Sem bombeiros, família combateu o fogo




 VOZ DO LEITOR 

Renata Aires de Freitas
Para o Amigos

Olá Rubens. Rscrevo para dar algumas informações sobre o controle do incêndio no banhado do Pontal da Barra ontem.

Chegamos ao Pontal às 12h30 para fotografar e vimos que havia novos focos de incêndio em área de banhado. Prontamente ligamos para os bombeiros, logo outras pessoas pararam onde estávamos e ligaram também.

Na primeira ligação, o bombeiro que me atendeu perguntou se o fogo "era no mesmo lugar de ontem". Respondi que não, era novo foco.

Na segunda ligação, eles disseram que a viatura já estava a caminho. Uma professora parou onde estávamos e disse que ligou para eles também, e que eles disseram que não iriam porque aquele incêndio no banhado "era uma questão política".

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Cansados de esperar, trouxemos pá, enxada e 
baldes para fazer nossa parte. Eu, meu marido 
e minha irmã começamos a apagar o fogo.
Combatíamos labaredas de 2 metros. Em três horas conseguimos apagar todos focos no banhado

Cansados de esperar e vendo o fogo se alastrar, resolvemos pôr a mão na massa: trouxemos uma pá, uma enxada e dois baldes para ao menos fazer a nossa parte. Eu, meu marido e minha irmã começamos a apagar o fogo a enxadadas e pazadas. Minha irmã trazia água da lagoa e jogava nas chamas menores, próximo à estrada, e nós combatíamos as labaredas de 2 metros de altura ou mais. Em três horas conseguimos apagar todos os focos de incêndio no banhado, e não eram poucos. Quando acabamos, nem acreditávamos no que tínhamos conseguido fazer.

Em meio à fumaça e à cortina de fogo, pude ver uma ambulância dos bombeiros chegando. Pensei que eles estivessem ali porque nós estávamos em área de risco. A ambulância deve ter ficado 15 minutos no local, e quem estava nela sequer desceu do carro para olhar o incêndio de perto. Foram embora. Vi o prefeito também, e o vice. Eu estava atrás da cortina de fogo com meu marido, dando pazadas nas chamas, acredito que eles tenham nos visto. Porém, não fizeram nada. Minha irmã foi falar com o prefeito e ele disse que essas coisas são assim mesmo, que ele está acostumado com fogo "pra fora".

Ontem à noite me conectei para ver a repercussão do incêndio naquela Área de Preservação Permanente na mídia.

No site do Diário Popular havia uma nota publicada no sábado, e tinha um comentário de um cidadão (procurei o nome dele no Google e parece que é um soldado dos bombeiros) dizendo que as pessoas deveriam preocupar-se mais com o que acontece no quintal delas, que os bombeiros estiveram das 13h às 16h30 no local e controlaram o fogo.

Como estive lá e quem combateu o fogo fomos nós, cidadãos, respondi ao comentário, porém o Diário Popular não publicou. E hoje, na edição impressa, nas curtas do leitor, esse comentário desse cidadão está lá. Para minha surpresa, neste exato momento em que te escrevo, o Diário Popular aceitou meu comentário (11h da manhã do dia 11 de junho).

A luta para a preservação do Pontal da Barra é antiga. Em 1996 participei de atividades em prol do Pontal. O GEEPA, a Universidade Católica, o CEA sempre estiveram envolvidos com ações para a preservação do Pontal, e até o Ministério Público Federal e, recentemente, o Movimento Pontal Vivo (eles estão no Facebook, para quem quiser se unir). A população deveria apoiar em massa essas iniciativas, que só visam proteger a nossa cidade. Imaginem uma corrente humana passando baldes de água. Chegaremos lá.

4 comentários:

Anônimo disse...

pois os bombeiros só tem dois caminhões doados por uma empresa privada e ontem estavam atendendo a guabiroba e o pontal e deixaram de atender um foco na av. são francisco de paula às 15h30min por sorte ou desígnio divino se "parou" sozinho.

Anônimo disse...

Prezados,

Realmente, quem esteve lá viu que os bombeiros não fizeram nada. Infelizmente, deve ser isso mesmo, as autoridades acham normal "fogo pra fora"...

Anônimo disse...

Pelotas 200 anos...e viva as colunas sociais!

José CS Vidal disse...

Mas o prefeito apareceu bonitaço nas fotos, apontando pro lado avesso. E as viaturas vermelhas também foram lá posar.