Segunda-feira, Julho 13, 2009

Enigma

Adquirido há dois anos pelo reitor César Borges, da UFPel, numa operação que gerou conflito judicial, o casarão 8 da Praça Osório permanece sem destinação, abandonado. Nesta semana, as faixas de agradecimento ao MEC pela verba que possibilitou a compra, colocadas na fachada e que estavam carmocidas, foram retiradas. Colocarão novas faixas? Ou finalmente o reitor fará a reforma do prédio?

Ao comprar o casarão, o reitor "esqueceu" de descontar os R$ 500 mil pagos anteriormente pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (Iphan) para escorar o prédio, que estava prestes a cair. O reitor pagou R$ 700 mil pelo casarão quando deveria ter pago apenas R$ 200 mil.

Com isso, o Estado gastou duas vezes pelo mesmo negócio. A primeira, para salvar o imóvel de ir ao chão. A segunda, pela aquisição do imóvel "em pé". A família Antunes Maciel, proprietária da casa, ficou muito agradecida pelo R$ 1,2 milhão investidos em seu patrimônio.

Entenda o caso da compra e o conflito judicial

Eu leio o jornal Amigos de Pelotas

O blog é um veículo que expressa a qualidade dos jornalistas pelotenses, os quais, infelizmente, a imprensa local nunca conseguiu ou quis aproveitar bem (deve haver exceções, mais saí daí há três décadas). Já o Brasíl sempre se valeu bem dos quadros formados por este ambiente diferenciado. O Rubens me reapresentou a Pelotas, através de seu blog. Dá para ver que o Amigos de Pelotas está influenciando quem tem que falar da cidade e dos pelotenses.

O Rubens, jornalista, tem uma postura bem ao meu gosto. É independente. E a independência sempre encontrou dificuldades por aí. Por isso, lhe admiro a coragem. O Rubens, cronista, fala de coisas próximas da minha geração, que deixou a cidade uns 15 anos antes dele. Agora, de longe, depois de 35 anos, estou sentindo falta do Cruz, da Praça Cel. Osório, do vento, do Aquário...

Luiz Lanzetta
Jornalista e empresário
Proprietário da Lanza Comunicação
Brasília (DF)

Puro prazer

"À medida que conquistamos a maturidade, tornamo-nos mais jovens. Comigo passa-se isso mesmo, muito embora tal não queira dizer muito, pois mantive sempre o mesmo sentimento perante a vida desde os anos de rapaz; nunca deixei de encarar a minha vida adulta e o envelhecimento como uma espécie de comédia".

Hermann Hesse
em "Elogio da Velhice"

Hermann Hesse, autor de O Lobo da Estepe, Demian, Sidarta, entre outros, nasceu em 2 de Julho de 1877, em Calw (a norte da Floresta Negra). Em 1885 começa a aprendizagem de livreiro; surgem seus primeiros trabalhos literários. De 1904 a 1912 trabalha como escritor independente; é co-editor da revista radical esquerdista März. Viaja durante vários meses pela Índia, o Ceilão, Singapura e Sumatra. Em 1921 adota a cidadania suíça. Em 1946 recebe o Prêmio Nobel da Literatura e o Prêmio Goethe, entre outros importantes galardões. Em 1955 recebe o Prémio da Paz dos Livreiros Alemães. Morre em 1962 em Montagnola/Tesino.

Ufanismo do bicentenário (rumo ao ano eleitoral)

Segunda, 13 de julho de 2009

Nos últimos tempos, a prefeitura tem dado ênfase ufanista aos 200 anos da cidade. As matérias da assessoria de imprensa do Executivo reforçam esse tom. Publicadas no site oficial, elas são encaminhadas posteriormente às redações, contaminadas por um otimismo que não encontra correspondência na realidade.

Para completar, o bicentenário da cidade coincidirá com o ano eleitoral, ano de grandes apetites políticos. A mulher do prefeito, Leila Fetter, provável candidata a deputada estadual em 2010, quiçá à sucessão do marido, começa a aparecer ao lado dele em inaugurações. Será por acaso?

O clima de "agora vai", que vimos na campanha de Fetter na última eleição, dá de novo o ar de sua graça, com a cumplicidade de alguns meios de comunicação, como o jornal do qual o prefeito é um dos proprietários, que publica os releases da prefeitura na íntegra como se fosse matéria própria.

Recentemente, algumas autoridades, até mesmo a governadora Yeda Crusius, comeram maionese demais no jantar dos 197 anos da cidade e saíram dando declarações efusivas a Pelotas, que "agora estaria se desenvolvendo etc". Contudo, pergunte a um economista se há motivos para essa alegria toda. Pergunte a um professor municipal. A um médico que atende no Pronto Socorro Municipal.

A verdade é muito outra. Fetter está há quatro anos no poder local. Desde então, os indicadores econômicos da cidade permanecem estagnados, alguns pioraram, como no caso da violência.

Nenhum dinheiro novo foi gerado internamente pelo meio empresarial, que continua tímido. Apesar das promessas da vinda de novas empresas para a cidade, nenhuma veio de fato. Lembram do estaleiro, da firma carioca que transferiria sua matriz para cá? Todos os projetos nesse sentido chegam às gavetas da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e ali ficam.

As 'melhorias' que estão sendo obtidas são não estruturais, mas meramente cosméticas. Além disso, têm sido possíveis graças a dinheiro do governo federal e de organismos internacionais (Banco Mundial etc.), basicamente para asfalto. Ora, asfalto não é progresso. Progresso é capacidade de gerar riqueza, emprego e renda, coisas que continuam faltando por aqui.

Enquanto a cidade continuar sem gerar riqueza por si própria e manter indicadores sofríveis em matéria de educação, saúde, segurança pública, não se pode falar em desenvolvimento.

Pelotas e "Os não-lugares"


Marcos Macedo
Economista

Alguns leitores reclamam que os posts do blog depreciam Pelotas, chamando-a de feia, velha, torta. Perguntam porque seus autores não vão embora da cidade. Em geral, as críticas do blog se dirigem a características bem específicas da cidade, como o compadrio, o costume de só elogiar, o narcisismo de pelotense e gaúcho voltados para o passado. Essas características estão relacionadas umas com as outras de diversas formas. O narcisismo alimenta o costume de só elogiar, que por sua vez afasta o olhar crítico e permite o compadrio. Esse é só um exemplo do nó que vivemos e temos de romper se quisermos avançar.

As críticas do blog nem de longe atingem o que Pelotas tem de melhor. Compadrio e narcisismo não são o charme da cidade, como alguns sugerem; não fazem parte do núcleo daquilo que os pelotenses em geral apreciam em Pelotas.

O que nós gostamos em Pelotas, embora seja um subproduto de seus aspectos urbanísticos, é imaterial, e está relacionado à incorporação dos benefícios da modernidade sem seus ônus. Pode ser melhor entendido a partir das idéias de “lugar” e “não-lugar”, desenvolvidas pelo antropólogo Marc Augé. Não-lugar, em oposição ao conceito clássico de lugar, refere-se aos espaços onde os indivíduos se cruzam, ignorando uns aos outros, em milhares de itinerários individuais. São os locais superpopulosos, locais de trânsito, acampamentos, um mundo de circulação e passagem, em que o indivíduo tem de se enquadrar e deixar acontecer de acordo com as regras de circulação.

Exemplos de não-lugar são os aeroportos, shopping centers, as grandes avenidas das metrópoles, as auto-estradas. Nesses espaços não se estabelece vínculo social, são pontos de trânsito, em que cada um existe em si e por si, em solidão, em direção a outros pontos de chegada. Também são espaços sem história e identidade personalizada. Os não-lugares viraram a tradução das grandes cidades.

Em Pelotas, por causa de nosso lento crescimento, essas cicatrizes da modernidade não se formaram em larga escala. O que nós apreciamos em Pelotas é justamente esse equilíbrio imaterial entre modernidade e conservação do lugar, circunscrito e estável nos símbolos de uma história comum, de uma cultura que admite ser construída localmente, seu fluxo regular de tempo, o núcleo de relações pessoais permanentes, em que os vínculos sociais e a mediação entre os indivíduos continuam fortes.

O automóvel, por exemplo, perdeu nas metrópoles o sentido de liberdade que tinha. Lá, o permanente congestionamento do trânsito anulou sua característica essencial de mobilidade. Em Pelotas, temos o automóvel e a liberdade que ele proporciona, sem que o trânsito transforme nossas ruas em não-lugar, espaços apenas de circulação de máquinas, fora da escala humana.

Queremos o shopping center, um não-lugar exemplar, ícone da modernidade, com suas paredes que isolam da cidade, seus corredores de percurso forçado ao qual nos entregamos para consumir, desde que sua instalação não destrua o centro histórico, o calçadão, que conserva as características de “lugar”.

O Café Aquários é sempre citado como um bom exemplo do que apreciamos em Pelotas. Desprovido de beleza arquitetônica, é um local onde os pelotenses vão estabelecer e cultivar relações permanentes. Outro exemplo, produzido recentemente, é o calçadão do Laranjal. Indica que admitimos mudanças na cidade, que não estamos necessariamente fixados nos casarões, nem precisamos do compadrio e dessa libido do pertencimento, desse narcisismo cegante a que nos entregamos.

Queremos que Pelotas avance, desde que sejam conservadas ou reproduzidas certas qualidades imateriais, que não a transformem em não-lugar, como ocorre na rodoviária da cidade, local nunca aceito pelos pelotenses, frio, ventoso, de arquitetura sem identidade por nós reconhecida, feito sem querer sob medida para circulação rápida, tal o desconforto de lá permanecer.

E se foi o lento crescimento que preservou o que Pelotas tem de aprazível, isso não quer dizer que estejamos condenados ao atraso. Sabendo o que mais gostamos na cidade, podemos avançar sem repetir o erro das metrópoles: a proliferação do não-lugar.

Não-Lugares
Marc Auge
Editora Papirus
112 p
R$ 29,90


Outros textos de Marcos Macedo
E-mails para o autor: msmacedo@terra.com.br

Juca elogia 'lei de cultura' que nunca sai e reclama do preço da passagem aérea POA-Pelotas

Juca Chaves diz que se alegra que prefeitura prepare lei de incentivo à cultura. Problema é que a lei nunca sai. Prometida para o primeiro semestre, até agora nada. Juca aproveitou também para reclamar do preço da passagem aérea de Porto Alegre a Pelotas (250 km), "incrivelmente mais cara que o voo a São Paulo (900 km)"

Ars Longa
Crônica de cultura

Juca Chaves ficou sério por uns momentos, para referir-se à "cultura de Pelotas". Não digo com isto que suas piadas não sejam sérias ou verdadeiras, mas que ele também tem, em sua inteligência, uma faceta menos debochada e mais construtiva. Isso mostra sua boa informação e sua capacidade de desenvolver a cultura.

A certa altura do show ele disse que se alegrava porque a prefeitura de Pelotas estivesse preparando uma lei para a cultura, pois a cidade é culta e se conhece por suas criações e gosto pelas artes. É preciso investir nisso, pois o mundo está em crise cultural (palavras dele). Ainda sério, recordou que em São Paulo, cidade de Santos, foi recuperado o antigo Teatro Guarani, de capacidade parecida ao nosso Sete de Abril.

O nome “Guarani” parecia aludir a nosso outro teatro, não tão abandonado como o de Santos, o qual até sofreu um incêndio, depois de fechado em 1981. A restauração do Guarani de lá durou dois anos e se baseou na lei Rouanet.

Quando a paulistana Rita Lee esteve em Pelotas, comentou o mau estado do Guarani daqui, e sobraram críticas a petulância da cantora. Na verdade, ela estava fazendo uma sutil ironia aos pelotenses, como morcegos habitantes da escuridão e das ruínas. Não lhe faltou uma cota de razão.

O Pequeno Notável ainda fez, no show deste sábado, uma observação turística, sobre a dificuldade de acesso a Pelotas: a passagem aérea de Porto Alegre para cá (200 km) é, incrivelmente, mais cara que o voo a São Paulo (900 km). Terá suas explicações lógicas, mas é verdade que em relação com isso não se cultiva o interesse por mais visitas a Pelotas, comerciais ou culturais.

Ouviremos as palavras razoáveis de um humorista, ou seguiremos defendendo nosso orgulho e nosso direito ao isolamento?

Domingo, Julho 12, 2009

Ensino técnico 'pelotense' perde guerra política

Na educação tecnológica regional, deixamos de ser mais unidos e fortes. Perdemos a chance de crescer juntos e realizarmos trocas entre rio-grandinos e pelotenses. Perde a educação, empobrece o povo


João Alberto da Silva
Doutor em Educação

As diversas mudanças que o Governo Lula está proporcionando na educação chegaram até o Ensino Técnico. As antigas escolas técnicas federais, que ofereciam apenas cursos profissionalizantes de nível médio, foram transformadas em Institutos Federais de Educação Tecnológica. O objetivo do Ministério da Educação é que estes Institutos passem a oferecer cursos de nível superior com enfoque na área de tecnologia. A intenção é criar uma instituição para preparar profissionais que atuarão diretamente na indústria e na área de desenvolvimento.

Em face da necessidade crescente de profissionais especializados para as fábricas, a iniciativa parece, à primeira vista, louvável. Pena que foi ofuscada pelo caráter político das decisões. No caso do Rio Grande do Sul, as diversas escolas federais foram agrupadas em dois Institutos. Um deles é o Instituto Federal do Rio Grande do Sul – IFRS - incorporando antigas escolas em nove cidades; e o outro é o Instituto Federal Sul-Rio-Grandense – IFSUL - com sete unidades.

A primeira disputa foi em relação às sedes, pois os locais escolhidos abrigariam as futuras reitorias e teriam maior poder de decisão. Pelotas levou a sede do IFSUL, dado o destaque do antigo CEFET-RS. Já o novo IFRS ficou com a sede em Bento Gonçalves, desbancando a favorita Escola Técnica da UFRGS em Porto Alegre, que agora é apenas uma das unidades do novo Instituto.

A divisão das escolas que estão sob a supervisão de Pelotas e Bento revelou aspectos políticos interessantes. No caso da nossa região, o Colégio Técnico-Industrial (CTI) da FURG não está no âmbito do Instituto cuja sede é Pelotas, mas está ligado a Reitoria de Bento Gonçalves, muito mais distante.

Sabe-se que havia uma rivalidade histórica entre o CTI da FURG e o CEFET de Pelotas. Os comentários no meio educacional indicam que esta rixa gerou o estranho fato de que a escola de Rio Grande está sob a batuta de Bento Gonçalves, tendo Pelotas sido preterida.

Mesmo com a crescente necessidade de mão-de-obra no Porto do Rio Grande, as políticas de formação de técnicos do antigo CTI da FURG serão feitas na serra gaúcha e não na cidade vizinha de Pelotas.

Parece-me que as boas intenções do Governo Federal foram deformadas por egos machucados. De fato, estas pequenas discordâncias fazem com que a região perca muito. No âmbito da educação tecnológica regional, deixamos de ser mais unidos e fortes. Perdemos a possibilidade de crescer juntos e de realizarmos trocas entre rio-grandinos e pelotenses. Perde a educação e se empobrece o povo.

Outros textos de João Alberto da Silva
E-mails para o autor: joao.alberto@ufrgs.br

Amor, tesão e poesia

Ars Longa
Crônica de cultura

Jurandyr Czaczkes nasceu casualmente no Rio, civilizou-se em São Paulo e depois ficou baiano. O sobrenome judaico-polonês (tcháskes) é do pai austríaco. O Menestrel do Brasil apresentou ontem (11) no Sete de Abril seu show de 50 anos de carreira: “O rei está nu”, nome de uma modinha composta na época do Mensalão. Foram 90 minutos de piadas curtas e longas, modinhas no bandolim e com acompanhamento, mais um vídeo-reportagem de 10 minutos. O cantor cômico, hoje com 70 anos, ficou mais sábio e sentimental para tratar suas velhas obsessões: sexo e política.

Fora os signos da idade (barriga, corpo enferrujado, falar da família repetidamente, e reclamar do frio), ele é agora um verdadeiro humorista, que satiriza tudo com cultura, e um homem feliz, apaixonado pela mulher (com amor, tesão e poesia, há 35 anos) e pelas duas filhas adotivas, Maria Clara e Maria Morena.

Com formação erudita, ele fez acompanhamento instrumental para 4 de suas modinhas, e as faz ensaiar e tocar em cada cidade, com músicos locais. Em Pelotas, o quarteto ficou formado por Neco Eidelwein na flauta, Luís Borges no violino, Mateus Sacramento na viola e Leonardo Oxley no violoncelo. O compositor gosta de dirigir e achou um problema de afinação no violino.

Os músicos não escaparam das piadas e não se continham para rir. A seguinte história deixou Leonardo Oxley rindo tanto que precisou de um tempo para recuperar-se e poder tocar o seguinte trecho.

Num hotel de Salzburgo, Mozart disse à camareira que ela devia transar com ele porque assim estava escrito na Bíblia. Ante tal argumento, ela aceitou. Depois do encontro, ela quis saber o que a Bíblia dizia sobre aquilo. A resposta foi: “Está escrito à mão na última página: cante a camareira do 3º andar, que ela aceita”.

Sábado, Julho 11, 2009

Pub Manta: boteco de 'inglês'


Slow Food
Crítica de gastronomia

Muitos bares têm uma boa comida mas que não é valorizada, em função de colocar a música como carro-chefe. O Pub Bar do Hotel Manta é um local assim, pouco conhecido do grande público por vários motivos: sua imagem se associa mais à boêmia que à gastronomia, sua publicidade vai sempre ligada ao hotel e fica na sombra do restaurante da empresa, a Cantina de Mamma Pizza.

Apesar disso, o Pub Manta é muito mais freqüentado por pelotenses do que por turistas. E nos surpreende saber que ele existe há 25 anos, sempre dentro do hotel, com entrada pela General Neto. “Tradição em ser clássico” é o slogan, que revela o estilo internacional de bar elegante.

O ambiente é penumbroso mas acolhedor, tem dez mesas cômodas e um televisor com sofás. A estética remete aos pubs britânicos, até com uma cabine telefônica com porta e tudo. O atendimento é formalmente respeitoso, pensado para que a pessoa se sinta em casa, como deve ser num hotel. Único fator na contramão: ignorar a lei federal 9294/1996, que permite fumar em lugares públicos somente em áreas isoladas e arejadas.

No cardápio de bebidas, há long drinks, short drinks, whiskies, vinhos, cervejas, mais soft drinks (sem álcool), chás e cafés. Para comer: pizzas no palito, picadinho de frios, vários petiscos e todo o cardápio do Mamma Pizza. O Sanduíche Aberto (R$ 14) dá para dois; seu suave sabor pede um acompanhamento como o Cuba Libre, servido aqui com vodca (deve ser com rum, a bebida cubana por essência). Melhor ainda é fazer a combinação com cachaça (R$ 6).

A música ao vivo, terças e quintas, é um plus do Pub, ausente no Mamma Pizza. Às terças, Zé Ricardo. Esta quinta (9) foi a vez de Cláudia Braunstein às 19h30 (teclado e voz) e Toni Konrath às 21h30 (violão, percussão e duas vozes). Na próxima quinta (16): Renato Popó e amigos. Quando há shows, cobra-se R$ 5, e mais os habituais 10% de serviço.

General Neto 1131, de segunda a sábado, das 18h à meia-noite.

Sexta-feira, Julho 10, 2009

Esclarecimento

Onassis: este colocava todas gerações de pelotinos no chinelo,
inclusive porque se tornou um homem culto

Leitor pergunta se tenho raiva dos "ricos" - segundo ele - uma vez que criticamos os "pelotinos". Veja você o que tenho de aguentar às vezes. O escritor Truman Capote, íntimo de Aristóteles Onassis e outros milionários, só considerava realmente rico quem pudesse dispor de 50 milhões de dólares em espécie no prazo de 24 horas. Pela ótica de Capote, não posso ter raiva de ninguém em Pelotas.

Na verdade, Pelotas, hoje em dia, tem raros casos de gente na ativa que fez fortuna com as próprias mãos, saindo do zero. Nenhum deles com aquele poderio mencionado por Capote.

A maioria dos que usufruem de condição financeira aparentemente melhor herdou dinheiro ou negócios dos pais. Com perdão do trocadilho, não puseram o negócio em pé; tiveram o caminho facilitado.

Os que fazem questão da "pose" e das fotinhos publicadas nos jornais municipais (os verdadeiros pelotinos) são os herdeiros, inclusive os que nada produzem mais, e os emergentes, aqueles que começam a se dar bem em algumas atividades, mas nada que lembre um milionário de verdade.

A condição dessas pessoas sobressalta numa cidade com a depressão econômica da nossa, mas se torna inexpressiva em comparação com outras cidades. Em Caxias, o bicho começa a pegar. Em São Paulo, quem nos parece "rico" por aqui se torna nada. Em Nova York, provavelmente não prolongaria por muitos dias a estada num hotel de médio padrão.

O leitor, pelo jeito, tem cabeça de americano, para quem o dinheiro é tudo. A minha humilde cabeça está mais para o velho continente, aliás, nossa origem, onde a bagagem intelectual aplicada ao trabalho e à ética tem maior peso do que a conta bancária de alguém.

E boa noite a todos, que hoje vou levar meu filho para jantar no excelente Batuva, nosso "melhor" restaurante, por sinal, acessível à classe média que trabalha bem, até mesmo aos flanelinhas que atuam forte durante um dia de trabalho.

Ah, sim. Do Onassis, que ainda por cima teve como mulheres Maria Callas e Jaqueline Kennedy, desse, sim, eu tenho raiva. Pelos pelotinos (os "arroz de festa"), eu sinto é compaixão.

Lula não viu

Os presidentes Obama e Sarkozy ficaram entusiasmados com o resultado do encontro do G8, nesta quinta (9), na Itália. O presidente Lula, entretanto, da mesma forma que não viu o mensalão, e não vê nada de errado com o Presidente do Senado, não prestou muita atenção a um dos principais acontecimento da cúpula. A moça conferida por Obama é brasileira, tem 17 anos, e se chama Mayara Tavares.

Shopping Figueiras (Rio Grande)

Ars Longa
Crítica de cultura

Pelotas nasceu e se desenvolveu em função do porto de Rio Grande. A freguesia formada perto do Arroio Pelotas obteve autonomia administrativa em 1832, com a instalação da Câmara Municipal – defronte à Praça da Regeneração (Coronel Pedro Osório) – e do pelourinho, onde hoje está a Fonte das Nereidas.

As duas cidades seguiram crescendo em ritmos diferentes, mantendo uma tradicional rivalidade. No século XXI, a tendência é de que as velhas competidoras formem conjuntamente um polo econômico, industrial e cultural. Mas hoje ainda vivem uma fase de decadência, enfrentada com trabalho e otimismo por alguns, negada pela maioria. Um exemplo ajuda a ver esta semelhança negativa.

Há uns dez anos, foi levantado em Rio Grande um moderno centro comercial, com 80 lojas em dois andares, praça de alimentação, elevador panorâmico, uma sala de cinema e amplo estacionamento. O plano foi executado no terreno de um casarão na rua Aquidaban, em cujo pátio havia três figueiras centenárias. A Prefeitura autorizou a derrubada da casa mas não das árvores, e o novo prédio se denominou Shopping Figueiras.

Por uns anos, o empreendimento deu certo, mas nunca chegou a sua capacidade máxima. Lojas e cinema ficaram sem público, os comerciantes deixaram de investir e a Faculdade Atlântico Sul, que começou neste prédio, abriu sua sede longe dali. Hoje restam 20 lojas abertas, no térreo. O elevador funciona perfeitamente, mas o segundo andar é uma carcaça abandonada. Os rio-grandinos se mantêm fiéis aos restaurantes, deixando a construção com aspecto de cidade fantasma. As velhas árvores seguem de pé, mas, na falta de espaço para plantar novas, as sobreviventes anunciam que o Shopping Figueiras está morrendo com seus símbolos.

Uma cidade desnorteada que não aceita o progresso? Ou que teme a subida mundial do nível das águas? Um bastião da defesa contra os espanhóis, que não quer mais guerra? Ou um antigo porto que prefere ter vocação de balneário? Poderá a saída encontrar-se na reunificação com o distrito dos banhados que se emancipou no século XVIII?

Quinta-feira, Julho 09, 2009

Eu leio o jornal Amigos de Pelotas

"Eu leio o Amigos de Pelotas porque me atualizo com rapidez. Os fatos acontecem e logo estão no blog, um instrumento inovador de informação que reflete bem o que pensa o pelotense, sem qualquer censura, e permite o debate instantâneo do que foi escrito."

Osvaldo Duarte Júnior
Fisioterapeuta
Mestrando em Saúde e Comportamento pela UCPel
Assessor Parlamentar
Pelotas (RS)

José de Alencar teria dado um bom presidente

José de Alencar, vice-presidente da República, foi operado novamente na tarde desta quinta (9), no hospital Sírio-Libanês. Os médicos retiraram 18 tumores de seu intestino. A operação acabou há pouco.

Já perdemos as contas das vezes a que Alencar se submeteu a intervenções cirúrgicas. O que chama atenção é sua aparente tranquilidade diante da doença.

Quando morava em Brasília, conversei com ele algumas poucas vezes, ocasionalmente, em cerimônias. Pessoalmente, o astral do vice-presidente é como nos parece pela tevê. Seguro, simpático. E, apesar da fortuna que ergueu com o suor do próprio trabalho como empresário, é um homem de uma simplicidade franciscana.

Tivesse entrado na política mais cedo, teria dado um bom presidente.

Por falar nisso, com sua ausência, durante a cirurgia, e com Lula no exterior, a presidência ficou vaga - a cadeira ficou vazia. Ninguém deu maior importância ao fato, a não ser alguns jornalistas. O Brasil é mesmo um país único.

Pavan vai dar trâmite a novo pedido de impeachment da governadora Yeda

O presidente da Assembleia Legislativa do RS, deputado Ivar Pavan, comprometeu-se em encaminhar à Procuradoria Geral novo pedido de impeachment da governadora Yeda Crusius (PSDB). O pedido foi protocolado na AL ontem (8) por servidores públicos estaduais. O documento foi assinado por 34 sindicalistas representando o Fórum dos Servidores Públicos do Estado (FSPE).

A vice-presidente do sindicato dos professores públicos estaduais, o Cpers, Neida Oliveira, diz que o pedido denuncia práticas de crime por responsabilidade da governadora Yeda. Para ela, já há provas suficientes para que se determine o afastamento imediato de Yeda.

"No nosso entendimento, não tem mais nenhuma condição de que a Assembléia Legislativa, que sequer conseguiu instalar a CPI [CPI da Corrupção], faça de conta que nada está acontecendo enquanto nosso estado vive um clima de completa instabilidade no governo acusado de corrupção", afirma.

Este é o segundo pedido de impeachment da governadora que chega à Assembléia Legislativa. Em junho do ano passado, quando surgiram as primeiras denúncias de corrupção e Caixa 2, o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) protocolou um pedido de afastamento.

O que mudou durante este período, avalia Neida, é que novos depoimentos divulgados confirmariam as denúncias e adicionam outras. São os casos das entrevistas de Magda Cunha, viúva do ex-assessor de Yeda, Marcelo Cavalcante, e o recente depoimento do empresário Lair Ferst ao Ministério Público Federal (MPF).

"Ele é um novo pedido de impeachment porque ninguém nos explica exatamente o que aconteceu com o outro. Nós temos hoje, inclusive depoimentos de quem participou de todo esse esquema que já são públicos. A Assembléia Legislativa tem responsabilidade neste momento de responder para a sociedade gaúcha", diz.

A próxima atividade dos servidores está marcada para o dia 16, quando ocorrem diversas mobilizações na Capital e no interior para pressionar pelo impeachment.

Nossa candidata ao título de Cidadã Pelotense de 2010, se a Câmara concordar em homenagear os "humildes" em "sessão solene"

Na última segunda-feira, em sessão solene no Theatro Sete de Abril, nossos vereadores homenagearam pequenos e médios empresários de relativo êxito na cidade, além de outras figuras. Diante dessas homenagens, lembro daquele ditado: "Dinheiro chama dinheiro". Os homenageados surgem, depois, nas fotografias nas colunas sociais, sempre corados e felizes, ao lado dos corados e felizes vereadores que os homenagearam. Todos certamente possuem seus méritos. Mas, afinal, O QUE É UM CIDADÃO PELOTENSE? UM CIDADÃO EMÉRITO DE PELOTAS? QUAL A EXTENSÃO DO BENEFÍCIO SOCIAL DE SUA ATUAÇÃO, QUE, AFINAL, É O QUE DEVERIA MEDIR A CÂMARA? Sempre fico com a sensação de que nossos nobres vereadores, tão solícitos diante dos "pobres" na época de caçar votos, depois de eleitos, viram as costas ao "povão" na hora de "homenagear". Eu gostaria de ver nossa Câmara homenagear, por exemplo, uma mulher como Neli Martins Netto, cujo trabalho assistencial solitário (sem apoio do poder público) tem feito a diferença na Vila do Trapiche. Abaixo, um perfil de Neli.

















Mabel Oliveira
Colunista do blog

Quem passa pela pequena Vila do Trapiche, no Laranjal, percebe a discrepância entre a exuberância natural da praia e os pequenos casebres que se enfileiram a beira da lagoa. A maior parte dos moradores da localidade está desempregada e a única atividade possível é a pesca no verão. No resto do ano, o que existe são histórias de abandono, descaso e miséria. Entretanto, um olhar mais atento descobre que nem tudo é como parece ser.

Escondida entre tantas outras, quase idênticas em simplicidade e precariedade de instalações, está a casa de Neli Martins Netto. Moradora do Laranjal há mais de 40 anos, tia Neli, como é conhecida, instalou-se na Vila do Trapiche em 2003. Aos 51 anos de idade, ela vem modificando não apenas sua história pessoal, mas a da comunidade a sua volta. “Jamais imaginei que minha vida iria se tornar o que se tornou: doação total”, desabafa Neli.

A vida dessa pelotense transformou-se no dia em que um menino chegou até ela comendo uma goiaba verde. Tocada ao notar a fome do garoto, Neli lhe ofereceu um prato de comida e guardou a goiaba, para nunca esquecer daquele momento. Hoje, a fruta está seca, mas Neli continua dividindo o pouco que tem com as crianças que chegam com fome à sua porta. Mais do que isso, dedica todo seu tempo e dinheiro para oferecer novas perspectivas aos meninos e meninas que vizinham sua casa. “Meu objetivo é vê-los formados e encaminhados, quero que se tornem pessoas de bem”. Viúva sem filhos, Neli mora sozinha em cômodo único, que converteu em ateliê. A pequena peça é decorada com desenhos, pinturas, fotos e bilhetes das 50 crianças que atende, além de livros e painéis educativos sobre o perigo das drogas.

Como o trabalho de Neli é voluntário, a ajuda que recebe é eventual. Mesmo assim, ela não pensa em desistir. Referindo-se às crianças, diz: “Sou eu para eles; não espero se alguém vai ajudar ou não. Precisando, vou atrás (...) As instituições não querem se envolver, não é interessante para ninguém ajudar pobre”.

Uma vez na casa de tia Neli, ficar ocioso é proibido. Durante a semana, as crianças podem, se quiserem, pintar panos de prato para vender. Aos sábados recebem aulas de teatro de voluntárias. Recebem também aulas de reforço – estudar é lema da casa.

Mulher simples de olhos vibrantes e pés inquietos, moradora de uma comunidade pobre, Neli vive para ajudar crianças que não são suas, mas trata como se fossem.

Faz um ano (ou O suco da semente)


Leonardo Peixoto
Graduando de Cinema & Animação

Faz um ano. É curioso como algumas convenções mexem com a gente. Um ano, uma década, meio século, um jubileu... Enfim, faz um ano. Muito tempo ou pouco tempo, não dá para precisar. “Cada coisa a seu tempo”, sempre ouvi dizer. É impressionante como mudanças podem acontecer de forma tão rápida. No dia 4 de Julho do ano passado recebi a noticia mais impactante da minha vida: estava com Leucemia. No dia 6, entrei no hospital. No dia 7, foi o aniversário mais estranho. No dia 9, comecei o longo tratamento quimioterápico. Sendo assim, toda essa história está a ocupar minha mente neste 9 de julho; então, não conseguiria escrever sobre outra coisa.

Esta semana está vindo com um gosto de superação, de vitória, de alívio e de conforto. Não, ainda não estou curado, mas o susto passou e as punções, transfusões, biópsias e internações têm cada vez menos freqüência na rotina. Neste ano, reafirmei algumas certezas: que tenho um porto seguro na minha família, uma fé que me mantém firme, amigos em quem confiar e que se tem que aproveitar cada minuto.

Neste um ano, recebi muitas ajudas, de doações de sangue a orações e boas energias, passando por artifícios para passar o tempo. Montei um quebra-cabeças, fiz um mini-filme, escrevi muita coisa, vi muitos filmes, mergulhei em livros. Deixei de fazer várias outras coisas, mas essas não se deve listar.

Não é fácil e não é bom, mas, como o meu pai me disse uma vez, “às vezes tem que tirar suco até da semente”. Não sei se amadureci ou se aprendi algo exato. A certeza que eu tenho é que adquiri uma grande habilidade em lidar com mudanças. Ah! A instabilidade da vida, que graça teria sem ela?

Não sei o quanto é interessante para alguém ler essa minha descrição, mas, como já disse, não conseguiria escrever sobre outra coisa hoje. E, pensando melhor, acho que aprendi algumas coisas sim: tudo sempre se acomoda, pode não ser do melhor jeito, mas se acomoda. E enquanto as coisas não se ajeitam tudo que podemos fazer é nos esforçar para o melhor, e, durante o percurso, dar o máximo de risadas, sorrisos e abraços sinceros que conseguirmos.

Faz um ano. Nesse período já tive medo de morrer, mas hoje não conseguiria me sentir mais vivo. Só posso agradecer novamente a quem me ajudou. E dizer a todos, mesmo podendo parecer piegas, que, mantendo a esperança, a firmeza e a sinceridade sempre são possíveis. Nem que se tenha que tirar suco da semente.

Outros textos de Leonardo
E-mails para o autor: leo_vpeixoto@hotmail.com

Yeda cobra de Fetter 'dívida' de R$ 75 mil contraída na gestão de Marroni

Secretaria Estadual de Cultura apresentou à prefeitura de Pelotas fatura de cobrança do Carnaval de 2004, gestão do então prefeito Fernando Marroni (PT). De um montante de R$ 437.780, captados através da Lei de Incentivo à Cultura estadual (LIC) para a realização da festa daquele ano, faltou, até este momento, cinco anos passados, a prestação de contas de R$ 75.814. Dedução lógica: sem prestação, o dinheiro pode ter sido roubado por alguém. Quem?

Comentário meu
Eis mais um exemplo grotesto da desorganização do estado brasileiro, no caso, gaúcho. Nunca é tarde para apresentar um "papagaio" do tipo, já que envolve dinheiro público. Mas fazê-lo cinco anos depois do fato ocorrido nos deixa perplexos com o nível de - desculpe - "esculhambação" do governo - a não ser, é claro, que este mesmo governo que cobra a dívida esteja envolvido no sumiço do dinheiro. A cobrança chega logo depois de a governadora Yeda Crusius (PSDB) participar do jantar pelos 197 anos de Pelotas, em que posou para foto com o prefeito Fetter Jr. (PP).

A conta da calvície


Egídio Pizarro
Graduando de História

Chega uma hora na vida em que o homem tem que encarar seus desafios de frente. Aquela hora em que não adiantará mais fingir que o desafio não existe. E essa hora chegou para mim: ontem mesmo fui a um médico para tratar do começo do princípio do início da minha calvície. Ele acabou me prescrevendo um exame para saber se eu estou apto a usar um medicamento chamado Finasterida - o mesmo que barrou Marcão, (ex-jogador do Inter) e Romário em exames antidoping. Ou seja, minha carreira de futebolista profissional acaba de ir para as cucuias.

Percebam que eu vou ter que botar algum dinheiro para fazer com que os mosquitos desistam da ideia de transformar meu cocuruto em pista de pouso. Mas isso não me preocupa.

Minha calvície é causada pelo stress que nossos governantes nos causam. Temos um ministro da educação que não se importa com a opinião nem com relato de estudantes universitários como eu e abençoam reitores com atitudes no mínimo duvidosas. Temos vereadores que empregam parentes sem concurso e ignoram que eu e outros continuemos desempregados.

Nossa segurança, segundo o governo do Estado, é ótima. Os índices de criminalidade de Pelotas demonstram isso com a clareza de um carvão. Mas a real fonte para dizer que nossa segurança é boa deve ser o esquema de segurança que cerca a governadora e a sugere que não compareça na abertura da Fenadoce.

Temos um senado que se utiliza de atos secretos para empregar parentes e não-parentes. Temos senadores ganhando rios de dinheiro e eu, sequer ganho no bingo. Temos um presidente que dá apoio a esse senado.

É tanto stress que a parte financeira do meu tratamento contra calvície é o que menos me dá preocupação. É que eu estou mandando a conta para o governo. São eles os responsáveis. E se um Presidente da República se salva ao dizer que não sabia do mensalão e um Presidente do Senado se salva ao dizer que não sabia de empregos irregulares, conseguir um tratamento contra calvície deve ser fichinha.

É só eu dizer que não sabia que calvície é hereditária.

Outras crônicas de Egídio
E-mails para o autor: ejix.dopus@gmail.com

Quarta-feira, Julho 08, 2009

Bicentenário de Pelotas

Voz do leitor: Pelotas, 200 anos...

Uma cidade, em si, quase não existe. Existem as várias histórias das pessoas que nela vivem...

Roberto Soares analisa: "Pelotas, 200 anos. Gostaria de começar comentando que o frenesi em torno dessas 'datas redondas' nunca fez muito sentido para mim. No dia de seu aniversário, Pelotas esteve como quase sempre: úmida e chuvosa, mas mais quente que o normal para esta época do ano. Uma cidade, em si, quase não existe. Existem as várias histórias das pessoas que nela vivem.

Aos 200 anos, no cotejo com outras cidades de mesmo porte no resto da Região Sul (RS, PR e SC - o único parâmetro racional de comparação, a meu ver), Pelotas ainda marca passo em vários aspectos: vida cultural, geração de empregos, limpeza pública etc. Não que não tenha melhorado - os governos, por mais que detratem uns aos outros, dificilmente pioram a situação do município.

Mas confesso que, apesar dos belos depoimentos de uns, ainda acho que a impressão pessoal reflete mais um momento da vida particular de quem comenta do que a realidade da cidade, afinal, a vida de um habitante da zona norte é diferente da de um habitante do Porto, que por sua vez difere do cotidiano de um morador do Laranjal, do Centro, do Sítio Floresta, do Pestano, do Fragata... Colando todos esses retalhos temos a grande colcha chamada Pelotas.

O que me apraz na cidade é, entre outras coisas, essa diversidade. Pelotas completa dois séculos com muitas perspectivas, mas é cada vez mais necessário que cada pessoa faça a sua parte na sua vida pessoal para que a coletividade mude como um todo. Que se invista em gente capacitada daqui. Que seja abolido todo o clientelismo, corporativismo, nepotismo, imobilismo, continuismo e "todos esses 'ismos' que nos freiam o autêntico progresso".

Ando meio desesperançoso com essas esperanças depositadas na população. Da política, então, não espero nada, que não sou bobo. Só espero que esses cidadãos que dizem amar tanto Pelotas não fiquem apenas no belo discurso, e passem a de fato pensar (e agir) a cidade diferente. Espero. Mas, no fundo, sei que me iludo.

Acima de pelotenses, somos (quase) todos brasileiros, e, como Stefan Zweig involuntariamente preconizou em sua obra, o Brasil é o 'país do futuro', e a gente sabe que o 'futuro', via de regra, não chega nunca. Vivemos num eterno presente. Infelizmente, é isso que me traz o aniversário de Pelotas, essa cidade a um só tempo tão feia e tão bonita".
Cartas do leitor devem ser enviadas ao e-mail amigosdepelotas-blog@yahoo.com.br. Junto com o texto, envie foto de rosto sua. Informe-nos também sua profissão e seu número de telefone.

O Local e o Universal ou Pelotas e o Cosmos


Welington Silva Rodrigues
Doutor em Filosofia

Atribui-se a Tolstoi esta frase: “Se queres ser universal começa por pintar a tua aldeia”. Referia-se metaforicamente às narrativas. Os homens são, ao que parece, semelhantes em toda parte. Lembram da expressão “a história se repete”? Ela diz apenas que somos previsíveis. E do Nietzsche, com o seu eterno retorno do mesmo. Estaríamos fadados a repetir erros e acertos? Para nossa sorte, há uma outra expressão redentora: o diabo mora nos detalhes.

Se por uma lado podemos reduzir todos os homens ao “animal racional”, por outro lado aceitamos que a experiência individual é única, intransferível e fugaz. Afinal, somos todos “animais racionais”, e nisso iguais uns aos outros, ou somos indivíduos únicos, sem par? Ou as duas coisas? Ou nenhuma? Ou um composto de ambas?

No quotidiano, no popular, no pitoresco há material de sobra para os pensamentos mais elevados dos filósofos mais refinados; e para os medíocres também. Ocorre que são muito fleumáticos e raramente reconhecem a fonte mundana de sua inspiração cogitante. Também aqui há muita vaidade e afetação...

O que temos nós de universal? O que temos de peculiar? Nossa insignificância petulante, nosso atraso vanguardista, nossa Atenas do Sul que já foi sem nunca ter sido, nosso galicismo genético, nosso charme decadente, nosso fog londrino, nosso frio europeu, nosso calor equatoriano, nosso mofo, nossa umidade, nossos alpes da Cascata, nosso Guarany que serve como França numa propaganda de automóveis, nossos camelôs defronte à Receita Federal, nossas três, quatro ou sei lá quantas universidades e escolas técnicas, o crack, a merla?

Questão de identidade é sempre complexa. E eu continuo sempre com a impressão de viver num brechó.

PS.: Antes de enviar este texto para o Blog, dei para minha mulher ler e ela disse que eu sempre criticava a cidade, os pelotenses e tal, mas que eu escrevia como tal. Bem, ao menos há alguém sensato na casa.

Outros textos de Welington
E-mails para o autor: wsrcg@yahoo.com

Gerdau demite 420 no RS

A metalúrgica Gerdau já demitiu pelo menos 420 metalúrgicos de suas unidades no Rio Grande do Sul. Somente na fábrica de Charqueadas, a 55 km de Porto Alegre (RS), 300 trabalhadores foram desligados desde novembro passado. A segunda unidade a sofrer bastante é a de Sapucaia do Sul, na região metropolitana, com cerca de 120 demissões.

A retração na empresa também se refletiu em terceirizadas da região, que contabilizam pelo menos outras 300 demissões. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Charqueadas, Jorge Luiz de Carvalho, avalia que o impacto é grande no município, já que a fábrica responde por mais da metade da arrecadação.

“A empresa alega que os pedidos caíram drasticamente com a crise financeira, então tiveram que fazer esses ajustes, que não concordamos. Quando a fábrica produzia 40 mil toneladas havia uma sobrecarga de trabalho, com os trabalhadores ficando doentes. E quando houve uma queda de produção, eles começaram a demitir em larga escala”, reclama.

O presidente da Federação dos Metalúrgicos do RS, Milton Viário, reconhece que a crise financeira reduziu a atividade econômica do país. No caso da unidade da Gerdau em Charqueadas, a produção de aços especiais foi afetada com a retração da indústria de máquinas e automóveis.

O sindicalista duvida que os trabalhadores voltem a ser readmitidos caso a economia consiga se recuperar. "A segunda questão é que, voltando ao normal, eles não voltam a contratar. A empresa está aproveitando o momento para fazer uma reestruturação produtiva, produzir mais com menos funcionários", diz.

A Gerdau não confirma o número de trabalhadores demitidos, mas admite os desligamentos. Os metalúrgicos temem que as demissões aumentem. Recentemente a Gerdau comprou a empresa Villares, em São Paulo, que possui produção semelhante a Aços Especiais Piratini, em Charqueadas, o que pode acarretar no fechamento da unidade gaúcha. Ainda há boatos de que chineses estariam interessados em comprar a fábrica. A Gerdau, até o momento, não se pronunciou sobre o assunto.

Até o final de maio passado, a Federação dos Metalúrgicos contabilizava 22,3 mil trabalhadores gaúchos demitidos desde o final de 2008.

Terça-feira, Julho 07, 2009

A maionese pede carona

Abaixo, opiniões de autoridades e nem tanto sobre Pelotas, no jantar ontem à noite no Tourist Park Hotel, que comemorou os 197 anos da cidade. Conteúdo mostra a superficialidade das visões, sobretudo se compararmos com a situação da educação municipal em Pelotas, cujos indicadores apontam um verdadeiro caos (veja alguns links no pé do post).

As observações dos convidados, porém, foram divulgadas em matéria do site da prefeitura, intitulada: Jantar festivo celebra uma Pelotas moderna e pronta para o futuro. Comovente a isenção e a percepção da realidade. Confira aí embaixo.

“Hoje, Pelotas se constitui em um município que pode ser citado como exemplo para os demais municípios do Estado".
Fabrício Tavares
Vice-prefeito de Pelotas

“Pelotas chegará bem aos 200 anos, pois se planejou para isso. Este planejamento aumenta sobremaneira as probabilidades de acerto nas decisões do Poder Executivo e colocam o município, novamente, na senda do desenvolvimento e da modernidade”.
Nélson Harter (PMDB)
Deputado estadual

“Pelotas possui um conjunto de indicadores muito positivos, pois seu progresso e desenvolvimento partem da valorização da própria cultura, de sua história. O município se reinventa e se renova a cada dia devendo chegar aos 200 ano mais jovem, mais desenvolvida e com uma qualidade de vida invejável”.
Deputado Ivar Pavan (PT)
Presidente da Assembléia Legislativa

“Uma preparação para o futuro como é feita em Pelotas é o exemplo que todos os municípios gaúchos deveriam seguir. Em Pelotas, a administração faz planejamento de ações para que a execução se concretize”.
Governadora Yeda Crusius (PSDB)

“Muito me orgulha estar aqui comemorando o aniversário desta terra, que por muito tempo formou e exportou mão de obra. Agora, além de estarmos comemorando o aniversário, estamos comemorando este grande momento de desenvolvimento vivido em Pelotas e esta largada rumo ao bicentenário”.
Matheus Bandeira
Secretário Estadual de Planejamento

"Pelotas tem todos os atributos de uma cidade do século XXI, cosmopolita”.
Fernando Marroni (PT)
Deputado federal

"Pelotas tem uma sociedade evoluída. “É uma cidade que tem alma, é única, é bonita, acolhedora, que tem muitas coisas para serem vistas”.
Túlio Milman
Jornalista RBS/TV

“Nestes tempos de crise o que vemos por toda parte são projetos parados. Chegamos em Pelotas e o que enxergamos é exatamente o contrário: vemos desenvolvimento. Pelotas superou o período de estagnação, supera suas dificuldades, é uma cidade mais que madura”.
Paulo Sérgio Pint
Diretor da Rede Pampa

Leia mais

Voz do leitor

Leitora Ana Duarte comenta: "A campanha 'Rumo aos 200 anos de Pelotas' é, em si, vazia de significado, já que o prefeito sequer se comprometeu com metas de administração até 2012. Se a cidade chegar àquele ano do jeito que está agora, qual o sentido de comemorar dois séculos de existência? A mídia, porém, inclusive aquela da qual o prefeito é um dos donos, faz um carnaval com o aniversário de 197 anos e o tal bicentenário, incapaz de questionar o oba-oba com mínimo de juízo crítico".

Exposição desnuda sensualidade


Ars Longa
Crônica de cultura

“Doce Ousadia” é um dos quadros expostos no Clube Comercial por Carmen Araújo, ginecologista que se dedicou totalmente à pintura e é reconhecida no Brasil e no exterior pelo seu talento. Os quadros compõem a mostra “Princesa”, em homenagem ao aniversário de Pelotas.

Doçura e ousadia brotam destas obras sensualíssimas, onde o aberto erotismo feminino se superpõe ao amor pelo patrimônio cultural de Pelotas. A beleza feita por Deus, e reconhecida pela especialista em mulheres, enfeita as belezas plasmadas por mãos humanas. Curvas e exuberâncias anatômicas sugerem que a cidade está viva e sedenta de amor.

A exposição pode ser visitada até dia 17 de julho, das 13h30 às 20h, com entrada pela Félix da Cunha (na porta mais à esquerda, onde diz “Conserve fechada”).

Guerra de registros

No ano passado, dois grupos empresariais anunciaram a intenção de construir shoppings em Pelotas: o grupo uruguaio Punta Carretas e o grupo gaúcho Josapar (Real Empreendimentos), que possui escritórios em Pelotas e Porto Alegre. Com o estouro da crise financeira mundial, os empreendimentos refluíram.

Um fato curioso desses movimentos, porém, foi o registro do domínio na internet do nome "puntacarretas.com.br" por uma pessoa de fora do grupo uruguaio.

O registro, que em tese cria dificuldades para os diretores do Punta Carretas (detentores originais da marca), caso quisessem criar um site no Brasil, aparece em nome de Luis Eduardo Bastos dos Santos, diretor da Josapar (Real Empreendimentos).

Para averiguar o documento que prova o fato, ir em http://registro.br,
buscar por "puntacarretas.com.br" e clicar em "whois".

Praia do Laranjal nos 197 anos de Pelotas


Victor Schroder
Geógrafo

No dia do aniversário da cidade, a coluna traz um drops da história de um dos símbolos pelotenses: a Praia do Laranjal. Patrimônio e orgulho dos pelotenses, a praia - bem como toda a cidade – é fruto de jogos de empreendimentos imobiliários, por vezes especulativos ou às voltas com dinheiro público. O Laranjal desde cedo mostrou seu potencial. No começo da cidade, houve uma discussão sobre o melhor lugar para assentar a sede urbana. Três possibilidades eram discutidas: a área onde hoje está, outra no atual Capão do Leão e o Laranjal. A última opção tinha um “cabo eleitoral” de peso: João Simões Lopes Neto, que acreditava no potencial de um porto no local.

Mas a história seguiu outros caminhos. Somente em 1950 a família Assumpção decidiu aproveitar os fundos da sua Estância do Laranjal para fazer um balneário em Pelotas, antiga aspiração da elite local, encantada com Mar del Plata, Punta del Este e Piriápolis. Um investimento genial, com lucros a longo prazo, mas, como sempre, causador de polêmicas.

De um lado, os que acreditavam que haveria um benefício dos Assumpção às custas do dinheiro público (investimento em infraestrutura); por outro lado, os que pensavam que os benefícios do investimento seriam proveitosos a todos.

Adolfo Fetter, vice-prefeito em 1952, comprou uma parte dos terrenos e criou uma sociedade, passando a administrar os balneários. Os três balneários iniciais (Santo Antônio, Valverde e Prazeres) projetados entre 1948 e 1959, correspondiam, respectivamente, a três classes sociais: a classe mais abastada – nos terrenos mais altos – a classe média, nos banhados e a “periferia” no fundo de difícil acesso.

Em 1979, na primeira gestão de Irajá Rodrigues o Laranjal deixou de ser distrito para virar zona urbana, impulsionado pela abertura da avenida Ferreira Vianna e o temido “calçamento” da estrada da Praia. Rapidamente os terrenos entre os balneários e o centro começaram a ser loteados.

O mesmo Irajá torna a vir à cena na década de 1990, com o polêmico loteamento do Pontal da Barra, em área de interesse ecológico, hoje parcialmente embargada para novas construções. No governo Anselmo promoveu-se o asfaltamento e duplicação da avenida Adolfo Fetter, processo que até hoje ainda dá frutos em termos de crescimento do bairro, mas fonte de grande endividamento.

Patrimônio e investimento, público e privado, beleza e sujeira, barro e asfalto... e outras tantas dicotomias que fazem este caso de amor e ódio dos pelotenses com seu balneário. Feliz aniversário!

Fonte: Paulo Roberto Rodrigues Soares – “Del proyecto urbano a la producción del espacio: morfologia urbana de la ciudad de Pelotas, Brasil (1812 – 2000)”.

Outros artigos de Victor Schroder
E-mails para o autor: victorpelotas@hotmail.com

Segunda-feira, Julho 06, 2009

Puro prazer

Retrato de uma mulher negra
Marie-Guillemine Benoist (1768 - 1826)
Le Louvre

Cururu é nomeado CC da prefeitura

O ex-vereador Cururu Insaurriaga (PV), que teve mandato cassado em 2008, foi nomeado nesta segunda (6) Cargo de Confiança 1 (CC1) da prefeitura de Pelotas. De agora em diante ele vai administrar os dois hortos municipais e tocar o plantio da cidade previsto no projeto Pólo do Sul para os corredores verdes da cidade, interligando bairros e centro pelo arvoredo. Vai também ser representante do governo no Conselho Municipal do Meio Ambiente (Compam). Salário: perto de R$ 1.900.

Confirmado primeiro caso de Gripe A em Pelotas

Trata-se de um rapaz (de nome não revelado) que viajou a Austrália recentemente. O resultado foi confirmado pelo Laboratório Central do Estado (Lacen). Ele começou a apresentar os sintomas da doença dia 20 de junho passado e retornou a Pelotas no dia 26.

A Secretaria Municipal de Saúde monitora o paciente em sua casa. Ao mesmo tempo, informa a prefeitura, a SMS vem procurando todas as pessoas que estiveram em contato direto com ele, a fim de verificar se apresentam os sintomas

O caso havia sido notificado em Porto Alegre (não em Pelotas); as coletas de exame foram realizadas no Hospital Conceição. Por esse motivo, explica a prefeitura, o caso dele não aparecia nos sete registros de casos suspeitos identificados em Pelotas. Destes, um caso foi descartado (exame deu negativo); cinco aguardam os resultados dos testes e o último espera um kit para coleta do material a ser analisado.

A sala da Influenza A, específica para informações sobre a nova gripe, funciona diariamente das 8h às 17h no Centro de Especialidades, à Rua Voluntários da Pátria, 1.418. Telefone 3284-7722 (Vigilância Epidemiológica).

Yeda denunciada à Procuradoria da República

Deu no blog do Noblat
O jornalista Ricardo Noblat reproduz matéria de Zero Hora, abaixo.

Desde fevereiro, quando a deputada Luciana Genro deu entrevista ao lado do vereador Pedro Ruas, ambos do PSOL, revelando denúncias que teriam sido feitas por Lair Ferst contra a governadora Yeda Crusius, os gaúchos convivem com a dúvida sobre se o pivô do escândalo do Detran estaria colaborando com as investigações. A confirmação veio ontem por meio de documentos a que Zero Hora teve acesso. Leia na íntegra.

Literárias: A peste


Marcos Macedo
Economista

O formato do blog Amigos de Pelotas exige textos com regras específicas, diferentes do jornalismo impresso. Na internet, posts acima de um certo tamanho não são lidos; já no jornalismo impresso, os leitores aceitam matérias longas. Além desse aspecto técnico, um entre muitos outros, o blog tem uma peculiaridade de conteúdo: a crônica, ou seja, o conto pequeno de enredo indeterminado, só é aceito com muitas restrições, não só por causa do foco jornalístico do blog, mas porque os leitores rejeitam a crônica de tema exclusivamente pessoal.

Esse aspecto remete a um personagem de “A Peste”, de Camus: Grand, um sujeito simples e bondoso, voluntário no combate à peste. Enquanto ela progredia, matando, isolando os habitantes de Oran do resto do mundo, abrindo seus olhos e mudando seus corações, Grand se recolhia toda noite para escrever seu livro, que, uma vez pronto, faria com que todos lhe “tirassem o chapéu”.

A obra já tinha mais de 50 páginas, quando ele caiu doente, e pediu ao doutor Rieux que lhe alcançasse o manuscrito. “Queime-o”, pediu ao médico. Rieux leu-o, e verificou que “todas as páginas traziam apenas a mesma frase, infinitamente copiada, retocada, enriquecida ou empobrecida”.

Uma frase vazia sobre um acontecimento concreto: “Incessantemente, o mês de maio, a amazona, e as aléias do bosque confrontavam-se e dispunham-se de maneiras diversas”, notou o doutor Rieux. Grand escrevia como quem vive a léguas da peste, como se o que estivesse acontecendo à sua volta não lhe dissesse respeito.

Há um paralelo entre o manuscrito de Grand e os posts do blog. Os leitores do Amigos de Pelotas não se interessam por histórias que parecem a léguas de seus problemas, que se preocupam apenas com os destinos de seus autores. Estão interessados isso sim pelo que cada post conta das histórias coletivas, dos sentimentos compartilhados pelos pelotenses de todos os lugares. Interessa-lhes o que temos em comum, e não o que nos distingue e destaca uns dos outros.

Isso leva a outra dos traços do blog: ele não se dedica a fabricar grandes homens, mostrar porque uns e outros merecem distinção, como se fossem estranhos aos destinos de todos os demais, coisa comum entre nós.

A Peste
Albert Camus
Editora Bestbolso
R$ 17,90
294 p.


Outros textos de Marcos Macedo
E-mails para o autor: msmacedo@terra.com.br

Punhaladas de luz

Meteu o punhal dentro do bolso e saiu para a noite
deserta. Deserta e escura. Seu desejo assassino era somente
apunhalar as trevas e riscá-las de luz.


Vasco Miranda (1922-1976),
pseudônimo do português Arnaldo Cardoso Ferreira.

RS e Pelotas investem pouco em Educação


João Alberto da Silva
Doutor em Educação

A legislação federal determina que no mínimo 25% do orçamento dos estados e municípios sejam aplicados na educação. Os governantes que não atingirem este percentual estão sujeitos a punições e as prefeituras e governos estaduais sofrem restrições no repasse de recursos e obtenção de benefícios federais. Esta semana, o Ministério da Educação divulgou o nível de investimento dos estados e municípios em 2008. A notícia chocante, ainda que não surpreendente, é que o Rio Grande do Sul está em último lugar, com a aplicação de míseros 18,44% na educação.

A governadora Yeda Crusius tem anunciado com certa pompa e circunstância o chamado déficit zero, isto é, o Rio Grande do Sul estaria, finalmente, com as contas em dia. De fato, os empresários, fornecedores e credores estão recebendo. A dívida, agora, se concentrou com a sociedade. O Estado tem pagado as dívidas diretas, mas está deixando de cumprir as obrigações sociais mais elementares.

Contêineres transformaram-se em salas de aula, profissionais com salários defasados, falta de transporte escolar. Estes quase 7% do orçamento que deixaram de se investir na educação, somados ao déficit na saúde, evidenciam de onde sai o dinheiro para financiar o déficit zero. A sociedade continua pagando a conta.

A Zona Sul apresenta um quadro diferenciado. Todas as prefeituras atendem as exigências da lei. O destaque vai para o município de Piratini, que investe mais de 30% na educação. Confira abaixo o percentual de cada prefeitura da região:

Piratini: 33,99
São Lourenço do Sul: 28,99
Arroio Grande 28,55
Santa Vitória do Palmar: 27,39
Pelotas: 26,5
Capão do Leão: 25,84
Turuçu: 25,74
Rio Grande: 25,61
Canguçu: 25,50

Outros textos de João Alberto da Silva
E-mails para o autor: joao.alberto@ufrgs.br

Festa

Atualizada às 17h12

As comemorações do aniversário de Pelotas estão sendo organizadas pelo vice-prefeito Fabrício Tavares e por sua assessora, Cláudia Manta.

Cláudia é casada com Fernando Manta, um dos herdeiros da rede de hotéis Manta, onde ocorrerá uma das principais solenidades - o Jantar de Aniversário dos 197 anos de Pelotas, a ser realizado no Tourist Parque Hotel, às 20h de hoje.

Procurado pelo blog, assessor do vice-prefeito (autodenominado Daniel) ficou de conseguir um número telefone de alguém que possa informar como foi feita a escolha do hotel, se ele receberá dinheiro da prefeitura para realizar o jantar e quanto foi pago.

Passadas mais de duas horas desde o primeiro telefonema, como não houve retorno do assessor, telefonamos de novo, mas a informação é de que ele não está na prefeitura.

Resposta do vice-prefeito
Em resposta às indagações do blog, o vice-prefeito Fabrício Tavares esclarece que o Tourist Park Hotel foi escolhido para o jantar de aniversário dos 197 anos em função de colocar à disposição serviço completo, inclusive decoração, também considerando o espaço, ideal para eventos com 500 pessoas. O jantar será custeado pelo valor auferido com a venda dos convites, ao preço individual de R$ 60.

Jornalismo: STF investe na desqualificação da informação ao abolir o diploma


Salvador Tadeo
Secretário Geral
Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS


Muitas são as opiniões sobre a decisão do STF que extinguiu a obrigatoriedade do diploma de Jornalismo para prática da profissão. Eu me deterei didaticamente ao fato, sem entrar em teses sobre a importância da educação em um país onde a democracia é recente, nem na extinção do direito de 80 mil trabalhadores que investiram recursos na sua formação, tampouco no que isso pode significar para a qualidade da informação. Os ministros do STF, capitaneados por Gilmar Mendes, quero crer que não tiveram tempo de se aprofundar sobre o que significa Jornalismo, pois, se o fizessem, certamente a decisão seria outra.

Vejamos o que diz o jornalista e professor da Universidades de Buenos Aires e de Belgrano/Argentina Miguel Wiñazki. "O Jornalismo é a espinha dorsal das democracias de massa. A tarefa do jornalista é política por essência. É ele que legitima a informação e que a converte em comunicação. Jornalismo é atividade sempre na corda bamba, a estender uma ponte equilibrada e crítica entre o poder e a opinião pública. (Clarim.com- 10-07-2005).

Essa afirmação ressalta a importância do Jornalismo e a responsabilidade que deve ter o jornalista. Seu trabalho não pode ser feito por qualquer pessoa, como afirmou Mendes em seu relatório. O mau jornalismo é tão nefasto à sociedade ou até mais do que uma obra mal executada por um profissional não habilitado da Engenharia ou uma cirurgia mal feita por um da área médica, pois no Jornalismo um texto mal escrito pode levar milhões a um juízo errado. Lembremos os casos que retiraram da cena político por anos o deputado gaúcho Ibsen Pinheiro ou o caso das bicicletas, envolvendo o ex-ministro Alceni Guerra.

Se a questão invocada pelo ministro do STF é a liberdade de informação, imagine que a partir de agora nossas opiniões poderão ser publicadas sem problema nos principais veículos, já que, agora “livres”, podemos expressar nossa posição. Para tirar a prova, faça um texto e remeta aos principais jornais do RS.

A não exigência do diploma é uma campanha de vários anos das empresas jornalísticas, Folha de São Paulo, Estado de São Paulo e Rede Globo, com apoio de grandes empresas de mídia, que agora se materializa no STF. As empresas de comunicação ficam liberadas para contratar, explorando o desemprego, aumentando a pressão para rebaixar salários, sem respeito aos pisos salariais. Podem ampliar a contratação de trabalhadores sem vínculo, como pessoa jurídica e free-lance fixo ou até terceirizar a mão de obra, e - o mais grave - aumentar o controle ideológico sem problemas de conflitos éticos, compromissos sociais e com a informação.

Perderá a população, com a queda na qualidade de informação; ganhará o capital, com a possibilidade do surgimento de novo tipo de jornalismo, o jornalismo publicitário, que levará em conta o âmbito comercial em detrimento do interesse público, a informação. Em breve teremos “jornalistas” vendendo comercial e se submetendo ao departamento comercial de empresas para “informar” só o que for de interesse do capital.

A esperança agora fica por conta da classe política, com a aprovação da PEC, já protocolada no Senado, e em fase de coleta de assinaturas na Câmara de Deputados, restabelecendo a necessidade de formação superior para o exercício do jornalismo.

Leia mais
Fim do diploma aboliu o carteiraço, não a profissão

Quiosque de Nelson Nobre revive o passado

À esquerda, a esquina onde hoje fica o Café Aquárius

Ars Longa
Crônica de cultura

Durante a Semana de Pelotas (1-7 de julho), o Quiosque Nelson Nobre Magalhães e duas alunas do Curso de Tecnologia em Gestão de Turismo da UCPel (Tânia Bernardes Sauandaj e Mariana Paranhos) organizaram o projeto "Semana de Pelotas: resgatando nossa memória".

De quarta (1) a sábado (4), realizaram-se shows, ao lado do Quiosque, no calçadão da rua Quinze, com o programa Rádio na Rua, o cantor Solon Silva, os chorinhos de Fábio e Felipe Saraiva, e músicos da Sociedade União Democrata.

Nesta segunda (6), haverá uma exposição fotográfica de Neco Tavares e na terça (7), a apresentação dos minidocumentários "Pelotas Memória, de Nelson Nobre Magalhães". Também, durante toda a semana, expõem-se postais antigos de Pelotas, do acervo de Nelson.

A informação provém do prof. da UCPel Daniel Moraes Botelho, que coordena o Quiosque e a digitalização dos documentos do pesquisador da história de Pelotas. Por algum motivo, esta programação não apareceu no folheto oficial da Secretaria Municipal de Cultura, disponível em museus, salas de exposições, Instituto Simões Lopes Neto e na Secult.

Nelson faleceu em 25 de junho de 2007, e seu acervo foi entregue pela família à Universidade Católica, que o preserva no Centro de Pesquisa Nelson Nobre Magalhães, ligado ao curso de Turismo.

Este post é ilustrado por uma dessas imagens, que mostra (à esquerda) a esquina onde hoje se situa o Café Aquários. Desde 1912, ali funcionou o primeiro cinema de Pelotas, chamado primeiro “Ideal” e depois “Ponto Chic".

Domingo, Julho 05, 2009

Presidente deposto desiste de pousar em Honduras e tevê transmite conflito pela internet

Atualizada às 22h30

Presidente deposto, Manuel Zelaya, ordenou que militares abrissem aeroporto para que pudesse pousar. Mas não pode aterrissar porque governo golpista avisa que se ele não deixasse o espaço aéreo de Honduras, o avião seria abatido. Zelaya diz que direita reage na América Latina
e busca reunir apoios do mundo democrático

O presidente deposto Manuel Zelaya decidiu pousar no aeroporto de Manágua (Nicarágua), depois de encontrar a pista do aeroporto de Tegucigalpa (Honduras) impedida por veículos e de receber ameaças de que seu avião poderia ser abatido. O piloto conseguiu enganar as aeronaves da Força Aérea, mas, quando viu os obstáculos na pista, desistiu. De Manágua, Zelaya embarcou para El Salvador, onde se reunirá com os presidentes da Argentina, Paraguai e Equador, além do secretário-geral da ONU. Mais cedo, apoiadores do presidente deposto furaram bloqueio armado por militares nas proximidades do aeroporto de Tegucigalpa, capital de Honduras. Duas pessoas morreram por tiros do exército e outras ficaram feridas quando manifestantes invadiram a pista do aeroporto. Os soldados dispararam e atiraram bombas de gás lacrimogêneo.

Um dos mortos é um rapaz de 19 anos. Ele foi alvejado em choque com militares na pista do aeroporto. Três pessoas saíram feridas - uma delas um juiz.

Zelaya embarcara em El Salvador, vindo de Washington, rumo a seu país, com o objetivo de retomar o poder, mesmo que o novo governo (que o depôs na semana passada) tenha afirmado que não permitiria o desembarque em solo hondurenho.

Segundo um blogueiro nicaraguense, "havia mais helicópteros sobrevoando o aeroporto do que mosquitos". A temperatura aumentou mais depois que tropas da Nicarágua começaram a se deslocar para a fronteira dos dois países, como forma de pressionar em favor da volta de Zelaya.

Veja mais informações, transmitidas ao vivo pelo Canal 15 de televisão da Nicarágua. O canal transmite pela internet, neste momento, os confrontos entre o exército e manifestantes no aeroporto.

Leniência

"Lula nada fez para evitar a desconstrução e a perda de autoridade moral do Congresso. Os partidos estão mais fracos e deteriorados do que antes de sua posse.
E é papel do chefe de Estado fazer com que as instituições como o Parlamento sejam vigorosas".

Senador Tião Viana (PT-AC).

Celular com TV vira "hit" na baixa renda

Deu na Folha de S. Paulo
Apareceram novas siglas no vocabulário de faxineiros, motoboys, porteiros e auxiliares de escritório que habitam as grandes cidades. São os "mpx" (mp7, mp8, mp9, mp10): telefones celulares contrabandeados da China, que captam a programação da televisão aberta em sinal analógico.

Contrabandeados supostamente via Uruguai ou Paraguai e com preços a partir de R$ 260, esses aparelhos estão se disseminando, para surpresa dos radiodifusores e das indústrias eletrônicas, que previram que a mobilidade da televisão aberta viria com a TV digital.

Eles se tornaram febre de consumo entre profissionais de baixa renda que moram a grandes distâncias do trabalho. ""A TV ameniza o estresse da viagem", afirmou o faxineiro Roberto Naves, 32. Morador de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, ele passa quatro horas por dia em ônibus e trens. Leia na íntegra.

Puro prazer



Cena do filme Pollock, sobre a vida do americano Jackson Pollock, que tornou-se famoso ao criar um estilo próprio. A cena acima mostra o instante em que, à procura de uma linguagem nova na pintura, Pollock descobre que podia pintar quadros sem encostar o pincel na tela.

Nascido em 1912, morreu em 1956, aos 44 anos. Mas entrou para a história como um dos precursores do movimento abstrato expressionista. O pintor é interpretado pelo ator Ed Harris. O quadro abaixo é do artista.

Sábado, Julho 04, 2009

Trezentas Onças

Presidente do Instituto João Simões Lopes Neto, Henrique Pires, e
os premiados, Antônio Hohlfeldt, Paula Mascarenhas e Aldyr Schlee
Ars Longa
Crônica de cultura

Em 1912, João Simões Lopes Neto publicou em Pelotas os “Contos Gauchescos”, entre os quais “Trezentas Onças”, o caso do homem que perdeu trezentas moedas de ouro de seu patrão. Quase cem anos depois, o instituto-museu que preserva seu nome iniciou um projeto centenário: premiar trezentos colaboradores desta causa, no ritmo de três por ano.

Até hoje já foram destacados dez nomes, pelo qual este louco sonho determina que a última premiação ocorra no ano de 2106, e a obra de Simões seja plenamente valorizada, em todo o mundo. Os três escolhidos de 2009 foram: a primeira diretora da casa, Paula Mascarenhas (Pelotas, 1970), o escritor-político Antônio Hohlfeldt (Porto Alegre, 1948) e o escritor-jornalista Aldyr Garcia Schlee (Jaguarão, 1934).

Em cerimônia realizada ontem (3) no Instituto João Simões Lopes Neto, cada um recebeu uma das trezentas onças especialmente cunhadas, troféu que ao mesmo tempo significa uma honra e um dever, como “o recruta que se apresenta ao Capitão pois há muito trabalho pela frente”, como destacou Hohlfeldt.

Schlee pensou em não aceitar a distinção, ainda com a dolorosa lembrança de março de 1964, quando foi impedido de paraninfar uma turma, por motivos políticos. Preso de consciência, ele não compareceu à formatura, nem deu uma explicação por sua ausência (e nem precisaria, mas ele ficou com a dívida moral). Hoje o coração ficou aliviado e as suas lágrimas foram sinais da alegria mais profunda, liberada pelo prêmio simoniano.

Quem trabalha no Instituto fala da “maldição de Simões às avessas”: na vida do escritor, cada projeto fracassava, apesar da perseverança dos esforços e da qualidade das ideias, até a doença fatal aos 51 anos, mas aqui na casa da Dom Pedro II tudo o que se planeja dá certo e só espalha benefícios.