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El Dorado vive de medo
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Segunda-feira, Julho 06, 2009
Cururu é nomeado CC da prefeitura
Confirmado primeiro caso de Gripe A em Pelotas
A Secretaria Municipal de Saúde monitora o paciente em sua casa. Ao mesmo tempo, informa a prefeitura, a SMS vem procurando todas as pessoas que estiveram em contato direto com ele, a fim de verificar se apresentam os sintomas
O caso havia sido notificado em Porto Alegre (não em Pelotas); as coletas de exame foram realizadas no Hospital Conceição. Por esse motivo, explica a prefeitura, o caso dele não aparecia nos sete registros de casos suspeitos identificados em Pelotas. Destes, um caso foi descartado (exame deu negativo); cinco aguardam os resultados dos testes e o último espera um kit para coleta do material a ser analisado.
A sala da Influenza A, específica para informações sobre a nova gripe, funciona diariamente das 8h às 17h no Centro de Especialidades, à Rua Voluntários da Pátria, 1.418. Telefone 3284-7722 (Vigilância Epidemiológica).
Yeda denunciada à Procuradoria da República
Literárias: A peste

Marcos Macedo
Economista
O formato do blog Amigos de Pelotas exige textos com regras específicas, diferentes do jornalismo impresso. Na internet, posts acima de um certo tamanho não são lidos; já no jornalismo impresso, os leitores aceitam matérias longas. Além desse aspecto técnico, um entre muitos outros, o blog tem uma peculiaridade de conteúdo: a crônica, ou seja, o conto pequeno de enredo indeterminado, só é aceito com muitas restrições, não só por causa do foco jornalístico do blog, mas porque os leitores rejeitam a crônica de tema exclusivamente pessoal.
Esse aspecto remete a um personagem de “A Peste”, de Camus: Grand, um sujeito simples e bondoso, voluntário no combate à peste. Enquanto ela progredia, matando, isolando os habitantes de Oran do resto do mundo, abrindo seus olhos e mudando seus corações, Grand se recolhia toda noite para escrever seu livro, que, uma vez pronto, faria com que todos lhe “tirassem o chapéu”.
A obra já tinha mais de 50 páginas, quando ele caiu doente, e pediu ao doutor Rieux que lhe alcançasse o manuscrito. “Queime-o”, pediu ao médico. Rieux leu-o, e verificou que “todas as páginas traziam apenas a mesma frase, infinitamente copiada, retocada, enriquecida ou empobrecida”.
Uma frase vazia sobre um acontecimento concreto: “Incessantemente, o mês de maio, a amazona, e as aléias do bosque confrontavam-se e dispunham-se de maneiras diversas”, notou o doutor Rieux. Grand escrevia como quem vive a léguas da peste, como se o que estivesse acontecendo à sua volta não lhe dissesse respeito.
Há um paralelo entre o manuscrito de Grand e os posts do blog. Os leitores do Amigos de Pelotas não se interessam por histórias que parecem a léguas de seus problemas, que se preocupam apenas com os destinos de seus autores. Estão interessados isso sim pelo que cada post conta das histórias coletivas, dos sentimentos compartilhados pelos pelotenses de todos os lugares. Interessa-lhes o que temos em comum, e não o que nos distingue e destaca uns dos outros.
Isso leva a outra dos traços do blog: ele não se dedica a fabricar grandes homens, mostrar porque uns e outros merecem distinção, como se fossem estranhos aos destinos de todos os demais, coisa comum entre nós.
A Peste
Albert Camus
Editora Bestbolso
R$ 17,90
294 p.
Outros textos de Marcos Macedo
Outras obras disponíveis na Mundial Vida líquida / Madame Freud/Os cães ladram / Um certo capitão Rodrigo / O chefão /Uma história íntima da humanidade / Mães e filhos /Chorar sobre o leite derramado/ Em busca de sentido / Os trabalhos e os dias / Vida conjugal / Doutor Jivago /Mãos de cavalo / Eles eram muitos cavalos / Ulisses e a volta para casa / O avesso da vida / A morte em Veneza / Homem no escuroPunhaladas de luz
RS e Pelotas investem pouco em Educação

João Alberto da Silva
Doutor em Educação
A legislação federal determina que no mínimo 25% do orçamento dos estados e municípios sejam aplicados na educação. Os governantes que não atingirem este percentual estão sujeitos a punições e as prefeituras e governos estaduais sofrem restrições no repasse de recursos e obtenção de benefícios federais. Esta semana, o Ministério da Educação divulgou o nível de investimento dos estados e municípios em 2008. A notícia chocante, ainda que não surpreendente, é que o Rio Grande do Sul está em último lugar, com a aplicação de míseros 18,44% na educação.
A governadora Yeda Crusius tem anunciado com certa pompa e circunstância o chamado déficit zero, isto é, o Rio Grande do Sul estaria, finalmente, com as contas em dia. De fato, os empresários, fornecedores e credores estão recebendo. A dívida, agora, se concentrou com a sociedade. O Estado tem pagado as dívidas diretas, mas está deixando de cumprir as obrigações sociais mais elementares.
Contêineres transformaram-se em salas de aula, profissionais com salários defasados, falta de transporte escolar. Estes quase 7% do orçamento que deixaram de se investir na educação, somados ao déficit na saúde, evidenciam de onde sai o dinheiro para financiar o déficit zero. A sociedade continua pagando a conta.
A Zona Sul apresenta um quadro diferenciado. Todas as prefeituras atendem as exigências da lei. O destaque vai para o município de Piratini, que investe mais de 30% na educação. Confira abaixo o percentual de cada prefeitura da região:
Piratini: 33,99
São Lourenço do Sul: 28,99
Arroio Grande 28,55
Santa Vitória do Palmar: 27,39
Pelotas: 26,5
Capão do Leão: 25,84
Turuçu: 25,74
Rio Grande: 25,61
Canguçu: 25,50
Outros textos de João Alberto da Silva
E-mails para o autor: joao.alberto@ufrgs.br
Festa
Cláudia é casada com Fernando Manta, um dos herdeiros da rede de hotéis Manta, onde ocorrerá uma das principais solenidades - o Jantar de Aniversário dos 197 anos de Pelotas, a ser realizado no Tourist Parque Hotel, às 20h de hoje.
Procurado pelo blog, assessor do vice-prefeito (autodenominado Daniel) ficou de conseguir um número telefone de alguém que possa informar como foi feita a escolha do hotel, se ele receberá dinheiro da prefeitura para realizar o jantar e quanto foi pago.
Resposta do vice-prefeito
Jornalismo: STF investe na desqualificação da informação ao abolir o diploma

Salvador Tadeo
Secretário Geral
Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS
Muitas são as opiniões sobre a decisão do STF que extinguiu a obrigatoriedade do diploma de Jornalismo para prática da profissão. Eu me deterei didaticamente ao fato, sem entrar em teses sobre a importância da educação em um país onde a democracia é recente, nem na extinção do direito de 80 mil trabalhadores que investiram recursos na sua formação, tampouco no que isso pode significar para a qualidade da informação. Os ministros do STF, capitaneados por Gilmar Mendes, quero crer que não tiveram tempo de se aprofundar sobre o que significa Jornalismo, pois, se o fizessem, certamente a decisão seria outra.
Vejamos o que diz o jornalista e professor da Universidades de Buenos Aires e de Belgrano/Argentina Miguel Wiñazki. "O Jornalismo é a espinha dorsal das democracias de massa. A tarefa do jornalista é política por essência. É ele que legitima a informação e que a converte em comunicação. Jornalismo é atividade sempre na corda bamba, a estender uma ponte equilibrada e crítica entre o poder e a opinião pública. (Clarim.com- 10-07-2005).
Essa afirmação ressalta a importância do Jornalismo e a responsabilidade que deve ter o jornalista. Seu trabalho não pode ser feito por qualquer pessoa, como afirmou Mendes em seu relatório. O mau jornalismo é tão nefasto à sociedade ou até mais do que uma obra mal executada por um profissional não habilitado da Engenharia ou uma cirurgia mal feita por um da área médica, pois no Jornalismo um texto mal escrito pode levar milhões a um juízo errado. Lembremos os casos que retiraram da cena político por anos o deputado gaúcho Ibsen Pinheiro ou o caso das bicicletas, envolvendo o ex-ministro Alceni Guerra.
Se a questão invocada pelo ministro do STF é a liberdade de informação, imagine que a partir de agora nossas opiniões poderão ser publicadas sem problema nos principais veículos, já que, agora “livres”, podemos expressar nossa posição. Para tirar a prova, faça um texto e remeta aos principais jornais do RS.
A não exigência do diploma é uma campanha de vários anos das empresas jornalísticas, Folha de São Paulo, Estado de São Paulo e Rede Globo, com apoio de grandes empresas de mídia, que agora se materializa no STF. As empresas de comunicação ficam liberadas para contratar, explorando o desemprego, aumentando a pressão para rebaixar salários, sem respeito aos pisos salariais. Podem ampliar a contratação de trabalhadores sem vínculo, como pessoa jurídica e free-lance fixo ou até terceirizar a mão de obra, e - o mais grave - aumentar o controle ideológico sem problemas de conflitos éticos, compromissos sociais e com a informação.
Perderá a população, com a queda na qualidade de informação; ganhará o capital, com a possibilidade do surgimento de novo tipo de jornalismo, o jornalismo publicitário, que levará em conta o âmbito comercial em detrimento do interesse público, a informação. Em breve teremos “jornalistas” vendendo comercial e se submetendo ao departamento comercial de empresas para “informar” só o que for de interesse do capital.
A esperança agora fica por conta da classe política, com a aprovação da PEC, já protocolada no Senado, e em fase de coleta de assinaturas na Câmara de Deputados, restabelecendo a necessidade de formação superior para o exercício do jornalismo.
Leia mais
Fim do diploma aboliu o carteiraço, não a profissão
Quiosque de Nelson Nobre revive o passado

Ars Longa
Crônica de cultura
Durante a Semana de Pelotas (1-7 de julho), o Quiosque Nelson Nobre Magalhães e duas alunas do Curso de Tecnologia em Gestão de Turismo da UCPel (Tânia Bernardes Sauandaj e Mariana Paranhos) organizaram o projeto "Semana de Pelotas: resgatando nossa memória".
De quarta (1) a sábado (4), realizaram-se shows, ao lado do Quiosque, no calçadão da rua Quinze, com o programa Rádio na Rua, o cantor Solon Silva, os chorinhos de Fábio e Felipe Saraiva, e músicos da Sociedade União Democrata.
Nesta segunda (6), haverá uma exposição fotográfica de Neco Tavares e na terça (7), a apresentação dos minidocumentários "Pelotas Memória, de Nelson Nobre Magalhães". Também, durante toda a semana, expõem-se postais antigos de Pelotas, do acervo de Nelson.
A informação provém do prof. da UCPel Daniel Moraes Botelho, que coordena o Quiosque e a digitalização dos documentos do pesquisador da história de Pelotas. Por algum motivo, esta programação não apareceu no folheto oficial da Secretaria Municipal de Cultura, disponível em museus, salas de exposições, Instituto Simões Lopes Neto e na Secult.
Nelson faleceu em 25 de junho de 2007, e seu acervo foi entregue pela família à Universidade Católica, que o preserva no Centro de Pesquisa Nelson Nobre Magalhães, ligado ao curso de Turismo.
Este post é ilustrado por uma dessas imagens, que mostra (à esquerda) a esquina onde hoje se situa o Café Aquários. Desde 1912, ali funcionou o primeiro cinema de Pelotas, chamado primeiro “Ideal” e depois “Ponto Chic".
Domingo, Julho 05, 2009
Presidente deposto desiste de pousar em Honduras e tevê transmite conflito pela internet
O presidente deposto Manuel Zelaya decidiu pousar no aeroporto de Manágua (Nicarágua), depois de encontrar a pista do aeroporto de Tegucigalpa (Honduras) impedida por veículos e de receber ameaças de que seu avião poderia ser abatido. O piloto conseguiu enganar as aeronaves da Força Aérea, mas, quando viu os obstáculos na pista, desistiu. De Manágua, Zelaya embarcou para El Salvador, onde se reunirá com os presidentes da Argentina, Paraguai e Equador, além do secretário-geral da ONU. Mais cedo, apoiadores do presidente deposto furaram bloqueio armado por militares nas proximidades do aeroporto de Tegucigalpa, capital de Honduras. Duas pessoas morreram por tiros do exército e outras ficaram feridas quando manifestantes invadiram a pista do aeroporto. Os soldados dispararam e atiraram bombas de gás lacrimogêneo.Um dos mortos é um rapaz de 19 anos. Ele foi alvejado em choque com militares na pista do aeroporto. Três pessoas saíram feridas - uma delas um juiz.
Zelaya embarcara em El Salvador, vindo de Washington, rumo a seu país, com o objetivo de retomar o poder, mesmo que o novo governo (que o depôs na semana passada) tenha afirmado que não permitiria o desembarque em solo hondurenho.
Segundo um blogueiro nicaraguense, "havia mais helicópteros sobrevoando o aeroporto do que mosquitos". A temperatura aumentou mais depois que tropas da Nicarágua começaram a se deslocar para a fronteira dos dois países, como forma de pressionar em favor da volta de Zelaya.
Veja mais informações, transmitidas ao vivo pelo Canal 15 de televisão da Nicarágua. O canal transmite pela internet, neste momento, os confrontos entre o exército e manifestantes no aeroporto.
Leniência
Senador Tião Viana (PT-AC).
Celular com TV vira "hit" na baixa renda
Apareceram novas siglas no vocabulário de faxineiros, motoboys, porteiros e auxiliares de escritório que habitam as grandes cidades. São os "mpx" (mp7, mp8, mp9, mp10): telefones celulares contrabandeados da China, que captam a programação da televisão aberta em sinal analógico.
Contrabandeados supostamente via Uruguai ou Paraguai e com preços a partir de R$ 260, esses aparelhos estão se disseminando, para surpresa dos radiodifusores e das indústrias eletrônicas, que previram que a mobilidade da televisão aberta viria com a TV digital.
Eles se tornaram febre de consumo entre profissionais de baixa renda que moram a grandes distâncias do trabalho. ""A TV ameniza o estresse da viagem", afirmou o faxineiro Roberto Naves, 32. Morador de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, ele passa quatro horas por dia em ônibus e trens. Leia na íntegra.
Puro prazer
Cena do filme Pollock, sobre a vida do americano Jackson Pollock, que tornou-se famoso ao criar um estilo próprio. A cena acima mostra o instante em que, à procura de uma linguagem nova na pintura, Pollock descobre que podia pintar quadros sem encostar o pincel na tela.
Nascido em 1912, morreu em 1956, aos 44 anos. Mas entrou para a história como um dos precursores do movimento abstrato expressionista. O pintor é interpretado pelo ator Ed Harris. O quadro abaixo é do artista.
Sábado, Julho 04, 2009
Trezentas Onças
os premiados, Antônio Hohlfeldt, Paula Mascarenhas e Aldyr Schlee

Crônica de cultura
Em 1912, João Simões Lopes Neto publicou em Pelotas os “Contos Gauchescos”, entre os quais “Trezentas Onças”, o caso do homem que perdeu trezentas moedas de ouro de seu patrão. Quase cem anos depois, o instituto-museu que preserva seu nome iniciou um projeto centenário: premiar trezentos colaboradores desta causa, no ritmo de três por ano.
Até hoje já foram destacados dez nomes, pelo qual este louco sonho determina que a última premiação ocorra no ano de 2106, e a obra de Simões seja plenamente valorizada, em todo o mundo. Os três escolhidos de 2009 foram: a primeira diretora da casa, Paula Mascarenhas (Pelotas, 1970), o escritor-político Antônio Hohlfeldt (Porto Alegre, 1948) e o escritor-jornalista Aldyr Garcia Schlee (Jaguarão, 1934).
Em cerimônia realizada ontem (3) no Instituto João Simões Lopes Neto, cada um recebeu uma das trezentas onças especialmente cunhadas, troféu que ao mesmo tempo significa uma honra e um dever, como “o recruta que se apresenta ao Capitão pois há muito trabalho pela frente”, como destacou Hohlfeldt.
Schlee pensou em não aceitar a distinção, ainda com a dolorosa lembrança de março de 1964, quando foi impedido de paraninfar uma turma, por motivos políticos. Preso de consciência, ele não compareceu à formatura, nem deu uma explicação por sua ausência (e nem precisaria, mas ele ficou com a dívida moral). Hoje o coração ficou aliviado e as suas lágrimas foram sinais da alegria mais profunda, liberada pelo prêmio simoniano.
Quem trabalha no Instituto fala da “maldição de Simões às avessas”: na vida do escritor, cada projeto fracassava, apesar da perseverança dos esforços e da qualidade das ideias, até a doença fatal aos 51 anos, mas aqui na casa da Dom Pedro II tudo o que se planeja dá certo e só espalha benefícios.
Isto é a nossa Câmara
Na próxima segunda (6), tem sessão solene da Câmara de Vereadores de Pelotas. Entre os homenageados, uma fábrica de brinquedos infláveis. Faz sentido, já que no passado homenagearam uma ferragem, uma revenda de gás de cozinha, uma fábrica de salsicha etc. Certamente a firma de infláveis tem seus méritos, como saber ligar com competência a bomba de ar para dar forma aos brinquedos, gerar muitos empregos e, com seus produtos, embelezar ainda mais nossa paisagem carente de elementos visuais de apelo comercial. Os vereadores que não concordam com as homenagens, e há quem não concorde, acabam aceitando as indicações de 'homenagem' para não entrar em conflito com seus pares em batalhas menores, com medo de ver projetos de valor rejeitados, como retaliação.O que mais grita nessas homenagens (60 por ano na Câmara) é a falta de critério na escolha dos 'eleitos'. Na dia da cerimônia, vemos pessoas que as merecem ao lado de pessoas que não fazem jus a elas. Por causa disso, todos são nivelados por baixo. Dez beneméritos ao lado de um inexpressivo ou 'esperto', por exemplo, rebaixa todo mundo. Mas a nossa Câmara não está nem aí, pois seu negócio é homenagear, a que preço, exatamente, não sabemos.
Numa hora como essa vale lembrar do projeto do vereador Eduardo Macluf (PP), que pretende diminuir de 60 para quatro as homenagens anuais, e que elas deixem de ser iniciativas individuais de vereadores e passem a ser apresentadas pela Câmara como um todo. Pela voracidade demonstrada até aqui em homenagear (até mesmo a entes abstratos), podemos antever as dificuldades que o projeto de Macluf enfrentará para ser aprovado em plenário.
A mania da Câmara com homenagens (e a dos 'homenageados' em recebê-las) é uma expressão da "velha Pelotas", da Pelotas provinciana. Há exemplos inversos, porém, de modernidade e urbanidade. O escritor e professor universitário Aldyr Schlee, um dos cérebros mais brilhantes da cidade e do RS, atravessou os últimos 40 anos sem receber homenagens. Não que tenham faltado tentativas. Ele é que as recusou.
Depois de quatro décadas, ontem (sexta,3), após rejeitar uma honraria justa, em carta aos que queriam homenageá-lo, ele terminou aceitando-a, por cortesia aos que insistiam em ofertá-la. Recebeu a Medalha 300 Onças, por sua contribuição à afirmação da obra do escritor pelotense João Simões Lopes Neto, que morreu, diga-se, sem ter sua obra reconhecida.
Em seu discurso, na Casa do Capitão (onde morou Lopes Neto e onde é hoje a sede do Instituto que leva o seu nome), Schlee roubou a cena, quebrando outra promessa: não fazer discurso ao receber a medalha. Acabou falando, por educação. Ele o fez de improviso, com sinceridade e, emotivo, chorou ao relembrar uma passagem de sua vida.
Schlee tem cerca de 80 anos de idade. Homem de grande cultura, porém modesto, compreende que a grandeza de uma pessoa não é medida por medalhas nem por brasões. Foi aplaudido de pé por um bom tempo pelos presentes à cerimônia.
Se perguntarmos à boa parte dos vereadores e de seus homenageados, por exemplo, onde fica a Casa do Capitão, certamemente nos indicarão a Brigada Militar. Não é recomendável ir mais longe, já que, diante de uma pergunta sobre o significado de "300 Onças", é capaz de fazerem referência a algum zoológico ou à Geográfica Universal.
Nossa Câmara, que começou a ser renovada na última eleição, precisa de renovação mais profunda. Depois de alertar os melhores vereadores a evitar a Câmara por algumas horas, uma onça, sozinha, talvez desse conta do recado.
Sessão remember: A infância no Laranjal
Lembro dos engradados de refrigerantes sortidos (mirinda, minuano, pepsi, teen - ah, o teen...) que o pai trazia para abastecer a despensa. As garrafinhas saiam da geladeira num desfile constante, fazendo pensar que a vida era generosa e que a generosidade não tinha fim.
Lembro dos picolés artesanais feitos em forminhas verdes de plástico que a mãe preparava e que a gente comia presos a um palito branco igualmente de plástico, cujo sabor superava qualquer produção industrial de gelados e fazia pensar que de nada mais precisávamos que o trabalho manual e a boa vontade não resolvessem.
Lembro dos hoje desaparecidos vaga-lumes. Eles reluziam na noite, dançando ao som do coachar dos sapos nas valetas. De vez em quando, meu pai pegava um vaga-lume entre as mãos. Ele o prendia então sob um copo emborcado, para que no escuro admirássemos o acender e o apagar na luzinha natural. Depois, enquanto dormíamos, o pai substituía o vaga-lume por uma cédula de dinheiro, uma mutação que nos espantava de manhã, transformando-nos em capitalistas obcecados em cometer novos crimes ambientais nas noites que se seguiam. Lembro de pescarias de prateadas corvinas e de translúcidos peixes-rei que fisgávamos em varinhas precárias e bóias de rolha e que a mãe fritava de noite, por sugestão do pai, para que nos sentíssemos caçadores igualmente responsáveis pela subsistência da família.
Lembro de um anzol atravessado no meu pé, e do meu pai me levando nas costas em meio à poeira das ruas até o posto de saúde, e do rastro de sangue coagulado na terra que ficava para trás junto com qualquer mágoa passada que eu pudesse ter do meu pai.
Lembro do vento forte que soprava da praia nas caminhadas noturnas para o "Praia Sete" - campeonato de futebol entre empresas e entidades. O "Praia Sete" ficava em frente da avenida da lagoa, e ali encontrávamos amigos e ensaiávamos os primeiros namoros e os primeiros beijos, que tinham um sabor de amanhecer.
Lembro de longas partidas de cartas e dominós na cozinha da casa de praia, onde, abrindo-se a mesa de jantar, tínhamos um campo de futebol riscado à caneta na madeira, para os jogos de botão, e que, às vezes, era utilizada para suados embates de pingue-pongue em que mesmo a derrota era sentida como uma vitória.
Lembro de tudo isso e de tantas outras coisas que me fazem ter amor pelo Laranjal, saudades de um tempo que me parece remoto. A vida, então, ainda não havia mostrado suas garras negras cheias de malícia. Contra elas, dou-me conta de que o único antídoto são as vivências boas da infância e da adolescência que trazemos. São elas que mantêm acesa em nós a luz da vida, ainda que ela às vezes se apague, como se não fosse voltar mais. (RF)
Grão de Café

Slow Food
Crítica de gastronomia
Esta semana voltamos à praça de alimentação do Campus 1 da UCPel, onde o restaurante não pode servir lanches, a lancheria não pode vender doces nem pratos feitos, e nenhum dos dois pode ter bebidas alcoólicas, nem abrir sábado de tarde, nem domingos, nem em todas as férias. Nesta camisa-de-força, os atritos entre os comerciantes e com os clientes são inevitáveis, e a reitoria não parece dar-se conta.
O Grão de Café, que nasceu com e para este lugar, acaba de mudar de mãos, nesta quarta-feira (1). A nova dona é Angelita Ramires Islabão, com anos de experiência em vendas, ainda que esteja iniciando no ramo da alimentação. Ela conservou o pessoal e o cardápio, e com seu conhecimento e bom tato, saberá enfrentar os problemas inerentes a este espaço humano.
Às 22h de ontem, encontramos já os funcionários “com o pé no estribo”. Mas para nossa sorte o cliente sempre tem razão, e muito mais quando chega no final da jornada, pois vem cansado e faminto. Se o cliente pedir, a casa deve atendê-lo; o limite é 22h30, pois o recinto fecha por norma às 23h.Ainda restava um Sanduíche de Forno, deliciosa exclusividade da casa: suave pão de forma recheado de queijo e presunto, coberto de mais queijo e orégano (R$ 3,50). Acrescentamos um Croissant Quatro-Queijos (R$ 2), com bom volume, saboroso e de consistência firme e suave (há também de frango e de presunto e queijo).
Para acompanhar, um impecavelmente elaborado Café com Menta: café expresso, leite vaporizado, chantilly, xarope de hortelã e cobertura de chocolate (R$ 4,50). Todos os cafés são feitos quentes, mas este tem o detalhe de usar dois ingredientes frios, obrigando a consumi-lo mais rápido, especialmente em noites geladas como a de ontem.
Neste espaço universitário, não é fácil atender os clientes, que querem rapidez, gentileza e preço baixo, mas o Grão de Café tem as condições de satisfazer os mais exigentes. Se a UCPel respeitasse a liberdade comercial em seu território, a praça de alimentação teria mais clientes e o lugar seria usado para o que realmente foi concebido: a convivência e o estudo.
Sarney diz que não renunciará
Durante encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta sexta-feira, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), disse que não abre mão do controle da instituição, e que deseja liderar o processo de reestruturação do Senado. Ele apresentou a Lula medidas administrativas para conter a crise na Casa, e exigiu o apoio da base aliada. Segundo a Reuters, nas palavras de dois dos seus assessores, Sarney saiu do encontro "satisfeito".
Depois do contador, Sarney joga a culpa no redator
A assessoria de imprensa de José Sarney (PMDB-AP), presidente do Senado, acabou de divulgar outra nota, corrigindo a nota anterior. Na primeira, a assessoria culpava o contador de ter copiado a lista de declaração dos bens de 1998 em 2006.
Agora, alega que o contator atualizou a lista de 98, mas esqueceu de acrescentar a casa avaliada em R$ 4 milhões.
As declarações à Justiça Eleitoral em 1998 e 2006 são bem diferentes - ao contrário do que disse a assessoria na primeira nota. Talvez seja necessária uma terceira nota para esclarecer isso.
Segue a nova nota da assessoria de Sarney:
"Esta nota corrige equívoco anteriormente divulgado. O erro cometido na declaração de bens do senador à Justiça Eleitoral em 2006 não foi, como afirmado, a repetição da lista de bens de 1998, mas a omissão da casa, por esquecimento, depois de feita a atualização patrimonial. O fato é que a propriedade está informada à Receita Federal e ao Tribunal de Contas da União desde 1999, conforme certidão anexada à primeira nota".
Leia mais
Sarney oculta da Justiça casa de R$ 4 milhões
Sexta-feira, Julho 03, 2009
Justa homenagem
Aldyr Schlee,
Voz do leitor: concurso do Sanep
Leitora Sabrina Cortez Catarino reclama: Estou entrando em contato para fazer um desabafo: No final do ano de 2008 prestei concurso para o Sanep. Em fevereiro deste ano saiu o resultado final do concurso. Graças ao meu esforço e a meses de dedicação fui aprovada. Porém, continuo aguardando minha nomeação (juntamente com os demais aprovados no concurso). Entrei em contato com o Sanep para obter uma previsão sobre quando os aprovados seriam chamados. A cada contato que faço recebo uma resposta diferente. Em nenhum momento o Sanep definiu uma data para a nomeação dos concursados. Para saber mais sobre o descontentamento geral dos aprovados basta acessar este endereço.Gostaria do apoio de vocês para obter uma resposta oficial por parte da direção do Sanep, pois, tornando público o assunto, talvez eles se manifestem e parem de nos tratar com descaso. Ouço falar que há pessoas contratadas (inclusive para o cargo para o qual prestei concurso – escevente). Se isso for constatado, é ilegal, tendo em vista que o Sanep é uma autarquia e deve ter como seus servidores pessoas concursadas (ainda mais existindo aprovados esperando por esta oportunidade).
Mesmo que não existam contratados no Sanep, entendo que eles devem nomear os aprovados o mais breve possível, ou será que vão deixar para nos chamar em 2012, ano de eleição?Não consigo acreditar que esse concurso seja um “caça-níquel” para o Sanep. Se não existe previsão para chamar os aprovados então por que realizaram tal concurso naquele momento? É um absurdo o que estão fazendo conosco.
Cinema francês no Fanopéia
Ars Longa
Crítica de cultura
Este mês de julho, que recorda 220 anos da Queda da Bastilha em 1789, o Cineclube Fanopeia programou quatro filmes franceses. No Brasil, 2009 está sendo celebrado como o Ano da França, assim como 2005 foi o Ano do Brasil na França.
No miniauditório 2 do Instituto Federal Sul-Rio-Grandense, as sessões serão realizadas cada sábado, às 15h30. Após a projeção, comentários e o debate com os cinéfilos, seguindo o método próprio do cineclube, que desde julho de 2006 já discutiu 88 filmes.
4 de julho: “Meu Tio” (1958), comédia em Eastmancolor, dirigida e protagonizada por Jacques Tati. Ganhou um prêmio em Cannes e o Oscar de 1959 para filmes estrangeiros.
11 de julho: “Acossado” (1960), suspense em preto e branco, dirigido por Jean-Luc Godard, que ganhou por este filme o Urso de Prata de Berlim ao melhor diretor. Contém falas em inglês.
18 de julho: “Oito Mulheres” (2002), escrito e dirigido por François Ozon. O estranho e delicioso filme de mistério sobre um assassinato inclui músicas do compositor Krishna Lévy, cantadas por oito grandes atrizes francesas. Contém um beijo lésbico.
25 de julho: “Entre os Muros da Escola” (2007), de Laurent Cantet. Professores e alunos da vida real protagonizam um filme sobre escola e educação. O autor do livro e do roteiro é também o ator principal. O filme chegou ao Brasil em março de 2009.
Em campanha?
A mulher do prefeito Fetter Jr., arquiteta e ex-deputada estadual Leila Fetter (foto), que deve ser candidata de novo a deputada em 2010, parece ter começado sua campanha. Ela compareceu nesta sexta (3) a duas cerimônias em companhia do marido. A presença dela nesses eventos é uma novidade desde que Fetter foi eleito. Pela manhã, ela e Fetter vistoriaram o andamento de obras na região da zona do Porto, onde são realizadas a pavimentação de ruas, a revitalização de quadras e, em breve, a construção de 90 moradias para pessoas de baixa renda. Leila esteve também na inauguração do Centro Comunitário do Loteamento do Ceval, entregue à Associação de Moradores local e à ONG Semeadores, cadastrada para atuar junto às famílias carentes que habitam áreas de risco, como favelas e canais.
Dilma diz que Sarney não pode ser 'demonizado'
A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) saiu em defesa nesta quinta (3) do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Dilma disse que Sarney não pode ser responsabilizado por tudo de errado que acontece no Senado.
"Não concordo em demonizar e responsabilizar [Sarney] por tudo. Concordo em apurar", disse Dilma hoje na porta do CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), sede provisória do governo federal.
A permanência de Sarney na presidência do Senado passou a ser questionada após a descoberta dos mais de 600 atos secretos que foram usados para nomear e exonerar parentes. Sarney teve vários parentes nomeados por atos secretos em gabinetes de aliados. Além disso, seu neto tem uma empresa que intermedia empréstimos consignados para servidores do Senado. Leia na íntegra.
Comentário meu
Dilma, quem diria, entrou na fila dos que defendem Sarney. Morreremos e não veremos tudo. É uma aposta arriscada, já que se esperava que o ônus do apoio ao maranhense recaísse apenas sobre os ombros do presidente Lula, que está de saída mesmo. Dilma deve saber o que está fazendo, já que não precisava arcar com este ônus. Quem diria que um dia veríamos a ministra defendendo José Sarney? Temos aí um 'exemplo' da política de mãos limpas do que falava o PT e pela qual Dilma pegou em armas na ditadura. O PT e seus representantes perderam qualquer pudor em nome de "ser feliz". Parece uma daquelas histórias fantásticas do Edgar Alan Poe, autor, entre outras obras, do famoso poema O corvo.
RS não escapará de epidemia de Gripe A
RS tem 106 casos confirmados
Levantamento divulgado no final da tarde desta quinta (2) pela Secretaria Estadual de Saúde aponta que há 106 casos confirmados de Influenza A no Rio Grande do Sul. A cidade de São Gabriel, na Fronteira Oeste, concentra o maior número de casos, 38 confirmados. Em seguida vem Porto Alegre, com 34, e Erechim, no Norte, com 11 casos. A secretaria ainda aguarda resultado de outras 192 suspeitas.
PGR propõe ação para reconhecer união entre pessoas do mesmo sexo no Brasil
A procuradora-geral da República, Deborah Duprat, propôs ontem (2) ao Supremo Tribunal Federal arguição de descumprimento de preceito fundamental, com pedido de liminar e audiência pública no STF para reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo e que sejam dadas a elas os mesmos direitos e deveres dos companheiros em uniões estáveis.
A ADPF se baseia em representação do Grupo de Trabalho de Direitos Sexuais e Reprodutivos da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão. Na arguição da liminar, Deborah busca evitar danos patrimoniais, como benefícios previdenciários e direito a alimentos, e extrapatrimoniais, como abalos à auto-estima e o estímulo ao preconceito e à homofobia.
“Heterossexuais têm condição de formar família, seguindo inclinações afetivas e sexuais. Pode não só casar, como constituir união estável, sob proteção do Estado. Porém, ao homossexual, a mesma possibilidade é denegada, sem justificativa aceitável”, diz na ação.
A procuradora sustenta que a Constituição de 88 ampara a causa homossexual nos princípios da dignidade da pessoa humana (no tocante à vedação das discriminações odiosas e da proteção à segurança jurídica), garantindo por si a obrigatoriedade do reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar.
Princípio da igualdade – Significa que todos devem receber o mesmo tratamento pelo Estado. Segundo Deborah, o Estado viola os preceitos fundamentais com relação a este tema. Ela acrescenta que a aparente neutralidade da legislação infraconstitucional brasileira escondeu o preconceito contra os homossexuais ao proteger apenas as relações estáveis heterossexuais.
Proibição de discriminação – A Constituição estabeleceu que é objetivo fundamental da República promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e outras outras formas de discriminação. “A discriminação motivada pela orientação sexual é constitucionalmente banida no Brasil. E esta argumentação é reforçada quando se analisa a orientação seguida no âmbito do direito internacional dos direitos humanos”, diz Deborah.
Ela lembra que o Brasil é signatário do Pacto dos Direitos Civis e Políticos da ONU, que proíbe a discriminação. “O Estado laico não pode basear seus atos em concepções religiosas, ainda que cultivadas pela religião majoritária, pois, do contrário, estaria desrespeitando todos que não a professam, sobretudo quando estiverem em jogo direitos fundamentais”, acrescenta.
Dignidade humana – Segundo ela, além de privar parceiros homossexuais de direitos importantes, o não-reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo explicita a desvalorização pelo Estado do modo de ser homossexual, rebaixando-o à condição de cidadão de segunda classe. Privar os membros de uniões estáveis entre mesmo sexo de direitos relacionados às condições básicas de existência (direito a alimentos, a receber benefícios previdenciários etc.) atenta contra sua dignidade, expondo-o a situações de risco social injustificado".
Direito à liberdade – Esse princípio permite que cada um faça suas escolhas existenciais básicas e persiga seus projetos de vida, desde que não viole direitos de terceiros. Isso significa que cada um tem o direito de escolher com a pessoa com a qual pretende manter relações afetivas estáveis, de caráter familiar. “É exatamente essa liberdade que se denega ao homossexual, quando não se permite que ele forme a sua família, sob o amparo da lei, com pessoas do sexo para o qual se orienta a sua afetividade”, diz Deborah Duprat.
Proteção à segurança jurídica – Princípio que possibilita que pessoas e empresas planejem as próprias atividades e tenham estabilidade e tranquilidade na fruição dos seus direitos. Devido à falta de legislação e de indeteminação da jurisprudência, não há previsibilidade em temas envolvendo herança, partilha de bens, deveres de assistência recíproca e alimentos.
“O caminho para superação desta insegurança só pode ser a extensão do regime legal da união estável para as percerias entre pessoas do mesmo sexo, através de decisão judicial do STF, revestida de eficácia erga omnes (para todos) e efeito vinculante”, afirma.
Quanto à redação do artigo 226, § 3º, da Constituição (“... é reconhecida a união estável entre homem e mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar a sua conversão em casamento”), a procuradora-geral diz que isso não impede o reconhecimento da união entre homossexuais, uma vez que a Carta Maior não é um amontoado de normas isoladas. “Trata-se de um sistema aberto de princípios e regras, em que cada um dos elementos deve ser compreendido à luz dos demais”, diz. E, para ela, é na parte dos princípios fundamentais que se encontram as normas que permitem o reconhecimento.
Papos de balcão
Sarney oculta da Justiça casa de R$ 4 milhões
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), ocultou da Justiça Eleitoral a propriedade da casa avaliada em R$ 4 milhões onde mora, na Península dos Ministros, área mais nobre do Lago Sul de Brasília.
De acordo com documentos de cartório, o parlamentar comprou a casa do banqueiro Joseph Safra em 1997 por meio de um contrato de gaveta.
Em nenhuma das duas eleições disputadas por ele depois da compra - 1998 e 2006 - o imóvel foi incluído nas declarações de bens apresentadas à Justiça Eleitoral. Leia na íntegra.
O presidente Lula, que costura apoio a Sarney na base aliada, e terá com este reunião no final de semana, prometeu cobrar dos senadores petistas respaldo ao peemedebista contra o que classifica de "guerra política" visando enfraquecer seu governo e desestabilizar uma aliança entre PMDB e PT para 2010.
Depois dos casos de Gripe A, está proibida multa no cancelamento de viagens para Argentina
As férias escolares de julho têm movimentado, com frequência, o turismo justamente nas regiões em que o contágio apresenta maior incidência. Em situação de cancelamento, afirma Nóris, o consumidor precisa solicitar à empresa ou agência a restituição integral do valor pago com antecipação.
A atual crise sanitária, gerada pela pandemia da enfermidade conhecida como gripe “suína”, também abre precedentes para que consumidores sejam ressarcidos por hotéis e pousadas. Se a companhia área ou o estabelecimento de hospedagem se negar a devolver as quantias, incluindo caução para reserva, deve-se realizar uma solicitação formal, por escrito.
Outra recomendação do Procon diz respeito ao uso das justificativas amparadas pelo governo federal, ou seja, não visitar países em “zona de perigo” de contaminação e a supremacia do direito de manter-se saudável sobre a regra de cobrança de taxa adicional.
“Não obtendo o reembolso, após tentativa de reclamação via carta, de preferência registrada com aviso de recebimento, o consumidor pode procurar o Procon”, esclarece a chefe do Serviço de Educação do órgão. O Procon de Pelotas, vinculado à prefeitura, funciona no prédio do Centro Administrativo Professor Araújo, 1653.
RS tem 106 casos confirmados
Levantamento divulgado no final da tarde desta quinta (2) pela Secretaria Estadual de Saúde aponta que há 106 casos confirmados de Influenza A no Rio Grande do Sul. A cidade de São Gabriel, na Fronteira Oeste, concentra o maior número de casos, 38 confirmados. Em seguida vem Porto Alegre, com 34, e Erechim, no Norte, com 11 casos. A secretaria ainda aguarda resultado de outras 192 suspeitas.
As carruagens 'pelotinas'

Anderson Reichow
Estudante de Direito
Não tenho idéia de quantas pessoas atualmente se valem de carroças para trabalhar aqui em Pelotas. Sei que, em geral, elas são muito pobres. Tenho noção, também, de que é precisamente pela miséria em que vivem que este problemão virou um tabu. Porém, vamos dimensionar bem os fatos, ignorando os interditos, e falar desse rebu abertamente. Em primeiro lugar, a condição de pobreza deveria impulsionar a solução do problema. É justamente porque os carroceiros são pobres que o município deveria se engajar em contornar a marginalização.
Garantir aos mais humildes a perpetuação do uso das tais veículos, com a desculpa de sua indigência, não resolve nada. Eles continuarão pobres, mendigando o lixo pelotense, enquanto simplesmente se optar por deixar o povo lá, atirado, imaginando que as suas carroças vão trazer prosperidade.
Além disso, posso especular que a atividade principal dos carroceiros provém do lixo depositado pelos lojistas no quadrado formado pelas ruas Gonçalves Chaves, Mal. Deodoro, D. Pedro II e Av. Bento Gonçalves. Além desses locais, há outros pontos estratégicos, próximos de estabelecimentos de maior porte (supermercados, principalmente) situados noutros bairros. Com isso, conseguimos ver que muitos dos problemas poderiam ser amenizados pelos comerciantes: bastaria que os empresários se organizassem para levar o resíduo útil de seus estabelecimentos para locais próximos às “sedes” de populações de catadores.
Outro ponto a se considerar são os problemas ambientais. Já vi muito carroceiro recolhendo absolutamente todo o lixo de um determinado local, sem dar a mínima para o que o amontoado continha. É lógico que o que for desprezado pelos catadores não vai ser encaminhado para um depósito adequado: o lixo vai ser despejado em algum terreno baldio, ou em algum córrego etc.
Isso tudo sem contar o freqüente trabalho infantil, o maior dos obstáculos. Não precisa ser engenheiro de tráfego para avaliar o risco de vida que corre uma criança conduzindo uma carroça no horário de pico em plena General Osório. Submeter estas crianças ao tipo de trabalho que testemunhamos quotidianamente é um crime, cujos sujeitos ativos são seus responsáveis legais, e com os quais compartilhamos a culpa, por conta do nosso abandono político.
Recentemente, por iniciativa do MP, a Prefeitura e a Câmara se comprometeram em apresentar uma medida inicial para amenizar os transtornos. Só espero que a ação do Município não passe de um paliativo que nasça provisório, mas com cara de perenidade do Coche do Pelotino.
Quinta-feira, Julho 02, 2009
Voz do leitor: IPI menor
Leitor Lázaro Gomes escreve: Como perder tendo vantagens? Quando se lê a notícia de que o governo prorrogou a alíquota menor para o IPI, têm-se a sensação de que estamos tendo vantagem, pois poderemos comprar bens duráveis por menor valor; será? No caso dos automóveis, se compramos um carro mais "barato", entregando o carro antigo no negócio, estamos na verdade perdendo dinheiro, pois aquele foi adquirido com alíquota cheia e agora o valor na troca é bem menor. Portanto, a vantagem foi pro beleléu. Se diminuir a arrecadação com impostos menores, é do nosso bolso, de alguma forma, que o governo vai arrecadar a diferença, faturando dividendos políticos.
Eu me amo
Na capa, uma frase dele mostra ainda que o sol de Brasília começa a fazer mal a Marroni. Diz assim: "Fui eleito para representar as populações do Guaíba para baixo...".
Eleito para a Câmara Federal foi Tarcísio Zimermann (PT), que, ao vencer a eleição para prefeito de Novo Hamburgo, cedeu a vaga para o suplente Marroni.
Fetter usa dinheiro público com o mesmo objetivo
Em maio de 2008, publicávamos o post abaixo
*A foto do cachorro foi falha nossa, desculpe.
A materialização da revista foi também um "cala-boca" do prefeito em si próprio. Afinal, há alguns anos ele criticou o prefeito Fernando Marroni, por ter editado uma revista. A bem da verdade, diga-se que a publicação de Marroni era essencialmente técnica. Trazia, em 24 páginas, o Plano Municipal de Turismo, muito diferente da revista de Fetter, que é pura propaganda de seus supostos "feitos".
Vale dizer que o atual prefeito não teve o cuidado de ser original nem mesmo na escolha da fotografia de capa. Ela é igual à imagem usada na revista de Marroni: a torre do relógio do Mercado Público.
Fetter usou a mesma foto, para justificar o título da revista: PELOTAS NO TEMPO CERTO. Na foto da revista de Marroni, o relógio marcava 18h17. Era um entardecer. Na revista de Fetter, marca 6h33. É um amanhecer.
"Sarney sai fortalecido da crise e PMDB e PT estão mais próximos", diz Renan Calheiros
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), dá sinais de que saiu fortalecido depois de dar um ultimato e ameaçar renunciar ao cargo. Ele conversou hoje por telefone com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir a situação do Senado.
O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse que Sarney está mais forte do que antes. "Ele saiu fortalecido da crise e conta com o apoio de 55 senadores."
Renan sinalizou ainda que a permanência de Sarney no cargo é uma das condições para o PMDB apoiar o PT na eleição presidencial de 2010. "Essa crise serviu para aproximar PT e PMDB. Leia na íntegra.
Top Blog inscreve Amigos em Prêmio
Recebi um e-mail há pouco da comissão organizadora do "Prêmio Top Blog". Por ele fiquei sabendo que eles nos inscreveram, à nossa revelia, para participar da escolha popular dos melhores blogs brasileiros. Legal. A velha e a nova Pelotas
Felizmente, muitos pelotenses de espírito inquieto praticam o exercício crítico, procurando enxergar a realidade como ela é para poder trabalhá-la da maneira correta, a exemplo do excelente personagem Gregory House (fotos abaixo), médico da série de tevê americana House, interpretado pelo ator inglês Hugh Laurie.
Embora seja um sujeito irascível e desagradável, como chefe do Departamento de Diagnósticos Difíceis, House descobre a origem dos problemas de saúde de todos os pacientes. Em outras palavras, por causa de sua perspicácia, a equipe o suporta, já que ele resolve o principal: salva vidas ao invés de perdê-las.

Ele não morreu

Egídio Pizarro
Graduando de História
Quando eu era piá, queria fazer uma plástica para ficar laranja, minha cor preferida. A mãe disse "pára-te quieto, guri" e seguiu pintando as unhas; o pai riu; a irmã não entendeu nada. Se eu preciso ir a alguma formatura ou casamento, não há chance de usar sapato preto com meia branca. Minha mãe me censura antes mesmo que eu pense nessa hipótese. E se eu invento de dançar de uma maneira diferente na rua, trajando luva em apenas uma mão, sou carregado pelo manicômio. Não sem antes ver o povo rir de mim. Eu não danço bem mesmo.
Nunca pude fazer nada disso. Michael Jackson podia.
Jacko resistiu o quanto pôde. Ele começou ainda criança e apanhava do pai a cada nota errada que cantava; pai que caçoava da aparência daquele que chamava de filho. Cada hora de ensaio ou apresentação lhe tirou seu tempo certo para ser criança.
Mas ele se firmou como o mais talentoso dos irmãos Jackson. E disse aos integrantes do Queen que eles seriam loucos se não lançassem Another One Bites The Dust como single.
Michael viu que aquilo que James Brown fazia poderia ganhar proporções faraônicas. Lançou Thriller, o álbum mais vendido da história da música e o vídeo que revolucionou a indústria dos videoclipes.
Marcou a dança e imortalizou a moonwalk, que é mais que um passo de dança: é uma amostra da sua vida. Mostrava que ia para frente, vendendo seus discos e crescendo fisicamente, mas é para trás que se mexia. Rumo à ingenuidade infantil, ingenuidade que quase beirava a burrice em dizer publicamente que, sim, ele dormia com crianças. E que continuaria a fazer isso. Nem Xuxa com seu título de Rainha dos Baixinhos resistiria a uma declaração dessas.Quando fez zilhões de plásticas e disse ter feito meia-dúzia ou quando balançou seu filho numa sacada de hotel, Michael Jackson já não queria ser Michael Jackson. E já estava recluso quando anunciou uma extensa turnê para corroborar aquilo que todo mundo já sabia: que era o rei do pop.
Recluso como Elvis. Que, como todos sabem, não morreu.
Quarta-feira, Julho 01, 2009
Triste Lula, triste PT
Deu em O Globo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recorreu nesta quarta-feira a uma metáfora futebolística para voltar a defender a permanência do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) no cargo. Lula disse que o PSDB quer ganhar a presidência da Casa "no tapetão".
Se Sarney se afastar, a oposição ocupa a cadeira da presidência na figura do tucano Marconi Perillo (GO), primeiro vice. Se renunciar à presidência, novas eleições vão ser convocadas e há sérias dúvidas se o governo conseguirá eleger um novo nome de sua base.
- O DEM e o PSDB querem que o Sarney se afaste para o Marconi Perillo (senador pelo PSDB-GO e primeiro vice-presidente do Senado) assumir, o que não é nenhuma vantagem para ninguém - afirmou ele em Sirte, na Líbia.
- A única vantagem é para o Marconi Perillo e para o PSDB, ou seja, que quer ganhar o Senado no tapetão. Assim não é possível, ou seja, isso não faz parte do jogo democrático - completou.
O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), reagiu às declarações.
- Trata-se de uma besteira completa. Na eventualidade do senador Marconi assumir a presidência do Senado, seria por um brevíssimo tempo. O presidente não para de fazer campanha. É o caso típico de alguém que está deslumbrado. Essa declaração não tem qualquer conexão com a realidade - afirmou Sérgio Guerra.
Comentário meu
Lula mais uma vez comprova que é leniente com a corrupção. Pensando em termos políticos, de olho nas eleições de 2010, ele faz vista grossa à lama que José Sarney patrocinou no Senado, fazendo uso por anos de tráfico de influência, nepotismo, clientelismo e negócios escusos em benefício de sua família e de aliados colocados em cargos estratégicos de confiança.
Com sua atitude, Lula escancara sua verdadeira face, sem pudor. Quem poderia imaginar, há sete anos, que ele um dia viria a se comportar como se tem comportado desde que assumiu o governo em relação aos casos de corrupção, que tanto combateu sob a hoje gasta bandeira da ética petista.
A tentativa de preservar Sarney é, porém, uma faca de dois gumes. Se o autor de Marimbondos de fogo ficar no cargo com apoio de Lula e do PT, pode ser igualmente ruim para o governo, ainda que a decisão venha a recair sobre ele, Lula, não sobre Dilma Rousseff, candidada da situação à presidência da República em 2010, que deve, claro, manter-se em silêncio diante do episódio.
"Política não se faz a qualquer custo", diria Lula há sete anos. Hoje, nada do que Lula diz é levado a sério, não pelas pessoas que pensam e formam opinião. Lula, no entanto, sabe que a maioria dos eleitores tem memória fraca, como ele próprio. Com seu gesto, o presidente desmoraliza a imoralidade, tarefa a que os petistas, últimos representantes da ética na política, dedicam-se com vigor escândalo após escândalo envolvendo-os direta ou indiretamente.
Um bom exemplo para Pelotas
Ars LongaCrítica Cultural
De 19 a 26 de julho, realiza-se o 9º Festival de Música de Ourinhos, no interior do Estado de São Paulo. A cidade é bem menor que Pelotas, em área e em população, mas seu PIB per capita é quase o dobro; já conhecida por seu basquete feminino desde os anos 90, o município decidiu investir também na arte.
De domingo a domingo, a cidade se enche de música: 40 cursos, 6 oficinas com a Sinfônica de São Paulo, sessões de filmes, e shows de vários gêneros (jazz, erudita, choro, MPB). Este ano, duas exposições contarão a vida do homenageado, Paulinho da Viola. Toda informação pode ser vista no site do Festival [www.ourinhosfestivaldemusica.com.br]. Por sua qualidade e diverdade, o evento é respeitado em todo o Brasil por sua contribuição à educação musical.
Entre os cursos, o destaque é para o de Cultura do Pop-Rock, ministrado pelo professor Gilson Antunes, violonista e pesquisador, doutorando em musicologia pela USP. O curso é divulgado como o primeiro no país sobre este tema, abordando a história e a cultura da música pop rock nos Estados Unidos, Inglaterra e Brasil.
Apesar de durar somente três horas, segue os padrões acadêmicos, com bibliografia de apoio (Greil Marcus, Lester Bangs, Simon Reynolds, Nick Tosches e Roy Shuker). Ainda há vagas em cursos de instrumentos, folclore brasileiro, musicalização para professores, composição, editoração de partituras e outros.
É mais um exemplo de como a organização e a boa vontade levam a um progresso cultural, independentemente das tradições. Os louros do passado podem ser cultivados com sucesso, mas se requer uma atitude empreendedora, criativa e otimista.
Deu negativo exame em paciente pelotense suspeita de ter contraído vírus da Gripe A
Ainda faltam chegar os resultados de exames feitos em três outros pacientes de Pelotas, que encontram-se em casa, sendo monitorados pela Vigilância Epidemiológica. Os exames estão sendo feitos pelo Laboratório Central do Estado (Lacen) e pela Fiocruz.
Dom Jacinto foi uma surpresa
Quarta, 1 de julho de 2009Conversei hoje cedo com o novo bispo de Pelotas, Jacinto Bergmann. Homem de voz calma, mansa, clara como noite de lua cheia. Minhas fontes me dizem que sua passagem por Pelotas, como bispo auxiliar, em 2003, não foi serena como sua voz, por causa de diferenças com o bispo Dom Jaime Chemello. Se foi de fato assim, sua nomeação hoje pelo Papa Bento XVI deve ter sido recebida com surpresa na Mitra Diocesana local e por seu grande rebanho espalhado pelos pastos generosos da Universidade Católica de Pelotas e por outras repartições da Igreja.
À boca pequena falava-se de três outros candidatos locais a bispo. Quem apostou neles, todos do grupo de Chemello, passou longe. Na conversa com Dom Jacinto, ele me disse que não conhece a situação administrativa da Mitra nem da UCPel, que vive uma crise estrutural e financeira sem precedentes.
Diplomaticamente, desviou de perguntas delicadas nesse âmbito, como nepotismo e favorecimentos nas hostes da Igreja. Preferiu acentuar que "virá com o coração aberto", grifando "E LIVRE", e sublinhando que sua escolha não teve o dedo do bispo Chemello - "foi uma escolha direta do Papa". Para bom entendedor, depreende-se que ele ocupará seu cargo com liberdade plena para dirigir a congregação de acordo com seus próprios conceitos.
É cedo para especular como será a transição. Mas, por suas palavras e pela sugestão de que seu nome não era o esperado por Chemello, pode-se concluir que ocorrerão mudanças de nomes e de mentalidade sob a gestão do novo bispo. Sendo assim, é provável que a "grande família" composta pelas pessoas de confiança de Chemello que hoje ocupam postos-chave terá uma noite agitada. Talvez muitas mais.
Enquanto eu falava com Dom jacinto, bispo Dom Jaime Chamello, em entrevista à Rádio Universidade, a respeito da nomeação do colega, foi econômico em referências simpáticas a Dom Jacinto. Não mostrou-se contrariado; por outro lado, também não foi generoso em adjetivos. Além disso, em tom de brincadeira, disse ao repórter: "Eu continuo mandando. Tenham cuidado comigo".
Foi uma brincadeira, claro, já que ninguém a essa altura o levaria a sério se não fosse. Contudo, como nos ensina a filosofia, que Chemello conhece bem por formação, se todo gesto é político, suas palavras ameaçadoramente bem humoradas revelam a predisposição momentânea do espírito de quem ainda não assimilou totalmente a perda do poder, que se evaporará aos poucos até a posse de Dom Jacinto, embora o antigo rebanho permaneça, em princípio, nos mesmo lugar definido por Chemello em seus 40 anos de mandato.
Suas palavras na rádio são a expressão involuntária de quem conheceu por décadas o prazer de determinar a realidade conforme sua vontade, ao ponto de adotar decisões merecedoras de "cuidado" por parte dos outros.
A 'comunhão' das falas de Dom Jacinto e de Dom Jaime permite uma avaliação razoável do que ocorrerá a partir de setembro, quando o comando da Mitra mudará de mãos - e de cabeça. Com o poente e a chegada da lua recortada contra o negror do céu, por todo o pasto algumas ovelhas acostumadas à segurança das cercas se mostram repentinamente inquietas.
Sarney decide renunciar

José Sarney decidiu renunciar à presidência do Senado. Ele oficializará essa posição hoje (quarta, 1) à noite quando conversar com Lula, que está chegando da África. A decisão foi tomada hoje de manhã. Ontem, à noite, numa conversa com os filhos, também se disse decidido a sair da tormenta, renunciando. Os três filhos, Roseana, Sarney Filho e Fernando, apóiam a decisão. Marly, mulher de Sarney, é outra que pediu ao marido que saia de onde está.
Sarney espera que a renúncia bote fim na sequência de revelações sobre nepotismo que minaram sua capacidade de reação diante da crise. Com a renúncia, quer fazer valer a afirmação que fez num discurso na tribuna do Senado há duas semanas: "A crise não é minha, é do Senado". Saindo de cena, espera jogar no colo dos outros senadores a bomba da crise.
Mas e se Lula na conversa de hoje à noite pedir para Sarney ficar?
Segundo o que ficou acordado na reunião de hoje de manhã, Sarney não recuará. Dirá que está cansado, que quer sair. Embora seja impossível cravar que, diante de uma insistência de Lula, ele não volte atrás - e, politicamente, se aproveite disso.
Sarney assumiu a presidência do Senado (pela terceira vez) há quatro meses. Não teve um dia sequer de paz: a podridão do Senado emergiu com uma força incontrolável. Desde o seu primeiro mês na presidência, já vinha falando em sair.
Leia mais
Sarney não convenceu
Dívida ativa com prefeitura é de R$ 25 milhões
A inadimplência é de R$ 25 milhões, cobrados em 2.033 mil processos.
Imóveis com dívidas acima de R$ 4 mil, assim como terrenos com débitos acima de R$ 15 mil, tiveram cobranças encaminhadas à PGM, instância acionada quando todas as cobranças administrativas se esgotam.
Senado retalia Ministério Público
Deu no O Estado de S. Paulo
Em meio à crise política, senadores aproveitaram a sessão de ontem (31) para dar o troco no Ministério Público por supostos excessos cometidos em investigações contra políticos. Os senadores rejeitaram a recondução de dois integrantes do Conselho Nacional do Ministério Público para mais dois anos de mandato. O procurador Nicolau Dino e o promotor Diaulas Costa Ribeiro foram aprovados em sabatina na Comissão de Constituição e Justiça, mas derrubados pelo plenário.
"Presidente, pare esta sessão!", reagiu o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que já integrou o MP. "O que há contra o senhor Diaulas? O que há contra o senhor Nicolau Dino? O MP vai pagar o pato pela crise do Senado?"
Líderes partidários, a começar por Aloizio Mercadante (PT-SP), tentaram anular as votações. Argumentaram que nenhum senador havia se pronunciado publicamente contra os candidatos. A indicação de Diaulas foi submetida à nova votação e mais uma vez os senadores a rejeitaram.
"Quero lamentar, porque, sem ter muito conhecimento do Diaulas, tenho informações de pessoas que merecem muito respeito, como o governador José Roberto Arruda, que me prestaram o melhor depoimento sobre o comportamento desse cidadão, que, infelizmente e à nossa revelia, foi rejeitado", disse o líder do DEM, José Agripino (RN).
Houve requerimento para que a indicação de Dino também fosse submetida à nova análise, mas, diante da previsão de nova derrubada, o assunto ficou para outra sessão.
O resultado da sessão levou o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), a propor uma reunião de líderes para hoje. "Vivemos um momento delicado e eu sugiro uma reunião com os líderes partidários amanhã, antes de qualquer votação."
Procurador-geral
Por causa do cenário de crise no Senado, Roberto Gurgel, indicado na segunda-feira pelo presidente Lula para o cargo de procurador-geral da República, pediu a Demóstenes, presidente da CCJ, que fosse sabatinado na próxima semana. Teme ser atingido pela crise política.
O Ministério Público hoje está sob o comando interino da subprocuradora Deborah Duprat. Quando mais rápida a sabatina e a votação em plenário, melhor seria para Gurgel. Por prudência, preferiu esperar.
Diaulas já havia se deparado com a ameaça de ser rejeitado na CCJ. Na votação, teve o apoio de 10 integrantes contra 6 votos contrários e 2 abstenções. O número sugeriu que os senadores passaram a ver com desconfiança a vontade do conselho em coibir os eventuais excessos do Ministério Público.
Em correspondência a outros procuradores, na véspera, Diaulas afirmava que o Ministério Público poderia sofrer retaliação. "Há abusos no Ministério Público. Abusos que muitas vezes se confundem com a independência funcional e por isso não têm sido punidos. Tenho a independência funcional como um manto sagrado da carreira. Mas, sob ele, não há espaço para os abusos que temos, muitas vezes, cometido", escreveu ele, em e-mail. "Sei que o Ministério Público está repleto de homens e mulheres corajosos. Mas os corajosos, muitas vezes, são também imprudentes."
Frase do dia
Lula pede que Sarney espere até domingo para decidir se deixa ou não a presidência do Senado
O ex-senador Luiz Octávio (PMDB) afirmou nesta quarta (1) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para esperar até domingo para tomar uma decisão sobre um possível afastamento do comando da Casa. Lula está viajando e retorna no domingo.
A bancada do PT no Senado e aliados de Sarney se reúnem nesta quarta-feira com o peemedebista, na residência do presidente do Senado, para discutir o assunto. Luiz Octávio também participa do encontro.
Após duas horas de reunião, o PT adiou para hoje uma definição se vai apoiar ou pedir o afastamento do presidente do Senado. DEM, PSDB e PDT pediram o licenciamento do político, envolvido em escândalos na Casa. Leia na íntegra.







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