Como "quase" me tornei candidato a prefeito


Em 2011, sem que eu tivesse conhecimento, uma pessoa recomendou meu nome à cúpula estadual do Partido Verde, lá em Porto Alegre.

Tempos depois houve um contato pessoal.

Viajei a Porto Alegre duas vezes para conversar com a cúpula, pessoas aliás de quem guardei a melhor impressão.

Na época, o presidente do PV em Pelotas era o ex-vereador Cururu.

Lá em Porto Alegre me disseram, em resumo, que Cururu (que fazia campanha na tevê dizendo que queria se eleger para arrumar a própria vida e a de sua família) não representava mais o partido na cidade. Que estavam procurando outro nome, uma pessoa que tivesse o perfil do PV que "surgia" após a conquista de 20 milhões de votos por Marina Silva na eleição presidencial de 2010.

Na ocasião, a cúpula achava que Marina, após a estrondosa votação que a deixara em terceiro lugar no pleito presidencial, iria naturalmente passar a liderar o partido nacionalmente e que, nesse processo, iria provocar uma renovação nas instâncias de poder da sigla.

Na percepção de algumas pessoas da cúpula do PV/RS, eu me encaixava nesse novo momento.

Falou-se na possibilidade de eu vir a ocupar a presidência do PV em Pelotas, em substituição a Cururu. Nesse posto, eu deveria trabalhar para reerguer o partido na cidade, aglutinando filiados novos, pelotenses desiludidos com a política tradicional e que se conectavam com o discurso de Marina, no rumo do desenvolvimento sustentável.

Com decorrência desse trabalho, eu poderia concorrer a prefeito, pois o partido estava decidido a ter candidato próprio para afirmar a candidatura de Marina.

Havia um problema, porém. Falavam em afastar Cururu da Presidência do PV, mas não do partido.

Outro problema, igualmente sério, era de natureza pessoal e ética: sendo eu jornalista, como conciliaria minha atividade profissional com a atividade político-partidária?

2ª Parte

Depois de analisar a situação, acabei desistindo de entrar no PV por 3 motivos:

1) Porque o partido não quis afastar Cururu, o que deveria ter sido feito se, como diziam, queriam de fato "refundar o partido";
2) Em nível nacional, o PV não quis abrir mais espaço para Marina Silva, mesmo após seus 20 milhões de votos. Marina acabou deixando o PV e muitos a seguiram. O PV, sem Marina, ficou menor - reduzido ao burocratismo.
3) Achei que, naquele momento, o Amigos precisava mais de mim.

Assim terminou meu namoro com o PV.

Meses depois, Cururu foi expulso do PV pelotense - hoje está no PMN. Novas pessoas assumiram o partido na cidade - com apoio da Executiva Estadual.

O novo presidente me telefonou para oferecer vaga no PV. Disse que eu poderia escolher se concorreria a vereador ou a prefeito. Agradeci o convite, mas o namoro não tinha volta.

Quando não compreenderam o significado dos 20 milhões de votos dados a Marina, e esta deixou o partido, o PV que eu imaginei que pudesse surgir morreu na casca. Para mim perdeu o interesse.

Hoje o PV faz parte da base do governo Fetter Jr. (PP). Seu papel na eleição é uma incógnita. Deverá se coligar a algum partido, pois não possui liderança de expressão nem recursos para pagar uma campanha eleitoral.
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