Manuel e Márcia dão tiro no pé

O candidato do atual reitor da UFPel César Borges para substituí-lo, professor Manuel de Moraes, sua vice, Márcia Bueno Pinto, e outros dois membros da chapa da situação assinam nota paga nos jornais Diário Popular e Diário da Manhã desta quinta (17).

Título: Por respeito à inteligência e à autonomia da comunidade acadêmica da UFPel.

Na nota, reclamam de matérias na imprensa (Zero Hora etc.) com relatos de problemas na gestão Borges. Dizem que são fatos requentados de seis anos atrás e que as notícias têm por objetivo atingir a chapa de Manuel e Márcia, a 15 dias da eleição de reitor.

Dizem também que a chapa deles está em primeiro lugar.

Gostaria de fazer algumas observações:

1) Primeiro, Manuel e Márcia erram ao defender a gestão atual, dirigida por Borges. Mesmo que Manuel seja o atual vice de Borges, as matérias dizem respeito ao comportamento não de Manuel, mas de Borges, que, segundo Zero Hora, misturou dinheiro pessoal com dinheiro público, ao ponto de comprar espumantes e mandar espetar a conta na FAU (Fundação de Apoio Universitário, ligada à UFPel).

2) Num primeiro momento o próprio Borges assumiu a defesa de si próprio, indo ao Jornal do Almoço, da RBS/TV, no mesmo dia em que Zero Hora publicou a matéria MPF investiga gastos feitos pela reitoria, terça passada. Ao vivo, Borges, em vez de explicar com clareza os pontos da reportagem, acusou Zero Hora de ter sido comprada para fazer a matéria contra ele, Borges, a poucos dias da eleição. Se Borges assumiu sua própria defesa, deveria ter sido ele a assinar a nota publicada, hoje, nos jornais locais. Por que Manuel e Márcia assinam? O que têm a ganhar com isso?

3) Por que Manuel e Márcia entraram numa "briga" que não dizia respeito a eles? Uma possibilidade: fazerem papel de "vítimas injustiçadas". Esse é "papel" que pode contar pontos numa eleição. Acontece que pode tirar também, pois aposta na pouca inteligência dos eleitores, o oposto do título de sua nota paga. Há quem se pergunte, com raciocínio crítico, como faço neste momento, por que Manuel e Márcia assumem a defesa de Borges se as denúncias narradas pela imprensa e pelo Ministério Público Federal não os envolve?

4) Fazer papel de vítima, em busca de mais votos, é jogada de alto risco. Mesmo porque - é preciso lembrar - Manuel não está em primeiro, como disse. A rigor, Manuel e Márcia mentem quando afirmam isso na nota paga. Em primeiro lugar Manuel e Márcia estavam, em pesquisa feita por um departamento da UFPel e divulgada na semana passada, empatados tecnicamente com outros três candidatos a reitor. Havia quatro em primeiro lugar, portanto. Como mudou a semana, a pesquisa da semana passada não vale mais. Pode ter mudado o resultado de lá para cá, sobretudo depois dos últimos acontecimentos.

5) Ao desprezar a inteligência e o raciocínio crítico dos eleitores, e afirmar que "estão em primeiro" quando outros três candidatos também estão em primeiro (sem mencionar ao público ainda o fato de que o número de indecisos e dos que não responderam à pesquisa por amostragem é muito grande), Manuel e Márcia podem, talvez, vir a perder pontos na pesquisa numa comunidade, acadêmica, onde a massa crítica é maior e mais concentrada.

6) Ao assumir a defesa de Borges, Manuel e Márcia se confundem com ele. Isso é bom, é ruim? Na minha opinião, não é bom, já que Borges está desgastado por uma série de problemas de gestão, judiciais e sombras administrativas. Quem dirá, contudo, é a comunidade acadêmica. O bom dessa eleição é ver que há outros candidatos capazes de assumir a reitoria e que contam com a confiança dos eleitores, segundo a pesquisa da semana passada. Como andará a situação hoje. Terá alguém mandado fazer pesquisa recente? Terão os resultados influenciado nos últimos acontecimentos, na nota de hoje de Manuel e Márcia?

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2 comentários:

Anônimo disse...

Aqui em casa acontece a mesma coisa!

Quando uso o aspirador de pó e vou limpando a casa o rabo, digo fio elétrico, sempre fica preso no batente da porta.

Adeni Renato disse...

As "autoridades" acham que todo mundo é retardado mental e acredita em tudo que eles dizem , que todos são inocentes e todas as denúncias feitas são calúnias e mentiras ! As própria regras do jogo (nomeação do reitor) já são direcionadas pelo governo para nomear alguém do "partido" ou afilhado político, pois é através da lista tríplice que ocorre a escolha.Se fossemos uma verdadeira democracia, a escolha seria pelo voto direto da comunidade acadêmica.Interessante observar que o orçamento da UFPEL é maior do que o de muitos municípios brasileiros e no entanto a eleição é indireta. Realmente estamos tomando um "porre" de tanta democracia no país.