Pouco a pouco, a cada dia que passa como se não houvesse, o ano de 2012 vai começando.
Daqui a dois dias, entraremos em fevereiro, quem diria...
Logo a procissão das santas retornará uma vez mais às nossas retinas. Iemanjá e Nossa Senhora dos Navegantes puxarão cortejos fluviais, e homens, mulheres e crianças esperarão emocionados nos ancoradouros, com oferendas nas mãos.
Logo virá - outra vez - o Carnaval. Em Pelotas, teremos o organizado desfile formal na passarela da antiga estação férrea, que é ao que reduziu-se o que um dia foi o espontâneo e democrático carnaval de rua pelotense.
Depois da festa, virão as águas de março e, no vai-vem das ondas da Lagoa, uma vez mais nossas ilusões terão o destino do esquecimento.
Tudo na vida é tão volátil, tudo que importa se dá de forma tão imprevisível, tão injusta, que Deus (como diz um trecho de um filme de Allen) parece não ter incluído a felicidade no momento da Criação.
Mal temos tempo de conhecer uns aos outros de verdade. Mesmo com o progresso das comunicações, a solidão é um fato. "Comunicação" é como entendemos o que o outro diz, não o que ele diz. Quando a ficha dá sinal de queda, é hora de partir, recomeçar tudo de novo.
Os motores dos barcos, o gestual dos foliões, a ilusão do recomeço do ano, tudo se move por uma coisa nomeada esperança. Assim, parece, sempre será.
Tantos séculos e seguimos incapazes de conceber significado maior que justifique nossa presença neste mundo a não ser esse sentimento básico: esperar...
Não é a esperança que morre por último.
Sem nós, o mundo vive um equilíbrio perfeito demais para a nossa compreensão. Fora de nós, a esperança não depende de expectativa para tornar-se realidade. Nem mesmo precisa de um nome. (RF)
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1 cmt.:
Por detrás desse Rubens que a gente vê, tem esse homem sensível que vez por outra se deixa mostrar.
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