Eu lhes digo: um processo de paternidade.
Georges Burns
|
El Dorado vive de medo
|

Caio Lopes, sócio-proprietário da Caio Produções Culturais, envia a mensagem abaixo. Nela, ele afirma que foi destratado aos gritos e ofensas pelo secretário de Cultura, Mogar Xavier, durante reunião nesta segunda (3), em que foi tentar um acordo para amenizar seu prejuízo com o cancelamento (por causa da Gripe A), de um espetáculo por ele contratado para o Sete de Abril. A seguir, a carta:"Gostaria de tornar público a forma como fomos atendidos pelo Secretário de Cultura de Pelotas, Mogar P. Xavier. Eu, Caio Lopes, e Alexandre Mattos, meu sócio na produtora, procuramos o secretário averiguar a possibilidade de reaver nosso prejuízo com o cancelamento do show do Delicatessen por parte da Secretaria de Cultura (por causa do risco de contágio pela Gripe A) e remarcar uma data para o espetáculo.Em telefonema para a secretaria de Cultura na manhã desta terça (4), oferecemos espaço para réplica ao secretário Mogar Xavier.
Ao chegarmos à secretaria, ouvimos o secretário, aos gritos, ordenando que nós entrássemos em sua sala, onde estava também a diretora do Theatro Sete de Abril. O secretário bateu na mesa e gritou:
- O que tu quer? Fala rápido, pois não posso perder contigo mais de um minuto.
Respondi que o que eu tinha para falar durava mais do que um minuto. Ele, gritando, respondeu: "Eu não te conheço, conheço apenas ele" - referindo-se a meu sócio. Não me dirigiu a palavra. Eu interpelei, falando que queria ver da possibilidade de remarcação de data do Delicatessen, bem como ver a possibilidade de o municipio arcar, de alguma forma, com o prejuizo que tive. Sempre gritando, ele disse:
- Já perdi muito tempo contigo, tenho um decreto da Saúde; se quiseres, te dou o endereço do Fórum".
Falou com o dedo em riste, esbravejando e ameaçando me colocar pra fora da sala, pois, segundo ele, "eu tinha falado demais já, na mídia".
Pergunto: um secretário de Cultura pode tratar qualquer cidadão dessa forma? Ele é apenas um funcionário público.
Minha questão era saber se eu tinha direito a esse ressarcimento. Não gritei com o secretário, porém não deixei me destratar com os termos de baixo calão que usou comigo, como "sem-vergonha", e dizendo que "estou de má vontade com o município faz tempo". Gostaria de saber o que ele quer dizer com isso. Se trazer espetáculos pra cidade o ofende tanto, deve haver um motivo.
O fato de não me conhecer talvez se deva ao fato de não conhecer as pautas que assina no teatro ou os espetáculos que trago a Pelotas; possivelmente, não lê jornais, não sabe dos projetos aprovados em lei federal, como o Caixa Cultural e o SESI Música SP, e de todo trabalho que desenvolvo Brasil afora. Sou um profissional e, antes de tudo, cidadão, que não pode ser destratado por um homem público da forma como fui.
Se a prefeitura não pode pagar o cancelamento do evento porque há um decreto, tudo bem. Se eles entendem que não existe quebra de contrato, vamos discutir. Mas será que o prefeito Fetter Jr. sabe do tratamento que seu secretário de cultura, dentro de um gabinete municipal, dispensa aos cidadãos?
Posso nunca mais ter uma pauta aprovada no teatro, como ele ameaçou, mas não vou aguentar tamanho destrato e gritos de quem pensa que está em um trono de rei".


Um dia qualquer, depois do verão, da primavera, da neve, os carros à frente começam a se mover. Todos entram em seus autos, a coluna põe-se “de novo em marcha, lentamente durante alguns minutos, e logo após como se a auto-estrada estivesse definitivamente livre”, umas pistas mais rápidas que as outras, os carros se distanciando uns dos outros em alta velocidade, “sem que já se soubesse bem para que tanta pressa, por que essa correria na noite entre automóveis desconhecidos onde ninguém sabia nada sobre os outros, onde todos olhavam fixamente para frente, exclusivamente para a frente”.
Um dos melhores exemplos da prioridade que o trânsito recebe em São Paulo é o aeroporto de Congonhas: aviões subindo e descendo no meio da cidade, próximos de residências e avenidas movimentadas. São Paulo só pode ser entendida como cidade do trânsito, não-lugar que as pessoas cruzam de um lado para outro, sem prestar atenção umas nas outras. O que o asfaltamento de ruas estreitas, de calçadas estreitas, como a Gonçalves Chaves, provocará em Pelotas? Os motoristas certamente estão satisfeitos em suas “máquinas feitas para correr”, “olhando exclusivamente para frente”.
.jpg)
No caso de Pelotas, a prefeitura mantém longa lista de atividades extra-classe oferecidas aos estudantes. Estes projetos poderiam e deveriam ser usados para trabalhar assuntos tais como hábitos saudáveis, atividades de leitura coletiva, de aprendizagem da história da cidade.
Um exemplo de indiscutível importância é o da educação alimentar. Muitos estudos evidenciam que os hábitos alimentares dos adultos têm sua origem nas práticas que realizaram em sua infância. Todas as escolas públicas possuem refeitório e fornecem gostosas e nutritivas refeições às crianças. Por que não utilizar o espaço do lanche para ensinar hábitos alimentares saudáveis?
Diferentemente, a opção que a Secretaria Municipal de Educação de Pelotas faz pelos projetos extra-classe é engraçada. Há considerável volume de recursos empregados. Todavia, os projetos resumem-se à “cultura popular”, entendida como oficinas de rap, hip hop, futebol, skate, percussão e dança. Há algumas atividades de cultura gaúcha, informática, desenho etc.
Não se trata de subestimar a importância da arte e do esporte, mas de questionar se essas são as únicas possibilidades de atividades extra-classe. As crianças precisam mais do que momentos de entretenimento.
Este recurso gasto pode ser empregado em projetos que atendam às demandas mais imediatas. Por exemplo, a crescente onda de vandalismo ao patrimônio público pode ser combatida com atividades que valorizem os espaços coletivos; o uso indiscriminado de embalagens pode ser atenuado com o ensino de práticas de reciclagem. Iniciativas comomessas são essenciais a um povo carente de instrução elementar, de aprender e tomar consciência de suas ações.
Outros textos de João Alberto da Silva
E-mails para o autor: joao.alberto@ufrgs.br



.jpg)
O parceiro me chega com cinco pimentos... amarelos, lindos e enormes. Pareciam aqueles de tachões que brotam do asfalto em cada esquina... Na outra encarnação vou fabricar tachinhas, olhos de gato e bate-rodas, chega de miséria. Cortei os áureos elementos ao meio; havia um tomate tão grande que deu três “barquetes”. Molhei o interior com água da azeitona e recheei candidamente com a mistura do atum.




Segundo Giuliani (foto), o negócio é combater pequenos crimes, como porte de drogas, pichações e danos ao patrimônio. Assim, o delinqüente de hoje não se torna o traficante de amanhã e todos têm a sensação de que as leis são respeitadas. Giuliani ressalta, no entanto, que a repressão não faz sentido sem a “retaguarda” de um excelente sistema de segurança social: abrigos, refeitórios populares, assistência social.

Aos amigos mais íntimos, o senador por vezes demonstra seu desencanto pelas injustiças, mas repele com veemência a insinuação de que a sua aproximação com Lula seria uma maneira de contornar as resistências do seu nome ao Nobel. Teria até confidenciado a amigos próximos que não se importa com o desdém sueco, pois está na companhia de Proust, Joyce e Jorge Luis Borges. A recente tradução para o inglês de sua coletânea de poesia, Marimbondos de Fogo(Firebugs), é mais um item a reforçar a sua candidatura, segundo Ivan Pitangy. Para um crítico do New York Times, os países de língua inglesa aguardam com ansiedade a prometida tradução dos outros livros da trilogia, Marimbondos de Pileque (Drunkbugs) e Marimbondos de Ressaca (Hangoverbugs).

Semana um, semana outro, sempre às sextas-feiras, os vereadores Eduardo Leite (PSDB) e Ivan Duarte (PT) escreverão artigos no blog sobre política e questões da cidade.
A última notícia envolvendo o nome do secretário de Trânsito de Pelotas, Jacques Reydams, conhecido entre outras características por sua paixão pelo golfe, é a formatação de um projeto de lei que permitirá a carroceiros transitar em veículos puxados por cavalos ou bois (a lei também não restringe a espécie animal) em qualquer ponto da cidade, a qualquer hora, como era o desejo da associação dos carroceiros. O projeto vem sendo costurado com aqueles trabalhadores e os vereadores, mas já se chegou a entendimento favorável aos interesses dos carroceiros.
Se o prefeito afronta a lei por tanto tempo, apesar de fustigado pelo Ministério Público, vale dizer que poderia, se quisesse ou seu secretário insistisse, negar-se a aceitar o tráfego livre de carroças na cidade, justificando que o já confuso trânsito pelotense não tem condições de assimilar aqueles veículos, a 30 km/h na frente de carros, motos, ônibus e caminhões, não sem restrições de horário e de vias, o que seria razoável para todos. Contudo, nesse caso, o prefeito pensa que sim e que o Código de Trânsito deve ser cumprido sem ajustes à realidade local (possíveis e legais), para regozijo dos charreteiros, que chicoteiam cavalos de puro contentamento.
Na última campanha eleitoral, Fetter assinou artigo na imprensa, afirmando que, ao final do seu mandato (passado), entregaria aos pelotenses uma cidade "moderna, próspera e desenvolvida". Não é o que vem ocorrendo. O número de pobres aumentou, tanto assim que, dos 2000 carroceiros em atividade, pouco mais de mil possuem cadastro na prefeitura - dobrou o número de pessoas e de carroças. Sinais de progresso em Pelotas, por mais que tenhamos dificuldade de aceitar, ainda parecem com pequenos buracos distantes num campo de golfe.
A decisão de efeito cascata de suspender as aulas nas escolas de Pelotas, que começou na quarta-feira passada com a escola particular Mario Quintana, onde estudam mil alunos, e prosseguiu na quinta, ontem, em toda a rede privada, na rede municipal de ensino, na UCPel e pode chegar hoje ao Instituto Federal de Educação (IF-Sul), ajuda a amenizar os riscos de contágio pelo vírus da Gripe A - H1N1, conhecida como Gripe Suína, sobretudo nestes dias de maior frio e ocorrência de gripe. Uma providência extra, contudo, é fundamental, para evitar a infecção.
Pelotas se aproxima de um de seus eventos mais importantes, a Feira do Livro, que neste ano vai homenagear o escritor uruguaio Mário Benedetti. Sobre o assunto, mais uma vez nosso crítico de cultura se debruça

Após zarparem os navios, levantou o velho a voz que os marinheiros claramente ouviram, para discursar contra as navegações: “Ó glória de mandar, ó vã cobiça / desta vaidade a que chamamos fama /(...) A que novos desastres determinas / de levar estes reinos e esta gente?” Expressava ele o sentimento do povo simples português que suportava as navegações, cujo proveito ficava concentrado em alguns nobres e na realeza. A voz do velho do Restelo é contra o discurso dominante, e só pôde se pronunciar livremente porque estava a salvo na praia. O que aconteceria se exercesse sua crítica ao alcance dos ilustres comandantes das naus portuguesas?

