Terça-feira, Junho 23, 2009

Puro prazer



Cenas do filme Viagem Fantástica, de 1966. Ficção. Um grupo de cientistas é miniaturizado e, a bordo de uma nave, percorre o interior do corpo humano para destruir um problema no cérebro de um paciente. Boa viagem!

Eduardo Leite apresenta projetos moralizadores da Câmara e da Prefeitura

Ele dá entrada aos textos na Câmara nesta quarta (24) e, com eles, espera garantir maior transparência dos gastos públicos

O vereador Eduardo Leite (PSDB) vai apresentar nesta quarta (24) dois projetos de lei com cinco medidas destinadas a ampliar a transparência e a moralização dos gastos municipais.

O primeiro projeto determina que a Câmara e a Prefeitura tornem públicas a relação de servidores, seus cargos e sua remuneração final bruta, com atualização a cada dois meses nos sites dos dois poderes.

Essa relação conteria ainda demonstrativo com o número de servidores ativos e inativos, a composição percentual do quadro, conforme faixas de remuneração e a despesa total com o pagamento do pessoal.

"Na esfera pública, o patrão é o contribuinte", argumenta Leite. "E o patrão precisa estar bem informado do que acontece em sua empresa", compara.

O projeto do tucano prevê também a divulgação eletrônica dos contratos efetuados pela Câmara e a Prefeitura para execução de obras, aquisição de materiais e contratação de serviços, além da discriminação resumida do objeto, quantidade, preço, nome do contratado, modalidade de licitação empregada, data da assinatura e período de vigência.

“Os contratos municipais envolvem somas elevadas, mas não são explicitados detalhadamente ao público”, critica.

Além da divulgação eletrônica, o projeto determina que todas as unidades administrativas da Câmara e Prefeitura afixem em local visível ao público um quadro com o nome dos seus servidores, cargos, lugar e horário de trabalho.

Diárias
O segundo projeto de lei prevê a divulgação nos sites da prefeitura e da Câmara dos gastos detalhados com diárias. No Legislativo, o pedido de diárias passaria a depender de autorização do plenário. Hoje, elas são concedidas diretamente pelo presidente da Casa.

O vereador vai propor ainda ao prefeito, na reforma administrativa que Fetter Jr. planeja executar, que seja criado um órgão de suporte à política de transparência, que se responsabilize pela verificação dos atos da prefeitura, gerencie as tarefas e encaminhe a sua divulgação.

“Nossa intenção é a de construir uma cidade cada vez mais clara, mais acessível e mais compreensível para todas as pessoas”, finaliza Leite.

Identificado primeiro caso suspeito de gripe suína em Pelotas

O Departamento de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde de Pelotas notificou nesta terça (23) o primeiro caso suspeito de gripe suína (H1N1) na cidade. O caso foi confirmado agora há pouco ao blog por telefone pelo secretário da Saúde, Francisco Isaías.

Em viagem de Porto Alegre para Pelotas, ele informou que o caso está sendo monitorado e que os resultados dos exames feitos na paciente (uma mulher) ficarão prontos nesta quarta (24), quando serão divulgados à imprensa.

"Por ora é apenas um caso suspeito. A Vigilância fez a coleta de secreção oral e nasal da paciente e a encaminhou para os laboratórios da Vigilância Epidemiológica Estadual, em Porto Alegre", informa o secretário.

A paciente retornou de Buenos Aires apresentando sintomas da doença. Está sendo acompanhada em sua residência, e, por precaução, em isolamento respiratório.

As coletas foram feitas depois que a paciente apresentou alguns dos sintomas da doença: febre superior a 38ºC, tosse, dor de cabeça intensa, dores musculares e articulações, irritação dos olhos e fluxo nasal.

A Vigilância Epidemiológica está orientando a população (pelo telefone 3284-7722) sobre como proceder diante da constatação de sintomas. Informações podem ser obtidas pessoalmente também no Centro de Especialidades (Rua Voluntários da Pátria, 1.418), de segunda a sexta, das 8h às 17h30, e no Pronto Socorro, das 17h30 às 8h.

Em São Gabriel, municípios localizado a 308 km a noroeste de Pelotas, outros 17 casos suspeitos foram notificados nos últimos dias.

A fim de evitar uma possível proliferação do vírus, a prefeitura local decretou ontem (22) situação de emergência: as aulas em todas as escolas e creches da cidade foram suspensas por tempo indeterminado e estão proibidos quais tipos de eventos com aglomeração de pessoas, como festas, shows e cultos religiosos.

Em Pelotas, ainda é cedo para cogitar a decretação de emergência. O secretário Francisco Isaías disse que a cidade está preparada para entrar em ação caso necessário. Segundo ele, existe um Comitê (Municipal de Enfrentamento ao Vírus, seguindo orientações do Ministério da Saúde e da Secretaria Estadual de Saúde.

Isaías disse que houve treinamento com médicos, enfermeiros e demais integrantes das equipes de saúde e comissões de infecção hospitalar dos quatro hospitais de Pelotas, Pronto Socorro, Centro de Especialidades e Hospital Escola da Fundação Apoio Universitário.

O treinamento - diz ele - possibilitou montar uma rede de retaguarda hospitalar com estrutura para atender pessoas com suspeição da doença e fazer monitoramento epidemiológico daquelas cujo diagnóstico confirme a doença.

Não existe ato secreto em benefício do senador Pedro Simon

A assessoria de imprensa do senador Pedro Simon (PMDB/RS) emitiu nota nesta terça (23) a toda a imprensa sobre matéria de O Estado de S. Paulo, em que o jornal menciona seu suposto envolvimento nos atos secretos do Senado Federal.
Nota da esclarecimento

1. Não existe nenhum ato secreto do Senado envolvendo o nome do senador Pedro Simon
(PMDB-RS).

2. A única referência a Pedro Simon que consta da lista mencionada pelo jornal “ O Estado de São Paulo” é sua indicação, pela Presidência do Senado , para composição da Comissão encarregada das comemorações dos 180 anos da instituição.

3. O ato referente a essa indicação foi publicado no Boletim Administrativo do Pessoal, de 14 de dezembro de 2005. E, também, no Diário do Senado Federal, de 14 de dezembro de 2005.

4.Portanto, não existe nenhuma ação que desabone, de alguma forma, a conduta ética
sempre observada pelo senador Pedro Simon na vida pública.

Câmara deve fazer concurso para vagas de assessor de imprensa e consultor jurídico

É o que pensa a maioria das pessoas que participaram na última enquete do blog. Dos 182 votos, 151 (82%) responderam "SIM" à pergunta, 31 (18%) responderam "NÃO".

Atualmente, esses cargos são ocupados por Geane Matielo (assessora de imprensa), filha do vereador Idemar Barz, e por Cláudio Dutra (assessor jurídico), que advoga para Geane e sucedeu no cargo o advogado Fabrício Matielo, que é casado com Geane e é genro de Idemar.

Semana do aniversário de Pelotas

A Secretaria de Cultura organizou uma semana de atividades para marcar o aniversário de 197 anos da cidade. Se você quiser consultar, clique aqui.

Gabeira gasta verba de uso parlamentar em benefício pessoal, como fez Sarney

O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), quem diria, aprontou de novo. O verde, que já havia confessado ter usado dinheiro da Câmara para comprar passagens aéreas para sua filha surfar no Hawaí, desta vez usou R$ 20 mil da verba indenizatória destinada ao apoio da atividade parlamentar para contratar a Lavorare Produções, de sua mulher, Neila Tavares, para produzir um site.

Segundo Gabeira, na época Neila era sua namorada. Mais uma vez, em sua defesa, saiu com uma desculpa intelectual pouco convincente. "Desde que nossa relação mudou de patamar não a contratei mais com verba da Câmara."

Já o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), utilizou R$ 8.600 da verba indenizatória para contratar uma empresa para organizar seu acervo pessoal de livros e documentos.

De Sarney, pode-se esperar tudo. De Gabeira, que ficou conhecido como "reserva moral no Congresso", achávamos que não. Com mais esta do deputado, podemos perder as esperanças nele. É o fim da política de mãos limpas.

Leia mais
O que é isso, companheiro?
Gabeira: "Arranhei minha imagem"

Crônica das interrogações

POR QUE

... se Deus é Pai a gente adoece e envelhece?
... quando nasci, era careca e desdentado e todo mundo achava bonitinho?
... antigamente Tetrex resolvia tudo?
... Coramina com glicose curava bebedeira?
... louco era o João Coitinho?
... Ari Alcântara se retirou da vida pública e ficou na privada?
... os azulejos do Claudiomiro não eram verdelejos e as Brahma eram da Antártica?
... a gurizada de hoje nunca ouviu falar da Maria das Tetas?
... goleador era o Ortunho?
... goleiro era o Gastão Leal?
... quando a gente fica sem grana, os ¨amigos¨ somem ?
... Pelotense adora coluna social?
... tem Justiça do Trabalho, Justiça Civil e Justiça Militar, não deveria ser uma só?
... se Deus castiga a gente nunca sabe quem foi castigado?
... todo mundo que é bom leva na cabeça e gente ruim não?
... sendo maioria, não conseguimos acabar com a falcatrua dos políticos?
... funcionário público faz concurso para trabalhar e depois entra de greve?
... tem segmentos do funcionalismo que quando estão de greve não fazem falta?
... Vereador tem que receber salário?
... o PT é contra prorrogação de mandato quando não está no poder?
... deputado de Pelotas puxa tanto o saco do Lula que não está nem aí para a Zona Sul?
... funcionário público tem estabilidade no emprego, e privado não?
... Câmara de Vereadores precisa de palácio para trabalhar?
... alguns acham que no apito vão conseguir alguma coisa?
... a Secretaria Municipal da Receita não funciona todo o dia?
... a ETP virou IF?
... o Inter só não tem título de 2ª divisão?
... o Jorge Fontoura não seguiu cantando?
... as coisas ruins acontecem na proporção de quem pode suportá-las?
... o Joel Santana fala aquele ingreis?
... o Vanderlei Luxembergo tem cara de naftalina?
... os boys não botam mais naftalina com óleo de rícino no tanque das motos?
... eu não conheço nenhum político que me arrume uma teta para mamar?
... ainda tem gente que lê as bobagens que eu escrevo?

Miguel Angelo Mozzilo

Papos de balcão

Reflexões desde Simões Lopes Neto


Welington Silva Rodrigues
Doutor em Filosofia

No meu texto anterior para o blog, tentei esboçar a estrutura básica do jogo de poder existente, em especial, nas esferas pública e religiosa. Por esses dias, ao ligar a televisão num jornal médio qualquer está lá: o Senado. Eu tento, mas não consigo esquecer Maquiavel. Antes não o tivesse lido e a ignorância acerca da política real trouxesse um pouco de conforto.

Acontece que li e sei que política e ética só andam necessariamente juntas num plano ideal, pois no real parecem irreconciliáveis. Mas pergunto: que fazer então? Encerrar o assunto, abster-se, anular-se, entrar no jogo, tentar mudar, disputar ideias, espaço, poder?

Em meio a isso, lembrei do Trezentas Onças do Simões Lopes e do personagem que o protagoniza.

Trata-se de um tropeiro que perde o dinheiro que levava para pagar a compra de uma carga de gado para seu patrão, mas que depois de uma “saga do herói” psicológica o reencontra. Mas o protagonista, antes de reencontrar a dinheirama, supõe que o acusariam de ladrão: “E logo uma tentação ruim entrou-me nos miolos: eu devia matar-me, para não viver a vergonha daquela suposição”.

Desde que li esse conto, imagino o sujeito declamando o Imperativo Categórico do filósofo Immanuel Kant que, resumindo, é assim: age de tal modo que aquele pensamento que determina a tua ação possa ser convertido em lei válida para todos.

O tropeiro deveria, para mim, ter pensado: se todos que sentirem vergonha cometerem algum erro matarem-se, o que será do mundo, da humanidade? Morreremos todos? Mas ocorre que ele não conhece filosofia e exclama: “Ah! Patrício! Deus existe!...” E então não se mata.

Um sujeito assim seria um bom exemplo para nossos políticos: portador de um senso ético intenso, muito honesto, homem de ação, praticamente infalível para os deveres, justo, temente a Deus. Trata-se do gaúcho ideal.

Exercitemos a fantasia, continuemos o conto: daremos poder e dinheiro ao nosso tropeiro simoniano e imaginaremos o que aconteceria...

Perceberam agora porque a política, assim como a religião, é um artigo de fé? Exemplinhos: muita gente acreditava que o liberalismo democrático dos Estados Unidos tornaria o Estado menor, mas pasmos, vemos a estatização da GM. Muita gente acreditava que a esfera pública era pública, mas tem os tais atos secretos.
Quem quer crer, que creia.

Outros textos de Welington
E-mails para o autor: wsrcg@yahoo.com

Pelotas, 7h30 desta terça

video

Jango vai virar filme

Deu na Carta Capital
O cineasta Roberto Farias vai filmar a vida do presidente João Goulart - deposto no golpe de 1964.

Ele tomou a decisão depois de ler reportagens de CartaCapital com documentos inéditos dos órgãos de repressão brasileiros e uruguaios que comprovam a espionagem e o seu monitoramente durante o tempo em que viveu no exílio.

O escritor e jornalista Fernando Morais é o nome mais cotado para escrever o roteiro.

Técnico Joel Santana se queixa de preconceito por seu inglês macarrônico



O técnico da seleção da África do Sul, próximo adversário do Brasil na Copa das Confederações, o carioca Joel Santana virou febre no youtube. Um vídeo mostra seus tropeços na pronúncia do inglês. Mesmo falando toscamente o idioma de Shakespeare, Santana chegou ao que importa: à semifinal do torneio. "Tá veri godi", diria ele, acrescentando: "aime noti dogue nou". Ponto pro Santana, que aceitou falar a língua do colonizador para tentar se comunicar.

37 foram beneficiados por atos secretos

Entre os senadores favorecidos, aparecem os nomes dos parlamentares gaúchos Pedro Simon (PMDB) e Sérgio Zambiasi (PTB)

Deu no Estado de S. Paulo
A edição de atos secretos beneficiou ou obteve a chancela de pelo menos 37 senadores e 24 ex-parlamentares desde 1995.

Não há distinção partidária - PT, DEM, PMDB, PSDB, PDT, PSB, PRB, PTB e PR têm representantes na lista.

São senadores que aparecem como beneficiários de nomeações em seus gabinetes ou que assinaram atos secretos da Mesa Diretora criando cargos e privilégios. Leia na íntegra.

A existência de tantos nomes indica que a prática dos boletins reservados era bem conhecida.

Senadores beneficiados por atos secretos

Aldemir Santana (DEM-DF)
Antonio Carlos Júnior (DEM-BA)
Augusto Botelho (PT-RR)
Cristovam Buarque (PDT-DF)
Delcídio Amaral (PT-MS)
Demóstenes Torres (DEM-GO)
Edison Lobão (PMDB-MA)
Efraim Moraes (DEM-PB)
Epitácio Cafeteira (PTB-MA)
Fernando Collor (PTB-AL)
Geraldo Mesquita (PMDB-AC)
Gilvam Borges (PMDB-AP)
Hélio Costa (PMDB-MG) / Licenciado (ministro).
João Tenório (PSDB-AL)
José Sarney (PMDB-AP)
Lobão Filho (PMDB-MA)
Lúcia Vania (PSDB-GO)
Magno Malta (PR-ES)
Marcelo Crivella (PRB-RJ)
Maria do Carmo (DEM-SE)
Papaléo Paes (PSDB-AP)
Pedro Simon (PMDB-RS)
Renan Calheiros (PMDB-AL)
Roseana Sarney (PMDB-MA) / Assumiu o governo do MA.
Sérgio Zambiasi (PTB-RS)
Serys Slhessarenko (PT-MT)
Valdir Raupp (PMDB-RO) / Licenciado (ministro).
Wellington Salgado (PMDB-MG)

São Gabriel decreta 'estado de emergência' por causa da gripe suína

Deu na Folha de S. Paulo
A prefeitura de São Gabriel (329 km de Porto Alegre), no RS, decretou situação de emergência devido à suspeita de casos de contaminação de gripe suína - como é chamada a gripe A (H1N1). O país tem 240 casos confirmados, segundo o Ministério da Saúde. Leia na íntegra.

Sessão remember



Pelotenses cantam música gaudéria clássica. Hoje todos são senhores maduros. Entre eles, vemos os publicitários Sílvio Castro e Jorge Fontoura. Silvio é o terceiro da esquerda para a direita - ele é quem começa a cantar; Fontoura, o último à direita, complementa a canto. O vídeo é um depoimento da efervescência cultural dos anos 1980 em Pelotas. A música é de autoria de Fontoura e Jorge Moraes.

Ato público pelo fim da homofobia

No dia 28 de Junho, domingo próximo, o Grupo Também Pelotas vai promover um ato público de luta pela livre expressão sexual.

O dia 28 de Junho, chamado de "Dia do Orgulho Gay", marca a batalha de Stonewall, ocorrida em 1969, quando a comunidade gay e lésbica de Nova York resistiu às constantes repressões policiais no bar Stonewall.

No domingo (28), a partir das 14h, na Av. Bento Gonçalves, ao lado do Altar da Pátria, o Grupo Também Pelotas vau se reunir para debater políticas públicas na área e a experiêcia do Grupo na busca por Direitos Humanos e Isonomia.

A intençõ, segundo os organizadores, é levar ao público a militância LGBT com visibilidade e sensibilização para a causa do "fim da Homofobia!"

Imagens em tempo real no blog via celular

Nos próximos dias inauguremos em serviço novo no blog. Numa área fixa do site, manteremos uma tela de vídeo. Por esta tela, vamos transmitir imagens em "tempo real", por meio de telefone celular. Logo depois de colhermos imagens por celular de algum evento, transmitiremos da rua para o blog as imagens captadas, que poderão ser acessadas imediatamente pelos leitores.

Geração de empregos cai no RS em maio

Enquanto o país comemorava o quarto mês consecutivo de crescimento dos empregos formais, o RS registrou índices negativos na pesquisa do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados.

O número de demissões no estado foi maior do que o número de contratações. O saldo negativo foi de quatro mil postos de trabalhos. Só em maio, 88 mil gaúchos foram demitidos.

Até daqui a pouco

Jazz - 1925
Guache sobre cartão
De Stuart Carvalhais
66 x 80 cm
Coleção particular (Portugal)

Segunda-feira, Junho 22, 2009

Consulta popular indica onde prefeitura deve aplicar recursos do governo Yeda

Vinte e sete municípios da Zona Sul, Pelotas entre eles, vão receber do governo do Estado, até 2010, R$ 8,5 milhões.

Para conseguir parte dos recursos, o governo do Estado exige apresentação de projetos e consulta popular. Contudo, a consulta pode ou não seguida pelo Executivo, que tem autonomia para decidir onde e como aplicar o dinheiro.

A verba será destinada ao investimento em Educação (R$ 1,2 milhão), Segurança Pública (R$ 1,7 mi), Saúde (R$ 2,3 mi), Agricultura, Irrigação e Meio Ambiente (R$ 2,13 mi), Justiça, Desenvolvimento Social e Esporte (R$ 638 mil), Ciência, Tecnologia e Planejamento Regional (R$ 638 mil).

Em Pelotas, a data final para a população votar nas rubricas orçamentárias é 29 de junho, daqui uma semana. Na votação, os eleitores escolhem as prioridades do orçamento 2009-2010.

Os votos podem ser dados a partir das 14h, na Escola Estadual João XXIII, antigo Foro. Qualquer cidadão pode votar nos projetos inscritos. Para tal, basta apresentar título de eleitor.

A consulta é gerenciada pelo Conselho Regional de Desenvolvimento da Região Sul (Corede Sul) e pelo Conselho Municipal de Desenvolvimento Sustentável e Trabalho (Comdest). Contudo, ela pode ou não ser seguida à risca pela prefeitura, que tem autonomia para decidir como e onde aplicar os recursos.

O município que registrar maior participação de eleitores na consulta ganhará bônus em espécie.

Comentário meu
Mesmo que a verba de R$ 8,5 milhões viesse toda para Pelotas, o que não ocorrerá, representaria pouco diante do orçamento e das necessidades da cidade. O orçamento pelotense, considerando apenas administração direta, é de R$ 250 milhões anuais. Somado aos recursos de fora, chega a R$ 300 milhões - dinheiro para investimentos. Se considerarmos a administração indireta (autarquias, como Sanep etc.), o orçamento chega a R$ 440 milhões. Mesmo esse volume (R$ 440 milhões), porém, é considerado pelo prefeito "pouco", que dirá a verba do governo estadual.

PF e IF-Sul incineram 200 quilos de drogas

A queima de mais de 200 quilos de maconha, cocaína e crack apreendidos na Zona Sul do estado marcou nesta segunda (22) o início da Semana Nacional Antidrogas em Pelotas.

A ação, realizada pelo Instituto Federal Sul-rio-grandense (IF-Sul) e pela Polícia Federal, teve caráter educacional e reforçou a importância da escola na conscientização dos jovens sobre a questão.

Sob temperatura de mais de 1.000ºC, os entorpecentes foram incinerados no forno do curso técnico em Mecânica, reativado após 10 anos. A eliminação das drogas segue determinação da lei e foi realizada em Pelotas pela primeira vez.

“Estamos queimando aquilo que tem estragado a vida de muitos jovens no país”, disse a pró-reitora de Desenvolvimento Institucional do IF-Sul, Janete Otte, que representou o reitor Antônio Brod.

Para o delegado-chefe da PF em Pelotas, Alexandre Lourenço Pauli, a comunidade vem colaborando com a polícia. Boa parte das apreensões na região foi feita por denúncias.

197 anos de Pelotas será festejado com cultura e jantar do "Bicentenário"

A prefeitura preparou para os dias 4 e 5 de julho uma programação de atividades culturais pelos 197 anos de Pelotas, comemorado em 7 de julho.

No sábado, a partir das 14h, haverá desfile de 12 bandas escolares. No domingo, as comemorações prosseguem no Parque Dom Antônio Zattera, a partir das 14h, com shows musicais e a execução dos hinos nacional e de Pelotas na voz da cantora Giamarê. Haverá ainda "mateada", brinquedos infláveis, concurso de skate e grafitagem.

Na segunda (6), está marcado o lançamento oficial das festividades dos 200 anos, que será comemorado em 2012. O evento será registrado com um jantar por adesão para 500 pessoas. O jantar ocorrerá a partir das 20h, no Tourist Executive Hotel. Os convites estão à venda no gabinete do vice-prefeito, ao preço de R$ 60.

A morte em Veneza

E alguns paralelos com Pelotas em relação aos efeitos da luz e do tempo sobre os nossos sentidos


Marcos Macedo
Economista

Domingo ocorreu o solstício de inverno no hemisfério sul, quando o sol atingiu seu mais forte declínio boreal. A luz do sol incide nesse momento a pino sobre o Trópico de Câncer, no hemisfério norte. Daqui a 6 meses, lá por 22 de dezembro, ocorrerá o solstício de verão, e será a vez de a luz do sol incidir a pino sobre o Trópico de Capricórnio, paralelo imaginário que passa sobre o estado de São Paulo.

Por estarmos em latitude ao sul desse trópico, nós em Pelotas nunca temos o sol sobre nossas cabeças, mesmo no verão. Só experimentamos isso quando viajamos para o norte, num deslocamento latitudinal dentro do Brasil que para nós é cheio de significados, de estranheza, como se viajássemos para o diferente, dentro de nosso próprio país.

Esse sentimento nosso conhecido do viajante latitudinal foi explorado por Thomas Mann nas novelas “A Morte em Veneza” e “Tonio Kroeger”, escritas no período em que o autor viveu em Munique, na Baviera católica, sul da Alemanha, bastante diferente da terra natal de Thomas Mann, a Prússia protestante do norte alemão.

Tonio Kroeger, que vivia em grandes cidades mas tinha o “coração morto”, viaja para o norte para rever sua cidade natal, no Báltico, após 13 anos de ausência. Caminha pela cidade úmida em que “logo se chegava ao destino”, pois “tudo era tão estreito e perto”, com a “cabeça inclinada contra o vento”, “o amigo selvagem de sua infância”, que de tão forte “impedia a conversa”, o sol de inverno apenas “um pobre brilho leitoso e débil atrás das camadas de nuvens”.

Gustav Aschenbach, de uma Munique úmida e fria, deseja viajar para o sul, para Veneza, a “cidade mais inverossímel”, para alcançar o estranho e o sem relação, o quimérico diferente, a distância. Lá o sol queima-lhe o rosto e as mãos, o ar salino fortalece seus sentimentos, sente as lufadas de vento morno do Siroco, que lhe produz ao mesmo tempo “excitação e abatimento”. Von Aschenbach encanta-se com o jovem de 14 anos Tadzio, persegue-o por Veneza, e acredita ter encontrado a beleza ideal. Soa pedófilo.

Fora essa grave mancha, as sensações dos viajantes latitudinais de Thomas Mann nos são familiares. Conhecemos o efeito nos sentidos que causa o avanço em direção à luz do sol a pino, a mudança da luz e dos ventos, a fuga da umidade e desse nosso sentimento de separação em relação ao resto do Brasil. E também o inverso: o retorno das grandes cidades do norte para a Pelotas natal do minuano, em que o sol nunca fica sobre nossas cabeças, como se aproveitássemos uma luz apontada para outro lugar, e estivéssemos distantes de tudo, até do próprio sol.

A Morte em Veneza & Tonio Kroeger
Thomas Mann
Editora Nova Fronteira
162 p.


Cinco anos da morte de Brizola



Reveja um momento inesquecível das relações política-imprensa no Brasil. O único político brasileiro que conseguiu a façanha de garantir um direito de resposta de três minutos, em pleno Jornal Nacional, da Rede Globo. Sobrou até para Roberto Marinho, o ex-todo-poderoso do Sistema Globo, já falecido. Ontem, 21 de junho, fez cinco anos da morte de Leonel Brizola. Ele faleceu de ataque cardíaco, aos 82 anos, em 2004.

Sessão remember



O professor Jorge Fontoura, hoje proprietário de agência de publicidade em Pelotas, fez história como compositor e músico também. No clipe acima, vários rostos do passado, hoje um pouco mais maduros, desfilam em cenas num "baile" no clube Caixeiral, no Laranjal etc. De repente, você se encontra aí, curtindo a vida ao som do Fontoura. Ele é o "garoto" de óculos escuros e barba, tocando guitarra e cantando para alegrar a vida.

Charge da hora





Gustavo Ramos Zimmer.
E-mails para o autor: gustavo_zimmer@yahoo.com.br

Domingo, Junho 21, 2009

Puro prazer



Música-tema do filme Gran Torino, de Clint Eastwood.
Beleza pura, assim como o filme.
Dedicada a todos os leitores que gostam da gente.

Leia mais
Gran Torino confirma maestria de Eastwood

Verdades sobre Pelotas

Mais abaixo, resposta do professor Carlos Valério, idealizador, criador e proprietário da Escola Mario Quintana, em Pelotas, em entrevista recente ao blog.

Faço minhas as palavras dele, que observa algo tão verdadeiro quanto a umidade da água.

Nós mesmos aqui no blog, com a "petulância" que tivemos de criar este espaço, sentimos na carne vez ou outra tentativas rasteiras e inúteis de nos desqualificar. Todas feitas por pessoas anônimas, ou seja, muito corajosas... Algumas delas ao ponto de forjar documentos, como um caso no momento em investigação na Polícia Federal. Clique aqui para entender.

Quem não teve oportunidade de ler a entrevista de Carlos Valério, clique aqui. Vale a pena.

Blog - O Sr. falou que Pelotas é uma cidade conservadora em alguns aspectos. Falou também em jogo baixo para impedir os novos empreendedores. Por que?

Carlos Valério - "Pelotas, como sabemos, é a cidade dos boatos. Alguns nichos conservadores são assim. Quando surge alguém com ideias próprias e avançadas, buscando estabelecer-se no mercado, o feudo se inquieta.

Sem argumentos para se contrapor à razão e à qualidade daqueles que procuram inovar, partem para a velha prática de tentar macular a idoneidade pessoal e profissional dos que ousam modernizar a produção, o trabalho, os serviços, como tentaram fazer conosco.

Mas quando se tem uma boa ideia, capacidade de trabalho e determinação, não há o que possa vencer os que se arriscam, como aconteceu conosco. Estamos aí há 13 anos".

Mendes diz que registro profissional de jornalista perdeu sentido

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gimar Mendes, disse neste domingo que o registro profissional de jornalista no Ministério do Trabalho perdeu o sentido após decisão da Corte que acabou com a exigência de diploma para exercer a profissão.

Mendes reiterou que há possibilidade de outras profissões serem desregulamentadas, no entanto, não quis especificar quais são essas áreas.

Tango rasteiro, mas bem humorado



Tango do compositor e cantor Ricardo Pinho, gaúcho.

Silêncio estrondoso

Deu em O Globo

Banda muda
De Elio Gaspari:

É ensurdecedor o silêncio da banda boa do Senado diante da abertura do porão de malfeitorias praticadas na Casa.

Propuseram oito medidas moralizadoras, todas relacionadas com o funcionamento da burocracia. É o triunfo da Doutrina Jabuti. Por mais ágeis e vorazes que eles sejam, jabutis não sobem em árvores. Esqueceram-se de pedir qualquer providência que leve à perda do mandato dos senadores que tenham ofendido as leis.

Paixões diagonais (bom domingo)

Do que fala a madrugada
O murmúrio na calçada
Os silêncios de licor
Do que fala a nostalgia
De uma estrela fugidia
Falam de nós, meu amor

Do que sabem as vielas
E a memória das janelas
Ancoradas no sol-pôr
Do que sabem os cristais
Das paixões diagonais
Sabem de nós, meu amor

Porque volta esta tristeza
O destino à nossa mesa
O silêncio de um andor
Porque volta tudo ao mar
Mesmo sem ter de voltar
Voltam por nós, meu amor

Porque parte tudo um dia
O que nos lábios ardia
Até não sermos ninguém
Tudo é água que corre
De cada vez que nos morre
Nasce um pouco mais além

João Monge e Miguel Ramos

Sábado, Junho 20, 2009

Puro prazer

Foto de Graham Owen nos relembra o mistério da criação.

Ajuris premia trabalhos sobre João Simões Lopes Neto. E Schlee receberá "300 onças"

Aldyr Schlee (esq.), no momento em que dizia "sim" ao prêmio a ele concedido
Ars Longa
Crônica de Cultura

Ontem (19), à noite, a Associação dos Juízes Gaúchos (Ajuris) divulgou os resultados de seu concurso de redação sobre a obra de João Simões Lopes Neto, e lançou o nº 17 de sua revista Caderno de Literatura, com dedicação especial ao escritor pelotense.

Aldyr Garcia Schlee presidiu e Paula Mascarenhas e Daniel Castiglioni formaram a comissão que julgou os 40 trabalhos apresentados em quatro categorias: livre, nível universitário, médio e fundamental. Esperavam-se, assim, quatro prêmios principais.

No relatório da comissão, lê-se que foram descartadas todas as 28 dissertações dos níveis fundamental e médio, por erros ou impropriedades inadmissíveis. Na categoria universitária, a comissão aceitou somente um dos sete trabalhos, o qual recebeu uma menção honrosa.

Na categoria Livre – única onde houve finalmente premiação – três trabalhos foram tidos como inadequados e dois foram considerados aceitáveis.

A comissão desconhecia os nomes dos autores, revelados ontem pelo diretor do Instituto Simões Lopes Neto, Henrique Pires, que diplomaticamente não se referiu aos detalhes acima.

Vencedor da categoria Livre
Trabalho: O Negrinho do Pastoreio: Mito, Literatura e Religiosidade
Autor: Servando Germán Varela Moure.

Menção Honrosa da categoria Livre
Trabalho: Caracterização do Gaúcho em João Simões Lopes Neto
Autor: Jucelino Viçosa de Viçosa.

Menção Honrosa da categoria Universitário
Trabalho: Um Paratexto Interessantíssimo em Contos Gauchescos de João Simões
Autora: Francesca Batista de Azevedo.

Na ausência dos premiados, os diplomas foram entregues simbolicamente a três representantes de poderes públicos: do governo estadual, do executivo municipal e da Câmara de Vereadores.

"300 onças"
No coquetel de confraternização, Henrique Pires confirmou ao blog que na sexta 3 de julho receberão o prêmio “300 Onças”: Paula Mascarenhas, Aldyr Schlee e Antônio Hohlfeldt. Os três aceitaram e comparecerão.

Na foto acima, o “sim” definitivo de Schlee, advogado e escritor que ajudou a fundar o curso na UCPel em 1960 e dirigiu a Gazeta Pelotense em 1976, mesmo sem título de jornalista.

"Profissão" de jornalista estava com os dias contados depois da internet

Quarta, 20 de junho de 2009
Jornalista era (é) uma profissão em extinção. Eu desconfiava disso há algum tempo, depois de ouvir algumas palestras. Com a evolução das tecnologias, essa sensação de finitude da profissão como título acadêmico se acentuou e se tornou uma certeza.

A atividade, claro, vai continuar, pelo bem da chamada democracia. Mas, já hoje e cada vez mais, sobretudo depois da internet, todo mundo vai ser jornalista.

É bom que seja assim, já que não faz nenhum sentido que a produção da informação seja restringida, por direito acadêmico, a uns poucos. A natureza do ofício do jornalista não é como fabricar um carro ou operar um coração.

O blog Amigos é um exemplo disso. Hoje, das 12 pessoas que escrevem aqui, só um pobre diabo é exclusivamente jornalista: eu.

Os outros são: um doutor em Educação, um doutor em Filosofia, um graduando de História, um promotor de Justiça, um geógrafo, um graduando de Cinema & Animação, um economista, um graduando de Artes Plásticas, uma antropóloga (e jornalista), um psicólogo e um artista plástico.

Todos escrevem bem e, mais do que isso, têm espírito crítico, interesse pela realidade e criatividade. Alguns têm formação profunda em suas áreas.

Meu mérito nesse espaço, se tive algum, foi saber me cercar de pessoas capazes, sensíveis e inteligentes. Claro, minha experiência técnica, meu inglês macarrônico e alguns cursos extras ajudam um pouco. Contudo, tenho claro que, sem meus colegas, o blog teria menos fôlego.

Prefiro 11 não-jornalistas com a capacidade deles do que 22 jornalistas que apenas dominem o ofício técnico. Esse raciocínio prepondera entre os veículos de comunicação há muitos anos e entre muitos jornalistas também.

Com o avanço das tecnologias e o agravamento da complexidade dos problemas das sociedades, mais do que saber redigir e editar, as comunicações requerem cada vez mais pessoas capazes de interpretar os fatos, investigá-los, analisá-los e expô-los ao debate à luz do conhecimento.

Nos últimos anos, sempre que me cabe, aconselho os jovens a não cursarem Jornalismo. O Jornalismo dos velhos tempos não existe mais. No meu caso, eu sou apenas um dinossauro tentando fazer meu melhor, esperando o momento oportuno de voltar a estudar.

Estudar, recomeçar, é bom. Mesmo assim, vivemos num tempo em que um "canudo" ou dois significam pouco, mesmo para profissões altamente especializadas, como a de um neurocientista.

A velocidade da informação é tamanha que mesmo esses profissionais, se quiserem se manter atualizados, precisarão voltar à escola várias vezes ao longo de vida. Não à toa os cursos de pós-graduação viraram febre no mundo.

Mesmo alguém que seja bom jornalista, se não tiver alguma formação, terá chances cada vez menores, empurrados cada vez mais para veículos de baixa qualidade. Pior, vivendo uma insegurança desumana, muitas vezes ao preço da humilhação e do compadrio para manter o emprego.

Pedido

Alguns leitores reclamaram do posicionamento desta coluna de textos à esquerda. Preferem-na no centro, entre as duas colunas menores. O que você acha? Responda-me, por favor, aí nos comentários. Dependendo da reação, posso redefinir a aparência do blog. Os comentários não serão publicados, serão avaliados internamente. Obrigado.

Uma sugestão: a aparência do blog (tamanho e definição de letras etc.) fica melhor quando o acesso é pelo navegador Internet Explorer. Nos outros, as letras ficam menores e há algumas distorções involuntárias de edição. O que está editado de um jeito no Explorer aparece, às vezes, diferente em outros navegadores. Esse problema não é de agora, é de sempre, mas parece ter se acentuado. Navegando pelo Explorer, não há problemas.

Pensata: Curso de Letras e Educação Básica: que relação é essa?


Valesca Brasil Irala
Doutora em Linguística Aplicada

Durante muito tempo, quando se ouvia falar dos cursos de Letras, esses eram associados a estudos eruditos e clássicos, voltados a uma formação literária canônica, com forte presença do ensino de línguas mortas (como o latim e o grego) e dentro de uma tradição bastante prescritiva da língua materna (leia-se ensino da gramática normativa - aquela que diz o que é certo e errado). Naquela época, como ouvi dizer de uma professora da PUC-SP, Letras era conhecido como curso de “espera marido”.

O tempo passou e as diretrizes atuais desses cursos (articuladas com a preocupação com a formação de professores da Educação Básica) atentam-se para outros componentes curriculares, tais como a inserção de recursos tecnológicos no ensino, a presença de uma visão descritiva da língua (tal como ela existe na sociedade) e a prática pedagógica voltada para a língua em uso (em diferentes gêneros, desde a carta do leitor até análise dos chats).

Pois bem, o curso de Letras radicalizou o seu foco, apostando em uma formação voltada para questões inerentes à prática social, e o faz em extrema consonância com as avaliações externas promovidas pelo Governo Federal que operam com a noção de que o aluno em idade escolar deverá desenvolver determinadas habilidades e competências ligadas ao seu letramento em língua materna.

Essas avaliações externas (Prova Brasil, Pisa, Saeb, Enem e suas variações elaboradas pelos governos estaduais em diversas gestões) aparecem com o intuito de diagnosticar como anda a educação básica no Brasil (e compará-la com a de outros países).

Porém, a questão parece meio esquizofrênica, porque não se “pode” falar mais em currículos unificados. Entretanto, existe para a Educação Básica uma matriz curricular baseada nos conceitos de habilidades e competências fortemente centrados na leitura (direcionando portanto a natureza das habilidades e competências exigidas).

Aí é que entramos num impasse: a leitura (abraçada por uma variedade de teorias lingüísticas e literárias) como central no ensino da língua materna, encontra abrigo na formação atual dos cursos de Letras, que geram novos professores ano a ano, mas a Educação Básica ainda ensina Português, na sua grande maioria, com os pressupostos dos cursos de Letras mencionados no início deste texto.

Assim, a escola consegue passar pela tangente da maioria das propostas governamentais atuais (fortemente academicistas) para o ensino de Português. Enquanto isso, os níveis de letramento continuam baixos para uma parcela grande da população, operando, portanto, como uma epidemia sem data prevista para encontrar a vacina...

Valesca Brasil Irala é Licenciada em Letras (Português-Espanhol), especialista em Língua Espanhola e mestre e doutora em Lingüística Aplicada. Foi professora da educação básica de espanhol e português e hoje é professora da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA).

Uma carta de amor

A borboleta é frágil
vive rápido
arde depressa
é atraída pela luz
e é delicada

Lena d'Água

Sessão remember: Deogar Soares, jornalista sem diploma e com categoria

Uma homenagem, lembrada pelos colegas Niara de Oliveira e Minduim, a uma grande figura humana que foi também um dos maiores e melhores comunicadores que Pelotas gerou. O texto abaixo (sem pontuação) foi produzido no estilo em que ele escrevia, e que lembra a escrita de José Saramago. Deogar Soares nos deixou prematuramente em agosto de 2003




















Deogar Soares,
jornalista



Niara de Oliveira e Luiz Minduim
Da equipe do blog

Ele continua vivo para a sua família e para todos os seus amigos e as saudades têm a dimensão das histórias e da qualidade da obra que nos brindou

Do jornalista da melhor estirpe ético ousado e que criou esse método (talvez inspirado em Saramago) de escrever sem pontuação para driblar a censura dos duros tempos da dita e criar textos livres de fácil navegação

Do cidadão crítico comunista sempre articulando uma forma de despertar a consciência e derrotar os poderosos e de falar do que não se devia para transmitir sabedoria

Do fotógrafo talentoso das antigas em preto e branco usando e abusando de luzes e sombras para revelar aquilo que ainda não tinha sido visto para mostrar o que estava dentro e ao redor

Do cronista e de seus textos diários desconcertantes e dissonantes do Vôo Livre nas ondas da Alfa crônicas vigorosas e apimentadas aperitivo mental sempre inovador e perturbador que tornaram a sua voz inconfundível e sinônimo de credibilidade

Do amigo afetuoso parceiro com sua risada pausada e única do ser humano sensível e ciente de seu papel na comunidade onde lutava por mais compreensão e menos hipocrisia

Saudades do velho amigo Deogar sempre com uma crítica ácida a fazer uma história pra contar com um sorriso ao te encontrar

Nosso abraço e pedido de benção esse ano segue nas ondas da internet Velho
Pensamento
"É como se existisse uma máquina do tempo predeterminando como e quando cada um de nós deve nascer. A hora do indivíduo.

No meu caso, a máquina do tempo deve ter tido um crepe e aqui me pôs em hora e lugar errado. Talvez eu fosse pra amanhã. Talvez eu fosse do passado".

Deogar Soares

Fim do diploma de jornalista aboliu o carteiraço, não os cursos de Comunicação


João Alberto da Silva
Doutor em Educação

Esta semana a mídia repercutiu com grande alvoroço a notícia de que o Supremo Tribunal Federal aboliu a exigência de diploma de curso superior para a profissão de jornalista. Algumas vezes, de maneira equivocada, esta decisão judicial foi interpretada como uma intervenção sobre os cursos de comunicação social. Na verdade, está deliberação afeta diretamente o mercado de trabalho e as relações econômicas vigentes.

O que o Supremo decidiu, de fato, é que para uma pessoa atuar profissionalmente ou assinar um texto como jornalista, não precisa ter feito curso superior.

Diferentemente, isto em nada impede que alguém curse a habilitação em Jornalismo e possa aprender habilidades e competências que lhe permitam se destacar dentre os profissionais sem habilitação. O que se eliminou foi o “carteiraço”, isto é, só o fato de ter o diploma não faz do sujeito um profissional.

Vejo que, muitas vezes, a medida do STF é tratada como uma notícia apocalíptica sobre os cursos superiores. Longe disso. Estes cursos podem continuar a existir, desde que mostrem seu verdadeiro valor, ou seja, preparar profissionais que se distinguem daqueles que não realizaram formação.

Se o curso não faz a “diferença”, então teremos revelada a ineficiência de cursos específicos e não da habilitação de maneira geral.

Poucos são os profissionais que estão protegidos pela exigência de diploma superior, tais como os advogados, médicos, engenheiros etc. Pergunto-me se alguém aceitaria ser submetido a uma cirurgia com um médico sem diploma.

Se não, por que então aceitaríamos ler textos escritos por gente sem habilitação? Penso que o próprio mercado de trabalho responderá essa questão e atuará como um regulador da profissão.

Os veículos de comunicação ratificarão a ocupação de jornalista e o próprio desempenho do profissional se configurará como o “diploma” que habilita para o exercício.

Em tempos de Internet e comunicação instantânea, cai por terra o jornalismo por tradição, sustentado na exibição de títulos. Esperemos que os cursos de comunicação possam mostrar para que realmente servem e que a mídia saiba se valer dessa nova liberdade.

Outros artigos de João Alberto
E-mail para o autor: joao.alberto@ufrgs.br

Por Sarney, Lula até desafia Constituição

Deu em Veja
Brasília tornou-se uma ilha da fantasia para deputados e senadores, que usam seus cargos de representantes do povo para locupletar-se e obter vantagens para seus apaniguados.

O corolário evidente é que a capital se transformou numa imagem de pesadelo para os que pagam a conta: nós, os milhões de contribuintes; nós, as dezenas milhões de pessoas comuns. É tal o resumo da ópera brasiliense - eles, os poderosos, os "incomuns", se lixam cada vez mais para a opinião pública, para os bons modos, para a Constituição. Minam, assim, a crença na democracia e os alicerces de uma nação que almeja a civilização.

Esse espetáculo deprimente teve outra cena triste na semana passada. Seu protagonista: o presidente Lula. Leia na íntegra.

Mordomo da casa de Roseana Sarney é pago pelo Senado: Salário: R$ 12 mil

Deu no Estado de S. Paulo
O Congresso abriga mais um exemplo ilustrativo do uso de dinheiro público para bancar despesas privadas da família do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

O mordomo da casa de sua filha, Roseana Sarney, ex-senadora e atual governadora do Maranhão, é um servidor pago pelo Senado.

Amaury de Jesus Machado, de 51 anos, conhecido como "Secreta", é funcionário efetivo da instituição. Ganha, com gratificações, em torno de R$ 12 mil.

Deveria trabalhar no Congresso, mas de 2003 para cá dá expediente a sete quilômetros dali, na residência que Roseana mantém no Lago Sul de Brasília. Leia na íntegra.

Enquanto isso, informa O Globo, "o escândalo dos atos secretos do Senado faz aumentar a cada dia a lista de parentes e apadrinhados contratados secretamente e o jogo de empurra entre funcionários da Casa.

O ex-diretor de Recursos Humanos João Carlos Zoghbi apontou o ex-diretor-geral da Casa Agaciel Maia como o único responsável por manter atos administrativos secretos.

Segundo Zoghbi, Agaciel determinava por escrito o que deveria ser publicado. Seu advogado disse:

- O Agaciel é que determinava ao diretor de Recursos Humanos o que deveria ser publicado. A responsabilidade é 100% de Agaciel Maia. Zoghbi não tinha o arbítrio.

Leia mais
Sarney não convenceu
Simon defende Sarney

Voz do leitor: abandono de animais

Leitora Vera Ávila Antunes denuncia: Sempre que falamos de abandono de animais, referimo-nos a cachorros; e os gatos? Na Rua José do Patrocínio, entre D. Pedro II e Teles, foram abandonados mais sessenta filhotes de gatos que ainda não conseguem se alimentar por si. Precisei recollher, cuidar, tentar doar os que sobreviveram, pois alguns eram muito pequenos e, sem a mãe, não sobreviveram. Pedi ajuda a todos na tentativa de identificar o criminoso. A patrulha ambiental quer que eu identifique, acuse, que, assim, eles farão algo - a prefeitura nada pode fazer, dizem que não podem recolher nem cuidar, a Brigada Militar diz o mesmo: que cabe a mim o ônus da prova. O Ministério Publico não pede investigaçao, tenho que provar quem abandona. Pergunto? Por que nã temos nenhum amparo, porque vivemos numa cidade onde nada se respeita, nem pessoas nem animais? Por que o abandono de animais é considerado crime menor, se todos os atos que atentam contra a vida são considerados crime perante a lei? Quem se importar com a minha denúncia, entre em contato pelo e-mail veraavilaantunes@hotmail.com

Crônica: Castelos de areia


Carine Medina
Psicóloga e cronista

Havia alguns meses que ela não via o mar, estava ansiosa para chegar ao seu encontro. Aos poucos o cheiro de maresia foi impregnando tudo ao seu redor. Na beira da praia calmamente se abaixou e desatou as sandálias, foi sentindo a areia fina entre seus dedos, então olhou para imensidão azul na sua frente e caminhou respirando profundo até tocar na água com as duas mãos, pedindo benção para Iemanjá.

Olhou em volta, a praia estava calma, como ela imaginava, sentou-se na areia. O sol fazia carinho em sua face, uma vez ou outra, quando as nuvens permitiam. Novamente olhou para o mar.

Foi aí que aconteceu. Começou a chorar, um choro lento, contido. Lágrimas deslizavam sobre seu rosto, uma após a outra, sem cessar. Elas vinham como aquelas chuvas de final de tarde, molhando devagar a vida.

De princípio não entendeu o que se passava, preocupou-se, começou a seca-lás, concentrando-se pedindo ajuda para si mesma.

Como o choro não cessava relaxou e numa associação livre deixou tudo vir a sua mente. Misturavam-se planos esquecidos, lembranças de um passado recente, fantasias secretas, desejos ocultos. Emoções, cores, gostos e cheiros... Alegrias, tristezas, medos... Sentia-se vulnerável, porém queria mais... Entregou-se para as lembranças. Não percebeu a pequena poça que fazia na areia. Quanto mais o mundo interno chamava, mais lágrimas caiam.

Naquele momento iniciou um castelo de areia, aqueles que fazia quando menina. Deixou-se levar. E na brincadeira infantil teve o insight: Não é a toa que a lágrima é salgada.

Ristorante Vesúvio

Slow Food
Crítica de Gatronomia

O Vesúvio recria entre nós o clima familiar napolitano, com seu carinho e bom-humor típicos. Esta quinta (18), já na porta fomos saudados com tal gentileza, que em segundos nos sentimos em casa. Nascido em Pompéia, a cidade do Vesúvio, o seu Giuseppe fundou a empresa nos anos 60, na zona do Porto, estando há duas décadas com sua casa própria na Marcílio Dias. Hoje com 81 anos, ele trabalha ativamente, toma os pedidos e conversa com os clientes como se fossem seus filhos.

A comida caseira é a marca do Vesúvio, concentrada nas massas fabricadas ali mesmo: ravióli, rondelli, canellone, lasanha, nhoques, espaguete, talharim, macarrão e penne, com 14 opções de molho (bolonhesa, calabresa, carbonari, napolitana, vesuviana, pesto e outros).

Também há risoto, filés, frango, saladas e canjas. Para abrir o apetite, o pão com molho de tomate quente e queijo ralado (R$ 3, a partir da segunda porção) e gostosos petiscos: polenta, ravióli frito e tirinhas de frango.

Escolhemos o talharim à putanesca, molho que na receita da casa inclui: tomate, atum, cebola, azeitona, alcaparras, alho, tempero verde, tomate seco – um conjunto de sabor rico e intenso, mesmo sem sal nem pimenta. A massa, que deveria impor sua presença em volume e suavidade, não esteve à altura do consistente molho, magra e levemente dura.

A porção inteira (R$ 25) serve 3 pessoas. A salada verde (R$ 6) é mista: alface e tomate, muita cebola e ainda um pouco de beterraba e cenoura raladas. Há dezenas de bons vinhos, de variadas origens.

Além do salão principal, para umas 80 pessoas, há no piso superior um ambiente menor, ainda mais acolhedor e também livre de fumo. A música de fundo é sempre italiana, desde tarantelas a trechos de óperas. Em dias de semana, a casa atende somente à noite; sábados, domingos e feriados há almoço e jantar. O Vesúvio tem como clientes cativos todos os pelotenses e turistas que gostam do jeito italiano de viver: boa comida, boa bebida e um tratamento cálido e amoroso.

Ristorante Vesúvio
Terça a domingo,
Marcílio Dias 1090 esquina Voluntários

Até daqui a pouco

Sexta-feira, Junho 19, 2009

Parceria com MBC pretende reduzir despesas de Pelotas e Rio Grande em R$ 14,3 mi e aumentar receita em R$ 13,7 mi

Os prefeitos de Pelotas, Fetter Jr., e de Rio Grande, Fábio Branco, assinaram nesta sexta (19) convênio com o Movimento Brasil Competitivo (MBC) e o Instituto de Desenvolvimento Gerencial (INDG). MBC e INDG vão ajudar as prefeituras a implantar o Programa de Modernização da Gestão Pública.

Conforme Fetter, a experiência inédita, da união de Pelotas e Rio Grande, mostra que é possível dois municípios trabalhem juntos. Ele fez uma apelo ao empresariado para que se engaje no programa, cujo objetivo maior é alavancar e capacitar a região para o desenvolvimento, complementando o serviço público com auxilio da iniciativa privada.

O diretor-presidente do MBC, o pelotense Cláudio Gastal, destacou que o Programa de Modernização da Gestão Pública é nacional. "O modelo otimizará despesas de forma integrada nos dois municípios”, disse Gastal.

Inicialmente, a meta para redução de despesas é R$ 14,3 milhões (R$ 9 milhões em Pelotas e R$ 5,3 milhões em Rio Grande). Já com relação ao aumento de receira, a meta é o incremento de R$ 13,7 milhões (R$ 6,7 milhões em Pelotas e R$ 7 milhões em Rio Grande).

Pelotas oficializa candidatura a sub-sede da Copa do Mundo de 2014

O prefeito Fetter Jr. oficializou nesta sexta (19) a candidatura de Pelotas a sub-sede da Copa do Mundo de 2014.

Ele entregou ao secretário estadual de Planejamento e Gestão e coordenador geral do Comitê Executivo do Rio Grande do Sul da Copa de 2014, Mateus Bandeira, e do representante do vice-prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, Vinicius Sinot, um ofício em que manifesta o interesse de receber uma das quatro seleções que participarão da Copa da Fifa, em Porto Alegre em 2014.

Fetter entregou também material criado para divulgar o município para os investidores em potencial. O material contém informações sobre a infraestrutura de Pelotas.

Sinot e Bandeira, ambos pelotenses, afirmaram ser embaixadores de Pelotas nessa disputa, e que trabalharão para que o município seja um dos três municípios que receberão uma seleção.

Para o prefeito, Pelotas tem plenas condições de ser uma sub-sede, e terá ainda mais em 2014, com o planejamento estratégico, recentemente apresentado e que estará concluído até 2012, ano do bicentenário do município.

Pelotas vem se qualificando para essas datas, com obras como a pavimentação de ruas, a implementação de estações de esgoto, de drenagem, valorização do meio ambiente, renovação e ampliação do setor hoteleiro, e possui restaurantes, estádios e principalmente a paixão pelo futebol, salientou Fetter.

Juiz suspende eleição do Conselho Tutelar

O juiz Geraldo Anastácio Brandeburska, da 6ª Vara Cível, suspendeu, no fim da tarde desta sexta (19), a votação para escolha dos novos conselheiros tutelares de Pelotas, que aconteceria domingo (21). Três candidatos entraram com ação anulatória do processo eleitoral, que questiona a prova escrita, realizada dia 3 de maio, como requisito de elegibilidade.

De acordo com o procurador geral do Município, Saad Salim, os candidatos afirmam que a prova continha conteúdo não exigidos nem no regimento nem no edital. Além disso, a anulação de três questões teria beneficiado candidatos que não atingiram o número mínimo de acertos.

Os candidatos reivindicam o cancelamento da eleição e a anulação da prova realizada. O juiz suspendeu por ora apenas a realização da votação. Salim diz que a prefeitura avaliará o caso e depois disso contestará ou não. Depois disso, uma nova eleição deverá ser marcada.

"O processo eleitoral do Conselho Tutelar é organizado pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente e pelo Ministério Público. A Prefeitura não faz parte de sua coordenação, apenas apóia", ressalta Saad.

Reforma do blog

Vinícius Alves Hax (esq.), consultor em Tecnologia de Informação (TI), foi o responsável pela mudança do lay-out do blog, que inauguramos há pouco.

Com a solução encontrada por ele, demos um passo a mais na caminhada rumo à inauguração de um site/blog nos próximos meses. No novo desenho, com uma coluna extra, passamos a contar com espaços melhores para os anunciantes e para a disposição dos conteúdos.

A mudança, temporária, tem outro objetivo. Ela possibilitará aos amigos leitores irem se acostumando aos poucos com o futuro desenho do site/blog, que terá ainda mais recursos gráficos e tecnológicos. Quando se muda o lay-out de publicações, a gente estranha um pouco, mas com o tempo se acostuma.

Quem precisar dos serviços de Vinícius, o telefone dele é (53) 9156-5003. Pela minha cara aí na foto, você pode ter ideia da satisfação proporcionada pelo bom trabalho de Vinícius. Esse vale o "merchan".

"Servilino", o servidor público capacho

O Servilino é um pobre de espírito. Parente do servidor público decente, Servilino é o servidor que se agacha a qualquer decisão do chefe. Ele o faz a todo o instante, pois tudo o que anseia é entrar pro nucleozinho de “poder” no órgãozinho público onde consome sua medíocre existência com ares de grande triunfo.

Mesmo que sua repartição esteja um verdadeiro caos, por causa da incompetência administrativa de seu chefe, a ponto de prejudicar o trabalho do próprio Servilino, este se finge de cego; sequer tem coragem de pedir soluções aos superiores.

O motivo é um só: Servilino tem medo de desagradá-lo (ao chefe) e ver naufragar seu sonho de chegar ao nucleozinho local/municipal de poder. Ou ao menos vir a receber uma gratificaçãozinha extra.

Mesmo que seu cargo seja estável, Servilino vive a se calar diante dos piores atos e não-atos do chefe. Nada há que o faça recuperar a voz. Às vezes ele se olha no espelho e lamenta a própria covardia. Quanto mais velho fica, mais o sentimento de vergonha aumenta, já que Servilino é casado, tem até filhos, dos quais procura esconder inutilmente seu histórico servilismo.

Quanto menos o Servilino incomodar o chefe incompetente ou corrupto – pensa ele - mais o chefe vai gostar dele e, quem sabe, promovê-lo ao nucleozinho de poder local/municipal. Se puder, dá uma ajudazinha ao chefe em suas inconfessáveis intenções, mesmo que essas venham a prejudicar os colegas de setor do Servilino. Ele não está nem aí.

Servilino vende a alma ao diabo para se "dar bem" porque é um incompetente ou bandido igual ao chefe. Seu sentido de ética, altivez, sua vergonha na cara (se é que os teve um dia) foram pro espaço junto com sua auto-estima. Sim, porque o Servilino não se gosta nem se respeita.

O Servilino faz qualquer coisa para diminuir seu complexo de inferioridade, sem se dar conta de que, quanto mais quer bancar o superior, mais evidente fica sua barriga de cobra, como quando consegue um naco de poder e passa a tratar os antigos colegas com superioridade e desprezo.

Servilino é um puxa-saco viscoso, rastejante. Ciente disso, ele procura não demonstrar suas características ostensivamente na frente de sua mulher, com receio de que ela venha a trocá-lo por um sujeito mais altivo, mais “homem”.

Servilino, no fundo, odeia a profissão que escolheu. Ele tem raiva da própria vida, que, pouco a pouco, transformou-o numa sombra triste de seus planos juvenis.

Depois de tantas decepções, Servilino resolveu esconder sua nulidade, tornando-se um cínico carreirista, maquiavélico. Foi o papel que lhe restou, o único no qual consegue ter a sensação de que detém algum poder, de que faz "alguma diferença" da vida.

Ele não acredita mais em conceitos como "moralidade pública", pois, dentro da lei, ele se sente um "nada". Ele só se transforma em "alguém" quando consegue "enganar a lei" e passar para trás as pessoas que têm mérito e maior formação do que ele, Servilino.

Ao Servilino, um despreparado, sobrou apenas o papel de agradar e satisfazer ao chefe perverso, para continuar "a ser aceito e a ter valor". É um patético.

Há Servilinos de vários níveis. Letrados e iletrados. Os iletrados são igualmente oportunistas. Diante de um funcionário altivo que tenha se confrontado com o chefão em nome de uma boa causa, até a moça do cafezinho, puxa-saco do chefão, assume as dores deste e passa a tratar aquele funcionário com descaso, inclusive sonegando-lhe a garrafa de café, gesto, claro, que o chefão aprova.

Mestrando cria Freecycle em Pelotas

Mestrando em Informática da UCPel, Cleber Gouvêa e colegas decidiram criar um grupo do Freecycle Mundial. Objetivo, diz ele, é reunir quem possui algum objeto fora de uso, embora útil, com quem pode vir a fazer bom uso dele, auxiliando na sustentabilidade e despertando a consciência social e ambiental.

Algumas sugestões de itens a oferecer/solicitar: computadores e seus componentes (mouses, teclados, monitores), eletrodomésticos, mobiliário, brinquedos, roupas, utensílios para a cozinha, livros, ferramentas para jardinagem etc.

O Freecycle vem crescendo no país. No mundo, há milhares de grupos. Leia mais aqui.

"Pretendemos cadastrar e focar principalmente no direcionamento de objetos a Ongs e instituições carentes de Pelotas, algumas já cadastradas", diz Cleber.

O oferecimento e a solicitação de objetos é realizada a partir de uma lista de discussão na internet. Mais informações e cadastros são realizados neste site.

IF-Sul faz concurso domingo

O Instituto Federal Sul-rio-grandense (IF-Sul) realiza domingo (21), às 9h, processo seletivo para ingresso nos cursos técnicos modulares do campus Pelotas - 2.100 candidatos disputam 426 vagas oferecidas pela instituição.

Os inscritos devem comparecer com 30 minutos de antecedência aos locais de prova (às 8h30min), munidos de carteira de identidade. As carteiras de “não-alfabetizados” não serão aceitas. Os portões fecham às 8h55min.

A prova será realizada nos prédios da Escola Estadual Coronel Pedro Osório, rua General Osório, 818, e do campus II da Universidade Católica de Pelotas (UCPel – Diocesano), rua Almirante Barroso, 1202. Já a dos cursos técnicos subsequentes será realizada no campus Pelotas do IF-Sul, Praça Vinte de Setembro, 455.

Os candidatos podem verificar prédio e sala no site www.ifsul.edu.br ou www.cefetrs.tche.br.

Brahma para Brahms

180 dias depois,
a pergunta persiste:
onde foram parar as novas cadeiras
do Conservatório de Música?

Conservatório: propaganda grátis para fábrica de bebidas

Ars Longa
Crítica de Cultura

No Salão Milton de Lemos, inaugurado com esse nome há 68 anos, tudo está pronto para receber as futuras estrelas do Conservatório de Música: as velhas cadeiras foram retiradas em dezembro passado, o ar-condicionado está funcionando, os pianos afinados, paredes, piso e teto limpos e pintados. Mas as novas cadeiras ainda não chegaram.

O Conservatório é dirigido por Isabel Nogueira e pertence à estrutura da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

Enquanto se prolonga o suspense sobre a origem e a qualidade dos móveis, os recitais recomeçaram.

Sexta-feira passada (12) apresentou-se um excelente duo de violonistas – gaúcho e maranhense, reunidos por um projeto nacional do SESC – e para o público foi colocada uma centena de cadeiras vermelhas de uma empresa de bebidas. Nada a reclamar, pois o concerto foi perfeito e os móveis não rangeram.

Ontem (18) outro violonista tocou no Salão Milton de Lemos, no ambiente de respeito à música erudita que normalmente se respira no Conservatório, e para dia 30 de junho está anunciada a apresentação de uma pianista.

Quem e quando finalmente inaugurará as novas cadeiras?

Quinta-feira, Junho 18, 2009

Puro prazer

Protesto contra Yeda reúne 4 mil

Um protesto nesta quinta (18) em Porto Alegre contra a governadora Yeda Crusius (PSDB) reuniu cerca de 4 mil pessoas.

Os manifestantes se reuniram em frente do Ministério Público Federal, depois seguiram até a Praça Marechal Dedoro.

Eles reivindicaram que o MPF revele ainformações sobre corrupção no governo, além da instalação de uma CPI na Assembleia Legislativa para investigar os atos da governadora.

O pedido de CPI conseguiu até agora 17 das 19 assinaturas necessárias para instalar a CPI.

Manifestação pede volta de diretora

Diretora da Escola Estadual Cassiano do Nascimento, Nara Regina André de Souza Berndt, foi afastada do cargo pela 5ª Coordenadoria Regional de Educação, por supostas irregularidades administrativas. Ela deixou o cargo ontem (17).

Nara permanecerá fora do cargo enquanto durar uma sindicância aberta para apurar denúncias, informa o diretor da 5ª CRE, professor Adelino da Cunha Penedo.

Na tarde desta quinta (18), um grupo de alunos e professores fez protesto na rua Dom Joaquim, em frente da escola, pedindo o retorno da diretora.

Poloca, grande figura

Poloca (dir).


Luiz Minduim
Artista plástico

Pois é, o Poloca se foi. Fomos primos por parte de pai, Vasconcellos, mas, mais que isso, éramos amigos e parceiros, ele foi um dos responsáveis pela minha mudança para Pelotas. Explico: a Tímpano Jeans, dos três irmãos, foi pioneira na moda do jeans, das camisetas com estampas coloridas e das marcas jovens, precurssora do surfwear. A fachada da loja (foto) foi eu que pintei, numa das minhas férias em Pelotas, anos 70.

Poloca era vidradão em automolismo, tinha um fuscão envenenado, tala-larga e rebaixado, que fazia furor quando passava pelos points da cidade.

O Poloca era Rock n’roll, atitude, rebeldia e presença marcante, sempre irreverente e sonhador (Dreamer do Supertramp), falava o que lhe dava na telha, sem se preocupar com comportamento adequado e respeitoso.

Quando tratava da falsa aristocracia pelotina era curto e mordaz: "São uns pelados!"
Todos os seus chegados eram alvo de piadas, apelidos e gozações. Lembro de ir ao Madeleine, ao lado da loja da Sete, para o lanche da tardinha; ele entrava e pedia bem alto: "Me traz dois bolinhos, desses de caldo Knorr de bacalhau!"

Era bom assador e cozinheiro gabaritado. Compartilhamos de muitos churrascos e bóias caprichadas. Com o tempo aprendeu com a patroa Mara a fazer massas recheadas, o Tortei, ravióli grande com recheio de abóbora, era famoso.

Quando a Tímpano fechou, ele se mudou de mala e cuia para Caxias do Sul, a gringolândia, segundo ele, onde abriu um comes e bebes dentro da Universidade.

Com o tempo fomos perdendo o contato, mas as boas lembranças ficaram bem gravadas no departamento da saudade.

Fico imaginando ele chegando lá, no outro andar, agitando, falando alto e fazendo amizades, o que sempre foi sua maior qualidade.

Um novo escândalo no Senado

Deu no Estado de S. Paulo
A democracia representativa está em crise no mundo inteiro. A nova sociedade da comunicação não apenas estimulou o surgimento e a expansão de forças sociais, como as ONGs, mas também as incentivou a concorrer com as instituições parlamentares na tomada de decisões de interesse comum.

No bojo dessa competição, grupos econômicos, setores radicais da mídia e radicais corporativistas investem contra figuras públicas que encarnam o Congresso.

Atribuindo-lhes a responsabilidade por comportamentos impróprios que não tiveram, cometem a injustiça de responsabilizá-las por uma crise que, precisamente por isso, não é delas, mas da instituição legislativa que dirigem.

A injustiça se torna extrema quando os injustiçados estão na política há 60 anos, durante os quais construíram uma biografia marcada pela coragem de romper com um regime autoritário e pela correção de uma vida austera, de família bem composta.

Foi assim, nesse tom, praticamente com essas palavras, que o senador José Sarney tentou explicar em discurso de meia hora a origem das denúncias que não cessam de recair sobre o Senado desde que ele assumiu o seu comando, há quatro meses - tudo para se inocentar pessoalmente de qualquer participação nos escândalos que derrubaram a níveis sem precedentes a imagem da Casa.

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Fim do diploma de jornalista

Quinta, 18 de junho de 2009
O fim da obrigatoriedade do diploma de jornalista, decidido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ontem (17), põe fim a uma reserva de mercado cheia de vícios e anacronismos no país.

Realmente não faz sentido uma pessoa cursar quatro anos de faculdade para dominar um ofício, como tal, meramente técnico, já que os cursos não agregam ao currículo, de forma consistente, outras formações fundamentais ao exercício da profissão, muito menos aptidão inata, ética, juízo crítico ou capacidade criativa.

Oito semestres para diplomar-se eram um luxo, no fundo um caça-níquel para as universidades e um segundo emprego para alguns professores pouco talentosos.

Sinto pena do meu pai por ter torrado seu dinheiro para me custear os estudos na UCPel, de 1982 a 1985. Aquele curso, exceto por um professor, foi uma total perda de tempo e grana. Professor este que, não por acaso, acabou afastado da universidade.

Cheguei ao mercado despreparado e tomei muito chumbo. Vi-me obrigado a dominar o ofício prático de escrever e de editar na porrada, como se diz, moendo pedras. Essa experiência e a maturidade me deram a certeza da falência desse modelo de ensino. Com o tempo comecei a achar que os cursos de Jornalismo, para sobreviverem, deveriam ter duração menor, dois anos no máximo, ter seus currículos reformulados e serem baseados no confronto com a realidade da profissão.

De qualquer modo, o que constitui um jornalista não se limita a esse exercício - dois anos de técnica não seriam suficientes, por igual.

Há coisas essenciais que não se aprendem nessas faculdades. Algumas são inatas, como a inclinação artística e intelectual, a sensibilidade social e a predisposição para a afirmação dos valores da cidadania. Outras, igualmente essenciais, podem ser aprendidas, mas em cursos de Economia, Ciência Política, História, Filosofia, entre outros, não em escolas de Jornalismo.

Se tivessem reduzido o tempo das faculdades de Jornalismo e passado a tratá-las como especialização técnica complementar, talvez elas tivessem sobrevivido. Esse seria o modelo possível e desejável, capaz inclusive de manter alguma organização da categoria. Mas não no modelo que vigorava até ontem.

As empresas já haviam dado um jeito de contornar esse problema há muitos anos, passando a contratar profissionais não pelo diploma exclusivo de jornalista.

Na hora de contratar, passaram a ter maior peso não só a formação em outras áreas de conhecimento, mas também o domínio de línguas estrangeiras e a familiaridade com a tecnologia. Ou seja, na prática, o diploma já não valia muito, ainda que fosse uma das condições obrigatórias para a conquista de emprego.

Agora, o mercado se abre por completo. Se vai ser bom ou ruim, não sabemos. Como melancias em caminhão, as peças vão se acomodar aos poucos com o balanço da carroceria. Sobreviverão em tese as mais sólidas, muito embora a decisão do STF não garanta da mesma forma a lisura da cobertura jornalística invocada pelo presidente do Supremo, Gilmar Mendes. O dilema ético no exercício da profissão permanecerá, por inerente à atividade.

A organização sindical sofrerá um duro golpe e, possivelmente, em alguns veículos menos comprometidos com a qualidade do produto (a informação), os salários podem vir a ser mais aviltados do que já são.

Com o aumento da concorrência, os jornalistas "formados" menos preparados vão se agarrar ao osso possível. Entre veículos mais sérios e comprometidos com a qualidade, os salários podem até ser elevados, conforme a maior qualificação dos profissionais, o que já ocorre hoje.

Uma das coisas boas será ver alguns professores de Jornalismo espernearem, já que boa parte deles apenas fingia que ensinava algo de útil.

Depois de tantos anos fingindo, desenvolveram talento para o teatro. Até aqui, porém, não tiveram a coragem de reinventar-se, substituindo as salas de aula pelos palcos, onde provavelmente seriam mais felizes e mais recompensados.

Agora talvez tenhamos a chance de vê-los inaugurar um nova etapa de suas vidas. Para o bem da arte da representação, as plateias do Sete de Abril e do Guarany, por exemplo, podem estar prestes a testemunhar uma explosão de surto criativo.