CONTO
Henrique Jeske
- Alô...
- Olha, acho que devemos deixar livres os corações que foram descartados para que eles se aglomerem na montanha dos desamores até encontrarem alguém disposto a resgatá-los para compor uma jogada. A vida me ensinou outras coisas... é por isso que estou te ligando às quatro da manhã. Temos algo em comum, você notou? Somos agitadores, desertamos dessa tal montanha, e estamos aqui perdidos, quer dizer..., ao menos eu estou. Então, me deixa ser objetivo dessa vez. Se você permitir, posso converter o calor desse verão em frio de inverno... do comecinho dele talvez... então eu pensaria em algo que te aquecesse... mas mantenha-se calma e tranquila, eu levo whisky para o caso de tudo falhar... Querida, você está aí...?
- ...
- Costumo ficar em silêncio quando estou feliz e quando estou triste. Talvez você seja como eu. Se for, acredito que está muda por não conseguir recusar um convite tão interessante. Ou pode ser que você não esteja mais aí... essa é a recompensa de ser considerado louco - pode-se falar e falar e falar sem que ninguém estranhe. Todos dizem que formamos um casal bonito, que seus sorrisos e a maneira que faz uso deles combinam com a escassez dos meus... e, se você quer saber, concordo.
- ...
- Entenda, ainda não posso te levar para viajar nem comprar aquelas jóias da guria daquele filme e, se você quer saber, acho que ficariam lindas em você. Mas não posso... porém, sei que...
- UM MINUTO... você precisa parar de telefonar para minha casa toda vez que bebe mais que suporta.
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