Glenda Dimuro
Da equipe do blog
O site da Prefeitura de Pelotas está anunciando que a partir de sábado (27) um dos seus mais 'exitosos' projetos vai ser reeditado: Fala Pelotas nos Bairros. Segundo o site, o Fala Pelotas é itinerante, idealizado pela Ouvidoria Geral do Município, que tem por objetivo levar os serviços oficiais a todos os bairros, estreitando as relações entre Poder Público e as comunidades. Para inaugurar a edição 2010 do projeto, foi escolhido o Bairro Sítio Floresta.
No evento que, de acordo com o site, será de “caráter essencialmente festivo”, estarão representadas todas as secretarias do governo e autarquias, oferecendo serviços como confecção de documentos, cartões de saúde e vacinação, além de esclarecer a população sobre a bolsa-família, recadastramento de CPF e doenças sexualmente transmissíveis.
Com um nome desses, Fala Pelotas, a prefeitura não poderia deixar de abrir espaço também para ouvir reclamações, sugestões e claro, elogios da população.
Impossível não lembrar aquele programa da Record, Fala que eu te escuto. Cada um chega com seu problema e conta ao secretário, ao CC ou, se der sorte, até para o prefeito em carne e osso (Clic! Aproveitando o momento para fazer uma foto!), o mal que lhe aflige. “Ele”, pai todo poderoso, toma nota e com um sorriso diz que tudo vai se resolver o mais brevemente possível.
Se por um lado a iniciativa de levar até os bairros os serviços e facilitar o atendimento sanitário à população seja válida, por outro, o objetivo principal do projeto (se assim não fosse, deveria ter, pelo menos, outro nome), que é dar voz aos cidadãos, não me parece o mais adequado.
Poderia listar mais motivos, mas vou resumir em dois: 1) a soma de problemas individuais nem sempre resulta em um verdadeiro problema coletivo; 2) políticas assistencialistas reproduzem a pobreza e as desigualdades ao invés de combatê-las.
Enquanto o governo municipal seguir pensando que a vida é uma festa, simplificando a realidade complexa da cidade, limitando a participação popular a um papel passivo, continuará gerando cidadãos dependentes, que abdicam de sua vida política e social por considerar que não lhes compete decidir, mas simplesmente reclamar e “sugerir”.
Queixam-se, mas são incapazes de encontrar soluções coletivas para melhorar a vida de todos no bairro, porque se preocupam com seu próprio terreno e esperam que a prefeitura lhes dê o remédio para seus males e satisfaça os seus desejos com projetos executados em curto prazo.
A solução pode ser considerada uma utopia tratando-se de Pelotas: trabalhar juntos, de forma sistêmica e horizontal, exercendo o poder de decisão de forma conjunta e coordenada, “empoderando” os cidadãos para a definição de uma necessidade comunitária e buscando soluções efetivas para as suas reais necessidades.
Ou seja, nada que ver com a atual atuação do governo, que julga mais fácil dizer que escuta, mas sem abrir espaço ao debate, ao diálogo e ao consenso. E que depois, através de atitudes paternalistas e clientelistas, toma as decisões que julga necessárias para o bem geral.
E para aqueles que certamente pensam que a participação popular é “coisa de gente do PT” e que este governo nunca se propôs a tal façanha, leiam alguns artigos do III Plano Diretor, entre eles o 20, 27, 31, 34, 35, 42... Em todos aparecem a palavra " participação", por exemplo, da “população”, dos “setores da sociedade civil”, da “comunidade”, dos “moradores”, na gestão e sistema de planejamento do espaço municipal.
Nossa obrigação como verdadeiros cidadãos é exigir que esta forma de participação não seja somente para uma foto a ser enviada ao Ministério das Cidades, uma descarga de consciência ou, no bom e velho português, conversa para boi dormir.
Comentário meu - Coincidência ressuscitarem o programa em ano eleitoral? Se na reforma administrativa da prefeitura, for mesmo criado o Gabinete da Primeira-Dama, pergunto-me se Leila Fetter, que concorre a deputada estadual nas eleições, vai assumir o tal gabinete e se vai participar do Fala Pelotas nos bairros... Eis um tema para o Ministério Público ficar atento. RF.



6 cmt.:
Hum ! Está cheirando a campanha eleitoral !
Porque está sendo "reeditado" ? Deveria ter sido feito durante todo ao ano.
Em 2009, diz a prefeitura, foram 8 edições do Fala Pelotas, voltadas à discussão do Planejamento Estratégico da prefeitura, onde as pessoas podiam falar e discutir as prioridades da Administração, ou apresentar suas posições.
Todos que quiseram usaram a palavra e esteve excelente.
Ao invés de Fala Pelotas, Pelotas já teve orçamento participativo.
Pelotas já experimentou mais do que só falar e ouvir.
E se há 20 anos passados talvez tivessem ocorrido limitações, hoje talvez elas não existissem.
Porém esses caras de elite endinheirada tem horror a participação popular, qualquer traço de protagonismo que cheire a uma situação não inteiramente conduzida e sob controle deles lhes produz receios.
Trancam feito mulas.
Olha a recepção que a manifestação, composta por gente da base governista, aquela das patricinhas dos animaizinhos, recebeu do prefeito.
Tudo deve ser previsível.
Nenhuma decisão deve ser irrevogável.
Compromissos, só com as forças intestinas.
Dinamismo, risco, equilíbrio dinâmico e movimento, são noções estranhas e ameaçadoras à pequena burguesia pelotense.
Com certeza, o Ministério Público será instado a observar "certas manifestações" que são acolhidas e divulgadas nesse espaço. Logo teremos novidades...
Seu Adeni, o projeto é "reeditado" a cada ano e vem sendo feito, todos os anos, desde 2005.
Portanto, não é por causa de campanha, mas uma ação de governo que aconteceu durante todos os anos do mandato anterior e que recomeça a cada novo ano.
Difícil de entender, não?
Fala Pelotas,diz que na prefeitura tem fantasmas (CCs e servidores do quadro que não aparecem para trabalhar.Crime que o Ministério Público tem o dever de investigar.
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