Cláudia de Lira
Para o Amigos
A presidente Dilma Roussef sancionou no dia 03 de janeiro a Lei da Política Nacional de Mobilidade Urbana, concedendo prazo até 2015 para que os municípios se ajustem as novas regras que buscam priorizar o transporte público e coletivo em face do individual, aprimorando as condições em que se realizam os deslocamentos de pessoas e cargas no espaço urbano.
Pelas novas regras da Lei 12587/12 os municípios de mais de 20 mil habitantes deverão elaborar planos de mobilidade urbana com revisões periódicas a cada 10 anos, sob pena de serem excluídos temporariamente dos repasses federais.
A nova legislação que entra em vigor a partir de abril pretende, entre outros aspectos, desestimular o uso do carro a partir de investimentos financeiros pesados em ônibus, metrô e trem. Rodízios de veículos – como já ocorrem em algumas cidades brasileiras – além de taxação pela circulação de carros em determinadas áreas são algumas providencias que também poderão ser adotadas pelos municípios para contribuir com a mobilidade urbana e com as questões ambientais.
Bicicletas e pedestres mereceram da legislação atenção especial, pois se criou para os municípios a obrigação quanto à construção de infra-estrutura viária capaz de absorver esses entes não motorizados.
A lei falha apenas em um detalhe: concede muito tempo para a adaptação dos municípios a essa nova realidade. Três anos é muito tempo. Há atitudes que precisariam um prazo menor eis que são providências ‘para ontem’. Portanto, a lei poderia ter previsto um período escalonado, concedendo um prazo pequeno para a realização do mínimo, estendendo-o ao máximo para as grandes obras.
Em Pelotas, por exemplo, licitação para o transporte público, fiscalização do transporte coletivo, garantia de direitos corriqueiros dos usuários e condições seguras de acessibilidade, com autonomia nos deslocamentos desejados são alguns aspectos de necessidade tão premente que seriam dispensáveis integrar o plano nacional de mobilidade urbana para serem adotados em três anos.
Um administrador competente, disposto e realmente preocupado em fazer pequeníssimas melhorias que resultassem em progressos na mobilidade urbana, teria condições de colocar Pelotas em lugar à frente, destacado, diferente daquele onde hoje está.
Há aspectos particulares que chamam atenção em Pelotas, como o desprezo da administração pública em tomar atitude ante a ausência de paradas de ônibus decentes, e de abrigos de coletivos nas principais rotas da cidade, com indicações de itinerários e de seus respectivos horários, conduta que deveria ser exigida das concessionárias do serviço de transporte pela Prefeitura Municipal.
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| Calçadas maltratadas e rampas destruídas |
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| Paradas de ônibus: precariedade que assusta |
Pois aqui em Pelotas as paradas de ônibus – com ou sem abrigos – são de uma precariedade assustadora. Cruza-se a cidade de norte a sul, de leste a oeste, do centro aos bairros, e o que se vê é a omissão intimidante. A administração pública não oferece as condições e tampouco exige do prestador de serviço as informações a que os usuários têm direito. Há um ajuste para a ineficiência, concertado entre o poder público e as empresas de ônibus.
Talvez em face do mesmo ‘acerto’, as fiscalizações sobre os itinerários e horários também deixam a desejar.
Qualquer criatura precisa ser informada sobre os itinerários. O cidadão merece saber os horários dos coletivos urbanos. Tem direito de aguardar o ônibus protegido do sol ou da chuva, pisando em calçadas aprumadas. Convenhamos, três anos para isso é deboche.
As condições de acessibilidade dos portadores de necessidades especiais, em particular os cadeirantes, também são cruéis em Pelotas. Muitas vezes eles precisam realizar seus deslocamentos pelo meio das ruas, por entre os carros que nela circulam. Sabem por quê? Por falta de rampas nas calçadas.
Sobre a licitação do transporte público, bem, talvez dispensasse comentários. Alguém ainda duvida sobre a necessidade inarredável de realizá-la em nosso município? Apenas os que não se utilizam do transporte público podem contrariar essa lógica, ou ainda outros cidadãos, por interesses bem menos justificáveis.
Não se desconsidera que o prazo de três anos seja razoável – ou até curto - para o desenvolvimento de redes ferroviárias ou metroviárias urbanas e para a construção de infra-estruturas necessárias à mobilidade urbana em um sentindo muito mais amplo, que exijam grandes obras e que demandem planejamento, orçamento, execução e implantação em longo prazo. Mas para essas outras tarefas, é tempo demasiado.
Não é apenas a força abstrata da lei de mobilidade social que está pretendendo impulsionar os municípios a tomarem atitudes para a sustentabilidade das cidades. O Foro Social Temático que está ocorrendo durante essa semana em Porto Alegre também discutiu sobre as dificuldades que afetam o cotidiano das grandes cidades, como excesso de veículos, déficit no transporte público, desatenção do poder público para com os munícipes, questões afetas aos planos diretores das cidades e conscientização da população, de maneira a sensibilizar a todos, e às cidades em particular, à construção de um outro tipo de ambiente social.
As discussões do Foro Social Temático no âmbito das cidades, tal como a Lei de Mobilidade Nacional, são úteis desde que sirvam para manterem vivas as ideias que nelas estejam contidas, de modo incentivar os administrados a exigirem o que lhes pertence por direito de cidadania, e a compelir as administrações municipais a executar o que seja da sua competência alcançar aos munícipes.
Em período pré-eleitoral essas reflexões vêm em boa hora. Atente-se para o fato de que em Pelotas os pequenos feitos já citados não foram prioridades do prefeito em exercício.
Fetter Jr. esteve distanciado destes apoucados, mas importantes arranjos. Poderia ter realizado, mas parece não ter desejado.
Eis uma tarefa para a conta do próximo administrador.
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11 cmt.:
É urgente a realização de um Plano de Mobilidade Urbana em Pelotas, onde se privilegie o cidadão em deprimento do veículo individual.
Quanto à licitação do transporte coletivo, acho que é necessário, embora não acredite em melhoras significativas, seja porque as empresas hoje prestadoras do serviço serão as vencedoras, seja porque o poder concedente permanecerá omisso nas sua missão de organizar e fiscalizar o serviço.
Ainda não será desta vez.
Ótima a abordagem da Cláudia. Meu TCC foi sobre a mobilidade urbana; a vida de quem põe o pé no ônibus até o destino. Foi uma experiência única, emocionante e marcante. Histórias, sonhos e desejos; a dignidade da pessoa humana que repousa na fria letra da CF. É digno e justo que andemos à frente.
Ok, quem escreve é a Cláudia, mas quem delira é quem acha que é possível viver nesse caos urbano.
Pelotas, em se tratando de mobilidade urbana, só vem piorando nos últimos tempos. Afora o crescente número de veículos rodando pela cidade, faz falta estacionamento rotativo, linhas de ônibus melhores, as informações para os usurários que a colaboradora menciona e paradas de ônibus que considerem o número de usuários cotidianos que as utilizam, além de fiscalização, fiscalização, fiscalização e fiscalização. Poder público falha, é omisso, a população se ferra.
Cláudia escreve e quem DELIRA sou eu.
As coisas são colocadas ali, novas, mas quem destrói é a própria população...
Pra população não destruir tem que fiscalizar. Educar castigando. Quem destrói deve ser punido. Mas tem muita gente que não é vândalo. Saberia dar melhor as melhorias que viessem em seu benefício.
Tenho um amigo cadeirante que se obriga a andar pelo menos três quadras a mais para sair de sua casa e chegar no curso de inglês. Um absurdo e sabem por que? Porque não há rampas nos caminhos que ele deveria percorrer.
Será que só quem acompanha uma pessoa com essas dificuldades consegue medir o quanto isso atrapalha e discrimina? Pode ser que o próximo prefeito faça algo pra beneficiar os portadores de necessidades especiais.
Sou formada na PUC de Minas Gerais em Administração, e fiz uma especialização em políticas públicas e pude pesquisar e escrever minha monografia final sobre mobilidade urbana - na perspectiva das políticas públicas municipais. Sem dúvida temos uma preocupante realidade a ser enfrentada.
Qual será a causa do aumento de mercadores de tantas quinquilharias no centro.
Absurda a omissão do desgoverno Fetter. Há uma causa para esse aumento?
Nem os conselheiros conseguem "colar" a tão reclamada mobilidade humana?
É castigante percorrer o centro.
Cachorros errantes, poluição sonora, esgotos, lixo espalhado, mercadores (nego referir "mercado persa").
Não tem quem aconselhe o sedizente Prefeito dinâmico?
A auto-louvação é demais nessa terra!
Qualquer dona de casa sabe,
é essencial LIMPAR a casa.
O Centro da cidade sujo, feio, poluido!
O que acontece na periferia então?
Colaboração para os Serviços Urbanos: O Relógio dos 200 anos pede uma capina urgente e quem sabe umas florzinhas, no canteiro onde está assentado.
Tenho receio de estar pedindo muito diante de tanto serviço.
Mais:
Haverá um fiscal para SOLICITAR um menor volume de som dos músicos no calçadão? Atenção: Gosto dos músicos, cantores, são ótimos, mas o volume está demais! Não é para tirá-los dalí. Somente pedir um som mais baixo. Tenho certeza ficaria 10. Atualmente se ouve é uma vibrante distorção musical.
Dentro da loja de calçados em frente é uma tortura, fui comprar e saí depressa. O som rebate ali e cresce ainda mais.
É melhor parar por aí.
Já pedi demais.
Em tempo:
Rubens, gostei da foto antiga do Laranjal.
Bom em Pelotas a mobilidade urbana já é difícil para quem caminha, imaginem para os cadeirantes, temos que disputar espaço no centro com mercadorias de lojas e de ambulantes, e a fiscalização da Prefeitura faz o que?
Falando em Prefeitura, estive no prédio central onde trabalha o Prefeito e observei que reformaram os banheiros, inclusive criaram um para cadeirantes, mas fica a pergunta, como o cadeirante chegará até esse banherio se no prédio não tem rampas, apenas aquela imponente escada?
Obra inútil... ou não?
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