Segunda-feira, Julho 20, 2009

Sindicato quer apurar uso político da Polícia Civil

O Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores de Polícia entregou ofício ao Chefe de Polícia João Paulo Rodrigues, pedindo investigação sobre possível uso político da Polícia Civil gaúcha.

A decisão foi tomada após denúncias na imprensa de que um policial e o chefe de gabinete da governadora Yeda Crusius (PSDB), Ricardo Lied, teriam avisado o presidente do Detran que seu filho seria preso por tráfico de drogas.

O dirigente do Detran, Sérgio Buchmann, entrou em contato com a imprensa e relatou a visita a fim de evitar uso político do vazamento das informações.

Eu leio o jornal Amigos de Pelotas

"Gosto de ler o blog Amigos de Pelotas porque traz notícias variadas. Não trata só de um tema, como economia ou só política. Além destes, aborda outros assuntos de interesse, como questões da cidade, com inteligência e humor".

Leila Fetter
Arquiteta.

Paquidérmica sutileza

Visão empresarial: Mário Filho

Hoje o Grupo, dirigido há 27 anos por Mário Filho, é um exemplo para Pelotas e outras cidades. Navegando contra a depressão econômica regional, a empresa cresce forte e proporciona oportunidades de trabalho e renda para 209 famílias, oferecendo plano de cargos e salários e plano de saúde básico a todos os seus funcionários

Mário Filho e mulher, Elizabeth Medeiros, na inauguração da Paladaria

Círculo Operário é escolhida a empresa de panificação que mais cresce no Brasil

A empresa Círculo Operário foi eleita a firma de panificação que mais expandiu seus negócios em 2008 no Brasil. O empresário, advogado e industrial Mário Filho, proprietário da empresa, que acaba de abrir a terceira unidade do grupo (a Paladaria), um centro gastronômico, receberá a premiação no próximo dia 24 de julho, em São Paulo.

A escolha da Círculo Operário foi feita por 60 consultores associados ao Programa de Apoio à Panificação (Propan), da Associação Brasileira das Indústrias de Panificação e Confeitaria (Abip) e pela Associação Brasileira da Indústria de Trigo (Abitrigo). A empresa pelotense foi selecionada, juntamente com mais sete firmas do país, em categorias diferentes, entre 400 empresas inscritas na premiação.

Além de empresário e advogado, Mário Filho foi vereador de 1989-1992, vice-prefeito, secretário de governo (Secretaria Municipal de Cidadania e Direitos Humanos); foi ainda diretor-presidente do Sanep, presidente do Sindicato da Indústria da Panificação, Massas, Alimentos e Biscoitos de Pelotas (Sindipel), diretor do Cipel e diretor da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs).

A evolução da empresa
A Círculo Operário surgiu em 1983, composta por quatro empregados e três sócios. Em 1986, época da primeira reforma, contava com 26 empregados. Desde 2001, a firma passou a adotar novos métodos de gestão, crescendo de forma acelerada.

Em 2003 operava com 44 empregados. Nesse ano, alterou o lay-out da firma, seguindo as tendências dos grandes centros, substituindo equipamentos, adotando auto-atendimento assistido, aprimorando os festivais promocionais com técnicas adequadas de merchandising e comunicação adequada.

Foram feitos investimentos em equipamentos com tecnologia para alta produção de salgados e produtos panificados e tecnologia da informação, sem reduzir o quadro de funcionários. Em 12 meses a empresa apresentou crescimento de 84% em seu faturamento.

Preparando-a para a profissionalização da gestão, em 2004 foi implantado um programa de estágios de nível médio (a área de alimentos) e de nível superior de administração, contribuindo com boas técnicas de produção e gestão.

Iniciaram-se em seguida preparativos para implantar as boas práticas de fabricação e manipulação - um nutricionista foi contratado, culminando em 2007 com o recebimento do certificado do Programa de Alimento Seguro da ANVISA, auditado pelo Senai gaúcho.

Em 2006, membros da família abriram a segunda loja do grupo. Um ano depois esta loja foi ampliada, passando a atender com o conceito de Centro Gastronômico (Padaria, Café, Almoço, Pizzaria e Pastelaria), aumentando o faturamento em 100%, comparado com o período anterior.

Em 2008, depois de pesquisa para detectar o bairro de origem dos clientes, a empresa buscou novo local que pudesse instalar uma terceira loja, capaz de atender a demanda identificada. O ponto escolhido foi numa avenida de grande tráfego e alto padrão residencial (Dom Joaquim), que interliga outros três bairros da cidade.

A partir de projeto de viabilidade econômica, financeira e arquitetônica, surgiu a Paladaria, centro gastronômico com 417m² de área de atendimento, inaugurado em maio de 2009.

Hoje o grupo proporciona oportunidades de trabalho e renda para 209 famílias, oferecendo um plano de cargos e salários e plano de saúde básico a todos os funcionários.

Literárias: O Poço


Marcos Macedo
Crítica literária

Foi o moçambicano Mia Couto quem se referiu à tentação de escrever mais e mais livros, e do perigo de encarar isso de maneira quase banalizada, perdendo aquela atitude e paixão intensa que marcam o primeiro livro. As mesmas atitude e paixão que marcam “O Poço”, de 1939, obra de estréia de Juan Carlos Onetti (1909 -1994 - foto abaixo), um dos “fundadores” da moderna literatura hispano-americana, considerado por muitos, entre eles Julio Cortazar, o maior escritor uruguaio do século XX.

Onetti abandonou o épico e focou sua prosa entre o real e o sonho, na classe média latino-americana, urbana, educada, às voltas com a sobrevivência material e espiritual. Recebeu o Prêmio Cervantes de Literatura de 1980. Sua obra está sendo reeditada no Brasil pela Editora Planeta.

Em “O Poço”, Eladio sonha que a esposa voltou a ser a mesma com que se casou. Propõe que ela repita na realidade o que viu no sonho, na esperança de recuperar o que gostava na esposa. Várias vezes ele a faz descer a mesma rua com o vestido branco do sonho, mas sem sucesso, pois o rosto dela estava sempre “sério e amargo”.

Montevidéu parece um pouco sonho, outro tanto uma visita à casa de um avô. Na época da crise do corralito, em 2002, havia naquela rua da Feira da Pulga um sebo entre vários, com livros fabulosos e máscaras venezianas nas paredes. No centro da loja, havia uma enorme máscara de touro, que, se vestida, transformava homem em minotauro. Normalmente, o minotauro tem corpo humano e cabeça de touro, assim como Picasso os desenhou, símbolos do desejo obscuro ao qual se pode entregar sem qualquer outra desculpa além do sexo mesmo. O minotauro simboliza a virilidade que enlouquece as mulheres e os homens com desejo que a razão não explica nem domina.

A máscara de minotauro do sebo ia além, cobrindo também o peito e o coração com feição animal. Era o desejo ainda mais obscuro que o de Picasso, a entrega ao sexo sem explicação nem sentimento para justificá-lo, às vezes contra explicação e sentimento.

Anos depois, o minotauro, aquela impressionante peça antiga de decoração que governava todo o sebo, não estava mais lá. Ali, naqueles anos difíceis para os uruguaios, contra a vontade deles, “todo estaba a la venta”. Eram os personagens de Onetti ressurgindo com todo seu surrealismo.

O Poço & Para uma Tumba sem Nome
Juan Carlos Onetti
Editora Planeta
167 p
R$ 38


Outros textos de Marcos Macedo
E-mails para o autor: msmacedo@terra.com.br

Outras obras disponíveis na Mundial
Vida líquida / Madame Freud/Os cães ladram / Um certo capitão Rodrigo / O chefão /Uma história íntima da humanidade / Mães e filhos /Chorar sobre o leite derramado/ Em busca de sentido / Os trabalhos e os dias / Vida conjugal / Doutor Jivago /Mãos de cavalo / Eles eram muitos cavalos / Ulisses e a volta para casa / O avesso da vida / A morte em Veneza / Homem no escuro / A peste / Pelotas e os não-lugares

Expresso da meia-noite




Cenas finais do filme Expresso da Meia-noite, de Alan Parker. Americano sofre o diabo numa prisão turca durante anos, depois de ser preso no aeroporto, tentando embarcar para os EUA com haxixe. Baseado numa história real, tornou-se um dos filmes mais fortes e marcantes dos anos 70/80. O ator que faz o papel principal, Brad Davis, morreu de Aids, o que acentuou a dramaticidade do filme na memória dos que o assistiram.

Bean, o astronauta artista


















Ars Longa
Crônica de cultura

Hoje completam 40 anos da primeira missão à Lua, realizada pelos Estados Unidos em julho de 1969. Em Washington, uma exposição no Museu do Ar e do Espaço apresenta 43 quadros em tinta acrílica do ex-astronauta da Apollo 12 Alan LaVern Bean, que foi o quarto ser humano a caminhar em solo lunar, em novembro de 1969.

Alan Bean, hoje com 77 anos, é um dos doze que pisaram na Lua, e fez também outras viagens espaciais; em 1973, deu um passeio por fora do Skylab 3, como comandante da nave. Ele se retirou da NASA em 1981, aos 49 anos, para dedicar-se somente à arte, e pinta, justamente, paisagens lunares e espaciais, vistas por ele com seus próprios olhos.

Descobrindo fragmentos de areia lunar em seu escafandro, incluiu-os na tinta em alguns quadros, o que aumenta o valor das obras e lhes dá um caráter único e até fetichista. Outra excentricidade foi colocar pedaços de sua roupa espacial como parte dos quadros.

Um traço principal de suas telas, que podem ser vistas no seu site é incluir colorações na imagem da superfície da Lua, que na verdade é toda cinzenta. Ele diz que, se pintasse como cientista, não poria cores, mas como artista sente necessário ir além da fria realidade.

Um exemplo de sonho impossível – realizado em seu quadro preferido – foi pintar juntos, em solo lunar, os três astronautas da missão (na realidade, um deles ficou no módulo circundando a Lua). Em outra tela imaginária, ele se mostra a si mesmo jogando futebol americano com um colega.

São sonhos obsessivos, mais terrestres e humanos do que altamente científicos. Mas são parte da vida de alguém que sabe se reinventar e contribuir à humanidade de novas formas. Sua nova missão é superar a quantidade de 200 quadros, todos no mesmo tema espacial. Por enquanto, ele já tem 162.

Trapalhada à vista na educação pelotense


João Alberto da Silva
Doutor em Educação

A prefeitura de Pelotas está prestes a fazer uma trapalhada tão grande no sistema municipal de ensino que é até difícil explicar tudo o que será feito. Desde 2006, o Governo Federal vem acenando com mudanças na Educação Fundamental. A principal medida é a entrada obrigatória das crianças aos 6 anos e não mais aos 7 no sistema. A antiga primeira série tinha muitos problemas de evasão e repetência, pois muitos estudantes não tinham cursado a Educação Infantil e estavam tendo sua primeira experiência escolar diretamente com a alfabetização. O Governo quer que as crianças cheguem mais cedo à escola e possam se preparar melhor antes de aprender a ler e escrever.

No próximo ano Pelotas adotará esta nova modalidade de ingresso. O que se esperava é que as crianças que em 2010 completassem 7 anos tivessem seus direitos preservados, de modo que freqüentassem o antigo modelo. Igualmente, a expectativa era de que as crianças de 6 anos fossem matriculadas no novo sistema de nove anos seriados. Ambos os grupos concluiriam a Educação Fundamental quando tivessem 14 anos de idade, como é o esperado.

Infelizmente, o bom senso não prevaleceu. Aqui no município, em 2010, crianças de 6 e 7 anos serão reunidas na mesma sala de aula parar cursarem juntas o sistema de nove anos seriados, apesar das diferentes idades e necessidades.

As crianças de 7 anos, que teriam direito ao modelo de oito anos seriados (modelo anterior), terão de cursar um ano a mais em um projeto que não foi pensado para elas. Além disso, terão de conviver na mesma sala com crianças mais novas e que, provavelmente, precisarão de mais atenção.

Ainda tem mais. O que será feito com as crianças que durante este ano estão cursando a primeira série e serão reprovadas? Ano que vem elas não poderão repetir, pois a prefeitura está extinguindo a primeira série em 2010. De fato, terão de se adequar ao sistema de "nove anos", o que pode gerar turmas exclusivamente de repetentes.

Solução simples: ano que vem se oferece a primeira série para as crianças de 7 anos e o primeiro ano para as de 6 anos de maneira concomitante. No ano seguinte deixa-se de oferecer a primeira série, pois as crianças que naquele ano farão 7 anos já terão feito o primeiro ano. Simples, fácil e pedagogicamente correto.

Para que isto aconteça é preciso que sejam abertas mais algumas turmas dentro da rede municipal. O único problema é que tem de se gastar umas moedas a mais na educação e isso é empecilho para qualquer melhoria.

Outros textos de João Alberto da Silva
E-mails para o autor: joao.alberto@ufrgs.br

Domingo, Julho 19, 2009

Vandalismo, crime ou desespero?

Ars Longa
Crítica de cultura

Na Semana de Pelotas, que recorda a fundação da Freguesia de São Francisco de Paula, vândalos anônimos deixaram marcas de sua selvageria na praça da Catedral, precisamente onde a primeira capela foi construída em 1812. Em termos politicamente corretos, deve dizer-se: “deixaram seu protesto pela exclusão social que sofrem”.

Ontem de madrugada, um grupo organizado destruiu outros elementos públicos da praça Osório. Com instrumentos de força, derrubaram postes e tentaram destruir bancos. Dois guardas municipais nada podem fazer contra uma dúzia de raivosos. Na calma da noite, eles deixam seu excremento de qualquer jeito.

Defronte à Prefeitura, dois monumentos foram atacados e uma placa metálica foi arrancada, mostrando que já não se trata de mendigos precisando comer ou defecar e sim de um ataque com sentido político. Por um lado, é preciso ouvir e entender a mensagem desesperada dos marginalizados, mas também se requer refrear o crime contra o patrimônio e a cultura.

“Glória a Deu$!” (ou “Como Todo o Dinheiro do Mundo Foi Parar no Real Madrid”)


Roberto Soares
Advogado
Pós-graduando em Direito Processual Civil no IDRS

Quem teve o azar de assistir ao noticiário nesta semana, deve ter visto a “performance” da “Pastora Carol, de Milão”. Quem é a milanesa “Pastora Carol”? Ora, além de esposa do meio-campo Kaká, queridinho de dez entre dez membros da TFP (e de toda mídia, capitaneada pela Globo), atual Real Madrid, Carol Celico é a fiel mais fiel da igreja Rena$cer em Cri$to (originalmente o nome é erroneamente grafado, com ‘s’ no lugar dos cifrões).

Dentre alguns feitos que marcaram a história da “Rena$cer”, - incidentes como o desvio de doações dos fiéis, p.ex. – como ‘pontos altos’, eu destacaria a prisão e condenação, pela Justiça americana, em 2007, da Bispa Sônia e o Apóstolo Estevam, pelos crimes de conspiração e contrabando de dinheiro. “Aleluia! Glória a Deus!”

Mas não só de incidentes é feita a história da Rena$cer: há acidentes também. E esses, como se imagina, vitimam a camada menos favorecida dos fiéis, como quando o teto de uma de suas filiais desabou, com todo o peso da fé, na cabeça de alguns deles, em São Paulo, matando dez. Mas “Vida... Tem Dessas Coisas!”, como sugere o título de um livro que vi no DP essa semana. “Aleluia! Glória a Deus!”

Chegamos à “pastora Carol”. Em sua exortação, “deus” (ou qualquer outro ser superior) nos dá uma grande prova: a de que o dinheiro, sozinho, pode até trazer felicidade, mas não traz coisas como aprender a utilizar o gerúndio, os plurais e a corrigir os vícios de retórica, como falar ‘né’ ou berrar ‘Aleluia!’ a cada cinco palavras. Pastora Carol, mostrando “pleno discernimento entre o que é certo e errado”, em poucas palavras, mostrou a que veio: quem transa antes do casamento não presta; quem não ‘professa a fé’ da Rena$cer não presta; quem não prova que é ‘temente a deus’ – dando volumosas somas de dinheiro, talvez – não presta.

Ciente da “profundidade intelectual” que sua condição lhe impõe, pastora Carol ainda exaltou que os fiéis da filial americana da Rena$cer são “diferenciados”, “mais bonitos”, e que, só por isso, “já venceram em Cristo” – seja lá o que isso signifique. “Aleluia!” A pastorinha ainda decifrou a causa da crise econômica global: o Real Madrid teria descapitalizado todo o mercado internacional a fim de “abençoar” seu maridão, Kaká. “Modéstia” e “genialidade”, a um só tempo. Kaká é o culpado. Como é que o Senhor Apocalipse não previu isso?!

Chego à conclusão de que existem preconceitos que se justificam. Por que não ser preconceituoso com um (neo)nazista, um skinhead ou um membro da KKK? Ou com um membro da Rena$cer em Cri$to? A lógica, a meu ver, é simples. Se ‘eles’ discriminam-se, o mínimo que podemos fazer é discriminá-los de nós. E o lado bom disso é que muitos pelotinos podem abrir os ouvidos e o coração para entender que não são só os pastores pobres das mais variadas ‘igrejas’ evangélicas pelotenses que ficam berrando baboseiras em pleno ‘transe’ nas madrugadas da ComTV.

A estupidez parece ser a característica mais democrática: está presente entre ricos e pobres. Parafraseando o personagem de Max Von Sydow em Hannah e Suas Irmãs, “se Jesus voltasse e visse o que está sendo feito em seu nome, ele nunca mais pararia de vomitar”. “Aleluia! Glória a Deus!”

Outros textos de Roberto Soares
E-mails para o autor: rroberto_soares@hotmail.com

Sábado, Julho 18, 2009

Brasil virou a ilha de Lost

Pelotas, 18 de Julho de 2009

Depois da lama que veio à tona no Senado, e de ver que Lula, o PT, Collor e Sarney estão juntos nessa, a vontade é de chutar o balde e ir cuidar da própria vida. Você sabe, concentrar-se nos estudos, meter a cabeça no trabalho, não esperar mais nada dos políticos nem de ninguém. Enfim, materializar a máxima dos novos tempos: cada um por si e o resto que se dane. A 'ordem' é se dar bem, ganhar dinheiro de um jeito ou de outro, conseguir uma boquinha para si e a família, passando por cima da ética e dos outros. Virou uma guerra de foice e de quem ri mais alto e por último, com direito a descansos regulares para assistir as "cassetadas do Faustão".

A política com horizonte acabou. Pois o que vemos hoje, não sei o nome, mas não é política. É outra coisa, pior. Desmoralizaram a imoralidade. E ainda passeiam diante de nós como cavalo de desfile, sendo aplaudidos pela massa inculta de um país, na essência, analfabeto.

Eu me lembro que chorei quando a emenda das Diretas não passou. Chorei quando Tancredo venceu Maluf no colégio eleitoral, quando Lula perdeu pro Collor; sim, um dia fui uma espécie de petista e de trouxa. Sentia que havia uma conexão entre minha vida e o fluxo histórico. Agora, não. A história não tem nada a ver conosco. Estamos sozinhos e perdidos, como na ilha de Lost.

Não sei dizer o que sinto quando olho para aquela figura imperial do Sarney (que família que se dá bem há 20 anos!). As pilantragens estão aí na nossa cara. Mas eles fazem pose de éticos, sofredores injustiçados, e nada acontece, a não ser "o nada". A opinião pública cansou, os caras-pintadas sumiram, o civismo e a indignação perderam o gás - ninguém mais tem paciência.

Pessoalmente, cansei do Lula e de suas bobagens incultas, de dona Marisa botox "apoiando" o marido com sorriso de Maria Antonieta (ou de Monalisa), cansei da Dilma, sua peruquinha e seu diploma falso. Cansei até do Gabeira, que mandou a filha surfar no Hawaí com nosso dinheiro.

Lula, o PT e seus soldadinhos vermelhos, como aquela senadora Ideli (que conheci de perto, no tempo de sindicalista gorducha combativa em Florianópolis e que agora está magra e abraçada com o Sarney), merecem ser enxovalhados mais do que a governadora Yeda Crusius, porque prometiam não sujar as mãos. E ainda falam mal da imprensa... Com todos os seus defeitos, não fossem os jornalistas, não teríamos a chance sequer de ridicularizar essa malta que zomba dos sonhos da gente.

Sempre admirei a coerência na política. Poucos conseguiram mantê-la, mas mesmo esses ultimamente decepcionam. Até a dona Heloísa Helena (bastião da moralidade!), quem diria, está às voltas com a perda de seu mandato de vereadora por estranhas atitudes. Dia a dia perdemos as esperanças nas poucas referências que tínhamos. Quem sobrou? Senadores Jarbas Vasconcellos, Pedro Simon, Cristovam Buarque? Hum...

O Brasil nunca vai ser um país decente. Perdemos o jogo há muito, provavelmente desde que os portugueses bateram por acaso com os costados por aqui. Alguma coisa na nossa alma é podre.

Os jornalistas terão eternamente um prato cheio pela frente, inclusive em Porto Alegre e em Pelotas, onde as malandragens no Executivo e na Câmara são correntes - e nada acontece que as impeça.

O setor de comunicações tem excelente prognóstico de crescimento nos anos que virão, mesmo que o diploma de jornalista tenha sido cassado. Pelo menos o nosso trabalho vai estar garantido por longo período, ou seja, até a nossa morte, e a morte dos que virão depois.

Numa hora como essa, conforta-me a lembrança de uma inscrição num muro de Amsterdã, paraíso das drogas: "Nunca pense em vomitar, se ainda tiver algum ópio".

Os barões da mídia

Deu na Carta Capital
Depois de muita hesitação, o presidente Lula abriu caminho para a realização da 1ª Conferência Nacional de Comunicação, marcada para dezembro. Entra em pauta, pela primeira vez no Brasil, a discussão sobre a imprensa, suas virtudes e vícios.

Dois livros, lançados recentemente, ajudam na reflexão sobre o papel da mídia no Brasil e em toda a América Latina e põem foco em uma questão crucial para a democracia: o monopólio da informação.

A Batalha da Mídia (Editora Pão e Rosas) é de Dênis de Moraes, jornalista e doutor em Comunicação e Cultura pela UFRJ. A Ditadura da Mídia (Editora Anita Garibaldi) é do jornalista e secretário de comunicação do PCdoB, Altamiro Borges.

Os dois textos abaixo, escritos pelos dois autores a pedido do colunista, iluminam melhor a compreensão dos livros que escreveram.

Dênis de Moraes:
“O cenário da batalha na América Latina está nítido: de um lado, elites conservadoras e grupos de mídia que querem manter seu poderio econômico e político; de outro, governos progressistas empenhados em reverter a exclusão social provocada por décadas de neoliberalismo. Pela primeira vez, está sendo contestada a absurda concentração dos setores de informação e entretenimento nas mãos de um reduzido número de corporações.

Os governos da Venezuela, da Bolívia e do Equador estão travando duras pelejas contra as violentas campanhas orquestradas, cujo objetivo é o de impedir mudanças nas regras de concessão de canais de rádio e televisão, as joias da coroa em termos de faturamento.

No Brasil, as turbulências entre mídia e governo federal são menos intensas, o que talvez se explique pela hesitação do presidente Lula em alterar a anacrônica legislação de radiodifusão. Lula parece temer a artilharia dos grupos midiáticos.

Quando resolveu enfrentar os surrados argumentos contra um suposto dirigismo que afetaria a liberdade de expressão, conseguiu criar a TV Brasil. Nem a programação decepcionante da TV Brasil faz diminuir as resistências, pois, no fundo, o que os adversários desejam desqualificar é um tipo de comunicação não mercantilizada e mais favorável à diversidade cultural”.

Altamiro Borges:
“A chamada ‘grande mídia’ exerce hoje brutal ditadura no mundo e no Brasil. Por aqui, cinco famílias monopolizam o setor. Com suas propriedades cruzadas, elas comandam emissoras de tevê, rádios, jornais, revistas, internet. Seu poder de manipulação também é brutal e sempre estiveram envolvidas nos episódios mais dramáticos da nossa história – seja na conspiração contra Getúlio Vargas, no golpe militar de 1964, nas iniciativas contra os direitos dos trabalhadores e contra a soberania nacional na Constituinte de 1988, na fabricação de ‘caçadores de marajás’ ou nas tentativas golpistas de desestabilização do governo Lula.

Esse poder ditatorial, porém, tem sofrido muitos abalos. Há queda na tiragem e a audiência das emissoras privadas despenca. A internet possibilita, parcial e temporariamente, outro tipo de comunicação, mais interativa; sites e blogs se multiplicam. Veículos alternativos, mais críticos ao pensamento único neoliberal, também ganham prestígio; rádios comunitárias permitem maior diversidade informativa e relação com a comunidade.

Na América Latina rebelde, laboratório do neoliberalismo e hoje na vanguarda da luta por mudanças, governantes progressistas apresentam propostas para democratizar os meios de comunicação. E enfrentam muita resistência”.

De sorveteria a buffet



















Slow Food
Crítica de Gastronomia

O Ice & Cia é um buffet que surgiu, há nove anos, de uma sorveteria; sua proprietária manteve o nome e mudou a oferta, num ponto que - pela proximidade com o Mercado e várias faculdades - é ao mesmo tempo comercial, residencial e universitário. Mesmo de aparência humilde, a casa dá a segurança de uma comida boa e barata.

Com certeza o mais econômico da cidade, o restaurante oferece buffet de pratos frios e quentes por somente R$ 9,90 o quilo (sem subir o preço aos sábados de manhã). O valor é esse mesmo, inclusive para comidas mais pesadas, como massas e carnes. A exceção é feita quando mais de 50% do prato contém carnes: aí o funcionário sobe a balança para R$ 11,90. O prato feito custa R$ 3,50. Refri de lata: R$ 1,50.

Uma deliciosa e original salada nos chamou a atenção, feita de brócolis bem macio, tomate picado, pedacinhos de salsicha e outras miudezas que fazem uma combinação volumosa, nutritiva e de bom sabor. Chegando às 14h de hoje, encontramos boa quantidade – também boa qualidade – de todas as opções, mas o salsichão e os bolinhos de arroz estavam frios. Enchemos um prato por R$ 4,75.

Há poucas opções de sobremesa, mas são gostosas e abundantes, também por R$ 9,90. Um pote com bastante sagu e mingau custou R$ 2. Há cafezinho e um sofá de espera. O salão é amplo e bem decorado. Não tomamos fotografias porque a dona não autorizou.

Ice & Cia
Andrade Neves 1214, próximo à D. Pedro II.

Há 40 anos, homens pisaram na lua



No dia 20 de julho de 1969, três astronautas norte-americanos pisaram na lua pela primeira vez. Até hoje há quem duvide do feito. O vídeo abaixo mostra como poderia ter sido armada a farsa.

Crônica: Fecho os olhos


Marieta Cazarré

Jornalista e antropóloga

Fecho os olhos e me imagino no campo. Pequenina e com uma cestinha vermelha na mão. Faz sol. Vejo um cavalo marrom correndo em câmara lenta. Penso que essa referência é muito brega e apago o cavalo dos meus pensamentos. Me imagino então correndo para casa, aquela casinha de madeira lá no pé da montanha. Fica num vale. E tem um rio que passa bem na frente e eu me banho lá. É frio, mas é gostoso nos dias de sol. E gosto de ir com meu maiôzinho amarelo. Tem uns meninos que pegam piabinhas e comem cruas mesmo. Aí me canso dessa história besta e tento imaginar outra coisa.

Com essa música da Bjork de fundo fica difícil. Agora mesmo ela está tendo um chilique! Bom, aí fecho os olhos de novo e me lembro de uma imagem brutal que vi num filme: um garoto cego de Madagascar andando de bicicleta.

Eu fiquei tão impactada por aquela cena que não posso evitá-la em minha mente. Ele passeia com uma risada sufocada, quase sem ar. Nota-se que é uma sensação forte. Tente andar de bicicleta com os olhos fechados! Me entedio com essa história de brainstorm e busco uma tacinha de vinho do porto, pra ver se me ajuda.

Aproveito e acendo um cigarrinho pra acompanhar. Pronto. Vejo uma foto minha com uns seis aninhos no clube, de uniforme, perto da ducha. Quando éramos pequenos e estudávamos à tarde, minha mãe ia com a gente pro clube de manhã. Passávamos a manhã lá, sozinhos, brincando. Umas onze e meia tomávamos banho numa ducha e vestíamos o uniforme. Íamos pra casa já prontinhos. Era só almoçar e ir pra escola. Eu gostava. O parquinho, a piscina rasa, a cancha de areia... Aí me lembro do Jojo, que tinha mesmo uns seis anos na época em que o conheci. Ele é um verdadeiro personagem. Quem o conhece, sabe. Tão pequeno ao lado daquele professor, mas cheio de personalidade.

Aproveito a viagem pra longe e me lembro do vendedor de sapatos da Tunísia com sua simpatia única. Lembro-me também do Nagib, o taxista mais gente boa que conheci. “Chicas, la medina por la noche, no. Cuchillo, cuchillo.” E na mesma linha tem também o beco da facada, identificado pelo velho Caza perto da estação de trem de Lisboa.

É pertinho, mas melhor irmos de táxi, não? Cara, eu tenho muita história com taxista. Teve o que me botou pra fora no meio da rua, cheia de malas e com a sandália arrebentada - num dia de verão em que o asfalto pegava fogo. Que feladaputa! Putz, derramei o vinho do porto em cima das havaianas. Humpf.

Outras crônicas de Marieta

Novo roubo na Casa do Estudante da UFPel

Segundo estudantes, já são quatro notebooks furtados em dois meses. Até o momento, porém, reitoria não mandou instalar câmaras de vigilância, apesar dos pedidos feitos por alunos

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A Casa do Estudante da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) foi cenário de um novo roubo na madrugada deste sábado (18).

O ladrão ou os ladrões entraram no quarto 508, que hospeda quatro alunas, e roubaram um notebook, duas bolsas, cartões de crédito, documentos e outros pertences.

No momento do roubo, duas alunas estavam no quarto, dormindo, e não perceberam a ação. Elas deram queixa na Polícia Civil. Segundo uma delas, a porta do quarto estava destrancada no momento do furto. Dormiam na hora as estudantes Fabiane Meyer e Cristiane.

O quarto invadido (foto): intimidade violada e riscos à segurança pessoal

Uma das ocupantes do quarto, Gabriela Bueno, foi testemunha na Polícia Federal, na última quinta (16), do consumo de drogas na Casa do Estudante. A PF esteve na Casa um pouco antes e prendeu três estudantes suspeitos de tráfico. Depois de ouvidos, eles foram liberados, pois eram apenas usuários. Os estudantes detidos ocupam o quarto 505.

Protesto e falta de câmaras
Cerca de 30 estudantes estão fazendo um protesto nesse momento (15h), em frente da Casa, na esquina das ruas Andrade Neves e Telles. Eles fecharam a rua ao tráfego e soam apitos e exibem cartazes.

A Casa não possui câmaras de vigilância nos corredores, o que é considerado um defeito por alguns dos manifestantes, assim como a falta de vigilância segura por guardas.

"Nós temos feito vários pedidos de instalação das câmaras, mas a pró-reitora de Assistência Estudantil, Carmen do Nascimento, nos diz que não há nenhuma providência em andamento nesse sentido", diz o estudante Paulo Coelho, 24, aluno de Odontologia.

"Nós não entendemos porque não instalam câmaras, já que elas inibiriam os roubos. Este não é o primeiro caso. No mês passado, roubaram o meu notebook e mais dois notebooks do Restaurante Universitário", diz Paulo.

Há alguns meses, explica Paulo, a direção da Associação dos Moradores da Casa do Estudante (Ance) anterior pediu para que a reitoria não instalasse as câmaras, alegando que invadiriam a privacidade.

A nova direção da Ance, segundo o estudante Toni de Souza (que aparece no vídeo), aluno de Direito e Ciências Sociais, tem outro posicionamento e quer as câmaras, sobretudo depois que ficou provada a insegurança não só em relação ao patrimônio dos alunos como à própria integridade física deles.

Leia mais
Polícia Federal prende três na Casa do Estudante

Chico, um gênio esquecido


A rotina do maior humorista brasileiro fora das telas. Ele está doente, fala e pensa na morte, mas ainda segue à procura de um teatro onde possa dar vida aos novos personagens que criou

Deu em IstoÉ
Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho está sentado no centro de um ambiente quase vazio, com os quadros que ele próprio pintou espalhados pelos cantos da sala. Chico Anysio, o criador de tipos inesquecíveis que fizeram história na televisão brasileira, se desculpa pela bagunça. "Acabei de me mudar", diz.

Ele agora vive em São Paulo, não mais no Rio de Janeiro. Seu apartamento é modesto, tem apenas dois quartos e 90 metros de área útil num prédio antigo da alameda Santos, e de lá ele quase não sai. Vai ao médico quando sente sintomas estranhos, como a dor de cabeça que o pegou de surpresa no dia em que recebia a reportagem de ISTOÉ pela primeira vez.

"Uma dor diferente." Aos 78 anos, o humorista, que é considerado por muitos o "Chaplin brasileiro", combate um enfisema pulmonar, adquirido após décadas de fumo compulsivo.
Leia na íntegra.

Brasil cede ao Paraguai em acordo de Itaipu

Deu em O Estado de S. Paulo
O Brasil vai permitir que o Paraguai venda livremente sua cota de energia de Itaipu no mercado brasileiro, acabando com a obrigação de operar apenas com a Eletrobrás. Mas a mudança seria feita de forma gradual e estaria completa em 2023, quando o tratado entre os dois países será renegociado.

Com a concessão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ajuda na sobrevivência política do colega Fernando Lugo, acuado pelas revelações de que teve filhos quando era bispo. A avaliação no governo brasileiro é que, sem a compreensão do Brasil, Lugo não termina o mandato.
Leia na íntegra.

Lula está com Collor e Sarney. E não abre

Deu em Veja
Lula está com Fernando Collor e não abre. Para seu passado e para as pessoas que o seguiram com admiração na gloriosa trajetória da liderança sindical até o posto mais alto da hierarquia política do país, a presidência da República, ele manda "aquele abraço".

Os ingleses têm um ditado memorável e adequado a momentos parecidos com esses: "Politics make strange bedfellows", que se traduz livremente por algo como a "política forma os mais estranhos casais". Mas que casal formam Lula e Collor? Um estranho casal. Lembra um pouco a distinção que o traidor do livro "O fator humano", do grande romancista inglês Graham Greene fazia entre o comunismo e o capitalismo.

Ele justificava seu trabalho de espionagem em favor da União Soviética com a explicação de que "os pecados do comunismo pertencem ao passado, enquanto os do capitalismo ao presente."

Levado ao impeachment em 1992 por corrupção, prática de que ele e seu governo passaram ser símbolos no Brasil, Collor é o cônjuge cujos pecados pertencem ao passado.

Os de Lula são do presente: a vista grossa e a legitimização (dada por sua enorme popularidade) da fisiologia, da corrupção e do coronelismo na política. Leia mais.

Nelson Mandela faz hoje 91 anos

"Democracia com fome, sem educação e saúde
para a maioria, é uma concha vazia."

Nelson Mandela
91 anos (18/07/2009)
Até daqui a pouco...

Cronkite morreu

No vídeo abaixo, Cronkite anuncia a morte, em1963, do presidente John Kennedy


O mais famoso âncora da tevê americana, Walter Cronkite, morreu aos 92 anos, em Nova Iorque, nesta sexta (17). Ele trabalhava há mais de 40 anos na rede de televisão CBS e transmitiu a chegada do homem na Lua. Era o homem em que os americanos mais confiavam de meados dos anos 60 a final dos anos 70.

Sexta-feira, Julho 17, 2009

Cadeiras do conservatório mudam de cor...

Há mais de seis meses, reitoria da Universidade Federal de Pelotas não autoriza a reposição das cadeiras originais do Conservatório de Música. Para receber o público, diretora da Casa é obrigada a conseguir cadeiras de plástico emprestadas com propaganda de bebida alcoólica. Já foram vermelhas, agora são amarelas

Propaganda de álcool 'gratuita' no templo da música

Ars Longa
Crônica de cultura

Na noite dexta sexta (17) apresentou-se no Salão Milton de Lemos, do Conservatório, um destacado violonista belga, Anton Vandeborgth, de 30 anos de idade. Ele vem sendo premiado desde os 15 anos, pela qualidade técnica e a sensibilidade com que interpreta repertório barroco, clássico e moderno.

O recital foi organizado pelo Conservatório, na pessoa do professor Thiago Colombo, que coordenou também a masterclass que o violonista oferece sábado de manhã.

Do lado de cá, noventa pelotenses interessados em ouvir a melhor música, com o maior respeito e admiração pelos compositores e pelo músico. Era tal a delicadeza da música que a cada trecho o público prorrompia em aplausos entusiasmados; não se ouviu um celular nem pessoas falando no meio do concerto. Quem veio agradar o ouvido e a alma saiu satisfeito.

No meio, uma situação à qual temos nos acostumado: cadeiras de lanchonete substituindo a falta oficial de assentos.

Já são de outra cor e de outra marca, que impede o trocadilho com Brahms, e não rangem como aquelas que vinham desde 1940, mas deixam uma sensação estranha, "silenciosamente dissonante", de descaso com algo tão valioso como a educação e a cultura.

Se o descuido não é local, deve ser federal.

Somente foram conseguidas 60 cadeiras plásticas, e o Conservatório teve que colocar mais trinta, de suas salas de aula, para que ninguém ficasse de pé (mesmo assim, meia dúzia preferiu não sentar-se).

Também a impressão de programas é algo que o auditor agradece, e se trata de um direito; no entanto, para poupar recursos, fotocopia-se uma quantidade para que falte e não sobre.

Com paciência, o público segue aguardando as novas cadeiras... em ausência das antigas, e tendo o melhor estímulo musical.

Se antes parecia tolerável a espera, agora a incongruência se faz sentir, num lugar que ainda é dos mais aprazíveis em Pelotas. Alguns podemos aceitar ouvir de pé um bom músico europeu, sem dispor do programa. Mas não podemos pedir a todos que fiquem até o final.

Leia mais
Diretora esclarece a dança de cadeiras
Brahma para Brahms

Lula e as palavras



Um discurso do presidente Lula na cidade de Imperatriz, no Maranhão, em 2004, tornou-se um dos maiores constrangimentos políticos para o presidente, e volta à tona agora, em 2009, quando Lula apoia o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), na mais grave crise do Congresso.

Com mais de 143 mil exibições no You Tube, o vídeo reproduz o contexto político das eleições municipais no Maranhão. Lula esteve em Imperatriz para participar de um comício do petista Jomar Fernandes. No palanque, criticou duramente Roseana Sarney e questionou o resultado de pesquisas eleitorais, relacionando os candidatos com grupos de mídia na região.

"Olha, eu vou contar uma coisa pra vocês. Eu, quando vejo na imprensa de São Paulo as pesquisas dizendo que a Roseana Sarney é uma governadora aceita pelo povo do Maranhão... Eu conheço o Maranhão, gente. Já andei de carro e de ônibus neste Estado (...). Aí eu fico imaginando por que é que ela aparece bem nas pesquisas."

Para o presidente, a resposta era o fato de a família Sarney e seu aliado, o hoje ministro Edson Lobão, ter grupos de comunicação no Estado. O bombardeio de noticiário positivo local traria liderança nas pesquisas.

O vídeo do discurso está na internet e pode ser encontrado em mais de 15 links no You Tube. O fenômeno é explicado pelo professor da FGV e consultor do IBOPE Marcelo Coutinho. Para ele, um dos princípios da internet é a transparência. "A internet se tornou uma nuvem de dados, conversações digitais. E não se prende uma nuvem, porque ninguém é dono da nuvem", afirma.

"O sucesso do vídeo é fruto da consolidação da internet. As pessoas são editoras de si mesmas. Elas podem publicar o que quiserem sem passar por nenhum crivo", afirma o criador do site de humor Kibe Loco, Antonio Tabet. O vídeo do comício foi publicado no site de Tabet, que tem 100 mil visitantes por dia. Só este vídeo do Maranhão, no canal do Kibe Loco, tem mais de 114 mil visualizações.

"O humor na verdade, quando é bem feito, também é um instrumento de conscientização bem forte. As pessoas riem de uma situação e depois entendem porque estão rindo dela. Esse vídeo deixa claro o que é o político", conta Tabet.

Essa revolução é explicada também por Coutinho. "Hoje, todo consumidor, cidadão, está armado com um celular com câmera. Ele vê alguma coisa errada, ele saca a arma e tem uma prova contra a pessoa. A sociedade está cada vez mais transparente".

Este vídeo especificamente criou um mal-estar na política por causa da diferença entre o apoio do PT e o de Lula no Maranhão, em 2006. Isso pode ser comprovado em uma rápida navegação na internet. A rede não deixa a memória se esvair e permite que o eleitor cobre o político de um padrão ético, seja na frente da câmera ou longe dela.

Polícia fecha bingos

O fechamento de duas casas de Bingo em Pelotas, na tarde desta sexta (17), pela Polícia Civil, mostra a ousadia da contravenção na cidade.

A polícia não teve muito trabalho para identificar as casas de jogo ilegal, já que os donos de uma delas (situada na Rua Quinze, 510) chegaram a distribuir convites para a inauguração, nesta sexta.

Quando a polícia chegou, eles funcionavam há três horas. A outra casa flagrada ficava na Rua General Osório, 506. Os donos das casas responderão a inquérito policial. As máquinas foram apreendidas, assim como outros equipamentos.

Comentário meu
Não é de estranhar que tenham chegado a distribuir convites para a inauguração do bingo, mesmo sendo ilegais. Pelotas tem vários exemplos de ilegalidades "a céu aberto". O caso dos camelôs em frente da Receita Federal, operando a pleno valor; o desrespeito da prefeitura à legislação federal, que manda fazer concorrência pública para a escolha das empresas de transporte coletivo (há cinco anos a prefeitura não faz licitação e o prefeito chega a dizer que "só porque alguém em Brasília inventa uma lei, não somos obrigados a segui-la"); a invasão acintosa do espaço público (calçadas) por lojistas; a falta de extintores de incêndio no mercado público etc. As ilegalidades são tantas e praticadas impunemente, sob o olhar compassivo do Ministério Público, que as pessoas começam a achar que Pelotas é uma cidade a margem da lei, onde tudo é permitido, inclusive a lei.

Cachorro do Sarney tem ração paga pelo Senado

Sérgio Estanislau
Cronista do blog
Especial de Brasília


Em seu discurso de despedida antes do recesso de meio de ano do Senado Federal, o presidente José Sarney afirmou, invocando o filósofo romano Sêneca, que - contra as injustiças de que tem sido alvo - "só o tempo, a paciência e o silêncio".

No mesmo discurso, Sarney negou com veemência que tenha nomeado o seu cachorro Senatoria (foto) por meio de um ato secreto do Senado Federal, e que nem sabia o que é um ato secreto, nem que recebia auxílio-ração no seu contracheque.

Afirmou ainda que, mesmo que seu cão tenha sido nomeado, foi antes da 'sua Presidência na Casa'. E que este fato não configuraria nepotismo, conforme a súmula 13 do Supremo Tribunal Federal, uma vez que Senatoria pertence a sua filha Roseana.

Palavras do presidente: “Ele (o cão) não é membro da família, como podem ver na foto, nem bigode tem”. A notícia acima é falsa, mas, do jeito que a coisa vai, amanhã pode não ser mais.

Outros textos de Sérgio Estanislau

Canja Porcina


Luiz Minduim
Artista Plástico

Pois a tal de gripe suína anda por aí rondando como assombração em igreja abandonada... Ouve-se muita coisa, muito preconceito e pouca informação que preste. Não sou nutrólogo ou redator de Vida e Saúde, mas dou meus pitacos, como todo vivente; no caso em foco, o lance é ir de vitamina C para fortalecer as defesas. Limão, laranja, abacaxi, sempre bem fresco e sem açúcar. Vale o mel da feira para ajudar nas imunidades, as físicas, e não as parlamentares, por certo!

Mas se você já está meio baleado, recomendo uma infusão com gengibre, gomos de limão, mel e ainda alho picado, já que, com esta coriza, não vai rolar namoro.

Agora, se a gripe malvada te assolou, melhor mesmo é cama, bem coberto, só como os olhinhos de fora. Aí a pedida é uma essencial e candente canja de galinha.

Aqui em casa a expert é a patroa, vou passar os princípios básicos: frite bem algumas sobrecoxas temperadas com sal, recomendo da Danby, se achar; deixe dourar e coloque meia cebola picadinha, frite mais e coloque água quente para criar aquele caldo bronzeado. Jogue uns dois dentes de alho esmagados e esqueça, cozendo. Tire os ossos do frango e pique grosseiramente a carne, devolva à panela e agregue as batatas e as cenouras em cubos, mais fogo até ficarem al dente, corrija o sal e lance o arroz. Deixe em fogo baixo até os ingredientes se acostumarem uns com os outros, criarem substância e soltar aquele cheiro de Bah, mas que baita fome!

Harmonizar com azeite e salsinha picada, uma colherada de requeijão, com a canja já no prato ou no xicrão velho de guerra. Torradinhas são bem-vindas. Contudo, o fundamental é saborear de olhos fechados, para dar saudade da mamãe e do tempo em que ficar gripado era coisa corriqueira e natural.

Frases

“A auto-estima de Pelotas mudou.
O povo está mais confiante”.

Bispo de Pelotas, Dom Jacinto Bergmann,
que assume o posto em setembro, no lugar de Jaime Chamello.

"A igreja católica foi fundamental
para a emancipação política de Pelotas".

Fetter Jr., prefeito de Pelotas.

Depois de filho, nora de Sarney é indiciada

Deu em O Globo
Um dia após indiciar Fernando Macieira Sarney, um dos filhos do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), a Polícia Federal indiciou ontem Teresa Cristina Murad Sarney, mulher do empresário, por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e crime contra o sistema financeiro.

Uma das sócias da empresa São Luís Factoring, Teresa foi indiciada após ter sido interrogada pelo delegado Márcio Anselmo, na Superintendência da PF de São Luís. A PF investiga, em três inquéritos, o suposto envolvimento de Fernando e Teresa com movimentação financeira ilegal, entre outros crimes.

A partir dos três inquéritos, abertos ao longo da Operação Boi Barrica, a PF também indiciou, quarta-feira, Tucydedis Frota, Marcelo Aragão e Walfredo Dantas, supostos sócios de Fernando Sarney na organização da Marafolia, o carnaval fora de época que acontece em São Luís há 15 anos. A PF suspeita que a organização da festa e a São Luís Factoring eram usadas para lavagem de dinheiro.

No depoimento, Teresa negou irregularidades nas transações financeiras da São Luís, da Marafolia e da Gráfica Escolar, outra empresa da família Sarney.

Em outros dois inquéritos, instaurados também a partir da Boi Barrica, a PF investiga desde caixa dois nas eleições de 2006, no Maranhão, até irregularidades na Ferrovia Norte-Sul.

Reservadamente, o presidente do Senado demonstrou ter ficado muito abalado com o indiciamento do filho. A interlocutores, teria classificado a ação da PF de "perseguição política". Para Sarney, o indiciamento neste momento foi uma forma de tentar enfraquecê-lo ainda mais. Em público, porém, prefere o silêncio sobre o assunto.

Leia mais
Roseana recebeu ajuda de irmão que atua na CBF

Sarney se diz perseguido pela imprensa
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), aproveitou a última sessão da Casa antes do recesso parlamentar para tentar minimizar os efeitos da crise na Casa Legislativa.
Leia a íntegra do discurso de Sarney

Ele disse ser perseguido pela imprensa, mas garantiu que reerguerá a imagem do Senado. "Nas três vezes [que assumi a presidência], encontrei o Senado em crise. Reergui-o nas três ocasiões", afirmou. "Os insultos e ameaças não me amedrontaram e não me amedrontam", reiterou.
Leia na íntegra.

Nota oficial repudia ação da BM contra jornalistas, em protesto contra a governadora Yeda

Foto: Roberto Vinícius (Agência Free-lancer)
A direção do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS e a Associação Riograndense de Imprensa repudiam a atitude da Brigada Militar no trato com a Imprensa. Várias equipes de reportagens tiveram seu trabalho cerceado na manhã dessa quinta (16), durante o episódio ocorrido em frente ao número 806, da Rua Araruama, Vila Jardim, residência da governadora Yeda Crusius.

No entendimento destas entidades, a ação dos policiais que retiraram e isolaram os profissionais durante o manifesto promovido pelo Sindicato dos Professores do RS nos remete aos anos de chumbo, quando jornalistas eram proibidos de exercerem seu trabalho.

Entendemos que vivemos em um estado democrático de direito e que nenhuma autoridade pode tentar calar a imprensa. Episódios como este têm se tornado rotineiro no Estado, em especial na cobertura dos movimentos sociais.

O Sindicato e a ARI esclarecem ainda que muitos profissionais, apesar de não estarem vinculados aos veículos da grande mídia, integram a categoria profissional e também não podem ser impedidos de exercerem suas atividades, seja como free-lance, ou assessor de imprensa.

Este tipo de ocorrência fere a todos os profissionais em exercício no RS, pois tem o objetivo de cercear a liberdade de informar. As entidades cobram providências do Comando da Brigada Militar para que não se repitam mais atos como esse contra profissionais que estão a serviço da sociedade e da qualidade de informação.

Num momento em que se debate a liberdade de expressão, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul e a Associação Riograndende de Imprensa querem que os jornalistas tenham o direito da liberdade profissional.

Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS
Associação Riograndense de Imprensa

A literatura como festa

A Flip, festa literária de Parati, é um bom exemplo para Pelotas melhorar a sua feira do livro

Ars Longa
Crônica de cultura

De 1 a 5 de julho, realizou-se a 7ª edição da Festa Literária Internacional de Parati (FLIP), como sempre com muitos turistas nacionais e estrangeiros, aproveitando que a antiga cidade é um cartão postal, conservada como monumento histórico. Foram 18 encontros, que ao mesmo tempo são um espetáculo estético e intelectual, sem sentido comercial. Nesta Festa não se vendem livros, nem predomina a mentalidade norte-americana.

Por estar a 7ª FLIP integrada ao Ano da França no Brasil, uma delegação francesa participou nos debates. Paralelamente, existem atividades para crianças – a Flipinha – e para jovens, a FLIP Zona. As duas juntas aumentam em 30% o público da FLIP em julho, mas também têm sentido educativo, estendendo-se ao longo do ano nas escolas de Parati.

Em geral, os participantes nos debates são bem heterogêneos, e é uma característica da FLIP misturar ao máximo as nacionalidades e as profissões de quem dialoga ante e com o público. Nem todos são escritores; também vêm jornalistas, editores, historiadores, psicanalistas, pintores, cineastas e até humoristas. O importante são as conexões com a inteligência e a imaginação.

Um exemplo dessa liberdade foi a presença em 2009 de dois cantores brasileiros que já publicaram algum livro: Chico Buarque, que já tem 7 livros, e a estreante Adriana Calcanhoto. A gaúcha escreveu "Saga Lusa", somente para contar aquele episódio em Portugal em que ela teve uma crise maníaca misturada com gripe, tomando remédios tão fortes que a deixaram cinco dias sem dormir. Vítor Ramil levou à FLIP 2008 o livro “Satolep” (depois de lançá-lo aqui).

Trecho de entrevista com Chico Buarque, na Flip


E os pelotenses, vão à FLIP ou se inspiram nesse modelo para melhorar a sua própria Feira do Livro? Pela imprensa, soubemos que quatro professoras de Português da Escola Mário Quintana lá estiveram, observando novidades e fazendo contatos com escritores. Já este ano elas começam a aplicar ideias, em forma de debates e concursos de redação e leitura. De isso se trata uma festa literária: um estímulo à fantasia e ao encontro de criações diversas.

Quinta-feira, Julho 16, 2009

PF prende três na Casa do Estudante da UFPel

video

A Polícia Federal prendeu há pouco (19h desta quinta, 16) três pessoas na Casa do Estudante da Universidade Federal de Pelotas. Junto com os jovens, supostamente estudantes, a PF apreendeu maconha. A operação foi deflagrada às 18h, sob comando do delegado Cássio Berg, que aparece na entrevista cima. Cerca de 10 policiais em quatro viaturas participaram da operação. Eles cumpriram três mandados de busca e apreensão. Durante a batida, flagraram estudantes utilizando drogas e apreenderam certa quantidade de maconha. Os três jovens detidos foram levados para a PF, onde serão interrogados. "Vamos tentar identificar se, entre os detidos, há traficantes ou apenas usuários", disse o delegado. Segundo Cássio Berg, a atuação da PF foi solicitada pela reitoria da UFPel, depois que esta recebeu várias denúncias de consumo de drogas na casa.

Momento em que dois detidos são postos no camburão

O problema do uso de drogas na Casa do Estudante de Pelotas não é novo. Vez ou outra o tema surge. A Casa, porém, não possui câmeras de vigilância interna, o que certamente ajudaria a combater o uso de drogas e outros problemas. Há alguns meses, a reitoria chegou a cogitar da instalação dos equipamentos. A tentativa, porém, foi repelida pela coordenação da Casa, em atendimento a alguns alunos, que acharam que as câmeras invadiriam a intimidade deles.

Comentário meu (atualizado às 17h37)
Alguns leitores reclamam do blog por não analisar o fato acima. Não acho que minha opinião valha algo nesse caso. Apenas registramos o fato, sem fazer julgamentos. Aos que querem uma opinião, acho que, como a Casa de Estudantes é coletiva, é preciso seguir algumas regras de convivência. Aquele negócio: a liberdade de um termina onde começa a do outro.

Fumar maconha não é crime. Tenho por princípio respeitar a liberdade individual; o problema é o local, coletivo, onde alguns não aprovam. Aí precisa achar um meio termo.

Mais grave do que fumar maconha são alguns dos vários problemas estruturais da UFPel, como os do curso de Química, em que laboratórios encontram-se interditados pela Vigilância Sanitária por risco à saúde de seus usuários, pela falta de exaustores para expelir gases tóxicos produzidos pela queima de químicos.

A PF cumpriu com a obrigação dela, mesmo porque a universidade federal é um espaço do poder público. Era preciso checar a situação e ver se flagravam tráfico, que é crime. Feita a operação, descobriu-se que não havia tráfico. Os detidos foram liberados. Ponto final.

Em conversa com a imprensa, o delegado Cássio Berg, que chefiou a operação, mostrou-se preocupado com a situação dos detidos. Ele pediu que os jornalistas não mostrassem os rostos dos detidos, alegando "que podiam ficar marcados injustamente". Respeitei por aqui o pedido, pois concordo com ele.

Puro prazer

"Casa de canto" do artista húngaro István Orosz.

Um dos primeiros prazeres humanos é a ilusão.

Câmara aprova 'transparência' dos gastos com diárias da Casa e da prefeitura

A Câmara de Vereadores aprovou nesta quinta (16), em terceira e última votação, por unanimidade, projeto de lei que torna obrigatória a divulgação pela internet dos gastos com diárias da Casa e da prefeitura. O projeto, proposto pelo vereador Eduardo Leite (PSDB), segue agora para a sanção do prefeito Fetter Jr (PP).

Além deste, encontra-se em trâmite na Casa outro projeto de lei proposto por Leite no sentido da transparência dos atos públicos. Ele propõe a divulgação pela internet das relações de ocupantes de cargos e empregos públicos e remunerações (da Câmara e da Prefeitura), a exemplo do que ocorreu na prefeitura de São Paulo, e a divulgação pública dos contratos de prestação de serviços, obras e aquisição de materiais.

Ignorar para sobreviver


Roberto Soares
Advogado
Pós-graduando em Direito Processual Civil no IDRS

Algumas autoridades, quanto mais confrontadas com a revelação de fatos ilegais ou imorais cuja autoria (ou participação) lhes é atribuída, mais apelam para uma tática no mínimo covarde: a de ignorar. A coisa funciona mais ou menos assim: um sujeito, ocupante de cargo público, é apanhado em flagrante delito ou numa situação que, se não é ilegal, é descaradamente constrangedora. Acuado, fica, a princípio, paralisado.

Como é incapaz de desmentir uma prova tão substancial quanto um vídeo, uma interceptação telefônica ou gravação que o valha ou mesmo um documento comprometedor, opta por criar uma ‘cortina de fumaça’ ou algo que o valha, como uma lula (digo, um polvo) para fugir do predador.

Veja-se o caso de José Sarney. Após décadas de vida pública constantemente “purificada” por providenciais advogados, amigos e aliados, finalmente deixou sua ‘máscara’ cair e o que se vê, diariamente, é um festival de irregularidades, crimes e imoralidades. Leiam a biografia de Saulo Ramos, por anos advogado e amigo particular de Sarney – ao ponto de ter sido Consultor Geral da República e Ministro da Justiça no governo deste – e me digam se estou mentindo.

Sarney, quando instado acerca de tais acontecimentos, é de uma empáfia digna de um portenho. Joga a culpa na instituição Senado; mais: no Congresso todo, e, ato contínuo, podem checar: ignora.

Cercado por seus guarda-costas (ou diríamos, capangas), o ‘amapaense’ mais maranhense do Brasil sorri, acena, e não abre o bico, fingindo que o assunto não é com ele. Finge-se de morto.

Não é à toa que ainda estão no cenário político brasileiro gente da laia de Fernando Collor, Jader Barbalho, Renan Calheiros, Joaquim Roriz, Paulo Maluf e tantos outros, de esquerda, direita e centro. Lula (não o molusco, mas tão fugidio quanto), que no episódio do Mensalão enfrentou situação até pior que a de Sarney, acabou por safar-se... ignorando. Não sabia de nada. Foi “traído”, como alegou o cafajeste petebista Roberto Jefferson.

Até mesmo aqui, em Pelotas, temos os que optam por ignorar. Vejamos a Câmara, onde, salvo poucas e honrosas exceções, não há manifestação de nenhum vereador acerca do descumprimento patente de uma Súmula Vinculante que veda a nomeação de parentes (nepotismo direto e cruzado), tampouco sobre a condução dos gastos de seu orçamento, assim como a remuneração nababesca que se auto-concedem periodicamente, incompatível com a realidade de um município como Pelotas, que há tempos passa por tempos difíceis economicamente falando.

Reiterando uma idéia tantas vezes repetida neste blog, quem dera vivêssemos os auspiciosos tempos que a propaganda oficial da prefeitura alardeia em discursos ou nos materiais da imprensa oficial. Só falta chover bombons nas escolas, se é que vocês me entendem...


Em suma: em todas as esferas, valendo-se da máxima de que ‘ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo’, os políticos tergiversam, se omitem e fingem que nada aconteceu.

E quando os cidadãos, a quem a imprensa (chapa-branca, via de regra) sempre atribui a culpa pelo fato de os políticos serem com são e estarem onde estão, resolvem tomar alguma medida no sentido de fazer chegar aos ouvidos dos mesmos seus reclames – por meio de um protesto ou passeata, p.ex. –, os solícitos cacetetes do poder estatal estão sempre a postos para restaurar “a paz e a urbanidade”.

O problema é que, diferentemente dos gritos de professores, servidores etc., é meio difícil ‘ignorar’ uma paulada na cabeça. A não ser que se tome o verbo ‘ignorar’ como eufemismo para ‘desmaiar’. Como diria Santo Agostinho, na impossibilidade de pedirmos por um fardo mais leve, temos de nos contentar em pedir ombros mais fortes.

Outros textos de Roberto Soares
E-mails para o autor: rroberto_soares@hotmail.com

Pelotas ficou de fora

Dentre os 150 municípios classificados como exemplos de boa gestão, segundo o Índice de Responsabilidade Social e de Gestão 2007, Pelotas ficou de fora, bem como todos os outros da Zona Sul. O prêmio de Boa Gestão será entregue hoje em Brasília, no encontro dos prefeitos do país.

O resultado mostra, com todas as letras, a precariedade da "campanha" verbalizada pelo prefeito de Pelotas, Fetter Jr., segundo o qual a cidade retomou a rota do desenvolvimento. E confirma que as autoridades que elogiaram a cidade, durante jantar dos 197 anos de Pelotas, comeram maionese demais. Veja o que eles disseram.

Micareta baiana para desestressar


Egídio Pizarro
Graduando de História

Eu adoro Pelotas. É minha cidade querida, de verdade. Mas morar aqui tem suas desvantagens. Por exemplo: com esse clima louco, faz dois dias que eu sequer sei o que é garganta. Eu acho que ela se cansou desse frio úmido e foi curtir uma micareta baiana fora de época. Outro negócio chato da cidade é a segregação econômico-religiosa.

Outro dia o bispo daqui, e seu assessor, pediram à prefeitura um terreno para a construção de um tempo voltado aos ricos. Aparentemente os pobres estão ricos - sob o ponto de vista da moradia religiosa, ao contrário dos ricos, que devem ser sem-tetos religiosos. Imagino que a igreja dos ricos servirá algum vinho francês da safra dos anos 80 como o sangue de Cristo e caviar como o corpo do Senhor.

E a Câmara de Vereadores local? Que baderna. Eu não sei se vocês sabem, mas meu sonho é montar um negócio de relevância cultural, artística e econômica para nossa cidade. Pensei em uma fábrica de tampas de garrafa, talvez uma empresa de aluguel de tartarugas de aquário. Minha única intenção é ser homenageado pela Câmara de Vereadores. Já estou ansioso e até estou preparando meu discurso para a cerimônia.

O caso do aumento de salário do cargo da assessora de imprensa da casa também foi chato. Não apenas pelo dinheiro que vai entrar no bolso dela ser meu, seu, de todo mundo. Mas também - e principalmente - porque o bolso que esse dinheiro vai entrar não é meu. E aí bate uma tristeza, uma melancolia gigante por meus pais não serem vereadores. Aí eu teria maiores chances de arranjar um rico emprego por lá, sem concurso. Quiçá até arranjasse um casamento.

E a depredação dos locais de convívio público? Isso chega a ser dolorido. Tem que ser muito macho pra bater numa árvore, num banco de praça, numa luminária ou numa lixeira. Acho que nem Mike Tyson pensaria num sparring tão competitivo e com tão alta capacidade de reação.

Só falta isso ser influência daquela novela global, onde um filhinho de papai apronta todas e ganha sorrisos de aprovação do tal pai. Aí sim, seria o fundo do poço.

Bem faz minha garganta. Encara uma micareta baiana para desestressar.

Outras crônicas de Egídio
E-mails para o autor: ejix.dopus@gmail.com

Quarta-feira, Julho 15, 2009

Filme analisa democracia no continente



O documentário Além das Eleições: Redefinindo Democracia será lançado no Brasil na próxima segunda (20), em Porto Alegre. Dirigido e produzido por Silvia Leindecker e Michael Fox, o filme capta novas experiências democráticas no continente americano.

Entre as experiências estão Conselhos Comunais na Venezuela, Orçamento Participativo no Brasil, Assembléias Constituintes na Bolívia e Equador, movimentos sociais na América do Norte e fábricas recuperadas na Argentina. Ativistas e intelectuais como Eduardo Galeano e Emir Sader estão entre os entrevistados.

Lançado nos Estados Unidos em outubro do ano passado, o filme será exibido no Brasil pela primeira vez no CineBancários (Rua General Câmara 424 – Centro), às 19h30, no dia 20.

Relações públicas

Fabrício Matielo, marido da assessora de imprensa da Câmara, Geane, advoga para quatro vereadores: Idemar Barz (seu sogro), Ademar Ornel (DEM), Zequinha dos Rodoviários (PDT) e Miltinho (PT). Professor Adinho (PPS) e Ivan Duarte (PT) são testemunhas de Geane em ação que tem Fabrício como advogado.

Exceto por Ornel (que absteve-se), todos votaram favoravelmente ao projeto de lei que aumenta os vencimentos do cargo de assessor de imprensa da Câmara, ocupado por Geane.

Fabrício foi assessor jurídico da Câmara. Ele se desligou do cargo ano passado para concorrer a vice-prefeito, sendo substituído no cargo por Cláudio Dutra (contracheque de R$ 6.569 mensais), pessoa de suas relações e advogado de Geane em causa judicial.

Leia mais
Sizenando diz que Câmara só dá aumento para apadrinhado
Ligações perigosas
Câmara aprova aumento para assessor de imprensa

Lula e as pizzas

Presidente Lula diz que senadores são bons pizzaiolos. Ouça.

Presidente do PPS visita Fetter, que mantém no governo "antigos" nomes do partido

O presidente do Partido Popular Socialista (PPS) de Pelotas, Manoel Madeira Filho, visitou nesta quarta (15) o prefeito Fetter Jr (PP). Foi a primeira visita oficial de Madeira ao prefeito.

Recentemente, Madeira substituiu na presidência do PPS a Saad Salim, em disputa litigiosa, inclusive com o sumiço de documentos da sede do partido antes da convenção que elegeu a nova direção do PPS em Pelotas.

Madeira e Fetter teriam conversado sobre "o futuro do governo e sua composição". Pode ser o primeiro sinal de que alguns nomes do PPS que hoje ocupam cargos na administração sejam substituídos.

Na prática, até este momento Fetter não manifestou posição clara em relação à participação do PPS no governo. Por exemplo, não absorveu ninguém da direção nova do partido, enquanto mantém em cargos nomes da antiga direção do PPS, como Saad Salim, procurador geral do município.

Fetter tem dito que não haverá mudança de nomes no secretariado enquanto não realizar a reforma administrativa da administração. A demora nessa definição pode vir a descontentar alguns setores e atrapalhar sua gestão.

Eu leio o jornal Amigos de Pelotas

"O blog é excelente, seja por sua apresentação, seja por seu conteúdo e atualidade das informações, sem contar as pitadas de sarcasmo que embalam no humor a mais pérfida notícia política de Pelotas. Assim, como as coisas boas viciam, me sinto viciada nesta leitura obrigatória!"

Sandra Castilho
Advogada

GM anuncia investimento de R$ 2 bilhões no RS

A GM vai investir R$ 2 bilhões para duplicar a fábrica da montadora, em Gravataí. O anúncio foi feito na manhã desta quarta (15), em reunião com a presença de Lula e da governadora Yeda Crusius. Com o investimento, a montadora pretende fabricar mais dois veículos, a partir de 2012. Nos últimos dois anos, a GM investiu R$ 3 bilhões na sua unidade.

A praça depredada


Leonardo Peixoto
Graduando de Cinema & Animação

Depredaram a praça da Catedral. Cheguei de viagem e essa foi a notícia que vi em jornais, televisões e na internet. Minha avó ficou indignada. "Tu, que gosta de lá, faz um escrito sobre isso". Realmente tenho ligação pessoal com a praça. Lá fiz amigos, matei tempo com eles, fiz o tapete de Corpus Christi e sentei inumeras vezes para bater um papo com Deus, encarando a Catedral.

Fiquei contente quando a praça foi revitalizada, como quando fiquei sabendo das obras no Quadrado. É melhor freqüentar lugar bem cuidado, portanto a decepção com a depredação foi grande.

Existem muitas coisas na vida e no mundo das quais não gosto, muitas delas eu consigo compreender. Até não concordo, mas compreendo. Mesmo assim, tem duas que nunca consegui entender: depredação e o hábito de fumar.

Fumar é o vício mais sem noção que tenho conhecimento, gasta dinheiro, não dá barato e mata. Sem falar que prejudica as pessoas a volta. Por isso nunca cheguei perto. Depredação também só da prejuízo, e, nesse caso, não se precisa nem falar no prejuízo coletivo.

Quebrou a lixeira? Vão largar lixo no chão e vai acabar inundando tua casa, teu trabalho... Quebrou banco? Um dia vais estar cansado ou até passar mal e não vai ter onde sentar. Matou uma árvore? Vais morar numa cidade mais poluída.

Obviamente, pensando no coletivo, podemos perceber que o prejuízo é maior ainda para os freqüentadores e pelo trabalho de quem lutou pela revitalização.

Já tive vontade de quebrar coisas para extravasar, mas sempre procurei coisas descartáveis, de plástico (daquelas que não quebram se jogar longe) e, de preferência, minhas.

Realmente, algumas vezes o ser humano torna-se irracional, pois prejudicar a si mesmo e a seus iguais não pode ser uma escolha racional. Não consigo compreender, não consigo.

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