Depois de decidir que permitirá a livre circulação de carroças em Pelotas (a qualquer horário e em qualquer rua), a prefeitura pretende, tão logo o projeto seja aprovado na Câmara, encomendar 2000 modelos de uma charrete modelo Real, fabricada na Inglaterra. As novas charretes serão doadas aos carroceiros, que receberão também, gratuitamente, uniformes iguais aos da Guarda Real inglesa. A iniciativa tem o objetivo de eliminar o impacto estético negativo de carroças comuns à paisagem e, ao mesmo tempo, encantar visualmente motoristas e pedestres, a tal ponto que estes se esqueçam dos problemas causados ao trânsito pelos pobres e miseráveis da cidade que ganham a vida chicoteando os dorsos de tristes cavalos. A notícia acima é falsa, mas pelo menos a gente avisa.
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El Dorado vive de medo
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Segunda-feira, Julho 27, 2009
Prefeitura vai comprar carruagens reais
Depois de decidir que permitirá a livre circulação de carroças em Pelotas (a qualquer horário e em qualquer rua), a prefeitura pretende, tão logo o projeto seja aprovado na Câmara, encomendar 2000 modelos de uma charrete modelo Real, fabricada na Inglaterra. As novas charretes serão doadas aos carroceiros, que receberão também, gratuitamente, uniformes iguais aos da Guarda Real inglesa. A iniciativa tem o objetivo de eliminar o impacto estético negativo de carroças comuns à paisagem e, ao mesmo tempo, encantar visualmente motoristas e pedestres, a tal ponto que estes se esqueçam dos problemas causados ao trânsito pelos pobres e miseráveis da cidade que ganham a vida chicoteando os dorsos de tristes cavalos. A notícia acima é falsa, mas pelo menos a gente avisa.
Secretário de Trânsito vai propor projeto de lei para que carroceiros circulem sem restrições
Pelotas tem cerca de dois mil charreteiros e charretes (para frete e coleta de material para reciclagem), segundo dados da Secretaria de Segurança, Transporte e Trânsito (SSTT). A circulação livre desses veículos, a qualquer hora e em qualquer via, causa problemas ao complicado trânsito pelotense. Mesmo assim, o secretário da pasta, Jacques Reydams, pretende apresentar um projeto de lei que permite o tráfego sem restrições das carroças. Reydams tratou do tema da regulamentação no domingo passado, com vereadores e charreteiros, com base no que determina o Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
Em síntese, o projeto do governo proíbe a condução de charretes por menores, prevê a atualização de um cadastro junto ao município, além da realização de um cursinho de quatro horas com noções básicas de trânsito aos charreteiros.
O principal problema, o tráfego irrestrito daqueles veículos pelas vias da cidade, será permitido em todas as ruas e horários.
O TAC, porém, foi rejeitado pelo Executivo, por discordâncias da União dos Charreteiros em relação a alguns pontos. Com a rejeição, resta agora o projeto de lei, cujo conteúdo desconsidera exigências do Ministério Público em relação à integridade dos animais.
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Eu leio o jornal Amigos de Pelotas
Fetter Jr.
Prefeito de Pelotas
"É difícil ganhar eleição twittando"
Inspirados pela experiência da campanha presidencial americana de 2008, os partidos políticos que disputarão a corrida de 2010 começaram a olhar para a internet com mais atenção.
Ben Self, um americano de Kentucky, de 32 anos, é um dos jovens rostos por trás da bem-sucedida, e excessivamente elogiada, campanha online que ajudou a levar Obama à vitória. Fundador da BSD, ele ajudou a formatar a estratégia que arrecadou nada menos que US$ 500 milhões via internet.
Secretaria de Saúde investiga morte de homem com suspeita de gripe suína em Pelotas
Segundo a prefeitura, na madrugada de sábado (25) o homem foi transferido à UCTI da Santa Casa, onde a equipe diagnosticou infecção grave. Pela manhã, foi encaminhado à CTI FAU, teve coletado material para exame da H1N1 e recebeu medicação específico para a gripe A.
O paciente morreu às 15h de sábado, de septicemia (infecção generalizada), sem causa definida.
A Vigilância Epidemiológica aguarda resultado de exame laboratorial, sendo feito no Laboratório Central do Estado (Lacen), de Porto Alegre, para saber se o paciente realmente teve a Influenza A (H1N1).
Em decorrência do aumento de casos suspeitos da nova gripe, na sexta passada, o secretário de Saúde, Francisco Isaías, determinou a suspensão, para os servidores da Saúde, de novas autorizações de férias, licenças, participações em cursos, congressos e seminários, etc.
Quadro da doença em Pelotas
24 casos suspeitos;
01 caso descartado por exame laboratorial;
01 caso confirmado, oriundo da Austrália;
14 casos aguardando resultados;
10 internações, sendo que um dos pacientes já deu alta e oito seguem internados.
01 óbito suspeito de H1N1, em 25/07/2009.
Pessoas/instituições e empresas interessadas em orientações devem entrar em contato pelo telefone 3284.7722 (Coordenação de Epidemiologia da SMS), de segunda a sexta, das 8h às 17h45min) ou 3222.5963 (Sala da Influenza), de segunda a segunda, das 8h até as 17h.
Fetter recebe canção de homenagem a Pelotas composta pelos irmãos Kleiton & Kledir

Pelotas mais uma vez foi alvo de homenagens por intermédio da entrega oficial da música que leva o nome do município, composta por Kleiton e Kledir.
A dupla foi recebida na tarde desta segunda (27) pelo prefeito Fetter Jr., que, além do CD e DVD autografados, recebeu partituras da música, letra e arranjos para bandas e corais, além de duas obras literárias de autoria de Kleiton Ramil: O pai Invisível e Sonhos e Sonhadores, caminhos do Inconsciente.
Ao receber o material, Fetter salientou que "será encaminhado a todas as escolas que compõe a rede municipal de ensino para que seja executado por corais das escolas e pelas 11 bandas criadas nesta administração".
“Pelotas” tem letra de Kleiton e música de autoria de Kledir e faz parte do repertório do mais recente CD/DVD da dupla. “Com relação à composição da canção, as coisas foram acontecendo de maneira natural, pois somos pelotenses, moramos longe de nossa terra e a saudade bate forte. Fluiu natural, como uma demonstração de amor e de afeto à nossa terra natal”, salientou Kleiton.
Os músicos aproveitaram a visita para salientar ao prefeito, que nestes últimos 30 anos, o município esteve mergulhado em um ciclo de pessimismo e de estagnação, retomando, neste momento, seu caminho natural de progresso.
“Pelotas está diferente, está melhor e é exatamente, isso que observamos nos olhos das pessoas. É a retomada do otimismo e da auto-estima, o que tentamos mostrar por intermédio da música”.
Para Fetter, a música veio no momento certo: ”Houve uma mudança de percepção por parte da comunidade, o que criou um clima generalizado de amor e de respeito pela cidade. A música veio para coroar este momento”, salientou Fetter.
Para Kledir Ramil, lembrar de Pelotas é como lembrar da própria trajetória, pois ambos nasceram e cresceram aqui, e daqui guardam as melhores lembranças.
“Os versos de “Pelotas” lembram nossa infância e todos os momentos felizes que vivemos aqui, lembram além das brincadeiras de criança, como jogos de bolinha de gude, os paralelepípedos, e os prédios históricos que povoaram nossa imaginação infantil", disse Kledir.
"Ao contrário do que dizem, a música não foi encomendada pela administração municipal, ela se constitui na nossa maneira de dizer ‘Eu te amo’ à nossa cidade”, enfatizou o músico.
A dupla se fez acompanhar por familiares, pela empresária Branca Ramil, pelo representante da gravadora Som Livre, Dárcio Castro, além de Gilnei e Kiko, ambos ex-integrantes dos “Almôndegas”.
Após a visita do Chefe do Executivo, a dupla se dirigiu ao Salão Nobre do Paço Municipal, onde concedeu entrevista coletiva à imprensa.
Voz do leitor: Marques de Satolep escreve:
"Talvez por eles (os músicos) não terem esperança em Pelotas, logo estarão dando tchau para a cidade. Sobramos nós, que ficamos comendo 'pessegada'".
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Música de Kleiton e Kledir tem defeitos das canções de 'encomenda'
Voz do leitor: treiler-moradia no Laranjal
Leitor Miguel Angelo Mozzilo escreve: "Muitas vezes me pergunto sobre coisas que são legais, porém não são justas, como por exemplo o poderoso cidadão que ocupa as areias da praia do Laranjal com seu quiosque, bem em frente à rua São José do Norte. Eu sei que ele esta ali porque conseguiu uma liminar, que está sendo julgada, pois ele tem direito adquirido blá, blá, blá. Porém, o tal cidadão, além de morar de graça nas nossas areias, agora resolveu, desaforadamente, e à margem do poder público, fechar um alpendre lateral do quiosque com um portão de garagem para guardar seu lindo carro vermelho, sem deixar nenhum espaço daquele originalmente constituído dos quiosques, feito de tijolo à vista e tal. Sem falar que este cidadão mora no quiosque, tem vista privilegiada para a laguna, e não paga nem aluguel. Pô, será que isso é justo? E aqueles que gostariam de ter o mesmo direito para vender seus lanches e não para morar naquilo que não é seu e sim de toda a comunidade? Será que não tem ninguém capaz de enfrentar aqueles ocupantes dos monstrengos das areias de nossa linda Laguna?"
Prêmio Top Blog
Estamos participando do Prêmio Nacional Top Blog.Neste momento estamos situados entre os 100 blogs mais bem votados do país na nossa categoria, entre 64.937 blogs inscritos.
A votação segue até 18 de agosto.
Quem não votou, e quiser participar, basta clicar no selo na coluna ao lado e depositar seu voto.
Obrigado.
A arte e a necessidade de comunicação humana
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João Alberto da Silva
Doutor em Educação
Os processos educativos envolvem muito mais coisas do que os conteúdos ensinados na sala de aula. A Educação está por toda a parte: no exemplo dos pais, no convívio com os amigos, nos modelos que a mídia demonstra como apreciáveis. Em especial, as dificuldades de expressão objetivas do ser humano o impelem a procurar outras formas de dizer aquilo que realmente pensa. Dentre estas, a arte adquire destaque. Muitas vezes não conseguimos expressar, nem mesmo para nós mesmo, aquilo que sentimos ou pensamos.
A arte configura-se como um caminho possível de exploração do pensamento e da aprendizagem. Diversos problemas de aprendizagem são comprovadamente superados quando as artes são introduzidas como um meio lúdico para aprender.
Nossa cidade está se preparando para um dos seus mais importantes eventos de arte e literatura: a Feira do Livro. Todavia, continuo a me perguntar: realmente aproveitamos o caráter educativo que pode haver neste tipo de evento?
O uso da praça para eventos pode fomentar o estabelecimento de vínculos positivos com o espaço público A Feira do Livro poderia ser um momento para que o cidadão se envolva e aprecie sua cidade. Ela pode ensinar a importância do estar juntos, bem como da necessidade desses espaços coletivos que permitem a comunhão entre as pessoas.
Seguidamente vemos notícias de casos de vandalismo e depredação em nossa cidade. É mais do que urgente trazer a população para o espaço público. Colocar grades e guardas afasta as pessoas. Precisamos é de livros, música, cultura e arte na praça.
Se o simples comércio bastasse à Feira do Livro, então o vulgo Camelódromo seria um estrondoso projeto cultural. A venda facilitada de livros é importante, mas precisamos mais. É necessário que a praça acolha o leitor, que ele possa fazer mais do que vagar pelos corredores olhando capas coloridas. A praça é do povo, a pergunta que fica é, afinal, que povo queremos lá?
Outros textos de João Alberto da Silva
E-mails para o autor: joao.alberto@ufrgs.br
Domingo, Julho 26, 2009
Quer fumar? Na rua, por favor...

Ivan Duarte
Vereador (PT)
Apresentei projeto de lei na Câmara que proíbe fumar em ambientes fechados – de acesso público. Desde 1981, em nossa cidade, é proibido fumar em lugares públicos. O projeto que apresentei, pioneiro no RS, amplia a proibição para lugares de acesso público, acrescentando locais de domínio privado. Tenho três razões para a iniciativa: a morte estúpida do meu pai, por causa dessa droga; o nojo que tenho do gosto e do cheiro, e a série de movimentos contra o fumo mundo afora.
Outro argumento contrário, segundo alguns, é que determinados comércios sofreriam prejuízos, pois o número de fumantes é grande e ficariam impedidos de frequentar estabelecimentos, sem a liberdade de fumar. Nos balcões e mesas de bares, restaurantes e boates, por exemplo. Aliás, em São Paulo, a lei está sendo cumprida, e as casas noturnas seguem lotadas.
Pagando pra ver, protocolei o projeto, realizamos audiência pública na Câmara, e foi aprovado pela unanimidade dos vereadores. Até aqui, ninguém, apesar dos argumentos e avisos, questionou a justeza da iniciativa. Nem fumantes nem comerciantes. Detalhe: sempre ficaram claros os limites da aplicação da lei, e que não se trata de legislação contra fumantes, apenas acerca do “onde” fumar.
No rito e tramitação normal, o projeto, aprovado, foi à sanção do prefeito e, inesperadamente, foi vetado. Alegando que o projeto fere a Lei Orgânica, invadindo a esfera administrativa, e que repete lei anterior, o documento voltou à Câmara para apreciação com veto total.
Pelo menos, não há argumentos de mérito.
Portanto, o prefeito, apesar de fumante,
não discorda do conteúdo do projeto
Quanto a repetir lei anterior, já esclareci neste texto e outras oportunidades. A lei anterior limita-se a órgãos públicos municipais e, diga-se, não há a menor fiscalização. E, como o atual projeto de lei prevê fiscalização por parte da Vigilância Sanitária e colocação de avisos, houve o entendimento, pelo prefeito, de invasão de competência.
Pelo menos, não há argumentos de mérito. O prefeito, apesar de fumante, não discorda do conteúdo do projeto. Vê problemas técnicos, jurídicos. Assim, desnecessário seria retomar os argumentos que mostram os malefícios do cigarro. Com relação a eles, estamos todos de acordo.
Também parece evidente que a colocação de avisos como “Proibido Fumar – Lei Municipal número tal - ” não configura que a Câmara invadiu competência. As alegações, frágeis, espero, não estão a esconder vícios ou argumentos inconfessáveis.
Nos próximos dias os vereadores analisarão o veto total interposto pelo prefeito. Se for derrubado, a Câmara publicará a lei. Então, quem não conseguir conter a “vontade” de fumar em lugares fechados e de acesso público em Pelotas, por favor, fume na rua... obrigado.
Bolsa-Dilma
Nesta semana, a bolsa de Dilma Rousseff virou notícia. Nada a ver com a bolsa-família. É só dela, e custa cerca de R$ 15 mil. A bolsa da ministra, da marca Hermès, mostrou que a ex-guerrilheira, petista, esquerdista não é mais a mesma do passado. Mudar pode ser bom. Mas tanto assim, e com extravagância, chama atenção. O episódio com Dilma lembra aqueles casos que às vezes vemos na tevê: de atores que foram fundo nas drogas e depois viraram crentes. Ou seja, vão de um extremo ao outro, passando por cima do meio termo, que é senso comum entre a maioria dos mortais.
Feira do livro ou dos conflitos?
Domingo, 26 de julho de 2009Pelotas está a dois meses da sua Feira do Livro, um dos eventos do calendário da cidade, realizada na Praça Coronel Osório. A partir deste ano a feira deve ser organizada por empresários, não pela prefeitura. É o que sugere a Lei 5.501, de 11 de setembro de 2008.
Assinada pelo prefeito Fetter Jr, ela atribui "preferencialmente" a responsabilidade à Câmara Pelotense do Livro, composta por empresários locais.
Problema à vista: a palavra "preferencialmente" na lei, embora indique a predileção pela CPL, não deixa claro quem deve, de fato, coordenar a feira, que apresentou conflitos de direção em 2008, com brigas em temperatura alta e reflexos negativos.
Por causa daquela dubiedade semântica, começam a surgir, de novo, inquietações quanto aos rumos do evento.
No próximo dia 10 de agosto, haverá reunião entre o secretário de Cultura de Pelotas, Mogar Xavier, e a direção da CPL. A pergunta que emerge: vai-se chegar a um entendimento ou as brigas pela paternidade da feira vão continuar, como no ano passado?Como o prefeito não foi claro na lei sobre quem comandará o evento, corre-se o risco da reedição dos conflitos, o que nunca é bom, sobretudo pelo tempo exíguo de organização. Tempo, aliás, muito curto (dois meses) para realizar um trabalho do porte deste com qualidade.
Assim como a Feira Nacional do Doce (Fenadoce), a feira do livro nasceu como evento da prefeitura. Enquanto a primeira cresceu, ao passar às mãos do empresariado, a feira do livro permanece um evento tímido, protolocar.
Mesmo que até aqui a Secretaria de Cultura tenha comandado o show, ele tem apresentado problemas inclusive na área em que não deveria - a cultural.
Não é demais dizer que o evento tem sido marcado pela falta de imaginação. Uma feira como a do livro deve valorizar a parte comercial, mas não só. Porém, é o que tem ocorrido, ainda que precariamente.
O apelo comercial se tornou o mais forte, quando deveria ser acompanhado, de forma equilibrada, até mesmo para reforçá-lo, por atividades culturais. O ponto é que, até aqui, essas atividades nada têm a ver com a produção literária em si, como shows musicais.
Os autores de livros e sua produção, principais personagens do evento, têm sido relegados a papel secundário, restritos à tarefa de autografar. Passam pela feira como desconhecidos.
Quase ninguém fica sabendo quem são eles exatamente, o que pensam ou do que tratam suas obras. Pouco se sabe sobre como funciona o mercado livreiro, a chamada "economia da cultura" e suas possibilidades a novos empreendedores e negócios.
Ao contrário de outras feiras do livro, na nossa os escritores não têm merecido espaços para palestrar ou debater entre si e com o público o tema Literatura e questões afins. Os debates, quando ocorrem, se dão informalmente, durante rodadas de café na praça da alimentação.
Um pouco da Flip, festa literária de Paraty:
exemplo no qual Pelotas poderia se inspirar
Como lembra um leitor do blog, se a feira ancora-se no apelo comercial, uma boa programação cultural associada ao motivo central (a Literatura e suas derivações) é a contrapartida necessária, inclusive ao interesse dos empresários do livro. Faz sentido, recorda o leitor, "uma vez que a economia da cultura reproduz de forma econômica, social e cultural coisas como inclusão, geração de emprego e renda".
Nas últimas feiras locais, a prefeitura tem instalado na Praça Osório o gabinete da Secretaria de Cultura, como a transmitir o "compromisso oficial com a cultura".
No entanto, vale lembrar que, em três anos de governo Fetter, a prometida Lei de Incentivo à Cultura, que tantos benefícios traria à própria feira, continua na gaveta. Ao mesmo tempo, a Conferência Municipal de Cultura, que igualmente propiciaria ganhos, até agora não passa de miragem.
A questão das políticas públicas na área da cultura é vital às cidades. Em Pelotas, o debate do momento é sobre quem dirigirá a feira. A população espera bem mais do que isso.
Gilberto Moura prepara relançamento da obra Nutrientes e Terapêutica, ampliada e revisada
O empresário pelotense Gilberto Moura prepara uma nova versão do livro Nutrientes e Terapêutica. A obra, que está em segunda edição, foi revisada e ampliada. Em 340 páginas, o autor reúne e apresenta informações sobre como e quando fazer uso de nutrientes, como avaliar suas carências. Explica ainda os efeitos dos radicais livres sobre a saúde humana. Segundo Moura, a ideia de produzir o livro veio da constatação de que o tema merecia divulgação mais ampla no país. "No Brasil, o número de universidades e centros de difusão deste tema não é expressivo, a bibliografia não é numerosa. Além disso, os textos, em geral, são escritos em linguagem técnica", diz Moura.
A obra será relançada no neste segundo semestre deste ano, informa o autor. Gilberto Moura é proprietário da Farmácia Natura, pioneira em Pelotas na área de manipulação de sais de uso medicinal. É também o idealizador do Museu sobre a farmacopéia, que leva seu nome, situado ao lado da farmácia, na Rua XV.
Memória dos "tipos pelotenses"
Tipos, por exemplo, como o fotógrafo húngaro (acho) da Rua Andrade Neves (com chapeuzinho e sorriso permanente, que ficava parado tirando fotos dos passantes), Dr. Chico Louco, famoso pelas excentricidades; Alfredinho, o da bicicleta enfeitada; Maneca, ("o maior proprietário de imóveis da cidade") e tantos outros que povoaram nosso imaginário.
Se você tiver fotografias (e histórias sobre essas pessoas), por favor, envie-nos pelo e-mail amigosdepelotas-blog@yahoo.com.br
Se não tiver fotos, ajude-nos a lembrar dos nomes desses personagens.
Vale-cultura: Cultura se compra?

Roberto Soares
Advogado
Pós-graduando em Direito Processual Civil no IDRS
Qual 0 preço da cultura para você? A resposta é complexa. Independentemente do motivo pelo qual uma pessoa opte por investir em ‘cultura’ (prazer, diversão, vaidade, lucros...), cada um investe o quanto julga adequado em sua própria cultura. Há pessoas que investem parcela considerável de ganhos em livros, cinema, teatro, museus etc. Em termos desse gasto, o céu é o limite, especialmente nas capitais, onde o custo de vida é mais elevado.
Mas qual seria o piso? O governo Lula parece ter chegado ao valor de R$ 50 por mês. Uma “onça” a cada trinta dias seria bastante para que um trabalhador se culturasse?
Há, nesse sentido, projeto de lei a ser aprovado no Congresso neste ano. A proposta é daquelas que cheira a populismo barato. Ao invés de fazer o óbvio – investir bem em educação, o que implicaria uma maior capacitação profissional, que significaria maiores salários, que poderia resultar na destinação de uma parcela maior do orçamento dos trabalhadores para cultura -, o governo opta por “dar” (às custas do contribuinte, podem apostar) esmola cultural.
A generalização é perigosa, mas me arrisco a dizer que o brasileiro não cultua os livros, p.ex. À medida que as pessoas ascendem socialmente, compram mais livros, mas isso não significa que leiam esses livros. E quanto ao cinema, pergunto: vale a pena o governo investir R$ 50 para que um trabalhador assista a “Se Eu Fosse Você 2”, por exemplo? Em Pelotas, é possível se passar meses sem gastar um único tostão em teatro, dada a escassez de espetáculos.
A proposta do governo parece atrativa às empresas que aderirem à concessão do vale-cultura, já que gozarão de benefícios fiscais. Mas, tendo em vista que o próprio trabalhador contribuirá com parte (mesmo pequena) de seus ganhos, não sei o quanto tal iniciativa é boa ou “para inglês ver”.
Uma mudança, inegavelmente ocorreria: a política de incentivo à cultura, que sempre foi focada no incentivo à produção cultural (o que acabou por construir a fortuna de poucos privilegiados), pela primeira vez passaria a incentivar o consumo de cultura. Contudo, parece ser temerário fazê-lo assim, artificialmente, a fórceps. Isso porque cultura é algo pessoal. Colocar preço nisso sempre soará perverso, além de negócio de retorno incerto. Mais uma vez, parece uma daquelas situações em que o governo combate os efeitos e não as causas dos problemas. Espero estar equivocado.
Outros textos de Roberto Soares
E-mails para o autor: rroberto_soares@hotmail.com
Sábado, Julho 25, 2009
Doçaria Pelotense, cartão de visitas da cidade
Slow FoodCrítica de gastronomia
A Doçaria Pelotense está no melhor ponto do centro, na “esquina 22” (Sete com Quinze), onde no início do século XX a Livraria Universal editava os livros de Simões Lopes Neto.
Os turistas vêm à Doçaria como abelhas no mel e os pelotenses a preferem para tomar um café. A casa é um ponto turístico de Pelotas, é o paraíso dos doces, a versão familiar do Café Aquários.
Dada esta fama, fomos verificar o que ela teria de real. Ontem às 17h, com os dois pisos cheios, a média de espera era de cinco minutos para fazer o pedido. Se não são atendidos em menos de 10 minutos, os clientes se retiram frustrados, mas não costumam reclamar pela falta de gentileza de algum atendente.
A Doçaria está mudando o cardápio e não tem referência escrita alguma sobre a oferta e os preços. Além dos clássicos docinhos, há cafés, chás quentes e gelados, sucos, tortas e vários outros doces e salgados. As opções são tradicionais ou originais, mas sempre têm boa apresentação e excelente sabor.
Os cremes quentes de vegetais são oferecidos como consomês ou sopas. Na tarde mais gelada do inverno, pedimos um creme de cenoura e vimos que ele tira o frio, a fome e a tristeza: além do creme bem quente com salsa picada, outro tigelão vem cheio de crutons grandes. O prazer é tanto que pedimos outro (de ervilhas, com ovo picado) e nem pensamos no preço (R$ 3,50). O único lanche disponível é a torrada. A completa (R$ 4,80) equivale a um almoço, feita com três pães, presunto, queijo, alface, tomate, ovo e uma espessa pasta de galinha e maionese – aconselhável para duas pessoas.A Doçaria Pelotense impressiona por sua oferta e seu recinto, mas a administração está entregue a uma equipe jovem, sem alta preparação e pobre supervisão.
Ainda ontem, voltamos pouco antes das 20h e encontramos que as máquinas de café são desligadas sem perguntar aos clientes se desejam algo mais, e o caixa apressava em voz alta as garçonetes, como se não houvesse mais ninguém na loja. Em síntese, gastronomia nota dez com atendimento abaixo da média.
Doçaria Pelotense
De segunda a sábado das 9h às 20h.
Domingos e feriados das 10h às 18h.
Que raio de professora sou eu?

Ars Longa
Crítica cultural
Na semana passada, realizou-se em Pelotas o 9º Encontro sobre o Poder Escolar. De segunda a quinta, 1700 pessoas participaram de mesas de discussão, apresentações de pesquisas, conferências e espetáculos. Na quarta-feira (22), uma atividade artística parecia mais chamativa: “Que raio de professora sou eu?”, peça de teatro dirigida por Nestor Monastério e baseada no livro de Fanny Abramovich, professora e escritora paulista. A gaúcha Heloísa Palaoro faz a professora de história que no dia de mudança decide também revisar seu passado e seus sonhos. Ela acredita que sua matéria e sua profissão podem mudar o mundo... ou podiam, pois somente encontra frustrações. O monólogo trata destas reflexões, ora cômicas, ora trágicas.
A autora do texto escreveu inicialmente para leitores de 7ª e 8ª série, e ficou surpresa ao ver que a obra estava sendo usada em cursos de pós-graduação. Sem papas na língua, Fanny Abramovich provoca em segundos os questionamentos mais crus. Numa entrevista ao Caderno de Educação, ela diz:
“O professor se escora nessa tese do baixo salário e está cada vez mais despreparado, menos envolvido, menos curioso, e carente de um novo método em que ele possa crescer junto com o aluno. (...) Falta salário, mas não é só isso. Falta uma entrega do profissional. A gente sabe que é uma profissão que foi desmoralizada. O Jarbas Passarinho, maldosamente, arrebentou com a cabeça do professor para que ele esfacelasse a cabeça do aluno. (...) O professor tem que perguntar mais. Eu dei aula trinta anos. Deveria ter pago aos alunos, porque aprendi mais do que ensinei”.
Se algum leitor assistiu à peça, faça seu comentário.
Sexta-feira, Julho 24, 2009
Voz do leitor: "Mania pelotense com prédios"
Leitor Roberto Duarte escreve: "Os prefeitos de Pelotas, todos eles, têm mania com prédios históricos, em conseguir dinheiro para financiar projetos de restauração de prédios "históricos". De repente, isso se torna o centro da gestão, por causa, acho, da visibilidade. Mas isto, em si, não é progresso - não se não vier associado a uma política efetiva de turismo, gestão essa que necessita ao mesmo tempo de investimento e desenvolvimento de outras áreas da administração e da economia. O fato é que entra prefeito, sai prefeito, e a tal da recuperação de prédios históricos (prédios esses que ninguém visita e que até hoje não têm função social nem econômica, ou seja, não se sustentam) é sempre o assunto da hora. Ou seja, nossos prefeitos se interessam por concreto e publicidade, não por gente. Nenhum deles, por exemplo, se interessou até hoje com a mesma dedicação em melhorar a educação municipal, que em Pelotas vai de mal a pior. Sugestão: visite uma escola municipal e veja com seus próprios olhos a situação. Pobres crianças".
Mão da Quadra do Guarany vai ser invertida
Com a delimitação da via no canteiro do cruzamento da Lobo da Costa com Félix da Cunha concluída, o trânsito passará a fluir no sentido inverso ao atual, apenas descendo em direção à Gonçalves Chaves.
“Optamos por implantar a inversão na segunda-feira à tarde para evitar transtornos com os eventos de fim se semana do teatro e possibilitar a adaptação dos motoristas”, explica o diretor do departamento de Sinalização e Manutenção da Secretaria de Segurança, Transporte e Trânsito (SSTT), Jesus David.
Segundo o secretário de Trânsito, Jacques Reydams, a série de alterações foi necessária para averiguação da melhor maneira para facilitação da fluidez do tráfego.
Famélico frio
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Luiz Minduim
Artista Plástico
O frio é o que nos deixa famintos ou a fome no frio é mais dadivosa? O confrade Welington (doutor em Filosofia, colunista do blog) tem provocado meu lado pensador. Me gusta a maneira como ele evoca os meandros da filosofia para a nossa vã existência cotidiana. Pensar de barriga cheia é mais proveitoso, mais enfático ou a vazia barriga esvazia o departamento de idéias? São mais dúvidas que se acumulam num sótão já transbordante de mariposas psicodélicas, retrospectos corroborantes e justaposições degeneradas, tudo regado a muito mofo poli possibilitado.
Pausa para dar um mordida, com mostarda, num roliço croquete e num gole de Polar Bock, ontem, na Taberna do Nenê. Ao fundo, “Amante à moda antiga” orquestrado, e aquele converserê profundo e arrebatado sobre o descaminhos do nobre esporte bretão na cidade.
Nos compêndios sobre gastronomia, vislumbro a relevância da comida na história dos humanos seres. Todavia ainda não me apresentaram a conta que a filosofia estará cobrando no ato sub-reptício de se alimentar.Sigo na sina das perguntas fundantes e essenciais... o que estou fazendo aqui, para onde iremos e por que cargas d’água o Sarney não está na cadeia?
Mais ainda, o que vou, o que vamos comer amanhã? Afirmam que da discussão e do embate de idéias, nasce a luz... muito bonito, mas não liquida a fome!
E a fome se origina de quê? Atavismo, bagualismo ou a busca irrefreável por aquela sensação ou sentimento agradável, harmonioso, que atende a uma inclinação vital? Não preciso de respostas com certezas, pois as minhas são provisórias, apenas alento para um cérebro que ressoa ao som do roncar das partes digestivas.
Música de Kleiton e Kledir sobre Pelotas contém os defeitos das canções feitas de encomenda
Sexta, 24 de julho de 2009Deu no site da prefeitura: Kleiton e Kledir "entregam ao prefeito Fetter Jr." na próxima segunda (27) uma música em homenagem a Pelotas, que comemora 197 anos. A notícia rendeu comentários opostos no blog, uns aplaudindo, outros reprovando a composição, que, embora afetiva, soa como feita de encomenda.
A dupla de músicos pelotenses tem uma carreira consolidada. Produziu coisas inegavelmente belas, mas também menores, como ocorre na carreira de todo o artista.
O problema das músicas de 'encomenda' é que em geral soam falsas e oportunistas, como quando Roberto Carlos homenageia as baleias, os caminhoneiros, as mulheres baixinhas e gordinhas.
Em termos estéticos, a primeira coisa a dizer sobre a canção dos irmãos Ramil sobre Pelotas é que a letra soa forçada. Rimas de ocasião, algumas deslocadas no ouvido.
Outro senão, muito comum entre as produções artísticas que evocam Pelotas: embora remeta à infância afetiva dos músicos, a letra repousa basicamente na memória de prédios, monumentos, lugares antigos, ou seja, à velha Pelotas feita de concreto e musgo. Não há menção a pessoas, que afinal são a alma de qualquer cidade.
Ao contrário de outra música da dupla, "Deu pra ti", em que Fogaça e Falcão surgem para humanizar a letra que homenageia Porto Alegre, a composição sobre Pelotas, quando evoca gente, só o faz em breve pincelada algo preconceituosa sobre o mito da beleza da mulher pelotense (na verdade a 'beleza' é da mulher gaúcha e sulina e, para ser justo, brasileira - em diferentes formas e cores) e quando menciona a gentileza das atendentes, que respondem "merece" em troca de um obrigado.
Afora essas mínimas referências (im) pessoais, o que vemos é o velho apelo de sempre às reminiscências do velho casario, argumento gasto como boa parte dos próprios imóveis citados, escombros do período áureo e socialmente injusto dos barões do charque, símbolos de um período escravagista, preconceituoso e alienado.
Embora pudesse, a letra não faz nenhuma referência, por exemplo, aos negros e aos portugueses, que foram a pedra fundamental na construção da identidade pelotense ou a figuras locais que ajudaram a nos afirmar culturalmente, como João Simões Lopes Neto, Lobo da Costa e outros mais atuais, como Aldyr Schlee; nenhuma palavra sobre a 'beleza' dos bairros pobres.
A canção dos irmãos Ramil se concentra excessivamente no passado, não no presente, ao contrário de novo de "Deu pra ti", onde o tempo atual é fecundo em imagens e figuras de carne e osso comtemporâneas.
O mais próximo do tempo presente que Kleiton e Kledir chegam na música de Pelotas é há 40 anos, época da infância dos compositores. Se de lá para cá a cidade regrediu, a beleza resiste e mereceria ser mencionada, por exemplo, através do Grupo Tholl, expoente da resistência às dificuldades socioeconômicas por que passam os pelotenses.
Vale registrar ainda que artistas do padrão de Kleiton e Kledir não precisavam "entregar sua música ao chefe do Executivo", como anuncia a matéria do site da prefeitura. Ao fazê-lo, perdem estatura aos olhos do público.
Arte, maior ou menor, não carece de eventos protocolares oficiais. Ao nascer e ganhar vida própria, pertence aos cidadãos, não requer a intermediação do poder público. Como parte das rimas da música que homenageia Pelotas, o gesto soa deslocado.
Arte em geral não combina com política, ainda mais com um prefeito como Fetter Jr., que prometeu encaminhar à Cãmara um projeto de Lei Municipal de Incentivo à Cultura no primeiro semestre deste ano e até hoje não o fez. Na verdade, não o faz há mais de três anos. Na hora de embarcar de volta para o Rio de Janeiro, Kleiton e Kledir não estarão pensando nisso, mas bem que poderiam, ainda que seja tarde.
Polícia investiga '34º homicídio' em 2009
Segundo o comando da BM, no inverno a tendência é diminuir os índices de criminalidade. Por causa do frio, os bandidos se recolheriam aos seus esconderijos, abandonando as ações.
O delegado da 2ª Delegacia de Polícia Civil, Félix Rafanhim, acredita em homicídio. Assim, Pacífico Borges deve se tornar a 34ª vítimas de assassinato em Pelotas neste ano.
Se confirmado, o número supera ainda mais as estatísticas de homicídios verificadas em todo o ano passado na cidade, quando ocorreram 29 mortes.
Leia mais (Violência entra na rota de Pelotas)
"Os homicídios em Pelotas enchem as ruas de sangue e esvaziam os discursos bonitos das autoridades. Quando nada de significativo acontece nos domingos, editores costumam se socorrer de notícias do tipo para as manchetes de segunda, só os jornais saem "ganhando. Já são 34 assassinatos em menos de sete meses de 2009, nove a mais do que em todo o ano passado. Além do crescimento do número de homicídios, tem aumentado os registros de assaltos - e a ousadia das ações. Se os assassinatos confinam-se às áreas pobres, os assaltantes não parecem preocupados em buscar seu quinhão da "riqueza" à força nas áreas centrais, onde se concentra o dinheiro."
(Clique no texto acima para ler o artigo na íntegra).
Homenagens aos imigrantes alemães não se confirmam nas políticas públicas para a 'colônia'
Leitora Ana Maria Schumann escreve: "A colônia alemã em Pelotas foi homenageada ontem na Câmara de Vereadores. Frases 'inesquecíveis' foram pronunciadas, como a do vereador Idemar Barz, proponente da homenagem. Disse ele: "Hoje, fazemos (colonos) parte de um contexto, da história brasileira". Uma frase realmente cheia de significados... Os alemães que vieram para o Brasil, fugindo da guerra, realmente viveram um pouco mais do inferno por aqui. Ainda durante a guerra, foram vítimas de perseguições e ataques. O que me espanta é ver como o discurso não bate com a prática. Enquanto palavras pomposas são ditas nessas sessões solenes na Câmara, a nossa colônia segue abandonada. O turismo rural, por exemplo, luta a pão e água, como na guerra, para se impor, graças a alma de alguns abnegados, já que o poder público, prefeitura e Câmara, pouco ou nada fazem para fortalecer a economia da colônia e de muitos 'colonos' que nela vivem".
Vestibular é um sistema falido
José Vidal
Da equipe do blog
Amanhã e domingo a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) realiza vestibular - 924 vagas estão em disputa por 3.684 inscritos. Um ambiente de tensão, quase sempre dramático na vida dos jovens, é uma violência estrutural do sistema de educação brasileiro, além de falho em sua essência.
O vestibular no Brasil foi "endeusado". Isso se deve a dois problemas: um, de origem; o outro, permanente. No Brasil, primeiro foram fundadas faculdades.
Depois foram fundados colégios. Problema: como admitir um estudante à faculdade, se ninguém tem comprovante de ter estudado nos níveis primário e secundário? Solução: fazer uma prova "vestibular". Ter ou não ter estudado se resolve nessa única prova.
Vício permanente: as faculdades acabam diplomando a todos os que passam no vestibular. Basta superar aquela prova "sacro-santa" que, alguns anos depois, o estudante termina por se formar.
As faculdades não selecionam, não reprovam. Não preparam profissionais.
Por isso, passar no vestibular - ou entrar numa universidade com nota baixa no vestibular - causa tanto escândalo.
Espero ver o dia em que - à semelhança do que já ocorre na Argentina há anos - qualquer estudante que tenha concluído o secundário possa se matricular na Universidade que quiser.
A capacidade desse estudante será colocada à prova (agora sim) a cada disciplina, a cada semestre, reprovando quem estiver inapto. Só quem for realmente bom conseguirá se formar.
A Universidade (agora com letra maiúscula) terá selecionado aqueles aptos para os melhores desempenhos profissionais. Fora o vestibular!
Quinta-feira, Julho 23, 2009
Miniconto (boa noite)
Quando eu disse que queria encerrar nosso relacionamento, ela mudou. Tirou a roupa e começou a dançar, como num transe. Depois voltou a vestir-se e foi para a cozinha preparar um macarrão à carbonara. (RF).Miniconto. O miniconto é uma forma nova, surgida nos últimos anos. Ele concentra, de forma sintética, os princípios do conto: ser um lapso único, breve, intenso, a partir do qual o leitor extrai várias leituras, complementando o que o autor quis dizer.
Matinê alternativa no IAD/UFPel
De 27 a 31 de julho ocorre a segunda edição da Matinê Alternativa, promovida pelo curso de Cinema e Animação da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Os filmes serão exibidos filmes alternativos no telão do auditório do IAD, sempre às 15h45. A entrada é franca.O auditório do Instituto de Artes e Design (IAD) fica na rua Alberto Rosa, 62. Mais informações no endereço matinealternativa.blogspot.com
O público interessado em assistir produções cinematográficas de difícil acesso ou de pouca visibilidade poderá encontrar diretores autorais de diferentes nacionalidades. A programação traz obras da Itália, Reino Unido, China, Bélgica e Estados Unidos.
A organização do evento é dos acadêmicos de Cinema e Animação Eduardo Resing e Renato Cabral, sob coordenação da professora Cíntia Langie.
Segunda, 27
Aprile
De Nanni Moretti
ITA, 1998, 75min
Terça, 28
Rosetta
De Jean Pierre e Luc Dardenne
FRA/BEL, 1999, 108min
Quarta, 29
Amor À Flor da Pele
De Wong Kar Wai
HK, 2000, 96min
Quinta, 30
Naked
De Mike Leigh
Reino Unido, 1993, 130min
Sexta, 31
Margot e o Casamento
De Noah Baumbach
EUA, 2007, 93min
Prefeitura dá nome municipal a programa federal para construir casas para famílias de baixa renda
Prefeito Fetter Jr. encaminhou à Câmara projeto de lei que autoriza o Poder Executivo a instituir o Programa Habitacional Pelotas Habitação Digna”. Objetivo é viabilizar a construção de habitações populares dentro do Programa “Minha Casa, Minha Vida”, do Governo Federal. Ao rebatizar um programa federal com nome "municipal", o prefeito busca faturar politicamente, já que a proposta e o dinheiro pertencem ao governo Lula.
O déficit habitacional no RS é de mais de 285 mil unidades; em Pelotas, de 12 a 15 mil unidades. No Brasil, de 6,27 milhões de unidades, segundo dados de 2007 do Ministério das Cidades.
De acordo com o programa, a prefeitura entrega o terreno, e a empresa constróia as habitações. A iniciativa beneficiará a população com renda de até 10 salários mínimos, principalmente com renda de até três salários.
A prefeitura estima contratar, de início, a construção de duas mil unidades. Para os empreendimentos cadastrados, as operações e os imóveis transacionados com essa finalidade terão reduções nos impostos sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbano (IPTU), sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN) e nas taxas incidentes sobre formalidades necessárias à execução e aprovação das obras.
Os imóveis serão classificados em quatro estratos: para famílias com renda até três salários mínimos; para famílias com renda de três a seis salários mínimos; para famílias com renda de seis a dez salários mínimos e para moradias estudantis.
A seleção dos beneficiários será feita pela Secretaria de Habitação. Primeiras famílias a serem atendias são as que moram em áreas de risco e onde a remoção seja condição necessária para a implantação de obras e para o atendimento de acordos ou decisões judiciais.
Comentário meu
Isso de mudar nome de programas dos outros é prática antiga de prefeitos. Com isso, tentam faturar politicamente, dando a impressão às pessoas, sobretudo as humildes, que o responsável pelas obras a serem executadas será a prefeitura, quando na verdade será o governo federal, quem estruturou o programa e o criou. A preocupação em dar nome municipal ao Programa Minha Casa, Minha vida revela um pouco mais da mentalidade do prefeito Fetter. O "Jeito Fetter de governar".
História da Escola de Belas Artes de Pelotas
Ars LongaCrônica de cultura
Até 30 de julho, o Museu Leopoldo Gotuzzo expõe trinta fotos de seu Arquivo Histórico, que relatam momentos da Escola de Belas Artes entre 1949 e 1965. A mostra comemora os 60 anos da EBA, que deu origem ao Instituto de Artes e Design, da UFPel.
Um dos registros mostra uma aula de desenho com modelo masculino, na casa da General Osório 819, em 1951. Na época, os artistas plásticos em Pelotas já eram um signo de avanço na educação e na liberação de preconceitos.
Em 1960, o Ministério da Agricultura vetou o uso da antiga Escola Eliseu Maciel como sede da EBA, que ainda era autônoma (cedida por um prefeito bem intencionado). Na ocasião, alunos e professores fizeram protestos pacíficos, com aulas na calçada e no largo dos ônibus, e faixas que diziam "sede dos sonhos". Uma das fotos desta exposição mostra o artista Nesmaro (Nestor Marques Rodrigues) em plena aula ao ar livre, aberta aos transeuntes.
Pelotas vive outro momento, mas não perdeu seus talentos. Somente passa por uma relativa amnésia.
Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo
Rua General Osório 725, esquina General Neto.
De terças a domingos, de 10h a 19h.
Frase do dia
Supermédico

Egídio Pizarro
Graduando de História
Estou com a impressão que todo mundo gostaria de ser médico. Acho que é a profissão mais invejada do mundo. Já ouvi um desenhista dizer que estranha o fato de nenhum atestado de óbito vir com "falta de apreciação artística" como causa-mortis. E ainda outro dia tive que ouvir um professor dizer que estranha o fato de ninguém discutir se os cursos de licenciatura devem ser aumentados para 6 anos, como o de Medicina - "afinal, a molecada passa muito mais tempo na nossa mão do que na mão de um médico", disse ele.
Eu mesmo, quando passei no vestibular, queria colocar "Medicina - UCPel" na minha pasta - afinal, de médico, todo mundo tem um pouco. Desisti quando pensei que carregar uma pasta com essa estampa faria com que as pessoas pensassem que eu tenho dinheiro suficiente para pagar uma faculdade de Medicina - o que me transformaria em um berrante alvo de sequestros. Afinal, de louco, todo mundo tem um pouco.
Talvez o médico seja o profissional mais admirado do mundo, o que não seria injusto. Afinal para ser médico é necessário estudar muita química. E todos sabem que, para estudar química, é necessário mais disposição do que pra correr uma maratona olímpica.
Um médico é alguem que recebe a benção de cuidar aquilo que temos de mais valoroso e primordial: a saúde. Se não tivermos saúde, não conseguiremos correr atrás de emprego, de moradia e nem daquela pessoa bonita que chamaremos de "amor".
O problema é que eles parecem não perceber que isso é mais que uma benção: é uma responsabilidade. Uma grande parcela dos médicos que eu conheço está a um passo de dizer "ajoelhem-se diante de mim, seu deus na Terra". Já vi um médico que não se prestou a sair de seu escritório e ir até a sala de espera para ajudar uma senhora que não caminhava.
Pode-se até debater se isso é ou não a obrigação de um médico. Mas não há como negar que é obrigação de um ser humano. E tem muito dotô que parece esquecer justamente que é um ser humano.
Mais que isso, esquece que está tratando de um.
Outras crônicas de Egídio E-mails para o autor: ejix.dopus@gmail.com
Quarta-feira, Julho 22, 2009
Prêmio Top Blog
Estamos participando do Prêmio Nacional Top Blog.Neste momento estamos situados entre os 100 blogs mais bem votados do país na nossa categoria, entre 64.937 blogs inscritos.
A votação segue até 18 de agosto.
Quem não votou, e quiser participar, basta clicar no selo na coluna ao lado (no alto) e depositar seu voto.
Obrigado.
Lula baixa decreto contra nepotismo
Decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publicado nesta quarta (22), no Diário Oficial da União, obriga ministros de Estado e ocupantes de altos cargos comissionados a declararem, no prazo de 60 dias, se têm parentesco com alguém no Executivo Federal que ocupe cargo em comissão ou de confiança ou como estagiário, funcionário terceirizado ou consultor de organismo internacional que preste serviço para o órgão em que o agente trabalhe. O objetivo do governo é criar uma regra própria para coibir a contratação de parentes no Executivo Federal.
Leia na íntegra.
Leia mais
Ligações perigosas na Câmara de Pelotas
Meryl Streep completa 60 anos, bela e magnífica
Contrato para restaurar Grande Hotel será assinado na sexta
Com quatro pavimentos, o prédio do Grande Hotel é a obra mais esperada. Possui 68 quartos, quatro apartamentos, duas suítes, salão de chá e vestíbulo coberto por uma clarabóia de vidros coloridos.
Após a reforma, a estrutura deverá se transformar em hotel de categoria Quatro Estrelas, onde deverá funcionar também uma escola de gastronomia e uma de hotelaria, ambas no subsolo do prédio.
Comissão ABAFA

Sérgio Estanislau
Cronista
Depois do discurso do presidente Lula, o Ministério Público estruturou um órgão para analisar a biografia dos investigados e orientar a atuação dos promotores e procuradores em todo o país. Dizem inclusive que o Pelotino, um dos maiores especialistas em biografias do país, foi convidado a fazer parte, mas ainda não tivemos a confirmação por parte de nosso colaborador.
O blog teve acesso à ata da reunião, onde foram analisados os primeiros casos pela Comissão de Análise Biográfica Através de Fatos e Acontecimentos(Comissão ABAFA):
- Vamos analisar esse caso desse Deputado paulista, Saulo Palim Taluf.
- Grande biografia, hein, desde os tempos do regime militar...
- Deixa eu ver, Governador de São Paulo, deputado federal mais votado, empresário...
- Candidato à presidência da república, presidente de partido político...
- Biografia impressionante!
- Sempre viaja à Paris e se hospeda no Ritz.
- Grande biografia, por mim arquiva o caso, passemos para o próximo.
- Agora é o caso do Senhor José Marimbondos.
- O que tem contra ele?
- Contra não, a favor, é uma biografia super extensa.
- Cinquenta anos na política, presidente da república, deputado, senador várias vezes...
- Presidente do Senado...
- E de uma família excepcional, no Maranhão tem centenas de ruas com o nome da família dele.
- A família é mesmo excepcional, toda ela de servidores públicos, até o namorado da neta é servidor no Senado.
- Sem maiores discussões, senhores, arquivamento por unanimidade, amanhã continuamos nossa reunião, teremos uns casos mais simples, do pessoal que mora lá na vila, na verdade não têm biografia nenhuma.
- Cadeia neles!!
Sessão encerrada.
Feira do Livro vai homenagear Benedetti
A Feira do Livro de Pelotas deste ano vai homenagear o escritor uruguaio Mario Benedetti (foto), falecido em 17 de maio deste ano, aos 88 anos. Justa homenagem a um autor que, se não é da nossa terra, é muito próximo, ainda que pouco conhecido do grande público brasileiro e gaúcho.A feira pelotense está a procura de um patrono. O convite a uma personalidade da cultura da região deverá ocorrer nos próximos dias.
Neste momento uma reunião tenta convencer o professor Pedro Moacyr Pérez da Silveira a ser Orador da Feira. Ele é professor de Direito da UFPel.
Como sempre, os organizadores da feira começam pela cereja do bolo. O bolo mesmo parece que vai ficar, mais uma vez, para depois.
Nossa feira tem apresentado falhas nos últimos anos. Precisa de melhor organização, com foco maior na cultura, nos autores, em busca de um equilíbrio com o apelo fortemente comercial. Veja abaixo algumas críticas ao evento do ano passado.
Leia mais
O melhor e o pior da nossa feira do livro de 2008
Feira de livros com pouca cultura
Lula critica a imprensa. Já a Sarney...
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou a posse do novo procurador geral da República, Roberto Gurgel, na manhã desta quarta (22), para atacar a imprensa. Segundo Lula, a imprensa quer condenar antes da conclusão do processo.
- Você tem duas possibilidades. Você pode engavetar processo, você pode aceitar pressão do Poder Legislativo, você pode aceitar pressão do Poder Executivo, você pode aceitar pressão do da imprensa - que às vezes quer condenar antes do processo ser feito corretamente - disse Lula, recomendando que os membros do Ministério Público sigam os preceitos constitucionais:
- Você tem vários campos de pressão que você pode ceder, mas a única coisa que dará tranquilidade a alguém que tem poder de procurador geral da República e dos membros da Procuradoria é ter como único fator de pressão as garantias constitucionais para fazer as investigações. Caso contrário estaremos absolvendo culpados e condenando inocentes.
Lula afirmou que o governo não criará dificuldades para as investigações do Ministério Público, mas recomendou que a biografia do investigado seja levada em consideração.
- Gurgel, nesse um ano e meio de convivência que vamos ter, jamais farei um pedido pessoal e jamais colocarei um alfinete para atrapalhar qualquer investigação da instituição. A única coisa que peço é que uma instituição que tem o poder do Ministério Público, garantido pela Constituição, tem o direito e a obrigação de agir com a máxima seriedade, não pensando apenas na biografia de quem está fazendo a investigação, mas pensando da mesma forma na biografia de quem está sendo investigado - disse.
Do medo do futuro e algumas cositas más

Leonardo Peixoto
Graduando de Cinema & Animação
Ano que vem teremos eleição, particularmente, será a segunda vez que vou votar para presidente, governador, deputados e senador. Ainda sou um eleitor um tanto quanto novato, e, talvez por isso, me impressione com algumas atitudes. A sede pelo poder, seja a vontade de chegar lá ou a enorme dificuldade de sair de lá, chega a me assustar. A eleição, me parece, deveria representar a escolha do povo sobre o caminho que quer seguir. O problema são a falta de opções.
Não me refiro a quantidade, candidatos sempre existem muitos, mas a diversificação de propostas e atitudes. Eu, que sou novo, olho quem está ameaçando se candidatar e acho entediante, imagina quem já conhece as figuras há muitos carnavais. Acredito que um ano pré-eleitoral deveria sim, ser usado para os candidatos se prepararem, mas não é o que acontece.
Não consigo ver (e acredito que a maioria das pessoas também não) preparação em relação a opções, atitudes e escolhas de projetos de governo, apenas gente pegando carona em certas situações. Ministra sempre colada no presidente, primeira-dama no prefeito, ministro que quer virar governador investigando o governo do estado...
Talvez, e gostaria muito que isso acontecesse, alguém surpreenda a todos, eleitores e adversários, e surja com propostas maduras, conscientes e consistentes no ano que vem. Pois se não, as novas opções vão se reduzir a Mulher-Melão e ao Kleber Bambam (sim, aquele do Big Brother) que recentemente anunciaram suas candidaturas. A quem entregaremos nossos mais altos cargos?
Alguns fatos a serem comentados. Vocês viram que:
1- Só essa semana o último exilado político do regime militar retornou ao Brasil?
2- A UNE, que já foi contra o Collor e contra o Sarney agora apóia, incondicionalmente o Lula, que por sua vez também já foi contra os outros dois, mas agora os apóia/protege/defende?
3 – Esse meu Xavante só esta me dando alegria?
4 - Chegou dinheiro para a UFPel investir em pesquisa?
5- A Guarda Municipal pretende começar a trabalhar armada?
Outros textos de Leonardo
E-mails para o autor: leo_vpeixoto@hotmail.com
Terça-feira, Julho 21, 2009
Kleiton e Kledir "entregam música a Fetter"
A música “Pelotas” é um hino de amor à cidade. O CD de Autorretrato possui músicas inéditas. No DVD, a dupla apresenta um filme-documentário com suas histórias.
Kleiton e Kledir começaram a carreira artística nos anos 70, com a banda Almôndegas. Gravaram quatro discos. Em 1980, lançaram o primeiro disco exclusivo da dupla, no rastro do sucesso de “Maria Fumaça”. Logo veio a música "Vira Virou" e uma série de sucessos: Fonte da Saudade, Paixão, Deu Pra Ti, Nem Pensar, Tô que Tô, Viva, Corpo e Alma. Em 1987, a dupla se separou.
Em 1996, retomam a parceria, com o disco "Dois", seguido de “Clássicos do Sul” e o premiado “Kleiton & Kledir ao vivo”.
Ao vetar projeto antifumo, Fetter perde a chance de confirmar legalmente um bom exemplo
Pelotas, 21 de Julho de 2009 (atualizada às 0h14 de quarta)
Fetter Jr. fuma bem, cigarros longos da marca Charm. Já teve um infarto, mas continua fazendo fumaça. É direito dele. Pois nosso prefeito acaba de vetar um projeto de lei de benefício coletivo. O projeto impede o fumo em ambientes fechados, públicos e privados, e foi proposto pelo vereador Ivan Duarte (PT). Com o veto, o texto volta para análise da Câmara, que o havia aprovado.
A versão extraoficial é de que o prefeito teria vetado o projeto porque ele repetiria uma lei municipal, além da legislação federal. A assessoria do prefeito não divulgou o motivo. A impressão é de que - ao alegar que já existe lei sobre o tema - que ele não quis o ônus de decidir sobre uma questão que, mal ou bem, desperta certa polêmica.
Considerando exclusivamente o veto pelo veto, por Fetter, os servidores e visitantes podem continuar poluindo as repartições públicas, inclusive na Secretaria de Saúde.
Difícil entender como se pode vetar projeto dessa natureza, mesmo que repita em parte texto de lei que já exista, já que os malefícios do fumo são combatidos em todo o mundo pelos governos, inclusive pela Secretaria de Saúde de Pelotas, que desenvolve programas de combate ao consumo de tabaco.
Segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral, Fetter recebeu doações de papeleiras para sua última campanha eleitoral, papeleiras essas que fornecem papel para fabricantes de cigarros. Será por isso? Parece pouco provável que seu veto tenha uma motivação dessas. Teria ele algum dever de obrigação com o sindicato de Bares e Restaurantes?
O fato é que, ao vetar o projeto sem motivo claramente pronunciado, o prefeito denota, em tese, falta de espírito público. No cargo que ocupa, deveria dar o exemplo, contribuindo para a luta contra o tabagismo.
Outro fato curioso é que, com o veto, Fetter confirma sua disposição de 'resistir' no plano municipal a conteúdos mais altos da legislação, já que existe lei federal 9.294, de 1996, proibindo fumo em locais públicos, decisão que ele poderia reforçar com uma lei local. Para um prefeito que não promove concorrência pública para escolha de empresas de transporte coletivo, afrontando abertamente a legislação federal, sob o olhar compassivo do Ministério Público, vetar o projeto antifumo deve ser, para ele, uma coisinha à toa.
O que diz a Lei Federal 9.294
Art. 2º - É proibido o uso de cigarros, cigarrilhas, charutos, cachimbos ou de qualquer outro produto fumígero, derivado ou não do tabaco, em recinto coletivo, privado ou público, salvo em área destinada exclusivamente a esse fim, devidamente isolada e com arejamento conveniente.
§ 1º Incluem-se nas disposições deste artigo as repartições públicas, os hospitais e postos de saúde, as salas de aula, as bibliotecas, os recintos de trabalho coletivo e as salas de teatro e cinema.
Logomarca do blog
Queremos definir uma logomarca definitiva para o blog Amigos de Pelotas (sem a palavra blog). Gostaríamos de sua ajuda. Se você for artista gráfico e quiser colaborar com a equipe, mande sua sugestão de "logo". A seleção será feita até 21 de agosto, quando o blog completará 1 milhão de visitas. Os trabalhos podem ser enviados para amigosdepelotas-blog@yahoo.com.br
O trabalho escolhido passará a ser a logomarca oficial do Amigos, e será incorporada à 'cabeça' do blog, lá no alto. Ela deve conter elementos que remetam à missão do blog: compromisso com a verdade, com os leitores e com a modernidade de Pelotas.
Acatando sugestão de um leitor, vamos publicar os trabalhos inscritos e submetê-los à votação dos leitores. A escolha final feita pela equipe do blog, dentre os três trabalhos mais votados pelos leitores.
No final, faremos uma matéria sobre o autor e o trabalho selecionados e os demais autores participantes, além de republicar todos os trabalhos inscritos.
Enquete: lei antifumo em Pelotas
Juiz abre processo contra Dantas e manda liquidar fundo de R$ 500 mi
A Justiça Federal determinou a abertura de processo criminal contra o banqueiro Daniel Dantas, do grupo Opportunity, e mandou liquidar um fundo de investimentos de R$ 500 milhões do banqueiro. Outras 13 pessoas acusados pela prática de crimes financeiros investigados na Operação Satiagraha da Polícia Federal também foram formalmente acusadas.
O juiz da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, Fausto Martin De Sanctis, acolheu denúncia elaborada pelo procurador da República Rodrigo de Grandis, que acusou Dantas de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta de instituição financeira, evasão de divisas e formação de quadrilha e organização criminosa. Os acusados negaram, por meio de seus advogados, as acusações do Ministério Público. Leia na íntegra.
Exercícios de filosofia 1: Da utilidade da própria.

Welington Silva Rodrigues
Doutor em Filosofia
Uma das perguntas mais difíceis de escutar é: para que serve a filosofia? É difícil de escutar porque é mais difícil ainda de responder. Quer ver como não é mole? Consideremos algumas coisas em jogo antes mesmo de tentar achar uma resposta.
Primeiro deveríamos nos entender sobre o que se quer dizer com o verbo “serve”. Aceitamos que se trata de “serve” no sentido de prestar para, de ser útil. E isso, que deveria explicar, complica mais ainda, pois devemos agora nos entender sobre o sentido de “útil”.
O que é útil? Qual nossa compreensão sobre a utilidade? É o que alimenta o corpo, é o que paga o aluguel, é o que garante a passagem de ônibus, é o que aquece a casa e o corpo, é o que cozinha os alimentos, é o que nos faz crescer no trabalho, é o que nos preserva a saúde ou nos cura, são as coisas palpáveis, as ferramentas? Bem, se for isso o que consideramos coisas úteis, está tudo bem, pois são, de fato, coisas úteis. O problema reside, talvez, em considerarmos apenas isso como coisas úteis.
E aquilo que alimenta o intelecto e a emoção, é útil? O que nos faz rir, a diversão, a música, o dançar, os filmes, aquela piada, namorar, casar, ter filhos, chimarrão, passear na praia, perguntar de onde veio tudo que existe, questionar o sentido das coisas, o valor das decisões e seus resultados, indagar se os fins justificam os meios, se ética e política são compatíveis, se o conhecimento humano nunca vai parar de avançar, o que seria do nosso país se não existisse a liberdade de imprensa e de expressão, Deus existe?, se Deus existe e é onipotente qual é a origem do mal, o que é a beleza, o que significa para o ser humano viver sabendo que vai morrer, as cores existem independentemente dos objetos coloridos, por que bota a gente calça e calça a gente bota, por que a maioria das redes de fast food são vermelhas e amarelas? Isso tudo é útil ou inútil?Depende. Depende de muita coisa: da nossa criação, das nossas amizades, dos nossos pais, das nossas leituras ou da falta delas, da escola, da TV, se a vida foi generosa ou um carrasco e de mais um monte de coisas que não cabem nestes 2500 caracteres. Mas depende, sobretudo, da nossa capacidade de pensar de modo autônomo, consciente e livre de preconceitos.
Um dos papéis da filosofia é justamente questionar aquilo que parece óbvio e, muitas vezes, apenas dizer o óbvio.
E é obvio que pensar de barriga cheia é melhor.
Outros textos de Welington
E-mails para o autor: wsrcg@yahoo.com
Segunda-feira, Julho 20, 2009
Sindicato quer apurar uso político da Polícia Civil
A decisão foi tomada após denúncias na imprensa de que um policial e o chefe de gabinete da governadora Yeda Crusius (PSDB), Ricardo Lied, teriam avisado o presidente do Detran que seu filho seria preso por tráfico de drogas.
O dirigente do Detran, Sérgio Buchmann, entrou em contato com a imprensa e relatou a visita a fim de evitar uso político do vazamento das informações.
Eu leio o jornal Amigos de Pelotas
Visão empresarial: Mário Filho
Círculo Operário é escolhida a empresa de panificação que mais cresce no Brasil
A empresa Círculo Operário foi eleita a firma de panificação que mais expandiu seus negócios em 2008 no Brasil. O empresário, advogado e industrial Mário Filho, proprietário da empresa, que acaba de abrir a terceira unidade do grupo (a Paladaria), um centro gastronômico, receberá a premiação no próximo dia 24 de julho, em São Paulo.
A escolha da Círculo Operário foi feita por 60 consultores associados ao Programa de Apoio à Panificação (Propan), da Associação Brasileira das Indústrias de Panificação e Confeitaria (Abip) e pela Associação Brasileira da Indústria de Trigo (Abitrigo). A empresa pelotense foi selecionada, juntamente com mais sete firmas do país, em categorias diferentes, entre 400 empresas inscritas na premiação.
Além de empresário e advogado, Mário Filho foi vereador de 1989-1992, vice-prefeito, secretário de governo (Secretaria Municipal de Cidadania e Direitos Humanos); foi ainda diretor-presidente do Sanep, presidente do Sindicato da Indústria da Panificação, Massas, Alimentos e Biscoitos de Pelotas (Sindipel), diretor do Cipel e diretor da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs).
A evolução da empresa
A Círculo Operário surgiu em 1983, composta por quatro empregados e três sócios. Em 1986, época da primeira reforma, contava com 26 empregados. Desde 2001, a firma passou a adotar novos métodos de gestão, crescendo de forma acelerada.
Em 2003 operava com 44 empregados. Nesse ano, alterou o lay-out da firma, seguindo as tendências dos grandes centros, substituindo equipamentos, adotando auto-atendimento assistido, aprimorando os festivais promocionais com técnicas adequadas de merchandising e comunicação adequada.
Foram feitos investimentos em equipamentos com tecnologia para alta produção de salgados e produtos panificados e tecnologia da informação, sem reduzir o quadro de funcionários. Em 12 meses a empresa apresentou crescimento de 84% em seu faturamento.
Preparando-a para a profissionalização da gestão, em 2004 foi implantado um programa de estágios de nível médio (a área de alimentos) e de nível superior de administração, contribuindo com boas técnicas de produção e gestão.
Iniciaram-se em seguida preparativos para implantar as boas práticas de fabricação e manipulação - um nutricionista foi contratado, culminando em 2007 com o recebimento do certificado do Programa de Alimento Seguro da ANVISA, auditado pelo Senai gaúcho.
Em 2006, membros da família abriram a segunda loja do grupo. Um ano depois esta loja foi ampliada, passando a atender com o conceito de Centro Gastronômico (Padaria, Café, Almoço, Pizzaria e Pastelaria), aumentando o faturamento em 100%, comparado com o período anterior.
Em 2008, depois de pesquisa para detectar o bairro de origem dos clientes, a empresa buscou novo local que pudesse instalar uma terceira loja, capaz de atender a demanda identificada. O ponto escolhido foi numa avenida de grande tráfego e alto padrão residencial (Dom Joaquim), que interliga outros três bairros da cidade.
A partir de projeto de viabilidade econômica, financeira e arquitetônica, surgiu a Paladaria, centro gastronômico com 417m² de área de atendimento, inaugurado em maio de 2009.
Hoje o grupo proporciona oportunidades de trabalho e renda para 209 famílias, oferecendo um plano de cargos e salários e plano de saúde básico a todos os funcionários.
Literárias: O Poço

Marcos Macedo
Crítica literária
Foi o moçambicano Mia Couto quem se referiu à tentação de escrever mais e mais livros, e do perigo de encarar isso de maneira quase banalizada, perdendo aquela atitude e paixão intensa que marcam o primeiro livro. As mesmas atitude e paixão que marcam “O Poço”, de 1939, obra de estréia de Juan Carlos Onetti (1909 -1994 - foto abaixo), um dos “fundadores” da moderna literatura hispano-americana, considerado por muitos, entre eles Julio Cortazar, o maior escritor uruguaio do século XX.
Onetti abandonou o épico e focou sua prosa entre o real e o sonho, na classe média latino-americana, urbana, educada, às voltas com a sobrevivência material e espiritual. Recebeu o Prêmio Cervantes de Literatura de 1980. Sua obra está sendo reeditada no Brasil pela Editora Planeta.
Em “O Poço”, Eladio sonha que a esposa voltou a ser a mesma com que se casou. Propõe que ela repita na realidade o que viu no sonho, na esperança de recuperar o que gostava na esposa. Várias vezes ele a faz descer a mesma rua com o vestido branco do sonho, mas sem sucesso, pois o rosto dela estava sempre “sério e amargo”.
Montevidéu parece um pouco sonho, outro tanto uma visita à casa de um avô. Na época da crise do corralito, em 2002, havia naquela rua da Feira da Pulga um sebo entre vários, com livros fabulosos e máscaras venezianas nas paredes. No centro da loja, havia uma enorme máscara de touro, que, se vestida, transformava homem em minotauro. Normalmente, o minotauro tem corpo humano e cabeça de touro, assim como Picasso os desenhou, símbolos do desejo obscuro ao qual se pode entregar sem qualquer outra desculpa além do sexo mesmo. O minotauro simboliza a virilidade que enlouquece as mulheres e os homens com desejo que a razão não explica nem domina.A máscara de minotauro do sebo ia além, cobrindo também o peito e o coração com feição animal. Era o desejo ainda mais obscuro que o de Picasso, a entrega ao sexo sem explicação nem sentimento para justificá-lo, às vezes contra explicação e sentimento.
Anos depois, o minotauro, aquela impressionante peça antiga de decoração que governava todo o sebo, não estava mais lá. Ali, naqueles anos difíceis para os uruguaios, contra a vontade deles, “todo estaba a la venta”. Eram os personagens de Onetti ressurgindo com todo seu surrealismo.
O Poço & Para uma Tumba sem Nome
Juan Carlos Onetti
Editora Planeta
167 p
R$ 38
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Outras obras disponíveis na MundialVida líquida / Madame Freud/Os cães ladram / Um certo capitão Rodrigo / O chefão /Uma história íntima da humanidade / Mães e filhos /Chorar sobre o leite derramado/ Em busca de sentido / Os trabalhos e os dias / Vida conjugal / Doutor Jivago /Mãos de cavalo / Eles eram muitos cavalos / Ulisses e a volta para casa / O avesso da vida / A morte em Veneza / Homem no escuro / A peste / Pelotas e os não-lugares








