Incompetência e falta de respeito no concurso da UFPel traz tema da fragilidade dos editais da Universidade para campanha de reitor

Impressiona a incompetência, o desrespeito, a falta de noção dos realizadores do concurso da UFPel ocorrido neste domingo. Ocorrido em termos, já que muitos candidatos, prejudicados, foram retirados de sala e acabaram se dirigindo à polícia para dar queixa contra a UFPel e o Instituto do Saber, responsável pela produção e realização das provas.

O que ocorreu é inaceitável em concurso público. Se tudo tem dois lados, o bom é que os fatos de hoje devem esquentar a morna campanha atual a reitor da UFPel.

Um momento especialíssimo como esse, em que muitos candidatos pagam para se preparar para a prova, vários provenientes de outras cidades, instante tomado pela ansiedade com o futuro - eram 10.500 candidatos para 54 vagas -, não merecia os surpreendentes eventos vistos hoje, em que faltaram até cadeiras em salas.

Um vídeo feito por celular, por um dos candidatos, mostra que voluntários tentavam trazer cadeiras na última hora para colocar não se sabe onde, já que o auditório do Instituto de Ciências Humanas (ICH/UFPel), um dos locais de prova, estava lotado de cadeiras e numa distância ínfima uma da outra, facilitando a cola.

As falhas de organização foram óbvias. Como podem ter colocado menos cadeiras do que o necessário, e tão perto uma das outras?

Como podem ter começado a distribuir as provas antes que todos estivessem sentados? A insensibilidade deste gesto parece ter precipitado o protesto daqueles que, em pé, aguardavam.

Outro fato difícil de aceitar foi a presença de celulares em salas. Como podem ter deixado pessoas entrarem com o aparelho sem preocupar-se com a possibilidade de acesso à internet e à fraude? Há vários relatos de possibilidades de cola nos posts que publicamos.

Os relatos dos candidatos impressionam, pois têm a força de quem viveu a situação na carne. Houve quem tenha ido ao banheiro sem a companhia de fiscal, podendo, na prática, buscar respostas a perguntas pelo celular ou outro recurso.

Se faltaram cuidados elementares na organização, imagina-se no restante das etapas.

Insegurança nos concursos da UFPel
Como se sabe, a UFPel convive há muitos anos com um fantasma: a falta de segurança nos editais dos próprios concursos.

Os 'buracos' nos editais permitiam (talvez permitam ainda) manipulações de toda ordem.

Durante toda a gestão de César Borges não se fez nada, por iniciativa da reitoria, para tornar os editais menos suscetíveis à fraude.

No ano passado, o Ministério Público Federal chamou o vice-reitor, Manoel Brenner de Moraes, atual candidato a reitor da UFPel, e recomendou que ele tomasse providências para tornar os editais da UFPel mais seguros. Algumas mudanças foram anunciadas, mas as inseguranças permanecem.

Por exemplo, houve o caso da fraude grosseira em que prejudicaram um candidato à vaga de professor na Faculdade de Direito. Manipularam as notas para tirar do candidato, advogado Marcos Cáprio, a vaga a que ele fizera jus por ter tido o melhor desempenho. Deram a vaga a outra pessoa.

Cáprio, defendendo a si próprio, começou uma batalha judicial, venceu-a a tomou posse finalmente como professor.

Os problemas no concurso deste domingo devem trazer para o primeiro plano da campanha de reitor da UFPel, em curso neste momento, o tema da insegurança nos editais, assunto que não vinha sendo debatido.

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3 comentários:

Anônimo disse...

Muito bem apanhada a questão no texto. Acredito que os candidatos a Reitor deveriam pontuar esta questão. Qual postura deve assumir a reitoria, diante de casos como o do professor que teve que ir ao Judiciário porque administrativamente não resolveram nada? É de se pensar! Se o silêncio permanecer, parecerá que há uma compactuação generalizada.

MaURO bANDEIRA disse...

Rubens ,acho que não saiu meu nome no comentário que acaba em MP e PF...rrsss .Abraços. Mauro bandeira

MaURO bANDEIRA disse...

Rubens ,acho que não saiu meu nome no comentário que acaba em MP e PF...rrsss .Abraços. Mauro bandeira