Por que optei pelo PCdoB e sou pré-candidato



Rubens Filho

Nunca em minha vida estive filiado a partido político, mesmo que este seja um direito constitucional do todo cidadão, assim como o exercício da política partidária. Por isso relutei antes de aceitar convite para me filiar a uma sigla - porque, acima de tudo, sou jornalista. Sempre considerei o distanciamento da política partidária condição para minha credibilidade profissional. Logo, não foi fácil escolher filiar-me nessa altura da vida, como o fiz.

Antes de tomar minha decisão, conversei com algumas pessoas. Lá de Brasília dois veteranos jornalistas amigos meus me desaconselharam de ingressar na política. A opinião deles tem grande peso, pois são pessoas vividas e experientes.

Também ouvi opiniões divergentes de interlocutores que igualmente respeito. Antes que o assunto se pacificasse, oscilei bastante. Ouvi então meu coração, aquilo que alguns chamam de sexto sentido. Ele me disse para topar o desafio.

Cheguei à conclusão de que, mesmo sendo jornalista, tenho direito, como qualquer cidadão, de me filiar a uma agremiação partidária e de, eventualmente, concorrer a cargo eletivo. Uma coisa não impede a outra, desde que eu deixe isso claro aos leitores.

É o que estou fazendo nesse momento, depois de decidir me tornar pré-candidato, e de receber o incentivo de Manuela D'Ávila, deputada federal pelo PCdoB.

Considero minha opção pela política uma extensão do meu trabalho no Amigos. Em quatro anos de blog, mais que um negócio no sentido comercial, desenvolvemos um instrumento de afirmação da cidadania, algo de que a cidade estava carente.

Quem nos visita não busca só informação, mas conhecimento da realidade, ideias, questionamentos, espaço para ter voz. Logo, a conexão entre o Amigos e a política é inevitável. Refiro-me, claro, à política do bem, aquela que mantém de pé o ardor por avanços no sentido amplo para a sociedade.

Escolhi o PCdoB por dois motivos centrais.

Primeiro, porque é um partido que está fora do poder local. Embora sedutores, nunca gostei dos caminhos fáceis. Tem sido assim na minha vida. Foi assim com o Amigos de Pelotas, que criei do zero e, há quatro anos, com a colaboração de inúmeras pessoas, está aí, fazendo, creio, diferença numa cidade onde a imprensa tradicional ainda tenta manter a população vivendo numa realidade paralela - uma dimensão matrix de irrealidade. Sendo assim, escolhi tentar repetir, na vida política, a façanha de transformar o que parece impossível em algo possível.

Em segundo lugar, o PCdoB tem vocação democrática, o que me deixa à vontade, além de ser expressão partidária mais próxima, hoje, do que se chama de "esquerda no Brasil". Quando falo de esquerda não trabalho com ideias retrógradas como, por exemplo, propor a "estatização do Diário Popular", mas porque vejo no PCdoB um espaço de ação que destoa do chamado Pensamento Único e que conserva vivas as possibilidades em relação a novas organizações da sociedade.

Quem poderia prever, por exemplo, que a China fosse despontar como potência reunindo comunismo e capitalismo. Talvez seja essa a fórmula ideal, uma combinação convergente do melhor de cada sistema.

O que ocorre na China hoje, mesmo que seja distante geográfica e culturalmente, mostra que a história não acabou, que novos arranjos são possíveis e que o mundo está em efervescência - que o digam os árabes depois da deposição de ditadores de longa data a partir de mobilizações que começaram e se espalharam na internet como rastilho de pólvora. É isso o que me mobiliza, esse espaço de movimento, além do desejo de contribuir para fazer a diferença na política da cidade, que me parece dominada hoje por um velho e modorrento jogo de cartas marcadas.

Certamente avançaremos um dia para um sistema em que as pessoas não precisem mais se filiar a partidos para fazer política de forma institucionalizada. Digo-o porque as ideologias estão em crise no mundo, logo partidos e ideários também. No cenário atual, porém, o PCdoB me transmite a percepção, para mim fundamental, de que ainda é possível sonhar e trabalhar pela realização do ideal.

Devo dizer, por fim, que o Amigos, em termos de tratamento noticioso e de opinião, continuará sendo apartidário e plural - um espaço de afirmação da cidadania e de debate das questões, sobretudo das que dizem respeito ao nosso futuro como cidade e sociedade. Não será, portanto, um veículo do PCdoB nem coisa parecida.
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7 comentários:

CANELAFINA disse...

Parabens Rubens pela clara leitura deste novo desafio que se apresenta. Sucesso na politica partidaria e, força no enfrentamento das injustiças em nossa sociedade, a exemplo do que tens feito no amigos.

Mônica Wrague disse...

Rubens, como sabes esse é um grande desafio, como tudo, tem os prós e contras mas tudo vale de aprendizado e que este aprendizado traga bons resultados para Pelotas também! Conte comigo!

Geraldo Hasse disse...

"Tás com a razão, camarada.
Bola pra frente e tomara que chegues lá".

Heráclito de Éfeso disse...

teste

CANELAFINA disse...

Lembro do Brizola quando leio teus posts sobre o partido que ingressas. Os brizolistas tambem tinham a mania de mencionar o Brizola ao se referir ao partido.
Para com isto....

Rubens Filho disse...

Obrigado aos que desejam êxito.

RITA MULLER disse...

Rubens, acho que de acordo com tuas convicções escolheste um bom partido. Um bom político faz primeiro assim : procura um partido, entidade, sindicato ou qualquer organização que tenha concepção ideal e ações condizentes com aquilo que pensa, não escolhe então um partido por "conveniência" ou "oportunismo", como muitos fazem. És um exemplo no jornalismo pelotense e com certeza o serás na política. Parabéns pelo bom começo.