim, as "campanhas de mídia" insistem na estratégia de reprimir o problema, mesmo que profissionais de psicologia comprovem que crianças e jovens, por exemplo, não são sensíveis a conselhos, mas sim a exemplos. Exemplos esses de que estão carentes no Brasil e num mundo que parece à beira da extinção.

Sendo assim, campanhas do tipo "CRACK, NEM PENSAR" ou "DROGAS, NEM MORTO" soam vazias. Podem beneficiar apenas a imagem de quem as promove, mas não têm o poder de surtir efeito social, já que as motivações dos usuários são muito mais abrangentes e diversificadas do que o simplório apelo publicitário sugere.

Campanhas como as citadas têm, por absurdo, um agravante funesto, já que sugerem que "não pensar" e "morrer" são coisas melhores do que usar drogas.

Slogans desse tipo são no fundo convenientes ao sistema, que dá boas-vindas a quem “não pensa”. E se a pessoa pensa, e começa questionar a realidade, ele, o sistema, prefere vê-las mortas. Porque o consumo de drogas, no fundo, nada mais é do que um depoimento de insatisfação com a realidade que nos cerca.

O que faz a droga? Ela permite momentos de fuga do "mundo real". Instantes de alívio justificáveis num país e num planeta que respondem aos problemas humanos com eficácia infinitamente menor do que os produz. Não é nada fácil para um jovem encarar a vida com otimismo num país com os problemas do nosso. O que dizer do planeta?, assolado pela destruição da natureza, pelo aquecimento global, pelo retorno da ameaça nuclear, pela epidemia de Aids e, agora, a pandemia de gripe.

Crianças e jovens consumindo drogas são o retrato de inúmeras falências políticas, econômicas, sociais, diplomáticas. São também uma expressão da crise de valores, inclusive dos meios de comunicação (os mesmos que promovem campanhas samaritanas), habituados a difundir, por exemplo, o esgoto de um Big Brother Brasil como modelo de comportamento para garotas e garotos.

Outra falha conceitual dessas campanhas é creditar a violência ao consumo de droga. Essa associação direta, além da carência de base científica, apenas reproduz um preconceito moral; afinal, mesmo que seja paradoxal, costuma-se igualmente creditar a indolência da juventude ao uso de drogas.

No fundo, essa relação droga-violência é um subterfúgio do poder público e da sociedade, pelo qual lavam as mãos diante de sua parcela de responsabilidade pela violência, obviamente motivada por outros tantos fatores muito mais sérios e complexos. Nesse cenário, a droga aparece como sintoma, não como causa.

Não admitir isso é o mesmo que "não pensar", ou seja, "estar morto". Para esses, muito mais conveniente é girar o gelo em doses duplas de uísque ou adormecer com calmantes, esquecendo-se de que são igualmente usuários de drogas, das quais ninguém parece capaz de prescindir, de alguma forma, em algum momento, para suportar uma vida e uma morte que não escolhemos.

Greice Morelli canta na Fenadoce

Após vários anos de ausência, a intérprete, compositora, atriz e instrumentista Greice Morelli retorna a Pelotas. Vai se apresentar na 17ª Fenadoce, neste domingo (14), às 21h, no palco da Cidade do Doce, acompanhada do percussionista e vocalista uruguaio Lyber Bermúdez.

A bageense Greice Morelli alcançou reconhecimento regional quando defendeu obra de sua autoria, no Musicanto/89, um dos principais eventos sul-americanos de música, no qual conquistou a premiação de melhor intérprete.

No período de 90 a 92, radicou-se no Rio de Janeiro. Apresentou-se com Luis Carlos Vinhas – o mesmo que lançou Elis Regina - no show "Chega de Saudade", no Vinícius Piano Bar e em outros espaços musicais da época.

Guto Graça Mello dirigiu seu show "Uma Voz", no Mistura Fina, que lhe rendeu o título de Musa do Inverno Carioca. Lá se especializou em técnica vocal e atuação. Em 93, atuando como atriz e cantora na peça "O Meu Guri", foi indicada ao Prêmio Açorianos de melhor atriz. Também no teatro – "Anti-Prenda Minha" – valeu-lhe uma parceria inédita, com Luiz Fernando Veríssimo: compôs a única música, até então, da história do grande escritor gaúcho.

Em "Risco e Paixão", atuou e compôs a trilha sonora: encenada entre Rio de Janeiro e Porto Alegre, recebeu o prêmio "Teatro Brasileiro" do Ministério da Cultura e da FUNARTE.

Em 97, em Portugal, concluiu a gravação de seu primeiro CD pelo selo RBS Discos, lançado no show "Ele Merece", no Teatro São Pedro, em Porto Alegre/RS. Esse trabalho foi divulgado nacionalmente: Planeta Xuxa (TV Globo) e Sem Censura (TV-E), entre outros.

Em 98, numa turnê européia, cantou em Lisboa, Londres, Paris e Roma. Em 2002, pela Som Livre, gravou o CD “Maresia”, com músicas de autoria de Ribeiro José Francisco, autor de "Marcas".

Atualmente, Greice dedica-se às composições do seu próximo CD, à atuação em comerciais de TV e ao show "Só consigo ser três", que recentemente estreou no Theatro São Pedro e no Solar dos Câmara, em Porto Alegre.

Após 50 anos, UCPel forma doutor

Slide de trabalho: compreensão afetada pela linguagem "acadêmica"

Ars Longa
Crônica de cultura

Fundada em 1960 pelo bispo Dom Antônio Zattera, a Universidade Católica de Pelotas ainda não havia formado doutores até esta semana. O curso de doutorado mais antigo da UCPel funciona desde 2006, na área de Letras, e sua primeira defesa de tese ocorreu esta segunda-feira (8).

Valesca Brasil Irala, especialista em espanhol, estudou a relação entre alunos e professores através do Orkut, no trabalho intitulado: A reinstitucionalização como prática: entre o jogo de rir "com" e o jogo de rir "do" professor.

A primeira banca de doutorado da UCPel esteve formada pelas professoras doutoras Clara Dornelles (Unipampa), Maria das Graças Pinto (UFPel), Elzira Uyeno (Universidade de Taubaté, Unitau) e pelos professores Hilário Inácio Bohn e Vilson Leffa, da UCPel, este último orientador do trabalho.

Em 2010, quando a UCPel estiver completando 50 anos, terá dois cursos de doutorado em funcionamento: em Letras e em Saúde e Comportamento, este último aprovado em 2009.

Ambos derivaram dos respectivos mestrados, os quais foram criados na década de 1990 e sofreram total reestruturação curricular e docente a partir do ano 2000, com crescente sucesso nas avaliações da CAPES.

Comentário meu
Uma das coisas que mais espantam na vida acadêmica é a linguagem usada por alguns de seus membros. De repente, escrever difícil se tornou, entre alguns expoentes, sinônimo de inteligência. Na verdade, quase sempre nessas situações o tiro sai pela culatra. Quando nos cai nas mãos um texto como o da foto, desistimos da leitura antes do segundeiro dar meia volta. Não sem motivo. Num país carente de tantos conhecimentos científicos de efeitos práticos e renovadores da vida, o estudo da linguagem nos cursos de Letras já é um luxo. Seria desejável, até mesmo por isso, que ao menos a tradução do pensamento fosse clara e objetiva. Do contrário, a sensação que passa é de inutilidade embalada de grande sabedoria - aliás, fantasia comum no meio acadêmico. Como diz o escritor Lourenço Cazarré, se o jornalista pensa que é Deus, o acadêmico brasileiro parece ter certeza de sua divindade. Para muita gente, porém, Deus é um luxo que não se pode aceitar. Quando "Deus" se transforma num oráculo, sua linguagem pode esconder algo mais que o mistério. Talvez, a ausência de uma resposta satisfatória (RF).

Porque os blogs assustam


José Dirceu
Ex-ministro do governo Lula

Uma campanha contra o blog Fatos e Dados, assunto dos mais explorados essa semana, mostrou que a pretensão da grande mídia não tem limites. Ela é capaz de tudo para manter o monopólio da informação que detém de fato, e das verbas de publicidade do governo federal das quais recebeu a maior fatia durante décadas.

A Associação Nacional dos Jornais (ANJ) elaborou uma nota de repúdio a iniciativa da PETROBRAS de divulgar no seu blog todas as informações pedidas pelos jornalistas e jornais a respeito da empresa. Nada surpreendente! Querem preservar o método do jornalismo de escândalo, que consiste em publicar uma reportagem como denúncia e a partir dela iniciar um processo de investigação seja por CPIs, seja pelo Ministério Público.

Com seu blog, ao antecipar as informações, a PETROBRAS tira da mídia uma arma que tem sido usada quando interessa a esta e a seus aliados e apenas contra o governo Lula e o PT. Nunca contra a oposição.

Basta ver como as acusações contra os tucanos, governador-presidenciável José Serra, governadora gaúcha Yeda Crusius, e contra o PSDB, em geral – e o de São Paulo, em particular – só aparecem escondidas em pequenos títulos e textos e desaparecem rapidamente da imprensa.

Explica-se, aí, o medo que a grande imprensa tem dos blogs e da internet que dão a todos os cidadãos e cidadãs, e às empresas, a oportunidade democrática de prestar informações, e divulgarem a sua versão dos fatos com dados e elementos para a cidadania julgar. A tentativa da grande mídia e da ANJ de censurar a PETROBRAS é um ato de violência e uma ilegalidade flagrantes. A Associação derrama lágrimas de crocodilo ao acusar a Petrobrás de intimidar jornais e jornalistas com seu blog. A questão é outra: com este os veículos perdem um instrumento de luta política.

O pavor da grande imprensa e de seus aliados da oposição é outro: é o da concorrência dos blogs e da internet, da democratização da mídia. Blogs que qualquer empresa ou cidadão podem ter colocam em xeque o monopólio da informação. Não vamos nos iludir: o que está em jogo é esse monopólio e a força que ele dá aos proprietários de órgãos de comunicação e a alguns jornalistas para tentar controlar o poder político e as verbas publicitárias das empresas e dos governos.

É uma disputa pelo poder na sociedade. Essa ofensiva da grande imprensa contra os blogs e a internet não é de agora. Iniciou-se há tempos. Só intensificou-se nas duas últimas semanas com a criação do blog da Petrobrás. Seu surgimento desencadeou a publicação de editoriais e artigos irados sobre o assunto, com os quais pretenderam denunciar, também, um pretenso “Bolsa Mídia” que teria sido criado na gestão Lula. E que nada mais é do que a descentralização e regionalização das informações e das verbas publicitárias pelo atual governo.

O "Bolsa Mídia" não passa da simples quebra da concentração de informações e das verbas da publicidade oficial apenas para os grandes veículos de comunicação. Nesse governo, notícias e verbas passaram a ser fornecidas à mídia de todo o país, o que desagradou aos jornalões e redes de TV. Estão aí as razões do choro e ranger de dentes. A partir dessa história do “Bolsa Mídia” passaram a atacar o blog da Petrobrás e os outros independentes como se fossem sucursais do Planalto.

O próximo passo da ANJ e da Associação Brasileira de Empresas de Rádio e TV (ABERT), não tenham dúvidas será tentar controlar e censurar a internet. Nesse caminho, já têm o instrumento à mão, o substitutivo do deputado Bispo Gê Tenuta (DEM-SP) ao PL/29, em tramitação nas comissões da Câmara. A proposta trata da regulamentação da TV paga e exclui da normatização os conteúdos audiovisuais distribuídos por meio da rede mundial de computadores, mas impõe uma série de restrições à internet. Com elas pretendem impedir a democratização da informação proporcionada pela convergência das mídias.

Aliás, é o que já vêm fazendo, a pretexto de defender a cultura nacional e o controle da mídia por brasileiros natos. O que não fizeram antes, nunca. Lembrem-se, não defenderam esse controle para nenhum setor de nossa economia. A começar pela Petrobras que todos pretendiam privatizada - PSDB, DEM, era FHC, e mídia à frente.

Sexta-feira, Junho 12, 2009

Advogado denuncia violência policial

O advogado Marcos Neves deu queixa na madrugada desta sexta (12) contra um policial militar, por agressão e abuso de autoridade. Ele diz que tentou registrar o fato na Brigada Militar, mas, agredido novamente pelo mesmo policial na porta de entrada do Batalhão, na Avenida Bento Gonçalves, preferiu dar queixa na Polícia Civil.

Na queixa, Marcos informou que caminhava com sua namorada na Avenida Domingos de Almeida, próximo à Padaria Gaucha, quando foi abordado por uma guarnição da Brigada Militar. Segundo ele, um policial desceu da viatura com a arma apontada para seu rosto. Mandou-o virar de costas para a parede e passou a agredi-lo com socos e pontapés.

"Um segundo policial, que assistia a cena sem interferir, pegou a carteira do advogado e consultou sua ficha policial. Mesmo diante do 'nada consta', o primeiro policial prosseguiu sua conduta autoritária, dizendo-me que 'quando fosse abordado por ele, que cumprisse suas ordens, que abordagem policial não podia ser com buque de flores e que o crack tomou conta da cidade, além do tráfico de mulheres...'"

Marcos disse que, diante do fato, ligou para o telefone 190 (plantão da BM), relatou o ocorrido e foi orientado a comparecer ao Batalhão da Brigada Militar, na Avenida Bento Gonçalves, e registrar um Boletim de Ocorrência.

"Quando cheguei ao Batalhão, o policial agressor me abordou novamente. Em frente ao portão de entrada, ele apontou a arma para mim e passou a gritar ordens e a me agredir fisicamente, chamando-me de vagabundo. Disse que 'agora eu teria motivos para registrar o BO, que vagabundo se aborda de forma violenta e que eu não passava de um bunda-mole que não tinha conhecimento da vida e que tinha que apanhar para aprender' ".

Logo depois, conta o advogado, o policial pegou novamente sua carteira de identidade, anotou seus dados e ordenou que ele entrasse no Batalhão para registrar a ocorrência.

"Vendo que um terceiro policial que fazia guarda na porta do batalhão assistia a tudo sem intervir e, com medo de ser repreendido dentro do Batalhão, preferi me dirigir à sede da Polícia Civil, onde registrei a ocorrência. Durante o registro, apareceu na delegacia um capitão da Brigada. Ele disse que providências seriam adotadas. E levou cópia da ocorrência policial".


Marcos acredita que a agressão foi um caso isolado, pois avalia que a BM não tem como padrão essa conduta. "De qualquer forma, me pareceu um absurdo a violência que sofri, e me senti obrigado a dar queixa para que outros casos assim não aconteçam mais", finalizou.

Breno vai expor em Chicago e Nova York

Breno Castagno, artista plástico nascido e criado em Pelotas, vive e trabalha há 10 anos nos Estados Unidos. Nós nos conhecemos há quase trinta anos. O pai dele e o meu foram amigos, nós repetimos a dose. Com os anos, Breninho se aprofundou na pintura, sua paixão desde guri, aprimorando sua técnica na cadência de sua sensibilidade e apuro estético. Depois de anos de estudo e trabalho, acabou reconhecido. Exposições dele estão marcadas para Nova York, Chicago e Las vegas. Neste site, pode-se conhecer mais do autor e de sua obra.