Segunda-feira, Junho 29, 2009

Puro prazer

Red Morning Trouble, 1977
De Gilbert e George
Mixed media
Tate Gallery, London

Pelotas tem outros quatro casos suspeitos de contaminação pelo vírus A H1N1. Agora são sete

A Secretaria de Saúde de Pelotas ainda não recebeu os resultados das análises das amostras coletadas de três pacientes sob suspeita de estarem com a Influenza A (H1N1), ou gripe A. Os pacientes estão em casa, sendo monitorados. Ao mesmo tempo, a Vigilância Epidemiológica investiga outros quatro casos. “A equipe foi conferir as suspeitas. Se forem confirmadas a epidemiologia e clínica, faremos a coleta das amostras destas pessoas também”, contou a enfermeira Priscila Moutinho.

A demora na chegada do resultado da primeira amostra, que foi coletada e enviada ao Laboratório Central do Estado (Lacen), em Porto Alegre, na segunda-feira passada, deve-se, segundo a enfermeira, ao aumento significativo do número de pedidos de análises que o laboratório tem recebido de todo o Estado, ao longo da última semana.

O Lacen informou que contrataria hoje (29) os serviços de outros três laboratórios, a fim de agilizar os resultados das análises.

Governo prorroga redução de IPI em carros, eletrodomésticos e material de construção

Deu na Agência Brasil
O governo prorrogou por mais três meses a isenção de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) nos automóveis, com retorno gradual da taxação, depois desse prazo. Os caminhões ficam isentos do imposto até 31 de dezembro. Os eletrodomésticos da chamada linha branca (geladeiras, fogões e máquinas de lavar) ficarão livres do IPI até 31 de outubro. Além disso, foi prorrogada a desoneração de PIS Cofins nos motos até setembro, com o acordo da manutenção dos empregos no setor. Leia na íntegra.

Em dez anos, Brasil não avançou em combate à corrupção, diz relatório

Deu na BBC Brasil
Em dez anos de medição, os indicadores brasileiros de combate à corrupção não tiveram "mudança significativa", de acordo com um relatório divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Mundial. Embora tenha havido uma leve melhora nas estatísticas entre 2007 e 2008, a pequena variação dentro da margem de erro significou que este avanço foi "estatisticamente insignificante", de acordo com o critério do banco. Do ano retrasado para o passado, em uma pontuação que varia de - 2,5 a + 2,5, na qual os números positivos indicam os melhores resultados, o Brasil passou de - 0,21 para - 0,03. A margem de erro foi de 0,14 ponto. Dez anos atrás a pontuação do Brasil era + 0,10 com uma margem de erro de 0,18 ponto. Leia na íntegra.

Homem no escuro

Lendo o livro, não pude deixar de estabelecer um paralelo com Pelotas, nossos olhos voltados para um passado que não existe mais, como os turistas da Fenadoce que passeiam na volta da praça, observando prédios antigos desocupados, mal utilizados e em ruínas


Marcos Macedo
Economista

August Brill, 72 anos, é um crítico literário aposentado, que se recupera de um acidente em que quase perdeu a perna. Cheio de lembranças e arrependimentos, ele inventa histórias que conta apenas para si mesmo. Numa delas, os EUA não estão em guerra com o Iraque, mas numa nova guerra civil. Um personagem de sua própria história deve matar a ele, Brill, o inventor dessa guerra, para acabar com a destruição e o derramamento de sangue. A filha de Brill foi abandonada pelo marido. Sua neta teve o namorado raptado e morto no Iraque. O próprio Brill é viúvo. Ele e a neta se entretêm assistindo a filmes, um atrás do outro.

Um desses filmes é sobre uma jovem viúva japonesa. Seu sogro a aconselha a ser feliz, e dá-lhe um antigo relógio de família. Na cena final, a jovem viúva viaja num trem de alta velocidade de volta para casa, enquanto olha para o relógio. O trem, que avança depressa rumo ao futuro, carrega a jovem viúva, que só tem olhos para o mimo do sogro, o relógio antigo que mediu seu passado perdido para sempre.

Essa sucessão de histórias, umas dentro das outras, é considerada uma das marcas registradas da ficção de Paul Auster. Em “Homem no Escuro”, ele explora a tensão entre o passado perdido – e traumático – e a necessidade de superar a dor para seguir em frente em busca de paz e felicidade.

A leitura me fez reinterpretar um sonho que tive anos atrás, e que diz respeito também a Pelotas. No sonho, entro num prédio desocupado, onde há apenas um salão. No centro dele, uma escadaria, que tanto sobe para o segundo andar, quanto desce para um porão. Desço, e no porão encontro uma caixa com fitas VHS, em que estão gravadas toda minha vida passada. Subo as escadas de volta sem assistir às fitas nem levar nenhuma comigo. Fim do sonho. Sempre acreditei que as fitas VHS continham alguma coisa do passado que eu não tinha desenvolvido e deveria recuperar. Achava o sonho incompleto, pois faltara assistir às fitas.

Lendo “Homem no Escuro”, vi que não era nada disso. O sonho esteve sempre completo. Se eu tivesse ficado no porão para procurar algo naquelas fitas, meu tempo seria consumido em assistir a meu passado, como a jovem viúva japonesa que só tem olhos para o relógio antigo. Ao voltar pela escada eu escolhi o tempo presente e decidi parar de pensar sobre o passado. Os três pisos, aquele por onde entrei, o porão e o segundo piso, aonde não fui, representam respectivamente os tempos presente, passado e futuro.

E o que isso tem a ver com Pelotas? Não pude deixar de estabelecer um paralelo com os nossos olhos voltados para um passado que não existe mais, com os turistas da Fenadoce que passeiam na volta da praça, observando prédios antigos desocupados ou mal utilizados, alguns em ruínas, e em como nós pelotenses nos portamos muitas vezes como viúvas de um passado esgotado.

Homem no Escuro
Paul Auster
Editora Companhia das Letras
165 p
R$ 38

Esclarecimento: Cadeiras do Conservatório

"Gostaria de esclarecer sobre as cadeiras do Conservatório. Temos insistido sim, e diariamente com a reitoria, sobre o andamento do processo. Neste último concerto do Daniel Wolff, pedimos apoio para o SESC e eles trouxeram as cadeiras. Consideramos que seria melhor que o público pelotense tivesse oportunidade de assistir estes dois grandes mestres, Daniel Wolff e João Pedro Borges, mesmo que tenha sido nas cadeiras alugadas pelo SESC. A propaganda não foi por nossa conta, mas por conta deles".

Isabel Nogueira
Diretora do Conservatório

Seis meses de improviso (Brahma para Brahms)

Por que Pelotas é como é?


Welington Silva Rodrigues
Doutor em Filosofia

Por que nossa cidade é assim? Já esbocei que política e religião igualmente são artigos de fé e podem ser reduzidos à busca e manutenção de alguma forma de poder. Dada esta tese, seria intelectualmente desonesto não fornecer a antítese. Tudo tem dois lados ou dois extremos, exceto o ponto (aprendi isso em matemática há muito tempo). Diante do problema das instituições políticas/públicas, da representação que lhes caberia e do marasmo local, parece restar-nos apenas um resíduo negativo.
Há, entretanto, alguns aspectos a considerar.

Primeiro aspecto: ao contrário do que se poderia imaginar, não temos escolha entre pensar e não pensar. Nós pensamos. Somos, por definição, animais racionais. Há uma outra definição mais caricata que verdadeira: bípedes falantes, segundo a qual estaríamos desprovidos de razão. Pensamos muita besteira, é verdade, mas pensamos.

Segundo aspecto: nossas ideias determinam nossas ações. Reflexos inconscientes, automáticos e supostamente irracionais também são determinados por pensamentos que acumulamos ao longo de nossa vida; Freud explica.

Terceiro aspecto: assim como não temos escolha entre pensar e não pensar, também não temos escolha entre agir e não agir. Agimos sempre. Mesmo quando decidimos não fazer coisa alguma estamos agindo de acordo com o que pensamos. Lembram de Gandhi? Ele se recusava a cooperar, fazia muito “nada”, e no entanto mudou a história da Índia.

Em geral nossas ideias e pensamentos são invisíveis, a não ser quando agimos e as colocamos no papel, no rádio, num blog, num empreendimento, numa ONG etc. O que é visível e palpável são nossas ações, elas carregam nossas ideias e são o que vai fazer do mundo o que ele é e o que virá a ser.

Quando nos recusamos a agir, essa atitude irá repercutir. Quando um dá espaço, outro tende a ocupar. O fato de ceder lugar significa contribuir indiretamente para que alguém esteja lá: na direção da escola, na prefeitura, num ministério, determinando as diretrizes educacionais do país, monopolizando o quarto poder e por aí vai.

Podemos indagar a razão de a vida contemporânea nos manter tão ocupados e exaustos. Mas sejamos otimistas, nossas ideias governam o mundo mesmo quando não queremos. E Pelotas é assim porque aquilo de que ela é feita pensa assim. Ninguém é inocente.

Outros textos de Welington
E-mails para o autor: wsrcg@yahoo.com

Pontos de vista

Borges: cego, mas com visão

Ho Chi Minh foi garçon em Paris.
José Sarney é imortal da Academia Brasileira de Letras.

Gandhi foi livreiro em Londres.
Fetter é prefeito de Pelotas.

Jorge Luís Borges (foto) jamais ganhou o Prêmio Nobel.
Maneca Soares levou três vezes o Troféu Destaque de um colunista social.

Charge da hora




Gustavo Ramos Zimmer.
E-mails para o autor: gustavo_zimmer@yahoo.com.br

Domingo, Junho 28, 2009

Flagramos o Pelotino

Interceptamos um e-mail enviado pelo colunista social "Pelotino" a outro colega colunista. Aparentemente, ele o orienta sobre como realizar por lá uma festa parecida com a dele, Pelotino - a festa da entrega de troféus a pessoas homenageadas pelo próprio. Leiam o e-mail e façam seu julgamento:

"Querido Alaor.

Para dar a festa de entrega dos troféus é fácil... Há cerca de um mês, fiz a minha deste semestre. A noite mais charmosa da nossa city. Eu a batizei de "A Noite da Entrega do Troféu Gênios da Nossa Sociedade". Eu mesmo escolho os homenageados. Eles adoram a ideia de receber um troféu das minhas mãos, que mando comprar numa loja de esportes, e de posar para foto, que depois publico na coluna. Graças à vaidade deles eu ganho o dinheiro mais fácil da minha vida há anos. Mesmo porque eles me ajudam. Ó, faz como eu, seu bobo: logo depois de dar a notícia de que serão homenageados, já vou avisando que só receberão o troféu, porém, se conseguirem vender pelo menos oito convites para pessoas que vão ocupar as duas mesas reservadas para cada homenageado. Claro, não digo a eles, mas preciso lotar o salão, já que, com o dinheiro que ganho numa noite, consigo viver os próximos seis meses que nem vivia o Clodovil. Como eles não querem aparecer mal na foto, aceitam vender os convites. Ou seja, trabalham de graça para mim. Outra coisa muito importante para a qual precisas ficar atento. Para não teres problemas, faz como eu, bobinho: sempre peço pagamento adiantado. Com dois meses de antecedência da festa, eu cobro deles um cheque com o valor dos oito convites. Primeiro eles me pagam e depois, para reembolsar o dinheiro, ficam na obrigação de vender os convites. Todos aceitam na hora, pensando nos flashes. Depois, no dia da festa, é só armar um sorriso na hora de entregar os troféus. Sem que eu peça, eles sorriem também, assim como o fotógrafo que eu contrato e que me passa uma comissão pelas fotos que ele vender depois. Colunista social é um empregão aqui na city. Em outras palavras, eu me alimento da insignificância deles. O mais incrível é que, em cinco anos que dou essas festas, todos os homenageados aceitaram me pagar para receber o troféu, sem perguntar porque eu os escolhi. Um beijo e não te esquece: pega o cheque antes.

Saudades, muitas...

Pelotino."

Pelotino, o colunista social autor da mensagem acima

De tanto o cara implorar conosco, resolvemos publicar "Coluna Social" por um tempo. Ela era escrita por Pelotino, o cidadão ao lado. O estilo dele, com descrições pomposas e provincianas, não combinava com o blog. Mas Pelotino, que é tio de uma colega nossa, andava tão deprimido, falando até em suicídio, depois que faliu e todo mundo passou a lhe virar a cara, que descobriu que o jeito de voltar a ser aceito pela sociedade pelotina é elogiar quem o ridiculariza pelas costas. Segundo ele, as pessoas adoram ser elogiadas em publicações, mesmo que o colunista minta furiosamente. Com pena, resolvemos dar uma colher de chá ao Pelotino, desde que ele não frequentasse a redação. Ele mandava sua coluna, segundo dizia, pelo "choffer...". Mas, depois do e-mail acima, resolvemos cancelar a participação do Pelotino no blog. Se ele ainda estiver pensando em suicídio, problema é dele. Queremos ver, agora, como ele vai fazer para sobreviver, já que não poderá mais bajular ninguém em troca de favores. Será que algum dos seus homenageados será capaz de estender a mão para ele?

Leia mais
Por que os pelotenses gostam tanto de coluna social?

Chet Baker canta My funny Valentine

Pelotas tem produção científica de peso


João Alberto da Silva
Doutor em Educação

Nos últimos tempos, o trabalho científico realizado nas universidades tem sido posto em xeque. Os investimentos que o poder público realiza são consideráveis e, muitas vezes, a sociedade não percebe o retorno imediato. As pessoas têm se perguntando para o que, de fato, eles servem. Além disso, a comunidade acadêmica possui organização própria, que nem sempre é clara para quem não está inserido no meio.

Este descrédito dos pesquisadores vem, em parte, por falta de comunicação dos resultados obtidos. Normalmente, o sujeito está mais preocupado com a próxima pesquisa a ser realizada do que em se fazer entender pelo grande público.

Pelotas tem inúmeros cientistas de reconhecimento nacional e internacional que são, na maioria das vezes, desconhecidos. Como este blog tem também um caráter de divulgação, resolvi destacar três personagens do meio acadêmico da cidade. O intuito é noticiar a produção local, bem como tentar mostrar as coisas interessantes que estão sendo feitas nas pesquisas científicas.

Raquel Recuero. É uma jovem pesquisadora da Universidade Católica de Pelotas (UCPel) na área da Comunicação. Ela tem investigado as redes sociais na internet e suas pesquisas servem de referência para o desenvolvimento de ferramentas da web. Já foi consultora do Google da Índia e dos Estados Unidos.

Mara Helena Saalfeld. Médica veterinária da Emater, desenvolveu o sistema de silagem do colostro em garrafas PET. O colostro é o leite produzido pela vaca após o parto e era normalmente descartado. Ela desenvolveu um processo que armazena e utiliza o colostro, trazendo economia e melhor produtividade para os criadores.

Cesar Victora. Em 1982, Victora e equipe identificaram o nascimento de 6.000 crianças em Pelotas; 27 anos depois, ainda acompanham boa parte deste grupo. Este estudo, capitaneado pelo Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), permitiu identificar características de saúde da população e a criação de políticas públicas, com otimização dos custos. A pesquisa é tão grande que já se expandiu para áreas como nutrição, educação, odontologia e qualidade de vida. Os resultados são utilizados por diversas organizações, tais como a Organização Mundial da Saúde, a UNICEF e outras.

Penso que muitos outros nomes podem ser destacados, mas o espaço nos impede. Peço a gentileza que os leitores enviem sugestões de pesquisadores de Pelotas que têm contribuído para o desenvolvimento da ciência. Quem sabe possamos aproximar a Universidade do grande público e amenizar a impressão do cientista mal-humorado, tímido e que não consegue comunicar o que pensa, apesar da enorme inteligência.

Outros textos de João Alberto da Silva
E-mails para o autor: joao.alberto@ufrgs.br

Ah...

um privilégio ser brasileiro".

Luciano do Valle
Comentando a vitória da seleção
brasileira na Copa das Confederações

Conexões Irã - Pelotas

Domingo, 28 de junho de 2009
Pelotas não tem aiatolá, mas muita coisa por aqui, durante muito tempo, era feita por baixo de burkas, sem que ninguém ficasse sabendo. Pelotas não é o Irã, embora muitos apreciem a cultura do "Xá", mas se parecia.

Depois do advento da internet, no Irã e em Pelotas, nada será como antes. Naquele país, como se fosse possível, o governo tenta calar os protestos dos oposicionistas, anunciando até mesmo o confisco de telefones celulares para que as imagens da opressão captadas por esses aparelhos não ganhem o mundo pela internet.

Em Pelotas, ninguém se atreveria a ridículo semelhante. Mas até outro dia, por exemplo, o grupo que comandava a comunicação local decidia qual informação deveria ou não chegar até nós. E, a não ser por raras e honrosas exceções, sabemos bem a "qualidade" do que nos era (é) oferecido. Na verdade, iam mais longe, decidindo quem poderia ou não ser jornalista por essas bandas, o que explica a baixa reputação de boa parte dos profissionais locais em detrimento da valorização dos chamados colunistas sociais, acostumados a elogiar a tudo e a todos, como se a vida fosse um permanente céu cor de rosa.

Se o profissional sério ousasse exercer seu ofício como deve, os donos da mídia se reuniam em torno de uma costela gorda e selavam a sorte do sujeito. Ou o pobre se enquadrava ou acabava obrigado a deixar a cidade para exercer sua profissão. Muitos preferiram pegar a estrada no passado, para o bem de suas carreiras. Como nos tempos do faroeste, não havia lugar para a convivência dos opostos, a cidade era pequena demais para "os dois lados". Felizmente, não é mais assim.

O cenário começa a mudar por causa da revolução tecnológica, mas também pela renovação das mentalidades inclusive de alguns anunciantes, atentos à importância de veicular publicidade em espaços que possuam leitores com massa crítica e que gozem de credibilidade. Talvez seja um longo caminho ainda por aqui, mas, por evidente, um caminho sem volta.

Com a chegada da internet, aquele antigo poder provincial de censurar as "más notícias", prática que tanto mal fez às consciências, dando margem à protecionismos corporativos que por conveniência encobriam a verdade e inibiam a livre iniciativa, acabou. Grande parte dos temas proibidos começa a emergir da base dos pelegos, onde por décadas a fio estiveram escondidos, através de blogs, sites, twitters, uma nova realidade plena de benefícios à cidadania e à cultura dos pelotenses.

O grande desafio dos veículos de comunicação locais daqui por diante será saber equilibrar as coberturas e as abordagens jornalísticas, já que também as boas notícias merecem publicação. Assim como anjos e demônios nos habitam a todos em territórios iguais, as notícias e as críticas precisam refletir essa condição, recebendo tratamento mais paritário. Contudo, é preciso compreender os limites desse exercício, já que há diferenças entre o que é público e privado.

Entre um afago e uma denúncia no âmbito do poder público, a segunda será sempre melhor à sociedade, como provam as imagens fornecidas pelos celulares sobre a violência do governo no Irã ou as notícias sobre a lama da família Sarney no Senado, sobre os problemas do governo Yeda Crusius ou da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) com a Justiça.

No caso da instância pública, trazer à luz os desmandos é obrigação. Se houver concessões nessa área, como alguns veículos e jornalistas insistem em fazer, a população percebe e aqueles viram motivo de chacota.

Por que o governo federal anuncia na revista VEJA se é motivo frequente de críticas ao presidente Lula em suas páginas? Porque até mesmo Lula, que disse que não lê jornais, reconhece a "liberdade de imprensa" como um valor essencial à democracia.

Assim como há jornalistas e jornalistas, empresários e empresários, políticos e políticos, reitores e reitores, anunciantes e anunciantes, há duas Pelotas: a antiga e a moderna. A antiga, Vitoriana, embora resista em alguns nichos, faz água há muito tempo. Enquanto isso, a moderna Pelotas, aquela que dá valor ao trabalho, à inteligência e à etica, dá cada vez mais o ar de sua graça em inúmeros sinais.

Jornalistas e veículos sérios se pautam por três objetivos: buscar a verdade, fiscalizar o poder público e exercer o espírito crítico. É assim em qualquer cidade emancipada e moderna. Pois se fazer isso em Pelotas ainda é para alguns um atrevimento a ser punido (inutilmente) com a pena de banimento, para outros essa atuação (a afirmação dos valores da liberdade e da cidadania) é um valor desejável. Felizmente, Pelotas, como o Irã, nunca mais será uma ilha.

Lula e DEM tentam salvar Sarney

Deu na Folha Online
Sobrevivência política. Essa é razão que une o DEM e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na operação desencadeada nos últimos dias para tentar segurar José Sarney (PMDB-AP) na cadeira de presidente do Senado Federal.

Lula orientou o PT e aliados políticos no Senado a apoiar Sarney. Ruim com ele, pior sem ele. O presidente teme que o enfraquecimento do PMDB no Senado, Casa do Congresso na qual tem maioria instável desde o primeiro mandato, leve a uma crise política na reta final do seu governo.
Exemplo: a CPI da Petrobras ainda deverá ser instalada. Se o PMDB do Senado for estraçalhado pela crise, há boa chance de o governo pagar o pato numa investigação congressual que nasceu por iniciativa do PSDB.

Mais: Lula sabe que o socorro a Sarney tende a ser retribuído em apoio à eventual candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, ao Palácio do Planalto. O tempo de TV do PMDB e sua forte presença nacional seriam úteis na disputa presidencial do ano que vem. Leia na íntegra.

Sábado, Junho 27, 2009

Puro prazer

Em todos os agrupamentos,
quando ao menos um destoa,
a vida fica mais interessante...

UFPel cumpre prazo legal e entrega plano de prevenção a incêndio exigido pelos bombeiros

O comandante do Corpo de Bombeiros de Pelotas, capitão Sandro da Cunha Euzébio, informou ao blog neste sábado (27) que a reitoria da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) entregou dentro do prazo um Plano de Prevenção e Controle de Incêndio (PPCI), exigido em lei. O documento chegou no final do período legal dado para sua apresentação: dois meses.

A exigência do PPCI pelos bombeiros foi feita depois de denúncia protocolada por um estudante no Ministério Público Federal, no Corpo de Bombeiros e na Vigilância Sanitária. Alex Molina apontou do documento falhas estruturais e operacionais nos laboratórios do Instituto de Química e Geociências (IQG) da universidade.

Depois da denúncia, feita há 60 dias, os bombeiros vistoriaram os locais e identificaram que a UFPel descumpria a legislação de prevenção ao fogo não só nos laboratórios denunciados, mas em toda a universidade. Por isso, exigiu o PPCI.

A reitoria tem pela frente agora 10 meses para implantar o plano de prevenção ao fogo, que prevê ajustes na área física e a compra de equipamentos, como extintores, entre outros.

Insalubridade
Além da falta de um plano de precaução a incêndio, a situação de alguns laboratórios do IQG era caótica quanto à insalubridade. Tanto assim que a Vigilância Sanitária interditou três laboratórios por representarem riscos à saúde e segurança de seus usuários.

Em vistoria, durante a qual foi recebida por funcionários, uma comissão de técnicos da VS detectou, entre outros problemas, a falta de exaustores em número suficiente para expelir gases tóxicos provenientes da queima de material químico e que vinham sendo inalados por estudantes, professores e funcionários. A interdição será suspensa somente depois que a reitoria providenciar o aparelhamento adequado das instalações.

Casa Jeske de Café Colonial

Salão colonial: doces para todos os paladares

Slow Food
Crítica de Gastronomia

A professora Elizete Jeske abriu há dois meses uma empresa familiar que resgata as raízes de sua ascendência pomerana. Em propriedade de seu avô, nas Três Vendas, ela reciclou objetos caseiros, reuniu material antigo doado por famílias pomeranas e com receitas de doces e salgados fundou a Casa Jeske de Café e Cultura Pomerana.

Ao entrar, dona Elizete nos recebe como velhos amigos, e nos conta tudo sobre o museu e os costumes pomeranos que ela vem pesquisando; amistosa e falante, ela mesma é o oposto do estilo reservado que conhecemos dos colonos alemães, e nos motiva a gostar deste aspecto de nossa cultura. A Pomerânia é uma província com uma parte na Alemanha e outra na Polônia; imigrantes que já no século XVIII chegavam ao porto de Rio Grande eram identificados como alemães ou “polacos”.

O salão de café colonial tem uma grande mesa cheia de doces e salgados, a maioria artesanais, com espaço para 50 pessoas. Além de café, leite e chás, podemos escolher entre doces de frutas, embutidos, pães, queijos, biscoitos doces, cucas, torresmo, banha, nata, margarina, pepino em conserva, pudim, dona-berta (risóli), rosa-do-mar e sucos de frutas.

Elizete: origens pomeranas à mesa

Também se vendem produtos artesanais de Morro Redondo, Cascata e Turuçu: vinho tinto, suco de uva integral, pessegada, goiabada, geleia de uva (a vapor, não cozida) e doces de frutas da zona (pêssego, figo, laranja, araçá, amora, pitanga), de abóbora e doces com pimenta. Turistas uruguaios e portugueses adoram estes últimos.

No atendimento normal, o consumo é livre (R$ 15 por pessoa). Podem-se agendar visitas em grupo, por preço menor. Há quem venha almoçar ou jantar, sempre à base do café colonial pomerano. O preço e a qualidade são mais convenientes que os locais turísticos da Serra Gaúcha.

Jeske’s Kaffeehaus und Pommeranischekultur.
De quinta a domingo, das 15h às 21h.
Fernando Osório 3282, terceira casa após a entrada para o aeroporto. Há estacionamento próprio.

Outras críticas gastronômicas de Slow

Cena de um filme inesquecível



O filme se chama O sentido da vida, de 1983. Seus autores pertencem ao grupo inglês Monty Python, conhecido por seu humor cínico, sarcástico. Neste trecho acima, um católico explica a seus filhos porque terá de doá-los para experiências científicas, já que o Vaticano proíbe métodos contraceptivos. Todos cantam "o esperma é sagrado".

Lula já admite retorno em 2014

Deu no Jornal do Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu ontem que pode voltar a disputar a Presidência da República em 2014 se a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, sua candidata a sucedê-lo nas eleições de 2010, perder as eleições.

Em São Paulo, ele também disse que a possível candidatura de Ciro Gomes (PSB-CE) ao governo estadual "daria trabalho" a seus concorrentes.

– Se a Dilma for eleita, eu vou torcer para ela fazer o melhor que alguém possa fazer neste país para ela ser candidata à reeleição. Ora, se for um adversário que ganhe, aí sim, pode estar previsto: 'Bom, em 2014 é possível voltar' – afirmou Lula em entrevista ao grupo de comunicação RBS, em Porto Alegre.

Presos filipinos homenageiam Michael Jackson dançando "thriller" de novo



Cerca de 1.500 presos de um presídio na ilha filipina de Cebu homenagearam o cantor Michael Jackson neste sábado (27), dançando os passos de "Thriller", apresentação que já tinha tornado os detentos famosos no YouTube.

Conferência discute educação em Pelotas

Nas próximas segunda e terça (29 e 30), ocorre em Pelotas a Conferência Municipal de Educação. O evento começa às 8h. O credenciamento será no auditório do Colégio Municipal Pelotense. Veja a programação.

Sexta-feira, Junho 26, 2009

Puro prazer

A cultura chinesa do sexo é amável, doce e misteriosa.
As rosas de Luo Fa Hui são misteriosas, úmidas, doces e macias,
têm uma tranquila beleza, embora remetam à decadência.

Luo Fa Hui vive e trabalha em Pequim.

Você gostaria de participar?


Ars Longa
Crítica de Cultura

Você gostaria de participar de uma experiência artística? Com esta pergunta, Ricardo Basbaum (foto) começa um diálogo possível com pessoas ou grupos dispostos a gerar uma ação artística comunitária. Em 1990, ele concebeu um objeto metálico, sem utilidade ou significado muito claros, propondo que cada interessado se responsabilize por ele durante uns dias ou semanas e depois relate a sua experiência.

O objeto recebe o nome do projeto de Basbaum: Novas Bases da Personalidade. No site NBP, 118 experiências já foram relatadas com 26 objetos ao redor do mundo, e um deles veio dar em Pelotas.

Nesta quarta-feira (24), o artista esteve no auditório do Instituto de Artes e Design explicando sua proposta, e anunciou que em agosto ele voltará, ficando entre nós por três semanas para coordenar uma experiência comunitária com 3 objetos NBP. A ação artística não tem um público específico, mas a difusão está sendo focada nos setores educacionais e artísticos.

Ricardo Basbaum formou-se em Biologia e se especializou no campo artístico. Paulista radicado no Rio, ele pode ser considerado um crítico, curador e teórico de arte moderna, além de criar instalações, performances, objetos e intervenções.

Seu projeto NBP não tem um norte claro nem interpretações evidentes; somente uma proposta aberta, com alguns conceitos de fundo (imaterialidade do corpo, materialidade do pensamento e logos instantâneo). Mas essa aparência vaga não significa que não possamos entrar na aventura da experiência. Afinal, a vida, o amor e o universo também não são assim?

Fetter decreta "Alerta Epidemiológico" em Pelotas - e quer contratar médicos

O surgimento de um terceiro caso suspeito de contaminação pelo virus H1N1 (gripe suína) na cidade fez com que o prefeito Fetter Jr. decretasse nesta sexta (26) "Estado de Alerta Epidemiológico" em Pelotas. Durante sua vigência, Fetter pretende contratar médicos em caráter temporário, para atuar na Rede Ambulatorial.

A decisão, alerta a prefeitura, é preventiva - e não deve ser confundida com o “Estado de Emergência” adotado por outros municípios, como São Gabriel, nos quais foram suspensas as aulas escolares e outros eventos com aglomerado de pessoas.

Para conseguir as contratações temporárias, o prefeito precisará de aprovação da Câmara de Vereadores.

O Decreto nº 5.183 leva em consideração o Estado de Pandemia Nível 6 adotado pela Organização Mundial da Saúde, em razão da disseminação do Vírus da Gripe A H1N1 em todos os continentes; a ocorrência de vários casos confirmados na Argentina, Chile e Uruguai e municípios próximos a Pelotas; e a ocorrência de casos suspeitos na cidade.

Até às 19h desta sexta (26) os exames feitos nos três pacientes suspeitos de contaminação na cidade não haviam chegado do Laboratório Central do Estado (Lacen), de Porto Alegre.

Derrubada liminar que proibia realização do Enem em outubro próximo na UFPel

A Procuradoria Regional da 4ª Região derrubou, por "agravo de instrumento", decisão judicial que proibia a realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como mecanismo de ingresso na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), em substituição ao vestibular, a partir de 2010.

O exame está previsto para outubro próximo. A realização do Enem havia sido proibida pelo juiz Éverson Silva, em resposta à manifestação da Procuradoria da República em Pelotas contrária ao exame neste ano.

No agravo de instrumento, a desembargadora federal Maria Lúcia Luz Leiria, relatora, escreveu:

"Consoante se vê na disposição expressa no art. 51 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei 9.394/96, que as normas de seleção pública e admissão de estudantes nos cursos de ensino superior da rede pública se inserem na autonomia universitária prevista na Constituição. E considerando que, conforme Nota Técnica do Ministério da Educação, a prova do Enem, que será aplicada, cobrará os mesmos conteúdos curriculares da escolas de ensino médio que são exigidos pelos vestibulares, mudando apenas seu formato, não verifico qualquer mácula ao referido dispositivo legal, ou prejuízo aos estudantes, pois todos serão submetidos ao mesmo exame. Ante o exposto, dou provimento ao agravo de instrumento, nos termos da fundamentação".

Leia mais
Entenda melhor o caso

Morte de sócio-proprietário do Café Aquárius muda hábitos da cidade

Antônio, abaixo, diz que em 30 anos só viu o café fechado uma vez antes de hoje
video

Com a morte ontem (25) de Joaquim Rodrigues, sócio-proprietário do Café Aquárius, as portas do tradicional estabelecimento de Pelotas, espécie de coração da cidade, permaneceram fechadas durante todo o dia de hoje. Nas portas cerradas foram colados convites para enterro. O Café volta a funcionar a partir de amanhã, sábado.

Mesmo com o fechamento do lugar, os frequentadores, fiéis ao hábito de décadas, aglomeraram-se na calçada em frente e nos arredores de ruas próximas. As rodas de conversa continuaram, todos comentando a morte de Rodrigues e outros fatos da vida da cidade.

Houve aglomerações também em outros estabelecimentos, doçarias que servem café e demais lancherias, que registraram movimento superior ao habitual. Segundo um dos frequentadores do Café, foi a segunda vez em 30 anos que viu o local fechado.

Joaquim Rodrigues é um personagem ligado fortemente à história da cidade. Ele pertencia a uma família de imigrantes portugueses que se estabeleceram em Pelotas há mais de 100 anos.

Puro prazer

A União da Terra e da Água
c.1618
Óleo sobre tela
222.5 x 180.5 cm
Museu Hermitage, S.Petersburgo, Russia

Obra prima de Peter Paul Rubens, pintor barroco holandês.
(28 de Junho de 1577 - 30 de Maio de 1640)

O que é o Orgulho Guei?

Mauriccio Paz e Marcos Potenza
Coordenadores do TAMBÉM Pelotas
Grupo pela livre expressão sexual


Dia 28 de Junho é uma data significativa para a militância LGBT (Lésbicas, Gueis, Bissexuais, Transexuais e Trangêneros). Foi em 28 de junho de 1969, apenas uma semana depois da chegada do Homem à Lua, que explodiu uma rebelião nas ruas de Nova York contra a repressão policial sobre o bar Stonewall e seus frequentadores: lésbicas, gueis, travestis, estudantes, latinos e populares. A data ficou na memória como o primeiro grande ato público contra o preconceito.

Desde Stonewall começou-se a pensar num mundo onde fosse possível todas as expressões afetivas. Faz 40 anos do primeiro levante contra a intolerância; muita coisa mudou, mas ainda há uma longa jornada.

A expressão “orgulho guei” surgiu para definir o sentimento dos primeiros militantes na década de 1970. Era um momento de estufar o peito e mostrar-se. Ainda que no Brasil vivêssemos em ditadura militar, na América abriam-se as primeiras brechas para se falar de isonomia de direitos e de aceitação civil. Mas, afinal, o que o movimento guei quer?

Lutamos pela criminalização da homofobia, ou seja, pela punição por crimes cometidos por ódio a homossexuais, em conformidade com a Constituição, que prevê a não discriminação. Queremos o fim dos maus tratos aos gueis, lésbicas e travestis, sejam eles físicos ou morais.

O Estado laico deve atuar na concessão de direitos iguais, independentemente da expressão ou natureza sexual. Somos a favor da livre expressão religiosa, mas sem que determinado parâmetro religioso conduza o Estado, que deve se basear nas necessidades e anseios inclusive das minorias, pois a sociedade é diversa, múltipla e profunda e requer horizonte amplo e democrático.

Queremos o mesmo que os heterossexuais: passear de mãos dadas, casar, deixar herança, adotar, beijar em público, declarar dependente, sem que esses atos nos sejam negados ou contra-coagidos. Queremos formar família, pagar impostos, contribuir para a melhoria social, mas com liberdade! Queremos o respeito da mídia, da TV e do Rádio.

Mundialmente, o “dia do orgulho guei” é de celebração. Faz-se paradas e festas em boa parte do mundo Ocidental. Contudo, ainda há países repressores. Em sete deles, há pena de morte para homossexuais e, em 80, o homossexualismo é considerado crime. No Irã, gays são enforcados em praça pública. No Brasil, um homossexual é morto a cada dois dias.

No programa Profissão Repórter, dirigido por Caco Barcelos na TV Globo (exibido no dia 19/05/2009), a ele apresentou a história de Iago, adolescente de 14 anos que se suicidou porque era discriminado na escola. Infelizmente isso é comum.

Atualmente são realizadas no Brasil em torno de 150 Paradas LGBT. Em Pelotas, a parada ocorre desde 2002. Até 2005, era intitulada Avenida da Diversidade, coordenada pelo grupo TAMBÉM Pelotas, única organização local que trabalha com a livre expressão sexual e com legitimidade para coordenar tal evento.

A partir de 2006, a prefeitura, através da Coordenação Municipal de prevenção à AIDS, com recursos do Ministério da Saúde, que financia as paradas em todo o país, assumiu o evento, que DEVERIA ESTAR SOB COMANDO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS. Repudiamos atitudes autoritárias de governos que não respeitam as organizações civis.

Se a cultura é adquirida, conforme definiu Lévi-Strauss, também pode ser mudada. Ajude-nos, portanto, a eliminar a homofobia da nossa cultura.

Simon volta a cobrar afastamento de Sarney

Deu em O Globo
Depois de defender o afastamento temporário do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o senador Pedro Simon (PMDB-RS) criticou nesta sexta (26) a postura de lideranças peemedebistas que defendem a permanência do parlamentar no cargo.

Simon criticou, em especial, o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), que nos bastidores se tornou um dos principais defensores de Sarney em meio à crise que atinge a Casa.

Simon disse que Renan é hoje uma espécie de "rei do Senado" na tentativa de comandar todas as atividades que acontecem na instituição. "Ele [Renan] está certo, o Sarney sempre foi fiel a quem está no poder. Sai o Sarney e vai continuar tudo como está, isso só não resolve", afirmou.

VEJA, maio/1986:
proteção familiar antiga
Na opinião do peemedebista, Sarney deve deixar o cargo porque a cada dia a imagem da instituição sai mais arranhada com novas denúncias sobre contratação de familiares do parlamentar. "Isso torna a presença dele delicada", disse. O senador afirmou, porém, não haver motivos para a cassação de Sarney, como ocorreu com presidentes do Senado que renunciaram ao cargo para evitar um processo por quebra de decoro. "A diferença do presidente Sarney e seus antecessores Antônio Carlos Magalhães, Jader Barbalho e Renan é porque eles renunciaram porque iam ser cassados. Não é o caso do Sarney, ninguém pensa em cassar o Sarney", afirmou Simon.

Michael vivia do que achávamos dele

Sexta, 26 de junho de 2009

Michael Jackson teve tudo, talento, dinheiro, fama, mas aparentemente não era, para usar uma expressão rasa, um cara "feliz". Sua morte prematura, em circunstâncias ainda não bem esclarecidas, "sozinho" em sua mansão, confirma a sensação de como a vida humana é débil e precária.

Dinheiro é bom, melhor ainda quando resulta de trabalho suado, como foi o caso dele, mas nunca é o suficiente para aplacar os fantasmas que frequentemente nos assombram. Há outros exemplos de celebridades, e de pessoas "comuns", que morreram nas mesmas circunstâncias. Cercadas de bajulação, riqueza - e solidão.

Uma vez ouvi de um amigo uma frase: "Quando a gente começa a brigar com a gente mesmo, acabou". Se entendi bem, ele se referia a esse diálogo interior pelo qual somos capazes de perdoar em nós os próprios erros e dos outros sobre nós - e de nos conferir aquele bem-estar interno, ou seja, uma identidade clara, um "rosto" aceito por nós mesmos, conforto este que Michael claramente não tinha.

Suas mutações físicas, ao ponto do branqueamento da pele, da rejeição aos traços de sua origem racial, da indefinição de sua sexualidade e da representação teatral de uma paternidade presumida sob acusações de pedofilia, eram sinais grotescos de que ele brigava com ele mesmo.

Quando vemos cenas dele garoto, aparentemente de bem consigo mesmo, íntegro em sua identidade, cantando "Ben", chegamos a nos emocionar ao perceber no que podemos nos transformar quando ficamos adultos.

Ontem, depois da notícia de sua morte, lembrei da frase do amigo sobre o "diálogo interno". Para Michael, tudo talvez se tenha "acabado" há muito tempo, a partir de quando talvez nem ele soubesse, e se tenha arrastado até onde pode, prisioneiro dos conflitos que o perturbavam, da própria fama e do circo da mídia em torno dele.

Michael (esq): era ele mesmo?

Uma coisa que me chamava atenção em Michael era seu silêncio. Procure lembrar de algo que ele tenha dito de relevante, uma bobagem que seja, nos últimos 20 anos. Não nos lembramos de nada porque ele não falava. Era mossilábico. Lembramos, no máximo, de suas atitudes, igualmente reveladoras de sua confusão, como ameaçar soltar seu filho da janela de um edifício.

A sensação era de que Michael não tinha o que dizer, ou não sabia, seu juízo crítico já estava abalado. Quando passou a usar aquela máscara de uso médico e burkas, mesmo na representação teatral, ele se "escondia".

A pessoa Michael se anulou sob o mito. Era uma casca brilhante aplaudida pela multidão, fenômeno dos tempos modernos, em que o pensamento vale menos do que a imagem, embora quase sempre esta simbolize apenas as projeções pessoais do grande público. No final, Michael vivia do que achávamos que ele fosse, pois ele próprio já não sabia quem era.

Vigilância Epidemiológica não recebeu exame de caso suspeito de gripe "suína" em Pelotas

A Vigilância Epidemiológica de Pelotas informa que ainda não recebeu o resultado do exame feito numa paciente suspeita de ter contraído o vírus H1N1 (gripe suína).

A previsão, segundo o secretário de Saúde, Francisco Isaías, é de divulgação nesta sexta (26). A VS diz também que a informação será divulgada inicialmente à paciente, depois à imprensa.

Além desta paciente (uma médica), há outro caso suspeito na cidade, igualmente uma mulher. Seu exame deve ser divulgado na próxima semana. Seus nomes não foram revelados.

O material coletado (secreções nasal e oral) foi enviado ao Laboratório Central do Estado (Lacen), em Porto Alegre; de lá, seguiu para análise do Laboratório Fiocruz, no Rio de Janeiro, que fará a confirmação do resultado.

Charge da hora





Gustavo Ramos Zimmer.
E-mails para o autor: gustavo_zimmer@yahoo.com.br

Quinta-feira, Junho 25, 2009

Michael Jackson morre, diz jornal



Deu no jornal português Público
O músico norte-americano Michael Jackson morreu hoje, adiantou o "Los Angeles Times" há poucos minutos, depois de ter sido encontrado em casa sem respirar por paramédicos e ter sido levado para um hospital de Los Angeles.

Sabe-se que Jackson, 50 anos, estava em sua casa quando chamou os paramédicos, cerca do meio-dia (hora local). Segundo o capitão Steve Ruda, o cantor já não respirava quando a ajuda chegou. Jackson recebeu então uma reanimação cardiopulmonar e foi levado numa ambulância para o centro médico da Universidade de Los Angeles, Califórnia (UCLA). Segundo o jornal norte-americano, o músico chegou ao hospital já num coma profundo e terá morrido depois.

A notícia chega numa altura em que Michael Jackson se preparava para tentar um regresso a grandes espectáculos depois de anos de presença nos jornais devido a vários escândalos (incluindo o processo em que era acusado de molestar crianças sexualmente) do que pelos seus talentos para a música ou incríveis passos de dança. Tinha já marcada uma série de 50 espectáculos na Arena O2 em Londres – estavam já todos esgotados.

Nos últimos tempos Jackson estava a ensaiar este espectáculo, que teve o apoio de dois multimilionários que esperavam que estes concertos pudessem ser o primeiro passo para um relançamento da carreira de Jackson com uma trounée de três anos, um novo álbum, filmes, um museu como a Graceland de Elvis, musicais em Las Vegas e Macau e até um casino chamado “thriller”, diz o "Los Angeles Times".

Tudo isto serviria para tentar aliviar a enorme dívida de Jackson, que foi uma das famosas “vítimas” da chamada crise do subprime, com o seu rancho Neverland a ter sido salvo num último minuto de um leilão por Jackson que não conseguiu pagar a sua hipoteca.

Jackson sofreu várias metamorfoses ao longo das décadas. Do mais novo dos Jackson five - o adorável miúdo de 11 anos -, ao adolescente borbulhento, até ao autor dos passos de dança como o “moonwalk”. Isto para além de ter marcado a diferença também no vídeo, com "Thriller" a ser o mais longo, e “Bad” a contar com a realização de Martin Scorcese.

Farrah Fawcett, eterna pantera



Com sua morte, nesta quinta (25), aos 62 anos, morre um pouco da inocência dos que a assistiam em As Panteras, nas 'tevês da juventude'. Farrah participou de três temporadas da série, mas ficou marcada por seu personagem 'desimportante'. Ela continuou carreira no cinema e na tevê, chegou a superar-se como atriz em atuações excepcionais que o público brasileiro pouco conheceu.

Gripe

"O mundo é muito grande,
as fronteiras são muitas."

Presidente Lula,
minorando a responsabilidade do governo federal, durante entrevista sobre as medidas oficiais que vêm sendo tomadas para o enfrentamento da Gripe H1N1 (Gripe Suína) no Brasil.

Puro prazer

Mrs James Guthrie
Óleo sobre tela, c.1864-1866
210.7 x 138.5 cm
Yale Centre for British Art, Hartford

Heloísa Helena enfrenta processo por quebra de decoro. Até Pelotas entrou na confusão

Ex-senadora foi acusada por uma colega vereadora de ter apresentado como sendo seu um projeto de lei pelotense. Em resposta, chamou-a de "porca trapaceira"

Deu no UOL
A presidente nacional do PSOL e vereadora Heloísa Helena vai responder a um processo por quebra de decoro parlamentar na Câmara de Maceió (AL). O motivo foram os ataques da ex-senadora à atual companheira de legislatura, Tereza Nelma (PSB), no último 17.

Após ser acusada por Nelma de copiar um projeto de lei, Helena usou o plenário da Casa e chamou a colega de "porca trapaceira", insinuando que ela rouba "próteses de crianças deficientes". O processo foi protocolado nesta quinta (25) no Conselho de Ética da Câmara da capital alagoana.

Além do processo parlamentar, Nelma afirma que vai ingressar também com duas ações na Justiça - uma por danos morais e outra por calúnia e difamação. "Vamos esperar o dia 2, quando acaba o recesso, para acionarmos a Justiça também", informou.

Segundo a assessoria da Câmara, não há prazo fixado para a conclusão do processo contra Heloísa. Durante o trâmite, as duas vereadoras e testemunhas devem ser convocadas para depor. Caso a comissão conclua pela cassação, o relatório final será levado à votação dos parlamentares, que decidirão pela permanência ou não da presidente do PSOL na Câmara de Maceió.

O motivo da briga
A confusão teve início no último dia 16, quando Nelma apresentou na Câmara o que seria a prova de "legispirataria". Segundo a vereadora, Heloísa Helena teria copiado um projeto de lei do município de Pelotas (sobre prolongamento do mandato dos conselhos tutelares) e apresentado no legislativo maceioense como se fosse de autoria própria. No mesmo dia, cópias dos dois projetos (de Pelotas e de Maceió) foram enviadas à imprensa. "Eu não entendia quando a vereadora falava em 'legispirataria', mas agora eu sei. Heloísa, numa atitutde antiética, mentiu para a imprensa e estou provando que ela é quem praticou a 'legispirataria'", afirmou em discurso. Leia na íntegra.

Simon vai pedir que Sarney se licencie do cargo

Senador tomou decisão após reportagem do 'Estado' revelar esquema que envolve neto do presidente da Casa

Deu na Agência Estado
O senador Pedro Simon (PMDB-RS) informou nesta quinta (25), que subirá à tribuna esta tarde para pedir ao presidente do Senado, senador José Sarney (PMDB-AP), que se licencie do cargo. O senador gaúcho explicou que tomou a decisão de fazer o pronunciamento após a nova denúncia publicada em O Estado de S. Paulo, segundo a qual um neto de Sarney - José Adriano Cordeiro Sarney - é um dos operadores do esquema de crédito consignado para funcionários da Casa.

Simon antecipou à Agência Estado que defenderá, no discurso de hoje, que a "solução ideal" é que todos senadores integrantes da Mesa Diretora da Casa se afastem dos cargos. O senador gaúcho avalia que Sarney será sensível ao seu apelo, porque "tem inteligência política e experiência suficientes para saber que, quando as coisas começam assim, não param mais."

Na opinião de senadores, a denúncia é grave. O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), afirmou que a situação de Sarney com a nova denúncia caminha para a "inviabilidade".

O senador voltou a cobrar respostas imediatas e drásticas por parte de Sarney. "Não sei se é licença ou renúncia. Mas ele está indo mal e precisa responder com urgência. O que se desenha é uma crise institucional. Creio que seja a maior que já vi depois da ditadura militar. É uma crise maior que a do mensalão, porque envolve agora um poder mais fraco do que o Executivo", ressaltou.

Na opinião de Virgílio, a ligação de um neto de Sarney com empréstimos consignados é mais grave do que a participação do ex-diretor João Carlos Zoghbi no esquema - a Polícia Federal já investiga a atuação do servidor por meio de uma empresa em nome de uma ex-babá. "É mais agravante, no caso do Sarney, porque envolve um componente familiar, no caso, o neto ", disse.

O PSOL estuda entrar com uma representação contra Sarney ainda nesta quinta. A presidente do partido, Heloisa Helena, se reuniu pela manhã com o senador José Nery (PSOL-PA) e a deputada Luciana Genro (PSOL-RS) para analisar o tipo de representação que será formulada - se será um pedido de cassação de mandato ou para a saída dele do cargo.

"É uma situação muito difícil porque há conflito de interesses", disse a senadora Marina Silva (PT-AC). Sarney ainda não foi ao gabinete nesta manhã, mas a assessoria informa que ele irá ao Senado sem dar previsão de horário. A Casa está esvaziada devido às festas juninas do Nordeste.

Diploma, o bem desnecessário


Egídio Pizarro
Graduando de História

Um papel é algo simples, mas indiscutivelmente polêmico. Num pedaço, faz-se um desenho, coloca-se um número e pronto: o mundo inteiro vai se descabelar por aquele dinheiro. Noutro pedaço, coloca-se o nome de uma universidade, a assinatura de alguém e temos um diploma. Por sinal, o diploma se tornou desnecessário para jornalistas no Brasil. Uns chiaram, outros aplaudiram - eu, inclusive. Quando aplaudi, muitos dos que chiaram me perguntaram "Mas Egídio, imagina se alguém sem faculdade de História resolva lecionar essa disciplina ou mesmo escrever um texto sobre o assunto?"

Se eu soubesse desenhar, ilustraria este texto com um desenho: a cara que esse pessoal fez quando eu disse que historiador não é reconhecido por diploma. Infelizmente sou um péssimo fisionomista e um desenhista ainda pior. Nem diploma resolveria.

Diploma não é imprescindível para ser jornalista - ainda mais com o advento da internet. Qualquer pessoa pode cobrir uma manifestação, um acidente. O leitor é que decidirá se quer informar-se sobre a "manifestassaum" ou sobre a "manifestação"; sobre o "acidente" ou sobre o "acident kra". O diploma não perdeu seu valor. Perdeu sua supervalorização.

Sem-vergonha também não precisa de diploma. Ele simplesmente é ou não é. Um sem-vergonha diz "não sabia" e o primeiro diploma dele pode ser de presidente. Outro diz o mesmo "não sabia" e pode ter diploma até na Academia Brasileira de Letras.

O conhecimento técnico na área continua importante. Exemplo: entrevistas. Já imaginaram o Analista de Bagé entrevistando o casal Nardoni para o Fantástico?

Diploma é algo confuso. Há reitores diplomados especialistas em cérebro e mesmo assim eu não deixaria meu cérebro ser operado por um reitor. Afinal, suas atitudes nunca deixam claro se ele está capacitado para operar um cérebro ou para encarnar o simpático personagem da Warner e ficar rodeado de fiéis Pinkys.

- Reitor Cérebro, o que você quer fazer esta noite?
- A mesma coisa que fazemos todas as noites, Pinkys: tentar conquistar o mundo. Sem diploma e sem consultar ninguém.

Um novo plano de saneamento basta?


Victor Schroder
Geógrafo

Foi entregue ontem ao vice-prefeito Fabrício Tavares um plano de readequação para o sistema de saneamento de Pelotas. O documento foi produzido em 2001 pela Agência da Lagoa Mirim e pelo ITEPA, mas foi preciso a enchente de janeiro para que alguém o tirasse da “fossa” dos planejamentos esquecidos.

Em janeiro, principalmente a zona rural foi atingida por um volume de chuva recorde (mais de 600 mm), o que representa perto da metade do esperado para um ano inteiro. Não seria possível que um sistema de escoamento suportasse essa carga. Entretanto, qualquer morador de Pelotas sabe que a cidade tem dificuldades em lidar com as cheias.

O planejamento anterior data ainda da década de 1940, quando foram feitas as grandes obras do sistema de águas e esgotos urbanos: a Barragem do Santa Bárbara e a canalização deste mesmo arroio no percurso urbano, juntamente com o sistema de diques para prevenção de cheias. As coisas não eram muito diferentes de hoje: o projeto de “readequação” do Santa Bárbara foi executado com quase 10 anos de atraso.

Havia uma outra visão de natureza e de cidade: o importante era tirar as águas o mais rápido possível de dentro das zonas urbanas, não interessando o custo ambiental nem entender a lógica da natureza. O resultado foi a “morte” do arroio e o aumento do problema das enchentes em pleno centro da cidade. O sistema de diques e bombeamento de água não funciona satisfatoriamente, em boa parte por conta da falta de manutenção.

Nos dias de hoje, é preciso ter em mente que a culpa das enchentes não é dos cursos d’água, mas sim da ocupação indevida. O poder público não costuma combater ocupações irregulares – de alta ou baixa renda -, medida impopular. Na zona rural, a fiscalização da legislação ambiental é ainda mais difícil.

Tudo isto somado faz com que os planejamentos atualmente sejam apenas protocolos de boas intenções.Por outro lado, é impressionante a quantidade de lixo que impede o escoamento das chuvas. Há um caminhão do SANEP que desentope os bueiros e sempre retira verdadeiras montanhas de garrafas PET, sacolas plásticas e outros resíduos. O “pelotense padrão”, deve-se dizer, não se sente parte culpada no problema das cheias.

Novas obras são necessárias, mas fiscalização do crescimento urbano e manutenção do sistema de cheias são indispensáveis para uma cidade menos vulnerável às enchentes. Um pouco mais de cidadania também não faria mal. Gestão e planejamento são duas partes inseparáveis de uma cidade bem administrada.

Outros artigos de Victor Schroder
E-mails para o autor: victorpelotas@hotmail.com

Quarta-feira, Junho 24, 2009

RS tem a pior arrecadação do ano

O Governo do Estado arrecadou R$ 1,25 bilhão em impostos no mês de Junho. O valor foi R$ 149 milhões abaixo do previsto pela Secretaria da Fazenda. Com o resultado, este mês foi o pior desempenho do Estado em arrecadação neste ano.

STF acerta ao proibir importação de pneu usado pelo Brasil, 'ex-lixão' do mundo

Quarta, 24 de junho de 2009

Por 8 votos contra 1, o Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu a importação de pneus usados pelo Brasil. Foi uma decisão acertada.

Os que defendiam com unhas e dentes a derrubada da legislação que impedia a importação pelo Brasil de pneus usados (já remoldados ou para remoldagem aqui), faziam-no pela ótica estritamente mercantil, ao ponto de lutarem por liminares para seguir vendendo refugos que a União Européia (UE) deseja ver pelas costas.

Para estes comerciantes, tanto fazia que o Brasil virasse o lixão pneumático do mundo desenvolvido.

O governo federal analisava o caso em complexidade, considerando todos os impactos da entrada no país de montanhas de pneus de segunda mão. Os problemas extrapolavam o ônus ambiental, ameaçando a saúde e a segurança do brasileiro.

O processo de destruição de pneus inservíveis, além de caro, produz danos ambientais permanentes. Por outro lado, pneus são propícios à reprodução de larvas, em especial do mosquito, inclusive espécies exóticas, disseminadores de doenças.

Além disso, na remoldagem, a raspagem da data de fabricação impedia de saber se era respeitada a legislação que proíbe a remoldagem de pneus com mais de sete anos de vida, e a permite, num mesmo pneu, apenas uma vez. Por fim, aqueles produtos europeus são fabricados para regiões de frio e neve, inadequados, portanto, ao clima tropical.

O quadro era tal que quando era ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, em articulação com a Casa Civil, enviou ao Congresso projeto de lei para proibir de imediato a importação de pneus usados.

Até hoje, o Brasil contava apenas com a fragilidade legal de resoluções da Câmara de Comércio Exterior (Camex) e do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) para vetar a importação não só de pneus, mas de todo produto manufaturado usado.

Se o Brasil não resolvesse em definitivo a questão, como fez hoje o STF, assistiríamos de braços cruzados (e meio-sorrisos de Gioconda) a entrada anual de boa parte dos 90 milhões de pneus usados da União Européia, resíduos que, por lei, a partir de 2006, os europeus estão proibidos de desovar em seus próprios aterros sanitários. O Brasil não podia continuar aceitando uma coisa dessas.

Havia outros complicadores, detectados pela fiscalização. Alguns importadores burlavam até mesmo as poucas liminares judiciais que obtinham em primeira instância, para comercialização de pneus usados, vendendo-os sem fazer a remoldagem, condição exigida pela Justiça.

Cerca de 90% das liminares acabavam sendo suspensas em segunda instância. Porém, nesse intervalo, os importadores traziam para o Brasil a maior quantidade possível de pneus usados. Havia casos ainda de pneus sem condições sequer de servirem de matéria-prima para remoldagem.

O volume era (é) de tal magnitude espacial que o governo não possui locais para manter os pneus apreendidos ela fiscalização. A saída vinha sendo nomear como depositários fiéis os próprios importadores e comerciantes multados, o que não eliminava a possibilidade do comércio pirata.

Por aí temos idéia do tamanho e da extensão do problema. Ele não acabava aí. Quando um pneu entrava no país, para desaparecer, precisa morrer. Quem se responsabiliza pelo funeral? Não pode ser a natureza. Mas vinha sendo (continua na verdade) até aqui.

Resolução do Conama obriga importadores (e fabricantes nacionais) a resgatar e destruir, de forma ambientalmente adequada (picotando ou queimando), cinco pneus inservíveis em cada quatro que colocam no mercado.

Mesmo assim, dos 40 milhões de pneus produzidos no Brasil por ano, os fabricantes só conseguem resgatar e neutralizar a metade. Estima-se que haja no país hoje pelo menos 100 milhões de pneus inservíveis abandonados.

Pode-se imaginar o que significava a entrada no Brasil de mais toneladas de aglomerados de borracha, tecido sintético e aço. Um pneu ao léu é o último elo de uma cadeia de eventos muito mais danosa à vida humana do que os milhares de mosquitos da dengue que nele se reproduzem.

Hoje é Dia Mundial do Cigano

Poema Cigano

Nós, ciganos, temos uma só religião: a da liberdade.
Em troca desta renunciamos à riqueza, ao poder, à ciência e à glória.
Vivemos cada dia como se fosse o último.
Quando se morre, deixa-se tudo: um miserável carroção como um grande império.
E nós cremos que nesse momento é muito melhor ser cigano do que rei.
Nós não pensamos na morte. Não a tememos – - eis tudo.
O nosso segredo está no gozar em cada dia as pequenas coisas que a vida nos oferece
e que os outros homens não sabem apreciar:
uma manhã de sol, um banho na torrente, o contemplar de alguém que se ama.
É difícil compreender estas coisas, eu sei.
Nasce-se cigano.
Agrada-nos caminhar sob as estrelas.
Contam-se estranhas histórias sobre os ciganos.
Diz-se que lemos nas estrelas e que possuímos o filtro do amor.
As pessoas não acreditam nas coisas que não sabem explicar-se.
Nós, pelo contrário, não procuramos explicar as coisas em que acreditamos.
A nossa vida é uma vida simples, primitiva,
basta-nos ter por teto o céu, um fogo para nos aquecer e as nossas canções quando estamos tristes.

Vittorio Mayer Pasqualle Spatzo
Poeta cigano, in Raiz e Utopia , nº 3.4 , 1977

Pelotas e a transparência

Quarta, 24 de junho de 2009

Uma onda moralizante parece se ter instalado na Câmara de Vereadores nos últimos dias. Primeiro, o vereador Eduardo Leite (PSDB) propõe que todos os atos secretos da Casa e da Prefeitura sejam tornados públicos na internet para que a população os acompanhe.

Conversando com outro vereador, Eduardo Macluf (PP), ele me disse que pretende apresentar na próxima semana projeto no mesmo sentido moralizante. Proporá que os vereadores passem a devolver ao erário as sobras das diárias utilizadas em viagens. Hoje, se um vereador viaja a Brasília por uma semana, como ocorreu recentemente com sete deles, desfalcando a Casa, e não gasta todo o valor correspondente às diárias, embolsa a sobra, não a devolve. "Vira complemento de salário", diz Macluf.

Leite e Macluf merecem o aplauso da população por suas iniciativas. O que pensarão seus outros 13 colegas de plenário?

Depois da defesa dos projetos feita por Leite, na manhã desta quarta, o vereador Ademar Ornel (DEM) tomou lugar à tribuna com voz dissonante, questionando as intenções de Leite quando este disse que "falta transparência na Câmara e no Executivo". Contudo, não se posicionou contra (nem a favor) dos projetos.

É difícil imaginar que algum parlamentar tenha coragem de se posicionar publicamente contra aqueles projetos, já que seu mérito é inegável, vêm ao encontro dos anseios da população. Aliás, custa a crer que até hoje informações do poder público em Pelotas permaneçam protegidas pelo sigilo.

Quem não deve, não teme, como se diz. Se a Câmara e a Prefeitura são instâncias públicas, todos os seus atos devem ser divulgados, e da maneira mais clara e acessível, sem burocracias ou armadilhas semânticas típicas, por exemplo, dos contratos das empresas de Planos de Saúde.

O problema maior, talvez, resida na prefeitura, onde as informações sequer são investigadas e sistematizadas. Hoje, se alguém quiser saber como anda alguma licitação encontra dificuldades intransponíveis. Nem pense em obter dados de desempenho nas áreas da administração, como em Saúde ou Educação. Simplesmente não há indicadores a serem oferecidos com mínima segurança metodológica. Não sabemos sequer quantos alunos foram aprovados ou reprovados na rede municipal.

A população tem o dever de monitorar daqui em diante a evolução daqueles projetos na Câmara. Quem votar contra estará pensando em si, não na população. Estará preocupado em manter seus privilégios ao invés de trabalhar pela modernidade das relações do poder público com os cidadãos e a imprensa, enfim, a cidade.

Publi-cidade

Nova produção da pelotense Moviola Filmes - o curta Futebol sociedade anônima - será lançado em julho, durante a Festa da Helô.

Cenas do filme

Eduardo Leite: "O sol é o melhor dos desinfetantes"

video

Em conversa com o blog Amigos, o vereador Eduardo Leite (PSDB) fala de sua iniciativa de apresentar à Câmara, nesta quarta (24), dois projetos de lei que buscam dar transparência aos atos do Legislativo e do Executivo. Assista à entrevista.

Hoje, o cidadão não tem acesso a informações, por exemplo, como contratações, cargos e salários, concessão de diárias e seus valores, entre outros dados que o parlamentar deseja ver tornados públicos e de fácil compreensão pelos eleitores.

Leite diz que a Câmara e a Prefeitura, por sua natureza de instâncias públicas, não podem ter atos secretos - situação que, no momento, tornou-se motivo de escândalos no Senado Federal. Leite também defende que os cargos na Câmara sejam ocupados por concurso público.

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Entenda melhor os projetos

Estudantes, consciência e participação

Talvez nós, alunos, tenhamos parcela de culpa pelos problemas na UFPel, mas estamos aprendendo. E aprender exige não conjugar verbos como acomodar, parar, satisfazer ou calar


Leonardo Peixoto
Graduando de Cinema & Animação

Quem lê os meus ‘escritos’ aqui no blog sabe que sempre que tomo conhecimento de algum fato negativo sobre a UFPEL que me indigna, conto-o aqui. Considero uma forma de iniciar um debate que vise melhorias, pois o conhecimento dos fatos é o primeiro passo para um diálogo construtivo. Mesmo tendo convicção de tudo que escrevi, comecei a refletir se nós alunos também não temos lá a nossa culpa. Afinal a Universidade existe por e para nós. Até podemos ter, por falta de ação ou conformismo, mas ainda assim mostramos que queremos caminhar em frente.

Lá no Curso de Cinema, uma das questões mais reclamadas e debatidas é a falta de divulgação e de acesso a alguns filmes de qualidade em locais como Pelotas, com apenas um cinema e algumas boas locadoras de vídeo.

Então, em um curso de cinema que não possuí uma videoteca, dois alunos, com o auxílio de uma professora, tentando combater, ou ao menos diminuir esta deficiência, colocaram em prática a Matinê Alternativa (que ocorre essa semana, todos os dias as 15h45, no IAD).

No Instituto de Química, foi necessário que um aluno tomasse a iniciativa de divulgar e denunciar os defeitos e perigos da estrutura dos laboratórios para que a saúde e a vida de alunos e professores fossem preservadas.

Na odontologia, os alunos entraram em greve para que medidas fossem prometidas para que o fornecimento de materiais básicos para o atendimento da população e para a aprendizagem fosse restabelecido.

Tenho certeza de que, em todos os institutos e cursos, alunos devem estar tomando iniciativas para possuir uma estrutura básica e para evoluir dentro da sua área de conhecimento; citei apenas um caso que testemunhei e outros que tiveram maior divulgação. Afinal, o processo de aprendizado é longo e sendo assim, não podemos e nem queremos perder tempo.

Caros colegas, talvez até tenhamos alguma parcela de culpa pelos problemas enfrentados, mas nós ainda estamos aprendendo. E aprender exige não conjugar verbos como acomodar, parar, satisfazer ou calar.

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